sexta-feira, 11 de julho de 2008

LADRÕES... [III]

O engenheiro d’oiro anunciou que sempre ia aplicar a taxa Robin dos Bosques sobre os lucros extraordinários das gasolineiras (vinte e cinco por cento).
Pegando no tema, o Francisco Louça, estranhou o nome da taxa, já que na história original o herói rouba aos ricos para dar aos pobres, enquanto nesta se senta na mesma mesa que os ladrões para dividir o saque roubado aos pobres.
Na realidade é mesmo isso que vai acontecer.
As gasolineiras estão autorizadas a ter lucros especulativos desde que o dividam com o governo.

Agora só falta ver se os ladrões não vão aumentar os preços para compensar aquilo que o governo lhes vai tirar.


Eu quase que apostava que sim e não são as garantias do engenheiro que me vão deixar descansado.


K.

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sábado, 21 de junho de 2008

INSUSTENTÁVEL

O cidadão estava visivelmente satisfeito e aliviado quando me abordou no café, de manhã:

- Então, esteve no buzinão?

- O buzinão, qual buzinão?

Tinha-me esquecido dessa convocatória de indignação cívica, a juntar à paralisação terrorista dos camionistas e a anteceder as marchas dos agricultores, dos taxistas e de todos os que querem gasóleo verde - isto é, os cidadãos todos a pagar parte do seu gasóleo.

- Pois eu estive!

O cidadão olhou para mim, de cima a baixo, não conseguindo disfarçar a desilusão que eu lhe havia causado.

- Ah... E buzinou contra quê? - perguntei, maldosamente.

- Contra quê? Contra o preço dos combustíveis, claro!

- Pois, o preço dos combustíveis... E buzinaram contra quem: contra os produtores de petróleo, contra os especuladores internacionais, contra os chineses e os indianos?

O homem olhou para mim como se o sol da manhã me tivesse feito mal à cabeça.

- Ora essa! O buzinão era contra o Governo, e isto é só o princípio!

E virou-me as costas, orgulhoso da sua prestação cívica e da lição que me havia dado. Vi-o embarcar no seu carro, com uma bandeirinha nacional flutuando à janela - sinal inequívoco de que ali estava um patriota de gema, que de manhã buzina contra o Governo, que não é capaz de inventar poços de petróleo, e o resto do dia buzina em apoio à nossa Selecção.

Ai, esta terra ainda vai cumprir o seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal...

Anteontem, os camionistas rebeldes formalizaram a constituição de uma nova Associação para contrapor à existente, que acusam de ter desconvocado a paralisação sem obterem do Governo a contrapartida de lhes subsidiar o gasóleo à custa dos contribuintes. Por eles, ainda estavam nas estradas, com o país a seus pés e o Estado de gatas. Que ninguém tenha dúvidas para que vai servir a nova Associação: agora, que provaram o poder inebriante de conseguir fazer ajoelhar o poder democrático em três dias e de terem estado à beira de ver um país inteiro a gritar com o Governo dêem-lhes tudo o que eles querem antes que a vida se torne insustentável para todos!, é certo, certíssimo, que os ditos rebeldes não se vão ficar por aqui. Eles perceberam que, nas sociedades modernas, há três coisas contra as quais um Estado democrático está basicamente indefeso: o terrorismo, a grande especulação financeira de um capitalismo global sem ética alguma e os camionistas.

A seu tempo, houve quem avisasse contra o entusiasmo com que a CP andou a desmantelar linhas e ligações que tinham custado o esforço financeiro de gerações a construir. Mas uma lógica de contabilista, incapaz de planear a mais longo prazo do que os balancetes semestrais, achou que se podia liquidar com vantagem o transporte ferroviário de mercadorias e pôr tudo na mão dos camionistas. E como, paralelamente, liquidámos a produção agrícola à força de subsídios para não produzir e em troca dos eucaliptos, dos campos de golfe e das urbanizações turísticas de interesse nacional, como, desgraçadamente, não produzimos um litro de gasóleo nem o poupamos, o país está inteiramente dependente dessa classe socioprofissional que acaba de nos pregar o susto da década.

Leio que a Procuradoria-Geral da República, muito legítima e louvavelmente, anuncia que vai processar os camionistas que cometeram crimes públicos, tais como apedrejamento de outros, obstrução da via pública, etc. Manda o bom senso que o Governo pondere bem no que se vai meter: um só herói dos camionistas processado criminalmente e lá temos o país outra vez a ferro e fogo. Aliás, como se pode processar no dia seguinte e por actos de guerra aqueles com quem na véspera se negociou a paz?

Ai, esta terra ainda vai ficar linda, um imenso salve-se quem puder...

Eu juro que não tenho nenhuma embirração particular pelo homem, que nem conheço de lado algum. Mas a verdade é que já vi o país atravessar alguns vinte ministros do Ambiente e nunca vi nenhum que fosse tão inútil, tão acomodado, tão verbo-de-encher, tão prejudicial à área que tutela como esta triste figura do actual ministro, eng. Nunes Correia, de sua desgraça. Não consigo entender, francamente, porque insiste o homem em ser tratado pela alcunha de ministro do Ambiente - a não ser pelo prazer de usar o sobrenome de ministro.
Sete anos e duas secas depois de se ter iniciado o estudo do Programa Nacional de Uso Eficiente da Água, dez anos depois de ter sido prometido que campos de golfe só com reaproveitamento das águas residuais, Sua Excelência acha que tornar essa regra obrigatória não é medida prioritária a incluir no dito plano. Pelo contrário, deve tratar-se de uma simples recomendação a ser adoptada numa base voluntária (dos 43 campos de golfe do Algarve, a somar a outros 20 já aprovados, apenas um, até hoje, aceitou voluntariamente a recomendação; existe localmente uma profusão de ETAR, construídas propositadamente para o efeito e que custaram dezenas de milhões de euros, que não estão a servir para nada, apenas para as estatísticas ambientalistas do Ministério).

Sua Excelência lembra que o golfe é uma âncora importante do desenvolvimento do turismo em Portugal. E Sua Excelência, muitíssimo mais preocupado com o turismo do que com o ambiente, não esquece que os jogadores de golfe têm duas características muito suas: primeiro, não gostam de repetir campos; mudam de campo como quem muda de camisa, o que justifica que mais de 6000 hectares do Algarve (muitos deles desafectados da Reserva Agrícola ou Ecológica) já estejam entregues ao golfe e consumindo um total de reservas de água equivalente a uma população permanente de meio milhão de pessoas - mais do que a população efectiva, que são 410 mil pessoas; por outro lado, eles também não gostam de pisar relvados regados com água que não seja pura, uma mania como outra qualquer.

Em contrapartida, o senhor ministro não leu o recente relatório do WWF, que prevê a intensificação da desertificação do território nacional a partir de 2020, devido às alterações climatéricas e à destruição progressiva do montado de sobro alentejano e algarvio, tal como o que está a ser promovido na região de Alqueva; não leu as recentes notícias sobre a falta de água em Espanha, de Barcelona a ser abastecida por navios-tanque, nem tomou conhecimento dos sucessivos relatórios sobre a desertificação e a crónica falta de água da Andaluzia e da Extremadura espanhola devido à necessidade de regar a praga dos campos de golfe, nascidos inconscientemente por todos os lados, como cogumelos selvagens. Sabiamente, Sua Excelência acha que as medidas só devem ser implementadas à medida que são necessárias e, por ora, ele está descansado que não vai faltar água nem para os cidadãos nem para o golfe (assim mesmo, em pé de igualdade). Sua Excelência, coitada, deve ser o único ministro do Ambiente que ainda não percebeu que a próxima e mais grave crise mundial não vai ser a da falta de energia, mas a da falta de água. Em 2020, aliás, é provável que Sua Excelência já se tenha reformado e esteja a ensaiar os seus putts num green regado a água do Luso.

Ai, esta terra ainda vai cumprir o seu destino fatal: ainda vai tornar-se um país insustentável


Miguel Sousa Tavares

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

G.A.L.P.

Gamamos Alguns

Lorpas Portugueses





T.C.

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

HÁ COISAS FANTÁSTICAS NÃO HÁ? [II]

Deambulando ociosamente pela Net para tentar saber quantas vezes terão aumentado hoje a gasolina e o gasóleo, dou com uma inesperada notícia da LUSA a Comissão Europeia aplicou uma multa de 8,6 milhões de euros à GALP por concertação de preços com, entre outras, a BP e a Repsol.


Mas então, pergunto-me, os aumentos mais ou menos simultâneos dos preços dos combustíveis não são, afinal, coincidência?
Estarão GALP, BP e Repsol combinadas para, como diz a comissária europeia da Concorrência, Neelie Kroes, enganar os consumidores, as autoridades e os contribuintes?
E, espera lá, não é só terça-feira que a Autoridade da Concorrência revelará os resultados da investigação sobre a concertação de preços que não há entre as petrolíferas para enganar consumidores, autoridades e contribuintes e serem todas felizes nos negócios ao mesmo tempo?
Só depois reparo que a notícia é de Outubro do ano passado e se refere a um cartel que, durante 12 anos, partilhou o mercado e combinou os preços do betume para asfalto em Espanha.
Uff!
Por pouco perdia a inabalável confiança que tenho na honestidade comercial da GALP, BP e Repsol!
Afinal foi em Espanha.

Estou certo que GALP, BP e Repsol não fariam uma coisa dessas em Portugal.
E que, se fizessem, nunca se descobriria
.

M.A.P.

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HÁ COISAS FANTÁSTICAS NÃO HÁ?


UE multa Galp, BP e Repsol por concertação de preços...

...Em Espanha.


P.S.

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segunda-feira, 26 de maio de 2008

APELO...

Vamos fazer a diferença!
Isto tem que começar por algum lado!
Vamos passar a palavra e não ser indiferentes,
temos que fazer com que as coisas mudem!
A subida vertiginosa do preços dos combustíveis
tem que parar e temos que fazer com que baixem!

Para tal vamos combinar três dias nacionais seguidos de

NÃO ABASTECIMENTO NA BP, GALP!

Esses dias serão o 1 - 2 - 3 de Junho de 2008!

VAMOS FAZER A DIFERENÇA!


Juntos teremos força para baixar
os lucros destes gigantes!
Agora é só passar a palavra com urgência!
Estou farto de ser levado na hora de pagar!
CHEGA!
SEJAMOS UNIDOS PORTUGUESES
E TODOS OS QUE TENTAM
SOBREVIVER EM PORTUGAL!

NÃO ESQUEÇAM
1 - 2 - 3 de JUNHO de 2008

Não Abasteçam na


BP,

GALP!


Recebido por e-mail

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ATÉ QUANDO? .... PAGA, ZÉ!





Henrique Monteiro

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quinta-feira, 22 de maio de 2008

PEDITÓRIO NACIONAL A FAVOR DA GALP?

A GALP está inconsolável.
No primeiro trimestre deste ano teve menos 8,4% de lucros do que no mesmo período do ano passado, e agora só está a ganhar 1,2 milhões de euros por dia.
O que é isso comparado com mais 2 ou 3 cêntimos nos preços da gasolina e do gasóleo?
Os portugueses são uns queixinhas.
A GALP queria-os ver a ganhar só 1,2 milhões por dia!



A culpa da pobreza extrema da GALP (um dia destes haveremos de ver o dr. Ferreira de Oliveira e os outros administradores da GALP a pedir à porta da igreja dos Congregados) é do aumento dos preços do petróleo.
É certo que, entre Dezembro de 2006 e Dezembro de 2007, o preço da gasolina 95 aumentou em Portugal 11% e o do gasóleo 17,2%, enquanto o preço médio do petróleo, em euros, subiu apenas 1,5%.
Mas a GALP tem muitas despesas; ainda há dias, por exemplo, teve que comprar a Esso.


Por isso, o dr. Ferreira de Oliveira vê com profunda tristeza a especulação incompetente (não a especulação financeira, que é, como se tem visto, particularmente competente a fazer subir preços, mas a dos consumidores que acusam a GALP e demais petrolíferas de cartelização, quando se sabe que os aumentos simultâneos dos preços dos combustíveis são mera coincidência).
Por que não um peditório nacional a favor da GALP?


M.A.P.

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