A SÍNDROME DE ESTALINE
Compreendo
que os líderes políticos defendam, com unhas e dentes, o Poder Local,
porque é ele que alimenta os aparelhos dos partidos.
Agora chamar-lhe
democrático já é muito cinismo e hipocrisia.
Dou apenas um exemplo
esclarecedor: a minha filha foi, durante um curto período de tempo (em
substituição), vereadora do PSD na Câmara Municipal de Ponte de Sor, de
maioria absoluta socialista.
Como as suas intervenções no período antes
da ordem do dia e protestos não ficavam, por ordem do senhor presidente,
transcritos nas actas, passou a votar contra a aprovação da acta com
este fundamento.
Resultado: o presidente da câmara de Ponte de Sor decidiu acabar com o
período antes da ordem do dia (leiam a parte final das actas,
disponíveis on-line, de 29/4/2010 e 5/5/2010).
Assim, a partir de 29/4/2010 até hoje, mais nenhuma reunião da câmara
municipal de Ponte de Sor, por determinação do senhor presidente, teve período
antes da ordem do dia.
Isto
é ilegal?
Toda a gente sabe.
Mas o que é que se faz contra isto?
Apresentar queixa?
Vê-se mesmo que não conhecem nem a nossa justiça, nem
a nossa administração.
Tudo isso é inútil e só desgasta quem se mete
por aí, para mais num meio em que ninguém quer ter o ditador à perna.
Um
presidente de câmara pode destruir a vida social, profissional e
pessoal a qualquer munícipe e seus familiares.
Neste tipo de autarquias
(que é a maioria), a lei é o presidente da câmara.
Ponto final.
Ninguém
lhes passa pela cabeça o nível que pode atingir a perseguição política
(falo por experiência própria) num concelho em que toda a gente depende
da câmara até para ir à casa de banho.
E
António José Seguro podia dar, ao menos, uma vista de olhos às listas
do Partido Socialista.
Em Ponte de Sor, autarquia PS desde 1993, na
lista da Câmara, a primeira mulher aparece em 5º lugar, na Assembleia
Municipal aparece em 6º lugar e na Assembleia de Freguesia aparece em 9º
lugar. E viva o velho!
Eis como o PS cumpre as leis que defende com
tanta convicção na Assembleia da República.
As
populações estão reféns deste tipo de ditadores que controlam as suas
vidas até ao mais ínfimo pormenor: os seus empregos e dos seus
familiares, os apoios às suas associações, os licenciamentos das suas
casas, dos seus muros, dos seus anexos e o alcatroamento das suas ruas,
os seus electrodomésticos e mobílias, as viagens ao estrangeiro e os
passeios pelo País, etc. etc. Além disso, possuem uma rede de
informadores que lhes contam tudo o que ouvem e o que se diz a seu
respeito no concelho. E tudo isso tem consequências.
No vocabulário
orwelliano de Ponte de Sor (não estou nem a brincar, nem a exagerar),
“comunista” é a palavra que o ditador sempre usa para rotular todos os
que se opõem ao BEM DA TERRA encarnado nele próprio.
Neste
tipo de autarquias, a chamada síndrome de Estocolmo manifesta-se em
toda a sua plenitude, designadamente no período eleitoral. Ou melhor, a
síndrome de Estaline.
António Santana-Maia Leonardo
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