quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

OS SOCIALISTAS ESTÃO FARTOS DO PS

O PLANO B

Já se diz por aí que o resultado de Manuel Alegre nas presidenciais confirma que os socialistas estão fartos do PS.

O que fica por saber-se é se a inversa também é verdadeira, ou seja, se o PS também estará farto de socialistas.

Os primeiros sinais - a interrupção da intervenção de Alegre por Sócrates - foram nesse sentido.
Mas sabe-se agora, por repetidas declarações de membros do ‘staff’ do secretário-geral do PS, que a interrupção foi involuntária.
Porém, a interrupção involuntária da intervenção (iii) pode ainda ser uma questão fracturante entre os socialistas. E se é verdade que a interrupção propriamente dita foi testemunhada por mais de dois milhões de telespectadores, o carácter involuntário da interrupção, segundo o ‘staff’ de José Sócrates, pode ser testemunhado por 30 ou 40 pessoas que estavam com o líder.

A tempo de evitar mais estragos, os socialistas também já fizeram saber que o secretário-geral tinha um Plano B para a noite de domingo, com um discurso para reagir à eleição de Cavaco Silva e um outro, que ficou no bolso, a manifestar o apoio do PS a Manuel Alegre numa eventual segunda volta.
O Plano B terá sido aprovado por unanimidade numa reunião do Secretariado do PS, na tarde de domingo.
O relato da reunião que transpirou para os jornais não contabiliza as “figas”, “cruzes-canhoto”, “tarrenego”, “abrenúncio”, “credo”, “Deus nos livre” e “o diabo seja surdoque se terão eventualmente cruzado por baixo da mesa da unanimidade.

Pelo meio de toda esta bizarria, um apoiante de Mário Soares, José Medeiros Ferreira, fez votos para que o Governo “tenha em conta os resultados eleitorais”, nos quais ficou reduzido a uns simbólicos 14 por cento.
Por amor de Deus”, como diz o primeiro-ministro.
A base de apoio do Governo mudou e, como se sabe, o primeiro-ministro não governa em função de eleições.

João P. Guerra
P.S. - Os de Ponte de Sôr bem o demonstraram nas urnas...

12 Comments:

At 25 de janeiro de 2006 às 15:38, Anonymous Raul Vaz said...

O PS procura esconder o estado de choque, mas os sintomas do descalabro eleitoral começam a produzir efeito. Alegre não pode rejeitar em absoluto o frenesim dos apoiantes – o combate vai aprofundar as clivagens ideológicas do grupo parlamentar.
Helena Roseta fará o barulho que for necessário para manter Alegre à boca de cena, chamando-o à responsabilidade cívica. Soares acusa o choque e dá prova de vida. Medeiros Ferreira – «Roseta de Soares» na aventura presidencial – anuncia «um combate cívico». Com Cavaco em Belém, as farpas terão um destinatário, o cúmplice de S. Bento – um político que subordina a ideologia ao pragmatismo. Sócrates procura moderar a turbulência – em que Roseta agora conta e Medeiros julga que conta – e terá começado por travar a onda de retaliação a Alegre. Queriam tirar-lhe o cargo de vice-presidente do Parlamento. Quem? Alguém com assento no directório socialista – os mesmos que aceitaram a candidatura de Soares, acreditando no regresso do «velho leão».
Quem?
O poderoso ministro António Costa ocupou o lugar de Jorge Coelho na condução do aparelho partidário. Costa é experiente, frio na reacção e, sobretudo, competente. O descalabro eleitoral exige articulação.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 15:39, Anonymous José D. Madeira said...

José Sócrates fez bem em apoiar outro candidato qualquer que não Manuel Alegre. Quando Sócrates pretendesse liberalizar ou reformar, o presidente Alegre seria o primeiro a travar estes movimentos, em nome das conquistas de Abril, o que quer que isso signifique em 2006.
E pronto, já está Cavaco presidente. As eleições decidiram-se à tangente e foram um caso evidente de como são importantes as campanhas eleitorais. Ao longo das últimas semanas, Cavaco Silva viu a sua base eleitoral desgastar-se continuamente dos 60 para os 50,6% com que ficou. Pelo inverso, Manuel Alegre subiu da casa dos 12 para uns mais animados 20%. Mário Soares e Francisco Louça não conseguiram criar dinâmica nenhuma à sua volta e acabaram da mesma forma como partiram, sem lustro nem brilho. Já Jerónimo de Sousa – que pela primeira vez mostrou ao eleitorado que os comunistas têm mulher, filhos e netos e conseguiu fazer isso render – fixou o seu eleitorado «natural» de uma forma refulgente e conseguiu mesmo revitalizá-lo. Tudo visto, mais uma semana de campanha e Alegre conseguiria uma segunda volta.

Imagino porque o eleitorado apreciou o estilo romântico de Manuel Alegre – a imagem do homem corajoso, que solitariamente avança contra os aparelhos partidários, apenas munido das suas ideias e convicções. O efeito «Sancho Pança». Aquele ar de bom pai de família, homem honrado e patriota até lhe permitiu captar mais alguns votos junto até de eleitores tradicionalmente mais à direita. E dentro do seu espaço natural, o eleitorado do Partido Socialista acabou por o preferir, em detrimento de Mário Soares, demasiado velhote para atrair quem quer que seja – todos os «marketeers» sabem que os produtos que mais vendem são aqueles que aparecem associados à imagem de homens bonitos e jovens. Soares é, goste-se ou não, um «has been» e deixou uma lição aos políticos vindouros: saibam sair de cena a tempo e horas. Também serviu para que o PS possa saber onde residem as suas bolsas eleitorais mais consolidadas e fanatizadas.

É possível imaginar que, se ao invés de dois candidatos em competição, o PS tivesse apresentado um só candidato e que se este fosse Alegre, teria conseguido a mobilização e o «élan» necessários para capturar as dezenas de milhar de votos necessários para forçar uma segunda volta. Mas claro está que, na verdade, José Sócrates fez bem em apoiar outro candidato qualquer que não Manuel Alegre. O poeta é um «naif» que se podia transformar num perigo para a política, especialmente na área económica, deste Governo. Quando Sócrates pretendesse liberalizar ou reformar, o presidente Alegre seria o primeiro a travar estes movimentos, em nome das conquistas de Abril, o que quer que isso signifique em 2006. Deste ponto de vista, Cavaco Silva é o que mais convém ao primeiro-ministro. Os dois juntos lembram aquele par do «senhor Feliz e o senhor Contente». As probabilidades de se entenderam bem são enormes: Sócrates precisa de um Presidente da República que compreenda os seus ímpetos reformistas e Cavaco Silva tenderá a evitar grandes complicações, na perspectiva de ganhar com tranquilidade um segundo mandato. O País respira tranquilidade política. Venha a nós a retoma económica.

Já Manuel Alegre ganhou um capital político a que não saberá resistir. Com pouco espaço dentro do PS – onde se tornou demasiado importante para permanecer como simples chefe de facção – sonhará com as eleições presidenciais de 2011. E uma vez que, na altura, dentro do PS não surgirá nenhum maluco com paciência para se sacrificar contra o Presidente Cavaco, serão desta vez os próprios dirigentes socialistas a estenderam-lhe a passadeira vermelha para uma recandidatura a Belém. Com os resultados de Domingo, o PS já resolveu o seu problema presidencial de 2011. Sabendo que tem capacidade para adicionar a essa base natural de apoio, eleitores do PC, do Bloco de Esquerda e até do espaço do PSD e CDS, Alegre não se cansará de visitar, durante os próximos cinco anos, todos os núcleos de apoiantes que conquistou ao longo do País, para os consolidar com vista ao «próximo grande combate de cidadania». Um poeta é um poeta, mas também não é um parvo.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 15:40, Anonymous Fernando Sobral said...

À esquerda as presidenciais foram um tremor de terra cujas consequências ainda se estão para ver. O PS reabriu velhas feridas e veremos como as irá lamber. O Bloco de Esquerda mostrou que é, apenas, o mínimo denominador comum de vontades muito diferentes. E que já subiu ao limiar do seu Nirvana.
Mas, à direita, o que sucederá? Essa é, também, uma incógnita cruel para quem saudou sem reservas a vitória de Cavaco como se fosse a sua. PSD e CDS comungam o triunfo mas a questão que ele coloca é mais complicada. Quem os deverá guiar e em que direcção deverão ir? A desanimadora verdade é que se terão de se confrontar com o facto que não serão capitães da sua frota. Cavaco, sendo o presidente de todos os portugueses, como declarou, será o almirante de todo o bloco do centro para a direita. Marques Mendes ou Ribeiro e Castro, antes de avançarem para bombordo ou para estibordo, terão de olhar para o farol de Belém. Cavaco guiará, mesmo que não o queira directamente, o destino do PSD e do CDS. Até que possa surgir algum que rompa com ele. Que líder do PSD ou do CDS se arriscará a ser humilhado, nem que seja pelo silêncio de Cavaco? Ou por um discurso cifrado, estilo Alan Greenspan? A esquerda perdeu. A direita ainda está a perceber o que lhe aconteceu.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 15:41, Anonymous Eduardo Moura said...

Para fazer face à crise de inépcia em que o País vive mergulhado, os portugueses escolheram primeiro José Sócrates e depois Cavaco Silva e encomendaram-lhes uma santa aliança como quem entrega o corpo à faca do cirurgião.
Chegar ao ponto de escolher duas personalidades como as dos actuais Presidente e primeiro-ministro não foi, por certo, uma escolha gratuita. Ninguém desconhece a rispidez, frieza e distanciamento de Cavaco, nem a agressividade, determinação e autoritarismo de Sócrates.

Aparentemente, os portugueses deveriam ter escolhido um Presidente de temperamento oposto ao de Sócrates e, sobretudo, um Presidente que moderasse os estragos sociais causados pela política reformista do Governo.

Muitos viram em Manuel Alegre essa figura capaz de equilibrar a balança do poder. Foram muitos, mas foram poucos. Cavaco venceu à primeira volta de forma quase tangencial mas ninguém duvida que a vitória não foi casual. Pois sabendo pelas sondagens que Cavaco venceria logo à primeira, mesmo assim parte da esquerda ficou em casa e muitos da esquerda votaram no candidato da direita. Pelo menos a esquerda consentiu a vitória de Cavaco.

Muitos dizem que Sócrates é o grande culpado pelo sucedido. É uma observação com razoável lógica. Pois tivesse Sócrates apoiado a candidatura de Manuel Alegre, o PS teria aparecido unido, combativo e com maior capacidade de atracção dos votos perdidos da esquerda.

Porém, se assim tivesse acontecido, Manuel Alegre não teria recebido os votos dos descontentes com a política do Governo. A rebelião de Alegre contra Sócrates, consubstanciada na sua recusa em apoiar Mário Soares, não teria existido. O povo anti-socrático não veria em Alegre o moderador da acção governativa mas um socialista do aparelho. Talvez obtivesse votos para forçar Cavaco a uma segunda volta, mas seria outro Manuel Alegre que não este que foi forjado pelas vicissitudes socialistas.

Portanto, em boa verdade, nenhum candidato oriundo do campo socrático teria alguma hipótese de bater Cavaco Silva nas presidenciais. A zanga de pelo menos 20% dos portugueses com a política do Governo é profunda e sem remissão.

De resto, ao eleger Cavaco, pode dizer-se que os portugueses referendaram a política de Sócrates e ratificaram-na.

Porque, ao votar, nenhum português deixou de ter em atenção a existência da maioria absoluta parlamentar e de Sócrates como primeiro-ministro.

Porque Cavaco foi claro desde o início na sua cooperação estratégica com o Governo.

Porque todos sabem que Cavaco deu cobertura às medidas de redução da despesa pública e de equilíbrio orçamental e voltará a dá-la sem pestanejar.

Porque ninguém duvida que Cavaco mantém um extraordinário ascendente sobre o PSD, muito além do ascendente que alguma vez Sampaio teve sobre o PS.

Porque, apesar dos riscos que a semelhança de temperamentos comportam, todos intuem que há entre Sócrates e Cavaco uma comunhão de personalidade.

E ninguém duvida que os portugueses apostaram convictamente nesta combinação política. Uma aposta num novo rumo para o País e uma disposição para assumir custos, dolorosos, inerentes à mudança

 
At 25 de janeiro de 2006 às 15:43, Anonymous D. Amaral said...

Se 7 ou 8 deputados do PS passarem a comportar-se como “ala autónoma”, a maioria absoluta de Sócrates fica em perigo.

Antes das eleições presidenciais, já se sabia que à esquerda do PS existiam cerca de 14% de votos, divididos entre o PCP e o Bloco. Na última década tínhamos assistido a um progressivo minguar do PCP e, em especial nos últimos cinco anos, ao progressivo crescimento do Bloco. A personalidade de Jerónimo de Sousa conseguiu inverter esta tendência, e pela primeira vez o PCP cresceu e o Bloco perdeu. Mas convém não esquecer que a soma dos dois partidos tinha crescido nas últimas legislativas, e não diminuiu nestas presidenciais. Ou seja, à esquerda do PS existe claramente uma esquerda descontente, que compete entre si pelo protagonismo, mas que está consolidada e provavelmente em crescimento. O descontentamento destes 14% com as políticas “do défice” é evidente, e não parece ser possível que nenhuma dessas forças – PCP ou BE – possa ser trazida para o espaço da governação tranquilamente.

Para ajudar à festa, os resultados de Manuel Alegre nas presidenciais demonstram que há, dentro do eleitorado socialista, muita gente que se sente ou descontente com a governação de Sócrates, ou descontente com as suas escolhas políticas, e que viu na candidatura de Alegre uma oportunidade para se revoltar contra Sócrates. Na verdade, há em certas áreas da esquerda socialista uma espécie de sentimento de traição. Muitos, em especial o exército de funcionários públicos que na maioria das vezes vota no PS, sentem-se traídos, pois nunca esperaram que Sócrates fosse “atacar os seus previlégios”. As decisões do Governo de mexer com as idades das reformas, alterar os regimes dos professores, dos juízes, dos militares, dos polícias, as reformas na saúde, tudo isso, tão bem recebidas no centro e na direita, foram sentidas como uma traição em certa esquerda, que agora se pôde revoltar.

Resta saber qual o objectivo de Alegre nos tempos mais próximos. O seu discurso contestatário aos partidos, em especial ao seu, o PS, não o vai ajudar. Alegre “despartidarizou-se” para poder ganhar liberdade, e quase conseguia os seus objectivos, mas agora é difícil “partidarizar-se” de novo, provocando convulsões dentro do PS. É possível, mas não impossível.

Se olharmos bem para o PS, vemos que em pouco mais de um ano quase todas as estrelas do seu firmamento empalideceram. Guterres ainda ensaiou o regresso, mas perante a frieza das gentes foi tratar dos refugiados. Ferro Rodrigues e os seus correligionários saíram quase todos de cena, porventura prematuramente. Carrilho e João Soares foram humilhados nas urnas, e Mário Soares, como se provou nas presidenciais, já não pertence a este filme. À primeira vista, Sócrates tem o partido na mão, mas não é impossível que Alegre possa, com tempo, reunir à sua volta uma “tendência”, e atacar o ponto mais vulnerável de qualquer maioria absoluta, o grupo parlamentar.

A perspectiva não é, obviamente, agradável. Se 7 ou 8 deputados do PS se passarem subitamente a comportar como uma “ala autónoma”, que vota com independência e não segue as ordens do partido, isso significa que a maioria absoluta de Sócrates fica em perigo.

O perigo da instabilidade existe pois, e não é de estranhar. Ideologicamente, a esquerda anda em convulsão. Perdidas as crenças nos amanhãs que cantam, e nas teorias marxistas, pouco tem restado às esquerdas do que um combate de “resistência” ao andamento do mundo. A esquerda tem dito que não a um liberalismo largamente imaginário, que julga comandar o mundo, mas na verdade não tem, como se costuma dizer, um “projecto alternativo”. Assim sendo, as esquerdas modernas dividem-se num dilema: quando estão no poder, governam ao centro, como Lula, Blair, ou Sócrates; quando estão na oposição, tornam-se radicais da constestação. Esta convulsão, e esta confusão, são permanentes e provocam muito mal-estar. Em certos casos podem mesmo levar à derrota, como se passou com Schröder na Alemanha.

Convém por isso a José Sócrates estar atento. O Governo tem conseguido governar bem em certas áreas, e inverter algumas expectativas negativas na economia. Porém, é perigoso esquecer donde vieram a maioria dos seus votos. Talvez nos próximos meses os maiores perigos venham dessa fragmentada esquerda, e não de um presidente Cavaco eleito à tangente.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 16:45, Anonymous Jorge Costa said...

O PODER DA CIDADANIA, CONTRA VENTOS E MARÉS

Os resultados das Presidenciais merecem uma profunda reflexão.

Em Portugal, ao fim de 30 anos e após várias tentativas, a Direita conseguiu eleger um seu representante para a Presidência da República.

Uma candidatura que era desmerecida e desvalorizada por todos, houve mesmo quem irresponsavelmente dissesse que sem apoio partidário não iria a lado nenhum, apoiada por um movimento de cidadãos empenhado, que nada almejava para si mas muito desejava para o país, conseguiu demonstrar ser a única alternativa viável para discutir uma segunda volta se a tivesse havido.

Há que reconhecer que a esquerda no seu todo, ainda que pela margem mínima, foi derrotada.

A desvalorização da importância das Presidenciais pela direcção do principal partido de esquerda, que achou que o assunto se resolveria por ele, começando por apostar em potenciais candidatos que nunca o foram, levou a que por razões ainda não suficiente esclarecidas fizesse uma aposta que se revelou pouco convincente e mobilizadora.

As lideranças partidárias ainda não entenderam que a tradição já não é o que era, e que os cidadãos estão cansados de aceitar sem discutir os seus ditames.
A candidatura de Manuel Alegre e o resultado obtido é a resposta a todos os bem pensantes ou carreiristas que acham, contra todas as evidências, que a terra se não move.

Até que um dia a casa vem abaixo...

Neste caso os cidadãos acharam que bastava que pensassem em seu nome e com a criação do movimento de cidadania, nascido e fortificado apenas em três meses, que suportou e movimentou a candidatura deram o sinal que nada poderá voltar a ser como dantes.

Não basta fazer promessas, há que honrá-las!

Mais de um milhão de portugueses deram o seu grito do Ipiranga, espera-se que a classe política não prossiga no seu autismo até para seu próprio benefício. Não basta falar em transparência, há que praticá-la.

Os partidos do poder têm de ser transparentes, deixar de ser agências de emprego para os seus próximos, o que desvirtua e descredibiliza qualquer discurso moralizador que pretendam encetar.

Em definitivo o bloco central de interesses, em especial os particulares, tem de ser abandonado com urgência!

O dinamismo e afirmação expressa nos resultados da candidatura independente de Manuel Alegre, evoca a revolta do povo de Lisboa quando impôs a coroação do Mestre de Aviz, enquanto as elites da época se digladiavam, como Rei de Portugal.

Assim subiu ao trono D. João I.

Agora o resultado não foi tão auspicioso, mas não deixou de abrir novos horizontes ao Poder da Cidadania!

O triste episódio da sobreposição de Sócrates à declaração de Manuel Alegre, na noite eleitoral, com silenciamento do último, não foi novidade para ele. Já habituado a que isso acontecesse quando há mais de 40 anos a então Emissora Nacional tentava silenciá-lo sobrepondo-se a sua emissão da Rádio Portugal Livre.

Que os cidadãos não adormeçam e reforcem o movimento de cidadania agora iniciado, fazendo ouvir a sua voz em todos os momentos importantes para todos nós, não será por falta de oportunidades que o não farão.

Por um Portugal de Todos, mais Livre, Justo e Fraterno!

Jorge Costa
Médico do Hospital José Maria Grande em Portalegre
Membro do Secretariado do P.S.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 17:00, Anonymous Pedro Manuel said...

Era vê-los com uma beiça maior que os porcos que a minha avó tem lá na quinta...
No dia 22 de Janeiro de 2006 os habitantes do concelho deram uma grande lição ao Partido Socialista e aos Taveiras Pintos.
Coitado deles, com os resultados do concelho é só azia...

 
At 25 de janeiro de 2006 às 17:08, Anonymous Anónimo said...

"Cavaco eleito sem apoio do PS".
Cá para mim sempre esteve claro que a direcção do PS, pelas suas hesitações quanto ao candidato, pela campanha que não fez, pelas decisões antipopulares tomadas pelo governo, tudo fez para que o Presidente da República fosse o Cavaco.
Afirmo: Cavaco foi eleito, pode agradecer aos dirigentes do PS.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 17:09, Anonymous M. said...

Pela primeira vez, em 30 anos de democracia, o Presidente da República foi eleito sem apoio do PS. O eleitorado socialista reprovou a escolha de José Sócrates. O PS dividiu-se.

Cavaco Silva comprometeu-se com o código moral da democracia e com a ideia de que "o Estado não é feudo dos que ganham". Tirará, José Sócrates, as devidas ilações desta declaração ou continuará a nomear dirigentes para cargos públicos, privilegiando o cartão de militante em detrimento do conhecimento e da competência.

José Sócrates declarou que “não haverá ajuste de contas” com os militantes socialistas rebeldes. Contudo, não hesitou em falar ao mesmo tempo que Manuel Alegre lia a sua declaração, levando a que as subservientes televisões ignorassem o candidato dissidente.

Ao contrário das piedosas declarações, os tempos que se avizinham serão tempos de FACAS LONGAS e de ajustes de contas internas no PS. Ana Gomes e Vitor Ramalho são apenas alguns dos dirigentes que já clamam pela de cabeça Alegre, numa tentativa vã de esconjurar a derrota.

Perante estes factos como reagirá JOSÉ SÓCRATES?
Usará a autoridade de líder e impedirá efectivos ajustes de contas ou lavará as mãos como Pilatos?
Ou será, que depois de duas avassaladoras derrotas do PS, nas autárquicas e presidenciais, o alvo do descontentamento recairá sobre o próprio Sócrates?

 
At 25 de janeiro de 2006 às 17:16, Anonymous Carlos Cunha said...

Morrer na Praia, Viver na Esperança


Ao longo dos últimos 3 meses foi bonito ver tantos cidadãos envolvidos e empenhados na campanha de Manuel Alegre.
Porquê?
Pelas mais variadas razões de pormenores mas com um objectivo comum e primeiro; derrotar a direita evitando a eleição de Cavaco.
E se estávamos com Alegre, derrotando Cavaco, certamente não era para fazer eleger Jerónimo.
Seis décimas marcaram a diferença entre o sonho e uma esperança adiada.
Morrer na praia não significa morrer a esperança, antes pelo contrário, há que encontrar novos motivos para alimentar essa esperança de manter acesa a chama da democracia e do 25 de Abril.
Viver na esperança é reconhecer também o direito a quem pensa diferente conseguir, ao fim de 30 anos, eleger um presidente.
É certo que poderia ser outro, pois dentro do centro direita há seguramente personalidades com outro carácter e uma outra visão da democracia e da sua vivência.

Mas o sonho destes 3 meses foi bonito.
Voltar a ver e encontrar tanta gente desiludida da política e cansada de decisões erradas.
Quebrar a nostalgia de muitos anos de vida activa na acção politica, agora com a serenidade de quem não tem outras responsabilidades nessa área que vão para além do sentido da responsabilidade enquanto cidadão livre que pensa pela sua cabeça sem os espartilhos do partidariamente correcto.

Todos sabemos que a decisão primeira não foi de Mário Soares, a quem tanto deve a democracia e o país, mas também ele próprio não devia ter aceite o “sacrifício”.
Tinha sido preferível usar a sua influência para responsabilizar outro candidato que não ele?
Teria sido mais fácil e cómodo pelo menos, mas com isso Mário Soares não teria prestado um serviço à esquerda, mais um.
Porquê?

Vejamos;
Mário Soares congregou na sua candidatura milhares de eleitores do centro direita, alguns, eleitores “fieis”(?) PSD e CDS.
Se não concorresse, esses votos teriam ido para Cavaco e outros pela abstenção.
O PS, não concorrendo Soares, certamente teria acabado a subscrever a candidatura de Alegre, o que teria resultado na inexistência deste movimento dos cidadãos.
Ora, para quem não se deu ao incómodo de analisar a génese deste movimento não percebeu o teor da composição destes cidadãos eleitores.
Sendo a maioria gente convicta com o facto de Alegre ser o melhor candidato, houve desde desencantados com a politica e os partidos, aos que não se reviam noutros candidatos e acabando nos “zangados” com o PS.
A candidatura de Alegre conseguiu a mobilização e o “ganhar” destas pessoas para a cidadania, reduzindo em muitos pontos percentuais a abstenção.

E daqui resulta simplesmente isto; digam o que disserem Jerónimo, Loução e Garcia, o cenário verificado na esquerda foi o que, sem margem para dúvida, conseguiu fazer baixar mais a percentagem de Cavaco.
Sem qualquer dos intervenientes que estiveram em palco (poder-se-ia dispensar Garcia Pereira?) Cavaco teria tido sempre uma percentagem superior à alcançada, mesmo mantendo o número de votos que obteve.

Assim sendo, podemos concluir que, ao fim de 30 anos nada teria impedido a vitória da direita na presidência da república.
E depois, como devemos manter o fair play, assim poderão os portugueses comparar e ver a diferença entre a presidência da república ser de esquerda ou ser de direita.
Veremos daqui a 5 anos, quando for altura de fazer balanços. Ou repete como fizeram todos os presidentes anteriores ou não… Por mim, não faço apostas.

Por tudo isto Alegre, acho mesmo que cumpriste o teu desígnio e todos te devem agradecer a coragem da tua decisão.
Sabias como todos, embora alguns nunca o quisessem admitir, que eras o único candidato que maior mossa poderia fazer na candidatura de Cavaco na segunda volta.
Porque é sempre bonito ver a esquerda unida em torno de um mesmo candidato e de um mesmo objectivo, foi pena termos morrido na praia.
Vivamos pois a esperança.

Mas viver a esperança não pode validar, quanto a mim, que alguns queiram “montar” estes 20% de eleitores e fazer agora o que têm andado a criticar nos outros, ou seja, em primeiro lugar tomar decisões de cúpula sem ouvir toda a gente, numa patética fuga para a frente. Em segundo lugar, fazer uma leitura errada dos objectivos dos que alimentaram este movimento e pensarem tão só que são horas ou é a oportunidade de criar um novo partido, seccionar ou sangrar o PS.

Por mim e como muitos outros, estive com Manuel Alegre por um objectivo claro e definido, nunca contra o PS. Extrapolar que não estar com o candidato presidencial do PS seria estar contra o partido é uma tolice e até Sócrates que errou na sua estratégia(?) já emendou a mão e não se deixou tentar por uma qualquer caça ás bruxas que só iria enfraquecer o PS e a sua própria liderança.

Nem Alegre é Eanes, nem outros(as) queiram ser “Martinhos”.
O tempo dos únicos “puros” e “éticos” já lá vai. Hoje todos estamos mais maduros e, espero, mais responsáveis.

O PS e Sócrates têm um governo para quatro anos e espero que façam um bom trabalho que possa ser positivo no final da legislatura para repetir a maioria em 2009.

Carlos Cunha,
Socialista e cidadão livre !

 
At 25 de janeiro de 2006 às 17:23, Anonymous J E R said...

Hoje tive duas surpresas, em primeiro lugar estive inteiramente de acordo com Jerónimo de Sousa, com quem costumo andar de candeias às avessas. E segundo lugar estive de acordo em algo que está em conflito com a história e ortodoxia leninista, que a mais nobre manifestação da cidadania é a constituição e participação de partidos políticos.

Este é um pressuposto básico da democracia, que no caso de Portugal está doente, pode-se participar em partidos, mas quanto a constituí-los só se for na esperança de um dia não ter que pagar ao jornal o espaço da coluna da necrologia. Em Portugal parece que a classe política instalada tem uma golden share que lhes permite impedir a criação de novos partidos. Tal como na economia também não existe concorrência na política, Portugal é um país de protecções e proteccionismos.

E está doente porque agora são os políticos que são que são graças aos partidos que se apresentam em eleições contra ou à margem dos partidos e para isso escondem o apoio das ou de parte das máquinas e personalidades partidárias. E até é norma os dirigentes partidários concorrerem a primeiro-ministro afirmando que são melhores do que o sucederam, como se o partido fosse outro, veja-se como Marques Mendes acha que nada tem que ver com Santana, ou Sócrates que se está afirmando como um anti-Guterres.

Quando se torna evidente que os eleitores não se revêm nos partidos eis que há políticos instalados que sofrem uma estranha mutação genética aparecem, meses depois de serem candidatos a líderes partidários sem qualquer discurso anti-partidário, como os defensores de uma cidadania há muito rejeitada pelas máquinas partidárias.

À direita existe um PSD que não é nada, não passa de um clube de acesso ao poder e a vantagens financeiras, e à esquerda há um PS que chega ao poder quando o PSD abusa da asneira. No meio estão os grandes interesses económicos que financiam as máquinas partidárias e a comunicação social que há muito se confunde com essas máquinas partidárias. Quem não pertence a essa elite não consegue concorrer com a elite instalada, o seu poder financeiro é demolidor e o boicote da comunicação social faz o resto.

Nesta condições o sistema partidário português é vítima de um cambalacho.

 
At 25 de janeiro de 2006 às 17:30, Anonymous Anónimo said...

No País dos Sacanas

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.


Jorge de Sena, 10.10.1973

 

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