sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

NOVOS RATOS




Continuo a frequentar, com mão diurna e mão nocturna, muitos daqueles poetas que, sem serem a minha escada de Jacob para atingir o céu, têm sido os inseparáveis companheiros da minha jornada para compreender os homens na terra. Muitos deles conheci pessoalmente, de muitos deles fui amigo pessoal, camarada de armas e ouvinte curioso e atento. Não merece a pena nomeá-los; são numerosos e talvez parecesse presunção dizer que com eles comparti tudo o que aconteceu na minha vida. As rivalidades entre eles sempre as coloquei à margem. Deram e continuam a dar a imagem do português médio e arteiro, desolado e trágico, cheio de sorriso e cheio de melancolia.

Não deixo de sorrir quando ouço a vã convocação dos seus nomes, feita por políticos notoriamente distantes do que chamam. Aposto que o dr. Cavaco nunca se deteve numa página de Torga e muito menos de Guerra Junqueiro. Citou-os, no entanto, na abertura das comemorações do centenário da República, com a displicência calma de quem os usa para suportar o que diz. Claro que foi um qualquer assessor do dr. Cavaco o autor do texto. Claro. Mas não deixa de causar uma estranha sensação de mal-estar a designação daqueles que nada têm a ver com estes. Pura girândola.

Há dias, José Sócrates, que, penso, também não será muito dado a estas coisas da literatura, convidou para um almoço (foi um almoço?, não percebi bem) jovens criadores portugueses.


Trocou o nome a um deles, o que não tem muita importância, a não ser que se deseje atribuir importância a um acontecimento medíocre.
Há anos, António Guterres também chamou a São Bento um sortido grupo de intelectuais. O objectivo, disse ele, era o de conviver com os homens e as mulheres que produziam cultura. Confesso que a expressão me incomodou. Saí, acaso espavorido, com Álvaro Guerra, e fomos beber uns uísques, para desanuviar. Não gosto nada destas reuniões. Nada dizem e a nada conduzem, a não ser a circunstância de os convidados sujeitarem-se a ser os brinquinhos da cultura com que os políticos se ataviam. Convites para isto e para aquilo recebo-os com regularidade. Em grupo, rejeito-os. Se for coisa de conversa, de troca de ideias, tudo bem. E tenho obtido conhecimentos e informações importantes, confissões e inconfidências que permanecem sigilosos.

Há dias, fui à estante e tirei um dos mais belos livros de poesia do nosso tempo: O Nome das Coisas, de Sophia de Mello Breyner Andresen, editado em 1977, pela Moraes, no célebre Círculo de Poesia. Gostaria de partilhar com os meus Dilectos a beleza de um texto cuja grandeza jamais é ofuscada pela evidente intervenção que contém. E lá está o sonho permanente de integridade, o gosto inextinguível pela nitidez das coisas, pela eternidade inteira da liberdade.

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome de terrestre.

O poema chama-se A Forma Justa e vai por aí fora. Este pequeno livro da grande poetisa está repleto de ensinamentos a que a ordem do tempo atribuiu valor incalculável. A visão do mundo e a noção da relatividade das coisas encontram-se como um vaticínio (Nestes últimos tempos é certo a Esquerda muita vez / desfigurou as linhas do seu rosto / mas que diremos da meticulosa eficaz expedita / degradação da vida que a Direita pratica?).

Esta mundivivência reverte-nos para a situação actual. Sophia previu, como ninguém, a degenerescência de uma Revolução que recusara a pedagogia em favor da tomada do poder. As críticas que faz aos socialistas são premonitórias. Ela desejava uma sociedade ideal, fraterna e solidária (estas palavras são, hoje, apontadas como anacronismos), onde as possibilidades de tudo estivessem ao alcance de todos.

Assistimos a este desfile de contradições, de mentiras, de vacuidades, a esta petrificação do poder pelo poder, à ascensão da mais parda mediocridade que Portugal já gerou - e desalentamo-nos. Há dias, no programa Prós e Contras, de Fátima Campos Ferreira, RTP-1, ouvimos tamanha dose de pesares que fomos, esbaforidamente, tomar uns Xanaxes, a fim de aliviar, um pouco, o peso do nosso desânimo.

Nada nos impele à esperança; ninguém, daqueles que valem a pena ser escutados, nos induz que as melhorias estão próximas. Pelo contrário: tudo vai piorar, os portugueses vão viver num inferno de dor e assombro, o desemprego vai aumentar dramaticamente, a emigração voltou aos valores da década de 60, quando os homens fugiam a salto, na demanda de um futuro mais justo; quando a nossa melhor juventude abalava da guerra colonial, do salazarismo, da espessa falta de ar e de sonho. Por esses anos, fui ver, em Paris, os bidonvilles, os bairros-da-lata imundos onde sobreviviam os nossos compatriotas. A responsabilidade dessa miséria inominável nunca foi rigorosamente atribuída. Mas sabe-se de quem era. Hoje, a erosão da mocidade mais culta e intelectualmente apetrechada, a angústia de não saber que futuro lhe está reservado faz-nos, de novo, lembrar Sophia:

Cantaremos o desencontro:
O limiar e o linear perdidos.
Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado.
Novos ratos mostram a avidez antiga.

B.B.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A MEMÓRIA ( DE ALGUMAS BESTAS) É MESMO CURTA!

Dívida de Gratidão...


Numa época em que o nosso país e todo o Mundo enfrentam uma época de depressão e desânimo, gosto de pensar e falar de pessoas boas, daquela gente que passou pelas nossas vidas e deixou uma marca, algo que nos ajudou a fazer aquilo que somos hoje.

Sempre ouvi os mais velhos dizerem que «Ponte de Sor é mãe para os de fora e madrasta para os que cá nasceram.» Infelizmente, esse adágio foi-se confirmando ao longo da minha vida, o que talvez possa explicar o pouco espírito bairrista que germina nas pessoas naturais de Ponte de Sor. Mas adiante.

E é precisamente sobre uma pessoa que, embora não tenha nascido em Ponte de Sor, muito jovem aqui se estabeleceu. E que Ponte de Sor não tratou bem, reconhecendo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos.

Falo, claro, do
Dr. João Martins Gomes Pequito,

ou Dr. João Pequito ou, mais simplesmente, do Dr. Pequito.

O Dr. Pequito foi, desde os meus tempos de estudante, uma referência importante e, quiçá, uma das pessoas que mais me influenciou na escolha da profissão que tenho hoje.

Nasceu em Lisboa em 27 de Fevereiro de 1928 em Lisboa, onde se licenciou em Filologia Germânica, tendo dedicado toda a sua vida ao ensino, primeiro em vários Liceus de Lisboa e, desde 1967/68, em Abrantes, onde foi Vice-Reitor.

Em 1975 foi transferido para a recém criada Escola Secundária de Ponte de Sor, onde leccionou até se reformar, em Junho de 1991.

Foi uma figura multifacetada. Lembro-me, particularmente, de uma entrevista que deu à jornalista Maria Elisa (acabadinha de entrar na RTP), onde falou do amor que tinha pelas crianças e por teatro de fantoches, se não estou em erro. Devíamos estar no início da década de 70 e foi um vizinho meu que, no Café Matuzarense, me explicou que aquele senhor era pontessorense e o marido da Dra. Maria José Mattos Fernandes, a proprietária da Farmácia Mattos Fernandes. E eu, petiz e curioso, lá fiquei a ouvir aquele senhor falar de teatro, de bonecos, sempre com um sorriso e aquela melena que, já na altura, era a sua «imagem de marca».

Foi amigo de Virgílio Ferreira, de David Mourão Ferreira, de José Régio, de Vieira de Almeida...

Foi cronista em vários jornais, como o «Diário de Notícias» e «Ecos do Sor», onde escrevia regularmente.

O seu extraordinário conhecimento de línguas (o seu sotaque «british» era algo que me dava um prazer enorme escutar!) permitiu-lhe desenvolver contactos com o Partido Socialista Inglês, tendo fundado o Partido Socialista de Ponte de Sor, em 1975.

Faleceu no dia de Natal de 1999, com 70 anos.

O Dr. Pequito tem sido, ao longo dos tempos, maltratado por todos aqueles que têm o dever de perpetuar o exemplo de um homem íntegro e bom.

Neste 10 anos que se seguiram após a sua morte, a única homenagem que vi prestarem a este Homem de letras, pedagogo, humanista e culto, foi um artigo assinado pelo Jorge Traquete no suplemento O2 do «Ecos do Sor». Celebrava-se, então, o sexto aniversário da sua morte. Dizia:


"Estas linhas pretendem assinalar os seis anos da morte de um homem que alguém classificou como “um pioneiro da democracia”. Um homem convicto que, enquanto Reitor do Colégio de Abrantes, democratizou o ensino, numa cidade onde os vínculos ao antigo regime eram por demais evidentes e até férreos! Um gentleman na verdadeira acepção da palavra."

Foi sempre uma pessoa do seu tempo, as suas aulas de Inglês e Alemão eram sempre um acontecimento, conseguia motivar os alunos sem «estratégias», «projectos», «planificações», sem nada daquilo a que o eduquês nos habituou, somente o seu amor pelo ensino e pelas línguas.

Quando o Dr. Pequito ainda estava em Abrantes, ainda como Reitor, em finais de 1972, lembro-me de ter terminado o meu 2º ano na nova Escola Preparatória de Ponte de Sor e ter que optar: ou ficaria em Ponte de Sor e matricular-me-ia na Escola Técnica ou teria que ir para Abrantes, onde poderia continuar o Liceu e seguir a minha paixão pelas línguas.

Foi a primeira vez que falei com ele. O meu pai deixou-me à porta do Liceu e eu lá tive que procurar pelo gabinete do Reitor.

Entrei no gabinete, a medo, e encontrei-me perante «o Reitor», esmagado pelo poder que aquela figura imponente me transmitia. Logo ali me pôs à vontade, ao saber que eu vinha de Ponte de Sor. Apresentei-me, disse qual era a minha família, tudo isso e apresentei-lhe o meu dilema. Lembro-me de ele me dizer:

«Se gostas de línguas, nada a fazer. NÃO VAIS para a Técnica, isso era um crime. Tens de ir para o Liceu!»

Logo assim, tão peremptório que eu logo não vacilei. Dei o meu nome, inscrevi-me e ele, com um olhar matreiro, explicou-me que havia outros como eu e que, se houvesse mais, haveria a hipótese de se criar uma turma em Ponte de Sor.

E assim foi. No ano lectivo de 1972-73 foi criada, não uma, mas sim duas turmas que fundaram a Secção de Ponte de Sor do Liceu Nacional de Abrantes! E tudo isto pela influência vocês sabem de quem!

Outro episódio que gosto de referir diz respeito ao período do pós 25 de Abril, 1975 ou 1976. Eu estava no 6º ano, na altura chamado de 1º Ano do Curso Complementar dos Liceus e o Dr. Pequito era o meu professor de Inglês. Eu tinha desenvolvido alguma cumplicidade com ele, em parte por ser meu professor mas também por o meu pai ser dono do café onde o Dr. Pequito gostava de tomar a sua bica e os seus «proletários». E o que eram esses «proletários»? Eram os «uísques proletários», brandy com 7Up!

Lembro-me que, pelas tardes, gostava de ir até ao café ler «O Mundo Desportivo». E eu dava com ele inúmeras vezes a rir, ao ler as notícias desportivas! Mas que enigma... que um dia descobri, quando lhe ia levar o «proletário»: dentro do jornal, conseguia manobrar um livro de anedotas, na altura chamadas picantes, de nome «Riso Mundial»!

Vendo-se descoberto, lançou uma das suas gargalhadas que enchiam qualquer sala... com aquele sentido de humor sempre presente, sempre inteligente!

Adorava «meter-me com ele» sobre aquilo que nos dividia: eu era Benfica, ele Sporting! Quando o Sporting perdia, era vê-lo se semblante carregado, mas quando o azar calhava ao Benfica, afivelava o seu maior riso trocista e ninguém o parava!

Do que eu conheço do Dr. Pequito, só teve uma homenagem em vida. Foi o Núcleo Sportinguista da nossa cidade que lhe promoveu uma sentida homenagem, das mãos do então Presidente Sportinguista, Sousa Cintra.

Ainda do artigo do Jorge Traquete, nos «Ecos do Sor», em 2004, respingo mais estas palavras, que ajudam a compreender o carácter da pessoa que foi o Dr. Pequito:

"Apenas por uma vez tentei uma entrevista com ele. Escrevia eu para o “Primeira Linha” de Abrantes. O Dr. Pequito recusou. Lembro-me das palavras dele: “Penso que não tenho muito a dizer. o leves a mal mas fica para a próxima”. É uma das imagens que guardo com grata memória, a forma como declinou a entrevista e que atesta o perfil deste homem. Os ingleses chamam-se low profile. Eu chamo-lhe humildade."

Tendo prestado tantos e tão bons serviços na Escola Secundária de Ponte de Sor, quiseram perpetuar o seu exemplo, propondo, em 1998-99 o nome do Dr. João Pequito para nome desse estabelecimento de ensino. Infelizmente, a Assembleia de escola recusou! Por que motivos? Esse é um mistério que irá perdurar para sempre, pois nem sequer lhe foi proporcionado uma festa de despedida para aqueles que o quisessem homenagear!

E que dizer da nossa Câmara Municipal? Em Fevereiro de 2000, a Assembleia Municipal aprovou por unanimidade (por unanimidade, repito!) homenagear este distinto humanista com o nome de uma rua. Conforme é fácil de constatar, em 10 anos nada foi feito! Será que não foram criado bairros novos? novas ruas? E que outros nomes foram atribuídos? Só dá vontade de rir... para não chorar!

Partindo de políticos, não me espanta. Porque, como disse Alphonse Carr, «O esquecimento é a morte de tudo quanto vive no coração.» E existirá criatura mais sem coração do que um político?

E já vou longo, mas este era um post que eu já há muito queria fazer. Acho que devia isso à memória do Dr. Pequito.

E, quem sabe, poderá despertar algumas consciências adormecidas! O Dr. Pequito, o seu exemplo, a sua postura de coluna direita merece-o!

Como nota final, quero agradecer ao Jorge Traquete e ao jornal «Ecos do Sor» por me terem facultado o artigo de homenagem ao Dr. Pequito, bem como as fotos. Um grande obrigado do Papagaio!


PAPAGAIO DALTÓNICO


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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

EM PORTALEGRE CIDADE, ACONTECE...

CENTRO DE ARTES DO ESPECTÁCULO DE PORTALEGRE
Praça da República, 39
7300-109 Portalegre

Tel.: 245 307 498
Fax.: 245 307 544
mail: geral.caep@cm-portalegre.pt
web: www.cm-portalegre.pt/caep
blog: www.caeportalegre.blogspot.com
MySpace: www.myspace.com/caeportalegre

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

EM PORTALEGRE ACONTECE...EM 2009

Mississippi Gospel Choir
3 de Janeiro :: 21.30h
Com canções conhecidas e muito sentidas, o “Mississippi Gospel Choir” leva a sua mensagem de Paz e Solidariedade além-fronteiras.
Grande Concerto de Ano Novo
6 de Janeiro :: 21.30h
O regresso ao CAEP após o êxito da edição anterior,é o Grande Concerto de Ano Novo, com uma actrativa seleção das melhores valsas, polcas e marchas de Strauss.
A Verdadeira Treta
15 e 16 de Janeiro :: 21.30h
Um regresso à essência da “filosofia do disparate” que já fez rir milhares de espectadores... que há muito reclamavam por mais!
NOUVELLE VAGUE
6 de Fevereiro :: 21.30h
Versões de temas conhecidos dos Joy Division, Depeche Mode, Tuxedomoon, The Clash, The Cure, Sisters of Mercy, entre outros, completamente transfigurados para ritmos.

CENTRO DE ARTES DO ESPECTÁCULO DE PORTALEGRE
Praça da República, 39
7300-109 Portalegre
Tel.: +351 245 307 498
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

EM PORTALEGRE, CIDADE - ACONTECE...

Dia 13 de Junho de 2008 - sexta-feira
Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre
Início 22h
Preço único: 10€ * Classificação: M/12 anos



Um Poeta do Físico e um Acrobata Verbal! Corredor de Riscos Desnecessários! Professor de Invenções Fantasticamente Inúteis! Advogado Arduoso dos Milagres Comuns! Lunático Certificado e Mestre do Impossível…

Tomás Kubínek nasceu em Praga (ex-Checoslováquia), e com a idade de 3 anos fugiu do país com os seus pais, conseguindo escapar à invasão soviética de 1968.

Depois de um período num campo de refugiados na Áustria, a família conseguiu asilo no Canadá, e foi aí, em Ontário, que Thomas viu o seu primeiro circo, com 5 anos de idade.
A partir dessa experiência, tornou-se um apaixonado por palhaços, circos, teatro e magia, e os seus perplexos mas ainda assim compreensivos pais levaram-no a ver um grande número de espectáculos circenses.


Aos 9 anos, Kubinek apresentou a sua primeira performance, com um exigente público de mágicos veteranos.
Aos 13 anos, já tinha um agente, actuando em cafés entre os números musicais, e na sua adolescência fez a estreia no circo, com um duo de palhaços brasileiros.
A partir desse momento o seu destino estava traçado…

Trabalhando em todo e qualquer ocupação relacionada com o show-bussiness, o empreendedor Senhor Kubinek conseguiu poupar o suficiente para viajar pela Europa, onde estudou com grandes mestres teatrais, como Monika Pagneaux, Pierre Byland, Jaques Lecoq e Boleslav Polivka.

Estes estudos, combinados com as suas incansáveis experiências na arte da performance ao vivo, levaram-no à criação do seu premiado espectáculo, que depois de visitar festivais internacionais de teatro pelo mundo inteiro, trará o seu burlesco anárquico aos palcos do Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre.


Absolutamente perfeito e consistentemente elegante!
The New York Times (E.U.A.)

Hilariante e enormemente talentoso.
Time Out Magazine (Inglaterra)

Kubinek é 50% de homenagem aos cómicos de eras antigas e outra parte igual de absurdidade à Monty Python.
The Seattle Times (E.U.A.)


CENTRO DE ARTES DO ESPECTÁCULO DE PORTALEGRE
Praça da República, 39
7300-109 Portalegre
Tel.: 245 307 498
Fax.: 245 307 544
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sexta-feira, 4 de abril de 2008

O DEVER DA MEMÓRIA

Dos que se antigamente mais prezaram
todos os que escreveram, foy honrar
a própria língua, e nisso trabalharam

António Ferreira - Liv. I. Cart. 3.ª


A amnésia história é uma estratégia ideológica dos poderes que, apenas, se reclamam do presente – e o impõem como normativa.
Pouco ou nada se sabe daqueles que, nos períodos mais negros da nossa História, desenharam a fisionomia moral e intelectual do País.
É um rol onde figuram nomes admiráveis de uma cultura que nenhum tirano conseguiu aniquilar por completo: cientistas, prosadores, poetas, cineastas, dramaturgos, jornalistas, pintores, actores, médicos, investigadores de múltiplos ramos.

Apenas por terem, no final da II Grande Guerra, assinado petições e protestos, manifestos da Oposição democrática ou, simplesmente, manifestado incompatibilidade com a política de Salazar, centenas de intelectuais foram demitidos dos seus cargos, presos, perseguidos. É um inominável crime de lesa-pátria.
A Resistência cultural portuguesa foi, no dizer do grande jornalista republicano Carlos Ferrão, uma demonstração de grandeza moral incomparável na Europa dos fascismos.
Mas o apagamento dessa virtude maior tem sido sistemático.
A pedagogia da História não interessa a quem não está interessado na questionação das origens do seu próprio poder.

Sobre este e outros temas afins discorri, há dias, com o meu velho e querido amigo Fernando Paulouro, director do Jornal do Fundão.
Para quem não saiba, o Jornal do Fundão é uma honra da Imprensa portuguesa, e o seu director um dos maiores jornalistas contemporâneos. Manejando o idioma com a destreza e o amor de quem frequenta os clássicos, e neles recolhe o poder da sua magnitude, Fernando Paulouro publica, semanalmente, textos raros, pela dignidade, pela coragem, pela ética – e pela gramática.
Falámos sobre a necessidade da memória.
Admitindo, a seguir, que a memória está a ser dissolvida pela falsa memória do computador e da Internet e para quem é incómoda.
O déspota abomina a memória, pela ameaça que representa. Milan Kundera disse-o [O Livro do Riso e do Esquecimento], acaso melhor do que qualquer outro: A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento.

Já poucos sabem quem foi (é) José Gomes Ferreira, o autêntico, um dos poetas fundamentais do século XX. Aquilino, Tomaz de Figueiredo, Carlos de Oliveira, Nemésio, Miguel Torga, Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, José Cardoso Pires, Nuno Bragança, Augusto Abelaira, Mário Dionísio, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Antunes da Silva, Garibaldino de Andrade, Sebastião da Gama, Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Luís Veiga Leitão, Egito Gonçalves, João Apolinário, João Gaspar Simões, Domingos Monteiro, João Pedro de Andrade, Álvaro Salema, Joel Serrão, Vitorino de Magalhães Godinho, Vitorino de Magalhães Vilhena, Manuel Valadares, Bento de Jesus Caraça, Abel Salazar, Alexandre Pinheiro Torres, Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Branquinho da Fonseca, José Régio, Adolfo Casais Monteiro, Armindo Rodrigues, Irene Lisboa, Maria Archer, Natália Correia, Fernanda Botelho, Maria Judite de Carvalho, Ary dos Santos. Se alguns destes persistem na lembrança delida é, sobretudo, pelas suas eventuais excentricidades, por características que nada têm a ver com a literatura, com a herança legada, com a dimensão da sua entrega.

O rol dos nossos esquecimentos elabora as omissões à nossa própria História.
Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo.
A citação, agora, pertence a George Santayana, e permite que reflictamos sobre as nossas negligências culturais e políticas, dando ensejo à destruição sistematizada do inventário colectivo e à criação de um monstruoso sistema de domínio.

Fernando Paulouro não se cansa de nos alertar para as perversões de uma sociedade extraviada na mercantilização dos próprios sentimentos.
Aqueles que referi, e de que falámos, propunham o conhecimento, a paixão e a vontade como criadores de uma sociedade de tolerância, em oposição ao salazarismo.
O fundador do Jornal do Fundão, António Paulouro (tio do Fernando) fora, a princípio, simpatizante do Estado Novo.
Cedo se lhe opusera, sem jamais se arrogar a presunção de que dispunha de verdade única. E abriu as colunas do semanário a todas as correntes de opinião: de José Hermano Saraiva a José Saramago.
A lista de colaboradores do jornal é impressionante, e creio que incomum, pela quantidade e pela qualidade dos nomes.
Estão lá todos os melhores da cultura portuguesa.
E António Paulouro pagou caríssimo o destemor de ser um homem livre. Livre, talentoso, culto, honrado e de extrema generosidade.
O sobrinho herdou-lhe as virtudes.
Nunca, como o tio, desejou possuir o monopólio da razão das razões.
Mas também, como o tio, nunca abdicou das convicções, continuando o magistério irrefutável contido na essência do Jornal do Fundão – combatendo o esquecimento, nunca omitindo aqueles que ergueram os marcos das nossas construções morais, e sem nunca perder de vista as exigências e os prestígios da modernidade.

A amnésia história é (repito) um projecto ideológico para a sustentação de um programa de poder reaccionário.
Há muito para saber, e o homem pode e tem o direito de saber.
Como poucos periódicos portugueses o Jornal do Fundão consigna o princípio de considerar a razão do outro, porque reconhece que o outro pode estar convencido de dispor de outra razão, cujo testemunho deseja prestar. E enquanto a chamada grande Imprensa promove a mediocridade resultante da sua própria, as páginas do semanário da Beira Interior continuam, galhardamente, a batalha contra o esquecimento.

A simples enunciação das derivas da ignorância, e o lembrete daqueles que integraram as nossas configurações éticas, estéticas e ideológicas reenviam-nos às origens dos pessoais relaxamentos.
Conversámos, o Fernando Paulouro e eu, pela tarde fora, com o tempo suficiente para o não perdermos.
O esquecimento traz a incivilidade e desemboca na incoerência social.
A época em que vivemos é propícia ao desaparecimento do lugar simbólico, e o poder tem a tendência de diminuir e de apagar os nossos registos.
Que este artigo fique, pois, e somente, como um voto de homenagem a um semanário e a um jornalista por igual honrados e livres.

B.B.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PORTALEGRE JAZZFEST 2008


Clique na imagem para ler na integra

Dia 21 de Fevereiro – Júlio Resende “Da Alma”

Grande Auditório - Jazz

Inicio 21.30h

Preço único 10 euros

Livre-Trânsito 20 euros

Júlio Resende nasceu em Faro e começou a tocar piano aos quatro anos de idade. Mais tarde, inicia os seus estudos no Conservatório Maria Campina, com a professora de piano Oxanna Anikeeva e o professor de formação musical, Paulo Cunha. Não nasceu para intérprete clássico, pois não consegue tocar uma peça sem ter vontade de improvisar. Assim, iniciou os seus estudos de jazz em 2000 com o contrabaixista e pedagogo Zé Eduardo.

Posteriormente, fez parte do Ensemble do Hot Clube que tem o intuito de representar a Escola do Hot Clube em eventos culturais. Pelo Hot Clube também ganhou o prémio para “Melhor Combo” no âmbito do concurso inter-escolas realizado na Festa do Jazz do Teatro S.Luís em 2005.

Participou em vários workshops internacionais, nos quais trabalhou com professores de prestigiadas Universidades de Jazz dos E.U.A., como a “New School for Jazz and Contemporary Music” e a “Berklee College of Music”: Aaron Goldberg, Gary Versage, Greg Tardy, Matt Penman, Frank Tiberi, Mark Ferber, Jonathan Kreisberg, Omer Avital, entre outros.

Entre os músicos com quem já tocou conta-se Pedro Moreira, Bernardo Moreira, Alexandre Frazão, Nuno Ferreira, Matt Lester, Hugo Alves, Bruno Pedroso, Maria Viana, entre outros.

Recentemente formou o Júlio Resende 4teto, com o intuito de trabalhar composições originais suas, e com o qual tem actuado em Auditórios e clubes de Jazz por todo o país. O primeiro disco do seu quarteto, “Da Alma”, saíu no final de 2007 através da editora Clean Feed.

Júlio Resende - piano

Zé Pedro Coelho - saxofone tenor

João Custódio - contrabaixo

João Rijo - bateria

www.julioresende.com

www.myspace.com/julioresende



Dia 22 de Fevereiro – Trio Joachim Kuhn, Daniel Humair e Jean Paul Celea

Grande Auditório - Jazz

Inicio 21.30h

Preço único 10 euros

Livre-Trânsito 20 euros

Joachim Kühn

Nascido em Leipzig (ex- R.D.A.) em 1944, o pianista Joachim Kühn já deixou a sua marca no jazz contemporâneo, demonstrando sensibilidade e técnica virtuosa, aliadas a uma imaginação e a um infalível sentido de dinâmica.

Tanto na interacção com os seus parceiros musicais de longa data (entre os quais se encontram Daniel Humair e Jean Paul Celea), ou nas suas actuações a solo, Kuhn consegue sempre fazer dos seus espectáculos uma experiência única.

Começando a tocar jazz aos 17 anos, Kühn conseguiu fugir para Berlim Ocidental 5 anos depois, onde iniciou uma carreira que o levou a tocar no mítico Festival de Jazz de Newport, e a gravar com o produtor Bob Thiele (da editora Impulse), e Jimmy Garrison (baixista de John Coltrane).

Depois de passagens por Paris (onde tocou com Don Cherry), Nova Iorque (participando no álbum “Black Narcissus”, do saxofonista Joe Henderson), Kühn sediou-se nos anos 80 em Hamburgo, tendo sido dos primeiros músicos ocidentais a tocar na Alemanha de Leste após a queda do Muro de Berlim.

Destaca-se nos anos 90 a sua colaboração com Ornette Coleman (com quem ainda grava regularmente), em vários concertos e no álbum “Colors”, gravado ao vivo.

Depois de trabalhos incidindo em variações sobre peças de música clássica, colaborações com músicos africanos e arábicos de nomeada como o percussionista Moussa Sissoko e o tocador de Oud Rabih Abou Khalil, Kühn conseguiu hoje atingir um estado de maturidade que se mantêm no entanto sempre aberto a novos encontros e linguagens musicais.

O seu trabalho está centrado na pura qualidade da música, em comunicar o âmago da experiência emocional através da música.

Daniel Humair

Nascido em 1938 na Suiça, Humair é actualmente o Deão dos bateristas de jazz europeus, tendo já recebido do Estado Francês as suas mais altas condecorações culturais, assim como os prémios mais importantes da crítica.

Já tocou nos festivais de jazz mais conceituados (Newport, Monterey, Nova Iorque, Milão, Barcelona, Antibes, Nice, Montreux, Paris, Berlim, Chicago) e gravou com nomes tão importantes (muitos deles já presenças em Portalegre no Festival de Jaz) como Chet Baker, Don Byas, Eric Dolphy, Jean-Luc Ponty, Stephane Grappelli, Dexter Gordon, Henri Texier, Michel Portal, Enrico Rava, Louis Sclavis, um currículo invejável para uma carreira que já conta com mais de 200 discos.

Jean Paul Celea

Nascido na Argélia em 1951, Celea é um músico com estudos clássico-contemporâneos, de violão e contrabaixo, feitos em diversos conservatórios franceses, tendo posteriormente tocado como solista em várias Orquestras Filármónicas, sob as ordens dos maestros Pierre Boulez, Luciano Berio, Karlheinz Stockhausen, entre outros.

Começou a dedicar a sua atenção ao jazz nos anos 70, tocando em várias formações e países com artistas de nomeada como Michel Portal, Steve Lacy, John Surman, John McLaughlin, etc.

Começou a partir dos anos 90 a dar aulas nos conservatórios de Lyon e Paris, compondo também peças musicais pata Teatro e Dança.

Em 2003, Celea recebeu a Medalha de Cavaleiro das Artes e Letras, a mais alta condecoração cultural em França.

De referir, que embora estes três artistas e cúmplices musicais já por várias vezes tenham tocado juntos, esta actuação em trio será uma estreia absoluta no nosso país.

www.joachimkuehn.com

www.danielhumair.com

www.label-bleu.com

Dia 23 de Fevereiro – One night with Melissa Walker and Friends…

Grande Auditório - Jazz

Inicio 21.30h

Preço único 10 euros

Livre-Trânsito 20 euros

Melissa Walker – Voz

Vana Gierig – Piano

Sean Conly – Baixo

Clarence Penn – Bateria

“Melissa Walker merece ser considerada como uma das vozes mais sensíveis da sua geração.”

Billboard (E. Unidos)

“Penso nas canções como histórias. Elas representam e descrevem as nossas crenças universais sobre o significado do amor, alegria, saudade, perda, remorsos, os caminhos percorridos e não percorridos. As canções capturam a essência dos nossos espíritos e ajudam a definir a nossa vida espiritual; são celebrações do que conseguimos e de quem somos.

São as minhas oferendas aos espectadores, que idolatram a Arte da Canção…”

Melissa Walker

Com a sua rica e variada textura vocal, o seu fraseado irrepreensível, Melissa Walker conseguiu num curto espaço de tempo a aprovação dos seus pares e a aclamação critica internacional, além da reputação de fascinar os espectadores nas suas actuações ao vivo, com um misto de aura cativante e interpretação despojada. Walker já esgotou espectáculos no mundo inteiro, tendo actuado no Brasil, Japão, nos principais países europeus, com presenças nos prestigiado Festivais de Montreux e de Nice, além de diversas digressões pelos Estados Unidos, país para onde se mudou ainda jovem, vinda do Canadá, onde nasceu em 1964 de pais americanos.

Ao longo da sua carreira, Melissa Walker tem trabalhado com nomes sonantes do jazz, como Aaron Goldberg, Wynton Marsalis, Kenny Barron, Hank Jones, Phil Woods, Buster Williams, Sadao Watanabe, Gary Bartz e Christian McBride, com quem se casou em 2005, e ainda jovens génios como Stefon Harris, Russell Malone e Makoto Ozone.

No início da sua auspiciosa careira teve ainda a possibilidade e a honra de actuar com lendas seminais do jazz e da canção contemporânea, como os já falecidos Ray Brown e Ray Charles.

Melissa Walker também já esteve presente em diversos programas de televisão, com actuações nas estações ABC e Fox, além de diversas participações em programas no estrangeiro.

Da sua discografia, um corpo de trabalho com diversas nuances, destacam-se os álbuns "May I Feel”, de 1997 (que recebeu uma nomeação ao Prémio Indie (Estados Unidos) e I Saw The Sky”, nomeado em 2002 para o prestigiado Prémio Juno (Canadá), ambos por Melhor Álbum de Jazz Vocal do ano.

Em 2008, entre uma digressão europeia que passará por Portalegre, e vários projectos musicais, destaca-se o lançamento do novo álbum, ainda sem título, que Walker virá apresentar no JazzFest.

Na sua riqueza, alcance e flexibilidade, Melissa Walker possui uma das melhores vozes do jazz contemporâneo.”

Bob Protzman, The Post Gazette

As melhores interpretações de Melissa Walker não são apenas hipnotizantes, são maiores que a vida… conseguir que o resto do mundo se desvaneça é fácil, enquanto somos enfeitiçados pela sua voz…

The Washington Post

www.melissawalker.com

Dia 22 e 23 de Fevereiro – Scott Fields Freetet

Café Concerto - Jazz

Inicio 23.30h

Preço único 5 euros

Livre-Trânsito 20 euros

Scott Fields - guitarra eléctrica

Achim Tang - contrabaixo

João Lobo - bateria

O trio de Scott Field, intitulado por este de “Freetet” (traduzível por “Trio Livre”, no sentido de improvisação livre), foi inspirado pelos grupos clássicos de free jazz dos anos 60, mas com algumas inovações.

Como os trios e quartetos de Ornette Coleman, mas com a inclusão de instrumentos de cordas, o “Freetet” trabalha dentro de uma sequência de solos e interlúdios, com um compêndio de assinaturas temporais que estão sempre em profundo movimento, acrescentando e “perdendo” batidas fractais, de forma a dar à música um carácter improvisacional e inesperado, ao mesmo tempo mantendo o espírito e o estilo de algo sonoramente jazzístico.

O resultado deste esforço dividido em três partes é um de free jazz com receita excêntrica, propulsiva e cativante.

A primeira gravação do grupo “Bitter Love Songs” surgirá em 2008 através da editora portuguesa Clean Feed Records (www.cleanfeed-records.com).

Seguir-se-á outro lançamento em 2008, “Songs for the Chicago Radio Program ‘This American Life, ‘”, com edição da Neos Records.

O guitarrista/compositor Scott Fields é um genuíno aventureiro musical, tão à vontade a explorar sistemas musicais complexos como a improvisar livremente. A questão que se põe é a seguinte: Quando (utiliza a improvisação ou os sistemas complexos)?

Porque Fields é daqueles intérpretes cuja confiança e abstracção no tocar pode misturar estes dois métodos e tornar num desafio os seus espectáculos.”

— Stuart Broomer, “Signal to Noise”

Há definitivamente um sabor clássico no som de Scott Fields, mas é temperado com uma vertente irreverentemente improvisacional.”

— Peter Margasak, “Chicago Reader”

www.myspace.com/scottfieldsensemble


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