sábado, 2 de Janeiro de 2010

PONTE DE SOR, 2010

Há dez anos exactos, na passagem do ano de 1999 para 2000, andava o Mundo inteiro imbuído na paranóia daquilo que viria a ser baptizado pelo medo do bug do Milénio.



Não era, nada mais, nada menos, do receio que as pessoas tinham de qual o comportamento das máquinas na passagem do ano 99 para 00. Os programadores de computadores, no início da Era dos Computadores, para pouparem espaço e memória, preferiram abandonar o "19" do ano, adoptando somente os dois últimos dígitos. 1999 seria simplesmente "99".

E a dúvida surgiu: como seria no ano 2000? Somente "00"? Como iriam as máquinas reagir? Os computadores revoltar-se-iam contra os seus criadores? Os aviões cairiam? O mundo acabaria?

A História mostrou-nos que nada disso aconteceu, as coisas continuaram normalmente, após alguns ajustes feitos por programadores informáticos. E o Mundo não acabou.

E 10 anos passaram. 120 meses, 3652 dias...




Nessa altura Ponte de Sor era uma cidade em pleno desenvolvimento, as empresas funcionavam, havia empregos para quem queria trabalhar...

Como está

a nossa cidade

diferente!


Folheando o «Expresso» de hoje, deparei com uma página completa dedicada à nossa cidade, à progressiva desertificação e perda de trabalho e empregos.

Dessa reportagem, respingo alguns números:

816 euros é o rendimento médio mensal dos trabalhadores de Ponte de Sor, menos 150 do que a média nacional. O poder de compra de Ponte de Sor fica quase 20% abaixo da média do país!

993 pessoas estavam inscritas em Novembro no centro de emprego do concelho, um número que ainda não abrange os despedidos da Delphi.

9,2 % da população de Ponte de Sor em idade activa não tinham trabalho em Novembro. A percentagem vai disparar em Janeiro quando se inscreverem os 430 empregados da Delphi.

150 funcionários da Subercentro, a segunda maior corticeira da região, não recebem ordenados desde o final do ano passado. Estão com os ordenados suspensos, enquanto se aguarda o processo de insolvência da empresa.

50 trabalhadores da Dyn'Aero, empresa de fabrico de aviões ligeiros criada no início da década em Ponte de Sor, estão em lay-off desde Julho.

São estes os números do nosso descontentamento.

Como consta na reportagem, «são más notícias a mais numa terra que não ultrapassa os 16 mil habitantes».

E que viva 2010.

Mas como falta a cereja no topo do bolo, aqui vai ela:

Parece que a «tal» empresa polaca que iria criar 170 empregos roeu a corda e já não vem para Ponte de Sor!

Mas isto, se calhar, até é mentira. Apenas me constou.

Feliz 2010, com Saúde, Amor, Trabalho e Felicidade para todos.

PAPAGAIO DALTÓNICO

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sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Ambiente em 2009 no Distrito de Portalegre O Melhor e o Pior


O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, apresenta aqui alguns factos, que na sua opinião, marcaram positiva e negativamente o ano de 2009 e traça algumas perspectivas para o ano de 2010.

No plano nacional e internacional, o ano de 2009 continuou a trazer por vários motivos, o Ambiente à ordem do dia. Nesse sentido, e como tem vindo a ser habitual, a Direcção Nacional da Quercus emitiu um comunicado oficial sobre o ano que agora termina.

Ao nível do distrito de Portalegre em 2009, e de acordo com o trabalho desenvolvido, destacamos os seguintes factos:

O PIOR DE 2009

Rio Tejo coberto de “verde”

Como já aconteceu em anos anteriores, um “tapete verde” cobriu o Rio Tejo, entre Maio e Novembro, em cerca de 50 km da sua extensão. Este fenómeno cada vez mais frequente, aumentou ainda mais este ano, causando danos ecológicos sérios e pondo em causa a saúde pública. O problema (eutrofização das águas) terá origem no excesso de carga orgânica e nas escorrências de fertilizantes provenientes da actividade agrícola realizada principalmente na margem espanhola do Tejo, o que aliada à redução do caudal de água do rio e ao aumento de temperatura, o potencia ainda mais.

Corte de sobreiros no aeródromo de Ponte de Sor

A salvaguarda dos povoamentos de sobreiro e azinheira está prevista em legislação própria e deverá ser o Estado, através dos seus diversos Serviços, a garantir o rigoroso cumprimento da mesma, através de uma fiscalização eficaz e de uma actuação firme. O mesmo não aconteceu claramente, e de forma deliberada, nesta situação, e quando assim é o cidadão desconfia e o Ambiente fica a perder. O facto de se tratar de uma obra pública com um interesse regional e nacional não iliba os seus promotores de cumprir com os procedimentos previstos na legislação, antes deveria responsabilizá-los ainda mais.

Olivais intensivos no Alto Alentejo

À semelhança do Baixo Alentejo, o Alto Alentejo, sobretudo na zona de influência da Albufeira do Maranhão (concelho de Avis) começou já a ser também alvo da instalação de monoculturas intensivas de olival. Quando a maioria das previsões aponta para num futuro breve existirem graves carências ao nível dos recursos hídricos disponíveis nas zonas a sul do Tejo, será questionável a aposta que está a ser feita nestas culturas de regadio, complementadas com utilização regular de químicos de síntese e agrotóxicos. Mais grave se torna a situação quando a expansão destas culturas é feita à custa de floresta autóctone, base da biodiversidade local, ou com o sacrifício de olival adulto e tradicional, bastante mais bem adaptado às realidades locais.

Praia do Alamal perde “Bandeira Azul”

A única praia fluvial do Alentejo distinguida este ano com a Bandeira Azul, a Quinta do Alamal, na margem esquerda do rio Tejo, no concelho do Gavião, perdeu o galardão por falta de qualidade da água e assim não se vai poder candidatar a ostentar o mesmo título no próximo ano. A “Bandeira Azul” é uma distinção atribuída anualmente pela Fundação para a Educação Ambiental (FEE) a praias (marítimas e fluviais) e marinas que cumpram um conjunto de requisitos de qualidade ambiental, segurança, bem-estar, infra-estruturas de apoio, informação aos utentes e sensibilização ambiental.

Controlo ilegal de predadores em zonas de caça

Não é de nenhum modo admissível que em zonas destinadas à caça, se continue a fazer um “controle” indiscriminado e ilegal de predadores. Este controle está perfeitamente regulamentado por legislação própria e não contempla a simples “eliminação” de toda a vida animal que possa de alguma forma, mesmo que pequena ou imaginária, vir a fazer concorrência à “actividade”.

Uso ilegal de venenos e produtos tóxicos

Esta prática ilegal, mas ainda em uso em determinadas zonas, continua a provocar graves danos nos ecossistemas. O uso de iscos envenenados e a falta de controlo sobre a venda e a utilização de muitas substâncias tóxicas comercializadas legalmente no mercado, são duas situações com sérias repercussões na fauna, em particular nas espécies silvestres, muitas delas seriamente ameaçadas por este problema. Além da ameaça existente para toda a biodiversidade, devido à entrada dos venenos nas cadeias alimentares, o problema também pode ser considerado grave ao nível da saúde pública.

Operações de “limpeza” em árvores

Continuam-se a registar casos de más práticas nas limpezas e operações de poda realizadas nas árvores de alguns parques e jardins do Distrito. Tais práticas, muitas vezes realizadas de forma demasiado severa e injustificada, provocam frequentemente debilidade nas árvores intervencionadas, assim como danos ambientais e descaracterização dos espaços públicos onde se encontram.

O MELHOR DE 2009

Congresso de Ornitologia em Elvas

Teve lugar em Elvas, entre 5 e 8 de Dezembro de 2009, o VI Congresso de Ornitologia da SPEA & IV Congresso Ibérico de Ornitologia, uma organização da SPEA e da Sociedad Espanõla Ornitología (SEO / BirdLife). As alterações climáticas, a agricultura, a conservação e gestão de zonas húmidas, as aves marinhas e a recuperação de habitats foram alguns dos temas principais deste congresso, que trouxe à região alguns dos maiores especialistas ibéricos da área.

Inauguração de Unidade de Triagem Automática no Alto Alentejo

A Valnor, empresa responsável pela reciclagem de lixo no Norte Alentejano, inaugurou este ano uma Unidade de Triagem Automática (UTA). Esta unidade é composta por um sistema automatizado de separação de plásticos e metais, por fluxo óptico. É uma inovação tecnológica que introduz duas vantagens face ao habitual sistema manual, traduzindo-se estas vantagens numa maior eficiência na separação dos materiais e em melhores condições ambientais e de segurança nos processos operativos.

Escola Básica 2º, 3º Ciclos/ Secundária de Nisa com «Bandeira Verde»

A Escola Básica 2º, 3º Ciclos/ Secundária de Nisa foi galardoada, no âmbito do projecto Eco-Escolas, com a «Bandeira Verde» da Associação Bandeira Azul da Europa. O Eco-Escolas é um programa internacional que pretende encorajar acções no âmbito da educação ambiental e reconhecer o trabalho de qualidade desenvolvido pelas comunidades escolares em acções de sensibilização ambiental.

Município de Avis com “Bandeira Verde”

O Município de Avis voltou a ganhar a “Bandeira Verde” atribuída pela Fundação para a Educação Ambiental em Portugal – Associação Bandeira Azul da Europa. É o 2º ano que Avis é distinguido com o galardão «ECO XXI», sendo um reconhecimento que tem por base os princípios orientadores da Agenda 21. A obtenção da “Bandeira Verde” foi condicionada à avaliação do seu desempenho em algumas áreas como a promoção da educação ambiental, a participação pública, a Agenda 21 local e a cooperação com a sociedade civil.

Controlo de vegetação nas bermas das estradas

Muitas autarquias optam já por fazer o controlo da vegetação junto às bermas das estradas utilizando métodos mecânicos e/ou manuais. Este tipo de intervenção apresenta claras vantagens relativamente ao controlo feito com recurso a produtos agrotóxicos, que são responsáveis por danos significativos ao Ambiente e à saúde pública. Igualmente será de destacar algumas preocupações reveladas em preservar algumas zonas verdes junto às bermas, principalmente onde o risco de incêndio seja reduzido. Estas zonas são em geral bastantes ricas em biodiversidade e a sua conservação apresenta-se bastante importante num contexto da manutenção de corredores ecológicos e sobrevivência de algumas espécies.

PERSPECTIVAS PARA 2010

Projecto de Refinaria na Extremadura Espanhola

Estando em estudo a construção de uma refinaria de petróleo na província de Badajoz, este seria um projecto que a avançar, traria sérios impactes ambientais negativos, não só para Espanha, mas também para Portugal, sobretudos nas zonas interiores do Alentejo. Problemas como a aumento da degradação da qualidade da água da bacia hidrográfica do Guadiana, o aumento das emissões de CO2, assim como de vários poluentes atmosféricos, a produção de resíduos perigosos e a alienação dos ecossistemas e áreas agrícolas da zona poderão pôr em causa muitas das opções por um desenvolvimento sustentável de toda a região transfronteiriça. Espera-se que em 2010 e perante a oposição de vários sectores da sociedade portuguesa e espanhola seja possível travar este projecto.

Projectos Turísticos no Distrito

Anunciando-se diversos projectos de cariz imobiliário para o distrito de Portalegre, consideramos ser de importância vital para a sustentabilidade da região e do país, uma construção devidamente planeada e integrada no meio natural, respeitadora dos mais altos critérios ambientais e dinamizadora do meio social onde se insere. É necessário não só trazer mais-valias ao distrito, potenciando e preservando aquilo que são as suas características intrínsecas (património natural, património histórico, gastronomia, etc.), mas sobretudo não cair em erros de repetição de modelos já testados e esgotados em outras zonas do país. As actividades em que estes projectos turísticos devem assentar devem ter em conta os cenários previstos para as alterações climáticas, em que se prevê que num futuro breve existam graves carências ao nível dos recursos hídricos disponíveis nas zonas a sul do Tejo, e não apostar em soluções do tipo do golfe em que existe uma grande alienação de recursos à mesma.

Projecto «Limpar Portugal» a 20 de Março de 2010

Vai decorrer no dia 20 de Março a iniciativa “LimparPortugal” que tem como objectivo limpar as lixeiras ilegais existentes no espaço florestal de Portugal num só dia. O Projecto “Limpar Portugal” é um movimento cívico de pessoas em regime de voluntariado e pretende intervir e sensibilizar para a preservação dos nossos espaços naturais. No distrito de Portalegre conta já com dezenas de inscritos e espera-se até à data de realização do evento conseguir mobilizar ainda mais os cidadãos para a participação nesta importante iniciativa.

Microgeração e Energias renováveis

O incentivo à microgeração de energia eléctrica a partir de fontes renováveis levou a uma forte adesão por parte dos portugueses esgotando as potências disponíveis nas primeiras horas a partir do momento em que as inscrições são abertas. Em 2010 é essencial aumentar a potência disponível para a microgeração no âmbito deste sistema de incentivos, de modo a concretizar uma maior participação dos cidadãos na microgeração de energia, sobretudo em áreas como o Alto Alentejo, em que o povoamento é muita vezes disperso e existem as condições físicas e naturais para a implementação destas soluções.



A Direcção do Núcleo Regional de Portalegre da Quercus – ANCN

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quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

NATAL

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terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

PONTE DE SOR - OS LÓBIES, AS CUNHAS, AS MÁFIAS DO PARTIDO SOCIALISTA

Decorreu, no passado dia 25 de Novembro, uma reunião à porta fechada num Restaurante de Mora com almoço de luxo à mistura.

Contaram-se entre os presentes, o presidente da Câmara de Ponte de Sôr, Taveira Pinto, o seu novo vice-presidente, Hugo Hilário, o Governador Civil de Portalegre, Jaime Estorninho, Carlos Saraiva e o Secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, entre outros.

As teias do poder socialista em torno do atoleiro que são as obras da Barragem de Montargil, embargadas pelo Ministério do Ambiente e com uma acção judicial da Quercus e a típica actuação mafiosa para prosseguir os interesses imobiliários de José Sócrates nos investimentos turísticos da nossa barragem.

As obras do clube náutico e do campo de golfe foram embargadas por estarem a ser feitas em domínio hídrico e por contrariarem o plano de ordenamento da albufeira, tendo o Grupo CS sido obrigado a repor o terreno do campo de golfe como estava.
Com adiamentos sucessivos, hoje, os terrenos encontram-se no mesmo estado.

Ilegais.

O triângulo de interesses, de máfias e de cunhas está aqui bem demonstrado: Taveira Pinto coadjuvado com o aprendiz de Presidente da Câmara, agora cúmplice desta tramóia, Carlos Saraiva, face visível dos negócios de José Sócrates e Vasco Franco, o ex-vereador da Câmara de Lisboa nos mandatos do PS de João Soares, enterrado até às orelhas nos licenciamentos do Hotel de Pedrouços (do Grupo CS), juntamente com Margarida Magalhães, também ex-vereadora do PS e sócia de Carlos Saraiva.

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domingo, 13 de Dezembro de 2009

SE POR CÁ A MODA PEGA É QUE VÃO SER ELAS...

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sábado, 5 de Dezembro de 2009

CONFLITO COM O 25 DE ABRIL

O dr. Cavaco revela um manifesto conflito com o 25 de Abril. Embora não tivesse a mais escassa participação na batalha contra o fascismo: uma discreta assinatura num protesto, uma petição colectiva contra a censura, uma indignação contra a perseguição a estudantes - o dr. Cavaco beneficiou da queda do regime, embora lhe não esteja muito grato. A efeméride é canónica: não pertence à Esquerda nem à Direita, assim como a República não é uma propriedade unilateral. O 25 de Abril permitiu que gente de todos os quadrantes pudessem demonstrar as opiniões, exactamente o contrário do que a ditadura fez, durante quase meio século.

Relembrar estas evid
ências é como compor uma redacção de terceira classe. Parece uma futilidade, mas não o é, quando o máximo representante da República escusa-se, omite, faz de conta - quando se trata de comemorar a nobre data.

Quando primeiro-ministro opôs-se a que a viúva de Salgueiro Maia recebesse pensão de viuvez. Isto, no mesmo ano em que caucionou pensões a antigos torcionários da PIDE-DGS. Nunca o dr. Cavaco colocou na lapela o singelo cravo de Abril, quando das cerimónias oficiais da data. Obrigado, pelas circunstâncias, a soletrar umas frases, estas saem-lhe, sempre, vazias de sentido, inócuas, sem emoção e sem grandeza.

Alguém tem de recordar a este homem que ele é Presidente da República, e não dirigente de um agrupamento restrito. E alguém terá, também de lhe ensinar que o acontecimento pertence ao historial mais nobilitante dos fastos portugueses. O que ele tem cometido, sobre ser muitíssimo feio, são actos que a ética e o
civismo reprovam com veemência.

Agora, sustentado por uma absurda evasiva protocolar, não compareceu na grande homenagem à memória de Melo Antunes. A justificação brada aos céus. Estavam presentes três antigos Presidentes da República, demonstrando que a questão central, o tributo a Melo Antunes, evocava o sentido dos valores e a magnitude de uma Revolução que determinava a defesa desses valores.
O dr. Cavaco virou as costas. E a Associação 25 de Abril, cansada de ambiguidades e de escusas disparatadas a quatro convites destinados a memórias semelhantes, a Associação decidiu nunca mais solicitar a presença do dr. Cavaco. Há, portanto, um corte de relações entre uma instituição que simboliza a Revolução de 1974 e os seus heróis, e um indivíduo que, casual e episodicamente, é Presidente da República.

Tudo isto conduz a um extremo mal-estar e ao acentuar das divisões na sociedade portuguesa, cisão cada vez mais protagonizada pelo dr. Cavaco, já de si pouco propenso ao estreitamento de laços e à renovação de novas relações de proximidade. A figura de autoridade, por ele pretendidamente representada, fixa-se
, afinal, num autoritarismo gelado que permite e incita a todas as indignações. E, cada vez mais, cava o abismo que o separa da reeleição. Ele não serve, está mais do que provado.

APOSTILA 1 - Direi, agora, que este livro acabado de ler é um texto memorialístico, uma autobiografia transposta, uma revisitação à infância. Isso tudo; e, igualmente, um longo e belo texto, escrito num português de lei.

O autor: Pedro Foyos. O livro: Botânica das Lágrimas. Foyos é um dos maiores e mais bem apetrechados jornalistas da sua geração.
Como alguns de nós, poucos de nós, sabe fazer um jornal do editorial à paginação, do suelto à grande entrevista e à reportagem.

Culto, modesto, atentíssimo e informado das coisas do mundo, Pedro Foyos sempre se afastou do rataplã do marquetingue porque a sua vocação pertence aos domínios do espírito de relação com os outros.
Este volume decorre durante um passeio. O passeio que Pedro Foyos narra e aquele que ele própria diz para inventarmos. E, de repente, somos chamados pelas instâncias do sonho, numa prosa por vezes emocionante, outras rodeadas de ironia, ou marcadas pela terna dor da memória do que foi. Estamos perante um belíssimo texto,
uma pausa de serenidade no ruído ensurdecedor que por aí se ergue, e que é, somente, isso mesmo: ruído.
Procure e adquira este volume, meu Dilecto: é uma excelente prenda de Natal.

APOSTILA 2 - Continuando a discretear de livros, eis Nó Górdio - A Cumplicidade Escondida,
do cirurgião prof. dr. José Fernandes e Fernandes, edições Almedina, cujo diversificado conteúdo nos conduz aos caminhos de uma longa experiência profissional e de uma mentalidade aberta, generosa e humana.
São retratos de velhos mestres, depoimentos e evocações, memórias calorosas e depoimentos sobre a perplexidade que a nossa época provoca, mesmo nas pessoas mais advertidas e mais atentas.
Percorre, estas páginas, o rio de uma solidariedade que se não extingue; mas, também, posições morais de combate de um homem que recusa o silêncio como comodidade.
Um pouco da história da Medicina portuguesa por estas páginas perpassa. E tudo isto num estilo claro, quase coloquial, à maneira dos grandes médicos que foram (e têm sido) grandes humanistas.
Vale a pena acompanhar este percurso, por invulgar e, simultaneamente, fascinante.


B.B.

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quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

ONDE ESTÁ O FUTURO?

Tenho andado desaparecido, mas presente em todos os sentidos.
Chega a um ponto, que não se aguenta mais ficar calado.

Ficar calado com o que se passa no mundo, na Europa, no nosso pais e principalmente no nosso concelho de Ponte de Sor.


No mundo, mais soldados para o Afeganistão, a América Latina, o Irão com a sua suposta (energia atómica), os novos piratas dos mares em que Portugal esta envolvido.
Na Europa, este continente tão diferente, tão independente entre si, agora tão unidos, tão amigos, a Alemanha esta a conseguir com a paz o que não conseguiu com a guerra.
Basta olhar para traz, temos uma historia de uniões e guerras de separação.
No dia da nossa independência do jugo espanhol, baixamos a cabeça para nos porem a coleira da dita nova Europa.

Portugal, este nosso país que já deu mundo ao mundo, cultura a cultura, futuro ao futuro, vê-se agora inundado neste caos político, com um cheiro nauseabundo a corrupção, compadrio, lobis, amigos e familiares.
Os mais ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres, a chamada classe media deixou de existir, o motor da economia desapareceu.

Concelho de Ponte de Sor, a minha terra continua igual a ela mesma, onde esta o futuro?


O que foi feito com as aprendizagens do passado?

Para onde vamos neste presente?

São perguntas básicas de qualquer cidadão.


Temos um novo executivo camarário, ou pelo menos deveríamos ter.
Já se viu os novos eleitos a trabalhar?

Não.

As promessas durante a campanha, já foram satisfeitas?


Não.

As relações entre os vereadores com pelouro e o seu presidente, continuam amigáveis?

Não.


Não podemos ficar calados, não podemos baixar os braços, não podemos darmo-nos por vencidos, os nossos ideais de liberdade e prosperidade continuam muito actuais.


Mestre Lopes

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terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

MAIS UMA TRAIÇÃO AOS PORTUGUESES



Este nem permitiu que os portugueses dissessem o que pensavam do Tratado de Lisboa, impedindo que eles manifestassem a sua opinião num referendo que tinha prometido realizar durante a campanha eleitoral em que foi eleito Primeiro-ministro.
Judas ainda se arrependeu de ter traído e recebido as 30 moedas, mas este nem nisso acredito
.

K.

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segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

MAIS UM POUCO DE ECOLOGIA CÁ À MODA DO BURGO...



Na passada Sexta feira, noticiava o Expresso online aqui:


«Nem a chuva intensa impediu a plantação de quatro mil árvores.

Dois dias antes do Dia da Floresta Autóctone, e debaixo de chuva intensa, cerca de meia centena de pessoas juntaram-se na Samardã para plantar quatro mil árvores, uma iniciativa para "a promoção e conservação das florestas naturais" apadrinhada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e pela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza.


(...)

Em comunicado, a CGD contabiliza que, no mesmo dia, no âmbito do projecto de recuperação da floresta original portuguesa, foram plantadas 15 mil árvores em sete localidades diferentes (Baião, Cadaval, Grândola, Ponte de Sôr, Portalegre, Sabugal e Vila Real), acções que contribuíram para que o projecto da "Floresta Caixa" já tenha ultrapassado as 107 mil plantas, "entre espécies arbóreas e arbustivas autóctones, colocadas em terrenos de Norte a Sul do país". (...)»


Ainda pensei que algumas dessas árvores viessem para o Jardim do Monte da Pinheira, do qual já falei aqui no blogue, na passada Segunda Feira.


Na altura, não tinha fotos, mas para que os meus leitores me percebam como é possível existir um jardim sem árvores, aqui deixo algumas fotos, de fraca qualidade, mas que dão para perceberem bem do que falo.


Eis uma panorâmica do jardim, relva verde mas nada de árvores. Embora o verde pareça desmaiado, posso garantir que a qualidade da relva não é má de todo.

Pormenor do caminho que atravessa o jardim. Nos dias de verão, a sombra dos candeeiros é muito apreciada!


A zona central tem bancos ao seu redor, que não parecem estar no melhor estado de conservação.


Sobre esses bancos, está uma estrutura composta por vigotas, que penso servirem, num futuro próximo (século XXII?) para plantas trepadeiras. O desalinhamento que se vê na foto não é nenhum arranjo estético, são mesmo algumas vigotas que se encontram soltas (sim, soltas!), e que se podem mover facilmente, empurrando-as. Qualquer criança que se empoleire poderá, inadvertidamente ou não, derrubar alguma peça. E se cair em cima de alguém? A quem se deverão pedir explicações?


Por isso, aviso os pais que deixam as suas crianças brincar naquele jardim para terem cuidado ou queixarem-se a quem de direito.


Para terminar, somente um pequeno comentário.


Todos sabem que a blogosfera é um mundo de partilha, um copy-paste constante, «eu roubo-te a ti e tu roubas-me a mim...» por isso é frequente irmos buscar posts a outros blogues e vermos os nossos noutros. São as regras do jogo e ainda bem que assim é.


Um dos blogues mais conhecidos da nossa zona é o pontedosor.blogspot.com, que por vezes, reconhece algum valor às patacoadas que aqui vou escrevendo e resolve publicá-las.


O post de que falei na segunda feira, «Hoje Sinto-me Verde!...», foi publicado nesse blogue.


Houve um comentário dum Anónimo (são sempre anónimos, mas de cara bem conhecida!) em que me chamava "demagogo". Dizia o citado comentarista:


«ja sei porque é que este país está tão atrasado.
É por ter demagogos destes como professores!!!»


O que é um facto é que a opinião pública de Ponte de Sor é assim: insulta, refila, mas são muito pouco assertivos. Insulta-se quem tenha a veleidade de ter uma opinião, mas sem se refutar nada do que fora afirmado. Não se vai à raiz do problema, pois a cobardia está latente nessas pessoas. E as colunas direitas são um bem em vias de extinção!


Se alguém me dissesse «eh pá, isso é treta, pois o novo conceito de jardins é assim, sempre se poupa água na rega das árvores, por isso estás a ser demagogo». Se alguém me dissesse isso, eu reconsideraria, mas insultar simplesmente dizendo que este país está atrasado, por ter professores demagogos como eu...


Deve ser algum adiantado mental!


E fim da polémica!


PAPAGAIO DALTÓNICO

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sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

O ESTADO A QUE "ISTO" CHEGOU...

Pouco podemos esperar desta democracia. Chamam-lhe representativa mas, na verdade, pouco ou nada nos representa. Vivemos não numa comédia de enganos, mas numa tragédia de mentiras. Os conceitos morais, os princípios éticos foram pulverizados. Ainda agora, Fernando Lima, que fora destituído das funções de assessor para a comunicação social do Presidente da República, foi por este promovido. Recordemos que Lima, envolvido no caso das escutas em Belém, portou-se como o cargo exigia: defendeu o amo e senhor, notoriamente responsável pelo imbróglio. Fernando Lima é um jornalista abaixo do medíocre, cuja carreira é embaraçosamente surpreendente. Não possui méritos assinaláveis que apoiem ou justifiquem os lugares de chefia e de directoria por ele desempenhados. Sobre o caso já escrevi, no JN, dois artigos. Não desejo alongar-me mais: o assunto fede. Mas que esse fedor exala algo de nauseabundo e de pérfido, lá isso…

Sobrenadamos neste oceano glauco de pagamento de favores, de tranquibérnias de todo o jeito e feitio, de promoção de yes men, de percursos sombrios, de corrupção vulgarizada, de actividades pouco claras. Um fartote! Podemos afirmar que vivemos em democracia? Não.

Ainda há dias, no programa Prós e Contras, RTP1, de Fátima Campos Ferreira, ficámos a saber, uma vez mais, como os lídimos representantes da Justiça não se entendem. Não é novidade para ninguém que a Justiça, em Portugal, é inexistente. E que, como muita gente responsável declara, beneficia quem tem dinheiro e desmerece de quem o não tem. O bastonário da Ordem dos Advogados, o dr. Marinho e Pinto, tem desmontado, com invulgar coragem e rara audácia, os meandros em que a instituição se tem enredado. Não se esqueceu de dizer que nada aconteceu aos juízes que ofendiam a moral e a decência, nos amargamente famosos Tribunais Plenários, antes do 25 de Abril. Depois, muitos foram recolocados, com alegre leviandade.

Um país sem memória, ou que não cultiva a recordação das coisas, está irremediavelmente condenado. E, a propósito, não esquecer, também, o facto de o dr. Cavaco ter negado uma pensão à viúva de Salgueiro Maia, e não as haver recusado a ex-agentes da PIDE. Foi, aliás, durante a década cavaquista que a amnésia histórica se alargou, como ideologia dominante.

Nas Redacções dos jornais jornalistas de grande competência foram removidos pela incomodidade que representavam. A decadência da Imprensa portuguesa, o elevado grau da sua imaturidade, a ausência de carácter na maioria dos jornais decorre daí. Ramalho Ortigão, que foi nosso mestre, disse que, para se escrever nas folhas é preciso ter ombros largos. Queria dizer que o jornalista, para o ser e enquanto tal, tem de saber enfrentar as armadilhas, as velhacarias que a todo o momento se erguem no caminho dos profissionais honrados.

Pouco podemos esperar desta democracia, repito. Os Governos (este, então, bate recordes) estão repletos de pingentes encardidos, cuja noção de serviço público é igual à de um eguariço a açoitar as bestas. O Executivo Sócrates, depois de ganhar as eleições com margem relativa, começou, imediatamente, a tripudiar sobre o programa que apresentara, semanas antes, ao eleitorado. Chama-se falta de palavra. Todavia, parece que os portugueses já se habituaram a esta continuada indignidade. Um cavalheiro é acusado de crime e logo se descobre que auferia o vencimento de 6 700 contos, moeda antiga. Um outro, que escuma de ira, quando vai à televisão e o contradizem, vai receber uma reforma de 3 600 contos mensais, adaptáveis à inflação, por ter exercido funções públicas, durante seis meses!, num banco. O rol não pára. E só raramente estes casos, de absoluta imoralidade, aparecem nas primeiras páginas ou abrem os noticiários dos telejornais.

A nebulosa do viver português leva-nos a conjecturar as mais sinistras tropelias e a desconfiar de meio-mundo, enquanto o outro meio está de remissa. A Justiça não está ao nosso lado, ao lado daqueles que não dispõem de dividendos suficientes para pagar a um advogado dos grandes escritórios. A imprensa, de uma forma geral, ignora-nos e aos nossos dramas. O futebol serve muito mais o poder, depois de Abril, do que durante o salazarismo. Serve-o como entorpecedor das nossas energias e das nossas indignações. Estas, estão pelas ruas da amargura.

O eng.º Van Zeller, nobre figura, vem à liça e quase que impede a miséria dos aumentos. O dr. Constâncio, socialista e tudo, ergue, medonho e implacável, a sobrancelha direita, e proclama o mesmo ou pior ainda. José Sócrates anda de beijinho com o PSD e enfurece o CDS-PP, que se presumia o privilegiado. O Bloco está à espera. O PCP desconfia, como é seu estilo. O PS não é nem deixa de ser. Claramente, esta situação opaca e suja não pode continuar. Os portugueses têm sido comprimidos entre o que dois partidos desejam. Nenhum é melhor do que o outro. Mas já não somos o que éramos ou, acaso, sempre fomos assim…


B.B.

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terça-feira, 24 de Novembro de 2009

UMA "ESTÓRIA"...



A Olympus tirou 60.000 (60 mil) fotografias, revelou 9.600 delas e fotografou novamente 1.800 fotos para fazer este vídeo.

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HOJE SINTO-ME VERDE!...

Não, não se preocupem nem vejam nisto metamorfoses clubísticas!
Continuo vermelho, encarnado, escarlate... um bocadinho roxo de raiva pela derrota com o Guimarães, mas como sou daltónico...

Sinto-me verde, que é o mesmo que sentir-me ecológico. Pois hoje, dia 23 de Novembro, celebra-se em toda a Península Ibérica o

Dia da Floresta Autóctone.




Mas que raio de palavra, «autóctone»... Entaramela-se-me na língua... mais parece alemã! Segundo os livros, «floresta autóctone» é uma floresta composta por árvores originárias do mesmo território. Portanto, nada de misturas.

E qual a importância das florestas autóctones? É simples de ver, senão observemos:

1) As florestas autóctones estão mais adaptadas às condições de solo e clima do território, sendo mais resistentes a pragas, doenças e a períodos longos de seca e de chuvas intensas, em comparação com as espécies introduzidas.

2) As florestas autóctones são componentes importantes no pastoreio de ovinos, na actividade apícola e no suporte aos cogumelos silvestres.

3) As florestas autóctones são importantes locais de refúgio e reprodução para grande número de espécies animais autóctones (alguns delas em vias de extinção, como a Águia-real, Águia de Bonelli, a Cegonha-negra ou o Lobo Ibérico).

4) As florestas autóctones ajudam a manter a fertilidade do espaço rural, o equilíbrio biológico das paisagens e a diversidade dos recursos genéticos.

5) As principais ameaças às florestas autóctone são incêndios, pragas, doenças, invasão por espécies não autóctones e cortes prematuros e desordenados.

Conforme podem facilmente constatar, «O Papagaio Daltónico» também é educação e cultura... Não é só «má língua», como muitos acusam!

Mas as palavras são como as cerejas, é verdade! Quando comecei a escrever este post não tinha a intenção de ser tão académico... Queria falar um pouco sobre o «Verde em Ponte de Sor».

Não! Não vou continuar a falar dos semáforos perto do estádio, pois parece que ninguém liga e as pessoas parece que gostam de estar assim. Vá lá saber-se...

O que queria aqui referir é que um dos motivos de chacota com que os meus amigos de fora costumam «picar-me» é a originalidade de, em Ponte de Sor, termos um... «Jardim de Pedra»! Para quem já viu um porco a andar de lambreta, poderá não fazer confusão, mas para quem goste de organização, equilíbrio, ordem e normalidade, convenhamos que não é habitual. Mas quem por cá passa saberá que Ponte de Sor é tudo menos... uma cidade habitual!

Continuando a falar de jardins, verdes e espaços ajardinados, que dizer do jardim que existe numa das zonas nobres e mais recentes da cidade, o Bairro do Monte da Pinheira? Para quem não saiba, é aquele bairro por detrás da Escola Secundária.


Jardim do Monte da Pinheira (Foto Ecos do Sor)


E qual será a originalidade desse... jardim? É simples. Continuando a falar da pouca... «habitualidade» de Ponte de Sor, da sua originalidade, que tal um jardim... sem árvores?!

Admirado? Então deixem-me explicar-vos e tentar descrever esse parque: uma zona central, com uma estrutura circular, formada por vigotas de cimento (algumas estão soltas, cuidado, pais!) que, penso eu, seriam para algum tipo de trepadeiras. Continuando, temos um parque infantil, pouco tratado, uma zona verde, com a relva frequentemente bem aparada (valha-nos isso!), dois caminhos a atravessá-la, com bancos de madeira, a necessitarem já de manutenção, que, em boa verdade poderá receber a sombra de alguns candeeiros que por lá estão, em dias de sol! Quanto a árvores, nada, zero, népia, nem autóctones, nem meio autóctones, nem transferidas, nada!

OK, já sei o que estarão a pensar: «se calhar o Bairro é novo, ainda não tiveram tempo de organizar o jardim...»

Pois, o Bairro é novo, começou a crescer há 15 anos... Se não chega para planear e executar, então não sei. Algumas das estruturas já precisam de reforma!

Por isso, meus amigos, anunciar plantações de árvores para comemorar o «Dia da Floresta Autóctone» pode ser muito bonito, mas não passará de uma grande hipocrisia se, no resto do ano, se manda às malvas (que também são verdes...) o resto das árvores e das zonas verdes do nosso concelho.

Para uma outra oportunidade, penso falar de outros dois membros da «classe verde» do nosso concelho: o sobreiro velhinho da Ervideira e as «arvores eléctricas» da Rua das Escolas!

Se por acaso, caro leitor ou cara leitora, tem algum exemplo que aqui queira deixar, força que ele aqui aparecerá.

Um abraço verde do Papagaio Daltónico.


PAPAGAIO DALTÓNICO

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segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

DIA 23 DE NOVEMBRO - DIA DA FLORESTA AUTÓCTONE

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quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

HIDRA

Durante dezenas de anos, fruto da maneira de ser muito portuguesa do deixa andar e do fingir que não se vê, aliada à novel cultura pós-modernista de que o dinheiro faz a felicidade, a corrupção foi-se espalhando por todo o tecido social e em progressão geométrica.
Só que as coisas chegaram a um tal ponto, em que o cheiro é já tão nauseabundo, que o ar se tornou irrespirável. E é já sem surpresa e com naturalidade que todos os dias assistimos a esta implosão de novos escândalos.


E, como está à vista de todos, o poder autárquico é um terreno fértil à propagação da doença.
A corrupção é, sem qualquer dúvida, o imposto mais caro que os portugueses pagam. E hoje as autarquias locais são as principais fontes de corrupção, sendo o urbanismo uma área de enriquecimento ilícito incontrolável.



Acresce que os presidentes de Câmara, muitas vezes pouco conhecedores de onde começa e termina o seu poder e educados na cultura autoritária e antidemocrática do antigo regime (que, ainda, têm por referência), estão convencidos de que são os donos e senhores das suas autarquias. E o dinheiro da autarquia, que chegam a confundir com o seu (basta ouvi-los falar), é utilizado para cimentar o seu poder, cumprindo a velha máxima de que a política serve para ajudar os amigos, prejudicar os inimigos e aplicar as leis aos que nos são indiferentes.


Assim, em vez de se guiarem por critérios objectivos na atribuição de apoios e subsídios a particulares e associações, o dinheiro público é, antes, utilizado para silenciar consciências, eliminar adversários e colocar homens de mão à frente das diferentes associações e instituições. Ou seja, a torneira autárquica abre ou fecha, consoante as associações e os particulares prestem ou não vassalagem ao senhor feudal.

Mas o que é mais revoltante e aviltante em todo este processo é a forma humilhante, sabuja e conformada como a maioria das pessoas aceita vergar-se ao poder presidencial para poder comer as migalhas que vão caindo do prato (o empregozito, o licenciamento da obra, o muro, o subsídio, etc.).

É certo que o voto é secreto.
Mas ninguém consegue ser vertical no momento de votar quando chega à cabine de voto com uma tão grande curvatura nas costas.
Quem vive de cócoras é incapaz de votar direito.


Santana Maia - Leonardo

REXISTIR

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terça-feira, 17 de Novembro de 2009

À ATENÇÃO DE QUEM PUDER AJUDAR


A obra vergonhosa do Sr. Carlos Saraiva, de roubar milhares de metros cúbicos de água à barragem com a construção de um aterro com mais de 8 hectares, para a implantação de campos de golfe, JÁ RECOMEÇOU.

Verifiquem se tudo está devidamente autorizado e licenciado.

Por este andar qualquer dia temos o acesso à barragem vedado aos residentes e utentes , pois o terreno que vai do Parque de Campismo a Vale Vilão é agora propriedade deste senhor.

A.S.

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quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

POLÍTICA E SERIEDADE

Hoje é ponto assente, para o homem comum, que os políticos são todos uns aldrabões e que só querem tacho. Agora também é verdade que a seriedade e a honestidade não são qualidades que os eleitores valorizem num político. Antes pelo contrário.

Não é, pois, de admirar que indivíduos condenados, indiciados ou envolvidos em casos de corrupção, favorecimento pessoal ou abuso de poder continuem a ganhar categoricamente as eleições. Ou seja, a falta de honestidade dos políticos (de que os portugueses tanto se queixam) é fruto, afinal, de uma escolha consciente desses mesmos portugueses que consideram, no fundo, a falta de honestidade uma qualidade essencial para um político poder exercer condignamente o cargo para o qual foi eleito. Daí a expressão tantas vezes ouvida, relativamente a pessoas que a opinião pública tem por sérias e honestas: o senhor é demasiado sério para ser político.

Tudo isto tem uma razão de ser. Num país, onde toda a gente sobrevive à conta de cunhas, subsídios e favores, todos têm a consciência do perigo que seria serem governados por alguém que fosse sério. Lá se ia o emprego da filha, o subsídio para o pessoal e a adjudicação da obra. Todos sabem da aldrabice em que vivemos. Mas poucos conseguem imaginar-se a viver sem ser assim.

Para já não falar do estafado argumento da obra feita com que se quer justificar o voto num político menos escrupuloso. Como se, com tantos milhões de euros de fundos comunitários, alguém pudesse não ter feito nada. Mas até, neste campo, a questão deveria ser outra. Ou seja, se a obra se justifica, se está adequada aos seus destinatários e potenciais utilizadores e se é proporcional ao dinheiro que custou.

Mas qual é o eleitor que se preocupa se o dinheiro que se gastou no estádio, na rotunda ou na piscina dava para fazer três estádios, três rotundas e três piscinas? Ou com o mamarracho que lhe espetaram na rotunda à porta de casa?

Para o povo, o que interessa é que o estádio, a rotunda e a piscina estão feitos. Quanto ao seu preço, ninguém se preocupa com isso. E se o político e a sua rede de amigos se abarbataram com algumas centenas de milhar de euros, pouco importa… O que interessa é que a obra está feita.

Acontece que tudo isto é pago com dinheiro dos portugueses. O dinheiro que esta gente mete ao bolso é dinheiro nosso. O dinheiro gasto na obra inútil, desnecessária e no mamarracho é dinheiro nosso. O dinheiro desbaratado em subsídios, almoços, viagens e electrodomésticos distribuídos ao domicílio é dinheiro nosso.

É isto que os portugueses não conseguem entender. Porque ganham pouco ou estão desempregados ou beneficiam de algumas migalhas deste esbanjamento de dinheiros públicos, os portugueses são absolutamente indiferentes à forma como os políticos derretem o nosso dinheiro.

Dizia Pacheco Pereira, outro dia, ao meu lado, numa acção de campanha: um português que nasça neste momento já deve 15 mil euros. E eu olhava para a plateia e apercebia-me do que ia na cabeça daquela gente: Eu já estou a dever tanto e a tanta gente que mais ou menos 15 mil euros pouca diferença faz ou que me interessa a dívida do Estado se não sou eu que a vou pagar? Eu até só ganho o salário mínimo…

Os portugueses não percebem (ou não querem perceber) que a sua miséria resulta precisamente da forma como quem nos governa desbarata os recursos que são de todos nós. Se os portugueses valorizassem mais a seriedade na actividade política, hoje haveria menos obras faraónicas ou inúteis, menos cunhas e menos subsídios, mas viveríamos todos muito melhor e a diferença entre pobres e ricos não seria seguramente tão grande.


Santana Maia - Leonardo

REXISTIR

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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

A LIBERDADE SAÍU À RUA




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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

PORTUGAL E ITÁLIA CADA VEZ MAIS PERTO...


Esta capa do Sol de hoje é um retrato do actual estado da nação.
Veremos o que isto vai dar, mas a situação pode remeter, pelo ambiente geral, para o que se passou em Itália, na primeira metade dos anos noventa do séc. passado.
Governava o PS de Bettino Craxi (que Mário Soares depois disso visitou na Tunísia e onde reafirmou a inocência do condenado em pesada pena de prisão por crimes de corrupção) e na altura, Claudio Martelli, que tinha sido ministro da Justiça (imagine-se!), tomou conta do partido, até se saber que estava enterrado até ao pescoço na mesma cloaca infecta da corrupção politico-partidária, mostrada à luz do dia pela operação mani pulite, cuja investigação era orientada por uma equipa de magistrados, cujos quatro principais estão aqui retratados nesta foto e artigo da revista Época (da Mondadori que pertenceria a Berlusconi) , de 28.1.1996.
Martelli foi depois condenado, por corrupção, no âmbito da operação Tangentopolli (luvas para contratos...) e acabou como apresentador de programas de tv, num canal de...Berlusconi.


Nessa altura, em Itália, já se falava no perigo da república de juízes...e por cá, se esta investigação da Face Oculta avançar, irá fatalmente aparecer quem dirá o mesmo.
Os Vitais Moreira e Júdices e outros já estão a pensar no modo como vão articular o discurso.
É por isso uma questão de tempo.
A diferença com a Itália dos anos noventa , porém, pode resultar de outra circunstância: o código de processo penal italiano, na época e em projecto para entrar em vigor, era aquele que nós acabamos por adoptar, mais ou menos na mesma época, mas ainda sem as mais de vinte alterações que entretanto lhe foram introduzindo.
Uma das particularidades do código italiano era a de as escutas serem amplamente divulgadas nos media. E ninguém se queixava da violação de direitos, liberdades e garantias.

José

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sábado, 31 de Outubro de 2009

NOVAMENTE PONTE DE SOR NAS NOTÍCIAS !

Não, não é sobre a Delphi, visto que aí o caso está resolvido. Em termos de comunicação social, o assunto Delphi está morto e Delphi morta, Delphi posta!

Ponte de Sor volta a ser falada nos noticiários. E como se aprende nas escolas de jornalismo, a notícia é quando o homem morde o cão, nunca o contrário.

Claro que o motivo não pode ser bom, não é sobre a fábrica polaca que irá substituir a Delphi (esperemos que seja verdade), a notícia é sobre esquemas, tramóias e corrupção

Nos últimos dias, a Polícia Judiciária iniciou uma operação a que deu o nome de «Face Oculta», que incidiu na actividade de um grupo de empresas que manteria um esquema organizado para beneficiar da adjudicação de concursos e consultas públicas na área de recolha e gestão de resíduos industriais, abarcando, essencialmente, a REN e a REFER.

As investigações já produziram, até agora, 13 arguidos. Outros decerto se seguirão, pois a procissão ainda vai no adro!

Nomes sonantes lá aparecem: o ex-ministro Armando Vara, o presidente da REN, José Penedos e outros nomes não tão sonantes que não vale a pena aqui estar a descriminar.

E é aqui que a nossa cidade aparece, no meio deste lodaçal de intrigas e corrupção.

Segundo a RTP,

«A investigação levou a PJ a mais de 30 locais por todo o país - Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Lisboa, Oeiras, Sines, Alcochete, Faro, Ponte de Sôr e Viseu - resultando dessa acção a constituição de 13 arguidos e a detenção de uma única pessoa, o empresário Manuel José Godinho, que hoje está a ser ouvido no Juízo de Instrução Criminal da Comarca do Baixo Vouga.»

O resto da notícia podem ler aqui.



Esperamos, atentamente e ansiosamente, os novos episódios.


E quanto às personalidades cá do burgo, quem serão?


Será que o Príncipe da Transilvânia voltou a fazer das suas?


PAPAGAIO DALTÓNICO

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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

POBRE PÁTRIA ENTREGUE A TAL GENTE...

Desagrada-me ter de molhar a caneta na tinta do desalento e da mágoa. Não me sinto bem a dizer mal. Mas o mal aí está, numa sociedade decrépita, cujos dirigentes demonstram uma felicidade tão intensa quanto leviana, e a elite, averiguadamente, não se interessa pelos destinos do País. Numa entrevista a Ana Lourenço, na SIC, terça-feira, António Barreto fez uma análise demolidora da situação. Barreto demonstrou, com números e dados de facto, que Portugal parece condenado a não se sabe bem o quê.



Avisou: "Nos próximos anos, pode haver um movimento de emergência nacional." Como, "emergência nacional"? Intervenção militar? Ruptura absoluta na economia e nas finanças? Surgimento de um poder baseado nos bancos e nos juízes? Nada é de pôr de lado. Tudo é admissível. Qualquer destas hipóteses tem acontecido, a espaços mais ou menos curtos, um pouco por todo o lado dito "ocidental."

Na verdade, de que forma se pode organizar um país, o nosso, com 600 mil desempregados, 20 mil compatriotas a viver na faixa da miséria, 40 mil idosos com fome, milhares de grandes, pequenas e média empresas a fechar, e uma mocidade sem perspectivas, não só aqui como em outros países?

A precariedade instalou-se na vida, nos costumes, nos hábitos e na resignação portugueses. Não vale a pena estruturar as coisas nem a longa nem a curta distância. Os salários estão cada vez mais baixos, e os gentis senhores Van Zeller e Vítor Constâncio propõem: nada de aumentos! O jornalismo português existe numa baixeza moral e profissional nunca vista, nem mesmo nos tempos da Censura, da PIDE, das guerras coloniais. Sei muito bem que há gente incomodada quando escrevo e digo isto. E digo isto nos jornais, nas televisões, nas rádios e em debates para que, frequentemente, sou convidado.

Raramente notícias com a importância daquelas que referi vão para as primeiras páginas, abrem os telejornais, são comentadas e esclarecidas. A rotina dos que interpretam os factos escapa destes casos, recusa a sua análise. Os comentadores são muito independentes, muito imparciais, muito limpos, muito "distanciados" e não têm por objectivo incomodar quem manda.

As doses maciças de futebol com que nos anestesiam as capacidades críticas atingem os territórios do obsceno. O País está em declive acentuado, e não sou só eu que o digo, e a música que nos tocam é maviosa.

Os vencimentos são tão baixos que não chegam para sustentar famílias com um e dois filhos. Recorrem aos bancos da fome, à Caritas, e a outras organizações cristãs e a movimentos de solidariedade social. Há dias, o "Correio da Manhã" informava dos criminosos (não há outro termo: criminosos) ordenados e reformas obtidos por cavalheiros que talvez se julguem acima do bem e do mal. É uma notícia aterradora pela pouca-vergonha que comporta. Uma casta de privilegiados sobreleva todas as ideias de justiça e de equilíbrio social, por mais minguadas que sejam. Aqueles de nós, cada vez mais reduzidos, por medo ou por compromisso, aqueles de nós que manifestam indignação e repulsa por este estado de coisas são apodados de comunistas. Alguns, até, perseguidos, pelo singelo desejo de uma pátria solidária e fraterna. Como devem calcular, sei muito bem do que falo.

No entanto, creio que a função social da Imprensa corresponde, cada vez mais, à necessidade de se criar novos laços sociais. De contrário, corremos o risco de uma explosão generalizada, com consequências imprevisíveis. As pessoas mais novas pouco ou nada sabem do nosso passado próximo recente. Poucos filmes "políticos", pouca investigação histórica, poucos resultados de ordem pedagógica. Os escritores portugueses parecem ter-se demitido da sua exemplaridade. Abandonaram os testamentos legados por uma literatura que forneceu o retrato moral, estético, ético e intelectual do Portugal sequestrado. A ausência de debate e de polémica resulta desse abandono trágico.

O retrato de António Barreto ao País foi terrível, por perturbador. Com uma secura implacável e a voz serena e calma que se lhe conhece, o sociólogo não escamoteou nem ocultou as novas figuras de autoridade, como o medo, que nos limitam e constrangem. E Ana Lourenço, muito bem preparada, formulava as perguntas apropriadas àquilo que Barreto ia dizendo. E Barreto não esqueceu os tropeções por que tem passado o jornalismo português, cada vez mais medíocre, mais apressado, mais levezinho e ligeirinho. Uma grande entrevista, que devia servir de exemplo a muitos e muitas preopinantes das televisões, que apenas procuram o sobressalto, a surpresa e o pequeno escândalo.

O retorno do recalcado aí está. O recalcado não encontra motivação em coisa alguma. Depois, é informado da miséria, do desespero e da angústia que o rodeiam; dos ordenados (diz-se "vencimentos", é mais civilizado) dos "gestores" que foram, que são e que estão para vir. Tudo o recalca. Tudo o abate. Tudo o conduz à frustração.


B.B.

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terça-feira, 27 de Outubro de 2009

PONTE DE SOR ESTÁ DE LUTO - A DELPHI VAI FECHAR


Delphi de Ponte de Sôr encerra e deixa 430 sem trabalho



A fábrica da Delphi de Ponte de Sôr vai encerrar a 31 de Dezembro e deixar 430 pessoas sem emprego.

Os sindicatos confirmaram a decisão de despedir 430 trabalhadores com o encerramento da fábrica e dizem que vão pedir a ajuda da autarquia e do Governo para a criação de empregos alternativos.



"Foi-nos confirmado que a empresa vai encerrar a 31 de Dezembro e que os seus 430 trabalhadores vão ser despedidos e, infelizmente, não temos hipótese de fazer nada para inverter esta situação", disse à agência Lusa Delfim Mendes, da Federação Intersindical da Quimica, Metalurgia e Indústrias Eléctricas, após uma reunião com a administração da empresa.

A Federação sindical vai pedir audiências ao ministro da Economia e ao presidente da Câmara de Ponte de Sôr para pedir que façam diligências no sentido de serem instaladas outras indústrias nas instalações da Delphi para criar novos empregos.

Os trabalhadores vão ser dispensados no âmbito de um despedimento colectivo e receberão uma indemnização que já tinha sido acordada em 2008.

Em 2008, aquando do anúncio da decisão de encerramento da fábrica, entidades sindicais e administração acordaram um valor de 2,3 salários por cada ano de trabalho, em termos de indemnização.


A unidade industrial, sedeada em Ponte de Sor há 29 anos, é a maior do distrito de Portalegre, empregando 2,5 por cento da população do concelho.

A empresa produz apoios, volantes e airbags para vários modelos de veículos automóveis.

A administração da empresa não quis fazer comentários




Lusa

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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

PORTUGAL UM PAÍS DE BANANAS GOVERNADO POR SACANAS SOCIALISTAS

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 29,1 por cento em Setembro de 2009.

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A FOME, A MISÉRIA E A POBREZA

Não vejo um resquício de generosidade, uma minúscula fatia de sensibilidade humana nas últimas declarações do eng.º Francisco Van Zeller, patrão dos patrões da CIP. Pesarosamente o escrevo. O senhor surgia como um avô bondoso, voz limpa e pausada, voz sorridente se assim me posso exprimir. Agora, não. Parece outro homem. Até perdeu a dignidade do porte, Deus lhe perdoe. O eng.º Van Zeller opõe-se a quase tudo, menos aos interesses da classe que representa.

Opôs-se a que o novo Governo fizesse acordos com a Esquerda. Não se opôs a que os assinasse com o CDS. Vivemos num regime constitucional, republicano, cuja natureza exige a separação do poder económico do poder político. Às vezes, é verdade, o poder político volteia às cegas e recebe mais ordens do que toma decisões. Essa circunstância explica a desagregação da virtude e já chegámos a desinteressar-nos de discutir os princípios da liberdade e da democracia.

Notoriamente, o eng. Van Zeller aproveita-se deste vazio cívico, desta ausência ideológica e cultural para opinar sobre o que não deve, esquecendo-se do recato a que as suas nobres funções o devem obrigar.

Agora, opõe-se a que haja o menor aumento nos ordenados de quem trabalha. Quem trabalha que se aguente, dando continuidade a esse defeito nativo, à nossa vocação lacrimejante de sermos vítimas. Há dois milhões de portugueses na faixa da miséria: a expressão pobreza é um eufemismo apressadamente lançado à circulação quotidiana por políticos de baixa estirpe.

Conheço algumas famílias, e haverá certamente mais, cujos pais trabalham e os ordenados que recebem não chegam para as três refeições diárias. Acaso o deseje, sr. eng.º Van Zeller, acompanhá-lo-ei numa visita guiada aos redutos da miséria. Mas pode ir à Caritas, ou às outras várias organizações não governamentais (os Governos não se metem nisto) que socorrem milhares e milhares de portugueses.

António Perez Metello não ocultou, na TVI, a indignação que lhe causaram as ingerências dos patrões: ele não nomeou o engenheiro; disse: "o patronato", mas ferrou em público a indignidade. Os aumentos almejados são tão mínimos, tão escassos, tão módicos que qualquer objecção que se lhes faça soa a infâmia.

O eng.º Francisco Van Zeller, muito caritativo e assaz preocupado, manifestou a sua intensa solidariedade para com as pequenas e médias empresas, coitadas!, na síntese do opinante, que ficariam completamente desguarnecidas e até, talvez, tivessem de encerrar as portas. Ó eng. Van Zeller, ó eng.º Van Zeller, isso não são argumentos, são esconderijos esburacados de quem é, apenas e somente, o que sempre foi. Parece mal disfarçar-se com a capa da bondade quando está a defender o absolutamente indefensável.

Em 1845, Garrett escreveu, nas "Viagens na Minha Terra", o que custava um rico a um país: a ruína no trabalho, a dissolução moral, a miséria mais escanzelada. Garrett não era comunista.

Seria, agora, acusado dessa nefasta maldade. Só três anos depois de Garrett ter escrito aquela obra-prima, exactamente em 1848, é que foi editado o "Manifesto do Partido Comunista", de Marx e Engels. Será difícil admitir que o grande escritor tenha, por absurda antecipação, tomado as teses do "Manifesto" antes de ele ser publicado.

O eng.º Van Zeller foge à ideia que de ele fazia. O "bonhomme", elevado e atento, dissolveu-se a si mesmo. O patronato português, geralmente, é de um reaccionarismo bolorento. Além de demonstrar uma ignorância e uma incultura atrozes. Dir-me-ão: para ser bom empreendedor não é preciso saber quantos cantos tem "Os Lusíadas." Não é preciso, mas ajuda. O dr. Cavaco, por exemplo, não sabe. "Ao menos que sejam virtuosos os que não são instruídos", escreveu Ramalho Ortigão. A verdade é que nem isso. A virtude implica a consciência do que cada um de nós tem do dever e da honra. Ora, quem vive num plano alto da sociedade possui a responsabilidade ética de zelar e defender os interesses dos mais desprotegidos. Tirar-lhes o pouco que estes têm, compromete, inteiramente, quem o pratica.

Nenhum destes patrões conhecidos domina, pela admiração, as nossas curiosidades. O ressentimento é natural que nasça naqueles que sobrevivem nos tormentos das dificuldades e sabem que há "gestores" a auferir, mensalmente, vinte mil, trinta mil e dez mil euros, a beneficiarem de bónus vultuosíssimos e a pavonearem-se nos campos de golfe e nas festanças do jet-set (como é feia, aquela gente!).

Naturalmente, declarações deste jazes e estilo causam, naqueles que existem na miséria e no sofrimento, a maior das indignações. Homens e mulheres que trabalharam uma vida inteira e vivem em tugúrios, comem mal ou não comem, vêem-se impossibilitados de mandar os filhos para os estudos, esses homens e essas mulheres, muitos e muitos milhares, sentem-se ofendidos quando conhecem que há "gestores" com reformas de três mil e seiscentos contos mensais (moeda antiga) depois de seis meses de "funções" administrativas
.

B.B.

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