quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O PORTUGAL DE ...


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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

NOVO LIVRO DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO


















































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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

É JÁ SÁBADO



































Assistir ao trabalho dos criados do capital é deprimente, mas a falta de esperança é irmã gémea da falta de coragem. 
As razões para a indignação são demasiadas. 
É preciso gritar. No dia 15 de Setembro, quem ficar calado não tem razão.  

José Luís Peixoto


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segunda-feira, 7 de maio de 2012

BRANCO INCANDESCENTE


Havia os dias em que eu acordava com as vozes das mulheres na tapada. Começavam a trabalhar bastante cedo porque o calor era por demais. A partir de meio da manhã, já custava aguentá-lo; a partir da tarde, já ninguém podia com ele. As mulheres eram a minha mãe, a minha avó e, talvez, alguma vizinha a quem a minha mãe tivesse pedido para ajudar. A essa hora, a luz do sol já se espalhava por tudo: pelos torrões de terra, grossos, secos, pelas folhas finas das oliveiras ou pelo toque dos sinos na torre da igreja, a marcar as horas com pancadas solenes. As vozes das mulheres, feitas de manhã, misturavam-se com tudo isto.

Quando eu chegava ao quintal e me inclinava sobre o muro da tapada, via-as a caiarem as traseiras da nossa casa. Usavam lenços na cabeça que as tapavam até ao pescoço e, sobre eles, chapéus de palha. Por cima da roupa, usavam batas; por baixo das saias, usavam calças. Molhavam os pincéis grossos na cal e raspavam-nos ruidosamente nas paredes. Para chegarem às partes mais altas, os rebordos dos beirais, prendiam pincéis na ponta de canas com vários metros de altura. Eu admirava-me com esse trabalho. A cal escorria pela parede, aguada e branca. A parede cheirava a cal, a pedra fresca. As mulheres estavam sempre bem-dispostas. Nessas manhãs, pareciam-me mais novas.

Na minha rua, havia paredes de casas que tinham tantas camadas de cal sobrepostas, ano após ano, que tinham perdido a origem da sua forma. Eram casas brancas, de superfície ondulada, com as esquinas arredondadas. Eu sabia que as suas paredes eram grossas e que, mesmo debaixo da maior força do calor, eram frescas. Por fora, com as portas apenas no trinco, não era preciso fechá-las à chave, pareciam grutas brancas, fortes e limpas. Mesmo quando as viúvas morriam e não havia ninguém para caiar essas casas durante anos, as paredes mantinham o asseio. Então, eu e as crianças da minha idade, arrancávamos lascas de cal com as unhas e, às escondidas, gostávamos de comer as mais fininhas.

Havia também os dias em que eu acordava mais cedo e assistia à maneira como as mulheres tiravam grandes pedras de cal de uma saca e as deixavam cair num bidão meio cheio de água. As pedras de cal faziam a água ferver. Era esse o fenómeno, parecido com um milagre, a que eu queria assistir. Depois, seguravam um pau com as duas mãos e mexiam essa água grossa, branca, que rebentava bolhas lentas, acompanhadas por barulhos líquidos, como um animal cansado.

Nesses dias, almoçávamos ensopado de borrego no quintal, à sombra dos pessegueiros. As mulheres falavam de qualquer assunto que as fazia sorrir, as suas vozes misturavam-se com o tempo. Eu ouvia-as, prestava atenção a cada frase, aquilo que diziam dissolvia-se em claridade, mas também reparava nas gotinhas de cal que lhes tinham secado na pele do rosto, a pouca distância dos olhos. Cal sobre a pele. Havia nitidez nas cores, a luz era toda verdadeira e, como o sol reflectido na cal, as mulheres encandeavam

José Luís Peixoto(texto)
Sharking (foto)

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domingo, 8 de abril de 2012

ENTREVISTA DO JOSÉ LUÍS PEIXOTO

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sexta-feira, 23 de março de 2012

NOVO LIVRO DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO



O livro A Mãe Que Chovia é o primeiro livro infantil de José Luís Peixoto, com ilustrações de Daniel Silvestre da Silva.




Chegará às livrarias a 13 de Abril de 2012.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

UMA REVISTA A LER...































O projecto em que trabalhei nos últimos tempos é a revista Volta ao Mundo.
O número de Março é todo escrito por mim (todo).
Fui a Miami, Pequim e Moscovo para escrever este número.
O resultado do meu trabalho são quase 100 mil caracteres de texto, onde há lugar até para 9 poemas inéditos, uma espécie de revista-livro.
Chega às bancas no início de Março.



José Luís Peixoto

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OBRIGADO

Às vezes, fico só a olhar para vocês. Aperto os lábios, porque todas as palavras me parecem insuficientes. Aquilo que normalmente se diz nessas ocasiões, aquilo que é aceite pelo protocolo da convivência social, não chega para começar a exprimir todo o invisível que me inunda. Então, quase sempre sentado a uma mesa, fico só a olhar para vocês. Nesses momentos, não ter palavras é muito melhor do que ter rios de palavras. Aquilo que não sei dizer existe com muita força e, se tentasse encontrar-lhe nomes, estaria a diminui-lo, a transformá-lo em qualquer coisa possível.

É essa a natureza da matéria que partilhamos, é essa a forma daquilo que nos juntou. Sem esse mistério, continuaríamos a seguir os nossos caminhos. Talvez a metros, talvez a quilómetros, talvez em hemisférios distintos, talvez em ruas paralelas, as
nossas existências seriam indiferentes uma à outra. Não quero sequer imaginar a possibilidade desse mundo cinzento. Ainda bem que existem os livros, ainda bem que existe esta revista, ainda bem que existem a internet, o facebook, as feiras do livro e todos os lugares físicos e não-físicos onde nos encontramos. Ainda bem que existe o pensamento e a memória. Ainda bem que existe a ternura.

Mesmo havendo palavras, é difícil dizer aquilo que se quer dizer. A voz fica presa na garganta ou antes da garganta. Não vamos cometer esse erro. Vocês foram chegando devagar, foram entrando e quero que saibam que, hoje, são parte da minha família. Penso em vocês entre aquilo que me é mais valioso e, sem explicação, sinto saudades vossas de repente. Muitas vezes, sinto o toque do sol, tão suave, e sorrio ao lembrar-me que vou partilhar esse bem-estar convosco. Sinto-me muito grato pela companhia que me fazem. Convosco, nunca estou sozinho.


Os dias têm horas, minutos, e eu existo em todos eles. Não vejo o mundo apenas a partir das montras das livrarias ou das pequenas fotografias que acompanham estas crónicas, como se tudo estivesse controlado. Sou uma pessoa, Zé Luís, e só muito raramente está tudo controlado. Há vezes, como agora, em que estou num quarto qualquer.
Um quarto onde, depois de hoje, nunca mais voltarei. Os meus filhos, a minha mãe, as minhas irmãs estão a milhares de quilómetros, o terreiro das Galveias está a milhares de quilómetros. A distância faz de mim um menino perdido. Há muitos mais exemplos, claro, o coração a bater contra algo que o aperta. Então, vocês chegam e cobrem-me com a força de me desejarem tanto bem. Vocês protegem-me com pensamentos que atravessam oceanos. Comovem-me com esse bem-querer. Obrigado por, entre tantas possibilidades, terem escolhido a mais bondosa. Vocês constroem-me. Devo-vos a pessoa que sou.

E não importa se estivermos no mesmo lugar apenas por um instante há cinco anos, não importa se nunca estivemos no mesmo lugar, aquilo que realmente importa é o segredo luminoso que partilhamos. Não é feito de palavras, mas é transportado por elas. Esse é o nosso lugar, temos almas a vaguear nesse universo de sentido. Vocês mostram-me todos os dias que a generosidade pode salvar. Vocês têm muitos rostos, muitas histórias. Eu ouço-vos e encho-me de esperança humana, de amor humano, e transbordo. Mesmo quando estou em silêncio, agradeço-vos por me acrescentarem um sentido tão profundo. Estar-vos grato é estar grato ao mundo inteiro, ao fácil e ao difícil, ao doce e ao amargo. Sem um, não existiria o outro. Mesmo. Sem um, não existiria o outro, repito para que não restem dúvidas. Chegou a hora de, todos juntos, agradecermos pelas contrariedades. São elas, por mais feias, que nos permitem alcançar aquilo que está para lá delas. Ao mesmo tempo, são essas contrariedades, esses silêncios, que nos permitem prestar atenção ao que realmente nos interessa e que, como uma fogueira, nos ilumina o rosto.

Porque nos encontrámos, somos uma espécie de irmãos. Fomos capazes de existir sobrepostos e, por mais ou menos tempo, partilhámos a experiência partilhável. Se amanhã tudo se desfizer, saberemos que nos tocámos e espero que, perante o fim, sejamos capazes de nos sentir gratos pelo que tivemos e que é bastante mais do que a maioria das pessoas alguma vez chega a ter.

José Luís Peixoto




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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

VOLTAR A CASA


Devagar, aproximo a colher, oblíqua, do centro do prato. Por um instante, a circunferência de caldo e a colher formam um exemplo geométrico, são como a ilustração de ângulos num manual de matemática. Sinto o cheiro a conforto morno, a casa, a bem-estar, a inverno agasalhado. Abro caminho com a ponta da colher entre fios de couve, finos e embaraçados como ninhos de pardais. Quando a colher já está cheia e a levanto, não penso em mais do que na sua própria imagem. Fixo-a como se já lhe soubesse o sabor. Confirmo o melhor desse conhecimento no fim do gesto. Caldo verde. Fecho os olhos por um momento.

Após esse momento, o mundo reaparece. A minha mãe dá voltas à mesa. Tem pressa talvez por não querer que este tempo acabe. A sua imagem pisca de um e de outro lado da mesa. Antes de eu chegar, eu sei que a minha mãe enrolou folhas de couve na mão. Aproximou-as das lâminas do aparelho de ferro que as cortou em fios, a rodar por meio de uma manivela, preso à mesa por um grampo. Tenho essa memória desde pequeno, o som das folhas grossas de couve a serem cortadas, a sua cor verde-escura e o seu cheiro fresco, também verde. A voz da minha mãe mistura-se com o sabor da sopa. Diz-me: sabes quem é que morreu? Não sei, mas quero saber. Então, a minha mãe perde a pressa. Faz uma pausa para dar dois ou três passos, que se ouvem chinelados no chão. Dentro de mim, preencho esse silêncio com uma sucessão de rostos da minha infância.

Foi o Ti Zé Rente-às-Orelhas, diz a minha mãe. Quem? A minha mãe tenta explicar melhor: foi aquele homenzinho que morava na entrada da Devesa, vizinho do Mané Fãfã, o viúvo da Ti Chica Estreita. Eu conheço esses nomes, já os ouvi muitas vezes no meio de conversas, mas não estou a ser capaz de identificá-los. A minha mãe escandaliza-se: não sabes quem é o Mané Fãfã? Andaste à escola com dois sobrinhos dele, os filhos do latoeiro, o Armindo e o irmão mais novo do Armindo. Esses conheço bem: sim, claro, os filhos do latoeiro. O Mané Fãfã é irmão do latoeiro? Não, responde a minha mãe, o Mané Fãfã é irmão da mulher do latoeiro, a Rosalinda. Lembro-me dessa mulher, chegou a dar-me pão com mel quando brincava com os seus filhos, mas não sabia que tinha irmãos. Afinal tem, à farta, a minha mãe explica-me que essa mulher é a única rapariga de cinco filhos. Outro irmão dela é o Raposo. Até que enfim: ah, o Mané Fãfã é irmão do Raposo? Assisti-lhe a muitos jogos de sueca. Coitado. Que idade tinha? A minha mãe diz-me que não foi o Mané Fãfã que morreu, foi o seu vizinho, o Ti Zé Rente-às-Orelhas, um homem magro, solteirão, com mais de noventa anos, muito bem falante, mas bastante mouco. Morreu a ver a telenovela.

Não lhe recordo o rosto e, no entanto, consigo imaginar esse homem como se adormecesse, a merecer descanso. Digo: só me lembro do Mané Fãfã ter uma vizinha, aquela mulher maluca, despenteada, despassarada, a Violante. Com paciência, a minha mãe explica-me: essa é a vizinha de um lado. O Ti Zé Rente-às-Orelhas era o vizinho do outro lado.


José Luís Peixoto

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DESPACIO, EN PAZ



Como si de la respiración de la tierra se tratase, en la playa de Laginha, en la isla de San Vicente, las olas lamen la arena oscura y volcánica. De noche, de día, en todos los instantes, ahora mismo, su ritmo es tranquilo y natural. También por la Praça Nova, cariñosamente llamada "pracinha", en el centro de la ciudad de Mindelo, la gente pasea sin prisa. Sobra el tiempo. Los alumnos de los colegios, con sus mochilas a la espalda, cruzan por las calles empedradas. En las avenidas, hay mujeres sentadas en cajones o bancos en los que presentan la mercancía que ofrecen a la venta: caramelos, pastillas, dulces de coco y cigarrillos que venden por unidades. Pasa el tiempo y se mezcla con el criollo, hablado por voces de todas las edades. Y también se mezcla con la música. En San Vicente, en Mindelo, en Cabo verde hay música por doquier.

Hablé con Cesaria Evora por primera vez en 1998 en la ciudad de Praia, tras un concierto en la Asamblea nacional. Yo era un profesor de portugués de 24 años, que comenzaba a hablar criollo, y ella, lógicamente, era Cesaria Evora en todo su esplendor. Hablamos de Portugal. Ella pronunció ese nombre y, después, dijo algunas cosas sobre la forma en las que yo utilizaba palabras del criollo badiu (hablado en Praia) y del criollo sampadjudo (de Mindelo). Creo que me sonreí educadamente, pero sólo entendí sus palabras algunos meses después. Fue también en esa ocasión cuando pedí a Cesaria Evora que me me dedicase un disco. Ella me miró con aquellos ojos, cogió el disco y, despacio, escribió su nombre.

Los domingos, en Cabo Verde, tenía un vecino que colocaba unos altavoces en el tejado sin terminar de su casa y ponía discos de Cesaria Evora para que los escuchase toda la gente. Eran los días en los que el vecino recibía amigos de todas partes, familiares y gente que llegaba con alguna carne para la parrilla o que, por lo menos, traía ganas de comer y de beber cerveza portuguesa helada. También yo pasaba las tardes del domingo hablando, comiendo morena frita y riéndome sin parar. Oíamos las mismas canciones una y otra vez. Al final de la tarde, cuando se iban levantando las sombras, le pedía alguna chica que bailase conmigo. Esos bailes eran una especie de abrazos. Y la voz de Cesaria siempre estaba presente, imprescindible y perfecta, extendiéndose hasta el océano, al que parecía tocar con su magia.

Cesaria Evora forma parte de Cabo Verde, exactamente como si fuese la undécima isla del archipiélago que llegó tan lejos a través de su voz. De la misma manera, Cabo verde siempre formó parte de Cesaria Evora. En su voz cantada está presente el cielo inmenso sobre el Monte Cara, toda la bahía de Mindelo, la inmensa saudade de todos los caboverdianos y la esperanza entera de un pueblo. En su voz está presente un "pequeño país". O por decirlo exactamente con las palabras que Cesaria cantó, "diez granitos de tierra esparcidos en medio del mar". Ahora, gracias a la sabiduría de su interpretación, gracias a la belleza de su sensibilidad, descubrimos ese país dentro de nosotros y vemos que está hecho de todo el afecto que la voz de Cesaria es capaz de albergar. Para oírlo no necesitamos altavoces en los tejados. Basta con cerrar los ojos. Ella está siempre ahí. Como las personas que, despacio, muy despacio, atraviesan la Praça Nova. Como las olas que rompen en la playa de Laginha.

José Luís Peixoto

Jornal El Mundo

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O MAIOR DO NOSSO CONCELHO DE PONTE DE SOR

Aprender com os idosos, fazer uma recolha de vivências e modos de falar. A companhia de teatro Filandorra está a percorrer várias aldeias de Alfândega da Fé na busca de outros saberes para poder levar ao palco a peça Amanhã, de José Luís Peixoto.


José Luís Peixoto, Galveias, (4 de Setembro de 1974 - ), está nos Estados Unidos a apresentar as suas obras:
3 de Novembro de 2011
10.30 h Boston Colégio
17.30 h MIT (Boston)

4 de Novembro

12.30h Universidade Brown (Providence)
7 de Novembro
Universidade de Georgetown (Washington)

9 Novembro

12.00h Bibloteca Healey Universidade de Massachussetts (Boston)

Boston College

O campus do Boston College parece Hogwarts, a escola de Harry Potter. Como todos as universidades americanas, é deserto na hora das aulas e, depois, nos intervalos, enche-se de alunos. Cheguei numa hora vazia e, por isso, tive oportunidade de desfrutar deste outono de Massachusetts: árvores com folhas de todas as cores, muito sol, muita claridade, ar de uma nitidez gélida.

A apresentação decorreu para alunos de língua portuguesa e, por isso, aconteceu parte em português e parte em inglês. As leituras também.

Houve perguntas difíceis. Exemplo: quais as diferenças entre a ditadura de Salazar e de Franco? Esforcei-me por dar uma resposta correcta.

(Um dos refeitórios do Boston College)

MIT

Creio que toda a gente que já ouviu falar do MIT, lhe inventa uma imagem. Eu também era assim. Em muitos aspectos, os primeiros passos naqueles corredores corresponderam a essa imagem mas, depois, cruzei-me com um cartaz a anunciar a minha apresentação, estava exactamente ao lado de um cartaz a anunciar um seminário sobre a história do heavy metal. Foi então que comecei remodelar esse meu preconceito. O MIT é, de facto, um lugar onde se procura o conhecimento, onde quer que ele esteja.

A apresentação e as leituras foram feitas em inglês porque a maioria dos presentes eram alunos de literatura (e não de língua). Estas conversas podem ir por muitos caminhos. A conversa do MIT foi por um caminho bastante bom. Um indicador disso mesmo poderá ser a sua duração: 3 horas.

Havia também uma boa presença de alunos portugueses de pós-graduação. Estão organizados nos Estados Unidos através da Paps (Portuguese American Post-Graduate Society). Mais tarde, foi bom conversar sobre Portugal com alguns deles.

(Neste caso, não é o cartaz do seminário de heavy metal que está ao lado)

Brown University (Providence)

Já tinha tido oportunidade de fazer uma apresentação na Brown University, em Providence, Rhode Island. Regressar foi muito bom. Tive oportunidade de rever muita gente, professores, alguns alunos que agora são professores, etc. De novo, fui muito bem recebido pelo professor Onésimo Teotónio Almeida.

Além disso, com este outono que já referi, o Campus da Brown estava lindo. Não deve ter sido por acaso que Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft passaram tanto tempo em Providence.

Na Brown, dado o nível de a tradição e o desenvolvimento dos estudos portugueses, falei sempre na nossa língua. Se, em Portugal, as pessoas tivessem oportunidade de conhecer o trabalho que é desenvolvido no departamento de estudos portugueses da Brown University iriam ter muito orgulho.

(Cuidado com os downloads ilegais de software, a polícia do MIT pode apanhar-vos)

Nestas apresentações, o apoio de Sofia Soares, Ana Catarina Teixeira e João Caixinha foi imprescindível. Sinto-me muito grato por ele, tanto em nome pessoal, como em nome daquilo que fazem pela divulgação da nossa cultura nos EUA.

José Luís Peixoto

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

O JOSÉ LUÍS PEIXOTO APRESENTA O SEU ÚLTIMO LIVRO






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sábado, 15 de outubro de 2011

OS PROFESSORES

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.

Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.

Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.


José Luís Peixoto

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sábado, 1 de outubro de 2011

NA AULA O ALUNO É IRREQUIETO E FALADOR

Escola Primária de Galveias, ano lectivo de 1981/1982

Clique na imagem
para ler na integra


Dia 27 de Outubro é lançado o Abraço de José Luís Peixoto




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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

JOSÉ LUIS PEIXOTO CONVIDA

Procuram-se leitores para Abraço




No 10º aniversário das Quintas de Leitura / Teatro do Campo Alegre, Porto, José Luís Peixoto apresentará Abraço, um livro que apresenta uma selecção de textos escritos nos últimos 10 anos.

Como é hábito, esse espectáculo contará com a abordagem de múltiplas artes e artistas à obra proposta.

Pela primeira vez, acontecerá em duas noites 27 e 28 de Outubro de 2011.

Neste momento, todos os participantes estão escolhidos, menos um.

Para fazeres parte do grupo de actores que, em conjunto com o José Luís Peixoto, irá ler excertos do livro Abraço nesse espectáculo, coloca online no youtube um vídeo, onde estejas a ler um excerto de qualquer texto da autoria de José Luís Peixoto e envia até 23 de Setembro um email para abracodeleitura@gmail.com onde conste o link desse vídeo e o teu contacto.


Garantiremos a tua deslocação de qualquer ponto do país até ao Porto e estadia.

Receberás também um cheque-livro das lojas Bertrand no valor de € 100,00 .

“QUINTAS DE LEITURA”

27 e 28 de Outubro de 2011

22h00

Café-Teatro

M/16 anos

DEBAIXO DA ROUPA, ESTAMOS TODOS NUS

A caminho do 10.º aniversário das “Quintas de Leitura”, José Luís Peixoto apresenta textos do seu novo livro, no qual perpassam imagens de infância e memórias afectivas do autor. Uma sessão intimista, com muitas surpresas à mistura.

É a oitava presença do escritor neste ciclo poético. Para trás ficam sessões memoráveis como “Dança do Pó” (2004), “Morreste-me” (2005), “Desmantelamento de um rio” (2008) e “Livre” (2009).

Produção: Fundação Ciência e Desenvolvimento/Câmara Municipal do Porto

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sábado, 3 de setembro de 2011

POESIA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO ALVO DE REEDIÇÃO



A 2ª edição do livro de poesia Gaveta de Papéis de José Luís Peixoto chega às livrarias a 19 de Setembro de 2011.

A presente edição da responsabilidade da editora Quetzal sucede àquela que foi feita em 2008, após a atribuição do Prémio de Poesia Daniel Faria a este livro.

Os outros livros de poesia de José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas e A Casa, a Escuridão serão reeditados muito em breve.


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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A ÚLTIMA OBRA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO JÁ FOI EDITADA NO MERCADO ESPANHOL

A editora Espanhola El Aleph Editores acaba de lançar no mercado de língua castelhana a obra o Livro de José Luís Peixoto, numa tradução de Carlos Acevedo.


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domingo, 14 de agosto de 2011

GALVEIAS, RUA JOSÉ LUÍS PEIXOTO


Ontem, foi descerrada a placa da Rua José Luís Peixoto, em Galveias.

Esse momento contou com a presença da Banda da Sociedade Filarmónica Galveense, do Presidente da Junta de Freguesia de Galveias, bem como de diversas individualidades locais e do escritor galveense José Luís Peixoto.


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terça-feira, 19 de julho de 2011

JOSÉ LUÍS PEIXOTO PERSONALIZA CARTÃO JOVEM

O cartão jovem fez 25 anos e a Movijovem convidou José Luís Peixoto a personalizar um cartão.



A partir de Agosto, este cartão jovem será distribuído em todo o país.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

É O POVO PÁ!

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