segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

VOCÊ É ESTREBARIA

Há momentos assim, decisivos na vida das instituições e nas relações entre os homens, e foi isso o que aconteceu na passada quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006, na Assembleia da República: o presidente do Parlamento proibiu o tratamento por você no hemiciclo.


A decisão veio a propósito de uma querela entre o ministro das Finanças e um deputado do PSD. O ministro tratou o deputado por você, a bancada reclamou a defesa da honra, o presidente pôs fim à discussão. O mais que poderá admitir-se, e mesmo assim poderá levantar reservas, é um apressado vosselência ou vossência. Você é que não. Vossa Excelência.

Convenhamos que o ministro terá usado de uma familiaridade que talvez não tenha com o deputado. Você é um quase tu e tratamentos desses não serão compatíveis com a elevação do debate e a honra das bancadas, tanto mais quando o diálogo é do alto da tribuna do Governo para o fundo da trincheira da oposição. Por este andar, qualquer dia teríamos os deputados a tratarem-se por vossemecê, o que é linguagem dos meios rurais. Os antigos diziam por isso que você é estrebaria. Mas a verdade é que os ainda mais antigos diziam vossa-mercê.

Mas, com a decisão de Jaime Gama, pelo menos passa a haver um normativo para o português parlamentar, que não é necessariamente o mesmo que o português publicitário - Com a TAP você é TOP - ou mesmo algum português institucional - Você está aqui.

Aliás, talvez você não saiba - ou será que quem não sabe é vossência? - que o pronome pessoal você (pronome pessoal, por enquanto) tem diversas outros sinónimos como amecê e vosmecê. O melhor será informar-se, agora, sobre tudo o que você - aliás, VExa - sempre quis saber sobre gramática e etiqueta e nunca ousou perguntar.


João P. Guerra

4 Comments:

At 18 de dezembro de 2006 às 14:42, Anonymous P.M.Lopes said...

Tudo normal
O Grupo Espírito Santo é um dos maiores investidores privados na área da Saúde. A Dra Maria de Belém é Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde e... consultora do Grupo Espírito Santo.

Tudo isto se passa como se não existisse problema nenhum. E vendo bem, qual é o drama? A lei nada diz e nada dizendo assume-se como normal e perfeitamente legitimo que a Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde colabore com um dos maiores operadores privados de saúde que, no decorrer das suas operações, tem vários contratos com o sector público. Tudo normal.

Será que também há membros da comissão parlamentar de defesa que dão consultoria a empresas de armamento? E membros da comissão da educação a colaborar com empresas do sector?

 
At 18 de dezembro de 2006 às 15:36, Anonymous Anónimo said...

gostaria de colocar um post onde falam da moagem do fundão. mas não consigo, por isso ele vai aqui.

 
At 18 de dezembro de 2006 às 17:53, Blogger Zé da Ponte said...

Caro amigo
A caixa de comentários está a funcionar bem.

 
At 18 de dezembro de 2006 às 21:02, Anonymous Anónimo said...

Nao tem piada nenhuma para quem ganha o salario minimmo nacional ver quase 200 individuos a ganharem fortunas para se deliciarem e m picardias a mossa custa.
Quanto custa ao pais estas brincadeiras ? Pq nao se reduz a assembleia a 2 elementos por partido, numa latura em que s efala em aumentos de produtividade na fincao publica et«ra espectacular.

 

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