terça-feira, 10 de janeiro de 2006

AINDA VAI APARECER UMA A 99,9%?


Barómetro DN/TSF/Marktest




NÃO EXAGEREMOS



Para alguns centros de sondagens os votos em Cavaco Silva aumentaram quase 10% em pouco mais de um semana, depois de uma ligeira descida.
A manter-se esta tendência corre-se um sério risco de aparecer uma sondagem a prever uma vitória de Cavaco Silva por mais de 70% dos votos.

Bem, se Cavaco Silva já sabe cantar a “Grândola Vila Morena”, tem o apoio de dois ex-militantes do PSD e de um Capitão de Abril, não me admiraria nada que no dia 22 já saiba cantar a “Bandiera Rossa”, ou que atinja uma votação digna dos trópicos, aliás, já foi à Madeira fazer um ensaio com o Alberto João.

A direita evoluiu, há uns anos atrás quando o candidato era Freitas do Amaral não haviam sondagens e a onda vitoriosa da direita assumiu a forma de sobretudos verdes, o país quase se transformou num imenso campo de golfe provocado pela imensa mancha verde dessa importação da indumentária austríaca. Graças às sondagens a direita optou por ambientes mais tropicais e em vez de sobretudos austríacos veste-se agora de sondagens ugandesas.

Manda o bom senso que Cavaco está longe de ser uma personagem capaz de gerar um consenso na sociedade portuguesa, e os que nele não confiam são tantos que os 60% do Pinto Balsemão e C.ª são um exagero, mas talvez esse exagero não se deva ao desconhecimento da velha regra segundo a qual uma mentira para que seja uma boa mentira deve ter um pouco de verdade.

Incapaz de mexicanizar o sistema político pela via constitucional os que, como Pinto Balsemão defenderam o presidencialismo puro e duro, sabem que só o conseguirão provocando uma profunda crise política, e isso só seria possível se Cavaco contasse com uma votação quase equivalente à que seria necessária para eleger os dois terços dos deputados exigidos para rever a constituição.

Com tal votação a direita defenderia que existe um conflito entre a legitimidade de Cavaco e a da Constituição da República.
Pinto Balsemão sabe que pela via constitucional o presidencialismo não é viável, e se defendeu publicamente tal solução é porque espera que de alguma forma se realize.

O seu desejo é que as sondagens que divulga se tornem numa realidade, para que em vez da eleição de um presidente se esteja a fazer um plebiscito do nosso modelo político.

Não exagerem porque se o país já não suporta uma crise económica dificilmente sobreviverá a uma crise política que agrave esta situação.

J.E.R.

7 Comments:

At 10 de janeiro de 2006 às 13:43, Anonymous Anónimo said...

No princípio do fim


Finalmente, surgiu a sondagem da Universidade Católica, para o PÚBLICO, ANTENA 1 e RDP. Realizada entre 3 e 4 de Janeiro , com 815 inquiridos, apresenta como margem de erro máximo 3,4%. É diferente em seriedade e conclusões daquela sondagem do milagre em que os resultados começaram a ser discutidos antes de a sondagem se realizar.

E tem o mérito de romper (como o fazem quase todas as outras sondagens conhecidas, publicadas ou não publicadas) com aquela imagem esterotipada que a comunicação social e muitos comentadores veicularam de que era "evidente" que o confronto se faria entre Cavaco e Soares.
Diversas verificações: a primeira é que há uma enorme diferença entre os comentadores políticos dos debates televisivos e aquilo que corresponde à intuição do senso comum. Alguns comentadores afirmaram que Soares tinha ganho o confronto com Cavaco, quando era óbvio o contrário: Soares ganhou em termos de pugilato, mas não de um ponto de vista da corrida presidencial. Em segundo lugar, todos nós estamos de acordo em que as "performances" de Louçã foram excelentes, que se trata de um candidato extremamente bem preparado e que tem uma capacidade argumentativa absolutamente temível. Contudo, Jerónimo de Sousa vence em simpatia e parece ultrapassá-lo. Há um lado aquém da política que emergiu claramente com a reportagem da SIC sobre "o lado humano" dos candidatos. Neste plano, Jerónimo deixa-se ser como é e isso toca as pessoas.
Segunda conclusão: como todas as sondagens sérias demonstram, numa hipotética segunda volta, Alegre disputa melhor o eleitorado do que Soares. Isto é, o nível de rejeição (como uma sondagem não divulgada demonstra) é de 50% de pessoas que dizem jamais votar Alegre e de 70% de pessoas que dizem jamais votar Soares. Daí os resultados: numa cada vez mais difícil segunda volta, Alegre teria 37% e Cavaco 63%. Com Soares, a diferença é bem maior: Soares teria 29% e Cavaco teria 71%.
Terceiro ponto: desaparece o mito de que Soares é o único candidato do Partido Socialista. Nesta área, Soares tem 27% dos votos e Alegre tem 26%. Como vêem, a diferença é mínima.
Quarto ponto: aqueles que neste momento de dizem abstencionistas votariam, se acaso votassem, 40% em Cavaco e 5% em Alegre. A seguir vem Jerónimo de Sousa e Soares fica para o fim.
Quinto ponto: a estratégia de tentar convencer as pessoas que Cavaco em Belém seria um risco para o país não surte efeito. Cerca de um terço dos inquiridos acha que ele irá facilitar a acção do Governo. Apenas 14% não dormem descansados.
Conclusão: a estratégia de grande parte da esquerda na sua tentativa de diabolizar Cavaco está completamente errada. Os temas que se encontram são ridículos: desde se ele é ou não um politico profissional até à exigência tola de que ele revele a lista dos seus financiadores. Outra questão: percebo que, se Sócrates tivesse persistido no seu apoio a Alegre , tendo Soares a bater-lhe à porta, uma eventual derrota deixaria que Sócrates fosse "frito" no PS. Assim optou discretamente e de "canadianas" pelo que sabe ser um mal menor: o apoio a Soares. Mas teme-se que esta opção tenha consequências desastrosas. E o pior que podia acontecer era desestabilizar-se agora a linha política de Sócrates.

Eduardo Prado Coelho/Público, 09.01.2006

 
At 10 de janeiro de 2006 às 14:33, Anonymous Fernando Sobral said...

O "CHEQUE" TECNOLÓGICO

Pirandello mostrou à sociedade a peça «Seis Personagens à Procura de um Autor».
Foi um escândalo.
Hoje esse tema é a dúvida do país. Na sua criação parte dos personagens diziam poucas coisas.
Duas não diziam mesmo nada. Outros guardavam a hegemonia da palavra. As eleições presidenciais parecem-se com uma peça de Pirandello: poucos dizem coisas com sentido e os restantes têm medo de dizer o que as sondagens de opinião podem desmentir. O poder tem de criar ilusões. Sem isso ele é um produto branco de supermercado. Mas, num momento de confusão absoluta sobre o futuro do país, que se pode fazer? Veja-se um pequeno exemplo. A Microsoft chega a Portugal e leva os melhores alunos de «software» de uma universidade portuguesa. É um motivo de orgulho. Mas ficamos a pensar: se ficassem cá, após a licenciatura, o que lhes aconteceria? Indo, regressarão alguma vez com os novos conhecimentos? Face a isso o choque tecnológico do governo Sócrates serve para quê? Os presidentes não governam. Mas podem alertar para temas destes. Num país que precisa de massa crítica como de presunto decente para a boca a fuga, ainda que para estágio, dos seus melhores alunos é um sinal dos nossos pés de barro. Queremos a qualificação. Não temos ainda meios para a garantir.

 
At 10 de janeiro de 2006 às 14:35, Anonymous João C. R. said...

A direita necessita da esquerda e vice-versa.
Nenhuma delas poderia existir sem a outra.

A divisão entre a direita e a esquerda tende a ser mais invocada durante as campanhas eleitorais do que no dia-a-dia da política. Estamos num bom momento para a repensar. Esta divisão corresponde a uma espacialização do pluralismo político típico das democracias representativas. A sua origem é conhecida: na Assembleia Nacional Constituinte Francesa, de 1789, os deputados favoráveis ao veto legislativo do rei sentavam-se à direita e os que eram contra sentavam-se à esquerda. Porém, a dicotomia só se vulgarizou nos anos 20 do século XIX, com a divisão entre realistas e liberais, entre a velha e a nova França. Mas a distinção direita-esquerda corresponde a bem mais do que um episódio da história francesa. Por isso ela perdura até hoje não só no país originário como em todas as outras democracias existentes.

A espacialização do pluralismo em termos de direita e esquerda implica a sua lateralização. Por contraste com as democracias, as sociedades hierárquicas privilegiavam a distinção entre um “alto” e um “baixo”, ou entre um “próximo” e um “afastado” (em relação ao monarca). Aquando da reunião dos Estados-Gerais, que se transformariam depois em Assembleia Nacional Constituinte, as distinções entre o alto e o baixo e entre o próximo e o afastado predominavam ainda sobre a divisão entre a direita e a esquerda. O rei e a família real estavam situados numa plataforma acima dos membros dos três estados e particularmente afastado dos representantes do terceiro estado.

Mas também era verdade que estar colocado à direita do rei era melhor do que estar colocado à sua esquerda. Apesar de abolidas as distinções entre o alto e o baixo e entre o próximo e o afastado, as línguas europeias retêm ainda a depreciação qualitativa da esquerda em relação à direita. Assim, só a direita é “droite”, enquanto que a esquerda é “gauche” (desastrada). Se a direita é “right”, pode-se inferir que a esquerda é “wrong”. Apenas a direita é verdadeiramente “destra”, enquanto que a esquerda é “sinistra”. Em conformidade com este uso linguístico, parece natural que partidários do veto real se sentassem à direita e os adversários à esquerda.

Mais interessante ainda do que a origem da dicotomia é a sua extraordinária resistência. Ela está com certeza ligada à facilidade com que os nossos mapas cognitivos se organizam em estruturas duais. É difícil pensar o plural sem o reduzir a uma dicotomia. Na melhor das hipóteses, conseguimos passar do número 2 ao número 3. Por isso é também comum a referência ao centro (nem esquerda, nem direita), ou então as múltiplas tentativas de formulação de vias médias, ou de terceiras vias. Para além dos aspectos cognitivos, a divisão entre a esquerda e a direita facilita o funcionamento da democracia representativa na medida em que espacializa a possibilidade de oposição e alternativa. Neste sentido, a direita necessita da esquerda e vice-versa. Nenhuma delas poderia existir sem a outra.

É certo que direita e esquerda existem tanto em França como em Portugal, na Europa como na América, no Ocidente como no Oriente. Onde há democracia há uma esquerda e uma direita. Questão bem diferente é a de saber se existe um núcleo de princípios, valores ou práticas que sejam definidores quer da esquerda quer da direita. Aqui, as coisas complicam-se. A diversidade é interna em relação a um e a outro dos dois campos em confronto. Simplificando, podemos dizer que há direitas individualistas e colectivistas, liberais e conservadoras. Da mesma forma, há esquerdas colectivistas e individualistas, socialistas e liberais. Mas é também óbvio que todas estas famílias se decompõem em múltiplas facções, consoante o contexto.

Para além das direitas e das esquerdas que se enquadram no espectro constitucional, existem aquelas que o ultrapassam. É o que acontece com o conservadorismo autoritário, ou com o totalitarismo comunista. Um caso interessante é o do nazi-fascismo. É conhecida a tese de Lipset segundo a qual este é um “extremismo do centro”. Isto convida-nos a introduzir uma terceira dimensão no nosso mapa político. O espectro torna-se curvo quando deixa de ser constitucional. Aquilo que se afasta do centro em termos laterais afasta-se também em profundidade, para convergir de novo em direcção ao extremismo do centro. Por isso é que, como nota Bobbio, os extremos tocam-se.

 
At 10 de janeiro de 2006 às 14:36, Anonymous Nuno S. said...

Agora que a campanha teve o seu início oficial, daqui até ao dia 22 de Janeiro pouco mais será do que cumprir calendário

A julgar por todos os indicadores disponíveis, e salvo algum extraordinário percalço de última hora, Cavaco Silva vai ser eleito, à primeira volta, presidente da República. As últimas sondagens, conhecidas no Dia de Reis, como que surgem como a estrela indicando-lhe o caminho de Belém. Surpresa? Para quem esteve, nem que fosse apenas de passagem, em Portugal nos últimos 6 meses absolutamente nenhuma.

A estratégia e a campanha do Professor de Economia parece seguir à risca o guião do candidato vencedor: avançou sozinho, quando e como quis; seguiu uma agenda própria, nunca deixando transparecer que o seu discurso fosse de alguma forma condicionado pelos adversários; quando se entrou na fase do debate político, onde se pensava que poderia residir o seu ponto mais fraco, já a candidatura estava bastante sólida nos olhares e nos estudos da opinião pública. Resultado? No exacto momento em que os adversários, ansiosamente expectantes, pensavam que poderia de alguma forma vacilar, eis Cavaco a trepar nas sondagens rumo a Belém.

E que dizer da estratégia e da campanha de Mário Soares? Um verdadeiro desastre. A começar pela própria decisão de se candidatar, até aos ataques à Comunicação Social, Soares não acerta uma. Tudo começou no dia em que um ex-presidente da República decidiu abandonar o cómodo posto de “senador” para aceitar ser a quarta escolha do seu partido para se recandidatar ao lugar onde já tinha sido feliz. Estava escrito que não podia dar certo. Mas Soares deu uma ajuda. Ou melhor, várias. Apresentou-se, no final de uma tarde de Agosto, já como o candidato perdedor. Aquele que vai a jogo só para não perder por falta de comparência. Amarrado à imagem de um aparelho partidário, ainda para mais dividido. Proclamando aos quatro ventos que se candidata para que a campanha não fosse apenas como um passeio na Avenida da Liberdade para Cavaco Silva. Suicidário.

De então para cá tem sido a confirmação das primeiras impressões, em crescendo. A campanha de Soares é um autêntico catálogo de promoção da Lei de Murphy. Se alguma coisa pode correr mal irá com toda a certeza correr mal. Desde declarações desconexas, falhas na organização e constantes quezílias com os jornalistas tem havido de tudo. Comparadas com algumas das cenas da actual campanha, a ‘gaffe’ do PIB ou o episódio do bolo rei arriscam-se a cair no esquecimento. Não fosse Mário Soares o político português mais benevolentemente tratado pela Comunicação Social e a esta hora a máquina trituradora dos noticiários televisivos estaria preenchida pela repetição de uma apreciável colecção de episódios caricatos.

E quanto aos restantes candidatos? Alegre, com muito estilo mas magro conteúdo, parece beneficiar do desacerto de Soares, arriscando-se a ficar num honroso segundo lugar, uma espécie de prémio de consolação, mas muito longe de constituir uma verdadeira ameaça para Cavaco Silva. Jerónimo de Sousa, agora simplesmente Jerónimo, segura heroicamente o eleitorado do PC, ora encarnando o galã de coração mole da velha esquerda, ora vestindo o fato do metalúrgico das mãos rudes e da face austeramente marcada pelas amarguras da vida. Louçã, o mais eloquente de todos, tanto surpreende pela excelente preparação revelada ao longo da campanha, como desgosta pelo useiro recurso ao populismo e à demagogia, uma performance mais do que suficiente para manter viva a votação do Bloco de Esquerda.

Agora que a campanha teve o seu inicio oficial, nada de substancial parece poder alterar este quadro. Daqui até ao dia 22 de Janeiro pouco mais será do que cumprir calendário

 
At 10 de janeiro de 2006 às 15:06, Anonymous Pedro Manuel said...

Ver ontem Alberto Jardim em plena operação eleitoraleira foi mais um deprimente espectáculo de circo que só ele consegue dramatizar. Cavaco ignorou-o dos pés à cabeça; ele percebeu; Jardim - corado - estava mais vermelho do que um tomate maduro de Almeirim que parecia saído duma taberna de Alfama; a jornalista fazia-lhe perguntas embaraçosas e ele respondia com nítido embaraço e arrependido de ser como é: espalhafatoso, contundente, injusto, altercado, enfim, um pequeno ditador de província que foi obrigado, de novo, a engolir um sapão que o desprezou.
Enfim, o Alberto demonstrou ser um verdadeiro "Silva", o verdadeiro - sr. Silva.
Depois ainda dizem que Deus não escreve direito por linhas jardineiras...

Quanto a Marcelo o que há a dizer além dos mergulhos espartanos que ele dá em Cascais e dos almoços que não faz...
Sempre poupa mais uns euros; como também não precisa de comprar livros - dado que lhe os oferecem - as necessidades daquele homem ficam a custo zero. De facto, o mundo é injusto.
Depois veio a hipercomplexidade da energia em Portugal e só disse generalidades.
Criticou ao de leve Pina Moura, falou da ética e tal e coiso, foi curto; disse que a Iberdrola será o futuro patrão da energia da EDP e das iluminações das casas em Portugal e...., tentei ainda perscrutar o paradeiro da tal complexidade e só ouvi a sua querida aluna, cada vez mais tosca e lerda, rendida de cara e mãos - tratá-lo por tu, ou coisa parecida.
Será que...
Há tempos referimos aqui que aquele monólogo tem virtudes mas também comporta defeitos; hoje estes parecem sobrepôr-se aqueles. Será que a presciência de Marcelo não consegue vislumbrar isso?
Será do carácter turvo das águas do Guincho que gera hipotermias mentais e ópticas, do início do ano, da aluna que o exaure e extasia com tanto "talento"... Será, afinal, do quê?
Não sabemos. E desconfiamos que o parceiro ali de cima, o amigo Al berto, perdão, o sr. Silva - o verdadeiro Silva - também não sabe...
Eis os mistérios de Janeiro deste ano VI do III milénio.

PS: a mais moderna teoria neofreudiana defende que "as coisas são como são" no caso da jornalista que entrevista Marcelo pela circunstância de esta só o ver através de um globo ocular; os mais clássicos defendem que é da própria natureza da senhora que se julga jornalista; os mais cépticos como eu julgam que não é de coisa nenhuma - salvo da sua própria natureza amorfa e desligada da natureza. E assim pergunto-me como é que alguém com aquela apatia congénita pode fazer o que faz? Busco nas trevas e nas luzes uma resposta e só encontro igual apatia - espelhando aquele monolhar auto-bloqueado.

PS1: Aliás, a RTP vai de mal a pior: repete exaustivamente programas de fim de ano que depois se repetem no ano inteiro; as jornalistas mais parecem governantas e senhoras de servir que vêm do Norte a aterram nas vivendas de Cascais (e arredores) que precisam de gente para tratar do pó, da comida e servir de bá-bá aos netos.
Este País está mesmo transformado numa manta de retalhos que nos faz supôr que ainda estamos a acordar da Revolução de Abril de há 30 anos, tais são as múltiplas "guerras coloniais" que temos de travar no miolo da sociedade portuguesa. E como se isso não bastasse ainda temos de provar o cúmulo do cinismo e da hipocrisia política vendo Cavaco soletrando a Grândola Vila Morena; qualquer dia ainda vemos Fidel Castro abraçar G. W. Bush em plena cimeira de Dawos;
Saramago fazer as pazes com Cavaco e Santana Lopes e escrever um livro de jeito com autografos distribuídos a Sousa Lara;
Mao Tse Tung fazer-se passear pelos braços de Durão Barroso que virá a Portugal dar um valente abraço ao seu amigo e companheiro de estrada Garcia Pereira - no quadro do apoio que lhe irá manifestar nestas eleições presidenciais.
Um dia destes, ainda vemos a srª jornalista Ana Dias de Sousa pedir a mão de Marcelo em casamento em pleno directo, e depois estou para ver como é que Marcelo vai explicitar à turba a hipercomplexidade da Iberdrola e as pantominices do sr. Pina Moura neste Portugal descalço de tudo e já quase humanamente cego e sem alma. E o mais grave é que os analistas de serviço também não nos ajudam a eliminar essa cegueira, antes a agravam...
Ai, tal mal empregue o dinheirinho dos nossos impostos.

 
At 11 de janeiro de 2006 às 12:17, Anonymous JUM said...

«Eu baptizo em água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca. Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando. No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia.»

na Bíblia

Muito se tem dito das intenções de Cavaco Silva caso vença as eleições e ninguém duvida, nem aqueles que dizem ser ele o melhor presidente para Sócrates, que a sua o candidato do PSD vai querem um primeiro-ministro que aceite o papel de ajudante.

Mas Sócrates conta com uma maioria absoluta e Portugal não é propriamente o Burkina Faso, embora não sejam poucas as semelhanças, e Cavaco terá que esperar três longos e penosos anos para se poder ver livre do PS e de Sócrates, principalmente de Sócrates já que o PS pouco mais é do que uma ficção organizada.

Mas se Cavaco deseja um ajudante em São Bento, transformando o conjunto dos palácios de Belém e de São Bento num condomínio fechado (o ideal seria juntar os palácios Ratton, onde está o Tribunal Constitucional, e Palmela, a sede da PGR, mas isso não é possível com a lei que regulamenta os condomínios políticos em democracias), é mais do que evidente que Marques Mendes não está à altura das ambições do "professor", o líder do PSD é aquilo a que podemos designar por "pouca coisa".

Isto é, enquanto muito se fala do futuro de Sócrates se Cavaco ganhar, não é o seu fim político que se decide na noite das eleições, quando as urnas fecharem começa a contagem decrescente para o fim de Marques Mendes.

O líder do PSD tem todas as qualidades de mansidão para ser o cordeiro, mas não passa de um cordeiro pascal, um borrego que vai ser comido para assinalar a ressurreição de Cavaco. O verdadeiro "cordeiro de Deus", aquele que está entre os do PSD vm depois de Cavaco, e que como prevê a Bíblia vem ajudar o "professor" a curar os pecados do país é, muito provavelmente, António Borges.

 
At 11 de janeiro de 2006 às 12:18, Anonymous Anónimo said...

MAIS UM AJUDAR A FESTA:

"Sarilho institucional"


Santana Lopes admite instabilidade governativa se Cavaco Silva vencer as presidenciais





Pedro Santana Lopes considera que, se Cavaco Silva ganhar as eleições presidenciais, os partidos de centro-direita vão ter uma intervenção mais limitada. O ex-primeiro-ministro prevê ainda que, com Cavaco na Presidência, se aproximam momentos de instabilidade e conflito com o Governo.


In: SIC

 

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