quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

OPINIÃO

Uma grande chatice

O projecto democrático português não existe porque nenhum dos dirigentes políticos sabia, ou sabe, o que o País deseja. Se, acaso, o País deseje alguma coisa – a não ser umas boas doses de futebol. A "consolidação" da democracia advém do conhecimento político, da prática cívica, da necessidade cultural. E, também, do confronto de ideias, da polémica, do debate. O encontro de segunda-feira, entre Cavaco e Alegre (SIC-RTP-N), ilustrou as debilidades: o atraso acentua-se num tempo acelerado, que não
"Ao contrário do que o dr. Cavaco julga, a democracia portuguesa não está ‘consolidada’. Se estivesse, ele não era eleito."

VASCO PULIDO VALENTE



O projecto democrático português não existe porque nenhum dos dirigentes políticos sabia, ou sabe, o que o País deseja.
Se, acaso, o País deseje alguma coisa – a não ser umas boas doses de futebol.
A "consolidação" da democracia advém do conhecimento político, da prática cívica, da necessidade cultural. E, também, do confronto de ideias, da polémica, do debate.
O encontro de segunda-feira, entre Cavaco e Alegre (SIC-RTP-N), ilustrou as debilidades: o atraso acentua-se num tempo acelerado, que não admite a facilidade das simples soluções.

E que soluções?
A rápida decomposição da sociedade impede eventuais processos de recomposição.
Recorro a Ortega y Gasset: Não sabemos o que se passa, e é isso, justamente, o que se passa.
Quantos projectos "democráticos" nos foram apresentados, nesta Segunda República?
As descoincidências entre os partidos existentes não têm correspondido, apenas, a antagonismos ideológicos.
Resultam de uma dispersão buliçosa, desatenta aos interesses fundamentais dos portugueses.
Num país onde um "gestor" recebe 3 600 contos de reforma, depois de exercer funções durante seis meses; e um trabalhador aufere 60 contos, após quarenta anos de labor – qualquer reflexão séria cai, por parcelar.
Mas indica que uma "democracia" assim é uma forma imaginária de sistema justo e equânime.
Para não dizer: uma aberração.

A regressão política e social a que assistimos põe em causa os valores nascidos em Abril de 74, dos quais o Dr. Cavaco não será, propriamente, sentinela vigilante.
A dispersão manifestada no "debate" com Manuel Alegre foi útil apenas porque o candidato do PSD-CDS reincidiu na incapacidade de perceber as complexidades do nosso tempo, fora dos esquemas economicistas que conduziram Portugal a um beco sem saída.
O Dr. Cavaco tocou um velho e cansativo realejo, sem fulgor e sem altanaria. Fatigou-nos com a insistência na palavra "competitividade", da cartilha meta-nacional do liberalismo. Só não vê essas debilidades quem não quiser ver. E pior do que um cego é aquele que tapa os olhos, e encobre a ponderação exigível em assunto tão grave como é o da escolha para a Presidência da República.

Admito que esperava mais do meu velho amigo Manuel Alegre.
Desgosto do discurso de regeneração, no qual se apagam as diferenças sociais.
Prefiro a contundência da linguagem explicativa, que não suprima nem atenue, por delicadeza ou excessiva cortesia, as responsabilidades de quem as tem. E Cavaco tem-nas – e de que maneira!
Recordo o que, há anos, em entrevista, me disse o admirável poeta de "Senhora das Tempestades":
"A social-democracia não passa da grande gestora do capitalismo".
Nem sequer conseguiu evitar as regressões democráticas. E a discussão presidencial também deve incluir esse item.
Devia.

O problema manifesta-se um pouco por toda a Europa, onde o "socialismo" perde o prestígio e a capacidade de atracção, por haver desistido de edificar uma política de civilização e de eliminação da selvajaria das relações humanas.
Apenas resta a retórica, que nada resolve neste período difícil e incerto, propício a todas as aventuras usurpadoras.
Logo, a Direita mais extrema radicaliza as intervenções, com o beneplácito de poderosos grupos económicos e financeiros, e a casta complacência dos que acreditam nos "potenciais de boa vontade".

Entretanto, agitamo-nos mais do que agimos e, quando agimos, fazemo-lo por impulsos.
A questão central reside em resistir, ou não, à desumanização da política, à crispação social, e à falaciosa técnico-ciência que conduz à intolerância, à violência e ao fanatismo.
Nem sequer foi abordada pelo candidato de Esquerda. E Alegre poderia tê-lo feito.
Sobram-lhe duas das razões morais pelas quais tem pautado a vida: a convicção e a responsabilidade.
A indolência do debate, cuja culpa também cabe aos "moderadores", chegou a ser exasperante.
Uma grande chatice.
Não sei quem o ganhou.
Nós, telespectadores, não fomos, de certeza.


Baptista Bastos

6 Comments:

At 7 de dezembro de 2005 às 17:52, Anonymous Raul Vaz said...

Há quem encontre em Soares uma vivacidade admirável e nos seus 81 anos – que esta semana se cumprem – um exemplo de resistência. Sendo verdade, chega para perceber o fascínio pelo homem político.

É pouco para justificar as razões do seu envolvimento num combate que chegou a considerar "um erro brutal" – e no qual voluntariamente quis participar. O resultado advinha-se. E começa a estar implícito num comportamento em que já não se esconde o pior dos cenários, a derrota.

Soares vai perdendo a ilusão com que pretendeu mascarar a realidade e fantasiar os sinais: repetir a cavalgada triunfante de há 20 anos não passa de um mero acto de fé. Que esbarra na consciência de quem, apesar da contrariedade, sabe distinguir o que é verdadeiro daquilo que se reduz ao logro.

Estando consciente, o candidato ainda não consegue esconder a amargura. E mostra-a, quando recorre a argumentos que contrariam aquilo em que acredita e ajudou a construir – uma sociedade livre e democrática.

Não se devem pois levar a sério as últimas exaltações de Soares quando questiona, ainda que sem fundamentos, a legitimidade de um resultado eleitoral. Que obviamente aceitará, "desde que as eleições sejam limpas" (entrevista ao Público).

Soares começa a justificar a derrota.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 20:45, Blogger JoaquimMarquesMachoqueira said...

Pode ser que no debate do dia 20 (RTP)já se veja quem ganha... O debate, claro.

 
At 9 de dezembro de 2005 às 14:33, Anonymous João P. Guerra said...

O primeiro debate da campanha presidencial constituiu uma hora de conversa mole.

Em parte, mas não totalmente, pelas regras assépticas de um jogo no qual os adversários nem sequer estão frente a frente, mas sobretudo pela extrema contenção dos participantes. Está fora de questão que o debate é um exercício de civilização e que o mínimo que se exige seja que os intervenientes se respeitem a si próprios e a quem os vê e ouve. Mas uma coisa é o respeitinho, que é muito bonito, outra é a reverência, atitude mais próxima do receio. E talvez fosse isso. Alegre receava que a conversa caísse excessivamente em embaraçosas questões de números. Cavaco temia uma espécie de ‘quizz-show’ com perguntas de algibeira sobre o número de Cantos dos Lusíadas. De modo que ficaram-se por ali.

Poderá ter acontecido que um dos candidatos tenha traçado a táctica e o outro tenha caído na armadilha. Mas o mais provável parece ser que Cavaco Silva e Manuel Alegre jogaram deliberadamente para o empate. E não há dúvida que conseguiram. Fica por saber a quem serviu o empate.

O debate eleitoral tem por fim o esclarecimento dos eleitores. E para que os eleitores formem opinião é necessária a discussão e que da discussão nasça a luz. Discutir, objectar, controverter, contestar, criticar, constituem nobres meios do debate de ideias e do esclarecimento público. Civilizadamente. Não é aí que está a questão. Não se pretendia uma arruaça, uma desordem, sangue e feridos em combate, mas exigia-se alguma polémica, controvérsia, contraditório, contestação. Não houve nada disso, mas sim dois discursos paralelos que se encontraram, várias vezes, antes do infinito.

Provavelmente, próximos debates vão cair no extremo oposto. Num caso como no noutro, lá se vai o esclarecimento.

 
At 9 de dezembro de 2005 às 14:35, Anonymous Anónimo said...

Cavaco descobriu a sua vocação política: desbloquear.

Cavaco anseia por ser o óleo penetrante da política nacional, lubrificar as juntas emperradas e desbloquear as porcas da política calcinadas ...


O Governo da Nação tem um decreto-lei encravado?
CAVAQUIS Penetrating Oil resolve
.
A máquina de produção de leis da Assembleia da República está um pouco enferrujada?
CAVAQUIS Penetrating Oil resolve
.
Os investidores externos olham para Portugal e concluem que isto aqui já foi chão que deu uvas?
CAVAQUIS Penetrating Oil resolve
.
Os Juízes não se entendem com o Governo e começam às cabeçadas para se darem ao respeito?
CAVAQUIS Penetrating Oil resolve
.
As forças armadas estão fartas de ser maltratadas e publicamente desconsideradas?
CAVAQUIS Penetrating Oil resolve
.
Os funcionários públicos rebelam-se por os tratarem como lixo?
CAVAQUIS Penetrating Oil resolve
.


CAVAQUIS, uma só gota... e pronto! Fica tudo escavacado.

 
At 9 de dezembro de 2005 às 14:38, Anonymous Anónimo said...

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...
De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José João quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar
Subia o sol no horizonte
a noite cedendo ao dia
quando um berro do vigia
p'ró contrameste na ponte
fez saltar a malta em monte
do porão para o convés
embrulhando mãos e pés
que nem sei como vos conte

Mas afinal que razão
originou tal desnorte?
só um motivo assaz forte
justificava essa acção...
"Chamai já o Capitão
porque a coisa cheira a esturro
e eu confesso, sou burro
não acho explicação!"
Ora D. José João escutara
os berros no camarote
e as corridas a trote
que a turba inteira encetara
até a barca adernara
sem contrapeso a estibordo
com a molhada a bombardo
que a dita visão juntara
E que topou o vigia
da formosa Catrineta
ao apontar a luneta
para o Sul ou Meio-Dia?
Era isto que ele via:
um'eronave amarada
que parecia abandonada
pois nem vivalma se via
"O que é que se passa aqui?
estão loucos vossemecês?
'Inda adornamos de vez
se se junta tudo aí!..."
"Mas Capitão, olhe ali
a bombordo, mesmo em frente
p'ra onde olha toda a gente
que eu acaso descobri!"
"Realmente bué esquisito
não se vislumbra vivalma
a mais completa calma
dentro do aviãozito...
escuta bem ó marujito
faz-me descer um escaler
vamos já esclarecer
este mistério maldito!"
E no escaler embarcaram
três homens e o Capitão
com um mosquete na mão
ao hidroavião rumaram
P'ra cima deste se içaram
com as armas aperradas
e com seguras passadas
a inspecção começaram
Da cauda até ao focinho
não encontraram ninguém
mas algo estranho porém
estava ali naquele cantinho
era um caixote novinho
daqueles tipo exportação
vai daí o Capitão
sussurrou assim baixinho:
"Que conterá o caixote?..."
"O Capitão quer que o abra?
está ali um pé de cabra..."
"Quieto meu franganote
ou 'inda voltas p'ró bote
pode estar armadilhado
percebes-te pequenote?
Não vês o que ali está escrito?
«Made in Afeganistão
via Iraque e Irão»
logo o caixote é maldito
E aqui está um sobrescrito
com uma carta a dizer...
«Aí te mando o Yasser
pronto a ir p'rá infinito...!
Mandarás, tenho a certeza
o recibo, querida diva
já com o desconto do IVA
tudo legal e em beleza
não é, doce Condollezza?
que plano divinal
esta operação "Pai Natal"
que acertámos à mesa!"
"Macacos me mordam já
se estiver a perceber..."
"Eu cá não estou mesmo a ver!..."
"E eu igualmente, pá!..."
" Pois bem marujos eu cá
percebi perfeitamente!"
"E não vai contar à gente?
"Vá Capitão, diga lá!..."
"O que está aí fechado
é um bombista suicida!..."
"Um bom... ai a minha vida!..."
" Tem lá calma ó meu borrado!...
enquanto estiver trancado
não vai haver perigo algum
de que o tipo faça PUM
e que vire toucinho assado
Calma, deixem-me pensar...
já pensei: Vamos a isto...
que nos valha Jesus Cristo
se o meu plano falhar!...
Muito bem, vou começar:
Ó de dentro, ó do caixão!..."
...estás-me a ouvir bem ou não?...
...Yasser toca a'cordar!"
"Por Alá, alguém me chama?..."
ouviu-se uma voz que vinha
bem do fundo da caixinha
com o sotaque da moirama
"...Sou eu, Yasser Mhoama
podem abrir isso já
a este filho de Alá
da grande AlQueda de Osama!"
Os marujos aterrados
escutavam atentamente
borrados, batendo o dente
com os olhos gaseados
"Por Deus, estamos lixados
o cabrão vai explodir
e não podemos fugir
vamos voar em bocados"!
"Nós vamos agora abrir
a caixa com o pé de cabra
mas dá-me a tua palavra
que assim que possas sair
nos dirás sem nos mentir
e antes de irmos p'lo ar
porque é que nos queres matar
percebeste?... Estás-me a ouvir?!...
Pára de ganir morcão
pega lá na ferramenta
levanta a tampa e aguenta
que eu já agarro esse cão
estarei pronto p'rá acção
vou saltar e enlaçá-lo
dar-lhe um murro e amarrá-lo
antes que prima o botão!"
Tal como planeado
p'lo capitão corajoso
o assassino andrajoso
foi de pronto dominado
"Agora estás desarmado
tirei o cinto com a bomba
e vou-te partir a tromba
meu veri-light frustrado
Fica a saber meu menino
que confessas, olarelas!...
ou meto-te p'las goelas
quilo e meio de suíno
diz lá velhaco assassino
terrorista de um cabrão
meu filhote do Alcorão
meu sarraceno cretino!..."
"Pelas barbas de Maomé
porco não!... vou confessar
o que eu queria era ganhar
o prémio de Alá eh,eh!...
"E esse tal prémio é?..."
Setenta virgens senhor
que são dadas de favor
aos mártires da nossa fé"!
"Ah,ah,ah! ó meu otário
bateste na porta errada
tu aqui não ganhas nada
amostra de dromedário
as tugas meu ordinário
da Fuseta a Guimarães
ficam sem os três vinténs
mal entram no secundário"!

 
At 9 de dezembro de 2005 às 15:59, Anonymous Manuel Azinhal said...

Cavaco à vista

O acontecimento político do dia foi o anúncio do apoio de Veiga de Oliveira à candidatura de Cavaco Silva.
O episódio por si só diz mais sobre a mentalidade de Cavaco e de muitos que o rodeiam do que as inúmeras análises produzidas pelos bestuntos iluminados de todos os nossos especialistas de ciência política.
Um octogenário trôpego, sem qualquer relevância política, nem notoriedade pública alguma, subscreveu a lista de apoiantes de Cavaco.
O candidato, embevecido, lá estava a recebê-lo pessoalmente, anulando não sei quantos compromissos em agenda. Os assessores, vaidosos, apressaram-se a chamar as televisões, e a espalhar a feliz novidade por tudo quanto é sítio.
Para a posteridade e para as câmaras exibiram-se o candidato e os ajudantes, radiantes com a distinção, agradecidos e honrados perante o inesperado apoiante.
O site do candidato logo deu relevo à notícia.
Como explicar tão inusitada como despropositada agitação?
Nenhumas razões técnicas podem ser apontadas como justificativas. O apoiante não traz nada à candidatura. Ninguém o conhece, e a ninguém influencia. Não é dos que dão dinheiro, nem parece que seja dos que trazem votos.
Não existe então explicação para tão desproporcionada atenção, tanta deferência e tanta vénia face a tão anódino personagem?
Infelizmente, existe. Existe e é bem simples.
O motivo que levava Cavaco e seu séquito a babarem-se à uma e a mostrarem triunfalmente o velhote na televisão está, tão somente, na circunstância de este ter sido em tempos um comunista importante.
O homem foi uma data de anos membro do comité central, foi deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PCP, foi por duas vezes ministro cunhalista.
Para aquela gente, Cavaco e seus próximos, o apoio dele é uma espécie de caução moral, um certificado a atestar que também estão no lado certo da humanidade. Hoje vão dormir mais contentinhos e orgulhosos.
Tudo está na admiração e no fascínio que o PCP e o comunismo continuam a exercer entre a classe política instalada.
Ser comunista, ou ao menos ter sido, é uma recomendação que abre todas as portas: para os reflexos condicionados da casta, um personagem desses é alguém que até pode ter umas quantas ideias que não se podem partilhar e estão um tanto ultrapassadas mas é sempre indiscutivelmente um idealista ou um cavaleiro andante, um combatente das causas nobres, um herói de romance e um lutador generoso e aventureiro - em todo o caso, uma autoridade moral.
Perante qualquer figurão de curriculum bem vermelho dobra-se, venerador e obrigado, o aspirante à glória e aos cargos políticos da nossa terra. A vermelhidão basta para assinalar um grau superior na escala moral e intelectual, e face a isso transborda a veneração e a reverência da classe político-jornalística.
Este é o fenómeno crucial para entender o que se vai passar com Cavaco na presidência, e que já tem sido assinalado noutros lados e com relação a outros.
Trata-se do conhecido paradoxo aparente de com frequência alguns políticos ganharem eleições com os votos da direita para depois exercerem o cargo respectivo colando-se às políticas da esquerda.
Chamo-lhe paradoxo aparente porque na verdade não há paradoxo nenhum: simplesmente esta direita não tem autonomia mental para se guiar por quadros próprios. Continuará sempre a deixar-se conduzir pela visão do mundo que conhece, e que lhe é fornecida de bandeja pelos aparelhos de produção e controle ideológico existentes.
Uma atitude livre e descomplexada perante a cosmovisão esquerdista será sempre impossível enquanto a presença na vida política pressupuser essa aceitação tácita da superioridade moral e intelectual desta e dos seus representantes.
Como se viu ainda há pouco na cumplicidade palerma e bajuladora frente a Manuel Alegre, como se observa nesta cena com Veiga de Oliveira, Cavaco não é homem para dar o salto. Ele e a sua Maria são duas cabeças cuja forma mentis não permite ilusões sobre o que dali sairá. Ela irá para a presidência declamar Sophia, e ele para tentar desbloquear... a embrulhada em que Sócrates está metido.

 

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