quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

MENSAGENS DE NATAIS

"Ramos Horta pede compaixão ao irmão Bin Laden".
Assim vinha a chamada do jornal, assim vim a saber que o Nobel da Paz e primeiro-ministro timorense foi uma das personalidades convidadas pela BBC a endereçar uma mensagem de Natal a alguma outra personalidade, e que a personalidade escolhida por Ramos Horta foi Osama Bin Laden, e que o chamou de irmão.
Assim fiquei chocado, primeiro.

Depois, pensei num livro de um pensador católico italiano de cujo nome (ai, esta memória... nunca serei um erudito) não me lembro, chamado (o livro) O Diabo. E começava o autor por dizer que, católico que era, acreditava na existência concreta, e não apenas simbólica, do Diabo – tanto quanto na de Deus. E que tudo o que sabia de Deus e do Diabo, à luz da Bíblia e da doutrina católica, o levava a amar o Diabo. Não, nada de satanismos e de cruzes queimadas ao som de heavy metal. Amor cristão. Compaixão. Vigoroso e genuíno ódio ao mal. Amor pelo mau. E perdão.

Não sou lá muito católico – sê-lo-ia se me fosse dado crer em Deus – mas não deixo de ver algum valor – embora vão – no infinito amor da doutrina católica (oh, tão distante da prática da generalidade dos católicos). A ideia de um amor redentor, de um perdão que regenera, de um abraço que irmana inimigos é vã, claro, pela simples razão de o amor ser um estado (mais ou menos permanente, não importa), que pouco depende do esforço de quem o tenha ou deixe de ter. Posso esforçar-me para ser justo, equilibrado ou até generoso, mas não para amar ou para deixar de amar. Uma sociedade que dependa do amor para sobreviver estará... em maus lençóis. Não porque o amor seja um mau lençol. Muito pelo contrário, é o melhor de todos, mas não é fabricável – vem ou não vem, tem os seus humores próprios, e temo que a maior parte da população mundial, desde sempre, não saiba o que fazer quando ele vem... nem quando ele se vai.

É vão acreditar que Bin Laden se comova com o apelo de Ramos Horta à compaixão. Mas é válido que Ramos Horta apele à compaixão de Bin Laden e que o chame de irmão – é, aliás, a única coisa que um católico que mereça esse epíteto pode querer, sob pena de trair a doutrina que diz professar (a compaixão – ingrediente que distingue o cristianismo das religiões que o antecedem – é pedida por um lado e, por outro, oferecida a Bin Laden no acto de o chamar de irmão). É válido porque não é ideia que precise de triunfar para ter o seu valor. Porque há um valor intrínseco no amor e no perdão. Por mais estropiados que estejam ambos – em grande medida, pela acção maligna do irmão Osama Bin Laden.



M.N.

3 Comments:

At 28 de dezembro de 2006 às 16:48, Anonymous Anónimo said...

MENSAGEM DE NATAIS...

Depois de breve incursão naquele Portugal profundo que é a barresiana pátria, a terra sagrada pelos meus mortos, volto ao circuito capitaleiro, das grandes novas do Estado a que chegámos e do universo televisivo, feito à imagem e semelhança de um país bem pequenino: o dos valores dos colégios pretensamente finos do capitaleirismo que formaram esta geração que pretende controlar a nossa opinião pública, onde os heróis cívicos têm que ser ex-MRPPs como foi a mamã, nos velhos tempos do PREC, quando falava em libertação, só porque tinha no quarto um poster do "make love, not war". Reparo que os discursos dos políticos continuam perdidos no inferno das boas intenções, onde continua a ter razão quem vence e onde, há muito, não vence quem tem razão.

 
At 28 de dezembro de 2006 às 20:34, Anonymous J.G. said...

IRMÃO!!!

O sr. Ramos Horta - uma criatura que foi amplamente subsidiada pelo estado português, logo, por todos nós, cada vez que se ia exibir a Nova Iorque ou a outro lado qualquer -, uma criatura que Ana Gomes acarinha, esta criatura que é primeiro-ministro dessa ficção política que é Timor Leste para cima do qual o regime se baba, dirigiu-se directamente ao sr. Bin Laden, numa entrevista, a quem chamou de "meu irmão".
Não se esqueçam, pois, de lhe chamar, ao sr. Horta, irmão.

 
At 6 de janeiro de 2007 às 14:23, Anonymous Anónimo said...

Se este snhir Horta e digno do Nobel,qualquer da o Dr osana tqmbem e, mas esse nao e com dinheiro sonegado aos Portugueses, como o Sr horta

Ja nao ha pachorra.

 

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