terça-feira, 11 de outubro de 2005

O MELHOR DO PODER LOCAL

Depois de assistir ao prós & contras de ontem na RTP:
Envio esta metodologia para mostrar como conquistar o poder ao nível autárquico.
Tirando o cómico da questão e descontando o relaxe total da Justiça em Portugal, julgo que estas etapas merecem uma reflexão mais séria. Ou seja, o recurso à reflexão política é aqui necessário, doutro modo ficamos entalados por generalidades acusatórias que não importa cultivar.
Até porque elas só geram conflitualidade social e também não incentivam a Justiça a actuar com celeridade e imparcialidade - à luz dos factos disponíveis.

Assim, vejamos o:

... MANUAL PARA VENCER UMA CÂMARA:



1. Ter um “Saco Azul”;

2. Abusar do poder;

3. Prevaricar;

4. Cometer peculato;

5. Ter boas relações com o clube de futebol local;

6. Ter contas em zonas francas (opcional);

7. Ser corrupto Activo/Passivo;

8. Fugir aos impostos;

9. Branquear capitais;

10. Traficar influências

11. Oferecer porrada e asneirar em directo - como é apanágio de certos presidentes de aviário...



Dito isto, impõem-se agora tecer a tal reflexão que esta cegada da política lusa nos confinou. Quer dizer, a ânsia de capturar o poder é de tal ordem sofrega que a ideia de desenvolvimento e de progresso não fica estabilizada. E assim sofre alguma turbulência. A imagem da propaganda acaba por se sobrepôr à verdadeira natureza dos problemas que urge resolver. Sem esta discussão prévia - e serena - a ideia de progresso não assenta.

Isto suscita também uma responsabilidade acrescida por parte daqueles que perderam eleições, mesmo que por uma unha negra, como sucedeu em Alter, Sousel, Crato .

Daqui decorre um receio: é que quando a previsão de (vitória) não se confirma, a frustração instala-se perante o inesperado. E aqui o inesperado (mais ou menos consentido) pode traduzir-se em resistência à mudança manifestada através do próprio processo decisório na (in)governabilidade da autarquia.

Esta cadeia de raciocínios leva-nos a uma conclusão maior. A de saber se em certos casos, ou em todos, os perdedores alimentarão a teoria do ressentimento, que dificulta o quadro de relacionamento humano e político ao nível local. O qual impede deliberadamente a sociedade de progredir e de apoiar os seus projectos. Esta situação pode-se agravar e tornar explosiva se, por outro lado, os vencedores inflacionarem o seu ego e se tornarem demasiado arrogantes.

É por isso - pela tal ânsia de ganhar eleições custe o que custar - um pouco por todo o País - que se perdeu a noção da própria Ideia de Progresso, que não pode ser reduzida a uma mera questão interpretativa de resultados eleitorais nesta matemática dos números que, por vezes, nada dizem. Ou dizem muito pouco.

Mas mais grave do que aquela perda da noção de Progresso - perdeu-se também uma outra noção: a de Responsabilidade política, especialmente quando ela era produzida pela sociedade - que agora está irracional, dividida, fragmentada, ambivalente, neurótica, enfim, esquizofrénica.

Uma esquizofrenia explicada em Portugal por dois tipos de comportamentos. Ambos de natureza transcendental: uns prometem aos protugueses o paraíso do progresso; outros o inferno da dominação.

Vendo, por exemplo, a figura trágico-cómica de Valentim Loureiro, com todos aqueles tiques hitleristas, enredado no microfone - entre trejeitos caóticos e as asneiras buçais que o definem em directo - tenho alguma dificuldade em o arrumar em alguma tipologia.
Talvez seja por essa razão que quando ligo o televisor julgo estar no Júlio de Matos. Ou é o Miguel Bombarda??? Até eu já estou louco... de tanto ver...
Contudo, temos um paliativo. Com base numa "estória" que o amigo José Freire me enviou e resume muito melhor toda esta conflitualidade latente, por vezes mesmo explícita e ostensiva, neste Portugal político que está em guerra civil permanente. Apesar de o engº Sócrates, num exercício de plena hipocrisia política, dizer que ela existe em baixas quantidades. Talvez ele devesse ir a Felgueiras e dizer uma coisa à Fátinha, essa grande escapista da democracia da tanga que vivemos em Portugal.




José estava farto da vida!

Um dia resolveu enforcar-se numa árvore. Esta, estava

tão seca, que o ramo quebrou.

Depois, José atirou-se para a frente de um camião.

Nada. Travou a tempo!

Tentou com uma pistola. Encravou.

Pediu ajuda a um amigo. Este, recusou.

Experimentou com veneno. Estava fora do prazo, ganhou

uma valente dor de barriga.

Estava desesperado! Tinha de encontrar uma solução

infalível.

Ligou a televisão, estava a começar o noticiário. Foi

aí que viu a escuridão ao fim do túnel. Era isso! Não

ia falhar!

Saiu, entrou no automóvel, e conduziu em direcção ao

norte. Ao fim de algum tempo, chegou ao seu destino

final. Na praça central de Felgueiras a agitação era

geral. José foi-se entranhando na multidão. Quando

estava bem no centro, gritou com toda a força que lhe

restava:

" QUERO QUE A FÁTIMA SE F---!!! "

O enterro é amanhã, às 9.30 h, na igreja matriz



Pedro Manuel

7 Comments:

At 11 de outubro de 2005 às 10:37, Anonymous Anónimo said...

Rosa desfolhada...

Em quase todos os actos eleitorais assistimos a dirigentes políticos que destacam os aspectos positivos dos resultados, em detrimento dos negativos. De tal modo que, no final, o eleitor confundido não compreende como todos parecem tão felizes. Afinal, todos ganharam.

Ontem foi uma daquelas noites em que isso não aconteceu. O estrondo da derrota do PS foi tão claro que não houve hipótese de disfarçar. Nem algumas vitórias saborosas, como a de Faro, atenuaram a hecatombe socialista a nível nacional. Ora, tudo isto aconteceu, pouco mais de seis meses após a maioria absoluta conseguida nas legislativas de Fevereiro.

Alegou Sócrates, líder do PS e primeiro-ministro, que não se poderiam fazer extrapolações nacionais, em resultados para as autárquicas. De acordo. Porém, não deixa de ser relevante recordar que em todos os locais onde Sócrates se deslocou para apoiar as candidaturas socialistas, mais pareceu um cangalheiro que foi ajudar a espetar um prego no caixão da derrota dos candidatos "apoiados".

Reparem: foi a Moura, onde o CDU tinha ganho por 3 votos, e a CDU ganhou, agora, com maioria absoluta; resolveu alterar o programa para ir a Lisboa apoiar Carrilho, onde algumas sondagens apontavam para empate técnico, e Carrilho afundou-se, sem honra nem glória; foi ao Porto apoiar Assis e, coitado deste, de nada lhe valeu a visita; foi a Alter do Chão, onde o PSD concorria dividido por uma lista de independentes, quem sabe se para confrontar o economista e putativo candidato a líder do PSD, António Borges, e, também aqui, ganhou o PSD, por 10 votos mas ganhou; na sexta-feira, no encerramento da campanha, quando já tinha declarado encerrada a sua participação, resolveu ir a Sintra apoiar Soares, e foi o que se viu.
Sócrates, nestas eleições não só não foi mais valia para ninguém, como parece ter sido algoz de muitas candidaturas. A outros concelhos tivesse ido, e, certamente, mais perdera.

Claro que daqui não se poderão tirar ilações nacionais. Mas que será objecto de reflexão e reposicionamentos internos, disso não restam dúvidas. Os apoiantes de Sócrates que se cuidem. Nessa altura, nem a ocupação descarada do aparelho de estado, lhes valerá.

E mais um rude golpe aguarda as hostes de Sócrates, com a eleição de Cavaco já em Janeiro. O apoio a Mário Soares, revelar-se-á um erro colossal, do qual Sócrates não se conseguirá libertar, ao contrário do que defendem ilustres comentadores.

Com o mar agitado da contestação social, e navegando num barco com tais rombos, como se comportará o PS? Esta uma incógnita que veremos respondida lá para a Primavera.
Entretanto o PSD limitar-se-á a aguardar calmamente, que o poder caia de podre nas suas mãos.
O tempo joga a favor de Marques Mendes.

 
At 11 de outubro de 2005 às 14:30, Anonymous Anónimo said...

Quando o candidato(a) é de um partido,a grande maioria dos casos actualmente, não votamos, ou deixamos de votar, só num, mas em ambos. E, se o candidato(a) estva comprometido com o governo, não votar nele foi também censurar este.
Cada concelho tem os seus timings(tempos) e ciclos, os quais nem um primeiro ministro controla. Não acredito, por exemplo, que o PS tenha perdido em Alter só por lá ter ido o Sócrates, apesar de isso poder ter ajudado.
A nossa politização mostra-se por vezes muito frágil e cheia de preconceitos, votando ainda muitos mais emocional do que racionalmente e por esclarecimento.
E, parece-me, pessoas que só votam ou só são votadas sofrem de um desequilíbrio (quem é perfeito?)que, como todos os desequilíbrios, não abona ao bem estar.
Seguramente que se as melhores partes do Blog forem transformadas em livro, será um livro melhor do que muitos outros, eventualmente um balão de ensaio para uma candidatura de independentes, com ou sem simpatias ...

Joaquim

 
At 11 de outubro de 2005 às 14:49, Anonymous Rita Costa said...

Voto local.
Tratou-se de uma eleição descentralizada.

Localizada em mais de 300 municípios e cerca de 3 mil freguesias. Tratou-se de um voto direccionado. Por isso, sem nexo de causalidade directo com a acção governativa.

São tantas derrotas e tantas vitórias quantos os candidatos em disputa. Mas do conjunto emerge uma só vitória e uma só derrota, entregue a cada um dos dois partidos do arco da governação. Há um tom, uma sensação, uma impressão, um sinal que fica. Saiba o Governo sentir, perceber e reflectir sobre tudo isto, tirando as devidas consequências. Não tanto ao nível da substancia da governação e sim no que á forma respeita. Que saiba rever atitudes, a maneira de estar e de exercer o poder. Muito mais relevantes muito mais escrutinadas quando na posse de uma maioria absoluta. Saiba a oposição posicionar-se em linha com os resultados obtidos. O que não significa questionar a legitimidade e a estabilidade do Governo, mas antes constituir-se como um contrapeso consistente e verdadeiramente alternativo. Depois do sentido de responsabilidade que, em cada acto eleitoral, os portugueses têm demonstrado, saibam também os partidos cumprir a sua parte. É deste equilíbrio que se faz a maturidade de um regime.

Branco. Carmona Rodrigues. Provou que se pode ganhar, fazendo política de maneira diferente. Que não é preciso carreira nem nome de barão nos registos partidários. Que não é precisa toda uma linguagem formatada, recheada de lugares comuns como que uma cartilha que é de regra cumprir nestas circunstancias. Demonstrou que se pode vencer tendo por base a simplicidade dos instrumentos que, afinal, devem ser os essenciais à construção de vitórias sólidas: humildade, competência e dedicação a uma causa. Simples.

Preto. Manuel Maria Carrilho. Nem o cor-de-rosa das revistas que habita lhe serve agora para colorir tão negra derrota. Poderia ter sido de outra forma se a sua própria atitude também tivesse sido outra. Mas de facto, é sempre mais estrondosa a derrota dos arrogantes.

Branco. Rui Rio. O Rio não parou e tão forte foi a sua corrente que chegou à maioria absoluta. Pensou-se levar goleada tal a afronta em não se vergar a tudo quanto ostentasse a sigla de um dos clubes da cidade. Foi fiel ao modelo de jogo por si desde sempre definido, assente num quase obsessivo rigor táctico, e não cedeu aos treinadores de bancada. Entrou forte, sabendo conquistar passo a passo o apoio dos adeptos. E provou que prognósticos só no fim do jogo. Não ganhou uma certa forma de estar na política e no futebol. Ganhou o Porto.

Preto. Política mais futebol. Leva forte machadada o modelo discursivo assente na lógica bairrista, primária e centrado nas paixões motivadas por um clube de futebol. Quem assim cantava, que meta agora a viola no saco. E perceba que há um tempo que já foi e que as pessoas sabem fazer a absoluta distinção entre aquilo que por natureza é assaz distinto. Ainda tentou o candidato do Partido Socialista uma desesperada colagem a esta estafada fórmula. Mas a verdade é que já nem o mercado do Bulhão lhe valeu.

Branco. PSD. Não só aumentou o numero de Câmaras, como até reforçou votações em Lisboa, Porto, Sintra, Cascais. O líder do PSD soube usar a frase certa no momento certo ao dizer que tal resultado demonstrava estar selada a reconciliação dos portugueses com o PSD. Mas conseguiu mais: conseguiu não perder com as vitórias de Isaltino e Valentim Loureiro. Aliás, as declarações deste último, se por absurdo algumas duvidas ainda existissem, confirmam o total acerto da posição tomada pelo Partido Social Democrata.

Preto. Felgueiras, Valentim, Isaltino e a expressão –também mediática – das vitórias destes candidatos oportunisticamente independentes. Independentes de quê?! As televisões deram um palco inusitado a actores de tão baixa categoria. E nós, o publico, tivemos que suportar minutos infindáveis do mais básico e inqualificável discurso populista que argumenta com a força do povo e que arvora princípios de ética e de moralidade sem qualquer sentido de compreensão sobre o seu real significado... vindo de quem vem. Se quem os escolheu não tem mais do que merece, a quem não os escolheu pelo menos deveria ser poupado tão degradante espectáculo.

 
At 11 de outubro de 2005 às 17:00, Anonymous Anónimo said...

Dr. Taveira Pinto,

Candidate-se a Presidente da República.
Salve este país como salvou Ponte de Sor...

 
At 11 de outubro de 2005 às 19:26, Anonymous Anónimo said...

Tem sido assim
que nos temos libertado de muitos...

 
At 12 de outubro de 2005 às 16:15, Anonymous Anónimo said...

O Taveira Pinto ganhou as eleições?
Não admira, porque num concelho de cegos quem tem um olho, é...... paneleiro!
Apenas me congratulo com esta vitória do Taveira porque é neste mandato que o malandro, o corrupto, o cacique irá bater com os costados na cadeia. Nem os padrinhos, amigos do PS o salvam.
A justiça pode tardar mas há-de chegar o dia D.
Depois pode vociferar, ladrar, gritar que ninguém o acode.É uma questão de tempo.

 
At 13 de outubro de 2005 às 14:32, Anonymous Anónimo said...

TANTO INSULTO AQUI POSTARAM...QUE ELE GANHOU! OU QUERIAM SUBTITUI-LO POR ESTA BAIXARIA METIDA A IMTANTES DE MEIA TIGELA?

 

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