sexta-feira, 21 de outubro de 2005

MANIFESTO ANTI - CAVACO SILVA


Bastariam os tique autoritários de Cavaco Silva ou aquela postura de salvador da Pátria para eu rejeitá-lo, o contacto com a história deste país levou a que tivesse alergia a este tipo de personagens. Mas há mias razões, muitas mais razões para rejeitar Cavaco Silva e ainda muitas mais para detestar o cavaquismo.

Cavaco o ministro das finanças competente que encaixa no imaginário ruralista da direita portuguesa?
Mas não foi um Cavaco que quando foi ministro das finanças que revalorizou o escudo com objectivos eleitorais, obrigando o país a ir mais uma vez mendigar para a porta do FMI?

Cavaco o presidente que velaria pelo bom desempenho do governo?
Mas não foi Cavaco que teve ministros com uma Manuela Ferreira Leite na Educação, Braga de Macedo (o do oásis) nas Finanças, o Borrego das anedotas de mau gosto no Ambiente, e muitos outros que só o tempo levou a que já não façam parte do anedotário?

Cavaco o homem que vela pelos interesses da Nação?
Mas não foi Cavaco que governou em função das sondagens eleitorais, que inventou as corridas às inaugurações e os aumentos da pensões no fim dos mandatos?

Cavaco o candidato não partidário?
Mas não foi com Cavaco que todos os que eram nomeados para cargos dirigentes na administração Pública era “convidados” a inscreverem-se no PSD, para depois participarem em mega-cerimónias de boas-vindas ao partido?

Cavaco está preocupado com a situação difícil do país?
Mas quando abandono o governo não deixou as finanças públicas num estado bem pior do que o actual, muito devido à nomeação do pior director-geral que passou pela DGCI? Mas a crise profunda que o país atravessa não resulta do seu modelo económico?

Cavaco quer ajudar o país?
Mas não teve uma excelente oportunidade de o fazer apostando no ensino ou outros sectores como a investigação em vez de estoirar os fundos comunitários em cimento, alcatrão e automóveis de luxo para os que enriqueceram á sombra do seu poder?

Cavaco o homem honesto?
Mas não foi com Cavaco que gente que nunca foi nada na vida se transformaram rapidamente em banqueiros? Não foi com o cavaquismo que a corrupção, fuga ao fisco e o enriquecimento rápido se tornaram fenómenos asfixiantes do desenvolvimento do país?

Cavaco o respeitador da democracia e da Constituição?
Mas não era ele que designava todas as instituições por forças de bloqueio? Desde a Presidência da República ao Tribunal de Contas não eram todas forças de bloqueio?

Cavaco o estadista com conhecimento internacional?
Mas alguém, além de Durão Barroso, o conhece depois de passar a IP5? Que se saiba na Europa só deverá ter uma leve ideia do ex primeiro-ministro português a pensionista Margareth Teatcher

Cavaco o candidato por imperativo de consciência?
Também foi por imperativo de consciência que ajudou à derrota eleitoral de Fernando Nogueira e que derrubou o governo de Santana Lopes, para que não houvessem impecilhos no caminho da sua ambição presidencial?

Cavaco?
Quem não o conhece que o compre…


JUM

26 Comments:

At 21 de outubro de 2005 às 16:15, Anonymous Anónimo said...

Os ciclos da predominância da direita e da esquerda no poder em Portugal são já relativamente grandes. Eu não quero estar no lugar, nem dos que dividem a esquerda nem dos que a violentam.

J

 
At 21 de outubro de 2005 às 17:21, Anonymous Garcia Rocha said...

JUM,

A sua ignorância sobre a vida e obra do Prof. Cavaco Silva é fascinante. Mais: não sabe patavina de história contemporânea!

 
At 21 de outubro de 2005 às 17:22, Anonymous Garcia Rocha said...

JUM,

A sua ignorância sobre a vida e obra do Prof. Cavaco Silva é fascinante. Mais: não sabe patavina de história contemporânea!

 
At 21 de outubro de 2005 às 17:32, Anonymous MANUEL said...

Agora que Cavaco é candidato presidencial, vão voltar em força exercícios revisionistas e demagógicos sobre o seu consulado enquanto Primeiro-Ministro.
Não se discutem projectos, não se discute a obra nem o legado, não se discute sequer ideologia. Perora-se, de forma avulsa, para não dizer intelectualmente desonesta, sobre o passado tentando reescrever a história, e à mingua de ideias para o futuro.

Atente-se pois na prosa de um certo JUM, que até costuma ter piada, quando a fidelidade ideológica não lhe tolda de todo o discernimento.

Cavaco o ministro das finanças competente que encaixa no imaginário ruralista da direita portuguesa?
Mas não foi um Cavaco que quando foi ministro das finanças que revalorizou o escudo com objectivos eleitorais, obrigando o país a ir mais uma vez mendigar para a porta do FMI?


Esta é boa. Tão boa que foram precisos passar mais de trinta anos para que alguém viesse com esta curiosa teoria, sobre o legado de Sá Carneiro como Primeiro-Ministro. Não dá para levar a sério.

Cavaco o presidente que velaria pelo bom desempenho do governo?
Mas não foi Cavaco que teve ministros com uma Manuela Ferreira Leite na Educação, Braga de Macedo (o do oásis) nas Finanças, o Borrego das anedotas de mau gosto no Ambiente, e muitos outros que só o tempo levou a que já não façam parte do anedotário?

Argumento curioso. Poderia ser ponderado fosse Cavaco candidato a chefe do governo. É verdade que teve algumas escolhas menos felizes mas, é bom que se diga, no balanço teve dos governos mais equilibrados e ponderados de que há memória.
Por muito 'azar' que tenha tido no avaliar de algumas pessoas nunca teve a infelicidade de ter, e a título de exemplo,... um Pina Moura.

Cavaco o homem que vela pelos interesses da Nação?
Mas não foi Cavaco que governou em função das sondagens eleitorais, que inventou as corridas às inaugurações e os aumentos da pensões no fim dos mandatos?


Tese curiosa. Também aumentou a gasolina antes de eleições. Eleitoralismo refinado ?
Quanto aos aumentos de pensões (nomeadamente a convergência das mais baixas com o salário mínimo), é demagogia barata falar neles quando agora se promove o rendimento mínimo. Este arrazoado cheira aliás a quem nunca se conformou em ter sofrido duas maiorias absolutas de 'direita', nunca admitiu que os portugueses podiam de facto e estar satisfeitos, e se prefer iludir com desculpas baratas.


Cavaco o candidato não partidário? Mas não foi com Cavaco que todos os que eram nomeados para cargos dirigentes na administração Pública era “convidados” a inscreverem-se no PSD, para depois participarem em mega-cerimónias de boas-vindas ao partido?


Foi o autor da frase acima que, num momento de maior lucidez, reconheceu, que no tempo de Cavaco, se priviligiava a competência, em deterimento do amiguismo puro que o próprio JUM reconhecia ser apanágio do PS, e do PSD, pós Cavaco, onde se priviligiou a fidelidade estrita à competência.
Se o governo era laranja, era natural que se escolhessem pessoas dessa área, não ?
Mesmo assim, Elisa Ferreira e muitos outros quadros válidos da área não social democrata não tiveram problemas nessa época, porquê ?


Cavaco está preocupado com a situação difícil do país?
Mas quando abandono(u) o governo não deixou as finanças públicas num estado bem pior do que o actual, muito devido à nomeação do pior director-geral que passou pela DGCI? Mas a crise profunda que o país atravessa não resulta do seu modelo económico?



Este JUM, sobre determinadas matérias devia pedir escusa. Tem demasiados 'interesses' no ramo para ser objectivo a falar sobre a DGCI. Ponto. Quanto à questão do modelo económico, passo. Não há pachora, que vá para os copos com o Dr. Louçã.

Cavaco quer ajudar o país?
Mas não teve uma excelente oportunidade de o fazer apostando no ensino ou outros sectores como a investigação em vez de estoirar os fundos comunitários em cimento, alcatrão e automóveis de luxo para os que enriqueceram à sombra do seu poder?



À distância é fácil dar palpites, muito fácil.
Só que na época aquele modelo político era consensual da direita à esquerda. Onde andava o JUM nessa altura? E depois isto mais do que uma crítica a Cavaco, 20 anos depois, é antes uma crítica ao actual governo - que com a Ota e o TGV mantém a mesma linha de raciocínio...

Cavaco o homem honesto?
Mas não foi com Cavaco que gente que nunca foi nada na vida se transformaram rapidamente em banqueiros?
Não foi com o cavaquismo que a corrupção, fuga ao fisco e o enriquecimento rápido se tornaram fenómenos asfixiantes do desenvolvimento do país?


Não dá para levar a sério.
Os problemas, e hábitos, que existiam vinham de trás (Macau, por exemplo..) e se o crime de Cavaco foi confiar, e algumas vezes confiou mal, então quem não tiver cometido esse crime que atire a primeira pedra.
Não se confunda Cavaco com o cavaquismo.


Cavaco o respeitador da democracia e da Constituição?
Mas não era ele que designava todas as instituições por forças de bloqueio?
Desde a Presidência da República ao Tribunal de Contas não eram todas forças de bloqueio?


Soares, como PR, foi objectivamente no segundo mandato uma força de bloqueio.
Recomenda-se ao autor que leia um livrinho de Estrela Serrano, ex assessora de Comunicação da Presidência da República no tempo de Soares, onde esta explica muito bem a tropelias de Soares.
Quanto ao Tribunal de Contas Cavaco nomeou um independente, da área não social democrata, que veio aliás, a ser ministro das finanças do PS com Guterres.
Chamava-se Sousa Franco. Sócrates nomeou um vice presidente da sua bancada parlamentar.QED.


Cavaco o estadista com conhecimento internacional?
Mas alguém, além de Durão Barroso, o conhece depois de passar a IP5? Que se saiba na Europa só deverá ter uma leve ideia do ex primeiro-ministro português a pensionista Margareth Teatcher


Má Fé. Passo.

Cavaco o candidato por imperativo de consciência?
Também foi por imperativo de consciência que ajudou à derrota eleitoral de Fernando Nogueira e que derrubou o governo de Santana Lopes, para que não houvessem impecilhos no caminho da sua ambição presidencial?


Esta é boa.
Algum PS, e alguma esquerda, detesta tanto Guterres que culpa Cavaco pela vitória deste, também preferiam Santana a Sócrates, mas enfim.
Num caso e noutro Cavaco, provou - mais uma vez - que discernia entre o interesse nacional e o interesse partidário.
Preferiu o interesse nacional. Daqueles casos em que seria preso por ter cão e por não ter - que diriam se - por absurdo - tivesse estado com o Dr. Lopes ?...

Cavaco? Quem não o conhece que o compre…


Há que ser democrata, e respeitar a inteligência e o discernimento dos eleitores...
Fica mal esta pretensa superioridade intelectual, que insinua que só um néscio, cego surdo e mudo pode votar, em plena consciência, em Cavaco...

 
At 21 de outubro de 2005 às 17:44, Anonymous Anónimo said...

Amigos conhecem a história...

Havia um politico lá para os lados de Santa Comba que era um tirano para o seu Povo e certo dia teve o destino de todos os mortais.
Sucedeu-lhe o filho e como também não era boa rolha o povo não gostava muito dele com excepção de uma certa classe politica dita socialista.
Na sua aclamação como Presidente todos gritavam palavras menos próprias, com excepção dum
que gritava viva o Pai da Democracia, Deus lhe dê muita
saúde, o que veio a acontecer, pois parece que não sofre de parkinson ou alzheimar.
O Presidente mandou-o chamar e perguntou: se o povo não gosta de mim, porque razão tu dás vivas e me aclamas como teu Presidente, ao que ele respondeu:
"Olhe o seu avô não prestava, o seu pai era um tirano, você é uma peste, logo o que vier a seguir ainda vai ser pior. Ruim por ruim, fique você..." .
Será este o pensamento de algumas pessoas que aqui no blog defendem um candidato.

 
At 21 de outubro de 2005 às 17:46, Anonymous Anónimo said...

Que saudades daquele dia em que o dentinho Cavaco foi ao dentista, para ser desvitalizado no garrafão da Ponte

O Mário Soares,
rata velha,
em vez de o pôr na rua, deixou-o cair de podre.
Um Governo Osteoporótico.

Na altura,
o Peidas Lourido ainda só era Ministro
(pai, já sou ministro!...)
mandava dar porrada em toda a gente,
uma espécie de miguelista da Lusitânia retardada.
Portugal fazia maratonas de cadeiras de rodas com a Grécia,
para ver qual ficava com a cauda da Europa,
o Grande Timoneiro ia sempre pendurado no estribo,
ao lado do ex-maoísta e neo-oportunista Durão Barroso,
aquela m*erda,
um dia,
descarrilou nas contra-curvas do IP-5,
a ESTRADA ASSASSINA,
-- até a Maria ia para lá andar de trenó,
nos dias de grande humidade
"nunca senti nenhum perigo, havia só aquela emoção da montanha russa da Feira Popular, também só lá andei uma vez, ficava muito longe da Vivenda Mariani" --,
já estamos na linha da frente,
direita
esquerda
volver
o PELOTÃO DA FRENTE,
a patinar no Pulo do Lobo,
o Soares raposão dava gargalhadas na Praia dos Tomates,
o rei vai nu,
"filho, os ossos do teu governo já só parecem uma filigrana...",
as câmaras não largavam aquelas mandíbulas de retro-escavadora,
ao cair dos noticiários,
já só enfardava fatias de bolo-rei,
era Natal o ano inteiro,
-- mas só para alguns --
NATAL, MAS SÓ PARA ALGUNS,
"atão,
professor,
isto vai,
ou não vai?..."
Não sei,
não leio jornais
aliás,
não leio mesmo nada.
O desemprego galgava durão-socraticamente por ali acima,
as gajas dos têxteis todas em casas de alterna,
Setúbal na soleira da porta,
a Agricultura vendida por tuta-e-meia por um labrego com ar de merceeiro
-- varreu-se-me o nome --
O Migâ Amâgàl a fantasmear empresas e a sacar fundos para a amigalhada,
com a mulher fechada num gabinete do Ministério para fingir que não estava louca
-- se for dada como louca, não me posso divorcair,
isola, isola, isola!... -
um outro,
com ar de anémico,
falava de reciclar os hemodializados,
para aproveitar o alumínio,
aliás,
tudo o que metia sangue,
neste Great Portuguese Disaster,
acabava mal,
ai dos hemo deste mundo,
que morerrão contaminados,
reciclados,
porque a palavra de ordem era a de SACAR,
mas saudavelmente:
Santana tratava da Cultura
e a Ferreira Leite da Educação,
o Coelhinho dentolas era Secretário de Estado da Ignorância
-- licenciaturas prâ quê???... ---
THE GREAT PORTUGUESE DISASTER
parecia o Grande Funil dos Analfabetos,
a galope para o fundo do cóccix europeu,
e o outra mascava bolo-rei;
a Maria
-- burra com'às casas --
fazia tricot,
uma mantinha para os dias de Inverno,
que deus no-lo traga brando,
-- roubada no avião, como rezava o Portas --
(Grande voz nessa altura,
VENHA ELE!...)
Querida,
para si,
o Mundo é uma manta e um côdea,
e o Taveira,
por detrás,
a enrabar,
"--Srª Dª. Maria Cavaco Silva,
que pensa das enrabadelas do arquitecto do Regime?...
-- Eu não acredito nessas coisas;
sexo,
só para procriar,
e a semente deixada em vaso próprio,
e mesmo assim, com cautelinha,
cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém...,
mas deixe-me estar sossegada,
que estou a ver um programinha do Carlos Cruz..."
Era tudo tão bom nesta altura,





o dia começava pela manhã e acabava à noite,
a hora era a mesma de Espanha,
para se poder começar a especular e a dar golpadas na Bolsa mais cedo,
ano terrível, de seca,
mas com o sol a pôr-se grandiosamente nas dez horas do seu Verão prolongado,
as vacas ainda não andavam loucas,
e a própria sida levava seis meses a chegar ao sangue,
tempo suficiente para escoar os lotes já comprados,
o BCP surgia do nada e ainda não branqueava capitais,
a Amália era viva,
e viva aquela santa Lúcia que ainda tinha visto a Senhora;
as gripes só constipavam as saloias, e NUNCA as galinhas,
e as Amoreiras eram as Twin-Towers portuguesas,
um pouco mais modestas,
é certo,
mas nós só governamos com o pilim de 3 orçamentos,
o da Europa, o de Portugal, e o das Privatizações,
construímos o Centro Cultural de Belém,
um caixote,
que custou dez anos antes,
o dobro do que iria custar a obra-prima do Guggeheim de Bilbao,
e íamos para a Guerra do Golfo na carcaça Gil Eanes,
um velho porão,
à Solnado,
de transportar sacos de batatas;
os Americanos,
quando viram aquilo,
puseram-no logo num porto de retaguarda,
não fosse afundar-se e bloquear o Golfo,
coisa boa,
o Ministro da Defesa,
sucessor do pedófilo Eurico de Melo,
a reserva moral do P.S.D..,
vice-rei do Norte,
com primeira dama de honor o "Major" Valentim Loureiro,
que distribuía,
já não me lembro bem,
se fogareiros se micro-ondas
(pelo nível, suponho que fossem fogareiros),
o Ministro da Defesa,
sucessor do Vice-Rei dos Putos
-- um borra-botas cujo nome se me varreu --,
quando descobriu que aquilo era mesmo sucata,
foi para o largo dos Açores,
tentar enfiar-lhe o cavername no fundo do Mar,
com munições do tempo do Gungunhana,
aquela me*rda estoirou fora do previsto,
era Sua Excelência aos berros,
PREGO A FUNDO!...
que ainda apanhamos com algum estilhaço nos cor*nos!...,
e apanharam,
e não foram poucos,
a raiva popular todos os dias lhes dava com estilhaços nos co*rnos,
eram ministros das finanças atrás de ministros das finanças,
com as contas públicas no mais vergonhoso descalabro,
E o Cadilhe,
e a pirosa casa do Cadilhe, nas Amoreiras,
e o Borges de Macedo,
parecia um pelicano,
com a queixada a arrastar,
e a Ferreira Leite posta na rua,
porque já nessa altura trocava os zeros todos,
era o PAÍS DOS ZEROS,
dos zeros do Catroga,
dos zeros do Lá Féria,
dos zeros da Beleza e dos irmanastros,
da Beleza velha, que dava golpadas na secretaria do Ministério da Saúde,
dos zeros da Dona Branca,
dos zeros do Pedro Caldeira,
dos zeros dos poemas de um labrego que era deputado, e fazia rimas à Manel Alegre,
mas ainda mais pobre,
dos zeros dos putos sacados pela noite à Casa Pia, para visitarem Ministros e Embaixadores,
"-- Srª. Dª Maria Cavaco Silva, que pensa da Pedofilia?..."
"-- Credo, que horror, graças a deus que essas coisas não "há-dem" haver nunca em Portugal!... Olhe, desculpe não lhe poder dar mais atenção, mas estou a ver este programa cultural do Sr. Nicolau Breyner..."
Dos zeros e da pobreza,
apesar dos 3 orçamentos,
mas como poderia haver orçamentos que resistissem, com tanta mão a ROUBAR!...
ERA SEMPRE NATAL, MAS SÓ PARA ALGUNS,
Foi-se à urnas e levaram duas carimbadelas
de seguida
"NÃO!...",
nas Legislativas,
e "NÃO!..." no Cavaco para Presidente,
coitado, pensava que se branqueava em dez semanas de DEZ ANOS de imundície, pilhagem e regresso à barbárie.
Nem dez anos,
nem cem anos, filho!...
THE GREAT PORTUGUESES DISASTER!...
Foram todos votar na fraca figura do Sampaio,
eram os comunas todos,
defronte do Altis,
com carrancas do Cavacão a fazer ão-ão,
"TIREM-ME DAQUI ESSES GIGANTONES!...",
vociferou o cavaleiro da fraca figura,
e lá foram,
não fosse algum esclorosado de 2005 se lembrar de os ir buscar para restituir à vida,
ou à paródia da vida.
ó Peidas,
telefona ao teu pai a dizer que já és ministro!...
Pai,
já sou ministro,
deixe a bomba de gasolina,
e arranque essa placa infame:
em Boliqueime já não há fossa,
nem poço,
nem rasto de poço:
agora há fonte...
e que fonte:
Uma vera fonte de detritos sólidos...

 
At 21 de outubro de 2005 às 17:50, Anonymous JOSÉ said...

Caro Anônimo:

O comentário fino até que está bem tirado.
Mas assim, em profusão, torna-se comentário a concorrer com nonós que não tardam muito aparecem por aí a enxamear as caixas com o habitual e divertido " deixemo-nos de fofoquices limianas..."
Quanto ao Cavaco, não gosto da pessoa política.
Não conheço a pessoa em si mesma, nem me interessa.
COmo pessoa política, tem algum interesse o discurso que ontem fez.
Pareceu-me o discurso do senso comum que pugna verbalmente pela estabilidade goverantiva e que assegura longa vida aos governos que virão.
Não serve de muito se os governos que virão forem contrários à lógica de economista enunciada.
O discurso de Cavaco, ontem, parecia o discurso de quem vao concorrer à chefia de um governo e não para presidente da República.

Sendo este cargo, como é, de representação do Estado e de garantia pelo funcionamento das instituições democráticas, pergunta-se:

Que conhecimentos tem este Cavaco de 2005, do funcionamento de certas instituições como são as que não dependem de conhecimentos económicos ou universitários?

Cavaco saberá como funcionam as Forças Armadas? E terá ideias concretas e precisas sobre isso?
Duvido muito.
Saberá como funciona o sistema de justiça que temos e qual o papel institucional reservado à magistratura judicial e do MP?
Duvido muito, muito.
Saberá o que é preciso para devolver a todos os portugueses o orgulho em ser português?!
Aí, duvido muito, muito, muito!
Aliás, até nem duvido: tenho a certeza que não sabe!

E era isso que eu gostaria mais que ele soubesse.
Mas um pessegueiro não pode dar nêsperas, para não citar o intelectual que falava na lagartixa...

 
At 21 de outubro de 2005 às 21:10, Anonymous Anónimo said...

CLARO QUE NÃO...ELE AINDA PENSA NA ASSEMBLEIA NACIONAL!

 
At 22 de outubro de 2005 às 03:53, Anonymous Anónimo said...

Se não for o Cavaco é mais um socialista. E não acham que já há socialistas a mais a mandar neste país? Criticar Cavaco por ser autoritário até dá vontade de rir quando comparado com José Sócrates, taveira Pinto; Manuel Carrilho e companhia... O que é que são os socialistas? Uns hipócritas. Quando não estão no poder, é só preocupações sociais, quando se apanham no poder são piores do que a direita mais reaccionária.

 
At 22 de outubro de 2005 às 03:53, Anonymous Anónimo said...

Se não for o Cavaco é mais um socialista. E não acham que já há socialistas a mais a mandar neste país? Criticar Cavaco por ser autoritário até dá vontade de rir quando comparado com José Sócrates, taveira Pinto; Manuel Carrilho e companhia... O que é que são os socialistas? Uns hipócritas. Quando não estão no poder, é só preocupações sociais, quando se apanham no poder são piores do que a direita mais reaccionária.

 
At 22 de outubro de 2005 às 03:56, Anonymous Anónimo said...

Esta conversa de direita e esquerda já cheira mal. Ponham os olhos em Taveira Pinto! Tem aí o vosso modelo da esquerda democrática socialista.

 
At 22 de outubro de 2005 às 03:58, Anonymous Anónimo said...

Vocês andam sempre a descascar no Taveira Pinto, mas quando chega à hora da verdade com quem se identificam mesmo é com ele. Sabiam que Taveira Pinto também é contra o Cavaco Silva por ele ser autoritário?...

 
At 22 de outubro de 2005 às 10:26, Anonymous Anónimo said...

E V.Exa identifica-se com quem?

 
At 22 de outubro de 2005 às 15:23, Anonymous Anónimo said...

Não me identifico de certeza com gente com duas caras. Um grande amor ao pobrezinho quando está na oposição e um grande amor ao capital quando está no poder. O que é que tem sido Mário Soares. Chora baba e ranho pelos espoliados mal sai do poder, mas quando lá se apanha só gosta é de gente conviver com o peixe garúdo e usar o dinheiro do Estado para fazer uma vida que só as maiores fortunas da Europa conseguem fazer. O Cavaco, tal como o Ramalho Eanes, nota-se menos a diferença quando não estão no poder. Repugnam-me os hipócritas... E dizer que Cavaco não pode ser um bom presidente porque foi um mau primeiro-ministro dá vontade de rir. Então e Mário Soares? O que foi ele como primeiro-ministro? Uma vergonha.

 
At 22 de outubro de 2005 às 15:26, Anonymous Anónimo said...

É natural que o pessoa cá da ponte de sor goste do mário soares... se até deram maioria absoluta ao taveira pinto. são os dois do mesmo género antes das eleições oferecem tudo a toda a gente e são uns gajos porreiros, mal se apanham no poleiro é o que se sabe. Comer, beber e viajar à conta do orçamento de Estado e os pobres que paguem a crise. Vviam os amigos! Morte aos inimigos!

 
At 22 de outubro de 2005 às 17:59, Anonymous Anónimo said...

Efectivamente a guerra está a ser de novo entre esquerda e direita.

 
At 22 de outubro de 2005 às 18:41, Anonymous Anónimo said...

Mais concretamente, é entre justos e injustos. Mas, neste caso, os injustos são da direita.

 
At 24 de outubro de 2005 às 14:29, Anonymous Fernando Sobral said...

Portugal manteve durante demasiado tempo tréguas com uma paz aparente.
Aquela que insinua que amanhã se poderá resolver sempre o que hoje foi impossível de fazer.
Portugal tornou-se uma repartição pública kafkiana.
Desesperam os que lá têm de ir, sofrem os que estão por detrás dos «guichets».
Ninguém tem a culpa.
Ela está algures ao lado, em cima ou em baixo.
Depende do momento.
Depois de terem oferecido a hegemonia a Sócrates e de lhe terem tirado o tapete nas autárquicas, os portugueses deparam-se com uma missão quase impossível: escolher o Presidente perfeito para os próximos anos. Como se sabe, quem está em Belém não governa.
Apenas pode incentivar medidas ou reformas que deveriam ter sido feitas há 100 anos.
É difícil, seja para Cavaco, para Soares ou para Alegre.
Um Presidente não se substitui ao Governo por muito que no imaginário português se pense que quem está em Belém tem mais poder de decisão do que quem está em São Bento.
Um novo Presidente não resolve, com um gesto mágico, os problemas que o país foi colocando no seu cofre de fraquezas intransponíveis.
Já não há salvadores que cheguem num cavalo branco.
Há apenas a esperança que a Belém chegue alguém com bom-senso.
Algo que, na voracidade predadora do país, possa dizer simplesmente: basta!

 
At 25 de outubro de 2005 às 12:30, Anonymous Jorge Costa said...

Lapsus Linguae

Finalmente na passada 5ª feira, dia 20 de Outubro, acabou o tabu. Cavaco Silva desvendou o segredo de polichi¬nelo, anunciou a sua candidatura à Presidência da República.

Quando há uma década, numa conversa em família, nos disse que abandonava os negócios de Estado para ser baby-sitter dos netos, fugiu ao julgamento eleitoral nas legislativas que se aproximavam.

Nessa altura, porque não fosse necessário ou o seu trabalho com as crianças não fosse suficien¬temente estimado pela família, após um arrastado tabu resolveu regressar à política activa com a candidatura a Presidente da República contra a de Jorge Sampaio.

O resultado é conhecido.

O eleitorado, de quem ele anteriormente fugira como o Diabo da cruz, que contrariamente ao que muitos pensam não tem memória curta, castigou-o com uma derrota clara.

A imagem que sempre tentou fazer passar e que agora reafirma é a do não político. Contraditório, se recordarmos que após a sua primeira experiência governativa com Sá Carneiro sempre esteve envol¬vido em conspirações contra os diversos líderes do seu partido, antes e depois dos seus 10 anos de lide¬rança. Para um não político (?) não se saiu nada mal.

Autoritário como primeiro-ministro, sempre demonstrou um profundo desprezo pela imprensa que dizia não ler, pelos adversários a quem recusava a hipótese do contraditório e ainda pelos mecanis¬mos democráticos de controlo.

Sustentado por maiorias absolutas, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que se dignou descer do Olimpo e ir à Assembleia da República discutir as suas políticas, até em duas campanhas recusou os habituais debates eleitorais, com o falso argumento que serviam para escolher o candidato pela cor do fato. Mistificava as razões da vitória do célebre debate de Kennedy ver-sus Nixon, que segundo ele teria sido o fato cinzento a vencer o preto. Reescreveu a história, pois todos os analistas da época e actuais concordam que foi a pergunta de Kennedy se algum americano compraria um carro usado aquele senhor que verdadeiramente o fez vencer o debate.

Para não recordarmos a famosa tese das chamadas forças de bloqueio.
Antes do 25 Abril como assistente universitário, contrariamente a outros pares, assistiu com irritação à contestação universitária ao regime. Como a política dos apolíticos é a política do status quo, nem que fosse por omissão era na prática apoiante do Estado Novo e da sua orgânica.

Daí, talvez com alguma nostalgia, a sua referência à Assembleia Nacional— entidade extinta há mais de 30 anos— no anúncio de candidatura.

O novo D. Sebastião da direita portuguesa apresenta um percurso completamente mistificado, como já se viu reescreve a história a seu belo prazer, a sua tão falada rodagem até à Figueira da Foz sabe-se hoje não ser mais que uma bem urdida e sucedida manobra de bastidores para o alcandorar ao poder.

Ilustra bem o aforismo popular de ser capaz de dizer que Deus não é Deus se isso lhe convier.

Teorizador do monstro do défice sabe bem do que fala pois foi o seu criador, Miguel Cadilhe dixit. Os agora tão falados e contestados privilégios dos funcionários públicos foi ele que os concedeu, quando deixou S. Bento o défice era de 9 por cento. Quando entrou estávamos na cauda da Europa e nela ficamos na sua saída, apesar do tão propagandeado desejo de nos colocar no pelotão da frente.

Uma análise profunda da sua acção leva-nos à conclusão que não passa de um hábil gestor de silêncios, interrompidos de quando em vez com uns bitaites para não cair no esquecimento público. O sebastia¬nismo português faz o resto.

O seu convencimento messiânico é tanto que na mesma declaração utilizou o eu majestático, para a propósito do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, se assumir antecipadamente como Presidente.

Apesar dos 10 anos que leva de reciclagem na tentativa de criar uma imagem mais humanizada, a verdade é como o azeite vem sempre ao de cima, e quando se distrai ou entusiasma a sua ver¬dadeira essência fica a descoberta ou como popularmente se diria foge-lhe a boca para a ver¬dade. Os dois lapsus linguae referidos, o da Assembleia Nacional e o de se auto-intular Presi¬dente, são disso bem ilustrativos.

Freud chamava-lhe actos falhados e explicava bem isso numa obra notável, a Psicopatologia do Quotidiano.

Com estas características como nos poderá merecer a confiança em Belém?

Na actual conjuntura e face às opções em presença, eu também não tenho dúvidas.

Pelo seu passado, pelo seu presente e pelo nosso futuro colectivo, apoio activamente a candidatura de Manuel Alegre à Presidência.

…Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!

 
At 25 de outubro de 2005 às 12:40, Anonymous Luisa Amaro said...

É simples, a razão do meu apoio

Não preciso de elaborar muito. Perante o panorama nacional, o estado da República, o mau estado da cidadania e a perda de valores, só vejo perfilar-se um homem que garante ser a referência para a Magistratura de Influência do que interessa.
Manuel Alegre apresenta-se, como a Constituição determina, independente das máquinas partidárias e em defesa de princípios que me são caros.
Alegre, representa a vontade de melhorar a qualidade da nossa democracia, não se submete a lógicas clientelares e afronta os poderes instalados.
Manuel Alegre é referência de luta pela liberdade e garante da construção participada da democracia.
É a esperança de podermos sonhar com um amanhã mais decente e mais inclusivo.
Manuel Alegre respeita, sempre respeitou, a Constituição. Reconhece as competências de cada Órgão de Soberania, sabe distinguir os seus poderes e não se esconde no silêncio quando é preciso defender a autonomia de cada um deles.
Sabe, por exemplo, já o disse vezes sem fim, que não é possível continuar a brincar com mulheres que têm sido ultrajadas em relação à IVG, quando a Assembleia da República tem todas as condições de solucionar a questão sem delongas.
Há mais, muitas mais razões para o meu apoio total a esta candidatura mas, para já, bastam estas.
Estou de alma e coração com a única candidatura capaz de devolver aos portugueses a base cívica para o desenvolvimento, alicerçada naquilo que tanta falta nos faz:
Voltarmos a ter orgulho da nossa Pátria, da nossa democracia e da nossa capacidade de participação e construção.

 
At 25 de outubro de 2005 às 13:00, Anonymous Irr said...

Razões para não votar em Mário Soares (nem em Cavaco Silva)

Para alguém que sempre se identificou com a àrea socialista, sem nunca ter deixado de ser crítico quando se justifica, que nasceu politicamente numa altura em que Mário Soares era um Presidente activamente envolvido em defender o país de uma proto-ditadura pessoalizada por Cavaco Silva (pode ser uma descrição dura, admito até que controversa, mas é a minha) é contranatura não apoiar novamente o velho leão.

Importa abrir um parêntesis para explicitar que falo em proto-ditadura não porque houvesse repressão social (apenas pressão), presos políticos ou censura (afinal, estamos a falar dos anos de glória do Independente) mas porque havia um dirigente do país que achava que o povo, a opinião das pessoas, a imprensa escrita, as instituições de controlo, aqui se incluindo o Parlamento, o Tribunal de Contas, o Tribunal Constitucional e a Presidência da República, eram meros obstáculos à sua visão do país, em vez de serem, como são, fontes de legitimidade para o exercício democrático do poder.

Esse tipo de visão pode ser reconduzida com propriedade, acho, à ideia de Despotismo Iluminado, cujas origens remontam, na sua forma "moderna", à família real francesa. E assusta qualquer um que tenha embutido no código genético a qualidade de democrata. A somar a isto existiam práticas hoje esquecidas, como a de fazer acompanhar manifestações juvenis de polícia de choque e serviços de informação. Ou aquela imagem de político acima da política. Memórias que importa não perder.

Adiante, não que me pareça que a maior parte das pessoas consiga passar do aparte. Mas isso é da vida.

O que me leva a não votar em Mário Soares é reconhecer nesta candidatura um grau de perversão da democracia em nada inferior ao que acima mencionei.

Falo, naturalmente, de uma certa pessoalização do poder, numa forma de república pervertida a favor da busca de um poder familiar, numa tentativa em quel se identifica um certo toque de desespero ou alienação, não sei bem qual, cujas origens se desconhecem.

Ademais, não vejo que um Mário Soares com 80 anos possa fazer alguma coisa que não tenha podido fazer com 60 ou 70 anos, antes pelo contrário. Não estou a usar a idade como argumento, note-se, diria o mesmo se o candidato tivesse 60 anos e tivesse sido presidente dos 40 aos 50.

O velho adágio de que não se deve voltar a um local onde se foi feliz devian aplicar-se mesmo contra a contade do próprio.

A bipolarização pretendida pelo PS não me serve, portanto. E temo bem que não sirva à maior parte da esquerda. Isso explica, em larga medida, a viabilidade da candidatura de Manuel Alegre.

Que, contudo, também não me convence. Aquele perfil do poeta-político esconde um político de carreira, com os vícios próprios de todos eles. Incluindo, embora em menor escala, quer a tentativa de colagem à imagem de outsider que Cavaco tão bem cultiva quer as idissiocrancias familiares que são tão patentes em Soares.

Resumindo, com meia dúzia bem contada de candidatos à esquerda nenhum me convenceu ainda.
O meu voto está disponível para quem me convença em campanha eleitoral. Ou isso ou será em branco.

 
At 25 de outubro de 2005 às 16:04, Anonymous MANUEL said...

equivocos e presidenciais...

Enquanto o candidato oficial do partido do Governo, a Presidente da República, sente necessidade de explicar que 'também' ele garante a estabilidade política, o que não deixa de ser sintomático e revelador, continuam os balanços sobre o cavaquismo. A este propósito convém recordar uma prosa já antiga, publicada em Julho, onde se tentei colocar as coisa na sua devida dimensão.Até porque, sendo legítimo não gostar, de Cavaco, convinha que se dissesse explicitamente a verdadeira razão porque não se vota em Cavaco, a qual me parece ser, na esmagadora maioria das vezes, estritamente ideológica e derivada da tradicional 'superioridade intelectual' das esquerdas, mais do que baseada numa análise concreta e racional...
Já o escrevi, por aqui, em tempos - que tecnicamente não sou um cavaquista, mais, duvido muito que o cavaquismo, tal como é apresentado por detractores e adeptos, alguma vez tenha existido. Dito isto, é penoso, verdadeiramente penoso, assistir recorrentemente a uma espécie de coligação entre uns e outros com vista a reescrever o passado, que nunca é apresentado como foi mas ou mitificado ou diabolizado. Por estes dias é dislate, atrás de dislate, uns donde se esperaria, outros nem tanto.

O Prof. Cavaco, e a sua governação, é assim apresentado ou como a fonte de todas as virtudes, ou como a raíz de todos os males, não havendo, ao que parece, espaço nem para o meio termo, nem para um mínimo de sensatez. Falta a uns e a outros um mínimo de humildade, a uns, reconher que Cavaco foi de facto o melhor primeiro-ministro da Democracia Portuguesa, e a outros, que tendo sido um excelente primeiro ministro, e até por via da sua qualidade humana, cometeu erros, alguns grandes.

Parece contudo, que não é por via do que Cavaco fez ou deixou de fazer enquanto foi primeiro-ministro que agora - em meu entender - deixa de ser a personalidade adequada para exercer o cargo de Presidente da República. O prof. Cavaco é - no momento - o presidente da república ideal essencialmente por aquilo que fez, e não fez, sobretudo desde que deixou de ser primeiro ministro.

Alguns apontarão a alegada frieza do personagem, outros a alegada falta de cultura, outros ainda o não elitismo do natural de Boliqueime como factores que o desqualificam para o cargo mas, no balanço das virtudes e defeitos, e até por via da sua própria evolução pessoal, Cavaco personifica o cocktail ideal que se espera do próximo presidente da República.

Ao contrário do que se pode dizer de outros - vide o Dr. Soares - nunca, mas nunca em tempo algum, se viu o professor Cavaco interferir desde que abandonou a actividade política activamente na mercearia política. Desligou-se completa e cabalmente do PSD, deixando-o entregue ao seu destino. Todas as intervenções do Professor Cavaco o foram dirigidas ao país, e ao sistema político em geral, abstraídas de questiúnculas partidárias, e grosso modo sempre dessa forma foram - a seu tempo - assim interpretadas. Mais, foi o primeiro a chamar a atenção para o monstro - em tempo de vacas gordas - pelo que não deixa de ser soez a acusação de que o pai do dito é afinal ele (factualmente Portugal e Espanha só começaram a divergir com Guterres já Primeiro-Ministro...). Dito isto, só por má-fé ou manifesta ignorância é que se pode insinuar que Cavaco será - por definição - um Presidente belicoso vocacionado para salvar e vingar a honra das direitas (mas quais ?). Cavaco, ao longo do tempo, sempre demonstrou um apurado sentido de estado e de responsabilidade que o levaram aliás a ser acusado por (ex?!) correlegionários seus de traidor já que ainda no Verão passado pôs claramente os interesses do país - face aos delírios santanistas - à frente dos da força política de que foi líder.

Há - é claro - um fantasma que persegue o Prof. Cavaco - os proclamados cavaquistas. Acontece que ao contrário de outros, e mais uma vez temos a inevitável comparação com o Dr. Soares, nunca o Prof. Cavaco fez questão de ter uma corte, uma quota, ou uma seita, à diposição, nunca, do Além, negociou lugares ou deixou que os regateassem em seu nome, percebendo sempre, e em todo o momento, rigorosamente qual era o seu lugar. É verdade que deixou um estilo, estilo esse pessoal e intransmissível, impassível de ser imitado. O cavaquismo é se o quisermos uma mistura blended de competência e eficâcia, associada a uma gestão política apurada e nunca - como muitos, até auto-proclamados cavaquistas, o querem pintar - uma mera associação de tecnocracia com carisma.


A votos em Janeiro de 2006 vai um Homem, apenas é só um Homem. Um ex primeiro-ministro que não enriqueceu à custa da política, que não se deslumbrou com o poder, e que enquanto o deteve fez o melhor que pode e soube. É verdade que cometeu erros - a sua falta de sensibilidade - à época - para áreas fundamentais como a educação e a saúde - onde teve tantas políticas (divergentes) como ministros ainda hoje saem caro ao país, sendo que - registe-se - ninguém ao tempo questionou verdadeiramente essas mesmas politicas. É verdade que se enganou em algumas escolhas pessoais que fez, quem não engana ? É fácil - dizer-se agora - que com os recursos de que Cavaco dispôs se faria melhor. Talvez se fizesse, mas outros tiveram tantos ou mais recursos e nem aos calcanhares lhe chegaram. Dentro do - humanamente - possível ninguém fez mais, e melhor, que ele.

Por outro lado Cavaco tem uma característica rara num político - o desprendimento, total e absoluto, pelo poder. Nunca o acusaram de pôr o PSD, e os seus interesses, à frente dos interesses do País, e - recorde-se - quando em consciência achou que não tinha mão no PSD saiu. E se o PSD ao fim destes anos todos ainda não se libertou de alguns dos tiques que levaram Cavaco a afastar-se, ninguém em seu pleno juízo pode acusar Cavaco de verdadeiras responsabilidades. Os tabús, os incompreendidos tabús, são, e foram, apenas e só a corporização da rejeição aos timings do sistema e do politicamente correcto.

Desenganem-se pois aqueles que veêm em Cavaco o salvador, ou o derradeiro redentor. Não é por isso, ou para isso, que Anibal Cavaco Silva deve ser Presidente da República.

Devê-lo-á ser porque - em tempo de crise - Portugal e os portugueses precisam de um referencial de estabilidade, de credibilidade, de alguém que saibam, tenham a certeza, que não tem agendas secretas ou camufladas. De alguém que mais do que deixar uma derradeira herança quer apenas e só servir Portugal.

Mas, há ainda uma outra classe de razões para se desejar que o Prof. Cavaco chegue a Presidente da República. É um facto que o actual sistema político funciona mal, tem vícios, e está, mais dia, menos dia, condenado ao fracasso, e também é um facto que per se não se regenerará tão cedo. Ora, a candidatura de Cavaco Silva não será nunca partidária, uma boa parte do aparelho do PSD abomina-o até, mas popular, basista, não será a esquerda vs a direita, mas sim o confronto entre diferentes maneiras de ver Portugal e o mundo, reconciliará pois os eleitores com o eleito, porque sendo desintermediada e livre de vícios aparelhístico-partidários.

Queira Cavaco e, nesta campanha presidencial que se avizinha, pode iniciar uma autêntica revolução - desde logo ao nível do financiamento - aceitando só e apenas , com toda a transparência, doações dos seus apoiantes, desde logo ao nível da participação, fugindo à habitual triagem aparelhistico-partidária, desde logo ao nível dos temas já que pode falar de tudo sem constrangimentos.

O Prof. Cavaco tem hoje - como ninguém - condições objectivas e subjectivas, de fazer o que o país mais precisa - de pensar sobre si próprio - sem auto-censuras politicamente convenientes - e de olhar para o futuro. Dele não se espera que seja tutor ou fiador de coisíssima nenhuma, apenas que seja um garante de progresso e desenvolvimento.

Associada a este upgrade qualitativo - nomeadamente quando comparado com o perfil do ainda titular do cargo - teremos a inevitável, e que só peca por tardia - requalificação do sistema politico-partidário, à esquerda e à direita. À esquerda por cairem de vez os mitos, à direita, porque o Prof. Cavaco será, não duvidem, o primeiro a distanciar-se, e a exigir distância e responsabilidade, até porque qualquer neocavaquismo para o poder ser terá de ser primariamente descavacaínado...

É, para terminar, redondamente falso que o embate entre o Dr. Soares e o Prof. Cavaco seja o embate entre duas figuras do passado. Se pode ser dúbio que o Dr. Soares tenha evoluído nestes últimos 10 anos (e convinha que ele precisasse de novo a sua interpretação dos poderes presidenciais até para o Dr. Sócrates poder dormir mais descansado), não se percebendo o que pode ter a acrescentar, só por manifesta cegueira é que se pode arguir que o Prof. Cavaco não evoluiu, e sobretudo não aprendeu com muitos dos seus erros passados.

Face ao panorama e para alguns, a tentação abstencionista poderá até ser grande mas, na hora da verdade, a pergunta a que é preciso responder é uma e uma só - num momento de aperto, de crise, de incerteza, em quem se confia para tomar uma decisão dura (e que tanto pode passar por exemplo por deixar cair como por segurar Sócrates, a quem já muitos no PS querem de facto e desde já dar a cicuta), difícil mas necessária ? Em Cavaco? Em Soares ? Quem estará mais livre, e imune a pressões ? Tudo o resto, não sendo assessório, quase que passa para segundo plano.

É por tudo isto, e com o à vontade de quem já criticou e há-de, com certeza, voltar a criticar, que eu não posso deixar de votar no Prof. Cavaco.

 
At 25 de outubro de 2005 às 16:10, Anonymous MANUEL said...

O concidadão "Irr" dá-nos conta das suas "razões para não votar em Mário Soares" e, entre parêntesis, em Cavaco Silva.
Dizendo-se da "área socialista", o referido cidadão diz logo nas primeiras linhas ao que vem: "reclamar" a boa herança do segundo mandato "soarista" que consistiu em "defender o país de uma proto-ditadura personalizada por Cavaco Silva". Ficámos esclarecidos.
Esta "proto-ditadura", nota, teria mais a ver com a famosa teoria "das forças de bloqueio" do que propriamente com características eventualmente fascizóides do então primeiro-ministro, o que já nos tranquiliza um pouco mais. Com alguma tolerância, o nosso autor ainda concede o epíteto de "despotismo iluminado" a essa "proto-ditadura", apesar da "polícia de choque" e dos "serviços de informação".
De repente, o autor "salta" sem mais desta algaraviada básica para o Dr. Soares e, não fosse a menção do nome do "déspota iluminado", poderíamos pensar que continuava vidrado no professor. Mário Soares também não é poupado. A sua candidatura comporta "um grau de perversão da democracia em nada inferior" ao do referido "déspota", com "um certo toque de desespero ou alienação cujas origens se desconhecem" (sic). Perante tamanhas monstruosidades - um "déspota" propriamente dito e um "quase déspota" democrático - o cidadão "Irreflexões" medita sobre a "viabilidade da candidatura de Manuel Alegre" para concluir de imediato que também ele não o "convence".
Que fazer, pergunta finalmente este angustiado homem "de esquerda"?
Ele está, no entanto, disponível para ser "convencido" ou, caso contrário, votará "em branco".
Com o devido respeito, parece que tantas "(irr)eflexões" reconduziram o nosso autor de volta ao seu irreflectido labirinto privado.
Na busca do seu "código Da Vinci" presidencial, tentou achincalhar pelo caminho o que de melhor possuem as duas pessoas que refere expressamente (e, de alguma maneira, a terceira): as suas biografias.
Porém, e como escreve logo de inicio, o autor nasceu tarde para as suas "irr" políticas.
Mas vai sempre a tempo de aprender.

 
At 25 de outubro de 2005 às 16:11, Anonymous Anónimo said...

Boa malha!

NEM CAVACO!

NEM SOARES!

 
At 25 de outubro de 2005 às 17:46, Anonymous Irr said...

O cidadão "João Gonçalves" (nóvel forma de tratamento que adoptarei por esta vez, sem exemplo, mas também sem remorso) decidiu interromper o seu anunciado distanciamento higiénico dos anónimos em geral e deste "blog" em particular para malhar forte e feio no meu texto.

Em primeiro lugar, há que saudar a frontalidade e o atirar das luvinhas para onde elas pertencem, o baú das recordações.
Escrever sem pejo é sempre uma virtude.
Nunca me verão falhar em reconhecer isso mesmo.

Como não me verão falhar em recusar ad limine paternalismos do tipo "o autor nasceu tarde para as suas "irreflexões" políticas". Tarde, cedo, eu lá saberei.
Acho que foi na altura certa. Fui mesmo a tempo de não ter participado no MASP, como o "João Gonçalves" participou. E tenho, porventura, uma ideia do que é nascer para a política diversa. Não considero que isso aconteça quando um jovem se inscreve na Jota lá do sítio, por exemplo.

Além do mais, se os argumentos de autoridade já são pobrezinhos, fazer equivaler antiguidade a autoridade é ainda mais franciscano.
A irmos por aí devia o "João Gonçalves" defender que se votasse em Soares; afinal, quando Cavaco "nasceu" para a política, já o velho leão levava umas décadas de luta. E quanto a isto, estamos conversados.

Quanto a aprender não escolho mestres, mas escolho ensinamentos. Sou homem para ouvir todo e mais algum, do latim mais refinado ao português mais vernáculo (esta resposta é disso bom exemplo) mas guardo apenas aquilo que me é útil.
Caso não raro na blogosfera lusa, embora já tenha sido mais verdade. Não foi, contudo, o caso.

Tirando a constatação do óbvio "dizendo-se da "área socialista"", coisa que efectivamente sou obrigado a reconhecer que disse, e de umas considerações que me abstenho de comentar, ao nível daquela "algaraviada básica" que para ali pontua algures (o insulto ou menoração do objecto da crítica vem logo a seguir aos argumentos de autoridade na minha lista de inutilidades retórico-argumentativas) não aprendi nada de novo.

Gostava honestamente que alguém me tivesse convencido, com factos, que Cavaco Silva era um democrata de gema, que sempre respeitou a oposição na Assembleia da República, e os demais órgãos de soberania, que as cenas com polícia de choque em frente à Assembleia da República nos idos de 90 e os agentes de autoridade armados de máquinas de filmar foram uma alucinação colectiva de uns putos que tinha fumado charros a mais.
Mas sobre tudo isto nem uma palavra.
Silêncios que são reveladores.

Ou que alguém me tivesse explicado as reais motivações da candidatura do Dr. Mário Soares, condescendendo que pode haver quem não acredite naquela conversa da falta de um candidato ganhador à esquerda.

Quando falo de "um certo toque de desespero ou alienação cujas origens se desconhecem" parece que não me terei feito compreender. É verdade que as palavras só imperfeitamente podem expressar pensamentos, mas tinha para mim que estava a ser razoavelmente escorreito.
Erro meu.
Remédio pronto.

Só percebo psicologicamente o impulso do Dr. Mário Soares em candidatar-se ou no desespero da perda de protagonismo pessoal e familiar, num contexto em que percebe que já está remetido aos compêndios da história, e que não lhe caberá nem mais uma linha, ao contrário do que acontece com o seu velho rival, que pode abrir todo um novo capítulo só para si e/ou (proposição dicotómica que pretende expressar a ideia de cumulação ou alternativa) numa certa alienação da realidade, que o faz efectivamente acreditar na sua qualidade de reserva moral da República, e que existe na sociedade um qualquer sentimento colectivo de orfandade fruto do seu afastamento de 10 anos da política activa.

Divago?
Divago sim.
Deixarei de o fazer quando morrer. Só é o meu labirinto privado enquanto não o partilho em público.
O Pedro está cansado de explicar o quão dificil é este tipo de exercício mas também o quão recompensador pode ser.
Não foi, infelizmente, o caso.

Quanto a uma qualquer tentativa de "achincalhar" quem quer que seja e ao respeito que, aparentemente, se tem de ter pelas "biografias", repudio a primeira e desconhecia, felizmente, a segunda.
Vantagens, porventura, da frescura intelectual dos jovens.

 
At 26 de outubro de 2005 às 14:48, Anonymous Miguel C. said...

O manifesto eleitoral de Mário Soares reflecte ideias e ideologia mas também as circunstâncias adversas do candidato. A vantagem de Cavaco Silva, construída sobre uma gestão hábil do tempo político, parece óbvia e limita, a cada passo, a acção e a reflexão dos seus adversários.
O discurso de Soares apresentou linhas para o futuro mas reabriu fracturas que pertencem ao passado - e esse facto só pode ser lido como uma fragilidade. Não se esperava, de facto, que Mário Soares tirasse da gaveta o fantasma da direita revanchista e messiânica. Ou insinuasse o risco de subversão da Constituição e do regime saído de Abril. Nenhuma das afirmações tem aderência com a realidade ou está sequer implícita na candidatura de Cavaco Silva. O pior caminho para Mário Soares seria o de retomar o trilhado pelo seu filho João na batalha autárquica em Lisboa contra Santana Lopes. Viu-se aí no que deu o frentismo de esquerda, uma espécie de brigada do reumático que tirava a despropósito os esqueletos da direita autoritária do armário. A luta contra o fascismo enobrece o curriculum de Mário Soares mas não é o que se espera hoje de um Presidente. Se o candidato do PS insistir nessa deriva do passado, Cavaco poderá dormir descansado.

 

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