sexta-feira, 7 de outubro de 2005

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 9/10/2005

DEFINIÇÃO DE UMA IMAGEM



Em Portugal vive-se, talvez pela 1ª vez em democracia já estabilizada, um momento de grande anormalidade política e social.
Pelas circunstâncias políticas, pelos comportamentos de alguns actores políticos, pelos alinhamentos, pelas atitudes, gestos, acções, enfim, por um corpo de condutas que fazem destas eleições autárquicas esse tal momento de grande excepcionalidade política.
Ponte de Sor será, porventura, um exemplo desse paradigma negativo em curso – cuja trajectória é, para mim, mais ou menos linear, não obstante os resultados das sondagens atribuírem a vantagem ao candidato Taveira Pinto, autarca de Ponte de Sor.
Mas antes de justificar o resultado, que presumo não se vir a confirmar, devo dizer umas notas para explicar a razão pela qual as pessoas, no preciso momento do voto, irão apoiar maioritariamente Isidro Carvalho da Rosa em desfavor de Taveira Pinto, seu mais directo adversário político.


A Política, como sabemos, é a arte do possível.
Comporta doses de racionalidade e ponderação mas também de extrema emoção, de irracionalidade, onde os sentimentos conflituam entre si, em busca do tal equilíbrio – que, neste caso, é instável e caótico.
É assim que vejo esta bipolarização política em Ponte de Sor: sendo que Taveira Pinto representa o lado impulsivo, e até empreendedor da política, mas também de pouco consenso e tolerância democrática; e Isidro Carvalho da Rosa – representa a estabilidade, a segurança, a tolerância, a transparência e também a capacidade de realização. E são nestes dois pólos, que nada têm a ver com a ideologia, uma vez que são oriundos de famílias político-partidária diferentes - apesar de Taveira Pinto não gozar do apoio de todos os Socialistas - que se define a tal Imagem Política que, na mente das pessoas, irá determinar, no momento do voto - em quem os eleitores irão depositar o seu voto: na razão ou na impulsividade?
Quando essa variação entre a auto-imagem e a imagem-externa for medida/descoberta, as populações irão perceber como ficaram no retrato do Concelho de Ponte de Sor.
Mais do que eleger Isidro Carvalho da Rosa ou Taveira Pinto – os pontessorenses irão estar confrontados com o seu próprio espelho.
Será uma autoscopia. E eu estou convicto de que os pontessorenses nada farão para se desgostarem da foto que irão todos tirar no Domingo próximo.
O mesmo se passará - um pouco pelo Portugal profundo, especialmente onde existem situações de grande anormalidade política.

Em Ponte de Sor o que irá determinar o voto das pessoas passará pela forma como os eleitores estruturam a sua imagem.
Ou seja:
1)Que imagem querem para o concelho
2) Que relação tem essa imagem com os objectivos políticos de uma Comunidade.
Das crenças às atitudes, até ao comportamento, a imagem deverá ser posicionada algures entre as crenças e as atitudes. Uma imagem é mais do que uma crença.
Pensemos, in concreto, em Isidro Carvalho da Rosa e em Taveira Pinto.
Que associação de ideias as pessoas imediatamente fazem?
Pense-se na Ajuda Médica Internacional... e na forma como essa ONG ajuda milhões de pessoas mundo fora.
Duas pessoas poderão ter a mesma imagem dessa ONG e, no entanto, apresentar atitudes diferentes em relação a ela.
Ou seja, uma atitude, neste caso, decorre da disposição quanto ao objecto, que inclui componentes cognitivos, afectivos e de comportamento.
Por outro lado, as imagens são crucialmente perceptivas e cognitivas;faltam-lhes os aspectos afectivos e de comportamento.
Se transpusermos esta cadeias de raciocínios e os aplicarmos a Isidro Carvalho da Rosa e a Taveira Pinto, constatamos que são ambos próximos das populações, geram empatia nelas, suscitam afectos em ambos os casos.
Sucede, porém, que as atitudes políticas são completamente imponderáveis.
Será esse o caso de Ponte de Sor, ou seja, onde se verifica uma ligeira vantagem do candidato socialista – embora, na prática, as pessoas – no momento em que votam – com toda a sua gana – acabarão por contrariar essa tendência.
Ou seja, o derradeiro combate é entre a normalidade (Isidro Carvalho da Rosa) e a anormalidade (Taveira Pinto). E é aqui que começamos a estar prontos a definir a tal Imagem.
A imagem das imagens.
I.é, a imagem da realidade, a realidade.
Portanto, a IMAGEM política que resultará de Ponte de Sor será essa tal soma de crenças, ideias e impressões que uma pessoa tem de outra pessoa.
Há, em suma, um conjunto de determinantes que estruturam uma Imagem que milhares de pessoas têm acerca de uma pessoa. E que ajuda a compreender os factores que causaram a definição da sua Imagem actual e a compreender a imagem futura por força da produção de mudança que ela opera.
Neste caso, trata-se de um homem sério na Política – coisa ainda raro na Política em Portugal.
Se compararmos a construção mental da imagem entre estes dois candidatos, constataremos o seguinte:
Isidro Carvalho da Rosa comporta as seguintes características:
-Autodomínio - sabe gerir as suas próprias emoções

-Transparência - ser franco com os outros sobre sentimentos, crenças, acções e processos que levam à integridade

-Adaptabilidade - capacidade de lidar com múltiplas solicitações sem perderem energia e adaptam-se aos novos desafios

-Capacidade de realização - pessoas dotadas com altos padrões de exigência que os impele para melhorar as coisas e os outros

-Capacidade de iniciativa - saber controlar o seu próprio destino e sentido da eficácia aproveitando as oportunidades

Depois
- vem um outro grupo de qualidades:
- como a empatia, a consciência organizacional e o espírito de missão e de serviço à causa pública. Gestão de conflitos, catalisar a mudança, espírito de entreajuda, etc.
Se compulsarmos todas estas valências – entre ambos os candidatos verificaremos que, em alguns casos, o candidato Socialista não partilha essas competências.

Mas uma leitura mais fina deixa, contudo, o candidato Socialista a perder, na medida em que "fura" algumas daquelas qualidades de liderança indispensáveis à causa pública.
- E é aqui que bate o ponto na definição da Imagem política que leva as pessoas a votarem num candidato e a excluir outro.
Aqui estamos no domínio da preferência, que relaciona escolhas. E a grande preferência pode ser definida do seguinte modo:

Quando, no Domingo, as pessoas votarem esmagadoramente em Isidro Carvalho da Rosa e na CDU - estão, no fundo, a dizer que aquela preferência revela o valor relativo que uma pessoa atribui a um conjunto de candidatos comparáveis, quando avalia os respectivos valores para si mesma.

Sendo certo que os determinantes dos motivos da PREFERÊNCIA à boca das urnas decorre daquela avaliação das qualidades e/ou características que os eleitorados fazem dos candidatos. Quer dizer, das tais crenças, atitudes e comportamentos que estruturam uma IMAGEM.


Zé da Ponte

9 Comments:

At 7 de outubro de 2005 às 18:30, Anonymous Anónimo said...

Eu não me vou recandidatar a presidente da Câmara. A única chamada pronográfica efectuada de telefones da Câmara Municipal foi de 10 contos e foi feita em 2002. O funcionário já repôs o dinheiro. A zona industrial a norte da linha férrea foi projectada e executada por mim, ainda antes de ter sido eleito presidente. E também fui eu, quando era deputado do PS na Assembleia Municipal, que construí o açude, fiz o projecto da zona ribeirinha, fiz o Pavilhão Municipal e comprei e fiz o projecto do Cine-Teatro. O Zé Amante, nessa altura, era o presidente da Câmara mas já não mandava nada. Tudo isso é obra minha. A INLAN e a SUBERCENTRO fixaram-se em Ponte de Sor porque sabiam que, mais dia menos dia, eu ia ser presidente da Câmara. Eu nunca minto. Sou uma pessoa grande, bonita e boa, ao contrário dos outros que são gente pequena, feia e má.

 
At 7 de outubro de 2005 às 19:35, Anonymous Anónimo said...

À boa maneira cubana, os comunistas insistem em escrever textos tão grandes que ninguém quer ler.

Fazem-no partindo duma ideia errada: é que quem não gosta de Taveira Pinto tem que votar CDU.

É a mais brutal mentira! Por essa ordem de ideias, é inútil votar CDU em todos os concelhos fora do Alentejo (onde jamais, graças a Deus, a CDU terá hipóteses de ganhar).

Há mais alternativa, há mais escolha, e existe isso à direita: o CDS-PP.

Aliás, eles até têm um bom blog! (www.pontedesor2005.blogspot.com)

 
At 7 de outubro de 2005 às 21:40, Blogger Zé da Ponte said...

Oh menino(a) do CDS/PP

Deixe-se de chavões fora de moda...

A sua escola devia ensinar-lhe mais...

Aprenda a fazer campanhas...

Com os melhores cumprimentos e exitos para a sua vida futura.

 
At 7 de outubro de 2005 às 22:37, Anonymous Garcia Rocha said...

Erro crasso do Zé da Ponte: vou-lhe cobrar este post no Domingo! É evidente que o Dr. Pinto vai ganhar novamente as eleições (para mal dos nossos pecados). Uma maioria absolutíssima como a de 2001 não se desbarata assim sem mais nem menos em 4 anos. Vai, isso sim, perder a maioria absoluta. A CDU não vai reforçar significativamente a sua votação. O grande salto quantitativo e qualitativo que vai roubar muitos votos ao Pinto vai ser o do PSD. O CDS pode baralhar um pouco as contas, visto que rouba inutilmente cerca de 100 a 150 votos, se tanto, ao PSD. Mas a CDU não consegue conquistar novos votos, está envelhecida e os velhotes vão morrendo (pela ordem natural da Vida). O Pinto ficará por cá mais 4 anos. O Sr. Zé da Ponte está enganado.

Tem razão, no entanto, quando afirma que o Sr. Isidro é honesto e trabalhador. Mas é comunista ortodoxo e de horizontes muito curtos.

 
At 7 de outubro de 2005 às 22:57, Anonymous Xico F. said...

Caríssimo Garcia da Rocha

Não fui incumbido pelo Zé da Ponte para te dar a resposta (mas como gosto do debate aqui vai a minha modesta) opinião:

Falas tu caríssimo em erro crasso do Zé da Ponte.
Será?
Só o povo através do voto o poderá dizer!
Cada qual é livre de expressar a sua opinião, longe vão os tempos em que isso não era possível, por isso não tens nada a cobrar ao Zé da Ponte no Domingo.
Quanto ao Pinto Bugalheira ganhar as eleições, desde já te informo que não há vencedores antecipados.
Quanto à CDU podes ficar descansado que esta e o PSD vão ser os vencedores no concelho de Ponte de Sor.
Quanto à tua consideração final só tenho a dizer uma coisa, o Isidro Carvalho da Rosa é um HOMEM, Honesto, Trabalhador e Educado, já do Pinto Bugalheira não posso dizer o mesmo.

Um abraço,
No domingo a gente vê-se

 
At 8 de outubro de 2005 às 03:15, Anonymous Joaquim Dias said...

Este gajo do CDS PP é chato. Ainda não parou de escrever neste blog que o voto no seu partido (ou em si próprio) é um voto útil. O rapaz não sabe o que é a ponte de sor, coitadinho. Daqui a 4 anos vai compreender. Não tem culpa, a ingenuidade não é pecado.

O que é estranho é haver gente da ponte de sor (supondo que os escritos não são do Rafael), acreditar na utilidade de um voto que nem um programa eleitoral nos dignou apresentar. Algo concreto que fizesse bandeira de uma candidatura. Merecemos respeito. O CDS-PP Distrital devia ter cuidado quando lança a feras meia duzia de meninas bonitas sorridentes entre os velhotes. O blog é a comedia de uma juventude que decidiu passar umas ferias à custa do partido.


Caro Rafael, um programa eleitoral. E daqui a 4 anos falaremos.

 
At 8 de outubro de 2005 às 10:36, Anonymous Anónimo said...

ANOS E ANOS PERDIDOS

Miguel Sousa Tavares recorda uma crónica dos tempos de Guterres e faz uma breve crítica aos tempos presentes:

«Sobre esta crónica de seis anos perdidos, escrita em 2001, passaram já mais quatro anos: ao todo, uma década inteira de nenhuma mudança. Em certas coisas, o Governo de Sócrates tem-se limitado a repetir as tropelias habituais, como na colocação dos boys ou nos projectos de empreitadas públicas para satisfação clientelar. Noutras, é justo reconhecer que tem tentado mexer nas águas estagnadas dos interesses instalados. Mas, dos militares aos juízes, dos autarcas aos professores, todas as corporações do país estão em pé de guerra pelos "direitos adquiridos". Quem viu o debate da RTP1 sobre a justiça e assistiu à prestação dos representantes sindicais dos juízes e dos magistrados do Ministério Público percebeu até que ponto desceu a noção de serviço público e a força tremenda que será necessária para levar as reformas avante. No outro dia, ouvi um represente sindical dos professores anunciar a sua última razão de contestação: querem que as "aulas de substituição" sejam pagas como trabalho extraordinário. Julgo ter percebido bem: um professor falta e o colega chamado em sua substituição - que está na escola, dentro do seu horário de trabalho, mas sem nada que fazer naquela hora - só aceita substituí-lo se for pago a dobrar. Conhecem alguma empresa privada, no mundo inteiro, onde um trabalhador ouse colocar isto como "direito adquirido"?»

 
At 8 de outubro de 2005 às 11:18, Anonymous João Luís Rodrigues said...

Tenho pensado muito nos últimos tempos na estranha aparição da mirabolante recandidatura de Taveira Pinto à presidência da Câmara Municipal de Ponte de Sôr. E pus-me a pensar porque carga de água Taveira Pinto quereria não sair da Câmara.
Ora vejamos, se ele está sob investigação por suspeita de fraudes no lugar de presidente que ocupa, é óbvio que voltando a ocupá-lo, ficaria sob um verdadeiro manto de suspeição e policiamento de todos os seus gestos.
Nem um traque poderia dar, que não aparecesse logo alguém da oposição a cheirar se ele estaria a roubar alguma coisa...!
A única coisa que lhe restaria fazer seria trabalhar MESMO.
Ora esta não me parece ser a sua maior vocação.
Naaaaaão... a resposta tem que ser outra.

 
At 8 de outubro de 2005 às 15:58, Anonymous Não me chamo Rafael Graça said...

"MENINAS BONITAS SORRIDENTES" - eis algo que o Dr. Taveira Pinto não é capaz de ter nas suas fileiras

1) Porque a sua lista não tem uma única mulher;

2) Porque a juventude de Ponte de Sor não está com o PS;

3) Porque ninguém do PS pode estar sorridente com o estado em que o concelho se encontra.


É por estas e por outras razões que eu, que não sou o Rafael Graça, hei-de votar CDS-PP.


P.S.: Eu não percebo nada de política, mas acho que oposição a atacar oposição é a mesma coisa que eleger o Taveira Pinto.

 

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