quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

ÉTICA REPÚBLICANA

O ambiente envolvente da pré-campanha eleitoral para a Presidência da República faz-nos recordar o escritor neo-realista Carlos de Oliveira e o seu poema de 1968, “Livre (não há machado que corte)” e George Orwell e o seu livro de 1945, “O Triunfo dos Porcos” e simultaneamente reflectir como algumas verdades parecem ser imunes à passagem do tempo, eternizando-se.

Quando parecia que a disputa eleitoral se iria resumir ao embate entre duas figuras míticas da política portuguesa, quais fénix renascidas, apareceu a intrometer-se um espírito inquieto e desassossegado que veio baralhar as contas aos estados-maiores do establishement.

A candidatura independente de Manuel Alegre, apoiada num cada dia mais forte movimento cívico de mulheres e homens livres, tem simultaneamente causado os maiores engulhos a todos aqueles que instalados, são adeptos do não façam ondas e motivado um crescendo de mobilização e empenhamento na sociedade portuguesa que há muito não se via.

Desassombrado, habituou-nos desde sempre a ouvi-lo dizer o que pensa, muitas vezes longe do politicamente correcto. Apesar de militante partidário, comporta-se sempre como uma consciência livre com profundas preocupações éticas e de solidariedade.

Numa época em que o descrédito junto da população de alguns grupos sócio-políticos ou profissionais se torna cada vez mais evidente e comprovado por diversos estudos de opinião, alguém que não teme tomar posição, sem calculismos, mesmo contra a prática dominante só poderia ter uma grande aceitação popular.

Os seus inimigos parecem não perceber que quanto mais primários forem os ataques que lhe fazem, mais reforçam o apoio popular à sua candidatura.
Como poderá o eleitorado perceber que a sua ausência na votação do Orçamento de Estado seja entendida como um crime de lesa Pátria, quando foi o mesmo que fizeram 45 deputados (quase 20 por cento da Assembleia), entre eles António Vitorino, José Lamego e Braga da Cruz, e só ele tenha sido verberado.

Já Orwell dizia que somos todos iguais, mas há uns que são mais iguais que outros.

Como princípio básico da Ética República temos o dever do assumir das divergências e discuti-las frontalmente mas sempre baseados em argumentos verdadeiros: Assim como se explica que se utilize como argumento supremo e final para censurar a ausência da votação a este deputado a Constituição, que nada refere a este propósito.

Houve uma vantagem, ficou a saber-se que apesar das suas pretensões a Constitucionalista, Vitalino Canas nunca poderá ser candidato a Presidente da República, pois um dos deveres do cargo é a defesa da Constituição, e não se pode defender o que se desconhece ou tenta manipular.
Parafraseando o segundo Mandamento da Santa Madre Igreja, não evoques a Constituição em vão!

Se não há machado que corte a raiz ao pensamento, também não serão contrafacções manhosas e facilmente desmontáveis que poderão travar a alegre caminhada para Belém a um candidato que indo ao encontro dos anseios mais profundos do nosso Povo defende um Portugal de Todos, Livre, Justo e Fraterno, e cuja eleição será um motivo do Orgulho Nacional!



Jorge Costa

18 Comments:

At 7 de dezembro de 2005 às 13:47, Anonymous J E R said...

O TSUNAMI SILVA
A candidatura de Cavaco Silva provocou o desaparecimento de um maior número de figuras política do que se a tal onda gigante que há uns ano atrás foi vista ao largo do Algarve tivesse efectivamente origem sísmica e se abatesse sobre a Praia dos Tomates. Ao contrário do que afirmou Miguel Cadilhe não estamos perante um fenómeno de secura circundante provocada por um eucalipto, aquilo que assistimos nos últimos tempos foi mesmo um preocupante deaparecimento político colectivo, como se uma vaga de águas divinas tivesse vindo para purificar a Nação de pecados passados.

Como se de um fenómeno natural se tratasse, e não de uma mera plantação de um eucalyptus (planta arbórea da classe da magnoliopsidas, da ordem da myrtales d divisão das mirtaceaes) uma boa parte das personagens políticas que marcaram os últimos vinte anos desapareceram, mal a onda provocada pela da candidatura de Cavaco Silva se formou desapareceram todos o que no passado colaboraram com o candidato, e nem o Marques Mendes que trabalhava num primeiro andar da Buenos Aires ou o Ribeiro e Castro que fazia a suas orações matinais na capela do Largo das Caldas se ecaparam à purificação divina.

O Tsunami Silva, como todos o grandes fenómenos naturais que a compreensão humana não racionaliza, veio para purificar a Nação das asneiras do passado, começando por fazer desaparecer os vestígios desse mesmo passado, como se fossem pecadores de Sodoma e Gamorra.

Nem Dias Loureiro, um apóstolo de Cavaco Silva que durante cinco anos andou a anunciar a boa nova, muitas vezes se confundido com o seu mentor ao ponto de parecer um “Cavaco Silva não Oficial”, sobreviveu ao tsunami. O seu enriquecimento rápido, o envolvimento e responsabilidade na vergonha santanista e as dúvidas lançadas pelo “Furação” determinaram o afogamento repentino. E com Dias Loureiro desapareceram todas as formas de vida humana da época cavaquista, apenas restando intactas as obras de cimento, as IP, as auto-estradas e o Centro Cultural de Belém. Apenas sobreviveram os que não pecaram, o jovens e a mão-de-obra não qualificada as únicas obras cavaquistas que não foram conspurcadas pelos dinheiros fáceis na outra reencarnação do candidato, só estes têm agora lugar na nau cavaquista.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 13:48, Anonymous JUM said...

Afinal as más-línguas que andavam a insinuar que o desaparecimento repentino de Dias Loureiro servia para evitar que a sua imagem prejudicasse a do candidato, principalmente depois do caso Furacão. Não senhor, Cavaco não pediu a Loureiro para desaparecer por uns tempos, nem Loureiro receia que a sua fortuna alcançada com tanto esforço sirva para lançar insinuações maldosas, até porque ele é o melhor exemplo vivo do país de sucesso dos tempos dos governos de Cavaco Silva. Sucede que Dias Loureiro andava com um grave problema psicológico, depois de dois anos a assumir o papel de “Cavaco Silva não oficial” começou a sentir problemas de identidade, sempre que olhava ao espelho e esperava ver o Aníbal assustava-se ao ver o Francisco. A solução foi não esperar pela morte política de Cavaco e encontrar um dador que se assemelhasse com o seu mentor, e fazer um transplante facial. O resultado está aí e agora vamos ter um Loureiro enxertado de Silva a apoiar um Cavaco, isto é, temos uma campanha aquecida com cavacos de loureiro.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 13:56, Anonymous João P. Guerra said...

Diz a Declaração Universal dos Direitos do Homem que todos têm “direito ao trabalho”, a “uma remuneração justa” e à “protecção contra o desemprego”.

A Constituição da República Portuguesa, apesar de revista sete vezes, continua a mandar outro tanto e acrescenta que incumbe ao Estado “a execução de políticas de pleno emprego”. Pois sim.

As leis da economia, que não são sujeitas a qualquer sufrágio, mandam em sentido contrário. E é assim que o desemprego em Portugal tem vindo a crescer e vai continuar. As previsões confirmam que, apesar do desemprego sair caríssimo, a economia continuará a “libertar efectivos” pelo menos até 2007.

O que ainda vai valendo – não em termos humanos, o que pouco conta, mas em aparências meramente estatísticas – para que a taxa do desemprego em Portugal não passe acima da Europeia, é que há, outra vez na história, mais portugueses a emigrar. Emigram os “cérebros” como também os portugueses comuns que vão fazer, para as obras da Europa mais desenvolvida ou para a agricultura que Portugal deixou de ter, o que fazem entre nós os imigrantes: o trabalho duro, precário, em geral sem segurança e mal remunerado – embora menos mal que por cá – que ajuda a conter os níveis salariais baixos.

A grande questão é que Portugal nunca mais sai do ciclo recessivo e o País tem uma imensa maioria de trabalhadores não qualificados e até mesmo muitos bastante desqualificados. Mas tem também um considerável número de jovens licenciados nas listas do desemprego. Como terá, segundo a CGTP, 80 por cento de empresários que não passaram do sétimo ano da escolaridade.

E será caso para perguntar onde foram parar os milhares de milhões destinados à formação que Portugal recebeu de Bruxelas desde o final dos anos 80.

Uma parte sabe-se, o resto calcula-se. Os sinais exteriores andam por aí.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 13:58, Anonymous João Gonçalves said...

A pré-campanha presidencial trouxe à luz do dia uma revelação política que, de alguma forma, demonstra o desconforto da posição da esquerda neste confronto eleitoral.

Jerónimo de Sousa, ao afirmar que desenvolveu esforços para uma candidatura única da esquerda nas presidenciais, indicia um pessimismo implícito sobre os resultados de 22 de Janeiro e uma dúvida marcante sobre a estratégia de provocar uma segunda volta em vez de apostar na definição das eleições logo à primeira volta.

O risco dessa estratégia de apostar na bipolarização da segunda volta surge agora, algumas sondagens e barómetros depois, bem evidente e provocou os sinais de alarme e o início de imputações de responsabilidade política pela dispersão eleitoral à esquerda.

Uma das primeiras consequências desta avaliação do risco poderá traduzir-se num processo de dramatização crescente da campanha eleitoral e da necessidade imperativa de alguma concentração de voto da esquerda por via da desistência, à boca das urnas, de alguns candidatos.

Outro sinal do desconforto da esquerda é verificável nas declarações que antecipam a absoluta necessidade de unidade na segunda volta. Isto é, a preocupação de garantir, desde já, a concentração de votos no candidato de esquerda que venha a passar à 2ª volta – caso isso se venha a verificar e que, nas actuais circunstâncias ainda não é certo que ocorra – procurando impedir que algum desse eleitorado deslize para o candidato da direita.

O receio, perante esse cenário de 2ª volta, é que Cavaco Silva continue a atrair sectores do eleitorado que tradicionalmente se identificam com a esquerda. Essa atracção poderia ser compensada, como já o foi no passado, pela sedução que Mário Soares sempre exerceu em alguns sectores da direita mas que, hoje e perante algumas posições públicas frentistas, não estarão tão disponíveis.

O problema da esquerda na segunda volta pressupõe, no entanto, que a eleição presidencial não se decida logo à primeira. É que o problema essencial não está na dispersão de candidatos à esquerda mas na concentração à direita. Tudo poderia hoje ser diferente se Cavaco Silva tivesse de conviver com um concorrente eleitoral no seu espaço político e que tivesse alguma capacidade de mobilização.

É essa potencial concentração de votos à direita que põe em risco a ideia de provocar uma segunda volta. Não é a dispersão de candidatos à esquerda.

Daí entender que será um erro, para os desígnios da esquerda, insistir na confrontação interna. Poderá servir alguns interesses partidários de consolidação ou ganho de posições relativas, mas não contribuirá para o objectivo determinante que se reconhece nesse espaço eleitoral – o de provocar uma segunda volta e potenciar aí a bipolarização.

O objectivo estratégico, tendo em vista os interesses da esquerda, será retirar votos a Cavaco e não, propriamente ganhar mais votos. Porque ganhar mais um voto pode, aqui, significar retirá-lo no limite da geografia política da esquerda, não beliscando sequer a posição do candidato à direita.

Cavaco Silva está numa posição confortável. Não só não tem nenhum candidato concorrente que dispute o seu espaço político-ideológico, como não o tem do outro lado da barricada.

Parece evidente que as coisas seriam relativamente diferentes caso tivesse tido algum sucesso a hipótese de candidatura de Freitas do Amaral patrocinada pelo PS. Acabaria sempre por alcançar a unidade da esquerda à segunda volta e ainda poderia perturbar à direita. Mas, impuseram-se as militâncias partidárias e o resultado está à vista.

Os partidos políticos têm sido, aliás, muito maltratados pelos candidatos presidenciais. Uns, renegando-os. Outros, instrumentalizando-os. Outros ainda, agindo em função deles.

Mário Soares identifica o fenómeno da instrumentalização partidária ao impor a sua candidatura e o apoio partidário a essa candidatura em manifesta hostilidade a outra gerada no seu interior.

Cavaco Silva personifica a denegação partidária, num esforço de afirmação de uma candidatura extrapartidária, A alegação de independência partidária não passa necessariamente pela desconsideração institucional de um partido que, no caso, foi instrumento e pressuposto de uma carreira política de sucesso. Os partidos políticos não são, em democracia, dispensáveis.
Manuel Alegre não fez bem aos partidos identificando-os com a mediocridade, com que, desde sempre, conviveu. Para responder ao mal que o PS lhe fez lançou o anátema da mediocridade pelos partidos e pelo próprio sistema político.

Louçã e Jerónimo fazem mal porque são candidatos do partido e para o partido. Nada mais.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 13:59, Anonymous Nuno S. said...

Economias como a portuguesa ainda não conseguem vislumbrar quando é que o quadro económico se poderá inverter.

Na edição do passado Domingo, o Público fez capa dos últimos números do desemprego em Portugal: 7,7%, cerca de 430 mil desempregados (números oficiais). Ainda assim, abaixo dos 8,3% da zona euro e dos 8,5% da União Europeia a 25. O problema é que em Portugal, ao contrário do que parece ser a última tendência da média europeia, as perspectivas para o desemprego continuam a ser de crescimento.

As análises e os diagnósticos há muito estão feitos e os especialistas parecem convergir: mais do que conjuntural, o desemprego no nosso país é estrutural. Dito de outra forma, as causas da actual subida do desemprego não se devem apenas ao actual momento económico, mas têm, fundamentalmente, razões mais profundas, que se prendem com o modelo de desenvolvimento económico e com a qualificação dos recursos humanos. Ou seja, é evidente que o nosso crescimento não poderá voltar a ser hoje, como foi no passado, sustentado com base em mão-de-obra intensiva e em baixos salários, e que só conseguiremos dar um salto qualitativo na cadeia de valor com mais e melhor qualificação. Se continuarmos a insistir nas soluções do passado, continuaremos a assistir, alegremente, ao progressivo empobrecimento da nossa economia e, mais grave ainda, dos portugueses.

Mas será esta periclitante situação económica um exclusivo lusitano? Não. É certo que são muitas as economias europeias, a começar pelas suas tradicionais locomotivas Alemanha, França e Itália, que atravessam tempos difíceis. Numa recente entrevista, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, referia-se as três grandes ameaças que pendem sobre a Europa: a China, na indústria, a Índia, nos serviços, e o Brasil na agricultura. A dimensão e a velocidade com que estas potências emergentes estão a alterar o cenário da economia mundial, obriga todos os outros actores, e em particular a Europa, a encontrar novas formas de competitividade.

Como poderá então a Europa fazer face a estes novos desafios? O caminho está traçado na Estratégia de Lisboa e os seus vértices declinados pelo Governo português para o Plano Tecnológico: Conhecimento, Tecnologia e Inovação. É com esta trilogia que a Europa, e Portugal, espera criar novos empregos capazes de substituírem as ocupações que estão a desaparecer.

A questão é que no espaço europeu não se conseguem criar novos empregos à mesma velocidade que as tarefas da sociedade industrial estão a debandar para destinos mais exóticos. Existe um desfasamento temporal angustiante entre a perda de competitividade nas actividades tradicionais e a capacidade de criarmos novas empresas e produtos capazes de adicionarem valor. Por este motivo, economias como a portuguesa ainda não conseguem vislumbrar quando é que o quadro económico, e em especial a expansão do desemprego, se poderá inverter.

Vivemos um daqueles paradoxos em que a evolução da sociedade é fértil: sabemos que muitas das mudanças estruturais necessárias só poderão dar frutos a longo prazo, mas a urgência das questões económicas e sociais exigem igualmente capacidade de resposta a curto prazo. Portugal necessita de uma visão estratégica que aponte claramente para onde desejamos estar por daqui a dez anos, mas terá que saber lidar com a premência dos problemas que se levantam hoje. Estaremos à altura deste duplo desafio? Uma coisa é certa, já não há mais tempo a perder. O tempo urge.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 14:00, Anonymous João C. R. said...

O modo mais corrente de atacar os economistas é, pura e simplesmente, o de acusá-los de economicismo.

Aqui há alguns anos, quando vivia em Itália, um colega economista chegou à universidade algo espavorido. Disse-me que tinha visto escrita numa parede, junto à estação de caminho de ferro, a seguinte frase: “MORTE AOS ECONOMISTAS”. Talvez por não ser economista, senti-me bem menos afectado do que o meu colega. Mas não deixei de lhe dizer que continuasse a fazer a sua econometria em paz e sossego, apesar do iminente risco de vida.

A zanga dos cidadãos com os economistas é recorrente. Pese embora ter sido a pátria dos primeiros economistas (os fisiocratas), a França é um dos países que mais alimenta este ódio de estimação. Ainda me recordo de um livro francês, entretanto mergulhado no mais profundo e justo esquecimento, que fazia o processo dos economistas como culpados dessa outra catástrofe que é a globalização neoliberal. Este tipo de teoria da conspiração tem ainda alguma influência.. Mas o modo mais corrente de atacar os economistas é, pura e simplesmente, o de acusá-los de economicismo.

O economicismo, fonte de todos os males, consiste em dar excessiva relevância aos factores económicos. Assim, os anti-economicistas pátrios insistem em afirmar que “há mais vida para além do orçamento”; ou, num avatar mais recente, consideram que “o economicismo pode acabar com o Estado social”. A verdade é um pouco ao contrário da mensagem que estas asserções transmitem: é precisamente porque há mais vida para além do orçamento que é preciso equilibrá-lo; e é por falta de racionalidade económica que se pode acabar com o Estado social, não por economicismo.

Devo admitir que há um aspecto no qual os anti-economicistas marcam pontos. Muitas vezes, os economistas têm uma ideologia ‘naïf’ que consiste em pensar que as questões ideológicas nada importam e que a única coisa necessária é “fazer bem as contas”.

Esta ideologia anti-ideológica é ingénua porque esquece o próprio enquadramento ideológico ou valorativo em que opera.

As sociedades em que vivemos e as instituições de enquadramento dessas sociedades – desde a Constituição à segurança social, desde o sistema de saúde ao sistema educativo e por aí adiante – estão saturadas de ideologia. As nossas sociedades e as instituições de enquadramento que definem os direitos e deveres dos cidadãos não são nem podem ser ideologicamente neutras. E é precisamente neste enquadramento que os economistas têm de trabalhar.

Quando se faz um orçamento, quando se legisla sobre questões fundamentais, não se trata apenas de “fazer contas” nem se pode simplesmente aplicar os instrumentos habituais da análise custo-benefício. Estes são indispensáveis, mas não bastam para decidir sobre aquilo que queremos fazer com o legado institucional que a história do nosso país – ou de qualquer outro – deixou. Em última instância, as instituições políticas, económicas e sociais são doutrinas normativas materializadas. Trata-se – por muito que alguns o queiram minimizar – de optar entre uma série de possibilidades que definem as instituições fundamentais e, assim também, os benefícios e encargos que resultam, para todos e cada um dos indivíduos, da vida em sociedade.

Dito isto, as habituais acusações de economicismo parecem-me profundamente injustas. Sejam quais forem as opções políticas e ideológicas, há formas racionais e formas menos racionais de as implementar. E é também necessário calcular os custos relativos implicados nas diferentes opções. Não vivemos na sociedade da abundância absoluta na qual tudo o que precisaríamos consistiria num maná caído do céu e facilmente acessível a todos. Os recursos são sempre escassos e o desperdício é sempre condenável.

Se é verdade que não basta “fazer contas”, é absolutamente essencial fazê-las.

 
At 7 de dezembro de 2005 às 14:03, Anonymous Anónimo said...

O MEU PEDIDO DE NATAL

Pai nosso que estais no céu
venho suplicar o teu favor
para que me dês mais uns quilitos de paciência
porque já não suporto a penitência
que me impuseste a mim como pecador

Esta dupla é pior que o Torquemada
a PIDE e a Gestapo, os três em um
ou que o mal-cheiroso prato de Nestum
que a mamã p'la boca abaixo me enfiava

Tu que sabes que já suporto mal
do Cavaco a cara e os esgares
e a próstata afinada do Soares
que aturo em tudo o que é Telejornal

Estende p'ra mim a tua mão bendita
fá-los ir a correr p'rá cagadeira
dá-lhes noventa dias de caganeira
sem que o cú levantem da sanita

É Natal, é Natal Glória a Ti Senhor
Imploro-te humildemente: Faz-me esse favor!

 
At 7 de dezembro de 2005 às 14:39, Anonymous Anónimo said...

Essa da pedrada no charco de Alegre convence-me cada vez tanto menos, quanto mais vejo "psds" que, em alternativa ao Cavaco, o preferem a ele.
Mas, o melhor é o do anónimo! Será que com Alegre em Belém não precisava de ser anónimo?

Anónimo2

 
At 7 de dezembro de 2005 às 17:51, Anonymous Raul Vaz said...

Há quem encontre em Soares uma vivacidade admirável e nos seus 81 anos – que esta semana se cumprem – um exemplo de resistência. Sendo verdade, chega para perceber o fascínio pelo homem político.

É pouco para justificar as razões do seu envolvimento num combate que chegou a considerar "um erro brutal" – e no qual voluntariamente quis participar. O resultado advinha-se. E começa a estar implícito num comportamento em que já não se esconde o pior dos cenários, a derrota.

Soares vai perdendo a ilusão com que pretendeu mascarar a realidade e fantasiar os sinais: repetir a cavalgada triunfante de há 20 anos não passa de um mero acto de fé. Que esbarra na consciência de quem, apesar da contrariedade, sabe distinguir o que é verdadeiro daquilo que se reduz ao logro.

Estando consciente, o candidato ainda não consegue esconder a amargura. E mostra-a, quando recorre a argumentos que contrariam aquilo em que acredita e ajudou a construir – uma sociedade livre e democrática.

Não se devem pois levar a sério as últimas exaltações de Soares quando questiona, ainda que sem fundamentos, a legitimidade de um resultado eleitoral. Que obviamente aceitará, "desde que as eleições sejam limpas" (entrevista ao Público).

Soares começa a justificar a derrota.

 
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