quarta-feira, 19 de outubro de 2005

O PODER LOCAL...

O MANEIRAS
"Quando não há nenhuma verdade, é que é fácil haver muitas. Como quando uma doença não tem cura, é que há muitos remédios para a curarem. E é o intervalo entre o ser e o não ser, que é o lugar privilegiado para o vigarista. Justamente porque ele é e não é".
"Pensar", Virgílio Ferreira



O Maneiras tem família e amigos e a família e os amigos são para as ocasiões, porque uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto. O Maneiras também tem inimigos, mas os inimigos, tal como os amigos, é preciso cultivá-los. Assim é que o Maneiras, que conduz democraticamente os destinos do povo, sabe escolher a dedo os amigos e os inimigos e distribui milagrosamente favores e sanções, como quem oferece rosas.

E, os que, por passividade e inércia, não são uma coisa nem outra, ignora-os simplesmente, pois quem não se posiciona não sabe o que quer e quem não se sente não é filho de boa gente. Para os amigos, o Maneiras será eleito para além da sua morte e continuará a dar emprego aos seus filhos, sobrinhos, netos e afilhados. Para os inimigos, o Maneiras usa a causa em proveito próprio e visa particularmente prejudicar os inimigos, engavetando todas as suas legítimas expectativas, fiscalizando os seus menores deslizes e entravando e obstruindo toda a dinâmica contrária, porque isto "quem não é por mim é contra mim." E, porque quem não é por coisa nenhuma também não merece coisa alguma, o Maneiras despreza os que, por passividade e inércia, não são uma coisa nem outra.

O Maneiras sempre se deu bem: votos contra daqui, abstenção dali, o resultado final sempre foi favas contadas!

O Maneiras é tão desinteressado como um carro usado é semi-novo. O Maneiras tem a rodagem de um todo o terreno e o faro de um animal acossado em vias de extinção.

Uma vez por outra, o Maneiras arranja maneira de, sem dar nas vistas, dar um doce ao inimigo, um favor aqui, um finjo que não vejo ali, e, no momento certo, sem se dar conta, o inimigo está encurralado. Se for suficientemente esperto e se quiser que lhe copie o modelo!!!... Mas o inimigo, que, por comodidade, daqui para a frente será conhecido como o Pisco, é um acabado produto democrático: quase obeso, quase meia-idade, quase instalado, bastante aburguesado, muito dependente e quase feito "à maneira" pelo Maneiras. O Pisco nunca suou as estopinhas, nem comeu o pão que o diabo amassou.

E, em vez de lhe copiar o modelo, o Pisco grita aqueles que não são por coisa nenhuma, por inércia ou passividade: eu sou quase obeso, mas também sou quase magro, eu sou quase de meia-idade, mas também sou quase jovem, eu pareço muito dependente, mas já sou quase independente... Na verdade, o Pisco não é o que é - obeso, de meia-idade e aburguesado, curvado e subserviente. É diferente: sendo dependente é quase independente!

Os que não são por coisa nenhuma, por inércia ou passividade, dão consigo a cogitar: "afinal, o Pisco, que só tem olhos para o Maneiras, mente e diz-se diferente apenas porque é quase independente...".

O Maneiras ouve e cala, bem sabendo que quem cala consente.... O Maneiras sabe que o tempo passa, todas as forças diminuem, o fermento "leveda", os vulcões entram em erupção, e os ditos "à boca fechada" dos que por inércia ou passividade não são ainda por coisa nenhuma, podem transformar-se em gritos ensurdecedores, e, os seus dias poderão estar contados. O Maneiras investe em capital de garantia no futuro e espera já cá não estar quando isso acontecer! Nessa altura, um inimigo do Maneiras encarregar-se-á de o levar à sua última morada!

Os que nunca foram por coisa nenhuma, por inércia ou passividade, esses cairão na vala comum!


Joana Rita

2 Comments:

At 19 de outubro de 2005 às 18:11, Anonymous Joana Rita said...

O BUGALHEIRA
"Quando não há nenhuma verdade, é que é fácil haver muitas. Como quando uma doença não tem cura, é que há muitos remédios para a curarem. E é o intervalo entre o ser e o não ser, que é o lugar privilegiado para o vigarista. Justamente porque ele é e não é".
"Pensar", Virgílio Ferreira


O Bugalheira tem família e amigos e a família e os amigos são para as ocasiões, porque uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto.
O Bugalheira também tem inimigos, mas os inimigos, tal como os amigos, é preciso cultivá-los. Assim é que o Bugalheira, que conduz "democraticamente" os destinos do povo, sabe escolher a dedo os amigos e os inimigos e distribui milagrosamente favores e sanções, como quem oferece rosas.

E, os que, por passividade e inércia, não são uma coisa nem outra, ignora-os simplesmente, pois quem não se posiciona não sabe o que quer e quem não se sente não é filho de boa gente. Para os amigos, o Bugalheira será eleito para além da sua morte e continuará a dar emprego aos seus filhos, sobrinhos, netos e afilhados.
Para os inimigos, o Bugalheira usa a causa em proveito próprio e visa particularmente prejudicar os inimigos, engavetando todas as suas legítimas expectativas, fiscalizando os seus menores deslizes e entravando e obstruindo toda a dinâmica contrária, porque isto "quem não é por mim é contra mim." E, porque quem não é por coisa nenhuma também não merece coisa alguma, o Bugalheira despreza os que, por passividade e inércia, não são uma coisa nem outra.

O Bugalheira sempre se deu bem: votos contra daqui, abstenção dali, o resultado final sempre foi favas contadas!

O Bugalheira é tão desinteressado como um carro usado é semi-novo.
O Bugalheira tem a rodagem de um todo o terreno e o faro de um animal acossado em vias de extinção.

Uma vez por outra, o Bugalheira arranja maneira de, sem dar nas vistas, dar um doce ao inimigo, um favor aqui, um finjo que não vejo ali, e, no momento certo, sem se dar conta, o inimigo está encurralado. Se for suficientemente esperto e se quiser que lhe copie o modelo!!!...
Mas o inimigo, que, por comodidade, daqui para a frente será conhecido como o Pisco, é um acabado produto democrático: quase obeso, quase meia-idade, quase instalado, bastante aburguesado, muito dependente e quase feito "à maneira" pelo Bugalheira.
O Pisco nunca suou as estopinhas, nem comeu o pão que o diabo amassou.

E, em vez de lhe copiar o modelo, o Pisco grita aqueles que não são por coisa nenhuma, por inércia ou passividade: eu sou quase obeso, mas também sou quase magro, eu sou quase de meia-idade, mas também sou quase jovem, eu pareço muito dependente, mas já sou quase independente...
Na verdade, o Pisco não é o que é -obeso, de meia-idade e aburguesado, curvado e subserviente.
É diferente: sendo dependente é quase independente!

Os que não são por coisa nenhuma, por inércia ou passividade, dão consigo a cogitar: "afinal, o Pisco, que só tem olhos para o Bugalheira, mente e diz-se diferente apenas porque é quase independente...".

O Bugalheira ouve e cala, bem sabendo que quem cala consente.... O Bugalheira sabe que o tempo passa, todas as forças diminuem, o fermento "leveda", os vulcões entram em erupção, e os ditos "à boca fechada" dos que por inércia ou passividade não são ainda por coisa nenhuma, podem transformar-se em gritos ensurdecedores, e, os seus dias poderão estar contados. O Bugalheira investe em capital de garantia no futuro e espera já cá não estar quando isso acontecer! Nessa altura, um inimigo do Bugalheira encarregar-se-á de o levar à sua última morada!

Os que nunca foram por coisa nenhuma, por inércia ou passividade, esses cairão na vala comum!

 
At 20 de outubro de 2005 às 10:10, Anonymous Anónimo said...

Este post veste mesmo bem a pele do bugalheira.

 

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