sexta-feira, 23 de setembro de 2005

O DESCALABRO


A sociedade portuguesa, em todas as componentes, perdeu o respeito, o pudor, a consideração e os mais elementares propósitos éticos. Deixou de haver equabilidade - cimento com o qual se constrói o edifício do Estado.

A tempestade contestatária que varre o País não vai deixar ninguém ileso e não desresponsabiliza nenhum de nós. Mas a verdade é que os exemplos de pusilanimidade, de pouca-vergonha, de impudência, de desonestidade, de inépcia, de nepotismo, de mentira, de corrupção têm sido as inoxidáveis características de sucessivos governos.

À Direita e à Esquerda (a Direita que há, a Esquerda que se arranja) os valores republicanos foram desprezados através de práticas que, necessariamente, abalariam os alicerces da democracia. Os casos recentes de Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Isaltino de Morais, Avelino Ferreira Torres são exemplos típicos de irrespirável ambiente político. Os frente-a-frente havidos, um pouco, por todo o País resultam num confronto asinino entre criaturas que reduzem o discurso ao nível da estrebaria.

O caso Carmona-Carrilho foi um entre os demais. E assumiu aspectos de polémica nacional porque o episódio do não-aperto de mão, já fora do debate (que deveria suscitar curiosa discussão sobre deontologia jornalística), acirrou os ânimos. Carrilho é o que é, e todos os sabem. Porém, Carmona estilhaçou o verniz. Houve momentos em que o brilho do seu olhar sustentava aparências extremamente bravias e uma perigosidade insuspeitada. Através da TSF e das televisões ouvi e vi, dos vários oponentes, em vários «debates» para várias Câmaras, as frases mais soezes proferidas por pessoas cuja verdadeira natureza e pouco polida educação o gel no cabelo e as fatanas Armani e não dissimularam.

Devo adiantar que foi Maria José Nogueira Pinto a candidata que, sem fugir ao adjectivo, melhor defendeu e mais bem expôs as ideias e os princípios que representa - mas que, segundo penso, não são, rigorosamente, os do CDS. Maria José caracteriza um caso à parte na Direita portuguesa. Ruben de Carvalho, habitualmente entregue ao prazer da velocidade de raciocínio, e de um raro, por consistente, brilhantismo ideológico, é outro dos vencedores da parada. Na minha opinião somente perdeu no diálogo com Maria José. E também recusou a chicana, a injúria, o insulto. Outra excepção: João Soares. O resto - foi a infâmia que vimos.

Refugiando-se numa singular disposição de aparente impunidade, talvez explicada pela maioria parlamentar de que dispõe, este Executivo tratou, com a subtileza de um rinoceronte, a gravíssima questão das Forças Armadas e das corporações para-militares. Tomou decisões, acaso precipitadas, depois do que endossou a crise para a hierarquia fardada, atribuindo às chefias o resultado dessas decisões. Logo a seguir, entrou num braço-de-ferro inimaginável num Governo entendido como tal. O estratagema de os dirigentes associativos colocarem as mulheres na frente da contestação, iludindo as regras e defraudando a lei, é um dos sinais de fraqueza do regime e um furioso abalo no sistema. Aconteça o que irá acontecer (e algo sucederá, sem dúvida), o Governo é o responsável iniludível por esta falta de tacto. Todavia, o PSD possui pesada parte de culpa neste descalabro - nunca visto na Europa e no mundo, a não ser na América Latina como prenúncios de golpe de Estado.

Não são «reformas», aquilo a que o Executivo Sócrates procede. Assistimos, isso sim, a padrões de força, estabelecidos pela ordem inversa dos valores de que os socialistas devem ser tributários. Sei que este não é um Governo socialista; será mais socialeiro. Daí que não origine consensos alargados; daí que a agitação social se torna cada vez mais intensa, dolorosa e dura; daí que o descrédito do acto político atinja proporções de nojo. A violência das resoluções governamentais só pode cobrar a violência como resposta. Não é unicamente a coesão das Forças Armadas que está fracturada - como afirmou, dramático e severo, o ministro. É o País que está dividido e cada dia mais crispado.

APOSTILA - As «reportagens» feitas pelas televisões ao regresso de Fátima Felgueiras são uma imensa nódoa no historial da Imprensa audiovisual. O mais dilatado tempo de antena que vez alguma obteve qualquer dos candidatos em disputa. Durante quase vinte e quatro horas, a senhora esteve em antena. Absolutamente desacreditante.


Baptista Bastos

14 Comments:

At 23 de setembro de 2005 às 17:43, Anonymous MANUEL said...

Sobre Felgueiras duas notas soltas...

a primeira, para manifestar o espanto sobre os considerandos da juíza que libertou Fátima Felgueiras, estes, de tão 'técnicos' e ingénuos nem sequer davam como adquirido que a regressada tivesse estado no Brasil ou sequer que tenha de facto evitado a prisão preventiva. Mau, muito mau, esta tendência dos magistrados, em excessos de formalismo exotérico, de se esquecerem que só existem e fazem sentido num mundo mais vasto, embora sujeitos a regrasse as regras são próprias a realidade essa é sempre a mesma, a do mundo deles, e a do 'nosso', que é o mesmo... À atenção pois do Conselho Superior de Magistratura este caso patente de autismo face à realidade, o manifestado pela juíza, que tendo tomado uma decisõa que genericamente é acertada (a pulseirinha electrónica, face à fuga, não ficava mal...), borra a pintura toda num despacho digno da 'contra-informação'.
a segunda, para comentar a inenarrável performance do candidato do PSD, à Câmara de Felgueiras, que, por um lado não reconhece nada de bom realizado no concelho pós 25/4 mas por outro, e como felgueirense, está 'solidário' com os da sua terra, desejando... boa sorte a Fátima Felgueiras nas suas atribulações judiciais. Chama-se a isto burrice pura e dura, já que até pela performance passada do PSD/F (pouco brilhante, a não fazer oposição, digna desse nome, a ter tido nas suas listas 'emprestado' o actual cabeça de lista do PS, e numa altura em que o actual candidato laranja exercia funções de dirigente partidário (!)) o que se esperaria era que fossem reconhecidos alguns méritos, até por respeito às escolhas do eleitorado, das gestões passadas, que os houve, e que fossem vincadas as diferenças 'políticas' e de método. Quanto a Fátima Felgueiras o problema é muito simples - devia ter-se dito que se confia na justiça, salvaguardando o drama pessoal, mas realçando que independentemente, e para além, de uma hipotética condenação judicial o miolo do problema é politico, vincando as diferenças. Como pessoa, o candidato do PSD é certamente estimável mas, infelizmente, isso, em política, não chega. Dava aliás um bpom tema de tese a sistemática incapacidade - recorrente - do PSD/Felgueiras em ser levado a sério, mas isso já é outra história...

 
At 23 de setembro de 2005 às 18:42, Anonymous Anónimo said...

"A 9 de Outubro próximo, o país vai-se confrontar com o sintoma mais deprimente da degradação da nossa democracia. E não adianta fingir que Felgueiras, Gondomar, Amarante e Oeiras são maus exemplos que não representam o todo".

Miguel Sousa Tavares,
PÚBLICO, 23-09-2005

 
At 23 de setembro de 2005 às 22:13, Anonymous MANUEL said...

Enquanto muita gente anda por aí a fingir indignação pelo alegado poder e influência de Fátima Felgueiras, o Público hoje - 'sem querer' - explica, muito ilustradamente, que não é o Fátima Felgueiras que tem poder e influência é antes o Estado, e os seus agentes, que é excessivamente frágil. Fátima não precisa de negociar, nem vai negociar, é - em potência - uma arma de destruição maciça caso decida puxar pela memória e cantar, - qual Evita - 'Everyone is doin' it', sendo que o problema não é estritamente jurídico, antes político. Daí ao respeitinho absoluto vai um passo... pequeno.

Mas o que diz o Público ? Bom, conta detalhadamente a história de uma indeminização, choruda, que o Governo de Cavaco recusou, no estrito cumprimento da Lei, e que, por artes mágicas e com a prestimosa ajuda de altas patentes do PS, ora no Governo, ora na 'sociedade civil', no tempo de Guterres acabou por ser paga. Os 'artistas' vão desde José Junqueiro, a José Lamego, passando (está em todas) por Vitorino e acabando no actual ministro da Justiça... Alberto Costa. São estas pequenas coisinhas, que até podem nem ser formalmente ilegais, que enchem a memória de Fátima Felgueiras, e é destas 'coisinhas' que todos tem medo, muito medo, num país onde política e negócios se misturam, sempre muito informalmente, um país de segredos e de trocas de favores, onde poucos são, se alguns, inocentes. E Fátima Felgueiras sabe que se falasse seria levada mais a sério que no passado foi Rui Mateus, até porque os tempos agora são outros.

É por isso que não se compreende a sistemática tentação em discutir o caso Fátima Felgueiras com base no pitoresco, tentação essa em que caem (percebe-se) políticos, e comunicação social (percebe-se com mais dificuldade) quando o que está em causa são simplesmente as regras e a arquitectura do nosso sistema político, que parece ser tabú discutir.

Fátima Felgueiras acha-se inocente por uma razão muito simples. Na sua cabeça se por ventura ela fosse culpada então todos os que ela conhece também teriam que ser, e para ela isso sendo inconcebivel implica que ela (pesem os detalhes dos factos e da Lei) também tem que ser inocente...

Uma última nota para registar o silêncio face ao 'destaque' de 5 páginas do Público... Nem poder nem oposição, nada. Todos o fizeram, todos tem telhados vidrados, logo... olha-se para Felgueiras, o buraco que serve para esconder uma fossa infinitamente maior. Nem vale a pena dizer que num país normal, a esta hora, e depois de saída uma prosa como a do Público de hoje, o ministro da justiça já era outro. Portugal não é um país normal, e Fátima Felgueiras limita-se a jogar com isso.

 
At 24 de setembro de 2005 às 09:05, Anonymous JUM said...

As reacções de políticos e PGR sobre a "libertação" de Fátima Felgueiras são curiosas, os primeiros reagem com um extremo puritanismo como se nunca tivessem tido conhecimento dos fenómenos que levaram Fátima Felgueiras à justiça e o segundo esqueceu que se Fátima esteve no Brasil foi porque teve conhecimento do mandato judicial num momento em que o processo estava sobre o seu controlo.

 
At 24 de setembro de 2005 às 09:18, Anonymous Anónimo said...

Cavaco "estupefacto"

Ex-primeiro-ministro refere-se ao caso Fátima Felgueiras

O ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva manifestou-se ontem "estupefacto" com o caso do regresso a Portugal de Fátima Felgueiras e a sua candidatura à Câmara de Felgueiras, considerando que "levanta problemas sérios no domínio da justiça".

O caso Fátima Felgueiras "levanta problemas sérios no domínio
da justiça" que "devem ser ponderados com rigor e tranquilidade", disse Cavaco Silva. "É obvio que estou estupefacto, mas não direi mais nada sobre o assunto".

 
At 24 de setembro de 2005 às 09:20, Anonymous Anónimo said...

MAIS UM SOCIALISTA, QUANDO É QUE É O TAVEIRA PINTO?

Judas a braços com a Justiça


Ex-presidente da Câmara de Cascais sujeito a termo de identidade e residência.

José Luís Judas, ex-presidente da Câmara de Cascais, vai responder em tribunal pelos crimes de gestão danosa, favorecimento e participação económica em negócio.

Judas foi constituído arguido em dois inquéritos e está sujeito ao termo de identidade e residência.

Estão em causa negócios imobiliários com o grupo Américo Santo e com o clube Estoril Praia.

Os mais jovens jogadores do Estoril Praia ganharam, há quatro anos, um novo campo de treino.

Os terrenos foram cedidos ao clube por José Luís Judas, que era presidente da Câmara de Cascais.

O negócio envolveu, no entanto, transacções imobiliárias, que levantaram dúvidas legais.

Judas tentou esclarecer essas dúvidas quando foi ouvido pela PJ, há um mês.

Foi nessa altura que o ex-autarca foi constituído arguido pela segunda vez.

Já no início deste ano, Judas tinha sido convocado para prestar declarações sobre vendas de terrenos à constutora Américo Santo.

O primeiro inquérito teve origem numa auditoria da Inspecção Geral de Finanças (IGF).

Os inspectores concluiram que os negócios com as empresas de Américo Santo prejudicaram a autarquia em mais de 13 milhões de euros.

Contactado pela SIC, o ex-presidente da Câmara de Cascais confirmou ter sido interrogado na condição de arguido e que, das duas vezes que foi à PJ, nem quis levar advogado.

Não quer, no entanto, falar publicamente sobre o assunto.

O Ministério Público decidiu agora juntar os dois inquéritos num só processo, que já está na fase final.

José Luís Judas é suspeito de crimes de gestão danosa, favorecimento e participação económica em negócio

 
At 24 de setembro de 2005 às 12:13, Anonymous Anónimo said...

Sou um puro e duro neto de campónios que, na cidade, educado e vivido, assume a sua nostálgica identidade rural. Porque lhe foi dado aprender e apreender o sentido das árvores, o correr das ribeiras, a breve leveza dos pássaros e a fragilidade das flores silvestres.

Também trago comigo o agreste das brisas, o plural desnível das colinas e a variedade de um valado verdejante, onde a suavidade aparente daquilo a que, à distância, chamam paisagem, esconde alguns pedregulhos, certos silvados e a microscópica vida intensa de biológicos e minúsculos seres. Sobretudo daqueles que, dia a dia, escavam pedaços de húmus passado, à procura de sementes de futuro

 
At 24 de setembro de 2005 às 12:15, Anonymous Rui P. M. said...

Urge reaprender a ver, a ouvir, a pensar e a sentir. E mesmo sabendo isto repetimos diáriamente a nossa cegueira, a nossa surdez, o nosso atavismo e a nossa indiferença. Tudo por causa do mundinho canalinha que fomos construindo e cultivando, por entre silvas de cinismo, egoísmo e de hipocrisia. Tudo por causa de nós. E quem somos nós, afinal? Oh, criaturas do outro mundo... "Animais" de que até os animais se afastam.

 
At 24 de setembro de 2005 às 12:16, Anonymous Anónimo said...

Se alguma vez te acontecer teres de te modificar para agradar a outrem, certamente perdeste o teu projecto de vida.

Epicteto

 
At 26 de setembro de 2005 às 09:16, Anonymous JUM said...

TANTA PEDRADA, COITADA…


“Aquele dentre vós que não tiver pecado atire a primeira pedra”.
João (c.8 v.7)



A democracia portuguesa que tem andado tão maltratada encontrou na Fátima Felgueiras a água benta que veio purificar os pecados do mundo, e não há pequeno, médio ou grande político que não afirme a sua honestidade atirando pedras à santinha de Felgueiras.

O Procurador-Geral veio logo dizer que ia recorrer, que a senhora deveria estar presa, que a juíza devia ter adoptado outra decisão; mas esqueceu-se de dizer que afinal Fátima Felgueiras não fugiu, ausentou-se antes de tomar conhecimento de um mandato de busca solicitado a um juiz pelo procurado encarregue do processo, isto é, houve uma fuga de informação. É a ocasião apropriada para questionar o senhor Procurador-Geral se alguém foi acusado da responsabilidade da fuga de informação que permitiu à Fátima Felgueiras ir tranquilamente de férias sem ter que passar a fronteira a salto; ou para lhe perguntar quanto tempo tardou o MP a instruir o processo, que, coincidência das coincidências, vai a julgamento no dia seguinte às eleições.

Cavaco que é contra o ruído interrompeu o seu conveniente silêncio para se manifestar indignado, ele que governou durante os dez anos em que se registaram mais enriquecimentos estranhos neste país sem que alguém tenha sido condenado e até premiou o Procurador-geral que foi responsável por esta paz nos tribunais com um lugar no Tribunal de Justiça Europeia. Estará Cavaco Silva esquecido do tempo em que os seus ministros faziam xixi nas calças do pijama todas as quinta à noite com medo do que o Independente de Paulo Portas ia noticiar nas sextas de manhã?

E tirando o Miguel Sousa Tavares e poucos mais quantos são os jornalistas que têm ido a coragem de denunciar a corrupção? Digam-nos quantas notícias são abafadas nas redacções, expliquem-nos porque caiu um manto de silêncio, por exemplo, sobe o processo que envolve o Grupo Espírito Santo, ou desta vez não há fugas ao segredo de justiça?

Não há gato-pingado da política portuguesa que não venha atirar pedras à Fátima Felgueiras porque muitos deles contam com a impunidade que resulta da ineficácia da justiça para que não saibamos dos seus podres

O facto é que Fátima Felgueiras é um deles e gozou com eles, num dia veio e saiu em liberdade e em meia dúzia de horas mostrou à maioria dos candidatos a lugares autárquicos como se faz uma campanha eleitoral. O grande problema é que Fátima Felgueiras não é nem melhor nem pior do que muitos dos nossos políticos, só que pelos vistos é bem mais inteligente do que eles e do que o próprio Procurador-geral, e é isso que lhes dói. Tanta hipocrisia que vai por aí...

 
At 26 de setembro de 2005 às 13:25, Anonymous António Duarte said...

PROMESSAS DE UM GOVERNO FALHADO

A primeira maioria absoluta do partido socialista, foi conseguida á custa de um conjunto de promessas, que mesmo antes das eleições, já se sabiam ser impossíveis de concretizar. Nada que anteriormente não tivesse acontecido, mas este governo fez questão de mostrar que era diferente, antes, durante e depois das eleições.

Prometeu que não aumentaria os impostos. Reconhecendo que Portugal possui o quadro fiscal mais oneroso para os contribuintes singulares da União Europeia, que as empresas pagam impostos sobre uma burocracia, a quem apenas ao Estado podem ser pedidas responsabilidades, associado á demora da justiça na análise de processos de concursos públicos, tudo somado apenas reflecte o elevado índice de desinvestimento que se verifica na economia. O governo aumentou o IVA de 19 % para 21 %, recuperando apenas 0,2 % do défice e colocando em causa a única variável que alimentava a economia o consumo privado. Ao mesmo tempo subiu a ponderação do ISP, aumentando ainda mais o preço dos combustíveis, tudo para que a obra-prima das scuts possa continuar a ser financiada, agora também por que não usa.

Prometeu que seriam precisos mais estudos na segurança social. Desmentiu em pleno debate Pedro Santana Lopes. Não só não apresentou qualquer estudo, como mexeu e mal na questão das pensões. Continua a ser possível acumular pensões e vencimentos em cargos públicos, quando a falência da segurança social aconselharia sacrifícios também para os detentores de cargos públicos que acumulam. E no fundo as medidas que tomou apenas agravaram o número de contribuintes que preferiram estar reformados do que estar a trabalhar mais 10 anos. Faltou-lhe coragem e inteligência, mas ao mesmo tempo vê o valor pago a título de rendimentos de inserção e fundo de desemprego subir acima dos 10,00 %. É o estado social em pleno, só que assente num sistema de protecção social completamente falido.

Prometeu um choque tecnológico. Prometeu uma solução para á Galp. Prometeu 150.000 empregos. A única coisa que cumpriu foi a tradição socialista em lançar obras públicas sem estar provada a rentabilidade económica das mesmas. Não abriu mão da OTA e do TGV, porque serão estes que garantirão os 150.000 empregos em construção civil e afins, e o choque tecnológico não passou ainda do papel. Da Galp, o problema que na verdade foram os socialistas que criaram através da pena de Pina Moura, apenas é assente que serão os espanhóis a ditar o negócio.

Prometeu que não realizaria receitas extraordinárias, porque as mesmas revelam uma má gestão orçamental e não resolvem o problema de fundo. Ao decidir privatizar mais 5,00 % da EDP, e realizar um encaixe de 430 Milhões de euros até ao final do ano, o governo deixou cair a última promessa que lhe era devida, pois isto não é mais do que uma receita extraordinária, e que apenas revela que afinal a solução é uma artificial consolidação á custa daquilo que tanto criticou...as receitas extraordinárias.

 
At 28 de setembro de 2005 às 09:38, Anonymous Antonio Balbino Caldeira said...

Còppula


A cumplicidade da cúpula do PS com Fátima Felgueiras foi posta em evidência no Público. Sócrates era ministro do Ambiente à data dos contratos simulados da autarquia com a empresa famosa Resin - Resíduos Industriais S.A. - a Câmara pagava por um serviço falso e o dinheiro ia parar à conta do PS (o "saco azul") - que, diz o Público, "envolviam subvenções governamentais e fundos comunitários, com tramitação através do Ministério do Ambiente".

Relembro que a ex-presidente de Câmara é acusada de 23 crimes relacionados com corrupção(participação económica em negócio, corrupção passiva para acto ilícito, abuso de poderes, prevaricação e peculato).

Este trecho da notícia do Público é elucidativo:

"esses contactos ocorreram desde finais de Maio e foram estabelecidos, pelo menos, com dois membros do secretariado nacional dos socialistas, nalguns dos casos envolvendo mesmo familiares directos da ex-autarca. Tal aconteceu depois de Fátima ter deixado ameaças veladas sobre aquilo que poderia vir a revelar no julgamento." (letra a grosso minha)

O Portugal Diário revela que Fátima nunca foi expulsa do PS, tendo apenas saído, por iniciativa própria em Agosto de 2005, dois anos e meio depois da fuga...

O Portugal Diário revela ainda a sua entrega combinada à justiça e a sua prevista colocação em liberdade. Aliás, quando foi entregue aos responsáveis da Directoria da PJ do Porto, a acusada de corrupção e anterior e próxima presidente de Câmara de Felgueiras terá dito: (O) que é que eu estou aqui a fazer? Não era isto que estava combinado" (letra a grosso minha)...


Post-Scriptum: os leitores fiéis, e os ocasionais, ter-se-ão interrogado, eventualmente, mais do que uma vez, sobre a grafia incorrecta que eu tenho usado de palavras italianas. No entanto, asseguro que não tenho errado: trata-se de uma outra língua romance, regional, irmã do português... Dá mais trabalho a procurar o significado (còppula = coppola, em italiano = cúpula, em português), mas a analogia rende.

 
At 28 de setembro de 2005 às 19:30, Anonymous Anónimo said...

Bom mesmo era o Carita, aquele homem com uma clarividência e sobretudo desintersse por ele próprio ter um arrufo com o companheiro de jornada. Ia ser um must. Se calhar as investigações à Câmara resultavam. Não seria só o comuna com telhados de vidro. Vai tardar mas vai cair

 
At 29 de setembro de 2005 às 15:41, Anonymous Anónimo said...

Barroso, esse "orgulho" português, a nú no Liberation.

«Barroso tourne la page Constitution

Le président de la Commission européenne veut supprimer 68 projets de lois «obsolètes».

Par Jean QUATREMER

jeudi 29 septembre 2005 (Liberation - 06:00)

Bruxelles (UE) de notre correspondant




«Ça, on ne peut pas dire que l'activité de la Commission soit frénétique», ironise un haut fonctionnaire de l'exécutif européen. «Il n'y a plus d'allant, sauf pour s'assurer qu'on ne fera rien», constate à regret un diplomate d'un grand pays de l'Union. «La Commission est inexistante», surenchérit l'eurodéputée Marielle de Sarnez (UDF). Près de quatre mois après les non français et néerlandais à la Constitution, José Manuel Durão Barroso et son équipe de 24 commissaires semblent toujours tétanisés. Le président de la Commission propose même, faute d'idée neuve propre à relancer la construction communautaire, d'enterrer la Constitution : «Arrêtons d'entretenir l'illusion d'une Constitution, arrêtons les discussions transcendantales sur l'avenir de l'Europe et mettons-nous au travail sur la base des traités existants», a-t-il déclaré le 21 septembre.

«Absurdes». Mais le «travail» auquel veut s'atteler l'ex-Premier ministre conservateur portugais ressemble fort à du détricotage : afin de «légiférer moins mais mieux», la Commission a proposé mardi de «jeter à la poubelle» 68 projets de directives et règlements (lois européennes) jugés soit «obsolètes», soit «bureaucratiques», soit «absurdes» ou nuisant à «la compétitivité des entreprises». «Le discours de Barroso est acceptable s'il ne dissimule pas la volonté que l'Union ne soit plus qu'un espace de dérégulation», et de simple libre-échange, s'inquiète un diplomate français. Or, parmi les textes retirés, figurent celui qui harmonise les jours où la circulation des camions peut être interdite dans l'Union ou encore celui protégeant les travailleurs intérimaires.

Cette méfiance de la Commission Barroso à l'égard de l'activité législative européenne n'est pas nouvelle : dès son entrée en fonction, en novembre 2004, elle a systématisé les «études d'impact» qui aboutissent invariablement à la conclusion qu'il n'est pas nécessaire de légiférer. «Avec une telle politique, on n'aurait jamais adopté aucun texte dans le domaine du transport», tempête un haut fonctionnaire de la Commission : «Gouverner, c'est choisir.» Dominée par les libéraux et les conservateurs, cette équipe n'a quasiment pas déposé de proposition d'harmonisation nouvelle durant sa première année de travail. Pourtant il reste à faire, notamment dans le domaine de l'Europe financière. «Même les industriels de bonne foi estiment qu'on a trop chargé la barque réglementaire», se défend l'un des proches de Barroso. Pourtant, il n'est pas question de retirer la directive Bolkestein sur l'ouverture à la concurrence des services, qui est pourtant l'une des raisons du non français... Mais il est vrai que les entreprises réclament ce texte.

Sous couvert de ne pas «alimenter l'europhobie», selon l'expression de Barroso, la voie choisie ressemble étrangement à celle préconisée par la Grande-Bretagne, qui se réjouit de ce nouveau cours. Tout comme elle se félicite que Barroso ait enterré la Constitution. «L'Europe institutionnelle est morte pour au moins dix ans», résume-t-on dans l'entourage de Blair. «L'UE doit fonctionner avec les traités existants et se concentrer sur des projets concrets.»

Consternation. Le problème est qu'en dehors de la dérégulation, les idées concrètes manquent. Actuellement, l'Union «mouline des projets qui datent de l'époque de Romano Prodi, constate un diplomate. La machine communautaire n'est plus alimentée», ce dont le Parlement commence aussi à s'inquiéter. Les eurodéputés ont protesté mardi de ne pas avoir été consultés sur le choix des textes à retirer. Particulièrement remonté, le groupe des Verts a dit sa «consternation» de voir passés à la trappe «certains textes importants» en matière d'environnement et de transports. Pour la vice-présidente du groupe, Monica Frassoni, le grand toilettage de la Commission est tout sauf «politiquement neutre». »

 

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