quinta-feira, 18 de agosto de 2005

NÃO HÁ MACHADO QUE CORTE...

«Não há donos da República...»

«... não há homens providenciais nem de direita, nem de esquerda»



Manuel Alegre

5 Comments:

At 18 de agosto de 2005 às 10:28, Anonymous Anónimo said...

Não há donos da República", diz deputado do PS

Manuel Alegre critica Mário Soares em "jantar de amigos" no Algarve

"Quem perde os afectos, perde a alma."
Foi assim que Manuel Alegre justificou o jantar de confraternização que lhe foi promovido, ontem em Faro, por apoiantes da sua candidatura para liderar do Partido Socialista, contra José Sócrates e João Soares, em Outubro passado. O encontro foi definido como um "jantar de amigos", mas o que pairava no ar era a expectativa de uma candidatura a Belém.

A maioria dos convivas, militantes socialistas, chegou com a vaga esperança de que Manuel Alegre iria abordar o assunto das presidenciais, mas não tiveram uma resposta esclarecedora. À entrada para o restaurante, o vice-presidente da Assembleia da República, em declarações aos jornalistas, marcou o terreno, deixando um recado a Mário Soares: "Se quisesse promover uma candidatura a Belém, fazia as coisas de outra maneira."

Embora não se tenha referido explicitamente ao antigo chefe de Estado, Alegre disse: "Há pessoas que acham que os afectos não têm importância na política, eu acho que têm na vida e na política". Questionado sobre se sentia traído, respondeu: "Não, não... mas quando se perde os afectos, normalmente perde-se a alma." A declaração foi deixada cair, à chegada, com a indicação de que o motivo porque cerca de 60 pessoas se reuniram, a pretexto de jantar de amigos, não justificava "leituras políticas", mas era disso mesmo que se tratava nas conversas entre os presentes.

Contudo, antes do início do jantar, mais à vontade, Manuel Alegre fez uma intervenção, voltando a sublinhar as críticas indirectas a Mário Soares: "Não há salvadores, não há homens providenciais, nem da esquerda nem da direita, e não há donos da Republica." Fazendo apelo à "renovação da política", enfatizou a ideia de que "a cidadania faz-se com cidadãos, a democracia com democratas", expressando ao mesmo tempo a existência de um problema: "A qualidade da nossa República." Nesse sentido, assumindo-se leal aos princípios republicanos, defendeu a "renovação da política, segundo critérios republicanos". Apesar de não querer explicitar se está a ponderar avançar com uma candidatura a Belém, Alegre disse ao PÚBLICO que o encontro de ontem "é um sinal de que as pessoas estão inquietas". Depois do jantar, e em resposta a um militante que o questionou directamente se é ou não candidato à Presidência da República, Alegre afirmou: "Quem pode decidir são os que estão aqui hoje e noutros pontos do país."

Alegre é "um desalinhado"

Manuela Neto e Pires da Silva, coordenadora e mandatário da campanha do ex-candidato a secretário-geral do partido, respectivamente, foram os responsáveis por este jantar de "homenagem e solidariedade", como designa Neto, argumentando com o "momento complicado ao nível da disponibilidade de Manuel Alegre para se candidatar à Presidência da República". Todavia, esta professora universitária não descarta a possibilidade de o vice-presidente da Assembleia da República concorrer a Belém: "Está tudo em aberto", disse ao PÚBLICO, recordando que Alegre continua a manter a disponibilidade para se candidatar à Presidência da República. "Espaço há sempre, uma vez que as candidaturas são unipessoais, e Manuel Alegre representa uma alternativa à democracia."

Sobre a provável recandidatura de Mário Soares, Neto classificou-a como "extemporânea" e sublinhou que o PS "tinha a obrigação de gerar alternativas". Neste âmbito, esta militante, que pertence à comissão nacional do partido, não poupou críticas àqueles que denomina como "decisores privilegiados" do PS e à incapacidade do secretário-geral para lhes resistir. Apontando que Sócrates "acreditou durante muito tempo que Alegre era o seu candidato", Neto disse que o líder "foi ultrapassado por estes decisores e não teve força para se opor a eles". Escusando-se a explicitar a quem se referia, declarou somente que estes "decisores dominam o partido", pelo que "têm muito poder dentro do jogo partidário e levam a que o próprio líder mude a sua opinião pessoal". José Sócrates já manifestou publicamente o apoio da direcção socialista a uma eventual recandidatura de Mário Soares e sobre esta tomada de posição Neto argumenta com uma crítica velada ao secretário-geral: "[Sócrates] não teve força para se opor a estes decisores porque são eles que mantêm os presidentes dos partidos." Neste "jogo democrático viciado", como lhe chama, Alegre surge como um "desalinhado" e, por isso, é "penalizado": "Quem desalinha desta força é penalizado e Manuel Alegre tem desalinhado ao nível dos interesses partidários quando estes se misturam com interesses pessoais e económicos."

Um dos entusiastas do convívio, José Teiga, antigo mandatário em Loulé da candidatura de Maria de Lurdes Pintasilgo, disse ao PÚBLICO: "Manuel Alegre é um homem de causas e estive com ele na disputa para liderança do PS, mas também estarei na candidatura a Belém, sem reservas." Mas sobre o momento da decisão lamentou os atrasos: "Acho que ele já devia ter dado o passo em frente."

 
At 18 de agosto de 2005 às 12:18, Anonymous J.G. said...

Medeiros Ferreira reconhece finalmente que Mário Soares está a fazer um frete partidário. E critica-o subtilmente por isso.
Ao arrepio do que aquele honesto e persistente militante da recandidatura do "fundador" defende - "uma opção estratégica" de um "fortíssimo candidato progressista" -, o próprio veio esclarecer que não o move propriamente qualquer tipo de "desígnio nacional", muito menos "estratégico", mas antes o meritório propósito de tapar um buraco e de colocar o PS, e o governo, em sentido.
Ele até já "ouviu" os governadores civis, o que faz lembrar as "candidaturas" da União Nacional que tanto, e bem, combateu.
Enfim, e nas suas palavras, Mário Soares vem para suprir um "vazio". A retórica do "interesse dos portugueses", invocada na SIC Notícias como determinante para avançar para Belém, não passa disso mesmo, de pura retórica. Será que os portugueses têm assim tanto "interesse" nesse passo? Tenho as maiores dúvidas e ainda não vi ninguém estremecer de comoção, salvo meia centena de bonzos da província e o inevitável dr. Vitor Ramalho.
Quanto à tese de que não existe mais ninguém no "mercado" para derrotar Cavaco Silva - eis, no seu esplendor, o único "interesse" desta putativa candidatura -, é bem provável que seja verdade. Acontece que, para quem foi galhardamente eleito duas vezes Chefe de Estado, esse "interesse" é demasiado pequenino.
Em democracia - em trinta anos de democracia -, já é tempo de acabar com estas patéticas exigências de "pedigree democrático". E muito menos para preencher apenas um "vazio".

 
At 19 de agosto de 2005 às 12:47, Anonymous Anónimo said...

Grande POETA és tu Manuel!!!

 
At 20 de agosto de 2005 às 11:53, Anonymous Anónimo said...

Manuel Alegre é o mais flagrante retrato do que é a política. Não serve porque é verdadeiro, porque é poeta, é homem de palavra que há muitos anos vai seguindo o partido, deixando-se ultrapassar pelos audazes que o fazem mesmo nas curvas mais perigosas, sem ligarem a atropelos, que deixam as vítimas espalhadas pelo chão. Mas Manuel Alegre não é assim, é da velha escola, é dos que ainda sabe lutar pela causa. Falta-lhe ser agressivo, irrascível, mal educado... Manuel Alegre ainda é formado por uma maior percentagem de homem que de político. Por isso tem ficado na prateleira. Porque se for preciso, o partido tê-lo-à sempre disponível, mas na prateleira. É bom para os partidos, ter homens como Manuel Alegre, dá sempre jeito. Acho que seria um excelente Presidente da república Portuguesa ou de qualquer outra república, em vez do ditador Cavaco Silva ou do "bisavô" Mário Soares, que só não está já abandonado e esquecido num qualquer lar de idosos, porque tem fortuna pessoal, e isso fá-lo manter-se na ribalta. Se fosse um político pobre já ninguém se lembraria dele a não ser no dia da sua morte.

 
At 20 de agosto de 2005 às 12:13, Anonymous Anónimo said...

Sinceramente considero que a CDU deveria conseguir ser uma força mais representativa dentro do país, faz falta essa representação quer a nível nacional como local. Muitos de nós possui um pouco da alma da CDU ao contrário do que acontece em relação a outros partidos. Só que a CDU não sabe gerir a sua alma, a CDU não sabe ganhar a razão mesmo quando a tem. Sinceramente gostava que a CDU não continuasse a deixar-se afundar e para isso não basta virem-me pedir o meu ou outros votos. A CDU precisa que ponham os olhos Na Doutora Odete Santos, se necessário ir à RTL colocar música pimba e fazer um programa de discos pedidos, fazer teatro de revista, saber falar com os jovens.
Quanto a mim, a CDU até poderá ter algum valor, mas não o sabe manifestar. Devia dar-se a conhecer, sair para o activo sem alaridos mas com acção, impor-se pelo trabalho em vez de passar o tempo a vasculhar erros dos outros para se afirmar. A nível local pelo que me é dado saber( uma vez que não conheço) o senhor Morgado tem formação que poderia usar para se aproximar das pessoas, para se dar a conhecer, o mesmo acontece com o engenheiro Amante Júnior... mas em vez disso a saga continua, preferem usar apenas a arma da " má lìngua" e nisso depois acabam por perder aos pontos e sabe-se porquê.

 

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