segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

POBRE TERRA A NOSSA... ENTREGUE A TAL GENTE


O bananal

No mundo actual há uma ténue linha divisória entre a realidade e a ficção. E, em Portugal, já não existe posto fronteiriço entre uma democracia e um bananal.

As escutas telefónicas sem limites ou o acesso a números de telefones utilizados pelos mais importantes responsáveis do regime mostram que vivemos num país à deriva. E parece que alguém está interessado em que este clima de bandalheira transpareça eficazmente junto da opinião pública. Já não vivemos num regime onde podemos alimentar teorias da conspiração. São elas que se tornaram o pequeno-almoço de Portugal. Fica-se com a sensação que no país há grupos de interesses que agem a seu belo prazer. A coberto da legalidade, ainda por cima.

Existe um Procurador-Geral da República que, aparentemente, anda sistematicamente a reboque dos acontecimentos e que já não tem poder sobre o que quer que seja. O PGR é um náufrago que perdeu a sua bóia e que ainda não foi avisado do facto. Neste momento já parece pouco relevante existir um PGR em Portugal já que ele é apenas um «poster». E, como figura decorativa, podem-se arranjar outras figuras para guardiãs do Estado. Alguém dos «Morangos com Açúcar» ou de um «Big Brother» qualquer. Ao pé do que se está a passar, as eleições presidenciais parecem um assunto irrelevante.

Fernando Sobral

6 Comments:

At 16 de janeiro de 2006 às 16:23, Anonymous João P. Guerra said...

Corrupção activa e passiva, peculato, tráfico de influências, abusos de poder, fraudes e mega-fraudes, evasão fiscal, branqueamento de capitais, economia clandestina, informal, paralela ou subterrânea, apropriação ilegítima, obtenção de lucros ilícitos, cartelização, Oeiras, Gondomar, Felgueiras, Marco de Canavezes, Ponta do Sol, Ponte de Sôr e mais 250 autarquias sob investigação, autarquias e construção civil, autarquias e futebol, simplesmente futebol, Apito Dourado, Metro do Porto, Metro de Lisboa, alegadas vendas em hasta pública de bens apreendidos a empresas falidas, falências fraudulentas, negociatas até com certidões de óbito, “Operação Furacão”, “Operação Dr. Doolitle”, colarinhos brancos e colarinhos sujos, criminalidade “light” e criminalidade violenta, associação criminosa, criminalidade organizada e criminalidade desorganizada, tráfico de droga, de armas, de mão-de-obra, de mulheres, de crianças e adolescentes, abusos sexuais, maus-tratos, violência doméstica, escravidão, extorsão, sequestros e raptos, falsos sequestros, máfias de todas as origens, ‘gangues’, proliferação das armas de fogo, assaltos à mão armada, crimes com uso de explosivos, associação criminosa, terrorismo, etc., etc., etc.

Tudo isto - que são temas recorrentes das notícias do dia-a-dia em Portugal, já quase banais no País dos “casos” e em crise de tudo - para dizer que deve haver imensa gente feliz da vida com o facto da Polícia Judiciária ter visto o seu Orçamento cortado em 55 por cento, segundo fonte sindical, ficando sem verbas para coisas básicas, essenciais, indispensáveis, como horas extraordinárias, piquetes, gasolina para os carros, perícias, papel para os autos, o que leva a uma greve dos inspectores e pessoal de investigação.

A partir de hoje, combate ao crime só em “serviços mínimos” e nas horas normais do expediente

 
At 16 de janeiro de 2006 às 16:25, Anonymous Anónimo said...

O António Barreto ontem no Jornal Público escreve isto:

...«Os dois principais culpados por estas crises e incidentes são a menina da fotocópia e o rapaz da informática. Ela é nova, morena, filha de pais rústicos, usa calças justas, tem moralidade duvidosa, masca pastilha elástica, já trabalhou num centro comercial, fuma às escondidas do patrão, pertence a um grupo de esquerda, dá-se bem com a gente da comunicação social, dorme com um jornalista de direita, trabalha numa instituição nacional por onde passam segredos e informações delicadas, exerce funções menores de assistente de secretariado e arredonda os fins de mês com umas fotocópias que fornece à imprensa, a advogados, a polícias e a um ou outro juiz. Ele é novo, alto, filho de pais divorciados, desgrenhado, nunca usou gravata, fuma uns charros à noite, é capaz de penetrar em qualquer computador, navega nos sistemas herméticos dos bancos e dos partidos, frequenta os estádios de futebol, simpatiza com um grupo de direita, dorme com uma jornalista de esquerda, diverte-se a mandar vírus a uns inimigos seleccionados, trabalha numa grande empresa de comunicações, é considerado um talento excepcional para a electrónica, frequenta os bares povoados por assessores de gabinetes ministeriais e, por divertimento e dinheiro, vai coleccionando uns ficheiros informáticos que comercializa cuidadosamente. A menina especializou-se em papel. O rapaz em disquetes e CD.»

Está tudo dito!

 
At 16 de janeiro de 2006 às 16:25, Anonymous Anónimo said...

O António Barreto ontem no Jornal Público escreve isto:

...«Os dois principais culpados por estas crises e incidentes são a menina da fotocópia e o rapaz da informática. Ela é nova, morena, filha de pais rústicos, usa calças justas, tem moralidade duvidosa, masca pastilha elástica, já trabalhou num centro comercial, fuma às escondidas do patrão, pertence a um grupo de esquerda, dá-se bem com a gente da comunicação social, dorme com um jornalista de direita, trabalha numa instituição nacional por onde passam segredos e informações delicadas, exerce funções menores de assistente de secretariado e arredonda os fins de mês com umas fotocópias que fornece à imprensa, a advogados, a polícias e a um ou outro juiz. Ele é novo, alto, filho de pais divorciados, desgrenhado, nunca usou gravata, fuma uns charros à noite, é capaz de penetrar em qualquer computador, navega nos sistemas herméticos dos bancos e dos partidos, frequenta os estádios de futebol, simpatiza com um grupo de direita, dorme com uma jornalista de esquerda, diverte-se a mandar vírus a uns inimigos seleccionados, trabalha numa grande empresa de comunicações, é considerado um talento excepcional para a electrónica, frequenta os bares povoados por assessores de gabinetes ministeriais e, por divertimento e dinheiro, vai coleccionando uns ficheiros informáticos que comercializa cuidadosamente. A menina especializou-se em papel. O rapaz em disquetes e CD.»

Está tudo dito!

 
At 16 de janeiro de 2006 às 16:26, Anonymous J E R said...

Num país em que desde o Infante D. Henrique não há mentalidade de empreendedor, onde todo um povo olha a fortuna como o resultado de um jogo de azar, e até já nos saiu a sorte grande três vezes (o comércio das especiarias, o ouro do Brasil e as ajudas comunitárias), não admira que os portugueses escolham os políticos como se estivessem a jogar na raspadinha.

Não soubemos aproveitar as oportunidades que a sorte da história nos deu, gastámos as fortunas que por cá caíram como se fosse “dinheiro macaco”, e apostamos tudo num golpe de sorte. Assim como o pobre-rico vai a correr comprar o Mercedes também este país esbanjou recursos sem pensar em termos de futuro, como se não houvesse futuro, enchemos a barriga e estamos sempre na expectativa de o próximo quadro comunitário de apoio nos prolongar a boa-vida por mais uns anos. Por isso para Cavaco foi mais importante ter estado nas reuniões do Conselho do que ter entrado para a CEE, por isso Sócrates ganhou credibilidade quando assegurou uns milhões acima do que se esperava.

E fazemos com a política o mesmo que fazemos com o dinheiro jogamos na raspadinha, escolhemos os políticos sempre na expectativa de que o próximo é que nos vai trazer a sorte grande, e se nos sai apenas a terminação adquirimos logo outra na expectativa de encontrar melhor sorte.

Os portugueses que não acreditam nos políticos, que não percebem que não há salvadores e que o futuro do país está na economia e não nos palácios governamentais, são os mesmos que esperam que seja o próximo político a trazer-nos mais uma sorte grande, talvez uns poços de petróleo na Ria Formosa.

No próximo domingo vai haver outra vez raspadinha.

 
At 18 de janeiro de 2006 às 09:22, Anonymous Pedro Manuel said...

Pelo abandono de Durão Barroso das suas responsabilidades como 1º ministro de Portugal apareceu-nos este PGR, o dr. Souto Moura.

Depois foi S. LOpes - o maior erro de casting desde o 25 de Abril. Este homem pensou que governar um país - era o mesmo do que incendiar a turba num congresso do PSD.
Fez-nos perder meio ano.
Foi meio ano de tanga, melhor fora tivéssemos todos ido para a Kapital beber Martini e Vodka com laranja com umas amigas espanholas e depois, pela manhã - sempre se poderia ir beber cacau quente à Ribeira - tudo enquadrado por um portuganhol e muitos gestos, à boa maneira santanal.
Mas não!!!
Tivémos que gramar a pastilha obsessiva do dr. Santana e a sua "derisão" obsessiva (excesso de representaação) - porque alguém lhe disse, nos jardins dos Olivais, quando era pequenino que estaria escrito nas estrelas que o "menino-guerrilheiro" seria 1º ministro.
Hoje essa pessoa há-de estar bem arrependido..

Sampaio é o que é e não disfarça. Hoje já está menos redondo na lógica discursiva e no agir comunicacional.
Alguém o pôs a ler J. Habermas, mudou de assessor, o que for, mas há sempre quem diga que se trata duma "ervilha", por analogia ao sporting - que tem um estádio lindo e com azuleijos de um extremo bom gosto.
Tanto que os automobilistas têm acidentes na 2ª Circular quando viram a cabeça para o lado daquele monstrinho leonino.

O povo português é o que é: um "boi manso" que tudo permite, apesar de agora já haver as sms. Mas nem por isso o dr. Sampaio deixou de segurar Moura.
Porquê?
Será porque ainda não sabe enviar sms...

De Souto Moura já tudo se disse... Ele permite fugas ao segredo de justiça como quem cospe para o chão ou pisa o cocó dos chiens atrelados e embainhados com flanela que parecem as saías do príncipe Carlos - puxados pelas tias em final de época que os levam a passear pelas calçadas de Campo de Ourique - que assim ficam conspurcadas; permite manipulação de informação para produzir assassinatos de carácter e eliminação política - como sucedeu com Ferro Rodrigues, a não ser que...
Mas se ele e o P. Pedroso costumavam "ir lá" - essas coisas têm de ser apuradas, investigadas e julgadas. Dois anos para esta bandalheira - sem apurar responsabilidades, francamente...!!! Ou estamos todos a delirar ou a PGJ e o seu procurador - têm de ser removidos em peso com o sr. dr. Souto à frente - para limpar o gelo das estradas.
Por vezes, os bigodes servem de peaçá, permita-se-me a boutade e sem qualquer ofensa pessoal para os bigodes das pessoas que os usam.

Pedia-se, no mínimo, que este senhor na impossibilidade de fazer qualquer coisa que não se enganasse tanto, ou pelo menos que não tentasse enganar ninguém, mas não!!!
A criatura continua a bater sempre na mesma tecla, sempre à procura da arroba no teclado dos números, enganando-se a ele mesmo e passando para o País e para o exterior toda uma incompetência genética e estrutural a que nos vamos, perversamente, habituando. Qualquer dia temos um procurador competente e à séria - e aí sim - vamos estranhar o facto de ele ser tão sério e pedimos efectivamente a sua demissão.
A realidade e a escala de valores anda, de facto, invertida, e esta inversão é multiplicada e potenciada pelos agentes políticos do burgo, inclusíve o sr. dr. Sampaio - que ficará para a estória como o homem da demissão de Santana.
Esperar uma década para tomar esta decisão é, manifestamente, pouco. Julgo que Portugal merecia mais, muito mais.

Agora o sr. dr. Souto - pede uma vaccaio legis até 6ª feira para evitar especulações e que o poeta Alegre não vá beijar os meninos da Casa Pia e ofertar uma medalha de mérito à srª drª Catalina Pestana - para assim granjear mais uns votos à pala da desgraça alheia e das fístulas que aqueles crianças - hoje já homens - guardam na sua memória.

Mas mais: o dr. Souto anda agora a especializar-se em filtros de disketes e outros magnetismos para perceber a metafísica que está por detrás da nuvem.
Isto remete a minha humilde capacidade de compreensão para uma teoria mais sofisticada.
A teoria da rede e da caixa negra que sumariamente explico.

De facto, Souto Moura é um homem de piruetas imparáveis, e agora está empenhado em descodificar a rede que está para além da própria rede. Ou seja, ele vai - até 6ª feira - fazer o desenlace do nó górdio colado a cuspo ou cola UHU nas tais disketes enviadas pelos estagiários da PT, senão foi mesmo o dr. Hortas das Costas - que também deve perceber tanto de magnetismos tecnotrónicos como Souto tem perfil para ser PGR.

E para fazer este trabalho de desocultamento são precisas várias coisas: além da vaccacio até 6ª feira - são precisas luvas e pinças, doutro modo não se consegue decifrar os processos de tradução e de entrelaçamento daquelas caixinhas negras cheias de mistérios mágicos e com muita pedofilia à mistura, ainda que dissimulada em todo esse processo que agora saltou para dentro das disketes.

O dr. Souto virou agora - mediante um inquérito que mandou abrir ao seu próprio umbigo - um verdadeiro decifrador e ligações que estavam religadas umas às outras através de malhas, e graças a essas conexões o dr. Moura vai proceder a um complexo sistema de leitura descodificador de toda essa rede oculta com contornos pseudo-conspirativos.

O dr. Souto irá mostrar ao país - que o vê já com óculos de tartaruga - a importância nefasta das redes sociotécnicas a que estão associadas aqueles filtros que estragaram tudo, inclusive a cereja sobre o bolo.

Enfim, o dr. Moura vai tornar mais clara os conteúdos da caixa negra da pedofilia em Portugal.
Só esperemos não ter mais surpresas desagradáveis e acabar por constatar que nesse processo, afinal, estão envolvidas mais pessoas, muitas delas que marcam os timings da agenda política no país - permitindo assim ao mesmo Portugal funcionar por impulsos mais ou menos filtrados de forma conjunta nesta imensa aldeia adiada que se chama Portugal.

Até quando o Sr. Presidente da Republica?
Sabemos, contudo, que já está para breve a sua saída. E sai sem deixar nada resolvido, numa perfeita bagunça de lei e crime de costumes, tamanho será a importância do seu legado.
Será recordado por essa "normalidade" podre neste reino doentio em que se transformou Portugal - que só é objecto de notícias nos media internacionais por causa da pedofilia.

Uma nota final: julgo que há pessoas, pelas suas características físicas - e sem qualquer ofensa para os visados - só deveriam ser investidas em cargos políticos mediante o uso de máscara.

Explico: quando olho para Souto Moura lembro-me imediatamente da saudosa Pantera-cor-de-rosa que fez as minhas delícias dos desenhos animados, muitos deles apresentado pelo Vasco Granja; quando, por exemplo, vejo o presidente do Tribunal de Contas, o dr. Guilherme de Oliveira Martins lembro-me automáticamente do Mr. Bean naquelas fantochadas. Ora, estes homens estão em cargos muito sérios e de grande responsabilidade, mas a imagem que me transmitem espelha exactamente o contrário.
Quero ficar sério mas não consigo deixar de soltar uma gargalhada sempre que os vejo pela caixa negra.
Admito que muita gente da minha geração - hoje na fronteira dos 50 - pensa o mesmo acerca destes cromos da política à portuguesa.

Tanto num caso como noutro - estas personagens - pelo menos para mim - acabam por não conseguir ter existência real, ou seja, eles são meras extensões daqueles bonecos que via em criança e, hoje, recorrendo a Mr. Bean - ainda fazem as nossas delícias humorísticas.
Do Herman, curiosamente, não me lembro de nada, este só me faz lembrar a pedofilia.
Enfim, são meras suposições.

Daí a necesssidade do uso da "máscara", doutro mod0 ninguém os levará a sério nos corredores do poder e na sociedade onde aparecem ampliados pela caixinha que revolucionou o mundo. Muito embora no caso do sr. dr. Souto Moura - que não deve ser de Moura - mas parece pelo atraso nas respostas e até no pedido de demissão - a máscara já não adianta muito.

Nem creio já haver máscara para casos como esse. Enfim, ficam as risadas resultantes das memórias que apontam as baterias para a pantera-cor-de-rosa a atravesar a estrada e a olhar para um lado enquanto o camião vem pelo outro e ela, coitadinha, acabava sempre por ficar plasmada no alcatrão.

Nós, putos, pensávamos que ela morria de facto; mas logo de seguida se lavantava e caminhava. Souto levanta-se, caminha - mas não anda

 
At 19 de janeiro de 2006 às 14:43, Anonymous João P. Guerra said...

O Procurador-geral da República foi chamado pelo Presidente da República para que se explicasse sobre o registo, pelo Ministério Público, de milhares de chamadas telefónicas de altas figuras do Estado, entre as quais o próprio PR.

À saída de Belém, o PGR declarou que será “instaurado um inquérito o mais rigoroso possível”, do qual se extrairão “todas as consequências”.

No mesmo dia, uma nota do gabinete do PGR antecipou-se ao tal inquérito “o mais rigoroso possível”, garantindo que a notícia que levantou todo este caso “é falsa”. O Presidente da República, numa declaração ao País, considerou absolutamente necessário que se faça o inquérito, que as “averiguações estejam ultimadas a curtíssimo prazo” e informou que delas tirará, “se for caso disso, as adequadas consequências”.

Entretanto, partidos do governo e das oposições - com excepção do PSD - reclamaram a comparência do PGR no Parlamento. O PGR dispôs-se a responder perante a Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias e a audiência foi agendada para terça-feira passada. Porém, invocando a urgência em terminar o tal inquérito “o mais rigoroso possível”, o PGR adiou a deslocação a São Bento para sexta-feira. No entanto, o PGR informou que não poderia garantir que as investigações estivessem já concluídas nessa data e que o mais certo era só haver resultados depois da eleição presidencial.

Acontece que sem investigações conclusivas para esclarecer os deputados na sexta-feira, sem inquérito para apresentar em “curtíssimo prazo” ao Presidente da República, o PGR terá anunciado ao presidente da Comissão Parlamentar que está a pensar em falar ao País!

Ou seja: o Presidente da República e os deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais que estejam atentos às rádios e televisões. Talvez ouçam novidades da parte do PGR.

 

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