terça-feira, 2 de janeiro de 2007

A VIDA NOVA DE CADA NOVO ANO ESTÁ A FICAR VELHA

No ritual das relações sociais estabeleceu-se que a cada ano novo corresponde vida nova.

Acontece que para a maioria dos portugueses a vida nova de cada novo ano está a ficar velha. Já se sabe que o ano novo traz aumento de preços e depreciação do poder de compra dos salários. A classe política não tem outro discurso nem outra receita que não seja mandar os mesmos de sempre fazer mais um furo no mesmo cinto.

Com o ano novo, chegaram novos aumentos na electricidade e gás, no pão, nas rendas de casa e nas taxas de juro, nos combustíveis e transportes, na comparticipação nos medicamentos e nas novas taxas moderadoras da saúde. Para a maioria dos portugueses a repetição de tais aumentos representa sacrifícios que perderam qualquer sentido ou perspectiva: os preços aumentam porque sim e não há no horizonte qualquer ilusão de retorno ou compensação. Para esta maioria de portugueses, a velha “vida nova” certamente não traz qualquer esperança, a repetição em vão dos mesmos sacrifícios desfez qualquer ilusão, é mesmo duvidoso que subsista alguma alegria. Sendo uma maioria, estes são portugueses representados apenas por números. Tristes números, os do país da Europa onde mais se deteriorou nos últimos anos o poder de compra.

Este País cinzento tratado por barras estatísticas contrasta com um Portugal a cores, exuberante de consumismo e ostentação. Neste País há quem produza riqueza, o que é muito louvável. Mas há, sobretudo, um sistema que produz ricos, o que é visível na exuberância dos parques automóvel e imobiliário. Olha-se para o País e dá-se por esse mistério sem explicação que é a origem da riqueza que ostenta tantos sinais exteriores. Para esse País haverá vida nova, todos os dias. Mas certamente são outros que pagam a conta...


João P.Guerra

5 Comments:

At 2 de janeiro de 2007 às 15:27, Anonymous JER said...

Sempre que se questiona sobre a causa do atraso português a resposta é invariavelmente a mesma, à frente de todo os males aparecem os políticos.
Desta forma os portugueses, que até vivem em democracia e são eles que escolhem os políticos, ilibam-se de responsabilidades enquanto cidadãos e enquanto Nação.

Quando se centram as culpas nos políticos estamos a esquecer que o problema é mais vasto do que as fraquezas da nossa classe política, Portugal tem uma profunda crise de elites, se é que podemos dizer que temos elites.

Na cultura assistimos à dependência dos subsídios, os empresários só sabem reivindicar salários baixos, nas universidades são muitos os que por lá andam para ter mais fácil acesso ao conhecimento que vão negociar com as empresas, os banqueiros até nos arredondamentos roubam os clientes, os jornalistas publicam o que vende, o militares fazem passeios na Baixa, e até temos um prémio Nobel que preferiu as Canárias e só cá vem para nos assegurar que Cuba fica entre o Céu e o Paraíso.

O nacionalismo é coisa dos pobres e mesmo assim limitado à bola, para as chamadas elites o grande objectivo é amealhar o mais possível enquanto o país ainda vai dando alguma coisa, ter um apartamento de luxo, passar a noite de Ano Novo no Brasil e encher a garagem de carros de luxo é o grande objectivo.

Portugal não tem elites à altura dos desafios que enfrenta e, pior do que isso, tem algumas personagens a que o destino proporcionou uma posição de destaque e que se aproveitam disso para defender os seus pequenos interesses em prejuízo do país. Não importa que o país não se desenvolva, que os nossos filhos vão para o estrangeiro, que todo um povo perca a esperança, as nossas elites amanham-se como e enquanto podem.

É tempo de Portugal renovar as suas elites, pondo fim a um dos piores ciclos da sua história.

 
At 2 de janeiro de 2007 às 21:38, Anonymous JOSÉ said...

Vital Moreira começou o ano, no Público de hoje, a vituperar os trabalhadores do sector público, administrativo e empresarial, pelos protestos, manifestações e greves. A causa imediata residiria na retirada de direitos e regalias, antes distribuídos pelos próprios poderes públicos que agora reclamam a devolução, com juros de mora. Considera como “gritantes as situações de regimes privativos francamente diferenciados, para melhor, em relação aos demais trabalhadores, em geral e aos trabalhadores do sector privado em especial”.
O putativo núncio deste governo, acha que privilégios, regalias e prebendas do vínculo à função, são injustificáveis. “De todo em todo”, diz o núncio. E os mais gritantes são os regimes privativos especiais, tipo dos concedidos aos jornalistas, professores, magistrados e funcionários públicos em geral.
Vejamos: quem deu os privilégios aos privilegiados? Quem regalou os direitos adquiridos?
Parece óbvio que foram aqueles mesmos que agora os retiram. Nenhum funcionário público tem o poder se de aumentar a si mesmo ou á classe a que pertence.

Daí que pareça inteiramente lógico que se questionem os acólitos desta governação, para saber onde estavam, na altura em que tais regalias, privilégios e prebendas foram considerados como forma de “dignificação da função pública” e como tal distribuídos . Principalmente, conviria determinar quem foram os pródigos que delapidaram o erário público, ao ponto de agora se classificarem como “injustificáveis” as regalias que dantes eram apenas direitos de quem trabalha, concedidos a eito e com a justificação da própria lei democrática e do próprio programa governamental.
A linguagem eufemística e o abuso semântico, sempre foram os instrumentos preferidos de acólitos, núncios e preceptores, para fazerem passar mensagens desagradáveis dos seus senhores ou do seu grupo; mas são os factos quem os rasteira nas argumentações falaciosas e lhes desmancham a fachada sempre vistosa.

Em 1995, na sequência da vitória eleitoral e dos Estados Gerais do PS ( o partido confessava-se então desfalcado de nomes competentes e no Sinédrio do Coliseu escolheram uns tantos, incluindo o de Vital Moreira ), no programa do Governo de António Guterres, no capítulo dedicado à Função Pública, pode ler-se:
“f) Flexibilização dos mecanismos de gestão dos recursos humanos, financeiros e patrimoniais dos serviços, com aumento de responsabilidade e poder de decisão dos Altos Dirigentes da Administração Pública;”
Pode ainda ler-se:
“j) Flexibilização dos mecanismos de fixação dos quadros de pessoal dos serviços, do sistema de carreiras da função pública e da definição de funções dos vários grupos de pessoal da função pública, de acordo com as novas exigências de gestão previsional de efectivos, intercomunicabilidade entre carreiras e polivalência e mobilidade funcional;”
E mais ainda:
“n) Revisão da legislação sobre o direito à negociação e concertação social na Administração Pública, garantindo a audição das organizações sindicais nos mecanismos de gestão dos órgãos responsáveis pela reforma e modernização da Administração Pública;”

Quem eram os ministros em 1995?
António Guterres, José Sócrates ( ministro adjunto), António Costa, Jaime Gama, Sousa Franco( nas Finanças), Jorge Coelho, João Cravinho, Vera Jardim, Pina Moura ( na Economia), Capoulas Santos, Marçal Grilo ( na Educação reforçada com milhões e milhões), Maria de Belém, Ferro Rodrigues, Elisa Ferreira, Manuel M. Carrilho e Mariano Gago.

Em resultado de eleições de Outubro de 1999, o povo português voltou a confiar os destinos da governação da coisa pública a António Guterres e ao PS que incluía muitos dos actuais governantes e apoiantes, Vital Moreira incluido entre estes.
Do programa do então governo de Guterres:
“A política de rendimentos manterá como objectivo a aproximação progressiva dos salários médios reais aos níveis salariais europeus. (…) Será intensificado o controlo da despesa pública corrente primária através, nomeadamente de: Medidas racionalizadoras das despesas públicas, nomeadamente na saúde, na Administração Pública e na afectação de recursos destinados a subsídios, bonificações e incentivos que o Estado concede, os quais devem ser submetidos a um rigoroso escrutínio do ponto de vista da utilidade e da equidade sociais;”

Quem eram os ministros do Conselho que executava o respectivo programa?

Guterres, Jaime Gama, Oliveira Martins ( agora no tribunal de Contas), Rui Pena, Severiano Teixeira, José Sócrates ( Ambiente), António Costa, Braga da Cruz ( Economia), Elisa Ferreira ( Planeamento), Capoulas Santos, Júlio Pedrosa ( Educação), Correia de Campos, Paulo Pedroso, Augusto Santos Silva, Mariano Gago, Alberto Martins ( reforma do Estado e da Administração Pública), José Lello ( Desporto, estádios do Euro) e António José Seguro ( adjunto do PM).

Perante estes nomes e perante a execução dos milhões do III Quadro Comunitário de Apoio, logo em Janeiro de 2000, com os dinheiros que entravam, ainda assim, em Abril de 2002, Guterres achou que estava num “pântano” e fugiu - para lugares mais seguros e serenos.
As eleições que se seguiram permitiram o julgamento dos governos de Guterres? Segundo alguns, sim, o que desculpa tudo e limpa todas as asneiras, permitindo ainda alijar responsabilidades para quem legisla em maioria relativa.
Mas… será que as eleições permitiram mesmo esse julgamento? E qual foi a decisão? A perda das eleições e do poder durante três penosos anos?
As pessoas que votam e escolhem, saberiam então de tudo isto que agora se ouve dizer a Vital Moreira e alguns outros economistas que então nos governavam?
Se sabiam, como se justifica que voltassem a escolher os mesmos e as mesmas políticas que só diferem quanto ao discurso logo encetado na posse do actual governo? Significará tal escolha democrática, a legitimação deste discurso de negação do antes apregoado como valor?

As respostas falaciosoas aparecerão sempre. Ficam por isso, os factos. E entre estes, indesmentíveis, resultam os que demonstram que foram aquelas pessoas, acolitadas por Vital Moreira e muitos outros quem nos preparou o belo caminho dos privilégios, regalias, mordomias e prebendas agora julgadas “injustificáveis”, constituindo “gritantes situações de privilégio”!
A gente que vai aturando estes governantes que temos, gostaria talvez de ver um pouco mais de humildade no discurso e principalmente na memória. Um pouco mais lata, nestas recordações e muito menos lata, no discurso habitual de condenação dos “privilégios e regalias”.
Por exemplo, em vez do arrazoado justificativo das regalias “injustificáveis”, poderíamos compreender melhor se o mesmo viesse acompanhado dos números de funcionários admitidos durante esses quase dez anos de governação, na Função Pública. Gostaríamos de saber quem foram também os governantes manifestamente incompetentes em deter o défice dos orçamentos e que colocaram objectivamente o país na cauda da Europa. Ainda mais do que já estava e mais longe das locomotivas e das carruagens de primeira classe.
Poderiam também ensinar às crianças e lembrar ao povo, quem foram os responsáveis pelas nomeações de sucessivas administrações nas empresas do sector público empresarial, tipo Metro de Lisboa, CTT ou mesmo REFER, para se perceber o verdadeiro significado da expressão “no jobs for the boys”, entretanto esquecida.
Estes acólitos indefectíveis, mesmo assim, procuram aproveitar o fumo espesso do comboio da ignorância generalizada, apesar de terem apostado milhões na Educação, para, uma vez mais, procurarem convencer papalvos e basbaques de que a culpa do atraso deste comboio, é dos passageiros. E o pior é que muitos acreditam e até aplaudem.

 
At 3 de janeiro de 2007 às 11:10, Anonymous Anónimo said...

que todos tenham um grande 2007 livre de doenças, com muita paz e tranquilidade e que seja este ano que se corra com pessoas, arrogantes, vazias de conteudo e que brincam ao poder e com as pessoas com o sr. taveira. chega destas atitudes e pessoas como este sr.

 
At 3 de janeiro de 2007 às 13:45, Anonymous JUM said...

o que não vai suceder em 2007

A previsões políticas já começa a ser tão rotineiras que mal o ano de 2007 começou e já se sabe o que vai suceder, a não ser que Bush faça alguma das suas é certo e sabido que nem Marques Mendes vai ser primeiro-ministro nem Azevedo Soares, um dos seus vices, será promovido a almirante.
Paulo Portas não se vai casar, nem mesmo com aquela jeitosa que uma vez se fez fotografar na banheira ao lado de Marco Paulo e não será este que Jerónimo de Sousa vai assaltar o Palácio de Inverno nem Sócrates o vai construir.

Na economia é o que se vê, continuaremos na sala de cuidado intensivos com os especialistas atentos aos mais pequenos sinais de vida, dando maior ao mais pequeno movimento de um dedo do pé do que dantes davam a dois pontos na taxa de crescimento.

Na política vai ser o sossego do costume, apenas quebrado por meia dúzia de declarações de voto de Manuel Alegre, umas dezenas de providências cautelares, os discursos da praxe do Presidente da República, e pouco mais, a não se que Louçã recupere o humor e conte alguma anedota nova pouco ou nada nos vai surpreender.
A única dúvida reside em saber qual a pena divina que o senhor Cardeal vai aplicar aos que votem sim no referendo do aborto.

Não havendo dúvidas quanto ao que vai suceder, resta-nos fazer previsões quanto ao que não acontecer em 2007:


Os bancos não vão pagar mais impostos nem alinhar as taxas dos depósitos bancários com a taxa do Banco Central Europeu.

Não vão haver investimentos no ensino e nas universidades, até porque nos próximos anos a procura de emprego promovida pelas grandes obras públicas se vai centrar nos serventes de pedreiro.

A modernização do Estado não vai passar pela melhoria dos modelos de gestão nem pela escolha criteriosa dos dirigentes.

A nossa política económica não terá como objectivo a melhoria do nível de vida dos portugueses, isso seria muito negativo para a nossa competitividade externa.

O dr. Constâncio não vai ter que fazer mais nenhum relatório para apurar o défice, agora que os portugueses ganham menos e pagam muito mais impostos as contas já andam certinhas.

Os impostos não vão baixar nem é previsível que isso venha a suceder enquanto a evasão fiscal aumentar, como sucedeu em 2006 em que o resultados dos impostos sobre o consumo evidenciam uma fuga generalizada.

O grupo SONAE vai continuar a ganhar bom dinheiro sem investir em investigação, vai prosseguir a sua estratégia assente numa economia de raparigas do shopping.

O Governo vai continuar a desconhecer a existência de software “open source” optando por prosseguir na microsoftização do país.

Não se vai voltar a falar de plano tecnológico, os projectos que estavam em curso já deram para alimentar o SIMPLEX.

Bush não vai sofrer nenhum upgrade pelo que o mundo vai ter que suportar a sua falta de inteligência.

António Borges não vai abandonar a Goldman Sachs para vir salvar o PSD e o país, o Benfica não vai ganhar o campeonato e Paulo Portas não vai tratar da descendência o que, aliás, é a única coisa boa que ele fez (ou não fez) na vida.

 
At 5 de janeiro de 2007 às 10:50, Anonymous Anónimo said...

que todos tenham um grande 2007 livre de doenças, com muita paz, tranquilidade e sinceramente e com muito dinheiro (deixemo-nos de hipocrisia fatela). E que seja este ano que se corra com pessoas, imbecis, vazias de conteudo e paradas no tempo - amantes e os comunas de ponte de sor. Nao fazem falta nenhuma ao mundo. sao um atraso. obrigado

 

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