sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

A CULPA É... DOS PESCADORES! ...










Já se descobriu. Aliás, não há inquérito que se preze que admita responsabilidades próprias.

A culpa da morte por afogamento, em 29 de Dezembro, de seis pescadores do barco Luz do Sameiro, a 50 metros da praia da Légua (concelho de Alcobaça), 5 km a norte da Nazaré, mais de três horas depois (o helicóptero só chegou à 9:55 da manhã) do sinal de emergência emitido pelo barco (6:42 da manhã), não é do Governo - não há falta de meios de salvamento e o equipamento e sistema de coordenação é o adequado, muito melhor do que o espanhol... -, nem da Marinha - não houve demora no aviso à Força Aérea, que terá sido alertada pela Marinha pelas 8:45, ou seja, 2 horas depois do sinal de emergência, nem na assistência, pois a lancha salva-vidas da Marinha (com 20 anos de idade e uma velocidade máxima de 16 km por hora, muito mais eficaz do que as lanchas salva-vidas espanholas, com 4 anos de idade e que atingem 65 km/h...), apetrechada de certeza com os necessários meios de socorro, chegou pelas 9:15 ao local, quando ainda estavam vivos 4 pescadores... -, nem da Força Aérea - não houve demora no envio do helicóptero, que chegou 3 horas e 13 minutos depois do sinal de emergência do barco... A culpa é... dos pescadores que se afogaram!...

Não interessa, portanto, culpar um sistema de validação de emergência na Marinha e Força Aérea, eventualmente defeituoso, influenciado pelo orçamento restritivo condicionado pelo custo de operação do helicóptero (custo de combustível). Nem importa duvidar do tempo mencionado de levantamento do helicóptero - com a justificação-para-desconhecedor-ler da ligação dos três motores e do tempo necessário para atingir a rotação suficiente para levantar que provocariam uma demora de 45 minutos, no período fora das horas de serviço (as 8:45 da manhã de sexta-feira, 29-12-2006) -, como terá sido alegado pelo relatório preliminar da Força Aérea, quando um piloto sabe que bastam 15 minutos para levantar desde que entra no helicóptero, ainda que o nível de prontidão não seja o dos F-16 da Base de Monte Real, cujos pilotos se revesam dentro do cockpit prontos a arrancar... Nada disso é preciso, senão culpar os próprios pescadores pela tragédia do tipo da Nazaré dos anos 30...

Sendo os pescadores tão culpados, devem, portanto, as respectivas famílias pagar ao Estado os custos da tentativa de salvamento pelo barco velho e lento, acrescidos dos custos de busca dos corpos dos náufragos e ainda ser-lhes aplicada uma coima pela morte dos seus familiares... Mais ainda, surpreende que se demore tanto a decidir o emprego de meios de salvamento, sempre condicionado pelos custos de operação, e agora as diversas entidades responsáveis, do Governo, à Marinha e à Força Aérea, usem navios e meios áereos para localizar os cadáveres...

E justifica-se plenamente que o primeiro-ministro e o presidente da República não recebam o representante dos pescadores. No fim de contas, só morreram seis pescadores...


Antonio Balbino Caldeira
Do Portugal profundo

11 Comments:

At 5 de janeiro de 2007 às 15:31, Anonymous Francisco said...

A culpa em Portugal morre sempre solteira.
O espectáculo cada dia que passa torna-se mais deprimente.
A arrogância que o representante da Marinha Portuguesa prestou ontem declarações às TV's merece a pena de demissão da Marinha!
Quem se vai lixanda é os zé's ninguém portugueses.
Cambada de incompetentes!!!

 
At 5 de janeiro de 2007 às 15:32, Anonymous Francisco said...

A culpa em Portugal morre sempre solteira.
O espectáculo cada dia que passa torna-se mais deprimente.
A arrogância que o representante da Marinha Portuguesa prestou ontem declarações às TV's merece a pena de demissão da Marinha!
Quem se vai lixanda é os zé's ninguém portugueses.
Cambada de incompetentes!!!

 
At 5 de janeiro de 2007 às 15:32, Anonymous Francisco said...

A culpa em Portugal morre sempre solteira.
O espectáculo cada dia que passa torna-se mais deprimente.
A arrogância que o representante da Marinha Portuguesa prestou ontem declarações às TV's merece a pena de demissão da Marinha!
Quem se vai lixanda é os zé's ninguém portugueses.
Cambada de incompetentes!!!

 
At 5 de janeiro de 2007 às 15:42, Anonymous Anónimo said...

Eu pescador que pesco por um instinto antigo
e procuro não sei se o peixe se o desconhecido
e lanço e recolho a linha e tantas vezes digo
sem o saber o nome proibido.

Eu de cana em punho escrevo o inesperado
e leio na corrente o poema de Heraclito
ou talvez o segredo irrevelado
que nunca em nenhum livro será escrito.

Eu pescador que tantas vezes faço
a mim mesmo a pergunta de Elsenor
e quais águas que passam sei que passo
sem saber resposta. Eu pescador.

Ou pecador que junto ao mar me purifico
lançando e recolhendo a linha e olhando alerta
o infinito e o finito e tantas vezes fico
como o último homem na praia deserta.

Eu pescador de cana e de caneta
que busco o peixe o verso o número revelador
e tantas vezes sou o último no planeta
de pé a perguntar. Eu pescador.

Eu pecador que nunca me confesso
senão pescando o que se vê e não se vê
e mais que o peixe quero aquele verso
que me responda ao quando ao quem ao quê.

Eu pescador que tragao em mim as tábuas
da lua e das marés e o último rumor
de um nome que alguém escreve sobre as águas
e nunca se repete. Eu pescador.

Oitavo Poema do Pescador In "Senhora das Tempestades" de Manuel Alegre

 
At 5 de janeiro de 2007 às 15:44, Anonymous Anónimo said...

Ay, pescador de atardeceres!
Que fijas la mirada en el infinito,
ahíto de trifulcas y de vaivenes.

¡Ay, pescador de almas muertas!
Que sueñas el pasado
y reposas el futuro.

¡Ay!
¡Ay, pescador...!

Bajo el sombrero que oculta tus ilusiones.
Junto al lago desértico
-donde no hay sal que lo haga morir-
tu caña se alza altiva
esperando una perdida lejanía.

¡Ay, ay, ay...!
¡Ay, pescador doliente!

Tu sol desaparece
y enrojece las aguas mansas.
Pescador calmo, obligadamente

¡Aaay!
¡Mi pescador de sueños!

¡Ay!
¡Cómo me dueles, mi pescador!

Poema de Antonio Gualda,

 
At 5 de janeiro de 2007 às 15:49, Anonymous Henrique Neto said...

As mortes recentes no mar da Nazaré, constituem um crime imperdoável.
Os portugueses pagam a existência de forças de segurança, lanchas rápidas, helicópteros, no futuro próximo submarinos, mas morrem á beira da praia e sem que alguém se preocupe com isso.
Quem responde por mais este crime?

 
At 6 de janeiro de 2007 às 13:03, Anonymous Anónimo said...

Pela logica dos nossos doutos governantes e o normal,quem nao s elembra de Camarate,tantas comisoses a ganharem balurdios para nada, e Entre os Rios?
Claro quem tem culpa em Camarate foi quem entrou no aviao, em Entre Rios quem s elembrou de atravessra a ponte, e na Nazare quem os mandou para o mar?
Claro s eops pescadores fossem deputados era outra coisa.
Agora vergonha das vergonhas e os nossos representantes maximo snao ps receberem, mas vamos a ver qual a atitude que vao tomar com as noticias da greve dos jogadores para nao pagarem impostos, recebem logo esses xupistas.
Ainda vale a pena votar nesta republica das bananas?

 
At 6 de janeiro de 2007 às 20:52, Anonymous Anónimo said...

Falhanço
Como a Marinha os deixou à sorte


A Marinha de Guerra conhecia desde as 06h42 a zona onde naufragara o pesqueiro ‘Luz do Sameiro’ – mas uma investigação do CM demonstra que só perto das 08h30 chamou os meios de socorro, que chegaram tarde. Só um tripulante foi salvo. Morreram seis pescadores.

Quatro satélites gravitam à volta da terra com um único objectivo: eles captam os sinais enviados por embarcações em perigo e enviam o alerta para os centros de busca e salvamento. Cerca de 90 por cento dos mares está sob vigilância. O sinal emitido pelo pesqueiro ‘Luz do Sameiro’, em dificuldades ao largo da praia de Légua, no concelho de Alcobaça, foi captado pelo satélite e chegou, precisamente às 06h42 de 29 de Dezembro à base de rastreio de Toulouse, no Sul de França.

O ‘Luz do Sameiro’ estava equipado com a bóia de emergência – uma ‘garrafa’ flutuante que se desprende da borda do barco em contacto com a água e emite para o satélite o sinal de naufrágio. O código enviado pela bóia permite mais duas coisas: identificar a embarcação e o local aproximado do desastre. Na base de Toulouse, às 06h42 daquela sexta-feira, ficaram a saber que o barco de pesca ‘Luz do Sameiro’, matriculado no porto de Vila do Conde, tinha naufragado na zona costeira da Nazaré.

A informação de França chegou numa questão de segundos ao centro português de busca e salvamento – instalado no ‘bunker’ da NATO, em Oeiras, mas sob responsabilidade da nossa Marinha de Guerra.

A esta hora ainda ninguém sabia com rigor de geógrafo a localização exacta do naufrágio. O primeiro sinal enviado pelo satélite apenas indicou a latitude – uma linha imaginária, paralela ao Equador, que começava escassas dezenas de milhas a Norte da Nazaré e terminava na costa dos Estados Unidos.

No centro de busca e salvamento, em Oeiras, foi então cometido o primeiro erro – diz José Teixeira, oficial da marinha mercante. Este homem, que leva 30 anos de mar, conhece como actuam as autoridades de Espanha e do Norte da Europa – e não tem a mais pequena dúvida: “Um helicóptero devia ter descolado imediatamente para a zona da Nazaré. Já se sabia que o barco era um pequeno pesqueiro português. Não podia navegar muito afastado da nossa costa.”

07h00

A Marinha de Guerra nada fez a não ser esperar que um novo sinal da bóia do ‘Luz do Sameiro’, captado pelo satélite, indicasse a posição exacta do barco.

A investigação do Correio da Manhã permite concluir que no centro de busca e salvamento, pelas 07h00, havia a certeza absoluta de que o pesqueiro estava em dificuldades, ao largo, escassas milhas a Norte da Nazaré.

Ainda assim, não foi pedido o helicóptero à Força Aérea. Nesta altura, segundo José Teixeira, “a operação de socorro já leva 15 minutos de atraso”.

07h15

Um segundo sinal de satélite, captado pela estação de Toulouse, permite finalmente conhecer ao milímetro a posição do barco em dificuldades. O centro português de busca e salvamento fica a saber que o ‘Luz do Sameiro’ naufragou na praia da Légua – exactamente na latitude indicada no primeiro sinal enviado pela bóia de emergência.

Enquanto os sete pescadores a bordo eram castigados pela ondas de dois metros e meio, reinava a calma no centro de busca e salvamento. Nem um telefonema a pedir o helicóptero da Força Aérea, nem um telefonema a mandar sair a lancha da estação do Instituto de Socorros a Náufragos na Nazaré.

Pelas 07h15 o armador do barco, Manuel Maio, recebe um telefonema, em Caxinas. Era do centro de busca e salvamento – a ‘rádio-baliza’, como os pescadores chamam. Manuel Maio ouviu o que não queria ouvir. O seu barco naufragara na praia da Légua, a Norte da Nazaré. Tinha o filho a bordo, era o mestre do pesqueiro.

O militar de serviço no centro de busca e salvamento seguiu à risca as formalidades burocráticas. Queria confirmar com o armador se o barco estava mesmo no mar, não fosse o caso de se tratar de um falso alarme, e quantos pescadores estavam a bordo. “Eu nem sabia onde era a praia da Légua. Ele é que me disse que era em Alcobaça, a Norte da Nazaré”, recorda ao CM Manuel Maio.

08h20

O ‘Luz do Sameiro’ está em sérias dificuldades, a cerca de 100 metros da praia. Aproximava-se de um perigoso banco de areia, autêntico viveiro de robalos e douradas, peixe nobre com elevado valor comercial. Aquela zona, enxameada de redes abandonadas, é uma armadilha fatal – e aconteceu o pior: redes ficaram enroladas na hélice e o barco sem governo, batido por mar forte, acabou por encalhar no banco de areia onde as vagas rebentam com violência.

O único sobrevivente, o ucraniano Vasyl Hurny, cozinheiro a bordo, contou que estava a dormir e acordou com um estrondo – o casco de aço a bater no fundo de areia. Subiu ao convés. Encontrou o mestre, Inácio Maio, e o contramestre, José Ferreira, aflitos: aceleravam o motor mas a hélice, enleada em redes, não respondia. Os outros quatro tripulantes, segundo Vasyl, também acordaram nessa altura.

O barco naufragou pelas 06h42. Hora e meia depois ainda não havia sinal de socorro. Os pescadores, cansados, com medo, castigados pela rebentação e pelo frio, perdiam as forças e a esperança.

Pelas 08h20 um pescador desportivo, José Saldanha, chega à praia da Légua – e o barco está ali à sua frente. Ainda viu quatro pescadores no convés. Corre a telefonar para o 112. Só então, o centro de busca e salvamento parece acordar para a tragédia.

08h25

A esta hora as estações do Instituto de Socorros a Náufragos, subordinadas à Marinha de Guerra, ainda não abriram: os tripulantes dos salva-vidas trabalham das 09h00 às 17h00 e fora deste horário estão em casa com os telemóveis ligados à espera de chamada.

António Bernardo, patrão do salva-vidas da Nazaré, preparava-se para sair de casa, em São Martinho do Porto, a caminho do trabalho, quando foi informado de que devia largar para a praia da Légua.

08h45

Apenas duas horas e 20 minutos depois de o ‘Luz do Sameiro’ ter emitido o primeiro sinal de alerta, o centro de busca e salvamento pede à Força Aérea o helicóptero estacionado no Montijo, a meia hora de voo da Nazaré. O pedido chega à Base Aérea às 08h45.

José Teixeira, oficial da Marinha Mercante, lastima tanto tempo perdido e não poupa críticas aos procedimentos utilizados pela Armada nas operações de salvamento no mar. “Na Europa do Norte e em Espanha o helicóptero descola para uma zona de busca mal o satélite obtém a primeira coordenada de latitude. Em Portugal, esperam pela localização exacta. E este tempo de espera pode ser fatal”, diz José Teixeira.

No caso do naufrágio do ‘Luz do Sameiro’ , o centro de busca e salvamento já tem às 07h15 as coordenadas exactas do naufrágio – mas, até chamar o helicóptero, tem de cumprir um rol de normas inúteis. “Telefonam para os capitães do portos, telefonam para o armador, telefonam para o oficial de serviço no Comando Naval, gastam tempo precioso numa teia infernal de burocracia e avaliações e, por fim, fazem o telefonema que devia ser o primeiro da lista – para o oficial de dia na Base Aérea do Montijo a pedir o bendito do helicóptero”, diz José Teixeira.

08h55

O mapa com a localização das estações do Instituto de Socorros a Náufragos de Caminha a Vila Real de Santo António é enganador. Dá a ideia, pela quantidade de pontos, que a costa está bem protegida. “Os salva-vidas são desadequados”, diz José Teixeira. Os mais rápidos, semi-rígidos com cascos em fibra e flutuadores, são demasiados pequenos para enfrentarem mar adverso. Os maiores são lentos.

Faltam, por exemplo, salva-vidas com um fundo em almofadas pneumáticas (estilo ‘hovercraft’) com motores a jacto – que aguentam temporais bravos e são capazes de passar por zonas de forte rebentação.

O patrão António Bernardo largou da estação da Nazaré precisamente às 08h55. O salva-vidas, da classe ‘Patrão Joaquim Lobo’, navega há 19 anos. É lento. Dá no máximo dez nós por hora, o equivalente a cerca de 18 quilómetros por hora. Mas é impossível ao patrão do leme manter por muito tempo a velocidade máxima. O motor aquece com muita facilidade. Se aquecer de mais bloqueia e só pode ser ligado de novo uma hora e meia depois.

09h15

O salva-vidas da Nazaré chega às 09h15 ao local do naufrágio. A tripulação avista quatro pescadores agarrados aos ferros no convés do barco. Mas nada pode fazer. Afasta-se. O patrão António Bernardo, de 55 anos, já medalhado por salvamentos heróicos, sabe que a sua lancha não tem capacidade para entrar na zona de rebentação – e, mesmo que o fizesse, as redes à deriva à volta do pesqueiro naufragado eram uma armadilha para a hélice. “Se ele tivesse um valente ’hovercraft’ com motor a jacto teria lá chegado e salvava os pescadores”, garante José Teixeira.

10h04

O helicóptero da Força Aérea surge, por fim, nos céus da praia da Légua. São exactamente 10h04. Apenas há um pescador com vida. Foi salvo.

A Força Aérea também tem horários a cumprir. Entre as 09h00 e as 17h00 as bases aéreas fervilham de actividade. Neste período a Força Aérea garante que consegue ter um helicóptero pronto para descolar 30 minutos depois de receber o alerta. Fora do horário normal, com a base a meio gás, o tempo de resposta aumenta para 45 minutos.

Até em Portugal é possível fazer melhor. Os helicópteros do Serviço Nacional de Bombeiros e de Protecção Civil (SNBPC) descolam em escassos 15 minutos.

Na manhã do naufrágio na praia da Légua os serviços de Protecção Civil informaram o centro de busca e salvamento da Marinha de Guerra que o helicóptero estacionado em Santa Comba Dão estava pronto para voar sobre os náufragos. A oferta foi feita às 09h15. A Marinha recusou.

O helicóptero dos bombeiros, equipado com um guincho e com um tripulante treinado para descer e recuperar os náufragos, teria chegado à praia pelas 09h40, cerca de 25 minutos antes do aparelho da Força Aérea.

Do areal da praia da Légua, bombeiros, nadadores salvadores e equipas de emergência médica assistiram impotentes ao drama de pelo menos quatro pescadores que ainda lutavam pela vida no convés do barco naufragado. As ondas levaram um a um. Sobreviveu o mais forte, ucraniano, com experiência de mergulho profissional.

“Motas de água lançadas da praia teriam salvado aqueles homens”, diz o comandante José Teixeira.

HORROR A BORDO DO PESQUEIRO

O ‘Luz do Sameiro’ saiu do porto da Nazaré para a pesca, pelas 02h30 de sexta-feira, 29 de Dezembro. O mestre Inácio tomou rumo para o banco de areia da praia da Légua onde abundam os robalos – o ouro do mar. É uma zona proibida de pesca. Este mar está enxameado de redes ilegais que se enrolaram na hélice: o barco ficou sem governo e encalhou. Os pescadores aguardaram quase três horas por socorro. Só um se salvou, içado pelo helicóptero.

ALMIRANTE ASSUME FALHAS

O chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) assumiu ontem responsabilidades pelas tentativas falhadas de salvar do mar seis pescadores do barco que naufragou na praia da Légua, a Norte da Nazaré. O almirante Melo Gomes apresenta-se “solidário com os marinheiros que tentaram o salvamento”, sem êxito.

“Assumo todas as responsabilidades – as nossas – como é meu dever, certo de que todos saberão também assumir as suas, retirando lições”, afirmou o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Melo Gomes, num documento distribuído em todas as unidades da Marinha e a que a agência Lusa teve acesso.

O almirante Melo Gomes reconhece no documento que, apesar de “tudo” ter sido feito para salvar os pescadores do pesqueiro ‘Luz do Sameiro’, a Marinha de Guerra “nunca conseguirá explicar ao público” o facto de não ter conseguido salvar todos os sete tripulantes “a tão curta distância da praia”. O almirante Melo Gomes afirma-se seguro “da eficácia” com que os marinheiros utilizaram os meios ao seu dispor.

A EFICÁCIA BRITÂNICA E DA VIZINHA ESPANHA

Para o governo britânico o tempo de resposta dos meios de salvamento é uma prioridade e não deve exceder os cinco minutos – desde o alerta até à chegada ao local. As autoridades responsáveis conseguiram-no em 98 por cento dos casos, em 2004 e 2005. O Governo investiu ainda num hangar, em Portland, em que os meios aéreos servem apenas para buscas e salvamento no mar.

Em Espanha. o plano nacional de salvamento, traçado para 2006 e até 2009, pretende reduzir o tempo de resposta dos meios marítimos. Há lanchas rápidas que chegam a qualquer ponto do mar, até às 15 milhas da costa, no máximo de 75 minutos e um helicóptero de salvamento, que dentro das 25 milhas chega num máximo de 60 minutos.

TRÊS HORAS NO MAR GELADO

O ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas admitiu ontem que o Governo reforce os meios de salvamento no mar – mas alertou que a segurança dos pescadores “começa nas condições das embarcações e na utilização de coletes salva-vidas”.

Os coletes não teriam salvo os seis pescadores que morreram a bordo do ‘Luz do Sameiro’. A temperatura da água, na manhã do naufrágio, rondava os dez graus.

“O corpo humano não aguenta mais de duas horas na água abaixo dos 18 graus centígrados” – diz José Teixeira, oficial da Marinha Mercante. Mesmo que os pescadores se atirassem ao mar com os coletes salva-vidas envergados, teriam ficado na água fria durante mais de três horas – entre as 06h42 e as 10h04 – quando o helicóptero chegou à zona do desastre, a escassos 100 metros do areal da praia da Légua.

SOCORRO

A lancha salva-vidas da Nazaré, que esteve no local do naufrágio, é lenta – e nem pode acelerar à velocidade máxima, porque o motor aquece e pára. O Serviço Nacional de Bombeiros e de Protecção Civil tinha este helicóptero pronto a descolar em Santa Comba Dão e informou a Marinha de Guerra, que recusou. Teria chegado á praia 25 minutos antes do helicóptero militar.

No: CORREIO DA MANHÃ 6/01/07

 
At 7 de janeiro de 2007 às 14:11, Anonymous Anónimo said...

Evidentemente que tanto a marinha como os outros ramso servem para que?
Altos vencimentos a montanhas de generais e outros que tais, muitas ajudaas para ferias na Servia Iraque Timos etc, sim nporqu eninguem lhes liga, veja-se en Timor.
Acabe-se com este garstar d everbas em submarinos e avioes ke nem voam.
Nao precisamos nada destes senhores

 
At 8 de janeiro de 2007 às 13:41, Anonymous T. said...

Filhos de um Deus menor

"Entre o muro de lanças de Castela e o grande Mar Oceano escolhemos, no tempo em que os homens eram homens e a coragem e o amor ao solo pátrio existia, escolhemos como disse, o Maré Nostrum.

Desde o Promontorium Sacrum qual lança no oceano surgiram as formas de vencer este gigante, mas com a coragem dos nossos homens do mar.

De Vila Real de Santo António a Caminha as artes da pesca nunca foram muito diferentes e o Mar, esse, em todos os sítios tem as suas manhas.

Vale a pena ler Raul Brandão na sua obra “Os pescadores” para perceber que, apesar de todas as tecnologias que inventaram, o mar continua a matar. As artes mudaram, a nossa frota foi vendida para abate e com elas o mais desejado, as licenças.

Assim, a Polícia Marítima, organização relativamente recente, pelo menos em número, não passa de um grupo de fiscais de licenças e vistorias e caçadores de coimas.

A Marinha passou a ser um grupo de gente manobrada oficiais burocratas, no essencial, infelizmente, a guarda costeira não existe.

O noroeste, o sudoeste, o sueste ou levante, mais as marés, têm as suas manhas e os mestres, se as não conhecerem, têm os dias contados, eles e a embarcações.

Mas de que falo eu? Afinal a frota de costa, do alto ou a de longo alcance, foi vendida pelos bons alunos de Bruxelas.

Morreram uns pescadores filhos de um Deus menor, não eram filhos de Belmiro, de Cavaco, de Sócrates, de um Salgado, ou de outra qualquer destas criaturas importantes deste sítio em que o Estado não existe, é apenas uma figura de retórica ou um semantismo.

Vergonha é que o sinto e revolta e náuseas. Mas o ódio, nunca esqueçam, é uma conta de deve e haver.

Dizia uma entidade conhecedora que deveriam ter os coletes vestidos, esqueceram de propósito que os homens morreram de frio ou pelo frio.

Já viram um cadáver aparecer se não ficar preso nos fundos? Aparece a cabeça porque os ventres incham, o mar devolve se puder.

O Sr. Cavaco e o Sr. Sócrates haveriam de receber uns fulanos de luto? Eles, filhos de um deus maior receberem os filhos de um Deus Menor? Primeiro tinham de se concluir os inquéritos e essas coisas (…), para arquivar todo o lodo deste estado democrático de direito.

Dizia um indivíduo de patente que o que mais temia era a desobediência civil. Saberá do que fala…

Por enquanto, espero que chamem mentiroso ao PM e fechem as portas e janelas à passagem do PR, quando das suas visitas. Mas infelizmente duvido que este povo o faça, porque dignidade não mora na sua alma, já foi devidamente condicionado pelos democratas pavlovianos.

Goethe, "Máximas e reflexões": «Legisladores ou revolucionários que prometem simultaneamente a igualdade e a liberdade, são sonhadores ou charlatães.»"

 
At 8 de janeiro de 2007 às 21:25, Anonymous JOSÉ said...

No dia 29 de Dezembro de 2006, na madrugada que durou mais de três horas, até às 10 da manhã, seis pescadores de Vila do Conde, a seguir ao naufrágio do barco em que pescavam, perderam a vida a escassas dezenas de metros da praia da Légua, perto de Nazaré e na comarca de Alcobaça.
A demora no socorro, foi-lhes fatal.

O sobrevivente disse agora( ao Expresso ) que se salvou devido ao facto de estar “mais habituado que eles à agua gelada” e que os outros “foram perdendo as forças”.

Nestes dias que entretanto passaram, os media, com destaque para os jornais, foram dando notícias e publicando opiniões que não se poupam à sindicância das responsabilidades das diversas entidades, incluindo as dos próprios pescadores perecidos.
Estes, são responsabilizados por não terem bóias e coletes, por não terem bote, por pescarem ilegalmente perto da praia e, -obviamente-, por isso tudo fazer muito jeito a quem pretende de algum modo desresponsabilizar as más consciências da res publica…

Para além dos jornais, rádios e tv´s, existe agora, porém outro meio: os blogs.
Alguns blogs, entenda-se.
No entanto, todo este assunto se evidencia cada vez mais como o exemplo do grande falhanço dos mentores dos nossos Praces, Simplex, autores e executantes dos demais estudos, pareceres e processos de modernização administrativa.

Tal como no caso dos incêndios sazonais, esta tragédia e outras recentes, como a de Entre-os-Rios, para não ir mais longe no tempo, mostram a indigência das soluções encontradas por quem de direito, para engendrar estruturas e esquemas de funcionamento simplificado, eficaz e adequado à nossa protecção colectiva.
Torna-se patético ver, ler e ouvir declarações e relatórios de inquérito de quem tem a estrita obrigação legal e institucional de zelar pelo bem estar colectivo- e disso fazem a sua vida profissional- a desviar, despudoradamente, culpas e responsabilidades.

Não obstante, por muito que isso custe a admitir, ironicamente, até poderão ter alguma razão...

Há alguns décadas atrás, ninguém se lembraria de responsabilizar governantes pela ocorrência de incêndios ou tragédias de naufrágios.

A culpa era sempre do destino, do tempo, do mar-cão, do nosso fado centenário e assim ficava distribuída a pena colectiva.

Actualmente, com o Estado social e o devir dos tempos modernos, comparados com os de outros países civilizados, organizaram-se esquemas e tramas legislativas que implicam profissionais da segurança colectiva e que serviram para nos iludir quanto à nossa real capacidade organizativa.

Há umas décadas, os bombeiros voluntários de cada cidade, chamados do seu trabalho habitual, pela sirene que se fazia ouvir em toda a urbe, faziam gala em chegar primeiro ao local dos incêndios que os bombeiros municipais, sempre de serviço, numa antevisão ainda ténue, dos problemas gerados naturalmente pela burocracia e as responsabilidades escritas em papéis.

Este aparente paradoxo permanece actualíssimo e a burocracia foi apontado pelo semanário Sol, como a responsável directa pela morte dos seis pescadores.

O exemplo encontrado para sustentar o argumento, encontrou-se no facto de haver motas de água, nos bombeiros da Nazaré, potencialmente salvadoras, não tendo as mesmas sido utilizadas, porque um bombeiro de serviço( certamente cumprindo regras escritas) entendeu que os bombeiros não foram chamados pela entidade oficial que se ocupa de naufrágios…

Outra perplexidade digna de simplex, encontra-se no facto de terem sido “populares” residentes próximos do local, a alertar as “autoridades” para o sítio exacto onde se encontrava o barco, através de telefonemas e mais telefonemas, para o INEM, para os Bombeiros de várias localidades e até para a capitania do porto da Nazaré.
É provável que todas estas entidades tenham ou arranjem desculpas aceitáveis para as omissões e intervenções intempestivas, na origem desta tragédia.

É provável que o inquérito criminal, daqui a uns meses, chegue à conclusão habitual: arquivamento por ausência de indícios suficientes de prática de crime de homicídio negligente.

Tudo fundamentado com os relatórios da praxe e as perícias do costume.
Porém, quanto a mim, resta uma grande, enorme, avassaladora evidência: a morte destas seis pessoas, com família e filhos menores, deveu-se não apenas à incúria individual ou colectiva das entidades responsáveis, em culpas concorrente; deve-se ainda, principalmente, à manifesta incapacidade de quem organiza a nossa vida colectiva, em prover legislação, métodos e meios necessários, suficientes e adequados, com chefias e comandos experimentados e competentes
Desde há uns anos a esta parte que o problema da organização das cadeias de comandos e da interligação entre as várias entidades responsáveis pela prevenção ou combate a calamidades ou tragédias, é o cerne desta questão.

Desde o momento em que se delinearam modelos e esquemas profissionalizados de organização de meios de socorro, o paradigma até então existente, modificou-se.

Gradualmente, as pessoas que contavam, em primeiro lugar, consigo mesmas e com os seus meios próprios, passaram a acreditar num Estado protector, capaz, eficiente e organizado e que supriria as incapacidades e ineficiências que eram a regra comum.

A modernização administrativa tem vinte anos, se tanto. A modernização das mentalidades, demora mais um pouco e em certos casos, a ancestralidade atávica, nunca deixará de se fazer sentir.

É mais fácil modernizar equipamentos do que mentalidades e estas são quem mais conta, neste jogo
O INEM, um serviço do Estado, dependente do Ministério da Saúde, destina-se a socorrer pessoas, em situação de emergência.
A sua recente regulamentação e a dos meios de transporte e locais de referência, são uma trama de leis, regulamentos e interditos que implicam uma formação adequada dos seus funcionários.
Tê-la-ão, ao ponto de poderem nessas situações, impedirem acontecimentos funestos que constituem a razão da existência do serviço?
Ou a organização e métodos foi delineada sem atender a válvulas de segurança, sempre necessárias para um bom funcionamento de um sistema?

Será que o respeito de regras escritas que deixam morrer pessoas, é aceitável ou é apresentado como o perfeito absurdo que de facto, representa?
Que formação têm os elementos activos do INEM?.

Por outro lado, quem responde pelas falhas de funcionamento do INEM, no que se refere à adequação dos seus regulamentos às circunstâncias da vida real, fora dos gabinetes legislativos?

Ninguém responderá, certamente. Os governantes entram e saem e as leis ficam, mesmo as que conduzem directamente a absurdos e atentados ao senso comum.

O Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, tem poucos anos de experiência, enquanto estrutura organizada e integradora .
Porém, acumula já muitas críticas públicas: Tem mesmo uma lei, de 2003, que reconhece no seu próprio preâmbulo o problema da articulação como um dos mais graves e que justificou a alteração de orgânicas e organismos, por “impedir ou dificultar o melhor aproveitamento dos recursos humanos e materiais”.

Só estas duas entidades, no decurso dos inquéritos em marcha para apuramento de responsabilidades, terão quase tudo a dizer acerca do que correu mal, na tragédia da praia da Légua.

Mas ainda nem ficamos pelas duas. Temos a acrescentar, a Marinha.
A Marinha Portuguesa que constituiu justamente um dos motivos de orgulho de sermos portugueses e que conservava na altura da tragédia de Entre-os- Rios, comandantes que pareciam mostrar que sabiam o que se devia fazer e ainda por cima sabiam comunicar, desta vez ficou mal. Muito mal.

Terão, provavelmente e como de costume, muitas razões justificativas para o atraso fatal na “articulação” com a Força Aérea.

Por sua vez, este ramo das nossas Forças Armadas terá outras tantas razões, como sejam, por exemplo, a de os meios aéreos serem de uso muito dispendioso e lento ( os helis, segundo parece, demoram muito tempo a aquecer os motores …).

Uma coisa parece certa: ainda não atingimos a maturidade cívica, organizacional e política, para deixarmos de depender de heróis por conta própria e podermos confiar em quem nos orienta os destinos colectivos.

Como se demonstra mais uma vez, a competência, o verdadeiro profissionalismo e a excelência, nestas matérias, ainda não moram cá.

Precisamos sempre de pareceres e estudos para entender realidades paradoxalmente já muito estudadas e que deviam estar sabidas.

Nós , ou seja, quem nos governa, é que ainda andamos a descobrir a pólvora, com nomes pomposos como PRACE ou mais simplórios como SIMPLEX, entregues ao cuidado de diletantes que apenas nos mostram a sua arrogância inconsistente.

Somos ainda uns simples, de facto, porque continuamos a acreditar e a votar, por vezes maciçamente, nestes autênticos aprendizes de feiticeiro que querem substituir o voluntarismo dos antigos heróis, que com poucos meios faziam milagres, pela tecnocracia, aprendida à pressa e que nos conduzem a desastres frequentes, em todas as estações do ano.
O da praia da Légua é apenas o último.
Outros virão.

 

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