segunda-feira, 3 de março de 2008

OS VENDEDORES DE DINHEIRO...

Dinheiro? Preciso, mas não gosto dele!, diz o consciencioso.

Já o cínico, responde: É o dinheiro que não gosta de mim.


E o banqueiro, que dirá ele?
Pois escutemo-lo então, na linguagem dos lucrativos exercícios em que se deleita para penosa existência dos clientes devedores.


Na semana passada a Caixa Geral de Depósitos divulgou os resultados do seu exercício de 2007, tendo apresentado o fabuloso lucro de 856,3 milhões de euros (cerca de 172 milhões de contos na moeda antiga). Um recorde absoluto do banco público e da banca portuguesa.



Acrescente-se, de passagem, que o conjunto dos cinco maiores bancos portugueses somou lucros da ordem dos 3 mil milhões de euros no exercício do último ano, qualquer coisa como 8 milhões de lucro por dia.

Um valor obsceno e imoral nestes tempos de sofrida crise económica e excessivo endividamento das famílias portuguesas.

No entanto, Faria de Oliveira, o novo presidente do banco público, foi já adiantando que a CGD poderá vir a agravar os juros pagos pelos seus clientes, por causa dos custos de financiamento e de crédito no mercado internacional.
Ou seja, a banca – segundo este senhor que já foi ministro num dos governos de Cavaco Silva –, fará reflectir a crise financeira internacional (que ela própria cavou com as jogadas de risco financeiro do subprime) nos seus clientes.
Pela simples razão de que não abdica dos seus fabulosos lucros, e pela razão mais elementar do poder que o dinheiro lhe dá, ao ponto de não se ouvir uma chamada de atenção, uma observação sequer de um membro do Governo.


Não podiam, por isso, ser mais oportunas as palavras de Belmiro de Azevedo, ao declarar, no princípio da semana, que é preocupante a atitude dos bancos: para garantirem lucros, aumentam os preços, prejudicando o cliente. Sublinha o empresário que assim é fácil gerir empresas, tal como o Estado faz quando não tem dinheiro e aumenta os impostos. E conclui ser este um raciocínio perigoso.

Perigoso para a economia em geral e para o bolso de cada um de nós em particular. Pois se até o maior empresário português se queixa dos bancos, que dizer de nós, pobres e espoliados clientes nas mãos destes tubarões da finança


J.D.

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1 Comments:

At 4 de março de 2008 às 22:23, Anonymous Anónimo said...

E não vão ficar por aqui.
Estão de volta à carga com a taxa de utilização do multibanco.
Já está a correr na net uma petição contra esta medida.
Assinem.

http://www.petitiononline.com/bancatms/

 

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