segunda-feira, 15 de setembro de 2008

É REALMENTE LAMENTÁVEL, Sr. engenheiro

Eu quero recordar. No ano 2005/2005, a taxa de retenção no básico era de 12,2 por cento. No ano seguinte, já da nossa responsabilidade, baixou para 11,4 por cento. No ano posterior caiu para 10,8 por cento. Este ano, desceu para 8,3 por cento.
O secretário-geral socialista considera que a vontade de denegrir os resultados ofende quem contribuiu para melhorar o sistema de ensino público nos últimos três anos. Esse espectáculo lamentável de quem só aparece na televisão para dizer mal e para negar qualquer sucesso do país é uma ofensa aos professores, uma ofensa aos alunos e uma ofensa àquelas famílias que se empenharam na educação dos seus filhos, sublinhou.


O engenheiro aproveitou o Fórum Novas Fronteiras, local que supostamente deveria ser de debate e de novas ideias, mas está transformado em comício de propaganda para apoio ao governo e elogiar a sua monstruosa criação, a sinistra ministra.
Disse muitos números, mas não a forma como os conseguiu.
Falou de sucesso mas esqueceu-se de dizer à custa do quê.
Sou pai e afirmo-o aqui, um dos meus filhos nunca passaria de ano não fosse quase impossível um professor chumbar um aluno.
Não falou de facilitismo nem das críticas que são feitas aos exames nacionais de matemática.
Preferiu dizer que era uma ofensa aos professores e aos pais negar o sucesso destas politicas educativas.
Não posso falar pelos professores porque não sou um, (embora ver 100 mil a desfilar por Lisboa não deixe muitas duvidas), mas como pai posso dizer que me sinto mais ofendido pelas palavras do engenheiro e da sua sinistra que por todas as criticas feitas, na televisão ou em qualquer outro sitio, à sua politica.
É ofensivo ver tamanha cabala de falsidades e enganos serem ditos com o ar mais natural do mundo.
O Engenheiro está a transformar a Escola Pública em fábricas de jovens incultos para abastecer o patronato dos baixos salários.
Realmente a esses não faz falta nenhuma que saibam história, que tenham lido Luís de Camões ou saibam o que pensava um outro Sócrates, que também não era engenheiro, mas discutia filosofia com o Platão, desde que saibam carregar em teclas de computador ou de máquinas registadoras. Isso sim é lamentável.


K.

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3 Comments:

At 16 de setembro de 2008 às 09:33, Anonymous Anónimo said...

É só sucesso:

«Reportagem: Escola de Barcelos permite transição de ano com 5 negativas
00h30m
ALEXANDRA INÁCIO
Os alunos que esta segunda-feira começaram o 7º ano de escolaridade na escola básica 2,3 de Manhente, concelho de Barcelos, foram recebidos com uma novidade: poderão passar para o 8º ano com cinco negativas desde que duas delas não sejam Português e Matemática.

A norma não é ilegal. O despacho normativo nº 50/2005 - já aprovado na gestão de Maria de Lurdes Rodrigues - dá autonomia aos Conselhos de Turma e Pedagógicos para aprovarem as transições.

As retenções devem "constituir uma medida pedagógica de última instância, numa lógica de ciclo e de nível de ensino, depois de esgotado o recurso a actividades de recuperação desenvolvidas ao nível da turma e da escola" - lê-se no segundo parágrafo do despacho. E é este o princípio que a escola de Manhente diz seguir, apostando numa estratégia para combater o abandono e insucesso escolar no 7º ano - o primeiro do 3º ciclo, onde se verificam os piores resultados e que se têm vindo a agravar nos últimos anos, explicou ao JN o presidente do Conselho Executivo do agrupamento, Joaquim Filho.

O referencial, aprovado na primeira reunião do Conselho Pedagógico, é meramente orientador, explicou o professor. "Não significa que todos os alunos com cinco negativas transitem de ano. Cada caso é um caso" e terá de ser devidamente fundamentado pelo Conselho de Turma do aluno ao Conselho Pedagógico. O objectivo, insistiu, é que o aluno seja avaliado pelo ciclo de ensino e não por um ano. Ou seja, se o Conselho de Turma considerar que determinado aluno tem condições para, no final do ciclo, possuir os conhecimentos para passar para o secundário deve apostar na sua transição. "É isso que, no fundo, acontece no 1º ciclo", argumenta.

Joaquim Filho considera o currículo do 3º ciclo "demasiado pesado" e defende a sua reestruturação. Os alunos transitam do 6º ano (2º ciclo) e ficam "com 13 a 15 disciplinas". E, nesse sentido, cinco negativas "não é excessivo", considera. Ainda por cima, insiste, a "experiência de anos recentes revela que alunos, que por vezes, transitam nessas condições, no 8º ano, mais velhos um ano, com programas de acompanhamento ou tutorias, deixam de ter problemas na transição".

O despacho 50/2005 destina-se ao ensino básico e só impõe o referencial máximo de três negativas para os anos terminais: 6º e 9º. »

No: Jornal de Notícias

 
At 16 de setembro de 2008 às 11:56, Anonymous M.A.P. said...

No ano passado foram computadores. Este ano foram diplomas e cheques, que 23 membros do Governo andaram pelo país a distribuir aos bons alunos.

É justo.
Ainda há dias a ministra da Educação se congratulava, sem sorrir, com as aguardadas estatísticas de 2008, o prodigioso ano em que, em vésperas de eleições, quase ninguém chumbou (na escola, pois chumbos na vida não são problema do ME).
Com notável desprendimento, o Governo atribuiu então os louros ao "esforço de professores e alunos", embora seja de justiça reconhecer que sem aquela grande ideia dos exames fáceis o país não teria decerto "milagre educativo" para festejar.
Por isso, em vez de premiar os bons alunos, talvez o Governo devesse antes premiar alunos como o Luís, de 15 anos, um dos milhares de milagrados do ME, que foi notícia no "Expresso" por ter passado do 6º para o 7º ano com oito negativas e uma só positiva (a Educação Física).
De facto, é a alunos como o Luís que fica a dever-se o bombástico milagre educativo português. Os bons alunos?
Esses já contribuiriam para as estatísticas, com milagre ou sem ele. E apesar dele.

 
At 16 de setembro de 2008 às 14:20, Anonymous F.S. said...

Nunca um Governo manifestou uma paixão tão grande pela escola.
Há ainda dúvidas se é semelhante à de Romeu por Julieta, ou se é uma versão da história em que um príncipe foi transformado em sapo. E o Governo, qual princesa, ao beijar o sapo, não o transformou num príncipe, mas sim num asno.

O Executivo, fiel à sua paixão, enviou uma missão diplomática de ministros e secretários de Estado à escola para dar os diplomas aos estudantes que terminaram o ensino secundário.
Uma boa ideia, concordemos, se ela se cingisse a premiar os estudantes e o prazer de aprender. O problema é que o Governo não foi à escola aprender.
Foi ensinar.
Foi ensinar a fazer política partidária.
Repare-se na idade dos alunos que receberam os diplomas. 17, 18 anos?
Quantos deles votarão para o ano? Quantos foram os felizes contemplados com um diploma dado pessoalmente por um membro do Governo?
E quantos tiveram direito a uma bela nota de 500 euros?
50 mil.
Poucos, dirão alguns.
Mas é nestes nichos de mercado eleitoral que se garantem as vitórias eleitorais.
E deixa, além disso, uma perversa imagem: o Governo é bom, os professores são maus.
O Governo gratifica, os professores complicam.
Enquanto o Governo foi à escola, a oposição cumpriu a sua obrigação de estar, para além de silenciosa, distraída.
Enquanto isso, Sócrates prepara, com um bom aparato mediático, a sua reeleição.
E nisso, reconheçamos, é mais inteligente do que toda a oposição junta.
Que ainda anda a tentar tirar o primeiro ciclo.

 

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