terça-feira, 22 de março de 2005

A ÁGUA E OS SERES VIVOS






Surgida no decurso da diferenciação da Terra, em fase inicial da sua história, a água começou por preencher as áreas mais deprimidas do planeta, originando bacias isoladas, que foram crescendo, quer em extensão quer em profundidade, acabando por coalescer, formando assim os primeiros oceanos.


Foi nestas águas, de início muito quentes, contendo substâncias capturadas da atmosfera de então e ricas em sais dissolvidos das rochas já existentes, que surgiram certos agregados de moléculas que se foram tornando complexas a ponto de exercerem actividades cada vez mais próximas daquelas que atribuímos aos seres mais rudimentares. Foi neste meio e no decurso de milhões e milhões de anos que se foram desvanecendo as diferenças que separam os seres vivos do mundo orgânico abiótico.


A água é um componente abundante na Terra, planeta onde se encontra nos seus três estados físicos, e comum no espaço exterior. Há água sob a forma de gelo em alguns corpos planetários do Sistema Solar, na maioria dos cometas e, ainda, no espaço interstelar, onde moléculas de H2O têm sido identificadas.


No que se refere ao nosso planeta a água é ainda conhecida ao nível da litosfera em todos os ambientes geológicos. Com efeito, a água entra na composição do magma, determinando-lhe o quimismo e as condições de arrefecimento e de consolidação das rochas dele derivadas. A água preside à maioria dos processos metamórficos, regulando as condições termodinâmicas das transformações e servindo de veículo nas migrações das substâncias minerais de uns locais para outros. Finalmente, no ambiente sedimentar a água tem um papel preponderante, não só na fase de alteração das rochas (dissolvendo, hidratando e hidrolisando) como nas de erosão, transporte e sedimentação.


A água é também um componente essencial na constituição dos seres vivos, onde assegura a maior parte das funções inerentes ao seu metabolismo e, daí, também a sua imprescindibilidade.


Todo o dramatismo de expressões como desertificação, seca, desitratação, sede, pressupõem a carência deste enorme bem, tantas vezes mal avaliado.


A Hidrogeologia é uma disciplina da Geologia virada à prospecção, estudo, captação e gestão correcta das águas subterrâneas. Como é sabido, as águas pluviais infiltram-se parcialmente no solo e concentram-se em determinados níveis, mais ou menos profundos – os aquíferos. A pressão demográfica e as exigências da civilização moderna dependem muitas vezes destes reservatórios. Porém, o seu aproveitamente pressupõe regras bem estabelecidas, sob pena de destruição da sua capacidade de renovação ou da sua qualidade como água potável.

António Marcos Galopim de Carvalho

1 Comments:

At 22 de março de 2005 às 16:27, Anonymous João Prates said...

Parabens Professor.
O amigo em poucas palavras explicou o assunto.
Vai uma perna de borrego no forno a lenha, nesta Páscoa à sombra de uma azinheira.

Um aluno seu.

 

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