quinta-feira, 9 de novembro de 2006

MAIS TARDE OU MAIS CEDO, PAGA-SE

Não se pode avaliar o peso da mentira na derrota eleitoral de Bush.
Mas que pesou, ninguém terá dúvidas.
A mentira para justificar a guerra no Iraque e o descalabro que se seguiu.
Para quê?

Para Bush saudar a condenação à morte de um tirano (porquê Saddam e não outro?) e Cheney defender a sufocação por afogamento como método de tortura (porquê este e não outro?).
Os americanos responderam com o voto - esse sim, um método civilizado contra a irresponsabilidade.


Todos nos lembramos da grande encenação, a foto dos quatro homens que nas Lajes prometiam um mundo melhor a partir da remoção de um ditador e das suas armas de destruição. Ficará sempre por saber o peso da mentira no percurso de Bush e dos seus cúmplices.
Mas o episódio não deixa de ser uma lição para aqueles que prometem o que não podem cumprir.
Mais tarde ou mais cedo, paga-se.
Mesmo que se possa enganar todo o mundo algum tempo e enganar alguns o tempo todo.
O que não se consegue é enganar toda a gente todo o tempo.


Raul Vaz

1 Comments:

At 9 de novembro de 2006 às 15:24, Anonymous Pedro Manuel said...

A imagem é sobre a Cimeira dos Açores que serviu de rampa de lançamento para muita coisa.
Desta vez não vamos falar nem na intervenção dos EUA no Iraque nem na mentira do Poder.
Essas duas realidades já estão tão íntimamente atadas que é marginal referi-las.
O povo pode ser parvo, mas não é estúpido.
Serve este post apenas para tecer outro tipo de reflexões sobre o Poder, ou melhor, sobre os micro-poderes destas três salamandras, já que Aznar há muito que está out of game. E agora faz como o Kissinger: dá conferências e faz-se pagar por isso.
Só me admiro é porque razão não são eles que terão de pagar para se fazerem ouvir...
Pergunto-me vezes sem conta para que é que esta gente quer o poder que tem?
G. W. Busch - que não passa duma anedota ambulante, enche páginas e págs. de anedotários; Blair é uma arrastadeira política com a morte já decretada; e José Barroso - o famoso "cherne" - que aqui temos apelidado pelo "transmontano de Bruxelas" - representou a maior evasão política desde o 25 de Abril, quebrando o contrato político com os portugueses.
Quanto a Blair já nem valerá a pena considerá-lo, é já um nado-morto.
Vejamos, então, o que G.W.Bush e José Barroso têm em comum.
Para estes que sonharam que o poder daria um sentido à sua vida, uma exaltação...
O que têm feito eles com os instrumentos poderosos que têm?
Para que têm servido os seus discursos e as suas intenções? Vendo um e outro, conclui-se que não basta simular para que a mudança aconteça: o mundo está hoje mais inseguro, a Europa está hoje mais pobre e atrasada relativamente aos demais motores da economia mundial.
Naquele caso, é obra de bush, neste uma responsabilidade do sr. "Fujão" Barroso, o cherne bruxelense.
Por tamanha incompetência, falta de capacidade e de visão pergunto-me porque razão o povo ainda não os desinvestiu?
Porque razão continuam esses dois emplastros gozando dos favores da opinião púbica?
É, portanto, com estes breves considerandos que se demonstra que é mais difícil exercer o poder do que chegar aos seus pináculos, até parece que as qualidades para se atingir uma e outra coisa são diversas.
Parece que para atingir o poder basta recorrer ao teatro, ao simulacro, à representação, em suma, à mentira na política - que são as armas habituais de Barroso juntamente com alguma comédia bushiana à mistura.
Para se exercer o poder já é necessário capacidade, visão e liderança.
É necessário ter um projecto - não basta governar a prazo. Nestes dois casos, Barroso e Bush - é óbvio que governam recorrendo ao simulacro - doméstico e transnacional - transmitindo à opinião pública internacional uma necessidade doentia de serem amados, revelando uma obsessão com a imagem, denotando o esplendor de todo o seu narcisismo.

Em rigor, o que pretendo dizer sobre estas salamandras que ainda estão no poder - é que a longo prazo estes senhores revelaram uma gritante insinceridade que destrói até a reputação de um mafioso do início do séc. XX da América.
E porque razão isto sucede??? Talvez porque esta gente sempre andou mais preocupada consigo própria e com o seu sucesso mediático do que com a verdadeira busca do bem comum de que falava o Aristóteles.
Por aqui se vê que a tal Cimeira dos Açores não passou dum castelo de cartas que já se começou a desmoronar. E talvez já se fale na diocese de Leiria para ser preenchida para o ex-futuro presidente da CE...

 

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