sexta-feira, 9 de setembro de 2005

POLÍTICA DE SÓCRATES ESPECTÁCULO

A implosão de ontem, para esta data, foi a maior manobra de marketing dos últimos tempos.
Repare-se na hora da implosão e na hora em que o INE anuncia um dos maiores crescimentos económicos da europa, logo aproveitados, 60 minutos depois, para o Primeiro-Ministro anunciar que os profetas da desgraça estavam errados.

É verdade que já havia jornalistas, de manhã, que já conheciam os dados publicados pelo INE.
O que só mostra que estamos num país onde vale tudo, até manipular as estatísticas de acordo com os interesses políticos.

Muitos parabéns ao Primeiro-Ministro.
Conseguiu aquilo que desejava.
Agora só falta saber como vai explicar o Banco de Portugal os recentes indicadores publicados.

18 Comments:

At 9 de setembro de 2005 às 09:35, Anonymous JUM said...

A ECONOMIA ESTÁ CHEIA DE PICA...

Cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, em relação ao do ano anterior;
CONCLUSÃO:
eu perdi não sei quantos por cento do meu rendimento real, vi aumentada a minha longevidade profissional, e fiquei com as promoção congeladas para isso, sinto-me feliz.

 
At 9 de setembro de 2005 às 09:38, Anonymous JUM said...

VAMOS FAZER PERGUNTAS A JOSÉ SÓCRATES…

Qual é montante de investimento e/ou a fortuna pessoal do investidor exigido para que o lançamento de um projecto de investimento tenha honras de presença do primeiro-ministro?

E qual é o montante adicional por cada ministro ou secretário de estado?

Zero virgula cinco por cento de crescimento económico num trimestre e um resultado suficiente para avalizar o mérito de um governo?

E se tal resultado não se verificar no próximo trimestre qual a conclusão a que devemos chegar?

O que poderá ter mais impacto na economia e (directa ou indirectamente) na despesa pública. A reestruturação de alguns serviços ou a desburocratização do estado (e não me estou a referir a balcões únicos que não passa de um conceito de Administração Pública do tipo “pobre mas lavadinha”)?

Desde quando soube que não apoiaria uma candidatura de Manuel Alegre?

Desde o dia em que Soares apresentou a sua candidatura ou desde que Manuel Alegre tomou posição contra a co-incineração?

Houve alguma relação entre as escolhas de Fernando Gomes e de Armando Vara para altos cargos de empresas de capitais públicos e o facto de terem reaparecido na política precisamente a apoiar a sua candidatura do PS?

Acrescenta a tua pergunta nos comentários.

 
At 9 de setembro de 2005 às 09:40, Anonymous MANUEL said...

Lido no próprio boletim publicado pelo INE.


PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre de 2005

O PIB português cresceu, em termos reais, 0,5% no 2º trimestre de 2005 face ao período homólogo, acima do verificado no trimestre anterior (0,1%).

Relativamente ao 1º trimestre de 2005, o PIB aumentou 1,0% em volume, em virtude do crescimento das Exportações de Bens e Serviços.
No conjunto do 1º semestre, o PIB cresceu 0,3% em volume, face a igual período do ano anterior.


EXPORTAÇÕES DE BENS E SERVIÇOS?

Ao nível das Exportações de Bens, a recuperação foi mais notória, tendo-se registado uma variação em volume de 1,0% face a igual trimestre do ano anterior (-0,7% no 1º trimestre).

Pelo contrário, as Exportações de Serviços apresentaram uma variação homóloga de -4,2%, agravando-se face ao registado no trimestre anterior (-1,7%).
De realçar a quebra da generalidade dos serviços, mas particularmente ao nível do turismo, com um comportamento muito desfavorável no 2º trimestre de 2005, face ao período homólogo. Este facto estará também relacionado com um efeito de base, tendo em conta a realização do Euro 2004 no 2º trimestre desse ano.

Em termos nominais, o saldo da Balança de Bens e de Serviços registou uma ligeira melhoria, cifrando-se em -8,3% do PIB (-8,9% no trimestre anterior).


CONTRADIÇÃO? TALVEZ!

Sobre confiança empresarial, tão apregoada hoje pelo sr. Primeiro-Ministro:


Investimento intensificou quebra homóloga No 2º trimestre de 2005, o Investimento caiu 4,5% em volume face ao trimestre homólogo, o que denota uma deterioração face ao registado no período anterior, no qual a variação tinha sido -1,3%.



Mas temos mais dados curiosos e interessantes.

Se o contributo da procura externa liquida recebeu tão forte impulso das exportações, para onde foram as exportações? Cresceram apenas 1%? Logo houve uma redução forte nas importações?

Pois o consumo privado subiu mais de 3%? De onde veio o consumo? Das importações não foram, foi da nossa indústria? Mas a nossa indústria continua em queda, ou os dados estão errados?


Ao nível do VAB dos ramos de actividade, destaque-se o ramo Indústria, que passou de uma quebra homóloga de 3,3% em volume no 1º trimestre de 2005, para uma quebra de 1,3% no 2º trimestre.

Após alguns trimestres em que a produção dirigida ao mercado nacional sofreu sucessivas reduções, no 2º trimestre de 2005 foi sobretudo esta componente que
mais contribuiu para o desagravamento, bem patente no Índice de Volume de Negócios da Indústria para o mercado nacional.


A indústria nacional foi a principal responsavel pela satisfação das vendas nacionais? E mesmo assim, com um crescimento económico muito elevado, no global a nossa indústria continua sob recessão? Como pode isto ser possível?

Mas os próprios dados anteriores do INE desmentem essa possibilidade. O volume de negócios da industria em Abril subiu apenas 2%, em Maio caiu 0,3% e em Junho subiu 7,7%, mas que não foi suficiente para justificar a aparente boa "saúde" da indústria. Afinal a produção indústrial em Abril subiu apenas 0,3%, em Maio caiu 4,3% e subiu apenas 2,4% em Junho.


Ou tivemos a maior multiplicação dos pães desde os tempos idos de Cristo, ou podemos estar perante a maior falsificação das nossas Contas Nacionais, desde que há memória.


O mais interessante é comparar os dados hoje publicados com os do Banco de Portugal, que regista uma queda da actividade económica no mesmo período. O que aliás, é uma tendência registada desde o fim do Euro 2004.

Este é um país de artistas na arte de enganar tolos. Todos economistas, mas quase todos mesmo, desde os das principais casas de investimento portuguesas até ao Banco de Portugal enganaram-se, mesmo conhecendo a maior parte dos dados publicados. Como é possível que todos os economistas se tenham enganado e o INE tenha revelado ao mundo que Portugal teve uma das melhores perfomances económicas da europa?

E que essa perfomance económica não é traduzível nos indices de confiança, seja dos consumidores, comérciantes, industriais e demais agentes económicos?

Portugal hoje vive num oásis interessante. Crise? Qual crise económica? Isso só existe na cabeça de alguns profetas da desgraça.

E no entanto...

 
At 9 de setembro de 2005 às 09:49, Anonymous MANUEL said...

Num país sério e onde as estatísticas não servem para manipular a opinião pública, esta notícia devia ser objecto de investigação judicial pela autoridades responsáveis.


O Produto Interno Bruto português no segundo trimestre deste ano cresceu 0,5% em termos homólogos, apresentando uma evolução positiva de 1% face aos primeiros três meses deste ano, apurou o Jornal de Negócios.
O crescimento de 0,5% compara com o segundo trimestre do ano passado, que foi o melhor de 2004, devido ao efeito do Euro 2004.

A melhoria da economia no segundo trimestre deste ano ficou a dever-se ao crescimento das exportações de bens e serviços, apesar de o investimento ter registado uma quebra.
O Instituto Nacional de Estatística divulga os dados das Contas Nacionais do segundo trimestre ontem às 15h00.

Não há país nenhum do mundo que admita este tipo de fugas de informação por parte do seu instituto nacional de estatísticas. E levaria à demissão do seu maior responsável. Mas como em Portugal o crime compensa, os investidores nacionais têm que descontar o terceiro-mundismo português.

Para concluir este assunto curioso convém analisar os dados do Comércio Externo divulgados ontem pelo próprio INE.
Segundos os dados publicados ontem, as exportações portuguesas subiram cerca de 1,77% no primeiro trimestre. E apenas 0,78% no segundo trimestre. O que contradiz os dados de onteontem:

Relativamente ao 1º trimestre de 2005, o PIB aumentou 1,0% em volume, em virtude do crescimento das Exportações de Bens e Serviços.

E com isto fecho a minha estupefacção em relação ao estrondoso crescimento económico anunciado, porque em termos anualizados este foi de cerca de 4%. Invejável.
Nem a Espanha conseguiu melhor!

 
At 9 de setembro de 2005 às 11:53, Anonymous Anónimo said...

Possivelmente não só perdemos a oportunidade histórica de nos industrializarmos fortemente aquando da vinda do ouro do Brasil, como a temos perdido ultimamente, com a vinda dos dinheiros derivados da adesão à CEE. Além do mais tem-se multiplicado o fenómeno gravíssimo dos incêndios florestais, porventura só suplantado pelo dos acidentes nas estradas, que parece entretanto, graças a alguém e a Deus, estar a desagravar-se.

O que é um bom governo? Obviamente, um governo que ajuda a resolver os problemas e a melhorar a qualidade de vida da maioria dos portugueses. Nesse sentido continuo a pensar que os primeiros governos de Cavaco e Guterres foram bons. Será o governo de Sócrates bom? Obviamente que até agora não o tem sido. As medidas boas e populares: correcção da venda de medicamentos e redução de alguns privilégios imerecidos, são de longe inferiores às impopulares: aumento do IVA, quando foi para o poder não por prometer que não aumentava impostos, mas também por isso, e, nivelamento por baixo. Em minha opinião também foi para o poder, como já outros foram, por causa da velha teoria da terra queimada, isto é: enquanto não arder tudo e todos os que não prestam (só “nós” seríamos bons) não se pode então fazer tudo bom de novo. Só que esta teoria parece estar profundamente errada!

 
At 9 de setembro de 2005 às 11:55, Anonymous António Duarte said...

Estamos mais ricos ?



O INE – Instituto Nacional de Estatística - divulgou ontem os dados relativos às contas públicas nacionais para o 2º trimestre, e aparentemente com uma surpresa, apresentando um crescimento da economia portuguesa, nesse período de 0,5 %.

Na realidade, a contribuição da procura externa foi decisiva para a melhoria face ao trimestre anterior onde a economia portuguesa, apenas tinha crescido 0,1 %. O contributo da procura externa passou de -1,5 % para uns - 0,5 %, enquanto a procura interna passou de 1,9 % para 1,0 %. Tivesse a procura interna mantido a sua performance do trimestre anterior e estaríamos a falar de um crescimento de 1,4 %. Demasiado bom para ser real.


Observar bons sinais neste relatório é sintoma de cegueira.


Em primeiro lugar, o motor do crescimento, foi o consumo privado que cresceu perto de 3,0 %. Entenda-se que foi a antecipação de bens de consumo face à subida do IVA de 19 % para 21 % que levou as famílias a anteciparem a compra de determinados bens e serviços.

Em segundo lugar, a diminuição da contribuição negativa da procura externa só foi possível porque inexplicavelmente, as importações desceram mais do que as exportações. Aparentemente o VAB da Indústria apesar de crescer, é sustentado pelo forte crescimento do VAB do sector energético e água, o que não nos leva a admitir que a oferta interna tenha crescido exponencialmente, capaz de motivar nos consumidores uma procura por produtos nacionais. Um exemplo, o sector têxtil.

Em terceiro lugar, quer o investimento (desceu 4,5 %) quer as exportações tiveram comportamentos negativos, o que ao contrário do que afirma José Sócrates em nada representam a confiança dos empresários em Portugal. Aliás, é o próprio Banco de Portugal que alerta para a contínua diminuição da produção industrial, para a queda da actividade económica, e é o próprio INE, que informa que o investimento em construção desceu 4,6 %.

Tal como num passado bem recente, alerto aqui, como Miguel Frasquilho e bem o faz aqui , o crescimento de uma economia com base no consumo privado, apenas fomenta o consumo de poupanças e aumenta o endividamento das famílias, tendo em conta que a grande maioria dos bens e serviços que consumimos tem por base produtos importados. O impacto de uma subida nas taxas de juro a nível do Banco Central Europeu, traduzir-se-á num aumento do serviço da dívida.

Isto é a análise económica ao relatório do INE.

Prometo, hoje de tarde, explicitar as contradições que este relatório do INE apresenta, e que devem merecer uma explicação coerente de quem de direito.

 
At 9 de setembro de 2005 às 12:45, Anonymous Anónimo said...

MAIS UMA DO SÓCRATES:

LICENÇA PARA INAUGURAR
José Sócrates presidiu à inauguração de uma fábrica de moldes que não consegue o
licenciamento, pedido em 1997, por ter sido indevidamente construída em terreno agrícola.
A presidente da Câmara de Leiria, Isabel Damasceno, prometeu ao proprietário do grupo LN
alterar o PDM para legalizar a unidade fabril.
Um mês antes da cerimónia, Leonel Costa lá obteve mais uma “licença transitória” para a sua empresa-modelo

 
At 9 de setembro de 2005 às 12:49, Anonymous Anónimo said...

MAIS DA MAIORIA SÓCRATES:

A Confederação da Indústria Portuguesa acusa a Assembleia da República de, ao alterar a lei que regula a eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais, quase triplicar os custos salariais relativos às dispensas de trabalhadores candidatos às próximas eleições.
Segundo a Confederação da Indústria Portuguesa, se fosse aplicada a solução prevista no Código do Trabalho, em que os candidatos teriam direito à retribuição relativa a um terço do período de duração da campanha, os custos somariam 78 milhões de euros.
Com a solução legal adoptada pela Assembleia da República,
os custos das empresas poderão ascender a 216 milhões de euros.
A Confederação da Indústria Portuguesa reclama, por isso,
que “deve ser o Estado, os partidos e os próprios candidatos a suportarem tais custos”.

 
At 9 de setembro de 2005 às 13:53, Anonymous Anónimo said...

Ler este Blog também é uma maneira de conhecer a lei, que todos somos obrigados a conhecer... não é? E, se a CIP acusa, deve ser verdade. Não é portanto de espantar se estiver aí a surgir novamente o poema: A VERDADE DÓI!

 
At 9 de setembro de 2005 às 14:45, Anonymous Fernando Sobral said...

Este fim-de-semana o fórum Novas Fronteiras vai reflectir sobre os primeiros seis meses do Governo de Sócrates. Segundo parece o tema coloca água na boca de muita gente: «preparar o futuro com confiança». Desconfiava-se que os Governos eram os depositários das melhores intenções do mundo.
Para comprovar isso, o executivo de Sócrates está a ser o suicídio mais bem intencionado de que há memória. Já não se sabe se Sócrates é um bom aluno de Santana Lopes ou se este regressa à Assembleia da República para tirar um doutoramento com este Governo.

Os dados do relatório sobre o desenvolvimento humano mostram, sem palmadinhas amigáveis nas costas, que Portugal pode continuar a preparar o seu futuro. Há muito que deixou o pelotão da frente. Vai agora no grosso da coluna, na sua bicicleta pasteleira, sendo ultrapassado rapidamente por quase todos os novos membros da UE.

Ainda bem que continuamos a ter confiança no futuro, porque com este presente bem podemos encomendar a lâmpada dos desejos de Aladino. Sócrates tem uma maioria. Tem tempo. Mas parece que o génio continua a ter dificuldades em sair da lâmpada. O futuro, para Portugal, com este Governo, continua a ser uma fracção da lotaria.

 
At 9 de setembro de 2005 às 14:48, Anonymous Paulo Ferreira said...

Um país sabe que está no meio de uma grave crise de crescimento quando os seus governantes consideram uma vitória um aumento do PIB de 0,5% em termos homólogos e de 1% em cadeia.
Ontem, logo após as implosões de Tróia, José Sócrates comentou os números divulgados pelo INE em jeito de satisfação.
Afinal a economia não tinha caído, como previam muitos economistas.

É óbvio que é melhor um crescimento, ainda que mínimo, do que uma queda do PIB. E, nesse sentido, há razões para um ligeiro sorriso.

Mas ir além disto é, infelizmente, demasiado apressado, porque não é sustentado pelos dados que hoje temos em cima da mesa.

As exportações, que deviam funcionar como detonador do novo ciclo de crescimento do produto, não descolam, porque muitas economias que compram os nossos produtos também não crescem e as empresas portuguesas continuam a perder quota nos mercados internacionais.

O investimento continua em queda, como se adivinhava previamente pelos indicadores qualitativos de confiança.

Resta o consumo privado, que continua a ser o único motor da economia. É um motor muito fraco, mas ainda bem que assim é.

Consumir o que não se produz aumenta os desequilíbrios, não os diminui. Aumenta o desequilíbrio da balança comercial, porque é um factor de pressão sobre as importações e estraga a balança financeira, com muitos bancos a recorrerem a fundos internacionais para conceder crédito cá dentro.

Não há outra solução para sair deste ciclo que não passe pelo aumento da produtividade.
É bom que tenhamos essa noção clara.

E isso não se faz nem com investimento público, nem com consumo, seja ele público ou privado. Muito menos com varinhas mágicas ou apelos a entidades divinas.

Começa a ficar claro pelo somatório de discursos dispersos que o Governo quer transmitir optimismo aos agentes económicos. É tentador, mas o caminho é perigosamente estreito.

Pintar de cor-de-rosa uma situação que é cinzenta pode agravar o ciclo do consumo-importações-endividamento-desequilíbrio externo. Porque o optimismo pode gerar consumo imediato, mas não gera produtividade imediata.

Além disso, está por provar que os portugueses sejam geneticamente pessimistas e que a «síndrome do fado» seja um obstáculo ao desenvolvimento.
Há dez anos, quando as taxas de juro caíam a pique, quando o PIB crescia na casa dos 4% e a economia estava em pleno emprego, se houve algum problema foi de excesso de optimismo.

A insustentabilidade dessa euforia, que até tinha raízes num bom momento económico, está hoje à mostra e consta da factura que estamos a pagar.

Entre o optimismo e o pessimismo, é sempre preferível o realismo e, sobretudo, a confiança transmitida pelas políticas que são seguidas. Se isso for minimamente bem feito, o optimismo vai aparecer. Não ao virar da esquina, mas aparece. A vantagem das crises prolongadas é que ninguém espera milagres rápidos.
Se o caminho for o correcto, há tempo para apresentar resultados.

 
At 9 de setembro de 2005 às 16:20, Anonymous Anónimo said...

Blog de funcionãrios públicos do PSD!

 
At 9 de setembro de 2005 às 17:21, Anonymous António Duarte said...

O INE – Instituto Nacional de Estatística apresentou ontem o seu relatório relativo ao segundo trimestre onde aponta um crescimento para a economia portuguesa em 0,5 %.
Este comentário não pretende ser um vínculo claro á qualquer tese da conspiração.
Mas para um economista existem dúvidas que merecem uma explicação cuidada sob pena da eventual especulação em torno dos resultados poder ganhar uma enorme margem de progressão. Pessoalmente entendo que há algo que não bate certo, nestes dados.

Em primeiro lugar, o crescimento de 0,5 % da economia portuguesa no segundo trimestre ocorre motivado pela diminuição da contribuição negativa da procura externa para o PIB (passagem de -1,8 % para -0,5%), associado a uma contribuição positiva da procura interna (passagem de 1,9 % para 1,0 %).

O passado recente mostra-nos que quando a contribuição da procura externa inicia uma subida é acompanhada por uma diminuição da procura interna e o contrário é igualmente válido. A uma aceleração da procura interna costuma corresponder um agravamento da contribuição da procura externa em terrenos negativos. Tudo porque a maioria do que consumimos é importado ou carece de matérias-primas que são importadas.
Não é crível e isso nota-se, quer na queda da produção industrial , quer no crescente aumento do desemprego na indústria, que a oferta interna tenha sofrido alguma reformulação.

Ora, tendo o consumo privado crescido 3.0 %, ainda que motivado por uma antecipação de actos de consumo provocados pela subida do Iva em finais de Junho, e face a queda das importações, existem duas hipóteses possíveis:
Existiam demasiados stocks internos que foram consumidos, e as empresas não tiveram tempo de os repor recorrendo ás importações.
As empresas recorreram á oferta interna.
Ora, nenhuma das duas opções merece muita aceitação. As empresas foram apanhadas de surpresa – como toda a gente diga-se de passagem – na questão do aumento do IVA e logo não tiveram sequer a mínima possibilidade de antecipar fosse o que fosse. De igual forma os consumidores não são agentes económicos tão racionais que sejam capazes de antecipar eventos económicos no intuito de poupança. Falamos de um país que não cresce há alguns anos, com uma elevada taxa de desemprego e com um nível de endividamento em cerca de 118 % do rendimento disponível. A margem de antecipação a existir seria sempre reduzida.

Em segundo lugar, as exportações desceram 0,1 % e as importações cresceram 1,2 % quando no período homólogo de 2004, tinham crescido 3,5 %.

Ora a questão está toda aqui: Se a produção industrial continua em queda, se o VAB da indústria está a crescer mas sustentado pelo VAB sectorial da electricidade e água, mas o consumo privado cresce, onde foram diminuídos os actos de consumo?

Há ainda, mais duas notas importantes e que em nada beneficiam qualquer contraposição desta análise.

É conhecido o impacto do preço do petróleo nas importações portuguesas. É sobejamente conhecido que o petróleo no segundo trimestre de 2005 andou num intervalo entre 35 e 62 dólares. Ora tal leva-nos a crer que a redução das importações em bens de consumo teria que ser de na mesma proporção do impacto em volume do impacto do petróleo, de forma a ser consistente.

Finalmente, o mesmo INE publica no dia anterior, uma nota informativa sobre comércio externo internacional. Nesse mesmo relatório, é afirmado que o crescimento das importações de Janeiro a Julho foi de 15,7%, onde pasme-se o grupo dos combustíveis minerais cresceu 45,1 %.

Ora esta afirmação vem sustentar a dúvida acima referida. Jamais as importações poderiam ter tido um comportamento tão benéfico quando existiu um impacto negativo em 45,1 % causado pelo petróleo e quando a procura interna cresceu 3,0 %. Ora a pedra de toque é dada pelo aumento do défice homólogo da balança comercial no primeiro semestre de 2005 em 9,7 %.

Se o défice aumenta quase 10 %, não era expectável que as importações continuassem a subir, ainda para mais quando as exportações não crescem?

São estas as minhas dúvidas. Tudo o resto que se pode falar para mim, é pura especulação. Se foi um erro que se assuma o erro agora e não se reveja em baixa no próximo trimestre.

Afirmar que discutir o orçamento de Estado com esta taxa de crescimento dá maior margem de manobra ao governo do que com outra taxa não é especular é apenas a verdade. Especular seria afirmar que tal teria sido feito propositadamente e pessoalmente não quero acreditar nisso.

 
At 10 de setembro de 2005 às 15:50, Anonymous Anónimo said...

Buum!!! Bip bip...

O mais elementar bom senso teria aconselhado a que José Sócrates não se prestasse à caricata situação de coiote do divertido bip bip, agarrando-se à alavanca de um explosor para demolir os prédios do eng. Belmiro. Um primeiro- -ministro a fazer uma demolição não parece uma imagem especialmente estimulante...

Mas, para que a semelhança com as desventuras do coiote fosse maior, igualmente a ministerial e explosiva experiência resultou em desastre para o eng. Sócrates é completamente inconcebível que uma alta figura do Estado se sujeite a ser o caricato figurante de uma encenação, uma vez que nenhuma relação houve entre o seu infantil gozo de carregar numa coisa que provocaria um grande buum e o buum propriamente dito! Do ponto de vista do "espectáculo" foi tudo trabalho de amadores o eng. Belmiro contratou um técnico para tratar de tudo, incluindo provocar a famosa implosão, e arranjou um figurante para carregar no botão! Aliás, uma companhia de figurantes, pois o eng. Sócrates levou o ministério todo atrás para dar pompa e circunstância ao buum.

Mas ainda houve mais.

Quando se quer criticar servilismos do poder político ao poder económico, faz parte das mais criticamente glosadas frases a famosa sentença de Charles Erwin Wilson, ex- -vice-presidente da General Motors e secretário da Defesa de Eisenhower em 1953, segundo a qual "o que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos". Ora então não é que o nosso primeiro se saiu a dizer ao dono da Sonae "o seu êxito e o seu sucesso serão o êxito e o sucesso de todos os portugueses e de Portugal"?!

"Bip bip"...

Ruben de Carvalho

 
At 10 de setembro de 2005 às 16:29, Anonymous JUM said...

POIS, POIS...

Mais uma treta (não tem outro nome) deste governo:

«“No diploma não se estabelece um valor máximo para os salários, pois as empresas têm de ter capacidades para atraírem gestores qualificados”, frisou aos jornalistas o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, após a reunião do Conselho de Ministros, que aprovou a lei.»

PS: O ministro das Finanças estaria a pensar em Celeste Cardona, Armando vara e Fernando Gomes quando fez estas declarações?

 
At 10 de setembro de 2005 às 16:31, Anonymous JUM said...

SÓCRATES 0 - 1 MARQUES MENDES

Ao precipitar-se de forma oportunista aproveitando um magro crescimento de 0,5% obtidos num contexto económico duvidoso e com todos os outros indicadores económico a proibir qualquer euforia, José Sócrates proporcionou a Marques Mendes a primeira oportunidade para falar e ser ouvido, desde que lidera o PSD. Sócrates parece pertencer à escola de Durão Barroso, não entende que os agentes económicos já não são palermas ao ponto de tomarem as suas decisões depois de ouvirem um primeiro-ministro; não resistiu à tentação e perdeu uma oportunidade de ser rigoroso e mostrar que sabe do que fala.

 
At 11 de setembro de 2005 às 17:38, Anonymous JUM said...

GOVERNO REINTRODUZ INCENTIVOS À POUPANÇA

Resta saber quem vai pagar mais IRS para suportar tal medida, aposto que são os do costume:

«O Governo vai reintroduzir já no Orçamento do Estado para 2006 incentivos à poupança, anunciou ontem, em Manchester, o ministro das Finanças, no final do Ecofin.»

 
At 11 de setembro de 2005 às 17:39, Anonymous JUM said...

DEPOIS DA IMPLOSÃO, A TACADA

Enquanto Sócrates deu ao botão Jorge Sampaio vai dar ao taco:

«Um grupo de promotores portugueses, liderados por Eduardo Netto de Almeida, e o grupo norte-americano Starwood Hotels & Resorts Worldwide, que acaba de adquirir a cadeia internacional Meridien, vão investir um total de 225 milhões de euros num projecto imobiliário-turístico, com dois hotéis de cinco estrelas, em Turcifal, na zona de Torres Vedras. O empreendimento, designado Campo Real, será hoje visitado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, que ali se deslocará para inaugurar o campo de golfe com 18 buracos.» [Público]

 

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