segunda-feira, 3 de abril de 2006

QUANTAS MEDIDAS? [parte IV]


É uma das minhas memórias de infância, o caga milhões, uma figura que está quase em extinção, assim como as feiras nos moldes em que se realizavam antigamente.
Mais do que os brinquedos, as barracas das frutas, o cheiro das farturas ou da caca dos leões do circo, ou mesmo a forma bárbara como era mortos os burros que os ciganos vendiam aos circos para estes alimentarem os animais, dessas feiras é o caga milhões que me vem à memória .

O caga milhões não actuava durante todo o dia, a maior parte do tempo era uma barraca normal onde se vendiam atoalhados, lençóis, cobertores e outros têxteis e apetrechos diversos.
Quando achava que era chegado o seu momento, o caga milhões pendurava o micro ao pescoço com a ajuda de uma argola e começava a sua actuação, provocando o ajuntamento espontâneo.
Apresentava o seu primeiro produto, um conjunto de lençóis para cama de casal que não ia custar nem 500, nem 400, nem 300, …, nem cem, apenas custariam 50 e ainda oferecia um lençol de banho, mas não ficava por aqui, ainda oferecia mais dois cobertores, um pijama em flanela, uma linda colcha e por aí adiante, até oferecer uma pilha que dava para encher uma casa de família.

Depois de um período de calma a loja do caga milhões enchia de clientes mais os figurantes das barracas amigas e assistia-se a uma orgia de produtos que nem dava tempo para ver a qualidade de cada um deles. Mal tinha juntado um cobertor de que não se sabia se era de lã ou de algodão, já estava outro em cima para logo se juntar outro produto ainda antes de vermos a cor daquele.



A estratégia de comunicação de José Sócrates é em tudo semelhante à do caga milhões, ainda antes de se ter tempo de analisar o Simplex já estava a lançar um programa de extinção de organismos públicos.
Tal como sucedia com o caga milhões, também com José Sócrates nunca sabemos quando começa sessão, é ele que escolhe o momento adequado, o ritmo a que apresenta o produto e a informação a que acedemos, tal como na feira também agora nunca conseguimos apreciar um produto porque rapidamente é jogado outro para o monte.
Tal como nas sessões do caga milhões também nas sessões de José Sócrates há os figurantes convidados e os que se oferecem para serem os primeiros a comprar, induzindo os potenciais clientes a fazerem o mesmo antes que a maravilhosa oferta se esgote.



Tal como os clientes do caga milhões, também nós somos levados a comprar primeiro o produtos para mais tarde ver se corresponde ao prometido.
O risco do caga milhões é o mesmo que José Sócrates corre, que o cliente se sinta iludido com a sua forma de vender e na próxima feira decidir não lhe comprar nada.

J E R

7 Comments:

At 3 de abril de 2006 às 12:00, Anonymous Z. N. said...

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta nau, diz o poeta
El-Rei a mandou armar
e de Rosa a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. João José quem comanda
a barquinha em alto-mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

"A GUERRA À BUROCRACIA"

A toda a tropa em geral
ordenou o Capitão
através de um edital
escrito pela própria mão:
"Convoco a tripulação
ordeno e faço saber
que hoje irá decorrer
a bordo uma reunião
a ela não faltarão
marinheiros e tenentes
estejam sãos, estejam doentes
ou debaixo de prisão

O tema da dita é:
"pôr fim à burocracia"
que acho ser por minha fé
o pior mal de hoje em dia
sofri tamanha arrelia
no dia que ontem findou
que ainda possesso estou
de tão sinistra agonia
por isso essa porcaria
vai já levar "sopa e molho"
fique eu ceguinho ou zarolho
juro-o p'la Virgem Maria"

A assinatura bonita
e o sinete em lacrado
atestavam "in-veritas"
o documento citado
o papel era timbrado
com a Real Ordem da Rosa
essa flor tão formosa
segura em punho fechado
no topo esquerdo, em quadrado
lá estava o brazão Real
das armas de Portugal
vermelho, azul e dourado

E a Catrineta ancorava
no dia e hora aprazados
como o édito ordenava
homens todos perfilados
oficiais e soldados
estava ali a Nau em peso
do mais magro ao mais obeso
compridos e atarracados
os doentes acamados
tudo "pariu" no convés
cheiinho de lés a lés
gente por todos os lados

Na ponte da Nau, por fim
eis que surge o comandante
carinha do Justo
e penteado elegante
de olhar duro e penetrante
fita a seus pés a ralé
imponente D. João José
o momento é fascinante
dá mais um passo adiante
pigarreia e sonoroso
com aquele ar majestoso
diz à turba nesse instante:

"Marujos da Catrineta
que é pertença de El-Rei
desde Foros do Mocho ao Vale de Açor
a partir de hoje sabei
que a fundo me empenharei
na guerra anti-burocrática
ia apanhando ciática
por pouco não a apanhei
mais um minuto e não sei
se eu não teria ficado
p'ra todo o sempre entrevado
vejam do que eu me livrei!..."

"Mas senhor, que aconteceu
para estardes tão danado?!
ainda ninguém percebeu
"népias" do que foi narrado"
"Podes ficar descansado
que já ficas a entender
não te excites, estás a ver?
já faço a nota em trocado
Pois estava eu descansado
esta manhã na sanita
despejando a tripa aflita
quando passado um bocado...

...Reparo com desagrado
que não havia papel
vai daí chamo o Carita
contínuo do Almirantado:
"Ó Carita, estou entalado
que sarilho, vê lá tu
preciso limpar o cú
e o papel é acabado"
O Carita ancavacado
responde-me muito aflito:
"Ai que sarilho maldito
temos o caldo entornado...

...No final do mês passado
pedi eu ao Armazém
trinta rolos, mas porém
nem um só foi aviado
o sistema é atrasado
demora uma eternidade
para falar a verdade
julgo que está bem lixado
vai esperar um bocado
vou procurar o rapaz
vamos ver se sou capaz
de dar conta do recado"

"Lá foi correndo o Carita
qual gazela, qual pantera
à procura do papel
e eu ali sentado à espera
mas quem espera desespera
hora e meia era passada
e Carita ou papel...nada
fiquei pior que uma fera
já a caca que eu fizera
houvera há muito secado
e até o rabo borrado
já tinha crosta, pudera!

E a coluna dolorida?
e as perninhas dormentes?
rangia eu entre dentes:
"Ó puta da minha vida!...
mas que cena mais sofrida
me havia de acontecer
por este andar estou a ver
que a coisa não tem saída
ai minha santinha querida
juro nunca mais cagar
sem primeiro constatar
se há papel à medida!"

"Nisto ouço alguém a correr
e a voz doce do Carita
pensei: "aí está o papel
eis o fim do meu sofrer!"
"Mas estava era a acontecer
outra cena surreal
o Carita deu-me um jornal
dizendo sem se deter:
"Você nem queira saber
o caldinho que arranjei
quase porrada levei
quando tentei perceber...

...Porque estava ali plantada
a merda da requisição
há um mês sobre o balcão
prontinha a ser aviada
ouvi uma rabecada
que me virou ao contrário
do cabrão do funcionário
puto de língua afiada:
"Julga que não há mais nada
que fazer, senhor Carita
do que aviar-lhe o papel
todo assim de uma assentada?

Ando aqui sem Sul nem Norte
esfalfado como um sacana
venha cá só p'rá semana
acalme-se e não se importe
pode-me custar a morte
mas vá ter com o Capitão
e diga-lhe que o Nuno
sem medo que a burra entorte
manda dizer feio e forte
ao Comandante Geral
que limpe o cú ao jornal
e já vai com muita sorte!"

 
At 3 de abril de 2006 às 12:47, Anonymous Francisco José Viegas said...

A semana terminou com as últimas glosas ao Simplex, e a verdade é que o caso merece-o. Simplex não é coisa que se chame a um programa governamental - mesmo para significar um plano de simplificação da nossa vida de cidadãos. Poderíamos chamar Simplex a um programa de acesso à internet, a um detergente para a louça ou a uma marca de utensílios de cozinha. Simplex não tem nada a ver com governo; tem, antes, a ver com publicidade. A verdade, também, é que fica no ouvido e vai permanecer no nosso anedotário - portugueses apreciam anedotas simples, efeitos fáceis. Imagino o Camilo de Oliveira a dizer "é simplex" e a piscar o olho. António Silva também podia dizer "é simplex" para Beatriz Costa, explicando-lhe como facilitar ou dificultar a vida a Vasco Santana.

Noutras circunstâncias, o Simplex seria glosado até ao excesso, haveria piadas, gritaria indignada, colunas de opinião, rimas escusadas (tudo de efeito fácil igualmente). Mas andamos mansos, mais conformados, a tratar da vida.

Isso não é um mal tremendo. Sócrates tem sorte, anda com sorte, tem a sorte do seu lado. Os mais cépticos continuam cépticos e mantêm adversativas, mas aos portugueses pouco lhes interessa se Simplex é ou não um nome adequado ou se vai bem com a gramática, o Português ou a dignidade de um programa governamental. Simplex funciona - apesar de alguma gente se interrogar sobre se é publicidade pura ou se se trata de trabalho de casa bem feito.

Vamos ser práticos Simplex funciona porque o país estava uma bandalheira e porque José Sócrates teve a coragem de começar a arrumar a casa e de levar o governo a fazer os trabalhos escolares mais básicos. Na educação, na saúde, na administração pública, em vários sectores, o governo corrigiu aquilo que anteriores governos socialistas fizeram e o que alegados governos de direita não fizeram. Os analistas enganam-se redondamente quando dizem que este governo está a retirar espaço político à direita, esmagando e retirando argumentos à sua frágil oposição. É que a esquerda também fica sem argumentos. E essa habilidade foi conseguida por um primeiro-ministro socialista escolhido com a maioria absoluta dos votos que um ano depois elegeram um presidente à direita.

Para os anos futuros, este governo, não vai reivindicar heranças de outros governos de esquerda - limitar-se-á a mencionar que começou quase do zero. Essa herança foi diluída e, na maior parte dos casos, enterrada. Sócrates pode ter herdado várias coisas de Guterres; mas a determinação, a frieza, a capacidade de gerir, o planeamento - são coisas suas. E, até descobrir, o povo está a gostar. Mesmo que seja só publicidade (e não é), é publicidade da boa. Nem Guterres, nem Durão e muito menos Santana conseguiram dirigir-se ao comum das pessoas, e fazer qualquer coisa de útil da publicidade.

2. O senhor Ministro dos Estrangeiros, quando não é a propósito de Maomé, é sobre outras coisas. Depois de, retomando o seu ar de antigo regime, tentar humilhar os seus concidadãos, ensinando-lhes qual a diferença entre "liberdade" e "licenciosidade", partiu para o Canadá disposto a ensinar a um dos países mais generosos do mundo em matéria de emigração o que fazer com os nossos emigrantes. O Canadá não ligou a Sua Excelência e humilhou-o ligeiramente. Fez bem. Portugal gosta que tratem bem os seus emigrantes pelo mundo fora, mas trata geralmente mal os imigrantes que trabalham aqui. Dá-lhes 22 dias para se irem embora, mesmo que eles estejam a trabalhar. Não os legaliza, como devia; esconde-os nos subúrbios e persegue-os com ameaças e racismo. Sua Excelência também devia pregar aqui dentro.

 
At 3 de abril de 2006 às 13:56, Anonymous João P. Guerra said...

O primeiro-ministro justificou no Parlamento o encerramento de escolas e maternidades como “um dever” para assegurar a qualidade do ensino e da saúde.

A argumentação é perversa. Se para melhorar a qualidade da saúde e do ensino se fecham maternidades, hospitais e escolas, para melhorar a qualidade da governação, o Governo deveria encerrar ministérios, direcções-gerais e acabar por encerrar-se a si próprio.

Num aspecto, o primeiro-ministro teve razão ao intervir no Parlamento. Foi quando disse que a falta de qualidade do ensino e da saúde é um problema identificado “há mais de dez anos”. Sem dúvida. Mas apenas há dois anos, o próprio actual primeiro-ministro, identificando o problema da falta de qualidade de maternidades do centro do País, rebelava-se contra o encerramento como solução. Dizia José Sócrates, com a mesma razão dos que hoje contestam a sua política neste domínio, que fechando as maternidades da Beira Interior, não restaria aos portugueses da região outra solução que não fosse a de ir nascer a Ciudad Rodrigo ou a Cáceres. A mesma crítica que hoje fazem os que se opõem ao encerramento da maternidade de Elvas e à alternativa de nascer em Badajoz.

Só que o primeiro-ministro mudou a opinião que tinha enquanto deputado da oposição e deixou de ser sensível a argumentos como o direito dos portugueses a nascerem em Portugal ou o dever de Portugal em combater a sua própria desertificação. Verdade se diga que alguns dos actuais críticos da política governamental actuaram exactamente da mesma forma quando estiveram na mó de cima do poder.

A questão tem pois a ver com a atitude do poder, isto é, de quem pode. E podendo, fecha. “Resolve” assuntos, encerrando-os. Em relação a maternidades, hospitais, escolas, o Governo transformou-se numa comissão liquidatária.

 
At 3 de abril de 2006 às 13:58, Anonymous Nuno Thomaz said...

Tem toda a razão o Engº Sócrates quando diz que ”o mais difícil está por fazer”. Vamos a ver se tem a coragem política de o fazer...

1. O anúncio de mais uma fornada de medidas de simplificação de processos administrativos e desburocratização feito há dias pelo Primeiro-Ministro merece alguns comentários do Forum para a Competitividade – que se vem dedicando a esta batalha desde quando os governos pouco ou nada se interessavam por ela.

Antes do mais – e exceptuadas algumas medidas que o Dr. Carlos Tavares, quando Ministro da Economia, conseguiu levar por diante (a simplificação do licenciamento industrial e comercial e a imposição em certos procedimentos administrativos do interlocutor único) – há que reconhecer que o governo do Engº Sócrates tem conseguido realizar neste domínio o que o governo do Dr. Durão Barroso prometeu mas não cumpriu, e o governo do Dr. Santana Lopes nem sequer teve tempo ou capacidade para prometer.

E esse mérito ninguém o pode tirar ao Engº Sócrates, independentemente de ele pedir meças na sabedoria com que gere a sua imagem e tira proveito político da campanha de desburocratização – de que são exemplos elucidativos os anúncios repetidos várias vezes das mesmas medidas, ou a publicitação de medidas concretas que ainda não passam de intenções, ou a multiplicação dos efeitos das medidas (das 333 anunciadas na última fornada, uma única, a eliminação da apresentação da certidão do registo criminal, conta por 94).

Pondo de lado esse aproveitamento político, importa avaliar as medidas já tomadas, e as prometidas, sob três ângulos diferentes: o da comodidade dos cidadãos, o da competitividade dos agentes económicos e o da definição das funções do Estado e do seu perímetro.

2. No tocante à comodidade dos cidadãos, as medidas já tomadas, e ainda mais as prometidas, representam uma indiscutível melhoria da sua qualidade de vida.

Ninguém duvida que o tempo perdido com papelada inútil pode ser ganho em actividade mais útil, e a paciência gasta no labirinto intrincado da burocracia pode ser canalizada para uso mais saudável.

Como também ninguém duvidará de que é na complexidade das leis e na dificuldade de lidar com a administração que cresce a informalidade e se alimenta a corrupção – um custo injusto para quem quer cumprir e insuportável para quem o não pode pagar.

Razão suficiente, por conseguinte, para o governo confiar nos cidadãos e conceder prioridade ao desengorduramento da administração pública – de preferência a desconfiar deles e investir sistematicamente na fiscalização dos seus actos.

3. No que respeita à competitividade dos agentes económicos, também as medidas de simplificação administrativa tomadas, e as anunciadas, são indiscutivelmente geradoras de efeitos positivos para as empresas, quer em termos de tempo poupado quer de custo incorrido.

Mostra o governo ter consciência de que, de todos os inúmeros factores ‘hard’ ou ‘soft’ de competitividade, apenas dispõe da desformalização como factor gerador no curto prazo de efeitos positivos sobre o défice de competitividade das nossas empresas, visto o outro factor de repercussão imediata, a redução da carga fiscal, não lhe ser possibilitado pela situação das finanças públicas.

O caminho percorrido pelo Governo neste domínio, se bem que meritório, está, todavia, longe de ser suficiente para sequer nos aproximarmos de um desejável ‘benchmarking’, que torne o ambiente da nossa economia amigo do investimento e competitivo com o dos países nossos concorrentes, designadamente os países do Leste Europeu.

4. Finalmente, no que se refere à redefinição do Estado, à reestruturação das suas funções e à determinação do seu perímetro, há que aguardar pela aprovação do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado.

Na certeza, porém, de que evitar papelada e bichas nas repartições é cómodo para os cidadãos mas não aumenta a produtividade, e simplificar processos administrativos pode até beneficiar a produtividade mas não resolve por si só os problemas da nossa competitividade.

Esses problemas, que por pressupor o saneamento das contas públicas pressupõem ‘ipso facto’ a reforma da Administração Pública, só poderão ser resolvidos com a transformação do Estado que temos no Estado que queremos ter.

Tem toda a razão o Engº Sócrates quando diz que ”o mais difícil está por fazer”. Vamos a ver se tem a coragem política de o fazer...

 
At 4 de abril de 2006 às 08:50, Anonymous Zé Rafael said...

Fouché: O revolucionário.

Fouché nasceu em 31 de Maio de 1759 no seio de uma família modesta de pequenos comerciantes. A sua natureza reservada e estudiosa levaram os pais a fazê-lo ingressar na carreira eclesiástica. Entra na Congregação do Oratório e por aí fica, como professor de seminário, até ao início da revolução.

Nunca tomou ordens. Aliás, Fouché nunca se entregou inteiramente a quem serviu: Igreja, Revolução, Directório, Consulado, Império, Monarquia – Fouché apenas se comprometeu consigo próprio.

Eleito deputado à Convenção por Nantes, em 1792, com a missão de pugnar pelos interesses da classe média, que desejava um regime monárquico ou republicano, mas constitucional e ordeiro, começou por se sentar do lado da Gironda. E sentou-se do lado da Gironda não, provavelmente, para cumprir promessas eleitorais, mas porque a Gironda era então a mais forte. E Fouché sempre esteve do lado do mais forte.

Naqueles dias turbulentos era preciso prudência. Fouché rapidamente se apercebeu que numa revolução os ídolos de um dia são os traidores do dia seguinte e que ela não pertence aos primeiros que a desencadearam, mas ao último que a termina e fica com ela como um espólio.

Há decisões que ficam indeléveis na história e na memória das gentes e Fouché teve que tomar uma. Em Janeiro de 1793 a Convenção julgou o Rei. A obrigação de Fouché para com os eleitores moderados que o tinham eleito e para com a Gironda, junto à qual se sentava, era votar contra a morte do Rei. No dia anterior à votação leu, aos seus amigos, o discurso que iria proferir afim de justificar o pedido de clemência. Mas, no dia da votação, ao ver a agitação das secções populares, Fouché, arguto calculista, apercebeu-se que o poder da rua iria intimidar muitos convencionais e que tudo fazia prever que a maioria pendesse afinal para o lado da morte do Rei, maioria pequena, mas maioria. Ora Fouché sempre esteve do lado da maioria. Votou a favor da morte do Rei. O ser regicida foi um facto que nunca conseguiu apagar e que se tornou um pesado ónus nos últimos anos da sua vida. Mesmo depois de ter traído Napoleão após Waterloo e facilitado o regresso de Luís XVIII, não conseguiu conservar o cargo de ministro que tinha sido a moeda de troca do acordo. Instado pelos ultra-realistas, Luís XVIII foi forçado a demiti-lo e exilá-lo de França.

No julgamento do Rei revela-se um traço fundamental do carácter de Fouché – quando trai um partido nunca é de forma lenta e hesitante. É às claras, de um momento para o outro, que, com uma despudorada audácia, ele se transfere de um partido ao partido adversário, com armas e bagagens, e passa a adoptar a retórica e os argumentos do seu novo partido. Muitos anos mais tarde, confessaria, cinicamente, que então era preciso «uivar com os lobos e se submeter às necessidades das circunstâncias». Não teria sido necessária esta confissão tardia: as suas acções eram óbvias.

SÓCRATES É IGUAL OU PIOR DO QUE A PERSONAGEM ACIMA REFERIDA, É UM AUTÊNTICO TRAIDOR QUE GOVERNA DE FORMA DIAMETRALMENTE OPOSTA ÀQUELA COM QUE SE FEZ ELEGER COM DETERMINADO PROGRAMA ELEITORAL. NÃO LHE VEJO MUITAS MEDIDAS POSITIVAS, ATÉ POR QUE QUEM TRAI O SEU ELEITORADO DIFICILMENTE É JUSTO, COERENTE E HONESTO...PELO QUE NÃO MERECE CONTINUAR...

E PELO QUE ME É DADO A VER, O HOMEM ESTÁ MAIS A CONDUZIR O PAÍS PARA O LAMAÇAL DO QUE A SALVÁ-LO DO MESMO!

PENSO QUE OU ARREPIA CAMINHO, OU QUANDO A SITUAÇÃO RESVALAR AINDA MAIS PARA A DESGRAÇA TERMINA, ANTECIPADAMENTE, O SEU MANDATO.

REVELOU NÃO TER QUALIDADES PARA SER UM BOM PRIMEIRO MINISTRO...E TRAÍU O POVO QUE O ELEGEU!...

 
At 4 de abril de 2006 às 08:54, Anonymous Pedro Manuel said...

Eu já vi esta estória na Feira da Ladra na década de 80 e 90, hoje menos. Era a senhora que vendia as mantas com o "micarú" romfanho sobre a camioneta; depois vendia uns par de "lanções" e às tantas saíam umas asneiradas e os traseuntes ora se riam, ora olhavam de soslaio, ora compravam a tal manta.



Mas o testemunho do "caga milhões" do JER encontra paralelo noutros caga milhões que andam por aí. (And"e"m por aí é a mesma versão, só que dita na província).



Bom, lembram-se daquela estória do ascensorista de hotel que queria ser rico e famoso?
Pois bem, havia um ascensorista de hotel que pretendia ganhar umas massas, como o caga milhões, e por analogia - ou até comparação - como o Socrates versão simplex, decidiu investir numas aguarelas manhosas e por-se a vendê-las na esplanada mais chique da Baixa lisboeta.



Presumo que o artista atacava mais na Suíça, onde se batiam em maior número (numarú - versão rasca) de turistas endinheirados prontos a serem embarretados.
Como?



Era simples: o caga milhões da altura fazia-se acompanhar de um par de telas manhosas e tentava impingi-las aos desgraçados dos turistas que estava na esplanada da pastelaria Suíça a apanhar sol nos trombis, mais pareciam sapateiras ao fim duns minutos.. Era o sol que os atraía.
Mas depois caíam numa cilada...



Mas o bom do ascensorista tinha também um amigo com quem entrava em conluío para facilitar a marosca, era o tal "camelot" - que se fingia desconhecido e fazia um 1º lance a fim de comprar as tais aguarelas manhosas do artista.



Os turistas começavam a ver a procura e entusiasmavam-se, coitados.
O sol em excesso sempre toldou o raciocínio e o discernimento. Alguns turistas, cobriam a parada lançada ficticiamente pelo camelot; de seguida, o camelot inflacionava ainda mais a parada, até que os preços daquelas aguarelas manhosas disparavam para valores verdadeiramente escandalosos.



Um pouco como hoje se faz quando uma S. Brothers pretende vender umas cuecas da Madona ou a firma C. Moncada pretende vender uns móveis velhos, perdão, antigos de Luís XV com embutidos a madre pérola.



Bom, o que é certo é que o artista, ajudado pelo seu camelot que levantava a lebre, desencadeava o mecanismo da lei da oferta e da procura e lá ia vendendo as aguarelas, lá ía encavando aqueles traços manhosos aos turistas que depois tinham de ir à farmácia comprar creme factor 60 para evitar a progressão das queimaduras apanhadas na esplanada da pastelaria Suíça e, ainda por cima, eram ludibriados com a "alta pintura" que o par de jarras - ascensorista & camelot - encenavam para sacar umas massas aos pacóvios do bifes.



Enfim, esta é tão só uma outra versão do caga milhões, e parece que estamos aqui a falar não de um personagem fictício mas de um ex-presidente do Sporting, sem ofensas para os lagartos, que dá pelo seu nome S. Cintra.



Desconfio, que qualquer dia vai para o governo xuxialista mais liberal da Europa. E por este andar vai substituir o Diogo nas Nexexidas por força das borradas que este adiministrativista anda a fazer ao serviço de Portugal.



Assim como assim , trocar o Freitas pelo Cintra nas necessidades até que nem era um mau negócio. Nada que umas milhares grades de cerveja para o Conadá não resolvesse.
Portanto, com Cintra eram só vantagens: Portugal vendia mais "bubidas", exportava mais e endireitava o déficete comercial entre outras balanças de transações correntes, criava mais um nicho de mercado, fixava os tugas em Toronto com a promessa de mais uma fábrica de levedura, e, sobretudo, popuparia Portugal à presença incómoda daquele elefante branco que anda por aí a por ovos sem qualquer contrapartida para o País.



Caga milhões por caga milhões eu até gostaria de ver S. Cintra nas nexexidades a despachar com o o caga milhões -mor de seu nome: Sr. Simplex.

Ao menos ria-mo-nos todos os dias, com freitas dá é vontade de chorar e fingir que não somos portugueses. Ou então dizer ao mundo que Freitas é cidadão da Serra Leoa ou um habitante das planícies onduladas do Serengeti...

 
At 4 de abril de 2006 às 13:27, Anonymous JUM said...

Não tenho imaginação para multiplicar medidas até às centenas, e sou bem mais comedido no que respeita a fetishes aritméticos, mas não seria difícil enumerar uma longa lista de medidas que ajudariam a Câmara Municipal a poupar.
Talvez não resolvessem o défice, mas ajudariam a moralizar a forma como a Câmara gasta o dinheiro. Por isso arrisco-me a adiantar cinco medidas para um programa que se poderia designar por BUGALHEIRAVINEX, estando certo que os vereadores, assessores, directores, chefes de secção e demais dirigentes desejosos de mostrar serviço ao João José serão capazes de transformar estas 5 medidas como se de um milagres dos pães se tratasse.

Aqui ficam as primeiras 5 medidas do BUGALHEIRAVINEX:

Medida 1 – Recorrer ao software em regime de open source:

À semelhança do que sucede em administrações públicas de outros países em Portugal pode substitui-se uma boa parte das aplicações por outras em open source, daí resultando poupanças directas, pelo que se poupa em aplicações, e indirectas, pelo tráfico de influências que resulta da acção de algumas empresa. Um exemplo de aplicação que poderia ser substituída em massa é o Microsof Office, já que o OpenOffice chega e sobra para as necessidades dos serviços públicos.

Medida 2 – Poupar nas viagens de avião

Muitas das viagens do Presidente, Vereadores e memmbros do gabinete do Presidente da Câmara Municipal que são feitas com tarifas caras podem ser feitas recorrendo a companhias de baixo custo.
Um bom exemplo disso são as viagens para a Europa e América em que a qualidade dos aviões em regime de enlatado da TAP não se justifica que sejam pagas tarifas na ordem dos 2000€, quando por muito menos se pode fazer a mesma viagem.
À semelhança do que sucede noutros países da EU, os pontos de 'passageiro frequente' deveriam reverter a favor do municipio.

Medida 3 – Reduzir ao mínimo a atribuição de carros de serviços.
Os carros de serviço custam caro aos municipes, o parque automóvel é mal gerido e custa caro em combustível e manutenção.
Nada justifica que alguns funcionários tenham carros atribuídos, que na maior parte dos casos apenas serve para se deslocarem entre a casa e o serviço.

Medida 4 – Estabelecer um prémio variável para os dirigentes

Se muitos dirigentes tiverem algo a perder com o pouco cuidado que revelam na gestão dos recursos públicos terão maior cuidado na forma como usam os recursos púbicos.
Os dirigentes que, por exemplo, limitam ao mínimo o seu staff de apoio, que usam gabinetes mais pequenos, que dispensam viatura de serviços deveriam receber um prémio.

Medida 5 - o uso do papel quando desnecessário

Uma boa parte dos serviços da Câmara Municipal usa o papel mesmo quando dispõem de meios informáticos que dispensam o uso de impressoras ou do papel.
Na prática, a introdução da informática não tem resultado em poupanças significativas pois são muitos os que não dispensam a existência de processos em papel.

 

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