terça-feira, 1 de janeiro de 2008

PARTIDO SOCIALISTA, S.A.

Quem quiser perceber as últimas movimentações do Governo e do Banco de Portugal no BCP, na Caixa Geral de Depósitos e na RTP terá de se interrogar sobre os seus antecedentes e o seu contexto.

E não poderá esquecer outras intervenções do Governo, eventualmente menos ruidosas, em casos de fusões e compras ou vendas de empresas, de privatizações, de concursos públicos e de nomeações de administradores por parte do Estado.
Como não poderá perder de vista decisões que envolveram a PT e a PT Multimédia, a Galp, a EDP, a Iberdrola e outras.
Nem deve subestimar decisões futuras, mas eminentes, sobre o quarto canal de televisão, o novo operador de telemóveis, a televisão digital terrestre, o aeroporto de Lisboa e o TGV.
Não é tarefa fácil, dado que o jornalismo parece especialmente contido.
As informações são escassas.

Muito jornalismo depende seja das empresas, seja do Governo.
Além disso, o próprio Banco de Portugal não é generoso na explicação das suas acções e sobretudo das suas omissões.

É um velho mito das esquerdas: o poder político deve comandar o poder económico.
Uns consideram que o poder político é o do soberano, do eleitor.
Outros têm um entendimento mais vasto: é o poder dos políticos, sejam ministros ou vereadores, directores-gerais ou deputados.
Com o tempo, o poder político foi perdendo.
Precisa do poder económico para investir, para o desenvolvimento, para mostrar boas taxas de crescimento, para fazer favores aos partidos e aos clientes.
Com a globalização, novas formas de poder económico surgiram e ficaram à margem das leis nacionais e das directivas europeias.
Foi o que bastou para que os Governos se adaptassem.

Mantendo embora as formas da democracia parlamentar, o poder político vive cada vez mais obcecado pelo poder económico, pelos favores das empresas e pelos investimentos que possam ilustrar a boa obra do Governo.

Vivemos tempos em que as únicas coisas de que os Governos se vangloriam são os indicadores económicos, o crescimento, o emprego, o investimento, as exportações e os rendimentos.
Para isso, precisam das empresas, dos capitalistas, dos bancos e dos investidores.

Estes últimos têm, evidentemente, prazer em ajudar.
Depois, ganham concursos, recebem benefícios de toda a espécie, auferem subsídios, aproveitam de adjudicações directas e fazem projectos.
Trabalham impunemente nos off shores.

Constroem edifícios públicos, centrais de energia, redes de comunicações, estádios de futebol, aeroportos, caminhos-de-ferro e tudo quanto ajuda à modernidade do país e aos lucros das empresas.

Em especial, obtêm licenças para o que for necessário, designadamente a construção, que é a suma especialidade do capitalismo português.


Para ajudar às decisões, criaram-se sistemas de vário tipo, uns crus, outros sofisticados.


Há quem pague as obras nas sedes dos partidos, quem simplesmente financie as suas actividades e quem subsidie as campanhas eleitorais.
Há também quem encontre outras maneiras de facilitar as decisões: depósitos no estrangeiro, transacções em dinheiro vivo, subsídios a instituições desportivas, culturais ou mesmo de beneficência.

Nos partidos, há gente especializada nesse negócio.
Uns são brutos, tratam dos trocos e recebem percentagem.

Outros são delicados gestores ou representantes de boas famílias que se ocupam dos grandes números.
Mas também há outros modos de estabelecer estas novas relações entre poder económico e poder político.
As nomeações de políticos e simpatizantes para as empresas públicas e privadas podem ser feitas tanto pelos empresários como pelos ministros.
Através dos seus direitos de accionista ou de outros direitos menos palpáveis, a influência do Governo nas grandes decisões económicas só tem o seu equivalente na influência dos grupos económicos nas decisões do Governo.

Este tem a sorte de ter diante de si um capitalismo miserável, mesquinho e dependente.
Estamos a viver episódios de real perda de autonomia do capitalismo nacional.
Alguns dos seus dirigentes prestam-se com agilidade e gratidão à promiscuidade.
Uns com interesse puro e simples.
Outros com receio de serem presos.

Ou apanhados na operação Furacão.

O Partido Socialista tem vindo a estar atento a esta evolução do mundo, da política e da economia.

E tem vários objectivos.
Manter o contacto com a decisão económica.
Encontrar empresas dóceis perante as suas necessidades políticas.
Colocar alguns dos seus mais notáveis dirigentes, mas também empregar muita arraia-miúda, de secretárias a técnicos, de burocratas a assessores.

Arranjar financiamento para as suas actividades eleitorais.
Identificar parceiros para todas as formas de mecenato que aliviem os orçamentos de certos
Recentemente, o partido do Governo parece ter enveredado por vias de superior entrosamento.

O PS quer ficar com interesses económicos estáveis e duradouros, ao abrigo de resultados eleitorais sempre voláteis.

A sua penetração no mundo do dinheiro tem vindo a crescer, no que está a seguir a via inaugurada pelo PSD.
Como é evidente, tal actuação é formalmente apresentada como uma prerrogativa do Governo, um dever cumprido no interesse nacional.
Acreditemos ou não nessa versão, a verdade é que o PS está hoje directamente envolvido, através dos seus amigos, antigos dirigentes, filiados, sócios, simpatizantes e antigos governantes, em vários sectores da economia, da banca, dos petróleos, da televisão, das telecomunicações, da multimédia, das redes de electricidade e gás e outros.

O PS mantém-se uma associação, mas parece estar a desenvolver-se como uma sociedade anónima de capitais públicos e interesse privado.
O PS procura transformar-se num grupo económico com poder efectivo.
Através da presença do Governo em sectores estratégicos, este partido adquire um papel de peso na economia.

Até há pouco tempo, essa posição era essencialmente a do PSD.
Mas o equilíbrio alterou-se.
Ainda se mantêm zonas de partilha entre os dois, mas a maioria absoluta de Sócrates foi um instrumento decisivo para a irresistível ascensão financeira do PS.

Os três maiores bancos portugueses têm, a partir de agora, relações especiais com o Governo e os socialistas.
Temos banqueiros no Governo e Socialistas na banca.



António Barreto

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8 Comments:

At 1 de janeiro de 2008 às 14:43, Anonymous J.U.M. said...

O ano que agora se inicia é um daqueles nos sem grandes surpresas, Sócrates continuará a se primeiro-ministro, Cavaco Silva cumprirá mais um ano do seu mandato, Luís Filipe Menezes continuará a ser presidente da autarquia de Gondomar ainda que em regime de part-time.

Ainda assim poderão haver algumas novidades:

Depois da experiência do BCP, onde Sócrates conseguiu Joe Berardo a apoiar Vara, o primeiro-ministro vai aprofundar as relações políticas com o empresário. Joe Berardo vai ajudar Sócrates a superar as suas falhas de inglês, com que ficou desde que tirou a cadeira de inglês técnico na modalidade “inglês no dia”, em contrapartida o primeiro-ministro vai ensina o empresário a falar português.

No mundo da justiça ainda é difícil de fazer previsões, não se sabe se Catalina Pestana vai fazer mais alguma denúncia de pedofilia na Casa Pia, dando lugar ao Processo Casa Pia III, Carolina Salgado ainda não decidiu se vai escrever mais um livro dedicado aos problemas gastrointestinais de Pinto da Costa dando lugar a uma mega investigação conduzida por Maria José Morgado. De certo apenas sabemos que Pinto Monteiro o rapaz de Almeida que chegou a Procurador-Geral, vai continuar-se a deslumbrar comas suas próprias entrevistas.

A ASAE vai continuar a sua ocupação do país em luta contra o terrorismo dos restaurantes, aproveitando as suas competências no combate ao fumo do tabaco para se converter em força militarizada, herdando os carros blindados que o Agrupamento Alfa usou no Iraque e o seu inspector-geral será equiparado a general de brigada.

Depois da experiência do debate do orçamento, em que Menezes fez de treinador de bancada de um desastroso Pedro Santana Lopes, o líder do PSD vai querer profissionalizar a sua actividade, no quadro da transformação do PSD num clube empresa ou melhor, numa SAD. Menezes vai inscrever-se num curso de treinadores profissionais sabendo-se que receberá explicações teóricas de Paulo Bento, que procurará melhorar os índices de tranquilidade do autarca de Gaia, e aulas práticas de Mourinho para evitar que o PSD continue a marcar golos na sua própria baliza. Nos intervalos Menezes continuará em busca da sua Carla Bruni pois 2008 ele quer afirmar-se como um líder parecido com Sarkozi.

Vítor Constâncio continuará a govenar o BdP de Portugal com a sabedoria que todos lhe reconhecem, não sendo de prever grandes sobressaltos nos negócios em off-shores, nem a alteração do seu estatuto remuneratório, nem perdas das mordomias da administração da filial local do banco emissor, agora transformado em supostamente regulador.

Com o desaparecimento de Ana drago e de Joana Amaral Dias, e com Louça a ser incapaz de encontrar piadas novas, o Bloco de Esquerda vai continuar entregue à beleza e brilhantismo intelectual de Fazenda e aos comentários de Miguel Portas às investidas dos verde-eufémios.

Jerónimo de Sousa vai promover uma campanha nacional de solidariedade com o povo cubano, procurando recolher o clorofórmio necessário para assegurar que Fidel Castro conduza o povo cubano para o paraíso por concebido por muitos e bons anos.

Depois de colocar o seu benjamim Fernando Gomes na administração da Galp e feito o negócio com o crude de Hugo Chávez, Mário Soares ai continuar a investir no sector petrolífero já que descobriu que o crude é bem melhor para a longevidade política e bem-estar financeiro do clã do que o clorofórmio. A próxima aposta de Soares será o reinício da prospecção de petróleo no Beato.

Finalmente Bernadino Soares terá a oportunidade de visitar a Coreia do Norte, integrado numa viagem organizada pela organização lisboeta dos pioneiros. O líder da bancada parlamentar permanecerá algum tempo na capital norte-coreana onde tentará aprender o mais possível sobre o modelo de democracia local para com esses ensinamentos melhorar o modelo social que vai sugerir à liderança que o partido colocará na CGTP, logo que se livre do revisionista do Carvalho da Silva.

Paulo Portas vai negociar com a Torre do Tombo a criação de um espaço próprio para o arquivamento das suas mais de sessenta mil fotocópias, bem como das escutas do caso Portucale bem como de todos os documentos relacionados com os negócios dos submarinos bem como de outros negócios submersíveis do tempo em que foi ministro da Defesa.

 
At 1 de janeiro de 2008 às 14:44, Anonymous Anónimo said...

INICIATIVA POUCO PRIVADA

«Em 1975 foram nacionalizados os bancos portugueses. E assim ficaram longos anos por teimosia socialista, pois até 1989 a Constituição considerava irreversíveis as nacionalizações. Mas, ainda antes de eliminada a absurda proibição de privatizar, surgiram novas instituições financeiras privadas.

A primeira foi a Sociedade Portuguesa de Investimento, lançada por Artur Santos Silva e que depois viria a transformar-se em banco, o BPI. Outra foi o Banco Comercial Português, a partir de um desafio lançado pelo governo de Mário Soares a Jardim Gonçalves, então em Madrid. Tal como Santos Silva, Jardim Gonçalves concebeu um projecto bancário e convenceu investidores privados a entrarem como accionistas.

O BCP abriu ao público em 1986 e cresceu de forma espectacular. É hoje o maior banco privado português. Ninguém podia prever os recentes desastres, alguns deles com possíveis incidências criminais, que nos Estados Unidos provavelmente dariam cadeia (mas, aí, o capitalismo é levado a sério, sem contemplações para quem infringe as regras).

É verdade que no BCP existiam certos indícios de mau agoiro, como o exagero dos vencimentos dos seus gestores. Mas as operações irregulares agora apontadas são, pela sua gravidade, algo de invulgar entre nós. E só foram conhecidas porque, no quadro da luta interna pelo poder, alguém do banco fez chegar documentos comprometedores a um accionista (Joe Berardo, que depois os apresentou a quem de direito) - em vez de esses papéis terem sido logo entregue às autoridades de regulação do sector bancário, como a lei determina.

O mais deprimente desta história é o golpe dado à esperança de que, em Portugal, emergisse gradualmente uma nova classe empresarial, afirmativa e autónoma, menos dependente do secular encosto ao poder político e com algum sentido cívico e ético. Ainda antes de se falar em Armando Vara para vice-presidente da proposta nova administração do BCP, liderada pelo até há poucos dias presidente da concorrente Caixa Geral de Depósitos (Santos Ferreira, um gestor competente, ex-deputado do PS), Vasco Pulido Valente disse o essencial no PÚBLICO do dia 23: "Não se engana quem desespera do capitalismo português", considerando "simbólico" que o maior banco privado nacional passe a ser presidido por quem mandava na estatal CGD.

Esquema no qual se empenhou António Mexia, presidente da EDP, empresa que o Estado ainda controla com a sua golden share. Segundo o PÚBLICO, Mexia terá ponderado candidatar-se ele próprio à presidência do BCP, sendo de tal dissuadido... pelo primeiro-ministro, que precisa dele na EDP.

Claro que há em Portugal empresários autênticos. Mas representam a excepção. A regra, desgraçadamente, continua a ser a do conúbio, directo ou indirecto, com o Estado. É a antiquíssima via portuguesa para o capitalismo. E é sabido que governos considerados de esquerda, como o actual, costumam facilitar a vida aos empresários, ou a parte deles. O desejo de alguns agentes económicos de estarem próximos do poder político explica muito do empenho posto na defesa dos chamados centro nacionais de decisão empresarial (lembram-se?). Querem estar no quentinho, junto ao Estado que lhes proporciona bons negócios e os protege da concorrência estrangeira.

Com um presidente e um vice-presidente socialistas e próximos do Governo, este e o PS passarão a ter influência no maior banco privado português, paradoxalmente criado para contrariar a estatização da economia. Sendo que o maior banco, a CGD, já pertence ao Estado. Significativamente, o protesto imediato do líder do PSD foi reclamar a presidência da CGD para um sócio ou simpatizante do seu partido, como veio a acontecer. Grave, aqui, não é apenas a ânsia de poder dos políticos. Pior é serem accionistas privados a proporcionar esta aproximação do BCP à órbita estatal. Diz-se que o Banco Espírito Santo tem relações privilegiadas com o poder político. Há quem lhe chame o "banco do regime". Mas, pelo menos, no BES o Estado não manda (talvez o BES mande alguma coisa no Estado, mas essa é outra história). No BCP são os privados a abrir a porta ao regresso do Estado ao sector bancário. Não formalmente, claro. Mas só não vê quem não quer. Há décadas que defendo a iniciativa privada em Portugal. Por isso este caso provoca-me não apenas frustração, mas sobretudo vergonha. A iniciativa de Miguel Cadilhe de apresentar uma lista alternativa poderá atenuar o desconforto? É cedo para saber.»

Sarsfield Cabral

 
At 1 de janeiro de 2008 às 14:47, Anonymous M. said...

Se querem um Ano Novo, que seja mesmo a valer...

Se querem um Ano Novo,
que seja mesmo a valer,
ponham o Sócrates e João Taveira Pinto na rua,
que não se irão arrepender.

Bom Ano Novo de 2008

 
At 1 de janeiro de 2008 às 14:49, Anonymous Manuel said...

Duas notas sobre o BCP:
A primeira, para registar que o grupinho que lubrificou a meteórica viabilização do Casino de Lisboa, nos finados do consulado do dr. Lopes está em peso, atrás, ao lado e em cima da listita de Santos Ferreira.
Algo que o actual líder parlamentar laranja se deve ter esquecido de dizer ao Dr. Menezes.
A segunda, para registar a ida à luta de Miguel Cadilhe, o tal que Menezes queria na CGD.
Aprecie-se ou não particularmente o estilo, e sobretudo a pose, Cadilhe - demonstra coragem e ousadia.
Keep watching...

 
At 1 de janeiro de 2008 às 14:56, Anonymous J.T. said...

2008 começa com o controle total da comunicação social pelo governo

Quem viu ontem os Gatos, na passagem do ano, contente-se agora com a sua recordação e diga-lhes adeus pelo menos até Outubro.
É que o grupo tem contrato de exclusividade com a RTP, mas está impedido de trabalhar até lá.
Quer dizer: recebem para não trabalhar.
Pareceria uma enorme estupidez, pagar balúrdios a gente que consegue a liderança das audiências, neste preciso momento... para não fazerem nada, cedendo desta forma estúpida uma liderança certa à concorrência.
Mas é preciso perceber que quem lhes paga somos nós. O contrato é com a RTP e os buracos da RTP são sucessivamente cobertos pelo estado. Portanto não faz mal a ninguém.
E depois é preciso perceber-se que eles estavam a ser incómodos de mais para Sócras e a sua pandilha.
Pode dizer-se até que os Gatos eram, neste momento, a única pedra no sapato de Sócras, já que toda a comunicação social está controlada, desde as rádios às televisões, passando pelas sondagens e pela imprensa escrita propriedade de 3 grandes grupos financeiros.

A estratégia parece-me simples: o povo será submetido, a partir de agora, a uma medicação diária de 2 anos, com lavagens sucessivas e permanentes ao cérebro onde se lhe incute que, por pior que os portugueses vivam, este "é o melhor governo do mundo" e a coisa fica assim mais composta e a revolta natural, provocada pela vida cada vez mais difícil e já quase impossível para a esmagadora maioria dos portugueses, fica abafada.

As sondagens continuarão a mostrar que Sócras ganhará com maioria absoluta e quando chegar a hora das eleições espera-se que o rebanho se comporte em conformidade com a ração que lhe é deitada.
Já Pavlov o postulava... o princípio da acção e reacção.

O dramático é percebermos que as poucas vozes que se levantavam a denunciar esta nova ditadura da comunicação social - mesmo que na brincadeira - acabam por ser sistematicamente silenciadas.
Ninguém pode ridicularizar o ridículo Sócrates.
Ninguém pode denunciar as verdades que, aos olhos de todos, assumem proporções de verdadeiro escândalo internacional.
Ninguém pode dizer a verdade, a partir de agora, em Portugal.

E o povo continua oprimido, a pagar cada vez mais pelos serviços cada vez piores, a suportar uma corda ao pescoço cada vez mais apertada pela alta finança, a verdadeira patroa deste - e de qualquer outro - governo.
As poucas vozes vão-se calando... a válvula de escape da sociedade vai-se emperrando, mas isso pode não ser bom para o governo.

Quando uma caldeira ou uma simples panela de pressão aquece cada vez mais e tem a válvula de segurança avariada, o que acontecerá inevitavelmente?

Esta democracia de mentirinha que todos os dias é substituída, nas suas diversas vertentes, por um polvo ditatorial que vai estendendo os seus tentáculos a todas as áreas de intervenção social, instalando-se progressivamente à vista de todos, não sobreviverá muito mais tempo.
Depois de nos tirarem o direito à saúde e depois de deixarem a justiça e o ensino num estado caótico, este governo não poderá esticar muito mais a corda, porque o povo não aguenta.
Penso seu...

Mas, se calhar, sim.
Aguentámos os espanhóis durante 60 anos e a última ditadura mais 48... E já vamos em 34 de anarquia democrática e de assalto generalizado ao aparelho de estado por parte da alta finança que recuperou, em menos de uma década, tudo o que terá perdido na revolução dos cravos.
Já foi indemnizada milhões de vezes mas continua a reclamar mais e mais ainda de quem já não pode pagar nem sequer os juros.

A válvula de segurança da sociedade deve estar lubrificada e operacional.
Não deve soldar-se à estrutura.
O governo deve deixar as pessoas indignarem-se publicamente com a sua atitude despótica e ditatorial.
Para além de um direito constitucional, é a atitude social mais inteligente.
Mas não é isso que se verifica.
São dezenas os exemplos de tentativas de controle da comunicação social. E já nem isso é notícia.
Tal como a subida semanal dos combustíveis já o não são.
É suposto que os portugueses continuem a ser oprimidos e a pagarem pelos bens essenciais o dobro do que aqueles que ganham o triplo do que nós ganhamos, pagam.
Esta indignidade é inclusive defendida descaradamente nas televisões pelos comentadeiros proSócras do costume - os únicos que são convidados a "opinar", hoje em dia.

Não sei quem se lembrou de submeter o povo português a tal indignidade.
Fizemos, os portugueses, mal a alguém para nos calhar esta sina?

Assim está mal, caros leitores.
Assim é fascismo.
Assim Portugal não pode sobreviver enquanto democracia.
Até na América Latina a pobreza intectual deixou de andar de mão dada com a repressão.
Portugal não será excepção.
Ou a alta finança pela mão do seu mordomo, José Sócrates, alivia a opressão sobre o povo, ou um novo 25 de Abril se aproximará a passos largos.
É inevitável.

 
At 1 de janeiro de 2008 às 16:51, Anonymous Anónimo said...

Perdemos a ginjinha do Rossio
E as bolas-de-berlim ao sol de Agosto.
Os pés hão-de deixar de fazer mosto
E o medronho de dar combate ao frio.

A varina, coitada, está sem pio.
A fruta unificada não tem gosto.
O jornal das castanhas foi deposto,
Mas Portugal ganhou o desafio.

Não temos quem nos ponha em risco a vida.
E se nos pesa muito qualquer carga,
Basta alijá-la logo na subida.

Já ninguém usa lança nem adarga,
Os burros são espécie protegida,
E a escola de Medrões tem banda larga.

 
At 1 de janeiro de 2008 às 16:52, Anonymous Anónimo said...

Somos de pura raça lusitana,
Herdeiros de um incerto Viriato,
De um bastardo que foi prior do Crato,
Dos que foram além da Taprobana.

Vendemos lã para comprarmos “lana”,
(“Caprina”, que é negócio mais barato.)
E já produz mais fumo o nosso mato
Do que oxigénio a nossa mata emana.

Povo de heróis, de artistas e de santos,
(Líamos assim… sábios, outros tantos…),
Em seus brandos costumes ledo e manso.

Mas ter como morada este país,
E mesmo assim viver sempre feliz,
– Oh! meus amigos, só de santo ou tanso.

 
At 2 de janeiro de 2008 às 13:11, Anonymous ciro said...

I´m comentador
Cá estou eu mais uma vez, comentador do famoso blog do zé(cobarde) da Ponte, tal cavaleiro andante, de espáda flácida em punho, língua afiada para criticar e ser PORCO, MALCRIADO e EGOCENTRICO COM DOR DE COTOVELO, sem fazer a ponta do corno e sempre tentando remover a poeira do olho dos outros mas sem conseguir, pois tenho um calhau do tamanho do meu ego na minha vista, que só consigo olhar e adorar o meu umbigo centrado no meu farto ventre cheio de veneno destilado pela minha boca peçonhenta. Olha, vão mas é trabalhar cambada de criançolas birrentas, uán, uán.

 

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