domingo, 24 de novembro de 2013

NEGÓCIO DA FOME...



Aparentes ações de grande solidariedade, as campanhas de recolha de alimentos para carenciados constituem, isso sim, agressivas operações comerciais.

Quem acaba por mais lucrar são supermercados e hipermercados, que veem as suas vendas aumentar. 

A seguir vem o estado, pois este acréscimo de consumo representa também aumento na coleta de impostos. 



E os pobres dos pobres que justificam as campanhas são, afinal, os menos beneficiados.

Em dias de recolha de alimentos, as grandes superfícies aumentam consideravelmente as suas vendas, sem sequer necessitarem de promoções ou até de qualquer trabalho de marketing suplementar. 
As administrações do Pingo Doce e do Continente, que no seu conjunto detêm cerca de 90% do mercado de distribuição, devem rejubilar com esta campanha comercial, disfarçada de ação solidária. 


Ano após ano, os Bancos Alimentares contribuem para o acréscimo da sua faturação em dezenas de milhões de euros. 
Parte significativa deste montante engorda os lucros das empresas de distribuição.
E não só. Também o estado tira proveito deste acréscimo de consumo, pela via do IVA que é cobrado, em muitos dos produtos a 23%, o que representa também milhões de euros.
Assim, os voluntários da Cruz Vermelha que participam na ‘Operação Sorriso' cumprem a função (involuntária) de promotores de vendas do Continente. 
Os milhares de jovens que colaboram com o Banco Alimentar julgam estar a ajudar as famílias portuguesas, mas as famílias que mais beneficiam das campanhas de recolha de alimentos são as de Belmiro de Azevedo e de Soares dos Santos.
A maior parte da ajuda fica pelo caminho, chegando às centenas de milhares de necessitados apenas uma reduzida percentagem do generoso esforço financeiro dos portugueses. E está mal aproveitado o trabalho abnegado de milhares de voluntários bem-intencionados que são usados, sem disso se aperceberem, como peças de uma máquina comercial. 
Para que as operações de oferta de alimentos aos mais carenciados sejam eficazes, há que encontrar esquemas alternativos de distribuição direta dos recursos. 
A atividade solidária não necessita de ser taxada com IVA nem de intermediários que retêm a maioria do valor dos donativos, como é o caso dos hipermercados.

Paulo Morais

Etiquetas: , , , , ,

7 Comments:

At 1 de dezembro de 2013 às 13:49, Anonymous Anónimo said...

A direita, desde a governamental à eclesiástica passou a semana a dar guinchinhos de virgens com horror à violência, quem os ouve nem é capaz de imaginar a quantidade de milhões de mortos que fizeram o seu código genético, os que há poucos anos transportavam a morte são hoje os defensores da vida, os que usaram sistematicamente a violência como instrumento de afirmação do poder são hoje os democratas mais pacifistas.
No fim da semana ainda vão limpar os seus poucos pecados com mais uma mega operação nacional de caridade em favor de um banco alimentar, banco porque a vocação desta gente é para gerir bancos e mesmo quando estão gerindo a fome criam bancos.
Mas como a fome, o atirar pessoas para a rua, o desemprego e outras vantagens de uma economia gerida pelos tais mercados que ninguém sabe onde ficam, tudo isso não é violência.
Mata de fome e de doença, deixa uma geração de jovens psicologicamente estropiada, expulsa milhares de portugueses mas não, não é violência, chamam-lhe ajustamento.
Já vi filhos de puta com mais imaginação.

 
At 1 de dezembro de 2013 às 17:25, Anonymous Anónimo said...

Apesar de ser uma obra de caridade ao serviço dos grandes interesses económicos mesmo por cá há muita gente que a apresentando-se como voluntários ao serviço de uma causa nobre que no final do dia vão bem servidos com os saquinhos cheios para casa. Solidariedade pois claro!!!

 
At 10 de dezembro de 2013 às 20:11, Anonymous Anónimo said...

Por falar em caridade transformada em negocio, então os nossos autarcas na compra de votos para a Autarquia foi um fartar de distribuir mobilias e electrodomesticos que ate trocavam as moradas e levavam as cargas para casas de opositores.
E MUITA FALTA DE VERGONHA NA CARA

 
At 15 de dezembro de 2013 às 00:43, Anonymous Anónimo said...

Quem ganhou com isso foi o Ze Maria dos electrodomesticos.

 
At 16 de dezembro de 2013 às 11:03, Anonymous Carlos Pereira said...

Ainda vai alguém dizer que o culpado disto é o Hugo Hilário por permitir estes peditórios nos hipermercados...

 
At 17 de dezembro de 2013 às 06:02, Anonymous Anónimo said...

O problema com estes peditórios é o mesmo de tantas outras boas ideias que nascem com as melhores das intenções mas depois são utilizadas pelos oportunistas para sacar algum. E isto aplica-se a subsídios de desemprego, RSI, subsídios da UE e afins. Foram boas ideias com objectivo de ajudar quem realmente precisa mas foram (e ainda são) desvirtuadas pela cambada de lambões que povoa o burgo. Não há uma única medida de apoio na tuga que não sirva para alguém sacar algum sem precisar, por isso chegamos onde chegamos.

 
At 27 de maio de 2015 às 14:14, Blogger Unknown said...

Actualmente existe a Reefood,em que os voluntarios recolhem os alimentos, ao fim do dia, de supermercados, mercearias, pastelarias, restaurantes, todos eles aderentes a esta iniciativa. São alimentos que já não vendem no final do dia ou que estão perto da data de expiração.
As familias necessitadas inscrevem-se e todos os dias recebem estes alimentos.
Julgo que por enquanto, só existe em Lisboa, havendo o proposito de alargar a todo o país.

 

Enviar um comentário

<< Home