sexta-feira, 2 de agosto de 2013

AGORA, É TEMPO DOS CHACAIS...



Numa entrevista a Ana Sá Lopes, no jornal «I», Mário Soares disse que António José Seguro «o desiludira.» Este, numa resposta em que o desdém era apadrinhado pelo paternalismo palerma, afirmou que sentia por Soares «carinho» e «ternura.» 
Afinal, Soares confirmou o que se sabe, no PS e fora do PS e, ao reafirmá-lo, fê-lo com a sabedoria e o conhecimento de causa que faz dele o que Manuel Alegre designou (ao lado de Cunhal) por um dos dois últimos leopardos da política portuguesa. E Alegre acrescentou: «Agora, é o tempo dos chacais.»

Seguro não é o homem exacto para o momento dilemático em que vivemos. Desprovido de convicções, pouco culto, não possui estatura de estadista nem fibra para enfrentar a complexidade da situação actual. Mas ele é o reflexo actual do PS: sem grandeza nem estilo, sem leitura e sem desígnio a não ser o atabalhoado desejo de poder. Tony Judt, num livro a vários títulos extremamente estimulante, «Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos» [Edições 70, que tem publicado grande parte da obra deste autor], analisa o vazio ideológico da social-democracia, as suas debilidades éticas e as suas traições. Sem esquecer a quase total ausência de textos ideológicos.

Com a ascensão de Tony Blair a primeiro-ministro no Reino Unido, e a proclamada «terceira via», o «socialismo moderno» adquiriu um fôlego tão inesperado como patético. Recordo-me do entusiasmo delirante de António Guterres, cujas ideias também se respaldavam em… Bill Clinton, vejam só…, na paixão dele pela educação, e na fuga precipitada do «pântano» para o comovente lugar de comissário qualquer coisa dos refugiados. O meu saudoso amigo Fernando Lopes dizia que o «socialismo tinha chegado à pia de água benta», e chamava de beato António ao então primeiro-ministro.

Todas estas tropelias, embaraços e curvas apertadas formaram o PS que, notoriamente, deve ter muita força para aguentar com tanto. Votei uma vez no partido, exactamente no tempo de Guterres, atraído pela melodia do que ele dissera sobre educação. E tenho, entre os meus grandes amigos, militantes e dirigentes socialistas, alguns há mais de quarenta anos, como é o caso de João Soares.

Critiquei, por vezes duramente, José Sócrates. Apesar de tudo, o seu consulado possuía um objectivo e uma consistência que este Executivo de Passos Coelho está longe de alcançar. Passos trepou ao poder por um equívoco, e alicerçado em pequenos embustes e promessas que o tempo provou serem altamente perigosas. O poder pelo poder é algo que desprezo, pelo que comporta de malefício colectivo e pelas características de improviso que envolve. Durante este tempo todo, António José Seguro tirocinou na Jota, não se sabe em que trabalhou, e foi eurodeputado. Ganhou a vidinha, com reforma assegurada, e chamam-lhe «doutor». Enquanto o PS de Sócrates enfrentava as mais ferozes críticas de que há memória, Seguro estava de tocaia, aguardando, em silêncio cavo, uma oportunidade. Não tomou posição nem por um nem por outro. Caladinho que nem um rato, sabendo que o tempo corria a seu favor.

Antes, dissera, numa comentadíssima entrevista ao «Expresso», estar cansado da política e disponível para ir para o Parlamento Europeu. Move-se com movimentos estudados e ar grave. O grande jornalista Ricardo Ornellas dizia que, quem assim se exibe, é, somente, para impressionar os contínuos.

A subida de Seguro ao mais alto lugar do PS deve-se à desistência de outros, à negligência de alguns e à indiferença de muitos. Mas resulta de uma espera, cautelosa e paciente, minuciosa e astuta, deste homem de qualidades duvidosas e de «socialismo» imperceptível. O desconforto que se vive, no interior do partido, é semelhante à preocupação dos portugueses, com a possibilidade de Seguro chegar a primeiro-ministro. Mário Soares acreditou, inicialmente, neste homem que conhecia de rapaz, e agradava-lhe o tom cerimonioso e a educada reverência com que se lhe dirigia. Depois, o PS não dispunha de mais ninguém, logo que António Costa não estava inclinado a dirigir o partido. A crise era, e é, mais grave e aparentemente insolúvel do que se presume e presumia.

Chegámos a esta situação deplorável. Um vazio político que o PS não preenche porque não suscita credibilidade a ninguém, e um Governo de coligação PSD-CDS moribundo, sem hipóteses dse futuro, que arrasta Portugal e os portugueses para uma miséria irreparável.

Marcelo Rebelo de Sousa, com a graciosidade que se lhe reconhece, disse que «a quarta idade» de Soares não lhe obnubilara a intuição política. A deselegância está à vista, mas com um lado de verdade que se lhe não nega. Ao afirmar, a Ana Sá Lopes, que António José Seguro o desiludira, Mário Soares deu imagem e voz ao nosso comum desalento.

B.B.

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21 Comments:

At 2 de agosto de 2013 às 19:31, Anonymous N9ve said...

é inevitavel...a hora da esquerda está a chegar , de uma nova esquerda , aguardemos...

 
At 2 de agosto de 2013 às 21:44, Anonymous Anónimo said...

O DESASTRE DO PS

Eu gosto de ter a certeza do terreno que piso, embora esteja especializado em terrenos escorregadios, até porque não há outros nestes dias. Por isso, tenho evitado falar destes últimos quinze dias, para além do mínimo necessário, de um processo que permanece demasiado obscuro. Não é que eu pense que haja grandes conspiratividades, - em Portugal não há segredos a sério que aguentem quinze dias, - mas há uma força que consegue ocultar muita coisa: o receio de revelar, o interesse próprio, os interesses comuns.

O que se passa com este acordo ou não-acordo é que, quando mais se vai sabendo, menos se sabe. Antes das conversações, junto do Presidente, durante as conversações e depois das conversações, o que se conhece tem um pequeno problema, infelizmente demasiado presente na vida política portuguesa: as coisas não encaixam. Começa por não se saber que tipo de compromissos existiram nas conversas com o Presidente. O Presidente fez questão de lembra-lo para não haver esquecimentos: para quê tanta “surpresa” com a sua intervenção de adiamento da crise, se os partidos não podiam alegar surpresa? Isso significa, como é normal, que o Presidente fez nos seus encontros com os partidos, algum do trabalho prévio de negociação. Não custa perceber que o PS recebeu, ou sugeriu, como contrapartida inicial para aceitar negociações, a antecipação de eleições para Julho de 2014. O Presidente só o propôs publicamente porque sabia que isso dava ao PS o domínio do tempo político que a direcção de Segura precisa, mas que mais foi combinado?

Como é possível, por exemplo, que Seguro admita ter estado por um fio a sua assinatura a meio da semana, para depois os papéis escritos revelarem sem hesitações a sua incompatibilidade? Isto significa, como é óbvio, que o essencial do que aconteceu, aconteceu oralmente, os papéis foram escritos para o pós-desacordo, para cada um ficar na sua e marcar uns pontinhos. De qualquer modo, reconheça-se que o papel do PSD é muito mais sério do que a versão copy-paste do PS, a partir de uma moção de um Congresso. Isto não só é o amadorismo mais completo, é deitar-nos poeira para os olhos, dando a entender que o papel significou alguma coisa nas conversações. Apesar de tudo, inclino-me para considerar que quem mais está a ocultar o que aconteceu foi o PS. Será também do PS e pelos actos do PS que vamos saber, da pior maneira, quais foram as convergências admitidas ou pactuadas mesmo sem acordo, que não vieram a público, porque, ou me engano muito, ou o PSD e o CDS vão exigir o voto do PS em tudo aquilo para que no desacordo houve acordo. E temo que seja considerável.

Também aqui o PS sai mal. As cedências do PS vão aparecer à luz do dia como obrigações e as do PSD e CDS, que bem vistas as coisas não são cedências, vão ser apresentadas como uma "nova política", que já era desejada antes do acordo e cujos méritos eleitoralistas vão passar a estar na ordem do dia da propaganda. O PS vai ter que cumprir, aquilo onde se “aproximou”, o governo nem tanto.

José Pacheco Pereira
In:ABRUPTO

 
At 3 de agosto de 2013 às 12:36, Anonymous Anónimo said...

Rui Machete vendeu acções da SLN ao BPN com ganho de 150%O actual ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, adquiriu, no início da década passada, cerca de 25,5 mil títulos da SLN, dona do BPN, a um euro cada, que alienaria nos anos seguintes ao grupo liderado por Oliveira Costa, mas agora a dois euros e meio por acção.
Um negócio com timings e contornos idênticos à operação de compra e venda de acções da SLN/BPN pelo actual Presidente da República, e que resultou num ganho para a família Cavaco Silva de 350 mil euros.

Mais um dos amigos do Oliveira e Costa e da equipa do Sr. Silva de quem aliás já sabemos que ainda está para nescer alguém mais honesto.
Porque será que isso só me deixa nada descansado com a honestidade dos nossos governantes?

 
At 6 de agosto de 2013 às 00:00, Anonymous Anónimo said...

...

 
At 6 de agosto de 2013 às 00:01, Anonymous Anónimo said...

que se passa ? sem comentarios deixa de haver visitas ao blog

 
At 6 de agosto de 2013 às 00:05, Anonymous Anónimo said...

querem novidades das autarquicas,vejam a composiçao da lista da cdu em galveias, os comunas sao do piorio, estao se a revelar,antes ainda disfarçavam

 
At 6 de agosto de 2013 às 02:10, Anonymous Anónimo said...

A lista dos comunas ás galveias, realmente é um desastre, só gente "reles"!

 
At 6 de agosto de 2013 às 12:15, Anonymous Anónimo said...

No país em que todo um povo sofre uma dose suplementar de austeridade brutal desnecessária e perversa porque um primeiro-ministro imberbe e irresponsável decidiu castigar os portugueses da Metrópole porque terão gasto em demasia é imoral que o ministro dos Negócios Estrangeiros tenha beneficiado de um negócio à margem das regras do mercado e tenha ganho centenas de milhares de euros que estão sendo pagos pelos mais pobres.

A verdade é que os dinheiros fáceis ganhos por algum dos nossos políticos, mais fácil do que o ganho pelas putas, vai ser pago com o despedimento de funcionários públicos.
São quinhentos mil euros e é fazer uma contas para se perceber que dezenas de famílias vão perder a forma de vida para que os Machetes possam ser ricos ou ainda mais ricos.
É imoral que alguém que já se devia ter retirado da política considere podridão de terceiros a discussão das suas formas de ganhar dinheiro fácil.

O governo que começou por inventar esqueletos no armário e que perante as dúvidas não hesitou no recurso à mentira manhosa e maldosa deveria ter o cuidado de arregimentar gente lavadinha, sem cheirar a lixo tóxico.
É uma prova de falta de respeito pelo país e de burrice a contratação de um secretário de Estado que se dispôs a ajudar um governo a viciar as contas públicas, para enganar o país e a União Europeia.

Este senhor não passa de um pequeno bandido que já deveria estar a contas com a justiça pela tentativa de burla que protagonizou.
Mas em Portugal estes rapazolas que ganham fortunas na banca são pequenos deus para jotas imbecis doutorados na universidade de Castelo de Vide, para não referir a mais etílica universidade de Verão de Porto Santo.

Mas parece que o país assiste a uma reedição do Ali Baba e os Quarenta Ladrões, só ainda não se percebeu bem se o governo já conseguiu reunir os quarenta ladrões ou se já ultrapassou este número.

 
At 6 de agosto de 2013 às 13:30, Anonymous Anónimo said...

Os meus parabens ao ultimo comentario. Por favor faça-nos igualmente uma analise da politica no concelho. O MEU MUITO OBRIGADO,FELICIDADES

 
At 6 de agosto de 2013 às 19:11, Anonymous Anónimo said...

O secretário do Tesouro é tolinho?

O secretário de Estado do Tesouro, se não é tolinho, tem feito esse papel na perfeição.

Primeiro, durante a sua patética prestação no briefing semanal do Conselho de Ministros, disse que nada tinha a ver com a concepção, elaboração e negociação dos swaps que o Citigroup tentava vender a Governos e empresas, o que será verdade.

Disse que "exercia o papel de importador de ideias, planos e programas que os meus colegas desenvolviam", o que também será seguramente verdade.

Bem como também será verdade que "não tinha responsabilidades directas na venda de produtos derivados".

Joaquim Pais Jorge tinha apenas como funções as suas relações com os clientes do banco e terá participado em dezenas ou mesmo centenas de reuniões nessa qualidade, como admitiu.

Contudo, pelos vistos, não fazia a mínima ideia do que os seus colegas tentavam vender a empresas e Governos.

Então a pergunta é: o que fazia Joaquim Pais Jorge nessas reuniões? Abanicava-se? Mostrava a sua classe? O fato de bom corte? Era o amuleto da sorte das negociações? Para que raio é que o Citigroup pagava, provavelmente bem, a um quadro seu que, aparentemente, desconhecia o negócio, embora fosse responsável pela relação com os clientes? E nessa qualidade o que fazia o atual secretário de Estado? Contava anedotas? Bebia uns uísques e fumava uns charutos para dispor bem os clientes?

Mas Joaquim Pais Jorge disse mais. Disse que tinha participado em dezenas, se não centenas de reuniões, mas não se lembrava que tivesse estado em nenhuma em Sâo Bento com altos responsáveis do Governo Sócrates, quando o Citigroup tentou vender um swap para ocultar parte da dívida portuguesa aos olhos de Bruxelas.

Agora, após o esclarecimento de que participou em três dessas reuniões, lá se lembrou. Mas, mais uma vez, estava a fazer de candeeiro. Ou de jarra. Nas ditas reuniões não fez nada, não disse nada, não sabia o que se estava a passar.

A primeira conclusão é que, portanto, o Governo escolheu para secretário de Estado do Tesouro um senhor que é manifestamente tolinho ou completamente incompetente. A segunda é que, ainda por cima, o senhor sofre de amnésia prolongada, o que não é compatível com as funções que exerce. O terceiro é que se as anteriores afirmações não são verdadeiras, então Joaquim Pais Jorge mente. O que também não o aconselha para as ditas funções. Embora, claro, esse seja o seu pecado menor, face aos exemplos que vêm de cima.

Nicolau Santos
In:EXPRESSO

 
At 7 de agosto de 2013 às 08:36, Anonymous Anónimo said...

Alguem me explica os curriculos dos candidatos à camara municipal de ponte de sor?

 
At 7 de agosto de 2013 às 11:38, Anonymous Anónimo said...

«Pronto, acabou o Verão. Acabou a festinha do "novo Governo" e o fogo-de-artifício do fim da austeridade em que, talvez um dia saibamos porquê, Portas decidiu banhar-se. Voltámos ao ponto de onde na verdade nunca saímos sem que alguma vez tenhamos entrado de forma permanente: aos cortes na despesa do Estado. (...)

Intoleráveis são as excepções. É chocante assistir às excepções para os juízes (e diplomatas), que só acontecem porque os próprios juízes julgaram em causa própria e consideraram o corte ilegal (argumentando que as suas pensões seguem a evolução dos salários no activo). É inacreditável que quem decide justiça crie excepções para si que agravam a injustiça para todos. Será para agradar aos juízes do Constitucional?

Este corte das pensões no Estado recoloca a questão que a crise política doida de Julho ludibriou. Na tormenta da austeridade virá ainda o corte de todas as pensões (públicas e privadas) da TSU aceite "excepcionalmente" pelo "irrevogável" Portas, bem como as "inconsistências problemáticas" do cúmulo de tudo isto, dos impostos e do aumento da idade de reforma. E depois virão também os despedimentos na função pública e a harmonização das tabelas salariais, eufemismo para corte de salários. Em suma, aquilo que devia ser a reforma pensada do Estado e que é, apenas, a reforma apressada do Orçamento do Estado.»

Pedro Santos Guerreiro,
no Negócios de hoje

 
At 7 de agosto de 2013 às 14:59, Anonymous o meu said...

Paulo Teixeira Pinto e Pedro Lomba...
não se esqueçam destes senhores.

 
At 7 de agosto de 2013 às 16:51, Anonymous Anónimo said...

O maluco voltou em força

 
At 7 de agosto de 2013 às 18:16, Anonymous Anónimo said...

malucos são vocês que tolinhos estão. tolinhos ao ponto de se deixarem governar neste concelho por um maluco. malucos sois vós, que idolatram alguem tal como na Coreia do Norte, tal como ocorre na Ponte, que o grande lider, testamentou quem deveria ser o seu sucessor?

 
At 7 de agosto de 2013 às 20:57, Anonymous Anónimo said...

Grande verdade amigo/a do ultimo comentario, fico feliz quando dou conta que ainda existe gente inteligente no nosso conselho, porque a grande maioria não passam de uns pobre labregos que idolatram qualquer estupido, pobres coitados não conseguem pensar pela propria cabeça, sois uns TRISTES!

 
At 8 de agosto de 2013 às 21:23, Anonymous Anónimo said...

o Xuxa que vai às Galveias esse é que é mesmo bom. Xuxou como Presidente de Junta, Xuxou como vereador e agora quer fazer o que já fez no passado. Despedir todos os funcionários da junta, essa é a primeira promessa.

 
At 8 de agosto de 2013 às 21:25, Anonymous Anónimo said...

O Galveano Lanranjeira, promete que nada faz e só desiste quando for eleito. Aí, depois de ser eleito desiste, para não fazer nada.

 
At 9 de agosto de 2013 às 10:12, Anonymous Anónimo said...

O xuxão das galveias quer xuxar mais. Não lhe basta o que xuxou quando fingiu que governava aquilo, quando nao passava de um verbo de encher nao que percebia um corno do que se passava lá. O pessoal da junta nunca foi conhecido pela vontade de trabalhar, mas com este gajo, a perguiça e boa vida, passou a ser uma instituição. Agora apresenta-se como um D. Sebastião, so que esquece-se que naquele cabeço é raro haver nevoeiro, portanto, por mim bem que pode esperar sentado para ganhar o tacho. Já os comunas que se alinham como chacais para continuarem o roubo que dura ha decadas, sao iguais a si proprios,,,governam-se a eles e os amigos. Os toranjas nem merecem comentario, o mesmo pseudo-jotinha de sempre a por-se em bicos de pés para ter a oportunidade de mamar tambem. Pobre (ex-rica) terra para onde caminhas.

 
At 9 de agosto de 2013 às 15:49, Anonymous Anónimo said...

...
Pela voz de José Magalhães, manifestou-se frontalmente contra a proposta de lei: «Inaceitável é ter havido, no actual quadro social e político, uma iniciativa governamental no sentido de promover isto, que corrobora os altos vencimentos governamentais e que aumenta escandalosamente os vencimentos dos deputados, não considerando todo o melindroso conjunto de implicações (ou considerando-os bem demais) que isto tem em relação ao prestígio da Assembleia da República e ao cabal exercício das nossas competências!
Pela nossa parte, denunciaremos, por todos os meios e até ao fim, o que aqui se pretende fazer. E mais: lutaremos para que se exerçam todos os mecanismos constitucionais no sentido de que isto não se venha a efectivar, porque seria um atentado contra o prestígio da Assembleia da República e contra o funcionamento das instituições, que já têm demasiados factores que as perturbem.»
A defender a proposta de lei do Governo, interveio o Ministro de Estado Almeida Santos. Alegando que a medida custava apenas 80 mil contos por ano ao Estado, defendeu que era necessário «emparelhar com as democracias europeias». Mas com uma ressalva, pois não era possível subir para a média europeia o ordenado do resto do país: «Também já disse que a classe política é a classe política e o resto do País é o resto do País». Sobre as subvenções vitalícias, nem uma palavra para justificar a medida.
No dia seguinte, o PCP ainda voltou à carga: «Atribuir subvenções mensais vitalícias com um valor mínimo de 32 contos actualizáveis e acumuláveis com outras pensões ou reformas; atribuí-las, independentemente da idade do membro do Governo ou do deputado em causa; e atribuí-las ainda sem que a estes seja exigido qualquer esforço pecuniário durante o exercício das funções, tudo isto é, na verdade, inconcebível.»
Nada que comovesse a maioria parlamentar. Submetida a votação, o projecto foi aprovado com votos a favor do PS, do PSD, da ASDI e do deputado do CDS Luís Beiroco, votos contra do PCP, do CDS (que preferia a sua proposta de aumentos ainda maiores), do MDP/CDE e do deputado independente António Gonzalez e as abstenções da UEDS e do deputado do CDS Neiva Correia.
E lá foi aprovada a lei que permite a centenas de políticos estarem a receber, até à morte, uma quantia que, no total, custa ao orçamento da Caixa Geral de Aposentações mais de 6 milhões de euros por ano. Imoral e vergonhoso num país onde o número de pobres e de famintos não pára de aumentar e onde os cortes nas reformas e nas pensões continuam todos os anos. Os cortes e as reformas de quem trabalhou e descontou uma vida inteira. Não as reformas vitalícias de quem trabalhou 12 anos na política sem nada fazer de útil na vida.
Esta lei é a vergonha de todos os que a assinaram. Esta lei é a vergonha de todos os que a mantêm. Para proteger os privilégios dos ricos ao mesmo tempo que cortam os direitos básicos dos pobres. Que ardam todos no inferno.

 
At 13 de agosto de 2013 às 13:44, Anonymous Anónimo said...

«Enquanto em Portugal, PSD e PS discutem de forma inflamada quem é que tem "swaps" debaixo da cama, evitando assim discorrer sobre como vamos pagar a enorme dívida portuguesa, a Europa parece uma estátua de gelo. Espera que Ângela Merkel seja reeleita. A seguir virá o novo resgate à Grécia. A seguir olhar-se-á para as contas de Portugal.

A UE colocará, então, a máscara negra na cara e transformar-se-á em "O Mascarilha", o justiceiro das pradarias do sul da Europa. A seu lado surgirá o índio Tonto, papel desempenhado pelo comissário Olli Rehn, que tem como modelo económico a Letónia. (...)

A estratégia de criação de soberanias de ficção, como dizia há dias o filósofo Jurgen Habermas no "Der Spiegel", continua a avançar a todo o vapor, perante a perplexidade dos cidadãos e o silêncio dos líderes políticos entretidos a discutir a bondade dos seus "swaps". Mascarilha e Tonto apontam a direcção. Juntos seguirão o trote do cavalo Silver rumo ao horizonte desconhecido na Letónia criado pela austeridade, com Mascarilha a gritar: "Hi-yo Silver, away"!»

Fernando Sobral
In:Negócios
13-Agosto-2013

 

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