terça-feira, 7 de julho de 2009

JOBY FOR THE BOYS...


Fernando Gomes deverá auferir um salário na ordem dos 15 mil euros por mês na Galp

Luís Patrão ganha 7000 euros por mês na TAP

Armando Vara promovido na CGD quando já estava no BCP

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domingo, 4 de janeiro de 2009

PROMESSAS...


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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A DECOMPOSIÇÃO DA ESQUERDA

No ano 2000 havia, na Europa, onze governos socialistas ou sociais-democratas. Actualmente, subsistem três. Tomo as definições socialistas e sociais-democratas com a prudência suspeitosa que elas exigem. Historicamente, têm perdido a matriz original e os seus dirigentes, na esmagadora maioria dos casos, envolvem-se em escândalos, forjam alianças com as forças políticas mais tenebrosas, tripudiam sobre a ideologia, mandaram as convicções às malvas.


Nunca é de mais repetir estas verdades.

A geração socialista que tomou o poder a partir da década de 80 é uma desgraça. Mesmo Zapatero, apontado como exemplo quase único, tem dias. Em Portugal, a prática do PS é o que se sabe. E este Governo só não é escorraçado, porque o adversário directo, pouco diz do que pretende fazer, e esse pouco é assustador. À Esquerda, o PCP sobe, como indicam as sondagens, advertiram os politólogos e impõe o eleitorado. A intensificação da violência económica resulta da perplexidade social e da abdicação política em favor do mercado.

Na Europa, os meios populares, base de apoio dos partidos de Esquerda, manifestam uma inquietada desconfiança. De um modo quase generalizado, os partidos comunistas são uma reminiscência, com escasso poder e reduzida influência. A ascensão da Direita dimana dessa absoluta incapacidade de os socialistas em encontrar soluções. É uma deriva que se arrasta há quase três décadas. E a queda dos governos europeus, assinalados como de Esquerda, colocou, por exemplo, no poder da União Europeia as forças mais conservadoras e, até, reaccionárias. A Europa não possui resposta, como um todo, para as crises que se desenvolvem e multiplicam, porque não previu as modificações, se regozijou com os prestígios do mercado e orientou-se para a acção única do pensamento único.

Jean-Gabriel Fredet, no último Nouvel Observateur, esclarecia que a crise da União Europeia podia ser entendida como o fim de um modelo social de que a Esquerda quisera dotar a Europa, esquecendo-se, ou ignorando que não há associação possível entre as abruptas leis do mercado e as imperiosas necessidades redistributivas.

A verdade é que os socialistas não estão nada interessados em reflectir sobre a mudança do mundo. São, apenas, os servis gestores do capitalismo mais selvático. Naturalmente, esta situação não pode continuar. E dá-me imensa vontade de rir os comentários de preopinantes portugueses, sobre as virtudes (inclusive morais) do neoliberalismo, apontando a infausta experiência de Tony Blair como exemplo de pragmatismo. O pragmatismo é a expressão que tem encoberto as traições mais vis, e permitido a abundante criação de um grupo de estipendiados. A vergonha e a indignidade chegaram, já há anos, aos jornais, às rádios e às televisões.

Há dias, conversando com um dos meus amigos mais estimados, o grande jornalista João Paulo Guerra, concluímos que o vazio ético, a capitulação profissional que lavra, como endemia, no nosso país, são reflexos da decadência da Esquerda e desse sentido individualista de tratar da vidinha que se tornou numa carta-de-alforria para a sobrevivência. Anotámos os nomes daqueles que passam de directores de jornais para directores de jornais e daqui para a direcção de agências noticiosas, para assessorias, para secretariados. A maioria não sabe escrever uma notícia, jamais assinou uma reportagem, confunde crónica com artigo e editorial com comentário, veste-se de igual modo, move-se com ar grave e semblante marcado. Afinal, são, apenas, sapatos Gucci, fatos Massimo Dutti, e cabelo cheio de gel. Alguns, cuja mediocridade é pavorosa, treparam à direcção de importantes diários. O resultado foi catastrófico.

A assunção desta mediocridade, que faz jornalismo através de telefonemas e de nomes em agendas, devolve a imagem da actualidade portuguesa. A classe política que nos dirige é doentiamente insignificante: nem sequer sofrível. Olhe o Dilecto para aquelas caras, tenha a paciência de os escutar, de os ler, de assistir a esse circo de comentadores de televisão, sempre os mesmos ou tocadores do mesmo solfejo. Aqueles que se insurgem são apodados de ter mau feitio, o modo de se assinalar, negativamente, a grandeza de carácter. As perseguições a jornalistas livres, que se não conformavam com a situação, criada a partir da década de 80, foi terrível. Grandes profissionais de Imprensa foram para o desemprego ou abandonaram a profissão, sem saídas para desempenhar o seu trabalho, as suas funções, a sua vocação.

A educação cívica, que compreende a aceitação das vozes discordantes, foi dizimada por uma casta de oportunistas. E, quase insistentemente, estimulada pelos partidos que se dizem democráticos.
O processo de decomposição da Esquerda, mas, também, da Direita, esta Direita é risível, pela soberba e espantosa iliteracia, invalidam qualquer possibilidade de restauração.
Mas renovar, como e com quem?
Descobrir gente honrada e competente no interior dos partidos?
O busílis está aí.
Porque os partidos converteram-se em agências de empregos, desprovidos de ideais morais, com clientelas domesticadas porque as sinecuras e o nepotismo são compensadores.

B.B.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

NÚMEROS PARA QUE VOS QUERO

Ouvindo dizer que desde o início desta legislatura foram criados mais 133 mil postos de trabalho, muitos portugueses terão concluído que o jackpot sai sempre aos outros. E, se calhar, devem ter-se perguntado: Se, diz o INE, no 1.º trimestre de 2005 (início da legislatura) havia 412 600 desempregados e, no 1.º trimestre de 2008, havia 427 mil (isto é, mais 14 400), o que aconteceu aos tais 133 mil postos de trabalho?
A única resposta aritmeticamente possível é que, entretanto, terão sido descriados 147 400 (133 mil + 14 400)…
Acontece algo parecido com a inflação.

Enquanto o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor era, em 2005, de 2,1% e, em Março de 2008, 3,1%, raro é o mês em que não surgem notícias da diminuição dos números da inflação homóloga, sendo que nem uns nem outros batem certo com os números da conta do supermercado (e da água, e da luz, e do passe…).
Talvez os portugueses devessem aproveitar as férias para ler How to lie with statistics (Como mentir com as estatísticas), de Darrell Huff.
Já que têm a prática, não lhes fazia mal nenhum ficarem também com a teoria.

M.A.P.

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sexta-feira, 23 de maio de 2008

ESTA GENTE NÃO DIZ NADA DE NOVO

A dr.ª Manuela Ferreira Leite não voga em ondas amenas. No seu partido, as divisões, dissensões e embaraços, além da intriga, são assinaláveis. Em público, o extraordinário Santana Lopes diz que a senhora é deprimente.

A afirmação não só é dura: é rude e cruel, mais pelo que insinua do que pela qualificação psicológica. Santana ainda acrescenta umas picardias, acaso movido pelo ressentimento e na busca de uma espécie de acerto de contas. Não consta que José Pacheco Pereira, tão lesto em criticar os primeiros planos da candidata, na excelente entrevista que Judite de Sousa lhe fez, na RTP, tenha manifestado a sua assanhada insurgência contra a crítica de Santana.

Por outro lado, começam a surgir dúvidas acerca dos méritos da dr.ª nas suas passagens ministeriais. Ao que se infere, quando ministra da Educação foi deplorável; e, na pasta das Finanças, um malogro. Os factos estão aí; os números provam-no. E os mais apetrechados nas matérias afirmam-no e reafirmam-no.

Mas perdemos um tempo incalculável com as ninharias de um processo político centrado no já visto e ouvido. Nenhuma das candidaturas à chefia do PSD suscita a curiosidade activa da população.

Parece um jogo em que a participação se movimenta num círculo fechado, ou numa redoma através da qual se movem sombras turvas. Que desejam estes senhores, e a senhora, bem entendido, para o País? Qual o projecto político e, decorrentemente, cultural e social que, cada um a seu modo, prevê para Portugal?

Bem pode Marcelo Rebelo de Sousa agitar a sua preferência: já poucos admitem que Manuel Ferreira Leite seja a salvadora. Mas também Santana Lopes (pobre Santana!, chega a ser comovente) e Pedro Passos Coelho ou quem quer que seja dos outros logram conquistar a adesão sincera das pessoas.

Nenhum deles possui capacidade, competência e talento para resolver os cada vez mais graves problemas nacionais. São maçadoramente vulgares, bocejantemente ineptos, catastroficamente medíocres. Quando Manuela Ferreira Leite inflecte o discurso para o social, o que diz e a forma como o diz torna-se penoso por inconvincente. Poderá, acaso, vir a ser presidente do PSD. Porém, não atrasa nem adianta. Ela e os outros representam tudo o que de pior acalenta a Direita dos interesses.

Numa entrevista que o dr. Campos e Cunha, antigo ministro do Executivo Sócrates (de que fugiu espavorido), concedeu ao Diário de Notícias [18. Maio, p.p.], não escamoteou a perplexidade causada por esta democracia, que considera imperfeita e coxa.

A diatribe toca a todos. A mediania da sociedade portuguesa alastra como endemia. Preocupa-me muito quase a exigência de um cartão partidário para se conseguir um negócio, afirma. Todos conhecemos a verdade; poucos a denunciam. Faz-me lembrar o episódio ocorrido entre Bertoldt Brecht e um actor que se lhe apresentou no Berliner Ensemble, ostentanto o cartão do Partido Comunista como referência. Brecht, que não era nada para graças, indicou à criatura a porta de saída. Mostra-me o teu talento, não me mostres o cartão do partido!

Se as coisas fossem mais claras, os desígnios mais transparentes, os objectivos mais definidos e a honra não fosse, constantemente, sovada - creio que se registariam melhorias substanciais no nosso viver quotidiano. Porém, olhamos em volta e assistimos a factos, cenas e acontecimentos que não só mancham de indignidade os seus protagonistas, como ferem de morte uma democracia sem raízes fundas.

Deixou de haver o pouco debate público (social, político, cultural, económico) que, de vez em vez, lá emergia da trivialidade. Não há crítica literária, nem artística, nem cinematográfica, nem política, nem nada. O maior crítico português, João Lopes, continua sozinho em campo, no exercício de uma actividade que, nele, assume a grandeza do espírito de missão. O que, neste sector, é publicado claudica por ignorância dos seus trôpegos autores.

Há por aí, creio que quinzenário, um Jornal de Letras dirigido por um poeta menoríssimo, simultaneamente réplica do Conselheiro Acácio e clone do Gouvarinho, que pratica a omissão e a rasura de nomes, entre os quais o meu, porque o escarmentei em público.

Quem chefia a Redacção foi um truculento militante da UDP, profeta de todas as liberdades e agitador emérito. Interpelei-o, certa manhã, na Casa da Imprensa: Não tens vergonha de ser cúmplice desta pouca-vergonha? Rouquejando, deu-me a seguinte ignominiosa resposta: O jornal não é meu. Conto este episódio, por exemplar.

O caso de eu ser um dos protagonistas é meramente circunstancial. Torno-o público porque me cansei destes democratas instantâneos como o pudim flan. E se me chateiam, conto mais. Sei que omissões a outros autores, manigâncias de promoções e de esquecimentos deliberados acontecem em outras instâncias ditas de comunicação. Ninguém se queixa e os novos Torquemadas gozam de total impunidade.

Estes incidentes revelam até que ponto a existência democrática em Portugal está seriamente avariada. Nos diversos territórios de actividade as perseguições, os favoritismos, as influências partidárias tornaram-se comuns. O que está a dar, por exemplo, é zurzir em Hugo Chávez, e em Evo Morales, agora que foi dada uma trégua a Fidel de Castro. Não se trata de negar o direito de quem quer que seja a criticar quem quer que esteja. Mas a unilateralidade do requisitório alardeia a falta de substância crítica.

Os estipendiados cobrem-se de lama, mas isso que importa se as benesses são amplas? O exemplo de El Pais poderia favorecer uma melhor identificação com a realidade. O grande diário espanhol tem uma tiragem superior a 2 milhões e 500 mil exemplares. Defendendo, embora, uma ideia de progresso e de liberdade e de justiça social, El Pais não se coíbe de criticar os líderes que prevaricam e de os elogiar quando o merecem.


B.B.

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