domingo, 4 de dezembro de 2005

CROMOS DA POLÍTICA LUSA...

O risco, os impostos, a liberdade e o homem..

O risco, o homem, a liberdade.
São temas bem mais interessantes do que meditar em Soares que faz tempo está ché-ché; em Cavaco que precisa de renovar o vocabulário e as ideias de eucalipto e deixar de fazer um culturismo sôfrego com os maxilares; no poeta Alegre que ainda julga que Salazar está vivo e acampou nas imediações de S. Bento e julga que a política é um fragmento de poesia antifascista que hoje ninguém lê, (excepto ele é claro); ou em Louçã que terá futuro (certamente!!!) - mas é numa sex-shop de Amesterdão fumando charros, dissertando sobre o aborto, a natureza de género e o futuro da homossexualidade na Europa e no mundo, pressupondo que o mundo e a Europa são o Bloco de Esquerda e a Ana Drago; e, por fim, o camarada Jerónimo - que não me faz lembrar nada..
Nada, excepto um cangalheiro que conheci em tempos no ferro-velho de Sacavém que desenrascava a malta - aflita com peças baratuchas e de proveniência duvidosa mas que serviam para reparar chaços não menos duvidosos. Pois na década de 80 todos tínhamos carros que mais pareciam uns chaços.

Hoje todos temos bons carros e, ainda assim, a sinistralidade e o civismo na estrada não diminuíram. Logo a começar pelos ministros do sector que dizem aos motoristas para acelerar porque estão atrasados, e são os primeiros a furar o código da estrada. E como eles dão um belo exemplo, o Zé povinho, que é mimético e saloio, vai atrás e depois acaba pagando multas para financiar as barriguinhas de vinho de muitos - não todos - alcoólicas dos GNRssss e senhores da BT.
Um dia aconteceu-me ser multado por excesso de velocidade, ia a 129 km numa descida, e no fim da mesma, à entrada da Costa da Caparica, estava um senhor polícia que me mandou parar.
Tinha barriga, ou melhor, era barrigudo, tinha um hálito que tresandava a vinho a martelo e multou-me em 25 cts. Filho da....
A partir daí fiquei com a sensação que muitos oficiais do sector eram alcoólicos, ou quase...
Certamente que isto é uma caricatura da realidade, nem todos são alcoólicos, doutro modo haveria também mais acidentes entre eles. E tudo isto a propósito do camarada Jerónimo que me fez lembrar o cangalheiro de Sacavém, etc, etc, etc..
Em todo o caso, julgo conveniente, atendendo à natureza das coisas, que os polícias não deveriam beber em serviço e também não deveriam ser barrigudos. Assim, dificilmente entram nos carros e não conseguem correr atrás de ninguém, caso algum prevaricador pretenda evadir-se da viatura...

Enfim, memórias que remontam já aos idos anos 80, em que Cavaco se afirmava - apesar de ainda não conhecer as virtualidades do bolo-rei e ainda Tomaz Taveira, o pai Tomaz - não era conhecido nem tinha feito as formas para os ditos bolos.
Há até quem diga, que essas formas começaram a ser feitas nas Torres das Amoreiras - que, segundo diziam as senhoras do Jet-Leg que frequentavam as ditas lojas - até estremeciam sempre que mais uma fornada de bolo-rei começava a ser formatada pelo supra-referido arquitecto. Tudo isto, são já cacos de museu, peças de micro-sociologia de chinelo que teceram as avenidas da nossa memória da década de 80 do séc. XX.
Entretanto, já galgámos duas décadas, e muitas vinho passou pelas nossas goelas.
Continuamos embriagados, portanto.

Mas o tema desta rubrica, ou, como diria o Raul Durão - o Apontamento de Reportagem, não é dissertar sobre aqueles cromos da política lusa, nem sobre os agentes da autoridade que alcoólicos multam os automobilistas... Mas sim reconhecer que na nossa vida dois aspectos são incontornáveis nas nossas vidas: os impostos e a morte.

E é isso que prefigura o risco em que incorremos todos os dias, de manhã à noite, todos os dias do ano, todos os anos da década, todas as décadas da nossa vida. Uma vida cheia de tempo, por vezes sem tempo para nada. Bom, mas é desse "nada" que aqui tratarei em breves notas.

Prometerei ser mais breve que o octogenário Soares que conta aquelas anedotas e estorietas da sua vida, e ainda não as concluiu já se está a rir.
Isto, claro, para ter a certeza de que os outros também se rirão convulsivamente.. Senão, da anedota, sempre se poderão rir dele - a rir!!!
Soares julga que capta votos na televisão dizendo aquelas bacoradas.. Soares julga que o povo ainda é mais estúpido do que na realidade é.
Soares abusa do povo que tem.
Soares é um ingrato.
Ao ponto a que a República chegou..
O que um homem tem de fazer para conquistar votos...
Por vezes olho para tudo isso e confesso que acho a profissão de político a coisa mais decadente do mundo.
Mais deprimente até do que ser pedinte à boca do metro dos Anjos, pedindo umas moedas para comer um prato de sopa.., ou uns copos de vinho a martelo.
Soares faz, no entanto, aquilo que os outros fazem.
Mas como já está ché-ché - a coisa parece mais aguda.
Daí o ridículo que nele é mais acentuado.

E por falar nisso, hoje interroguei-me quantos - de entre todos aqueles candidatos ao Palácio de Belém - que se dizem - tão amigos dos pobres e dos mais desfavorecidos, se prontificariam - sem ser em contexto eleitoral - a pagar uma sopa quente, um bolo, uma sandocha, um croquete, o que for - para matar a fome a qualquer um daqueles pedintes???
Julgo que nenhum o faria..
Talvez, o camarada Jerónimo, se soubesse que estaria a ser filmado...

Todos os outros, creio, se afastariam, não fosse o pedinte ter lepra.
Por isso, quando vejo aqueles cromos aproximando-se das pessoas, da gente simples, ingénua, pobre de carteira e mais pobre ainda de espírito - catando o seu voto só me apetece entrar na caixa mágica e ter poderes para encostar-lhes um cabo de alta voltagem nos cotovelos daqueles cata-votos e dizer-lhes: não sejam hipócritas nem cínicos...
Parem de explorar os sentimentos e os receios alheios destes pobres de espírito e façam-se ao trabalho.
Emigrem, desapareçam, finjam que vão ao WC e zarpem para o Iraque ou para o Burundi.. e fiquem por lá uma temporada semeando honestidade.

Mas infelizmente a caixa negra - que é a televisão - ainda não progrediu para patamares tecnológicos tais que permitam esse tipo de interacção.
Lá chegaremos..., um dia, um dia!!!

Mas voltemos ao título deste post: o risco e a liberdade.
Logo, a morte e os impostos...
Tudo o que de mais certo há neste mundo, se pensarmos bem. E se pensarmos um pouco mais, essa afirmação recorda-nos de que quase todos os acontecimentos que ocorrem no mundo real são incertos, daí a necessidade em aprendermos a lidar com o risco.

E para tal é necessário desistir de olhar o mundo como uma certeza ilusória, doutro modo jamais conseguiremos abrir as portas da compreensão para explorar a complexidade do mundo em que vivemos.
Um mundo em que os velhos, já muito velhos, querem de novo voltar a ser homens novos, muitos novos.
Ora isto é um non sense perigoso, ou "terrorífico", como agora se diz. E ninguém diz isto ao Dr. Soares..
Por isso, temos aqui defendido que ele não tem amigos.
Nem um só..., que lhe possa dizer a verdade.
A Joana Amaral - por exemplo - não conta, pois ela julga estar numa passagem de modelos permanentemente. E como acredita mesmo que está na passerelle nem se apercebe do ridículo em que incorre, fazendo aqueles trejeitos de menina importante, mimada e petulante.
Faz-me lembrar Durão Barroso: só têm pose e nariz emproado.
Quando se espreme nem leite sai dali...
Enfim, também não será de admirar, pois estamos vivendo uma conjuntura de "Vacas Magras"...

Também aqui, há jovens que mais parecem velhos; piores ainda do que estes quando se dão ares de muito novos. É o ridículo em movimento, que depois desfila a passo largo, como quem passa à guia aqueles cavalos meio selvagens que já começam a obedecer à voz do dono.
Em Portugal tudo já começa a andar trocado.
Qualquer dia, contratam Sampaio para treinador do Estoril Sol para implodir o Hotel da avenida marginal e fazer um discurso sobre a racionalidade do absurdo; ou Vitorino para jogar basquete numa equipa norte-ameriacana; ou ainda convidam Saramago para entregar a medalha da grã-cruz da ordem e da liberdade ao seu amigo distintíssimo e canibalíssimo Fidel Castro.
Como diria um amigo meu, "desde que vi um porco andando de bicicleta já acredito em tudo"... E eu para lá caminho.

Ora como as certezas não existem, e as que julgam que existem são muito perigosas, o melhor mesmo será supor que a certeza não passa duma ilusão que devemos pôr de lado.
Por mim, confesso, já coloquei de lado a existência de certos candidatos a Belém. Outros ainda estão a ser avaliados na roda-gigante da dúvida, que criva e peneira tudo, grão a grão, asneira a asneira - até à asneira final.

Neste mundo, como referimos acima, só existem duas certezas: os impostos e a morte. E é a isso que julgo estar a assistir em pleno directo quando avisto os cromos que ora se candidatam a comer os pastelinhos de Belém, ali ao pé do rio Tejo, donde um dia partiram as caravelas que deram novos mundos ao mundo e fizeram os Descobrimentos..
Ideias, projectos nem um só vejo.
Tudo aquilo são cargos de manutenção, Portugal parece nada beneficiar com este regime, com este sistema político, com estas soid disant elites paridas há décadas, sem nunca se renovarem.
Tenho a sensação - quando equaciono hoje as eleições presidenciais - de estar a caminhar na direcção de um Stand para comprar um carro novo, só que depois acabam por me vender o meu 1º carro, um 2CV - que, em 1986, se negou a subir a serra de Marvão - quando dei boleia a um casal de turistas..
É óbvio que foi "ele" que teve de sair a meio...

Hoje, quando me interpelo o que temos para dar ao mundo, chego à triste conclusão que além dos pastelinhos de nata só temos mesmo aquelas duas coisas: os impostos e o resto... da outra parte da certeza!!!

Eis os desafios de Portugal que estas eleições presidenciais me suscitam... Talvez por isso não vá votar.

Pedro Manuel

4 Comments:

At 4 de dezembro de 2005 às 14:09, Anonymous João Gonçalves said...

Subsiste nesta campanha tagarela a obsessão pelo passado. Toda a gente se dedica a relambórios sobre os desempenhos de alguns candidatos em cargos que exerceram. Os mais expostos a este ritual são Soares e Cavaco. Soares, por ter sido o inconfundível primeiro-ministro que "não lia dossiês" e o chefe do nefando "bloco central". Cavaco, por ter sido ele mesmo. Num caso como no outro, o analfabetismo genérico das "críticas" suplanta a necessária objectividade. Independentemente disso, importa relembrar que ambos foram julgados politicamente por esses desempenhos. Soares, no final dos anos setenta, perdeu primeiro para Eanes e, depois, para Sá Carneiro, nas eleições de 79 e 80. E em 85, depois de um "bloco central" mal julgado, perdeu para Cavaco por interposto Almeida Santos. Cavaco esteve dez anos a fio, com dois reforços maioritários pelo meio. Em 95, terminado o mandato, saiu e passou "a bola" a Fernando Nogueira que não resistiu ao charme sorridente de Guterres. Mesmo assim, achou-se na obrigação de ir a votos nas presidenciais contra Sampaio. Pelo meio e a fazer contas, está Manuel Alegre que, apesar de andar "nisto" há mais de trinta anos, quer aparecer aos olhos dos incautos como uma impoluta vestal política. Em suma, as contas de Soares e de Cavaco, em determinadas matérias, estão devidamente saldadas. Sigamos em frente.

 
At 4 de dezembro de 2005 às 14:11, Anonymous JOSÉ said...

Outro monstro das bolachas

No sistema de Justiça, funcionam todos estes organismos do Estado:

Ministério da Justiça
Gabinete da Ministra da Justiça, Secretário de Estado Adjunto e Secretário de Estado da Justiça
Secretaria Geral
Inspecção Geral dos Serviços de Justiça
Gabinete de Auditoria e Modernização
Gabinete de Política Legislativa e Planeamento
Gabinete para as Relações Internacionais Europeias e a Cooperação
Instituto de Gestão Financeira e Patrimonio da Justiça
Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça
Serviços Sociais do Ministério da Justiça
Direcção Geral da Administração da Justiça
Direcção-Geral da Administração Extrajudicial
Direcção Geral dos Serviços Prisionais
Direcção Geral dos Registos e do Notariado
Instituto de Reinserção Social
Instituto Nacional de Medicina Legal
Polícia Judiciária
Centro de Estudos Judiciários
Conselho Consultivo para a Justiça
Conselho de Dirigentes do Ministério da Justiça
Auditoria Jurídica
Comissão de Protecção às Vítimas de Crimes


Quando o sistema entra em colapso, a culpa é dos operadores judiciários, particularmente dos magistrados!

 
At 4 de dezembro de 2005 às 14:13, Anonymous J E R said...

TRISTEZA DE PRESIDENCIAIS
Independentemente do resultado já é evidente que estas eleições presidenciais reflecte a tristeza, para não dizer miséria, em que a política se.

À esquerda apresentam-se quatro candidatos, dois a disputar a segunda circular e outros dois a disputar o PS, como se o país fosse o Benfica e os militantes do PS tivessem voto de qualidade.

À direita juntam-se todas as forças e personalidades tresmalhadas em torno de um salvador que todos criticam em privado, passados vinte anos a direita não conseguiu encontrar lideres e recorre a alguém que em termos de dimensão está para a política, assim como um merceeiro está para uma grande superfície.

E quanto ao debate político é o que se vê, Jerónimo e Louçã apresentam os mesmos argumentos que apresentariam para uma junta de freguesia ou para o cargo de primeiro-ministro. Mário Soares e Manuel Alegre estão os dois de olho no burro e no cigano, ora dão uma bicada no Cavaco, ora se viram um para o outro. Cavaco, que parece não ter concorrentes, encontrou no seu fantasma o principal adversário da sua candidatura e tudo faz para o enterrar, não vão os eleitores pensar que o verdadeiro Cavaco é o seu próprio fantasma, que não raras vezes parece andar de braço dado com o fantasma do Salazar.

 
At 4 de dezembro de 2005 às 14:19, Anonymous JUM said...

SER DE ESQUERDA EM PORTUGAL
Não é fácil ser de esquerda em Portugal, a não ser que se aprecie viver como a direita deseja e remeter o desejos para o capítulo dos sonhos. Estas eleições presidenciais obrigam-nos a questionar porque razão vivemos num país que está sociologicamente à esquerda e acaba por votar na direita?

Até aqui era habitual a esquerda vencer nas presidenciais e ocupar o governo quando a direita abusava da asneira, acabando por ser forçada a governar segundo receitas financeiras rígidas. Agora corremos o risco de ter a direita em Belém e daqui a um ano, quando o país reentrar num ciclo de crescimento económico de crescimento, Cavaco não perderá a oportunidade de voltar a colocar o PSD no governo, para mais dez anos de direita em São Bento.

Se Mário Soares disse uma vez que temos a direita mais estúpida da Europa, a verdade é que também temos uma esquerda idiota e com tendência para o sado-masoquismo.

Quase 15% dos eleitores votam em partidos cujo maior prazer é derrubar governos, sejam de esquerda ou de direita, e os restantes são forçados a votar num PS que há muito que deixou de ser um partido, para passar a ser uma confraria cujo grande objectivo é safar os seus confrades.

Se Cavaco chegar a Belém a grande conclusão a tirar é que é necessário reflectir se esta esquerda partidária corresponde aos desejos dos cidadãos, ou se está transformada numa elite tão detestável como a procissão de corruptos e oportunistas em que se transformaram as lideranças partidárias da direita.

À esquerda ou à direita Portugal carece de novas lideranças política.

 

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