Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

A VOZ DO RÉGULO



PEDIDO DE AQUISIÇÃO DE PUBLICIDADE, POR PARTE DO MUNICÍPIO DE PONTE DE SOR, NO JORNAL ECOS DO SOR, COMO FORMA DE DIVULGAÇÃO DOS EVENTOS CULTURAIS E DE APOIO À INFORMAÇÃO DESPORTIVA / JORNAL ECOS DO SOR

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Deliberação: “atribuir uma comparticipação, mensal, ao Jornal ― Ecos do Sor ―, no valor de seiscentos euros (600,00 €) mais IVA à taxa legal em vigor, durante o prazo de doze (12) meses, com início no mês de Janeiro do corrente ano, a título de contrapartida pela publicação e divulgação da informação dos eventos culturais e desportivos, assim como de publicidade do Município. A publicidade de eventos culturais, desportivos e outros também quando temporalmente possível, deverão se publicitados no Jornal a Ponte.”.

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Declaração de voto (CONTRA) dos vereadores eleitos pela CDU:

Os Vereadores eleitos pela CDU não podem deixar de concordar que a Câmara Municipal de Ponte de Sor recorra aos órgãos se comunicação social locais, para garantir a divulgação da sua publicidade institucional. No entanto, se a única finalidade da contratação for esta, a escolha do meio de comunicação deverá cingir-se por critérios objectivos, ainda para mais quando todos sabemos que estes contratos de publicidade são vitais para a sobrevivência destes órgãos de comunicação social. Mas, e pela experiência comprovada, também todos sabemos que a fronteira entre a publicidade de eventos e a publicidade política é muito ténue, exigindo-se à imprensa local o cumprimento dos critérios mínimos de serviço público, o que significa garantir a liberdade de expressão e de informação, dando voz consequentemente à pluralidade de posições e opiniões reflectidas neste órgão autárquico. Tal contratação, a qual ase traduz na prática num subsídio periódico, tem como consequência a inibição dos órgãos de comunicação social e a transformação destes num meio de comunicação e de transmissão do poder instituído. O que se se tem verificado, nomeadamente com o Ecos do Sor, é precisamente a divulgação das realizações e das versões do poder instituído, em tom laudatório e de forma absolutamente acrítica, ou as realizações que servem, directa ou indirectamente, para enaltecer o poder instituído ou, pelo menos, que não o colocam em causa. Pelo exposto, votamos contra esta deliberação.

Declaração de voto (CONTRA) do vereador eleito pelo PSD:

“Subscrevo a declaração de voto dos elementos da CDU.”




— do Largo 25 de Abril

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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

NÃO ME PEÇAS SORRISOS

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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

OBRIGADO

Às vezes, fico só a olhar para vocês. Aperto os lábios, porque todas as palavras me parecem insuficientes. Aquilo que normalmente se diz nessas ocasiões, aquilo que é aceite pelo protocolo da convivência social, não chega para começar a exprimir todo o invisível que me inunda. Então, quase sempre sentado a uma mesa, fico só a olhar para vocês. Nesses momentos, não ter palavras é muito melhor do que ter rios de palavras. Aquilo que não sei dizer existe com muita força e, se tentasse encontrar-lhe nomes, estaria a diminui-lo, a transformá-lo em qualquer coisa possível.

É essa a natureza da matéria que partilhamos, é essa a forma daquilo que nos juntou. Sem esse mistério, continuaríamos a seguir os nossos caminhos. Talvez a metros, talvez a quilómetros, talvez em hemisférios distintos, talvez em ruas paralelas, as
nossas existências seriam indiferentes uma à outra. Não quero sequer imaginar a possibilidade desse mundo cinzento. Ainda bem que existem os livros, ainda bem que existe esta revista, ainda bem que existem a internet, o facebook, as feiras do livro e todos os lugares físicos e não-físicos onde nos encontramos. Ainda bem que existe o pensamento e a memória. Ainda bem que existe a ternura.

Mesmo havendo palavras, é difícil dizer aquilo que se quer dizer. A voz fica presa na garganta ou antes da garganta. Não vamos cometer esse erro. Vocês foram chegando devagar, foram entrando e quero que saibam que, hoje, são parte da minha família. Penso em vocês entre aquilo que me é mais valioso e, sem explicação, sinto saudades vossas de repente. Muitas vezes, sinto o toque do sol, tão suave, e sorrio ao lembrar-me que vou partilhar esse bem-estar convosco. Sinto-me muito grato pela companhia que me fazem. Convosco, nunca estou sozinho.


Os dias têm horas, minutos, e eu existo em todos eles. Não vejo o mundo apenas a partir das montras das livrarias ou das pequenas fotografias que acompanham estas crónicas, como se tudo estivesse controlado. Sou uma pessoa, Zé Luís, e só muito raramente está tudo controlado. Há vezes, como agora, em que estou num quarto qualquer.
Um quarto onde, depois de hoje, nunca mais voltarei. Os meus filhos, a minha mãe, as minhas irmãs estão a milhares de quilómetros, o terreiro das Galveias está a milhares de quilómetros. A distância faz de mim um menino perdido. Há muitos mais exemplos, claro, o coração a bater contra algo que o aperta. Então, vocês chegam e cobrem-me com a força de me desejarem tanto bem. Vocês protegem-me com pensamentos que atravessam oceanos. Comovem-me com esse bem-querer. Obrigado por, entre tantas possibilidades, terem escolhido a mais bondosa. Vocês constroem-me. Devo-vos a pessoa que sou.

E não importa se estivermos no mesmo lugar apenas por um instante há cinco anos, não importa se nunca estivemos no mesmo lugar, aquilo que realmente importa é o segredo luminoso que partilhamos. Não é feito de palavras, mas é transportado por elas. Esse é o nosso lugar, temos almas a vaguear nesse universo de sentido. Vocês mostram-me todos os dias que a generosidade pode salvar. Vocês têm muitos rostos, muitas histórias. Eu ouço-vos e encho-me de esperança humana, de amor humano, e transbordo. Mesmo quando estou em silêncio, agradeço-vos por me acrescentarem um sentido tão profundo. Estar-vos grato é estar grato ao mundo inteiro, ao fácil e ao difícil, ao doce e ao amargo. Sem um, não existiria o outro. Mesmo. Sem um, não existiria o outro, repito para que não restem dúvidas. Chegou a hora de, todos juntos, agradecermos pelas contrariedades. São elas, por mais feias, que nos permitem alcançar aquilo que está para lá delas. Ao mesmo tempo, são essas contrariedades, esses silêncios, que nos permitem prestar atenção ao que realmente nos interessa e que, como uma fogueira, nos ilumina o rosto.

Porque nos encontrámos, somos uma espécie de irmãos. Fomos capazes de existir sobrepostos e, por mais ou menos tempo, partilhámos a experiência partilhável. Se amanhã tudo se desfizer, saberemos que nos tocámos e espero que, perante o fim, sejamos capazes de nos sentir gratos pelo que tivemos e que é bastante mais do que a maioria das pessoas alguma vez chega a ter.

José Luís Peixoto




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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

POR FALAR EM PIEGAS


Antero

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

OS CIDADÃOS SÃO HOJE COMO OS SERVOS DA GLEBA DE OUTRORA

Há grupos económicos portugueses que mantêm intactos os seus privilégios desde os tempos da monarquia. Ao longo de séculos, conseguiram domesticar todos os regimes.
Até hoje, cativam uma parte significativa do orçamento de estado, à custa do qual se habituaram a enriquecer. Beneficiam de rendas das parcerias público-privadas da saúde, como acontece com o grupo Mello ou Espírito Santo. Recebem milhões pelo pagamento de juros da dívida pública. Obtêm concessões em monopólio, como acontece com a Brisa, detentora, por autorização governamental, das auto-estradas de Porto a Lisboa.

Os favores que recebem do estado têm revestido as mais diversas formas. No tempo do fascismo, obtinham licenças num regime de condicionamento industrial, em que só os amigos do regime podiam criar empresas. O seu domínio sobre a economia e a política vem dos tempos da monarquia, onde pontificava o conde do Cartaxo, antepassado da família Mello. Já os Espírito Santo descendem do poderoso conde de Rendufe.

Assim, estes grupos conseguiram trazer até ao século XXI, incólume, a lógica feudal, a tradição de atribuição de prebendas aos poderosos. Com uma diferença. Enquanto no tempo do feudalismo o rei atribuía privilégios que consistiam na doação de benefícios económicos (terras), a par de poder político (títulos), hoje apenas se concedem favores económicos. Assim, estes grupos mantêm o poder sem os incómodos do escrutínio democrático. Sabem que mais importante do que ter o poder na mão é ter a mão no poder. Até porque sempre influenciaram a política. Conseguiram-no no tempo de Salazar, através do fascínio que Ricardo Espírito Santo exercia sobre o ditador. Em democracia, contratam políticos de todas as tendências. Eanistas como Henrique Granadeiro, socialistas como Manuel Pinho ou social-democratas como Catroga.

Neste jogo democrático viciado, os cidadãos são hoje como os servos da gleba de outrora, mas agora sob a forma de contribuintes usurpados. E reféns do sistema vigente, que muitos chamam de neoliberalismo, mas que não é novo nem é liberal. É apenas a manutenção do velho feudalismo.


Paulo Morais

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

MAIS UMA...

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

RICOS...!



Rico é quem gera dinheiro, dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm. Pior, aquilo que exibem como seu é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitariam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por os lançar a eles próprios na cadeia. Necessitariam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.

O maior sonho dos nossos novos-ricos é, afinal, muito pequenito: um carro de luxo, umas efémeras cintilâncias.

Mas a luxuosa viatura não pode sonhar muito, sacudida pelos buracos das avenidas. O Mercedes e o BMW não podem fazer inteiro uso dos seus brilhos, ocupados que estão em se esquivar entre chapas muito convexos e estradas muito côncavas. A existência de estradas boas dependeria de outro tipo de riqueza Uma riqueza que servisse a cidade. E a riqueza dos nossos novos-ricos nasceu de um movimento contrário: do empobrecimento da cidade e da sociedade.

As casas de luxo dos nossos falsos ricos são menos para serem habitadas do que para serem vistas.

Fizeram-se para os olhos de quem passa. Mas ao exibirem-se, assim, cheias de folhos e chibantices, acabam atraindo alheias cobiças. O fausto das residências chama grades, vedações electrificadas e guardas privados. Mas por mais guardas que tenham à porta, os nossos pobres-ricos não afastam o receio das invejas e dos feitiços que essas invejas convocam.

Coitados dos novos ricos. São como a cerveja tirada à pressão. São feitos num instante mas a maior parte é só espuma.

O que resta de verdadeiro é mais o copo que o conteúdo. Podiam criar gado ou vegetais. Mas não. Em vez disso, os nossos endinheirados feitos sob pressão criam amantes. Mas as amantes (e/ou os amantes) têm um grave inconveniente: necessitam ser sustentados com dispendiosos mimos. O maior inconveniente é ainda a ausência de garantia do produto. A amante de um pode ser, amanhã, amante de outro. O coração do criador de amantes não tem sossego: quem traiu sabe que pode ser traído.

Os nossos endinheirados-às-pressas não se sentem bem na sua própria pele.

Sonham em ser americanos, sul-africanos. Aspiram ser outros, distantes da sua origem, da sua condição. E lá estão eles imitando os outros, assimilando os tiques dos verdadeiros ricos de lugares verdadeiramente ricos. Mas os nossos candidatos a homens de negócios não são capazes de resolver o mais simples dos dilemas: podem comprar aparências, mas não podem comprar o respeito e o afecto dos outros. Esses outros que os vêem passear-se nos mal-explicados luxos. Esses outros que reconhecem neles uma tradução de uma mentira. A nossa elite endinheirada não é uma elite: é uma falsificação, uma imitação apressada.

A luta de libertação nacional guiou-se por um princípio moral: não se pretendia substituir uma elite exploradora por outra, mesmo sendo de uma outra raça. Não se queria uma simples mudança de turno nos opressores.

Estamos hoje no limiar de uma decisão: quem faremos jogar no combate pelo desenvolvimento? Serão estes que nos vão representar nesse relvado chamado "a luta pelo progresso"? Os nossos novos ricos (que nem sabem explicar a proveniência dos seus dinheiros) já se tomam a si mesmos como suplentes, ansiosos pelo seu turno na pilhagem do país.

São nacionais mas só na aparência.

Porque estão prontos a serem moleques de outros, estrangeiros. Desde que lhes agitem com suficientes atractivos irão vendendo o pouco que nos resta. Alguns dos nossos endinheirados não se afastam muito dos miúdos que pedem para guardar carros. Os novos candidatos a poderosos pedem para ficar a guardar o país. A comunidade doadora pode ir às compras ou almoçar à vontade que eles ficam a tomar conta da nação. Os nossos ricos dão uma imagem infantil de quem somos. Parecem crianças que entraram numa loja de rebuçados. Derretem-se perante o fascínio de uns bens de ostentação.

Servem-se do erário público como se fosse a sua panela pessoal.

Envergonha-nos a sua arrogância, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza. Como eu sonhava que Moçambique tivesse ricos de riqueza verdadeira e de proveniência limpa! Ricos que gostassem do seu povo e defendessem o seu país. Ricos que criassem riqueza. Que criassem emprego e desenvolvessem a economia. Que respeitassem as regras do jogo. Numa palavra, ricos que nos enriquecessem. Os índios norte-americanos que sobreviveram ao massacre da colonização operaram uma espécie de suicídio póstumo: entregaram-se à bebida até dissolverem a dignidade dos seus antepassados. No nosso caso, o dinheiro pode ser essa fatal bebida. Uma parte da nossa elite está pronta para realizar esse suicídio histórico. Que se matem sozinhos. Não nos arrastem a nós e ao país inteiro nesse afundamento.


Mia Couto

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QUE MISÉRIA, ESTA


O Presidente da República é uma majestade protegida. Há uma deferência especial, começando na imprensa, que virá talvez do reconhecimento de que o cargo tem sido um culminar agraciado de carreiras políticas. É preciso cometer um grande erro para perder essa imunidade. Esse erro é desrespeitar os portugueses. E Cavaco Silva cometeu-o.

O valor da pensão de Cavaco Silva sempre o preocupou. Há um ano, entre dois mandatos, o candidato Cavaco Silva lamentou-se publicamente da pensão da sua mulher. É uma coisa que o incomoda. E compreende-se que se lamente por não puder mais acumular salários com pensões; que as veja cortadas por impostos; que as reveja diminuídas por cortes da "troika". A crise afecta todos os que têm rendimentos (muito mais do que os que têm património) e mesmo quem ganha muito pode continuar a ganhar muito mas só depois muito perder. Mas nada disto amnistia ou atenua aquele desabafo de vão-de-escada. Porque é omisso e manipulador; porque é de um Chefe de Estado; porque é de um privilegiado, mesmo que à custa de transpiração. Portugal está hoje cheio de transpirados no desemprego, de brilhantes a recibos verdes e de jovens promessas que não terão pensões.

As misérias do Presidente da República não são misérias, são privações. O desabafo do Presidente não é um desabafo, é uma zanga incontida na semana em que recebeu a primeira reforma cortada, a de Janeiro. Milhares de portugueses levaram essa chapada naquele dia. Não precisavam de levar a segunda. Sendo pessoal, omissa em relação a outra pensão e às despesas que não paga, é uma frase selectiva. Terá sido afinal por razões pessoais que questionou a "equidade fiscal" destes cortes apenas na Função Pública? Não podemos crer que sim, seria demasiado mesquinho, o nível de impostos é mesmo de uma enorme violência. Mas então por que razão não se levantou o Presidente contra a falta de "equidade fiscal" noutras áreas, como o IRS de casados que ganham se simulares divórcios?

Cavaco Silva quis fazer-se de mártir mas regou-se com gasolina. Colocou a questão legal num prisma moral. A moral tem um inimigo no moralismo. A República não pode ter um inimigo no Presidente. "Não sei se ouviu bem, 1.300 euros por mês" é dos maiores insultos públicos dos últimos meses aos portugueses. Custa muito pedir desculpa, mas é isso que o Presidente deve fazer neste momento. A franqueza só é uma fraqueza se a gente for fraca. E um "fraco rei faz fraca a forte gente".

Que miséria, esta.



Pedro S.Guerreiro

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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

ESTAMOS EM PLENO REINO DA...

O mal-estar causado pela assinatura do Acordo de Concertação Social não pára de aumentar. E, à medida que se conhecem os itens do documento, as baterias apontadas ao eng.º João Proença são cada vez mais. Torres Couto, fundador da UGT, afirmou que o acto é suicidário e que aquela central caminha para a dissolução.

E sindicatos e sindicalistas afins não param de criticar, por vezes acerbamente, o que entender ser uma capitulação de Proença.
Este, claramente irritado, tem procurado defender-se com argumentos tão irracionais como idiotas, mas o que está em causa deita por terra qualquer tentativa de justificação.

O dr. Passos Coelho subiu ao palco e disse, entre outras banalidades e omissões, que se estava em presença de uma grande coligação social.
Não é assim.
O primeiro-ministro não aceita as evidências e quer enganar quem?
Com a saída da CGTP, o desenrolar dos acontecimentos são de molde a preocupar.
Menos de vinte e quatro horas depois, uma manifestação de descontentes gritou a sua cólera perante o edifício do Parlamento. E isto não vai parar!, exclamou Carvalho da Silva, que vai deixar o lugar de secretário-geral da CGTP, por exigências estatutárias, e ser substituído por Arménio Carlos.

Claro que apareceram aduladores do documento.
Os mais despropositados foram o dr. Tavares de Miranda e o também dr. Braga de Macedo, recuperados de um limbo onde muito bem estavam.
O dr. Miranda discreteou acerca das inabaláveis virtudes de um texto, cujos objectivos salvíficos são comoventes.
Parece que a pátria estava em perigo de soçobrar, não acontecesse a assinatura singularmente patriótica do eng.º Proença. E o dr. Braga, sempre muito inteligente, exautorou as declarações de Torres Couto, de quem disse ser muito amigo, fora o despautério daquele absurdo radicalismo; ou foi fundamentalismo o que disse?

O facto é que o acordo é um texto beligerante, que desfere golpes terríveis em muitos avanços sociais do mundo do trabalho.
A Imprensa tem enumerado a lista e chega a ser sórdido o que patrões e governo querem fazer com o apoio sorridente do eng.º Proença.
Este, desasado e sem saber onde se meter, culpa os jornalistas.
Os jornalistas são culpados de muita coisa; mas de esta, não.
O eng.º Proença cumpre, aliás, o desígnio histórico que tem caracterizado o seu trajecto e o da UGT.
Não vale a pena cauterizar velhas feridas fazendo ressurgir histórias ignóbeis.
Mas cada um come do que quer e a mais não é obrigado.

A verdade é que as ambições patronais foram obtidas, com a conivência de UGT, e não há volta a dar ante as circunstâncias.
O escarmento de que o eng.º Proença é alvo não é injusto: ele assumiu as responsabilidades de fazer o que fez, num momento particularmente dramático da sociedade portuguesa e, em especial, da classe trabalhadora. Porque é esse o caso.
Todos nós, os que trabalhamos, operários, jornalistas, professores, mecânicos, motoristas, vamos ser atingidos pela onda avassaladora de uma série de iniquidades de que a UGT é responsável.
É extremamente significativo ver quem apoia e aplaude este acordo. E a desvergonha aumenta quando o eng.º Proença agita a bandeira da meia hora como vitória singular.
A verdade é que a historieta da meia hora foi um engodo, enganador como todos os engodos.
As coisas estavam preparadas e cumpliciadas para se apresentar a cedência governamental e patronal como ganho sindical.
O embuste servia para justificar o que aí vinha.

Estamos em pleno reino da infâmia.
Enfraquecido pelas pressões conservadoras e ultraliberais e pelas traições oportunistas de aventureiros sem escrúpulos, o mundo do trabalho está cada vez mais encostado á parede do seu infortúnio.
Porém, a história no-lo ensina que os incidentes de percurso, por dramáticos e dolorosos que sejam, são superados pela força da razão.
Estamos num desses períodos, em que tudo parece perdido.
Mas não está.
O estádio civilizacional será, ocasionalmente, interrompido, mas não é nunca uma etapa definitiva. E o poder, quase totalitário, que parece avassalar a Europa, começa, aliás, a apresentar fissuras.
Todas as derrotas são aparentes, por muito duradouras no aspecto. E não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento.

B.B.

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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

VIGARISTAS, ...



Retirado de uma resposta no Expresso online…:


Há dez minutos atrás, ao preencher o formulário para aderir ao descontinho de 10%, deparo-me com a obrigatoriedade de inserir um NIB para pagamento bancário. Como já tenho pagamento por conta bancária, recorri à menina EDP, através do 808 501 501 (linha dedicada aos patos que querem este descontinho e eu fui um deles).
-Fulana de tal... EDP... em que posso ser útil?
- Estou a tentar preencher online a adesão ao desconto de 10% e não há nenhum campo para indicar que já tenho pagamento pelo banco.
- Este será um novo contrato, por isso tem de introduzir o NIB, mesmo que seja o mesmo.
- Um novo contrato? Porquê?
- Porque a senhora está a deixar de ser cliente da EDP Universal e está a passar a ser cliente da EDP mercado liberalizado.
- E... isso quer dizer o quê???
- Que passa a estar no mercado liberalizado de fornecimento de energia que a TROIKA obrigou.
- E se eu não sair da EDP Universal?
- Mais tarde vai ter de sair, porque o mercado regulado vai acabar, por ordens da TROIKA.
- E vai acabar quando?
- Em 2015 vai deixar de haver.
- Então quer dizer que até 2015 ainda posso estar como cliente do mercado regulado!?
- Sim, mas depois tem de sair.
- E se sair já, o que acontece ao preço que vou pagar?
- Até final da campanha os preços mantêm-se...
- E depois de Dezembro de 2012 (final da campanha)?
_ ????
- JÁ PERCEBI! NÃO QUERO ADERIR, MUITO OBRIGADA.


Espero que os caros comentadores e leitores também consigam perceber a tempo o que aí vem. Cump.



EXPLICAÇÃO BÁSICA:

No Mercado Regulado, tal como o nome indica, os preços são devidamente controlados por uma entidade competente, não podendo subir além dum determinado valor.
No Mercado Liberalizado não há qualquer regulação, ou seja, temos de estar atentos ao que nos cobram mensalmente.
Quando aderimos à Campanha do sistema de Pontos do Continente, obrigatoriamente temos de passar do mercado regulado para o mercado liberalizado e, por conseguinte, assinar novo contrato.

Além dos esclarecimentos acima reproduzidos, impõe-se acrescentar:

Por contacto feito com a linha EDP (808501501) fomos informados que ao aderir à campanha em referência, teriamos de renunciar à tarifa bi-horária (em que o custo do kWh tem uma redução de 46,2%);


O QUE FAZER:

Aconselhamos a quem não concordar com esta “habilidade” da EDP (com a colaboração do grupo SONAE/Continente) configurando um flagrante caso de “ambush marketing” (marketing de emboscada) e publicidade enganosa, que apresente as suas queixas junto da Direcção Geral do Consumidor e/ou ICAP (Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial), para além da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos).


Pedro Q. Graça

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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

SÃO UNS GRANDES ... !


É bom constatar que nem tudo é negativo neste país.

Afinal nem todos os jovens pertencem à geração à rasca.

A boa notícia é que o actual governo está a recrutar jovens prodígios portugueses para assessores e/ou adjuntos, mediante um simpático vencimento da ordem dos três mil euros mensais.

E só podem ser prodígios, porque quem é especialista em qualquer coisa aos 24 anos é um fenómeno!

Já sei que as más línguas irão dizer que são boys que ali estão a troco de favores que os partidos do governo devem aos progenitores.

Pura má língua.

Temos que acreditar que os nossos governantes são sérios, e que se os jovens chegaram tão rapidamente ao este patamar é porque o merecem e não devem ser confundidos com aqueles que, embora também titulares de cursos superiores, ou estão no desemprego ou se ficam pelos quinhentos euros mensais, a recibo verde e a título precário.

Agora percebo porque é que tenho tanta dificuldade em compreender algumas medidas anunciadas pelo governo.

É que provavelmente estarão sustentadas pela vasta experiência destes especialistas, e eu ainda não atingi o seu nível de desenvolvimento intelectual para as entender.

Viva a democracia!

Lista de 29 assessores / adjuntos de Ministérios, todos de idade inferior a 30 anos, havendo 14 especialistas com idades entre os 24 e os 25 anos.

MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL (2)
Cargo: Assessora
Nome: Ana Miguel Marques Neves dos Santos
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes
Idade:28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.183,63 €
MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (1)
Cargo: Adjunto
Nome: Filipe Fernandes
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.633,82 €
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS (4)
Cargo: Adjunto
Nome: Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida
Idade: 26 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Assessor
Nome: Bruno Miguel Ribeiro Escada
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.854 €
Cargo: Assessor
Nome: Filipe Gil França Abreu
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.854 €
Cargo: Adjunto
Nome: Nelson Rodrigo Rocha Gomes
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (2)
Cargo: Assessor
Nome: Jorge Afonso Moutinho Garcez Nogueira
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Assessor
Nome: André Manuel Santos Rodrigues Barbosa
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.364,50 €
MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES (5)
Cargo: Especialista
Nome: Diogo Rolo Mendonça Noivo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Adjunto
Nome: Ademar Vala Marques
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Especialista
Nome: Tatiana Filipa Abreu Lopes Canas da Silva Canas
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Especialista
Nome: Rita Ferreira Roquete Teles Branco Chaves
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3069,33 €
Cargo: Especialista
Nome: André Tiago Pardal da Silva
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
MINISTÉRIO DA ECONOMIA (8)
Cargo: Adjunta
Nome: Cláudia de Moura Alves Saavedra Pinto
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago Lebres Moutinho
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Cristóvão Baptista
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago José de Oliveira Bolhão Páscoa
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: André Filipe Abreu Regateiro
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Ana da Conceição Gracias Duarte
Idade: 25 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: David Emanuel de Carvalho Figueiredo Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Folgado Verol Marques
Idade: 24 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (3)
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo
Idade: 25 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Antero Silva
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
Cargo: Especialista
Nome: Tiago de Melo Sousa Martins Cartaxo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €
MINISTÉRIO DA SAÚDE (1)
Cargo: Adjunto
Nome: Tiago Menezes Moutinho Macieirinha
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,37 €
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA (2)
Cargo: Assessoria Técnica
Nome: Ana Isabel Barreira de Figueiredo
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.198,80 €
Cargo: Assessor
Nome: Ricardo Morgado
Idade: 24
Vencimento Mensal Bruto: 2.505,46 €
SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA (1)
Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Filipe Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 1.950,00 €

Fonte: http://www.portugal.gov.pt


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Sábado, 14 de Janeiro de 2012

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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

CONTINUEM A VER TELENOVELAS E A VOTAR NOS PATIDOS DO CORAÇÃO...

O genocídio que esta canalha do governo que se apoderou do país, está a levar à prática.

A liquidação do sistema nacional de saúde basta para que nos próximos anos morram milhares de idosos e pessoas de fracos recursos.

Aqui está a confirmação.



Continuem a ver telenovelas e a votar nos partidos do coração.

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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

PORNOGRAFIA ?
































Antero

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Sábado, 7 de Janeiro de 2012

É SÓ GENTE DE BEM?

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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

IMENSO POLVO




Os últimos dias foram reveladores da existência na sociedade portuguesa de um imenso polvo que controla o poder político e a comunicação social que permite transformar a democracia numa verdadeira face, só faltou sabermos da existência dos tentáculos desse polvo em sectores como a justiça, ainda que ninguém duvide de que nesta a independência é muito semelhante à da comunicação social.

Soubemos que o imenso polvo une deputados do poder a deputados da oposição, líderes parlamentares de partidos opostos, patrões da comunicação social, agentes secretos e outros agentes.
Percebemos que se o polvo quiser queima um cidadão, seja ele um
modesto funcionário ou mesmo um primeiro-ministro que lhe desagrade.
Se o polvo o desejar investiga a vida de um cidadão incómodo, com jeito até lhe pode encher uma gaveta da cómoda com marijuana ou expor algum pecadilho íntimo na comunicação social.
O polvo pode actuar impunemente porque quem o controla é um dos seus tentáculos e quem o vigia na comunicação social é outro dos seus tentáculos.

Vimos também como um ricaço cuja empresa investe milhões em publicidade consegue juntar mais gente em manifestações de solidariedade do que as vítimas de qualquer tragédia que ocorra em Portugal, mal os interesses do super merceeiro foram postos em causa assistiu-se a uma verdadeira procissão de directores de jornais, comentadores, jornalistas e opinion-maker dos mais diversos tipos e calibres em defesa do mais recente emigrante português.


Uns terão sido pagos, outros estarão a co
ntar com a participação num bónus de publicidades outros apenas têm a esperança de que o ricaço repare neles para lhes enviar uma gorjeta, talvez a encomenda de um livro para a fundação do Barreto ou mesmo um cabaz com pacotes de arroz e garrafas de azeite no próximo Natal.
Alguns até o fazem porque já nasceram sem coluna e acham que estão no mundo para bajular e lamber os ditos dos mais poderosos.

Quando os trabalhadores do Pingo Doce fizeram protestos públicos em Agosto de 2009 ou em Outubro de 2011 ninguém escreveu em sua defesa, nenhum jornal dedicou um editorial ao tema, nem o Expresso fez uma entrevista a um trabalhador.
Mas agora que o senhor Santos põe o dinheiro e os lucros longe do alcance do fisco do seu país chovem as manifestações de solidariedade, tudo se faz para poupar o ricaço a qualquer boicote.

Estes são dois casos que mostram até que ponto a corrupção moral está a apodrecer o país, como o poder é controlar e gerido por um imenso polvo que se alimenta do país e, por sua vez, se apropria da riqueza colectiva para alimentar e enriquecer uma imensidão de gente que, como diria Cavaco Silva, não produzem bens transaccionáveis, vivem sim da tráfico de influências, o único negócio que em Portugal parece ser competitivo, a a matéria-prima dos políticos é barata e a competitividade está assegurada.

É este imenso polvo que escolhe políticos e ajuda a elegê-los, que escolhe governantes ou ajuda a derrubá-los, que torna a justiça ineficaz, que apodrece o país com corrupção e que ajuda a manter um imenso esquema que impede o desenvolvimento do país e mantém uma economia prisioneira de esquemas que matam a concorrência e a competitividade alimentando a desigualdade social.

Foi este imenso polvo que arruinou bancos, que levou o Estado quase à falência, que se aproveitou das vantagens do euro enquanto estas duraram e que agora conspira para que sejam os pobres a pagar uma crise que eles provocaram.
Os italianos têm uma máfia a que numa famosa série televisiva chamaram polvo.
Nós temos um polvo tão mau ou pior do que as máfias italianas mas sem qualquer designação, é simplesmente um imenso polvo que aprisiona o país do Algarve a Trás-os-Montes, da Madeira aos Açores.





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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

VOLTAR A CASA


Devagar, aproximo a colher, oblíqua, do centro do prato. Por um instante, a circunferência de caldo e a colher formam um exemplo geométrico, são como a ilustração de ângulos num manual de matemática. Sinto o cheiro a conforto morno, a casa, a bem-estar, a inverno agasalhado. Abro caminho com a ponta da colher entre fios de couve, finos e embaraçados como ninhos de pardais. Quando a colher já está cheia e a levanto, não penso em mais do que na sua própria imagem. Fixo-a como se já lhe soubesse o sabor. Confirmo o melhor desse conhecimento no fim do gesto. Caldo verde. Fecho os olhos por um momento.

Após esse momento, o mundo reaparece. A minha mãe dá voltas à mesa. Tem pressa talvez por não querer que este tempo acabe. A sua imagem pisca de um e de outro lado da mesa. Antes de eu chegar, eu sei que a minha mãe enrolou folhas de couve na mão. Aproximou-as das lâminas do aparelho de ferro que as cortou em fios, a rodar por meio de uma manivela, preso à mesa por um grampo. Tenho essa memória desde pequeno, o som das folhas grossas de couve a serem cortadas, a sua cor verde-escura e o seu cheiro fresco, também verde. A voz da minha mãe mistura-se com o sabor da sopa. Diz-me: sabes quem é que morreu? Não sei, mas quero saber. Então, a minha mãe perde a pressa. Faz uma pausa para dar dois ou três passos, que se ouvem chinelados no chão. Dentro de mim, preencho esse silêncio com uma sucessão de rostos da minha infância.

Foi o Ti Zé Rente-às-Orelhas, diz a minha mãe. Quem? A minha mãe tenta explicar melhor: foi aquele homenzinho que morava na entrada da Devesa, vizinho do Mané Fãfã, o viúvo da Ti Chica Estreita. Eu conheço esses nomes, já os ouvi muitas vezes no meio de conversas, mas não estou a ser capaz de identificá-los. A minha mãe escandaliza-se: não sabes quem é o Mané Fãfã? Andaste à escola com dois sobrinhos dele, os filhos do latoeiro, o Armindo e o irmão mais novo do Armindo. Esses conheço bem: sim, claro, os filhos do latoeiro. O Mané Fãfã é irmão do latoeiro? Não, responde a minha mãe, o Mané Fãfã é irmão da mulher do latoeiro, a Rosalinda. Lembro-me dessa mulher, chegou a dar-me pão com mel quando brincava com os seus filhos, mas não sabia que tinha irmãos. Afinal tem, à farta, a minha mãe explica-me que essa mulher é a única rapariga de cinco filhos. Outro irmão dela é o Raposo. Até que enfim: ah, o Mané Fãfã é irmão do Raposo? Assisti-lhe a muitos jogos de sueca. Coitado. Que idade tinha? A minha mãe diz-me que não foi o Mané Fãfã que morreu, foi o seu vizinho, o Ti Zé Rente-às-Orelhas, um homem magro, solteirão, com mais de noventa anos, muito bem falante, mas bastante mouco. Morreu a ver a telenovela.

Não lhe recordo o rosto e, no entanto, consigo imaginar esse homem como se adormecesse, a merecer descanso. Digo: só me lembro do Mané Fãfã ter uma vizinha, aquela mulher maluca, despenteada, despassarada, a Violante. Com paciência, a minha mãe explica-me: essa é a vizinha de um lado. O Ti Zé Rente-às-Orelhas era o vizinho do outro lado.


José Luís Peixoto

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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

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Sábado, 31 de Dezembro de 2011

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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

JÁ NEM OS MORTOS COOPERAM!

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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

PRENDA DE NATAL PARA...

Cavaco Silva diz que portugueses sofrem efeitos de "uma vida fácil" ... e portanto o governo quer tirar mais três dias de férias ao pessoal (somando os quatro feriados, já lá vão sete)


...presente para o sapatinho, caixa de música (é favor tirar a cavilha e esperar pela música) e votos de um ano novo tão bom quanto possível.

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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

AS GORDURAS DO ESTADO SÃO OS PORTUGUESES


Primeiro foram os jovens desempregados a receber do secretário de Estado da Juventude guia de marcha para fora de Portugal; agora coube a vez aos professores, pela voz do próprio primeiro-ministro.

No caso dos professores, a coisa passa-se assim: o ministro Crato varre-os das escolas; depois, Passos Coelho aponta-lhes a porta de saída do país: emigrem, porque Angola e Brasil têm uma grande necessidade (...) de mão-de-obra qualificada.

Portugal (que é um dos países da Europa com mais baixos níveis de escolarização, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, divulgado no mês passado pelo PNUD) não tem, como se sabe, necessidade de mão-de-obra qualificada.

E, como muito menos tem necessidade de mão-de-obra desqualificada, ninguém se surpreenda se um dia destes vir o secretário de Estado do Emprego e o novo presidente do Instituto do Emprego e Formação (?) Profissional a mandar embora quem tiver como habilitações só o ensino básico; o ministro da Segurança Social a pôr na rua pensionistas e idosos (para que precisa Portugal de pensionistas e idosos, que apenas dão despesa?); o ministro da Saúde a dizer aos doentes que vão morrer longe, em países sem listas de espera e com taxas moderadoras em conta; o da Defesa a aconselhar os militares a desertar e ir para sítios onde haja guerras; e por aí adiante...












Percebe-se finalmente o que são as tais gorduras do Estado: são os portugueses.

M.A.P.


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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

DESPACIO, EN PAZ



Como si de la respiración de la tierra se tratase, en la playa de Laginha, en la isla de San Vicente, las olas lamen la arena oscura y volcánica. De noche, de día, en todos los instantes, ahora mismo, su ritmo es tranquilo y natural. También por la Praça Nova, cariñosamente llamada "pracinha", en el centro de la ciudad de Mindelo, la gente pasea sin prisa. Sobra el tiempo. Los alumnos de los colegios, con sus mochilas a la espalda, cruzan por las calles empedradas. En las avenidas, hay mujeres sentadas en cajones o bancos en los que presentan la mercancía que ofrecen a la venta: caramelos, pastillas, dulces de coco y cigarrillos que venden por unidades. Pasa el tiempo y se mezcla con el criollo, hablado por voces de todas las edades. Y también se mezcla con la música. En San Vicente, en Mindelo, en Cabo verde hay música por doquier.

Hablé con Cesaria Evora por primera vez en 1998 en la ciudad de Praia, tras un concierto en la Asamblea nacional. Yo era un profesor de portugués de 24 años, que comenzaba a hablar criollo, y ella, lógicamente, era Cesaria Evora en todo su esplendor. Hablamos de Portugal. Ella pronunció ese nombre y, después, dijo algunas cosas sobre la forma en las que yo utilizaba palabras del criollo badiu (hablado en Praia) y del criollo sampadjudo (de Mindelo). Creo que me sonreí educadamente, pero sólo entendí sus palabras algunos meses después. Fue también en esa ocasión cuando pedí a Cesaria Evora que me me dedicase un disco. Ella me miró con aquellos ojos, cogió el disco y, despacio, escribió su nombre.

Los domingos, en Cabo Verde, tenía un vecino que colocaba unos altavoces en el tejado sin terminar de su casa y ponía discos de Cesaria Evora para que los escuchase toda la gente. Eran los días en los que el vecino recibía amigos de todas partes, familiares y gente que llegaba con alguna carne para la parrilla o que, por lo menos, traía ganas de comer y de beber cerveza portuguesa helada. También yo pasaba las tardes del domingo hablando, comiendo morena frita y riéndome sin parar. Oíamos las mismas canciones una y otra vez. Al final de la tarde, cuando se iban levantando las sombras, le pedía alguna chica que bailase conmigo. Esos bailes eran una especie de abrazos. Y la voz de Cesaria siempre estaba presente, imprescindible y perfecta, extendiéndose hasta el océano, al que parecía tocar con su magia.

Cesaria Evora forma parte de Cabo Verde, exactamente como si fuese la undécima isla del archipiélago que llegó tan lejos a través de su voz. De la misma manera, Cabo verde siempre formó parte de Cesaria Evora. En su voz cantada está presente el cielo inmenso sobre el Monte Cara, toda la bahía de Mindelo, la inmensa saudade de todos los caboverdianos y la esperanza entera de un pueblo. En su voz está presente un "pequeño país". O por decirlo exactamente con las palabras que Cesaria cantó, "diez granitos de tierra esparcidos en medio del mar". Ahora, gracias a la sabiduría de su interpretación, gracias a la belleza de su sensibilidad, descubrimos ese país dentro de nosotros y vemos que está hecho de todo el afecto que la voz de Cesaria es capaz de albergar. Para oírlo no necesitamos altavoces en los tejados. Basta con cerrar los ojos. Ella está siempre ahí. Como las personas que, despacio, muy despacio, atraviesan la Praça Nova. Como las olas que rompen en la playa de Laginha.

José Luís Peixoto

Jornal El Mundo

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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

É FARTAR VILANAGEM!

António Lobo Xavier

Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3700 euros.

Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...


José Pedro Aguiar-Branco

O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco e agora ministro da defesa é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário do advogado), da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar-Branco recebeu 8 080 euros, ou seja, 4 040 por reunião.

Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários... E agora é Ministro da Defesa.

António Nogueira Leite

Segue-se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de 5 300 euros por reunião.

Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...


João Vieira Castro

O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro (na infografia, a ordem é pelo total de salário). O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria.



Daniel Proença de Carvalho


Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião.


Estes é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...



Convém recordar: Gestores não executivos recebem 7 400 euros por reunião!!!
Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos.

Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos - ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.


Estes são alguns dos indivíduos que vão rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...



Vencimentos com valores médios em termos de carreira...

  • G.N.R...............€ 800,00 - Para arriscar a vida.
  • Bombeiro...........€ 960,00 - Para salvar vidas.
  • Professor...........€ 930,00 - Para preparar para a vida.
  • Médico...........€ 2.260,00 - Para manter a vida.
  • Deputado...... € 6.700,00 - Para nos lixar a vida.


Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar.


Nenhum governante fala em:

  1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.
  2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.
  3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.
  4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
  5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?
  6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.
  7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.
  8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.
  9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País.
  10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...
  11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.
  12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.
  13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.
  14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.
  15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.
  16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.
  17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
  18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.
  19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.
  20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.
  21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.
  22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).
  23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.
  24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".
  25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;
  26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".
  27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.
  28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
  29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.
  30. Pôr os Bancos a pagar impostos.


[Recebido por email]

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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

OS "TEMPOS" ESTÃO NA MESMA?


A menina da fotografia cresceu e chama-se Maria da Conceição Tina saiu no Público esta semana.
Patrícia Carvalho pegou no depoimento da hoje mulher e professora que nos anos 60 foi a menina retratada por Gerard Bloncourt numa fotografia ícone da emigração portuguesa em França e teve aquele toque de génio que faz a jornalista desaparecer do texto e dar-lhe a magia de um depoimento.

É uma pequena obra-prima: está ali a História, do que fomos e somos, a beleza de uma mulher que se abre revelando a memória, a teia que força hoje a sua filha desempregada a emigrar (as repetições na História são ambas tragédias), conta-nos como a mulher só este ano se soube a menina retratada e fotografa-lhe a vida que foi a de tantas meninas e meninos, nem todos com um final quase feliz.

Parabéns a Patrícia Carvalho, a Gerard Bloncourt e a Maria da Conceição Tina, e deixo-vos aqui o pdf para que estas páginas circulem pela rede, partilhem, partilhem sff, num tempo de cinzas há sempre um raio de sol onde a vida da gente também sai no jornal.

Ler na integra: A menina da fotografia


J.J.C.

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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

O MEDRONHO

Da colheita ao uso



O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus vai organizar no próximo dia 1 de Dezembro, uma actividade de apanha de medronho e experimentação das suas várias utilizações, que decorrerá na Herdade de Casal de Vale de Salteiros em Ponte de Sôr, pelas 10h15.
Venha aproveitar o feriado de forma diferente!
Inscrições até 30 de Novembro!

Venha conhecer o medronho e aprender algumas das suas utilizações tradicionais!









PONTE DE SÔR


HERDADE CASAL DE VALE DE SALTEIROS

Objectivo
Com esta actividade pretende-se dar a conhecer esta espécie da nossa flora autóctone e ao mesmo tempo apresentar as diferentes formas como, tradicionalmente, o Homem tem aproveitado o medronho.
Pretende-se que os participantes possam activamente colaborar na colecta do medronho no seu meio natural e de seguida preparar alguns doces, compotas e a famosa aguardente de medronho.


Programa
10h00 | Encontro na Estação Rodoviária de Ponte de Sôr
10h15 | Encontro na Herdade de Casal de Vale de Salteiros
10h30 | Apanha do medronho no campo
12h30 | Almoço (Existem condições no local para almoçar em regime de picnic).
14h00 | Utilizações do medronho:
Preparação de aguardente

Confecção de doces/compotas com medronho
17h00 | Prova dos produtos confeccionados

Inscrições e informações (até dia 30 Novembro):
Telemóvel: 917064875
E-mail:portalegre@quercus.pt

Preço*:
8,00€ sem almoço
16,00€ com almoço
*Os sócios da Quercus terão um desconto de 2 Euros sobre o preço acima.



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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

GREVE GERAL

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Domingo, 20 de Novembro de 2011

IN MEMORIAM…

In Memoriam…

021 Conferência

«Já havia flores no campo. Frágeis, cintilantes, coloridas, sorrindo ao sabor da brisa…» (Raul Cóias Dias)

O Raul Cóias já não está entre nós.

Hoje de manhã soube a notícia, estúpida, violenta, inútil, desnecessária, como estúpidas, violentas, inúteis e desnecessárias são as notícias que nos trazem a morte de alguém.

O Cóias, que me deu o privilégio de com ele trocarmos ideias e de ser meu amigo, perdeu a batalha com aquela amante violenta, aditiva, estúpida e implacável, que lhe fez parar o coração e levá-lo para uma outra dimensão.

O Raul Cóias já não está entre nós.

O céu alegra-se: tem mais uma estrela, brilha com tanta intensidade, que faz as outras tremer de inveja… O Cóias, na sua humildade, inteligência e simplicidade, sorri. E vela por nós!

Descansa em paz, Raul.

«E era assim todos os anos, desde o princípio dos tempos, desde que do caos se fez luz, luz viva como um mistério, suave como um milagre, de que o homem é apenas uma minúscula centelha, uma frágil faiúncula, um reflexo fugaz.» (Raul Cóias Dias)

026 Conferência












Papagaio Daltónico

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