quinta-feira, 16 de novembro de 2006

POLÍTICOS, MENTIROSOS

A mentira na política é um tema que cada vez ganha mais foros de cidade no seio das Ciências Sociais e Humanas. Pelo seu recurso boa parte da nossa escola de políticos convenceu-se que consegue mais facilmente ganhar eleições,iludir o povo alienado que vota, capturar o poder, manter-se nele e, se possível, reforçar as suas condições de durabilidade.



Sampaio esteve 10 anos em S. Bento.
Como?
Com que valia e resultados para a nação?
Ninguém responde, ninguém sabe.
O que se sabe é que sampaio fala muito bem inglês, e porque é hiper-emotivo chora fácil, e os tugas condoem-se com essa ternura auto-paralisante.
Guterres, mais por vocação e cansaço, evadiu-se do poder na sequência da derrota dumas eleições autárquicas (em 2002), mas também porque queria mudar de carreira e foi trabalhar para um sector em que manifestamente tem vocação: a solidariedade humana da ONU.
É desculpável...

Durão Barroso, foi o pior de todos, porque utilizou a mentira de forma mais sistemática, capciosa, com mais maldade e com maiores danos para Portugal - enquanto que em termos pessoais beneficiou dessas mentiras - que também tiveram o enquadramento da guerra do Iraque e da cimeira dos Açores de que foi mordo-mor, mas que acabaram por servir de respaldo à sua deslocalização (e legitimação) para Bruxelas - onde está agora - diante uma Europa que ajuda a paralisar diáriamente.

Temos assim - em Portugal - um quadro politico-institucional gerador de mentira política. Um quadro político que alimenta e se retroalimenta do recurso à mentira (por acção e por omissão) mas que, em qualquer dos casos, já integrou o sistema político como uma espécie de normativo constitutivo. Ou seja, é já parte integrante do sistema político português a utilização ostensiva à mentira para fazer política. É um ar que se respira, qual prolongamento da vida privada na esfera pública.
É natural...
Na prática, a mentira política elevou-se à dignidade de categoria funcional que aqui temos vindo a teorizar de forma original, creio. Nesta óptica, e até com alguma ironia, apesar de falarmos de coisas sérias, estas práticas poderão até conduzir à criação duma sociedade de mentirosos - cuja tarefa exclusiva deveria ser o embuste. I.é., para se levar a cabo certos objectivos ou projectos o recurso à mentira seria o instrumento ambicioso mais adequado. Uma instituição respeitável, um órgão de soberania que concorreria, doravante, com o Executivo/Governo, a PR/Belém, a AR/Parlamento, os Tribunais (que nem para a casa Pia servem) e, claro está, a indústria parecística de Vital MOreira & Gomes Canotilho e compaª (e Marcelo por omissão) através do seu assento domingueiro na RTP.

1. Fica-se uma década em Belém (Sampaio) tentando fazer ver ao povo que não há alternativas;

2. Foge-se para Bruxelas e deixa-se Portugal a arder (Durão) por imperativos políticos que ninguém conhece, senão o próprio;

3. Um edil da Figueira da Foz (Santana) - onde andou a plantar palmeiras - e que depois veio parar a Lisboa - lavrando aí um buraco maior do que a cidade - pretextualizando que com ele à frente da autarquia melhorariam as suas condições de vida, de transportes, habitação, etc...
Acabou PM. isto faz-me lembrar aquele paciente que deu entrada num Hospital para ser operado ao pé direito e acabou operado ao pé esquerdo; ou aquela situação mais grave doutro paciente que por causa dum rim é operado à cabeça e morre.

Ora bem, todas estas mentiras na política - pressupõem que haja uma capacidade de repetição e de disseminação de falsos acontecimentos, projectos, intenções ou vontades na ordem da própria esfera pública, que assim disseminam o "virús" e serve de correia de transmissão de lorpas, de actos falhados, de malentendidos, de erros, omissões, de conflitos e de questiúnculas (ex: Santana vs Henrique Chaves), de impreparações, em suma, de um banho de incompetência que foi, na realidade, o que esteve na origem da queda sem dignidade do governo a prazo de Santana depois deste ter sido empossado monarquicamente por Sampaio e já com Durão a rir-se no seu cadeirão de Bruxelas.
Tudo culminou numa grande mentira chamada - Portugal.
Caucionada por Belém e desencadeada pelas desmedidas ambições de Barroso.

Tudo isto foi e é indigno de portugueses que se julgam de bem.
Estas pessoas, mais cedo ou mais tarde, serão julgadas pela história - independentemente da vontade do historiador A, B ou C - puxar mais para o amigo D ou E.

O que aqui releva e tem valor científico e/ou politológico decorre não tanto do facto de essas mentiras terem um rosto: Sampaio, Barroso, Santana... - mas do facto de a mentira se estar institucionalizando no sistema político português e de aí criar raízes que já começam a ser preocupantes.
Um ex: comezinho: toda a opinião pública conhece os actos ilícitos cometidos pelo deputado do PSD António Preto.
A justiça é morosa, mas os jornais já descreveram os factos, as circunstâncias e estes não são conformes à lei.
Então, para salvaguardar valores maiores, não seria mais razoável que o dito agente suspendesse o seu mandato até trânsito em julgado? E o que faz Marques Mendes - seu líder - a este respeito?
Subscreve, o mesmo é dizer - aceita o facto como uma realidade normal na vida pública.
Incentivando, assim, casos análogos a merecerem o mesmo registo comportamental.
Ora isto é tão inadmissível quanto inaceitável e desviante num estado de direito.
É mesmo uma prática corrupta indutora de mais corrupção política.

Salvo se se pretender tornar a mentira obrigatória e suscitar aos mentirosos imperturbáveis que mintam cada vez mais, de preferência por todos os poros da pele, porque haverá sempre pequenos líderes, partidos, instituições, organizações e núcleos de interesses ou corporações que apoiarão sempre essas práticas corruptas que estão hoje a minar a política, a economia, a sociedade e a cultura portuguesas.

Logo à noite os portugueses irão por certo assistir à representação mediática duma falsidade salutar, dum panfleto sui generis, enfim, dum exercício artesanal ligado à arte da mentira e da dissimulação em política.
Sendo que para o efeito urge condimentar esses desvios com rumores, com zuzuns, boatos, falsidades, malentendidos e também esquecimentos e omissões - típicos das mentiras úteis a que sempre recorre quem esteve, está ou aspira a regressar ao poder. Nem que seja pela porta do cavalo, que é como quem diz - pela porta da RTPúm...

Confesso, que por vezes me envergonho profundamente de ser português. E se alguém me pudesse converter num espanhol para me evadir destas torpezas degenerativas que partem um país e o deixam em frangalhos - não hesitaria.

Será isto anti-patriotismo?!
Creio que não.
Até porque a mentira, é como o poder, também tem limites.


Hoje, é dia de repôr a máscara e voltar a desencatar os fantasmas do baú e tentar recriar a história num exercício de auto-introjecção psicanalítica que é mais aconselhável ser curado no divâ no psicanalista do que nos estúdios da RTP - pagos com os impostos dos portugueses.

Pedro Manuel

6 Comments:

At 17 de novembro de 2006 às 11:26, Anonymous Pedro Manuel said...

O teatro perdeu um vulto e a política não ganhou nada...

Vi a entrevista de Santana Lopes - que foi uma esperança para quem como eu tem hoje mais de 50 anos.

Viu-o distribuir panfletos na feira de Carcavelos numa 5ªfeira nos idos anos 80 - quando se atirava ao Parlamento Europeu de que foi eurodeputado.
Depois foi uma carreira com altos e baixos: muito jet-8, muito show-of e psicodrama, muito teatro e pouco sumo.
Pelo caminho ficaram um monte de coisas inacabadas.
Hoje está um homem mais velho, mais sereno, mais contido, mais domesticado, mais racional e menos emotivo.
Mais cansado.
Até parece que andou a ler o processo civilizatório de Norberto Elias e até Sigmund Freud.
Santana Lopes apresentou-se diante das câmaras com um bronze de solário, cheio de mágoas contidas multiplicando meias verdades e revelando uma obsessão em não querer ver a realidade que o circundava.
Recordemos algumas das suas tiradas:
"Durão Barroso foi irrepreensível".
Ficou-lhe bem dizer isto de quem lhe entregou o poder de mão beijada, não o fazer seria revelar ingratidão para com o seu arqui-rival e isso na tv é fatal, optou pelo cinismo e pela hiprocrisia política, e deu cobertura ao paradoxo político.
No fim da entrevista usou do mesmo critério, ainda que encoberto sob a moralidade cristã, para chamar traidor a carmona que hoje destruíu o consenso para governar Lisboa.
Depois teve outra frase verdadeiramente clínica acerca de Durão:
"ele não se estava a movimentar".
Ora Barroso não fez outra coisa senão mexer-se, até fez a tal cartinha dos 5 ou dos 7 em apoio de G.W.Bush para assim granjear a sua cumplicidade depois corporizada na Cimeira dos Açores que o catapultou para Bruxelas. Quando Santana diz que Barroso não se movimentou deve estar a querer-nos convencer de que também os atletas são paralíticos.
O dr. Santana terá de ser mais cauteloso porque nem todas as pessoas aprenderam política, psicologia e relações humanas em geral pelos seus livros.
Na altura, o governo português estava formalmente apostado em apoiar aquele que intelectualmente estava melhor preparado para o exercício do cargo, António Vitorino - que também não se pôs em bicos de pés para granjear os apoios necessários e ser o eleito. Seja como for, não foi A.V. quem ficou a perder - foi a Europa, foi Portugal e até as relações da Europa com o mundo.
Resultado: hoje o mundo olha para a Europa e só vê uma coisa: paralisia, monotonia e isso tem nome e rosto: Durão Barroso.
Portanto, também aqui Santana não foi nem verdadeiro nem rigoroso nas suas erráticas articulações políticas - que, apesar da idade, são sempre pouco rigorosas, i.é, muito trapalhonas. Durão há muito que minava o terreno e trabalhava subterrâneamente na sua eleição para a Europa (onde emocionalmente já se encontrava), na América e com Blair para vir a ser o eleito. Santana ou não percebia nada de relações de poder na Europa - alienado que estava com a expectativa excitante de poder vir a ser PM, ou também não podia reconhecer as sacanices de quem lhe fez a oferenda sob pena de minar toda a sua justificação política.
Santana pode ser parvo, mas também não é estúpido.
Não percebo porque razão ele deixou avultar ambas as coisas ao mesmo tempo na entrevista...
Vi naquele entrevista alguém arrasado, esfrangalhado, cercado por Belém (Sampaio), pela sociedade que nunca o aceitou sem eleições, por alguns ministros que nele não reconheciam liderança nem credibilidade, pelo empresariado, pela banca, em suma, por todos os agentes de poder.
Todos teceram uma coligação negativa para o derrubar, porque governar monárquicamente numa República sempre foi tão paradoxal quanto problemático.
Foi mesmo aviltante ouvir santana dizer - ou melhor - pedir licença a sampaio se podia fazer a marcação da sua visita à Túrquia por causa da adesão desta à UE... Parecia uma criança pedindo autorização aos pais se podia comer outro chocolate.
Ninguém o escutava, todos tinham um ascendente sobre ele: Sampaio fazia-o colapsar a qualquer momento; Durão ficara seu credor metendo-lhe uma bomba atómica debaixo do travesseiro; e Paulo Portas era um fiel duma balança que fazia supôr que um pequeno partido mandava mais do que um grande partido no seio da coligação.
Tudo era adverso e espinhoso para Santana Lopes.
Depois Santana continuou a não querer enxergar a realidade, certamente porque tinha alí de reconhecer uma eterna gratidão a durão que lhe deu o poder, quando disse outra bujarda:
"Barroso não ir para Bruxelas era um crime de lesa-pátria" - sic.
Lopes tem tiradas destas e depois quer ter um pingo de credibilidade política.
Assim, é impossível.
Crime de lesa-pátria foi o que "fujão" Barroso fez, abandonando o barco quando as contas públicas da nação exigiam perseverança, solidez e tenacidade.
Cobardia e alta-traição foi ter partido.
A sedução e o apelo da Europa e do estrangeiro foi mais forte.
Hoje a Europa está pior - precisamente pela acção de durão, Lopes ficou politicamente destruído e o entrevistado ainda tem a inconsciência política de dizer uma barbaridade daquelas...
Revelou inépcia política.
Depois, mais dois factos encadeados entre si: o artigo da boa e má moeda de Cavaco ao expresso e o affair Marcelo - que levou a uma dupla fragilização de Lopes via comunicação social.
Pelo meio ficaram umas declarações torpes e verdadeiramente suicidas de Gomes da Silva contra Marcelo (via cabala) - que se demitiu da TVI - e até se fez receber por Belém horas antes de Belém receber o próprio PM, S.Lopes.
Logo isto, no plano da cortezia, diz tudo acerca das intenções de sampaio.
Só um cego não percebia...
Marques Mendes, por seu lado, também fazia o que podia internamente para despachar Lopes do partido e de S. Bento.
Tinha ambições - que se revelaram depois assumindo a liderança do PSD.
Já para não falar da extrema cortezia de Sampaio por Cavaco - como que a desprezar Santana Lopes ainda no seu papel formal de locatário de S. Bento.
Mas a tirada mais grave de Santana Lopes foi talvez quando ele pediu aos portugueses para lerem o seu livro até ao fim.
Aqui disse - como Cavaco - safa))).
Será que Lopes pensa que os portugueses são todos tolinhos, como muitos dos seus ex-ministros!!
Ler o seu livro implicaria comer o vomitado político que milhões de tugas assistiram em directo no terreno durante o desgoverno daqueles meses que mais pareceram uma eternidade.
A não ser que o narrador conte efectivamente outra estória...
Mas com a chancela de dona Zita Seabra - especialista e recontruir a verdade - à boa maneira soviete - nunca se sabe.
Tudo é possível, até dizer que o mesmo autor se vai candidatar ao prémio Pulitzer ou mesmo ao nobel da literatura na sub-espécie de ovnis políticos.
Pois se Saramago ganhou, porque não Santana?!
Depois referiu mais uma meia dúzia de generalidades que revelam algumas conclusões que urge sistematizar:
1. Santana não sabe perder o poder, porque precisa sempre dum alibi, dum pretexto para se afirmar. Só que em vez disso mergulha num turbilhão de contradições - iguais às que presidiram a todo o seu mandato, desde logo aquela sua degradante tomada de posse.
2. A rede de relações pessoais que tinha de gerir - com amores, amizades e intrigas prenunciava um fim à vista, mesmo que a sua vontade de dominar fosse grande, os resultados eram magros - porque a desorganização se impusera no seio do governo.
3. Depois a auto-imagem de Santana apontava para ser um guia e acabou por ficar refém de jogos de interesse e de intrigas que vieram a revelar-se insuperáveis no terreno político.
No fundo, S.Lopes nunca se cansara do poder, mas o poder já há muito que estava cansado dele. Mas é óbvio que ele também tinha algum capital de queixa relativamente a Sampaio (além de Marcelo que domingueiramente o molestava na tvi com as suas farpas). As hesitações titubeantes de sampaio - que é um homem estruturalmente indeciso, hesitante desgastaram-no, e isso só pesou na sua relação com Belém - de quem sempre esteve refém.
Santana não estava preparado para governar Portugal.
Nem Durão estava, mas isso só prova que o sucesso da impreparação somou-se ao insucesso da investidura - o que lhe toldou ainda mais a capacidade de discernir políticamente sobre os actos de governação, os seus colaboradores e os desafios que se colocavam a Portugal.
Costuma dizer-se que o poder encandeia quem o exerce, mas também estimula as forças e energias contidas.
Não foi o que sucedeu no governo da "incubadora" de Santana.
Em que tudo era motivo de chacota, até as metáforas.
Não escondo, porque sou humano, que houve uma parte da entrevista em que me deu pena ver alí quase prostrado alguém que sempre se bateu com estardalhaço e alguma valentia mas, na realidade, sempre soubemos quem era Santana Lopes: um orador entusiasmante mas não um líder técnica e intelectualmente preparado para governar um país. Faltou-lhe algo...
Não um ferrer roché, mas, essencialmente, um olhar frio sobre si próprio.
Pois um dos grande problemas de certas pessoas é levarem-se muito a sério. E depois enganam-se - nuns casos por execesso de orgulho e de auto-confiança, noutros casos por ilusão e um erro de avaliação estratégico - recusando depois reconhecer esse engano.
Apesar de Santana estar hoje a trabalhar através duma valente cunha de um ex-ministro seu (até aqui ele enferma dos vícios de alguns portugueses que só arranjam empregos por via das cunhas ou por acção de amigos influentes, e não por mérito próprio) - ele revelou em toda a sua entrevista que não aprendeu nada com os seus própios erros, e quem assim faz será sempre alguém que no futuro ainda é capaz de cometer outros ainda piores...
Toda a entrevista foi uma profunda desilusão.
Na linha do aqui referimos em jeito de crítica à RTP por ter agendado algo que, na realidade, não tinha interesse público em agendar-se.
Pergunto-me se a RTP não teve um interesse deliberado em gozar ainda mais com Santana Lopes - na medida em que quis parasitar do homem aquilo que ele ainda poderia dar: algum capital de atenção diante a opinião pública. E isto pode medir-se perguntando quantas pessoas viram a entrevista de Santana e quantas viram o previsível Cavaco debitando toda aquela circularidade de informação que antes de ser dita adivinhava-se à légua.
Talvez tenha faltado a Santana aquele pedaço de sorte - mediado entre os dedos (como se vê na imagem) - que sobrou a sampaio para estar uma década em Belém.
De um e de outro a História não irá ser branda...

 
At 17 de novembro de 2006 às 12:39, Anonymous Anónimo said...

Podia era ter tirado o livrinho da frente, para ver suporte que tinha de baixo do livrinho era bastante grande lolololololololol

 
At 17 de novembro de 2006 às 17:18, Anonymous B.B. said...

Os socialistas estão todos contentes. Os portugueses, também. Os primeiros aplaudiram, unânimes e congestionados de regalo, o que José Sócrates lhes foi dizer, em congresso. Os segundos, a avaliar pelas sondagens, entendem que o Governo está no bom caminho. Entretanto, a rua enche-se de contestatários, gritando indignações e descaucionando os aplausos e as sondagens.

O admirável João Proença, curioso secretário-geral da UGT, abandonou, emocionado, uma das manifestações em que protestava contra as políticas de Sócrates, e correu apressuradamente até Santarém, a fim de chegar a tempo para ovacionar as políticas de? Sócrates!

A Direita afirma-se muito desgostosa, porque o Chefe do Governo toma decisões que, desde sempre, pertenceram aos territórios de sua demarcação. Grave, ríspido, severo, fero e desbordante, o Chefe do Governo proclama ser da Esquerda moderna, expansiva, imaginativa e repleta de plurais ambições. Assevera que os "analistas" são criaturas obsoletas, que o PCP e o Bloco constituem aparições góticas, e que os protestatários, no interior do PS (Alegre e Roseta, ipsis verbis), colocam trevas e lavram intrigas na esfuziante alegria do grupo.

Afinal, em que ficamos? Tendo em conta que os socialistas são portugueses; que as sondagens resultam de perguntas a portugueses; que são portugueses os milhares e milhares de manifestantes - parece que a massa civil inscrita no desemprego, padecente de fome, de miséria, de desespero, de angústia estabelece uma mentira e institui uma nova etapa no que António Quadros chamou o "enigma nacional".

Dilectos: estamos no império da metafísica. Creio que nem as explicações de Rui Oliveira Costa, cujas sondagens, sempre pejadas de certezas e desprovidas de dúvidas, nem essas, santo Deus!, conseguem esclarecer o nosso embaraço. As excentricidades portuguesas, criadoras da "via original para o socialismo", expõem, agora, esta nova e piedosa charada.

Eis os acontecimentos diurnos, que tanto exasperam as imaginações. Bem pode Jorge Coelho, truculento, nobre e emocionado, proclamar a harmonia carinhosa, que envolve a "família socialista", resultante da "unidade" do PS, não do "unanimismo". A gramática, porém, não sobrepuja o que, arteiramente, ele expôs. José Sócrates é o maestro indefectível de um congresso que disse "sim" em coro, de pé e aplauso. Mas o congresso, perguntou alguém, é o partido, ou a representação mitigada, e habilmente seleccionada, do que pensa o partido?

O génio de Sócrates está à vista. É um magistral actor, de gesto cuidadosamente estudado, registo de voz alteado, consoante a métrica da locução; habilíssimo leitor do teleponto, por vezes helénico, outras romântico, ocasionalmente neorealista, distribuindo miúdas noções de enunciados sociais, tudo envolvido em fatos de corte requintado, camisa a condizer, gravata "à propos". Possui, de Mário Soares, a repentina cólera; de Guterres, a logorreia; de Constâncio, a lenta conversão do escudo em euro. De Sampaio, nada; de Ferro, ainda menos. José Sócrates é produto de vários equívocos e de múltiplas ambiguidades. Afinal, a imagem devolvida do Partido Socialista - desde a religião ao agnosticismo, da genuflexão ao avental maçónico. Socialismo, propriamente dito - nem o perfume ritual.

Helena Roseta que se cuide. No discurso final, José Sócrates não dissimulou o desagrado para com ela, nem ocultou ameaças. Espantoso!, mas ela é a única voz contrariante, naquele sinédrio de ovações. E não é de agora. Esta mulher tem história e lastro. No antigamente das nossas vidas, pelejou contra o salazarismo. Fez o levantamento da miséria do viver português, quando a arqueologia do fascismo santacombadense transformava em emblema a tragédia do atraso colectivo.

Com outros, advertiu-nos de que os bárbaros estavam a descer a ladeira. Um pouco desamparada, agora, ela repetiu um discreto aviso, ante o fragor atordoante dos que fazem ruir aquilo que sobra da esperança. Ninguém a escuta, todos aqueles recusaram ouvi-la.

Há algo de inquietante e de amargo a extrair das conclusões do Congresso do PS. O que costumava honrar e ornar de orgulho a "casa socialista" era, entre outros desígnios de luta e doutrina, o apoio ao sindicalismo. Todos sabemos muitíssimo bem a que corresponde a UGT, com que objectivos foi criada, e de que avultados fundos dispôs. No entanto, sempre se esperava que os actuais dirigentes do PS enfeitassem de rosas as moderadas diligências sindicais. Nem isso. Proença, o imortal Proença, choramingou uns não sei quantos queixumes sobre o que considerou serem "desconsiderações" aos sindicatos. Naturalmente, Sócrates já dissera o que havia a dizer: manifestem-se para aí à vontade, protestem, contestem, molestem com greves, mas a verdade é que só eu [ele, bem entendido] quero, posso e mando. Proença aplaudira.

O PSD de Marques Mendes, é uma corporação venerável, dividida entre não se sabe bem o quê, e Luís Filipe Meneses, criatura voraz, em cujo blogue denuncia como caloteiro o pobre do José António Lima, da direcção do "Sol"; e como praticante imoderada de tinto a sempre inspirada Constança Cunha e Sá, comentarista da TVI e do "Público". O PSD de Marques Mendes faz lembrar aquelas terríveis frases de Georges Arnaud, no notável "O Salário do Medo". Escreveu o romancista: "A Guatemala é um país que não existe. Eu sei, estive lá". O PSD está lá; porém, é como se não estivesse.

O PCP marca a classe, alimenta a utopia, defende Marx, Lenine e Lukacs. É uma sombra do que foi. O Bloco, especialmente festivo, sôfrego de modernidade, arquejante de simbolismo, parece, cada vez mais, uma estrofe sem rima. O CDS, um nevoeiro a pairar entre D. Sebastião e o misticismo vertido em alexandrinos. Um dia destes, despertará e, assombrado, verificará que está morto.

Com esta oposição, o mais comum dos mortais desempenharia, sem esforço, e talvez melhor, as funções de primeiro-ministro. Por outro lado, o Chefe do Estado acarinha Sócrates com suavidade, o qual, emocionadíssimo, envia-lhe, periodicamente, vários estudos acerca da índole mansa e resignada do português. Esta sociedade elegante entre Cavaco e Sócrates eleva-se pela virtude e simboliza-se pela doçura do recato.

No entanto, na arguta perspectiva de alguns avisados elementos da classe política, "esperem-lhe pela pancada". O Chefe do Estado não está em Belém para se confundir com o Chefe do Governo. Ele está ali para "participar", para "intervir sem interferir". Não será uma força de bloqueio. Mas sim uma força persuasiva.

 
At 17 de novembro de 2006 às 18:58, Anonymous MANUEL said...

Hoje, o Público vale cada tostão que custa. Pelo Editorial sóbrio, sensato e pertinente de José Manuel Fernandes, e - sobretudo - pelo artigo da Constança Cunha e Sá, sobre as irresponsabilidades do Dr. Lopes e... e as responsabilidades do Dr. Durão. Obviamente, dois textos para caírem em saco roto. [já escrevemos aquilo, e muito mais, por estas bandas para aí um milhão de vezes...]

Já ontem, tivemos o Dr. Lopes na RTP/1 e o Prof. Cavaco na SIC. O primeiro esteve igual a si próprio, o segundo já não sei. Confesso que ao contrário de outros que nele votaram não fiquei particularmente afligido com a linha de raciocínio presidencial, as coisas são o que são e a política é o que é - por estas bandas - fiquei foi genuinamente assustado foi por Cavaco parecer acreditar, genuinamente, naquilo que estava a dizer...

Antes já tínhamos tido o lançamento do livro do Dr. Lopes. Dou de barato que fora o umbiguismo do autor a esmagadora maioria do que lá está é verdade, como dou de barato que, fora isso, a maioria do que estava no livro do Dr. Carrilho também não andaria muito longe da verdade. A diferença jaz, caro JPH, não na alegada humildade do Dr. Lopes, por oposição à arrogância de Carrilho. A diferença está noutro campo, bem diferente - Lopes, ao contrário de Carrilho assume-se como parte de um sistema, e de um meio, pequeno e fechado, cujas regras conhece e cuja existência não contesta, sistema esse, palaciano e florentino, onde alguma imprensa tem importância fundamental. Ora, essa assunção não resulta de nenhuma particular humildade mas de uma forma hábil de desarmar quem por acção e omissão contribuiu para o circo. Já com Carrilho essa relação 'simbiótica' com a imprensa nunca existiu, daí ser visto por esta como um peixe fora da água, absolutamente descartável, por oposição a Lopes, que - como ontem se viu - garante sempre bons momentos e melhores caixas. De resto, fica-se com a certeza que - por estas bandas - a democracia é nominal. É tudo entre umas poucas dúzias, políticos, jornalistas, 'financeiros', e afins, que tudo se trata e tudo se joga, o resto meras formalidades.

Assim, e voltando ao tal editorial de José Manuel Fernandes seria bom que houvesse, finalmente, um debate a sério sobre o sistema eleitoral e a reforma do sistema político/administrativo. Por muitas entrevistas delicodoces que Cavaco venha a dar a verdade é que muitos dos problemas são endémicos da actual topologia do sistema... Infelizmente, parece-me, que se vai usar o argumento da 'estabilidade' para evitar que esse debate, ao menos o debate, ocorra. Ora, por muita boa vontade que haja, e às vezes há, outras vezes não há, há reformas que são pura e simplesmente impossíveis, com as coisas como estão. A balbúrdia à volta da lei das finanças locais e regionais é uma amostra, uma ínfima amostra disso.

 
At 17 de novembro de 2006 às 19:08, Anonymous JOSÉ said...

Ferreira Fernandes, o jornalista que na Sábado passada, veio aos blogues mercar assunto para a sua crónica.
Mas, reparo agora, com a leitura da Sábado de ontem, que continuei em dívida.
Aqui vão mais uns trocos, por conta do vitupério que comprou.
Na Sábado, num artigo de meia dúzia de páginas, subscrito por Ferreira Fernandes e Raquel Lito, a capa elucida o comprador:
“Calúnias – como as mentiras podem destruir”.
Com esse mote e Sousa Tavares, em retrato grande plano, serve-se no artigo, uma crónica de costumes, sobre calúnias que ao longo destes últimos vinte anos, puseram a honra e consideração de alguns famosos, em risco de grande erosão social de fazer até perigar o ganha pão da família e amigos.
Os exemplos apontados, uma dúzia deles, são exemplos de desgraça, que atingiram impiedosamente os visados, pelas calúnias pérfidas que recairam sobre as suas impolutas personas.
Ver a lista: para além do chamado à capa, deslustrado por um anónimo ignóbil, temos, despidos no interior das suas mágoas, Mário Soares, uma das vítimas mais retumbantes desta prática viscosa. O seu exemplo de desgraça, está à vista de todos.
Até do Estado que continua a pagar-lhe o telefone privado.
A seguir, Santana Lopes, um vitimizado por natureza e cujo último livro rememoria essas desgraças que lhe cairam em catadupa, atirando-o para o limbo político.
Depois, Bagão Félix, um desempregado da política, que acabou na Universidade, talvez por conta de um boato amplificado por Manuel Serrão.
A infeliz Fernanda Serrano, perdoou ao infame anónimo que lhe denegriu a imagem num filme manhoso que quase ninguém viu mas os jornais mostraram, em imagens avulsas, nos seus títulos horrorizados .
Talvez por isso, figurou numa série publicitária de um banco, em pancartas por esse Portugal fora, lembrando as delícias das compras em prestações.
Continua, aliás, a amargurar essas cenas tristes, alternando em representações dignas de uma Vivien Leigh, em telenovelas.
O caso de Sá Carneiro é trazido à liça para ninguém esquecer que também há malfeitorias boas: as calúnias vindas da esquerda, para bem do “nosso povo”, são notícia de jornal e assinadas com toda a urbanidade, por intelectuais.
O caso anedótico que atingiu o semiótico Prado Coelho, nem merece relevo, porque é verbo de encher no artigo de Ferreira Fernandes.

Tal como o de Sócrates e o imbróglio com o desaparecido Independente do Freeport.
A maledicência que atingiu depois Emídio Rangel, só tem paralelo nas notícias sobre os berbequins revolucionários, para tomar conta das ondas.
Foi, aliás, o primeiro caso publicitado, de “pauladas” no suposto caluniador.
Rangel sempre foi um percursor. Agora , queixa-se de ter sido saneado pelo nosso Primeiro, actual Comissário na Europa .
Uma calúnia? Sem direito a “paulada”?
No âmbito das intimidades sexuais, são continuadas as calúnias.
O caso de Laura Diogo, das Doce, provavelmente, será o mais duradouro.
Ainda hoje, passados 25 anos, toda a gente se lembra do célebre hit que durava toda a noite, numa festa pagã ao deus do “Bem bom”. A anedota circulante que se instalou, de efeito seguro entre risos alarves, foi idêntica a muitas outras que atingem figuras públicas, como terá sido o caso de Melão (?!) e Calado, vinte anos depois.
A diferença, reside numa circunstância singela: vinte anos depois, havia três canais de tv e jornais que vivem à sombra dos “famosos, do dinheiro e do crime”, agora dirigidos por quem eventualmente aplaudia as calúnias a Sá Carneiro, para bem do povo.

Antes do aparecimento desse expoente máximo do jornalismo português que se titula 24 Horas, os percursores anunciaram a sua vinda iminente.
O primeiro foi o semanário Tal & Qual, dirigido por um cronista actual desse mesmo jornal dos famosos, Joaquim Letria.
O jornal, alimentado a capitães Roby e donas Brancas, foi secundado na segunda metade da década de oitenta por um outro Pasquim, um “semanário de actualidade e crítica”, dirigido por Luciano Rocha , João Querido Manha e com nomes sólidos no jornalismo como é o caso de José António Cerejo e um deconhecido Paulo Querido…

Esses jornais de fim de semana, parcos em páginas e impantes nas notícias de primeira, dedicavam a sua atenção aos “escândalos”.

Como sempre os houve, o Tal & Qual aí anda, continuadamente à procura dos clientes perdidos para o 24 Horas e outros pasquins.

Em meados dos anos oitenta, o Tal & Qual abrigava na sua última página, um circunspecto Draga-Minas que escrevia de modo castiço, que aliás apetece ler, como poucos, ainda hoje.

O Tal & Qual de oitenta, não repescava minas perdidas, como hoje se lêem por todo o lado e que explodem na mente de incautos.
Mesmo assim, em 15.2.1985, ainda arranjava espaço para “arrincar” notícias deste tipo:

“ O dr. Sousa Tavares anda em maré de azar. Depois da ameaça, ainda no ar, de extinção do seu Ministério da Qualidade de Vida, aquele governante acaba de ser referenciado pela Rádio Renascença, que para o efeito citou a Rádio Macau, como sendo o ministro envolvido num caso de tráfico de capitais, que tem vindo a ser noticiado pelo jornal “o diário”. C
ontactado pelo Tal & Qual, o ainda ministro da Qualidade de Vida comentou: “ É falso.
Nunca fiz tráfico de capitais, não tenho nada a ver com o assunto.” E esclareceu: “Recori, por vezes, aos serviços do dr. Queirós de Andrade, para me arranjar divisas para as minhas deslocações lá fora e para me tratar de cheques que recebi do estrangeiro.
Recorde-se que Queirós de Andrade é um dos presumíveis implicados no referido processo de fuga de capitais.”
Esta notícia, foi dafa numa coluna , em “Privado” aos leitores do jornal e ao passante leitor da última página.
Se se reparar, Macau aparece como fonte da notícia.
Tal como nesta crónica do Draga-minas, intitulada “Orientalices".

 
At 17 de novembro de 2006 às 19:13, Anonymous Pedro Manuel said...

RTP/SIC # SANTANA LOPES/CAVACO SILVA

Ontem teorizámos aqui o que pode ter estado na base desta inflação artificial de audiência que concedeu 2, 5 milhões de almas penadas (entre os quais me incluo) a Santana e cerca de 400 mil telespectadores ao actual PR.
Há razões objectivas e subjectivas para isso, creio.

Vejamos sumáriamente algumas delas de ambos os lados. Comecemos pelo vencedor do share, Santana:
1. Teve mais share porque representa o lado rebelde da vida, a contestação, o psicodrama, o estardalhaço, o simulacro e a eventual "barraca" que pode estalar a qualquer momento - com uma declaração mais afoita ou menos políticamente correcta;
2. Apesar de me parecer algo velho e agastado representa, na memória de muitos de nós, alguma juventude, alguma revolta, um certo anti-sistema desafiador dos poderes instituídos. Apesar de SL já não ser o incendiador de congressos do psd - parece até que perdeu alguma chama discursiva, apesar de nunca ter sido um orador rigoroso, sistemático e estruturado - como Guterres, Freitas do Amaral ou António Vitorino e agora Sócrates (que faz essa aprendizagem discursiva). Nesse sentido, SL também representa o "espalha-brasas" que há em cada um de nós, "mais-Martini-menos-Martini" na kapital ou no Cais-do-Sodré, depende dos gostos.
3. Depois o homem caíu em desgraça, vitimizou-se, condoeu-se, só faltou chorar e o povo português adora estas merdices, estes melodramas e ainda se condoi mais. Aposto que muitas "santanetes" oxigenadas e "pxebeque à cintura" - ontem à noite emocionaram-se ao ver alí o seu "garanhão político" fazendo um acto de contrição e queixando-se à nação da sacanagem torpe e titubeante de sampaio - sem sequer perceber que foi Santana o seu principal inimigo, resultado da sua impreparação e incompetência políticas - por mais que lhe custe reconhecer este facto.
4. Depois o povo português - como latino que é - gosta de "sangue", talvez porque esteja farto de monotonia política fornecida com MMendes, Anacleto, jerónimo, já nem falo do cds... Santana - diante todos - ainda é o único capaz de fazer algum estrago ao poder instalado - seja em S. Bento seja em Belém, nessa óptica da violência político-discursiva - SL consegue consolidar um capital de queixa e de simpatia que se quantifica naquela expressão mediática. Para além dele só Al berto J Jardim, mas este já ninguém o leva a sério, nem no carnaval.

Mas atenção: uma maioria mediática não pode ser transponível para uma maioria sociológica. Posto que se SL fosse hoje a eleições só meia dúzia de gatos pingados votaria nele, os mesmos que precisariam de se empregar na edilidade lisboeta (como assessores e santanetes) - o maior antro de cunhagem, nepotismo e de corrupção que hoje existe em Portugal e que, de certa forma, foi tacitamente reconhecido ontem por Santana relativamente à gestão torpe e traidora do "novato" da política que é o sr. ingº Camona Rodrigues - que até já deveria ter resignado ao mandato por ordem do Tribunal Administrativo - em virtude de violação grave de inúmeras regras de direito.

Em suma: SL esteve igual a ele próprio e teve mais uma vitória de Pirro.

Analisemos agora os magros resultados televisivos de Cavaco Silva, o PR:
1. O prof. Cavaco é um docento universitário, tem preparação académica - coisa que SL não tem - por isso não se compreende que tenha sempre um discurso limitado e circular, enfadonho, repetitivo e, portanto, demasiado previsível. Estou à vontade para o dizer porque até fui um dos que votei nele e até tive o prazer de lhe oferecer um livrinho meu - que ele teve a gentileza de me agradecer revelando consideração pelos cidadãos comuns - como eu. Portanto, nesse sentido, o prof. Cavaco é até uma pessoa humilde a educada - coisa que muitos não são. Mas, confesso, que esperava mais dele. Como e onde???
No discurso relativamente à globalização (que se confinou à economização do mundo empresarial e à multinacionalização dos procedimentos) e à falta de visão para a sociedade portuguesa - que achei muito a reboque das reformas do governo.
Não vi élan em Cavaco..

2. Depois Cavaco já não é um beginner, esteve uma década em S. Bento e isso retirou-lhe élan e impulso criador, além de que nunca foi inovador nas fórmulas, apesar de seguro e cauteloso. Tudo isto ao invés de SL que nunca parou mais de 10 meses no mesmo lugar...

3. De tudo resulta uma prestação institucional, formal, previsível e os portugueses hoje querem é ser surpreendidos. Por isso, não compreendo qual é o papel dos seus assessores mais políticos na preparação destas entrevistas. Certamente que não as preparou com João calos Espada - que é tudo menos um criador de conceitos, um inovador. Estou plenamente convicto que se eu próprio passasse meia hora com o prof. Cavaco muita coisa nova lhe diria, mas as rotinas e os interesses instalados a dada altura têm medo das sombras - não vão as sombras comer-lhes o seu pedaço de pão.

Julgo que o prof. Cavaco é capaz de fazer melhor do que falar de cooperação e de mobilização, dois chavões etéreos como o tempo que passa.
Fazer discursos anti-corrupção - apesar de importantes, não basta...
Se ele vir a cassete verá que tem de mudar de discurso - seja por via do seu enriquecimento e diversificação temática, seja escolhendo assessores mais talentosos que o assessorem mais eficientemente.
Talvez não fosse má ideia começar por ouvir um programa que dá semanalmente às 2ªfeiras à noite chamado Notas Soltas...
É de borla.

* Vejam-se agora as estatísticas:

A entrevista concedida pelo ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes ao programa “Grande Entrevista”, exibido às 21h00 de quinta-feira na RTP1, conquistou mais telespectadores do que a do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, emitida pela SIC praticamente à mesma hora.
De acordo com dados da MediaMonitor, divulgados esta sexta-feira, a entrevista conduzida por Judite de Sousa no canal público ocupou o sétimo lugar na lista dos programas mais vistos, com 2,5 milhões de telespectadores, enquanto a entrevista a Cavaco Silva conduzida por Maria João Avilez, que teve início 8 minutos antes (20h52), ficou pela 11.ª posição, com menos 400 mil telespectadores.

As entrevistas aos dois políticos não conseguiram superar a telenovela "Doce Fugitiva", que a TVI começou a transmitir às 21h14, sendo que este foi o programa mais visto do dia.

 

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