terça-feira, 29 de janeiro de 2008

SÓCRATES ENGANOU-SE NO NÚMERO DE TELEFONE?

Há dois António Pinto Ribeiro.

Um, é o ex-programador da Culturgest e um dos principais especialistas em política da cultura.


O outro é advogado, especializado na defesa dos direitos humanos.

O Governo nomeou José António Pinto Ribeiro para ministro da cultura.


O advogado.


P.S.

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8 Comments:

At 29 de janeiro de 2008 às 20:25, Anonymous Anónimo said...

Depois de ter ganho anti-corpos em praticamente todas as áreas por si tuteladas, Isabel Pires de Lima deixou hoje de ser ministra da Cultura, “a seu pedido”.

Para o cargo foi nomeado José António Pinto Ribeiro, jurista fundador do Fórum Justiça e Liberdade, advogado com larga carteira de clientes (entre eles os Gato Fedorento e José Luís Peixoto), além de membro do Conselho de Administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea — Colecção Berardo.

MAIS UM BOY PARA O JOB

 
At 29 de janeiro de 2008 às 20:27, Anonymous Anónimo said...

Concordo com o P.S.: o António Pinto Ribeiro era quem melhor se adequava à função era o outro, o ex-programador da Culturgest e organizador do Fórum Cultural O estado do Mundo (na Gulbenkian).

 
At 29 de janeiro de 2008 às 22:46, Anonymous C.B. said...

Em sei que isso agora não interessa nada, mas o que é que o António Pinto Ribeiro, ministro da (alta) cultura, responderia se pedissem ao António Pinto Ribeiro, presidente da direcção do Fórum Justiça e Liberdade, uma opinião sobre as "transferências" ilegais de prisioneiros da CIA para o campo de concentração norte-americano de Guantanamo em Cuba, entre 2002 e 2006, utilizando o espaço aéreo e/ou o território nacional” ?

 
At 30 de janeiro de 2008 às 19:31, Anonymous J.U.M. said...

Confesso que a remodelação governamental me surpreendeu, a pouco mais de um ano de legislativas nenhum dos novos ministros vai fazer algo de substancial a não ser substituir a imagem do ministro anterior. Estava convencido de que Sócrates iria preferir liderar o primeiro governo a chegar ao fim do mandato sem remodelações, deserções ou revoltas a “bordo”. Ao remodelar acabou por me surpreender duplamente, por ter remodelado e pelos ministros que substituiu, trocou o ministro que dava mais nas vistas e uma ministra de que ninguém já se recordava que ocupava a pasta da cultura. A par dos ministros houve um secretário de Estado que teve honras de remodelação, sorte que não terão os anónimos secretários de estado da Saúde e da Cultura.

Correia de Campo é o exemplo do técnico que não tem jeito para a política, tal qualidade implica nada fazer e dar-se bem com as forças vivas da nossa sociedade, os autarcas, o aparelho do partido e os jornalistas. Correia de Campos deu-se mal com eles todos, logo nos primeiros tempos teve que enfrentar algumas distritais do PS por não nomear os boys sugeridos pelo partido. Ao querer reformar o SNS Correia de Campos teria que cair em desgraça, o SNS desejado pelos autarcas e pelos aparelhos partidários é uma espelunca cara que fica perto de todas as populações, pouco lhes importa a qualidade, o importante é que os eleitores mais velhotes se sintam acarinhados.

O desenvolvimento técnico da saúde exige grandes investimentos em tecnologias e recursos humanos, obrigado a uma alteração do modelo de distribuição dos sérvios de saúde. O ministro começou a reforma mas não a explicou, pior do que isso, esqueceu que a concentração das urgências obrigava a um forte investimento no transporte de doentes. Os últimos dias evidenciaram que alguém se esqueceu de que eram necessários transportes de urgência eficazes, tecnicamente bem apetrechados e pessoal especializado. É bom ter uma urgência muito eficaz mas se esta fica a trinta ou quarenta quilómetros de nada serve se o doente chegar lá morto porque foi atendido por um bombeiro voluntário com carta de ligeiros.

Quanto à ministra da Cultura pouco há a dizer, ninguém percebeu se havia política para a cultura, que havia ministra percebia-se de vez em quando pelas asneiras que ia fazendo.

Como era de esperar Amaral Tomaz saiu como entrou, quando tomou posse foi o único governante a correr para os jornalistas para lhes dizer “cheguei!”, na hora de sair também foi o primeiro a ir correr para os mesmos jornalistas para lhes dizer “vou sair!”. Independentemente das suas qualidades técnicas Amaral Tomaz não tem perfil para político e se o tivesse faria mais sentido ter participado num governo do PSD. Nunca a DGCI foi tão “laranja” do que como a deixou, nem os governos do PSD ousaram nomear tantos boys do PSD para cargos de alta responsabilidade.

 
At 30 de janeiro de 2008 às 19:32, Anonymous Anónimo said...

«O novo ministro da cultura, José António Pinto Ribeiro é amigo de António Costa, e membro do Conselho de Administração da Fundação Berardo. O sr. comendador deu um jeito ao apoiar a lista do PS na recente eleição do BCP, ganha agora um membro do seu conselho de administração a tutelar o ministério com o qual negociava os assuntos da sua colecção no CCB. Em política o que parece é, e ainda sou livre para pensar se tudo isto será mera coincidência.»

 
At 30 de janeiro de 2008 às 19:39, Anonymous K. said...

José António de Melo Pinto Ribeiro, deu ainda aulas no Instituto Superior de Ciências do trabalho e da Empresa e na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.
Como advogado, Pinto Ribeiro tem estado ligado à área da banca. Entre 1974 e 1990 foi assessor jurídico, responsável pela área internacional, do Banco Português do Atlântico. Desde Setembro de 1985 que é representante da Associação Portuguesa de Bancos no Comité Jurídico da Federação Bancária da União Europeia. Actualmente exercia funções de Administrador da PT Multimédia e da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea-Colecção Berardo.
In Diário Digital"

Agora é Ministro da Cultura. Um verdadeiro homem dos sete instrumentos e, talvez por isso, seja bom que sejamos Casimiros.

...
O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta
Ficava de olho aberto via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações.
...
Extracto da Letra "Cuidado com as imitações" de Sérgio Godinho

 
At 30 de janeiro de 2008 às 23:23, Anonymous J.G. said...

Para tentar encontrar um vestígio biográfico que ligasse o dr. Pinto Ribeiro, ministro da cultura, à dita, os jornais foram buscar a sua actividade profissional - advogado - e, dentro dela, seleccionaram o seu cliente, os Gato Fedorento. Também apareceu a Fundação Berardo, o conhecimento de inglês, alemão, francês e, suponho, espanhol, tudo, porém, sem o brilho da referência aos Fedorento. A cultura, porventura, também não exige mais.

 
At 2 de fevereiro de 2008 às 16:28, Anonymous J.G. said...

Quando vi quem era o novo ministro da Cultura - o advogado Pinto Ribeiro - disse a alguém que se tratava de uma espécie de Fernanda Câncio de fato e gravata. "Esquerda caviar", bem ataviado, bom aspecto, boas "causas", com um pezinho bem calçado fora do "sistema" e o resto do corpo bem por dentro, enfim, um pseudo "outsider" que fica sempre bem num regimento partidário de óbvia extracção. Também apoiou Mário Soares na sua recandidatura minimalista e esteve bem à vista, do lado dos "bons", no referendo sobre o aborto. Eis que é justamente Câncio, melhor do que qualquer escriba da secretaria-geral do ministério de Ribeiro, quem produziu o currículo adequado a figurar no "sítio" do MC. Nem Carrilho, quando começou, teve tão boa propaganda. Que nos diz Câncio do seu admirado Ribeiro? «Parece ter no máximo 40 e tal anos. "Uma cara de miúdo", como diz o amigo e sócio nas Produções Fictícias Nuno Artur Silva», ou então, nas palavras de Luísa Schmidt - «socióloga e companheira de luta pelos direitos cívicos», como se estivéssemos a falar de um herói do Tarrafal ou da II guerra mundial - uma criatura com uma «extraordinária energia». Este magnífico homem, para além destes primeiros predicados, ainda pode ser comparado, segundo Nuno, aos U2 porque «faz muita advocacia pro bono». A "colega" piadista Ferreira Alves, não estivesse tão ocupada com o dr. Soares, certamente não diria melhor. Mas há mais. Ribeiro, para descanso do país e das gentes da cultura, é «genuinamente de esquerda» apesar das medonhas origens sociais que não recomendavam o qualificativo e da «advocacia de negócios" (como ele próprio diz), com inúmeros bancos e grandes empresas a fazer o grosso da clientela.» Indomável, Pinto Ribeiro «ia sistematicamente passar férias no estrangeiro, vivia e convivia com outros mundos». É, diz-nos Câncio, em 1978 que este extraordinário cidadão começa a fermentar «a espessura crítica do seu olhar sobre o sistema jurídico português » e a descobrir «a injustiça da justiça portuguesa, portanto.» Nasce, dez anos depois de bem fermentada a ideia, o "Fórum Justiça e Liberdades" que o tornará ainda mais famoso e vaidoso, se bem que Câncio ache que o dito "Fórum" foi «uma referência, durante os anos 90, em termos da defesa e construção de um verdadeiro Estado de Direito», presumivelmente contra Cavaco e contra Guterres. E, para acentuar a "independência" do novo ministro, o panegírico da jornalista recorre a um exemplo mais recente: «Pinto Ribeiro criticou, em Outubro de 2006, o Governo - mais concretamente o então ministro da Administração Interna António Costa -, a propósito da violência policial, por "não impor uma hierarquia de valores adequada às polícias.» Quanto à parte "cultural" propriamente dita do ministro, ficamos a saber que é «um «apaixonado da literatura que adora Ingmar Bergman e "as coisas de humor" (Nuno Artur Silva dixit), advogado de artistas mil (incluindo os Gato Fedorento), bem entrosado no meio das artes plásticas e membro da administração da Colecção Berardo.» Em suma, «era mesmo o Pinto Ribeiro certo.» Tão certo que a socióloga Schmidt já antevê «a inauguração de um novo estilo no Conselho de Ministros», fora o «mecenato cultural» que ele vai «activar graças ao seu espírito empresarial e aos contactos com o mundo da finança.» Finalmente, e num solene momento de introspecção, o nosso homem define-se como sendo «muito convincente» e «correr o risco da demagogia a todo o momento», assegurando nunca ter feito compromissos, «o que é uma coisa muito desagradável para os outros.» E termina com estrépito: «É muito fácil ser-se seduzido, entrar numa teia de relações toda feita de promessas e compromissos. É por isso que é complicado ser-se crítico nisto: só se pode ser isto a sério.» Isto não é o retrato de um ministro da Cultura. Isto é o retrato do pai natal.

 

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