terça-feira, 28 de setembro de 2010

O C D E

Com 4 letras apenas
Se escreve OCDE
de todas as encomendas,
a mais descarada é

Nem Sócras e nem Teixeira
Conseguiriam melhor.
Saído dessa lixeira
do canudo de doutor,
Aqui está o relatório
suscitando o falatório

Venha lá a austeridade
que o povo tanto merece
esbanjou com leviandade,
o povo. Agora, padece

Vamos tirar-lhe a migalha
que inda lhe resta, da mão
o povo, essa escumalha,
não precisa comer pão

Cortemos-lhe na comida
E na saúde por inteiro
Se não lhes sarar a ferida
dá-se trabalho ao coveiro

Um relatório que aplaude
aumento, aos pobres, de impostos
É bem mais do que uma fraude
São fraudes pra todos os gostos

J.T.

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4 Comments:

At 28 de setembro de 2010 às 11:02, Anonymous Anónimo said...

chegados ao acto derradeiro da comédia, o cabeça de cartaz ameaça demitir-se caso não o deixem aumentar o saque. o que vier a seguir, não será melhor e, seguramente, bem pelo contrário.

certamente que não levará carta para o fundo de desemprego. pairará por aí, tal como as nulidades que o precederam. prósperos, bem instalados, acumulando salários, pensões e rendas vitalícias.

lembram-se do bonzinho, aquele que dizia que era só fazer as contas? anda por aí. do outro que dizia haver vida para além do défice? anda por aí. daquele do bolo-rei que enterrou todos os recursos a fazer auto-estradas? continua por aí. do outro do país de tanga? anda por aí.

fodidos estão os gajos que não chegaram a ministros. a esses, cortam-se pensões, aumenta-se-lhes os impostos, e tira-se-lhes os medicamentos, na esperança que morram rapidamente e assim aliviem os encargos sociais.

 
At 28 de setembro de 2010 às 12:50, Anonymous M. said...

Vão roubar para outro lado!
O Sócrates faz chantagem.
Ameaça demitir-se.
Diz que não pode governar,
se não lhe aprovarem o orçamento.

Para que serve a "aprovação",
se só serve para aprovar, e nunca para reprovar?

Os orçamentos antes aprovados,
são prova da qualidade deste?

A discussão do orçamento,
não serve para o alterar, e melhorar?

Para quem só fez asneira,
é assim tão difícil, aceitar um orçamento corrigido?

O cábula só vai a exame,
se o professor estiver comprado?

O batoteiro só joga,
se puder escolher as cartas?

O incendiário,
recusa ajuda para apagar o fogo?

O autor do naufrágio,
alarga o rombo no casco?
Recusa qualquer ajuda?
Ameaça ser o primeiro a abandonar navio?

...

Não basta ser corrupto,
impune e acima da lei,
ainda temos que tolerar,
falácias irresponsáveis,
falta de ética,
falsa dignidade,
oportunismo de lesa pátria?

...

Fugiu Guterres,
fugiu Durão,
fugiu Fátima.
Que fujam Vara e Sócrates,
que fujam todos,
burlões, corruptos, ladrões.

Já têm os bolsos cheios,
já têm reformas, mordomias,
já têm tacho vitalício,
já nos fizeram demasiado mal.

Se é desta matéria,
que o Bloco Central se alimenta,
se a justiça não dá conta deles,
que fujam para bem longe daqui,
que vão roubar para outro lado!

 
At 28 de setembro de 2010 às 18:44, Anonymous FilipeT. said...

Cortar, cortar aos mesmos de sempre, cortar muito, cortar ainda mais, cortar tudo. Cortar seria a solução. Cortar não resolveu. Por isso, sustenta-se que há que cortar mais e mais. Mas cortar piorou uma situação que já não era nada boa. É para continuar a cortar? Torna-se difícil aguentar por muito mais tempo a miragem de recompensas a sacrifícios que parecem não ter fim. Os resultados são cada vez mais catastróficos. Por isso, montou-se um espectáculo.

ontem, o sermão anual da OCDE mereceu um destaque nunca visto em edições anteriores. Teixeira dos Santos colou-se ao circo que foi montado: “estes senhores é que sabem, temos que cortar ainda mais”. O FMI e a OCDE não votam. Mas mandam. Passos Coelho não quis ficar sem aparecer e promoveu espectáculo semelhante, este com cançonetistas do corte nacionais, até com campanha presidencial.

Fora disto, dois minutos nos telejornais foram muito pouco para que quem discorda pudesse mostrar que existe outro caminho. E existe. Meio minuto foi ainda menos para abordar a ilegitimidade de poderes não eleitos interferirem, como interferem, nos destinos de milhões de europeus. Na sua vez, como habitualmente, o pensamento oficial.

Os mercados necessitam de confiança, disse-se e repetiu-se, para justificar a promoção de um enriquecimento que parece ser um direito adquirido e um empobrecimento invariavelmente apresentado como dever patriótico. Os europeus também precisam de ser acalmados. Um dia chega bem para torná-lo bem claro. Mostrar quanto e quantos rejeitam ser o factor de ajustamento de um sistema para o qual, há muito, as pessoas deixaram de ser uma prioridade. Amanhã, 29 de Setembro, é dia para ninguém deixar o inconformismo sozinho em casa

 
At 30 de setembro de 2010 às 21:25, Anonymous Anónimo said...

PEC 0, recessão. PEC 1, mais recessão. PEC 2, ainda mais crise. E PEC 3, muito bem, grande coragem, só pecou por tardio. Esta idiotice é uma das versões mais difundidas pelo exército de comentadores do regime. Entende-se.

Se o exercício de antecipação das medidas ontem anunciadas para o momento 0 deste corte progressivo de salários e direitos não é difícil de fazer, a antecipação das suas consequências também o não é: mais austeridade e menos salários têm-se replicado em mais desemprego e menor crescimento, logo, em contas públicas cada vez mais deficitárias. Aqui e onde seja. Tem sido assim e continuará a sê-lo, sobretudo se se mantiver o actual paradigma de ortodoxia orçamental contextualizada num clima de chantagem de uma especulação que o BCE continua a financiar.

Como tal, a antecipação da austeridade presente teria produzido versões 1, 2 e 3 do PEC ainda mais duras, tão duras como as versões 4, 5, 6 e seguintes, que agora se perspectivam. Estaríamos hoje, como estaremos num futuro não muito distante, a ouvir larachas sobre inevitabilidades tão evitáveis como a subida do IVA para 30 por cento, a abolição do rendimento social de inserção, a limitação das pensões de reforma a um limiar de sobrevivência, a redução para metade do subsídio de desemprego ou a privatização da Saúde e da Educação e respectivo despedimento colectivo. É aqui que querem chegar. Seria aqui que já teríamos chegado se a brutalidade não pecasse por tardia. E é aqui que não podemos deixar que cheguem. Este é um caminho sem regresso. Há que mudar políticas. Antes, porém, há que varrer da História toda uma geração de obreiros do desmantelamento da Europa que foi e do país que poderíamos ter sido. Desinformadores incluídos.

 

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