terça-feira, 3 de outubro de 2006

PÍLULA ... DE EFEITO IMEDIATO

Na manhã de sábado, a manchete do Expresso anunciava que a deputada Zita Seabra estava a “organizar” uma iniciativa “orquestrada” por Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Portas: a apresentação de um projecto-lei propondo o arquivamento de todos os processos contra mulheres que abortaram e que visava obter apoios de deputados das “bancadas da direita” e “talvez do PS”.

A meio da tarde do mesmo dia a iniciativa abortou, por intervenção voluntária da deputada Zita Seabra, para quem a notícia transformara a iniciativa numa “violenta manobra táctica político-partidária”.

Não é a primeira vez que iniciativas “orquestradas” por Marcelo e Portas abortam: no final dos anos 90, uma sopa fria fez abortar o renascimento da AD.
Naquele tempo, estava Mário Soares na Presidência e Portas, usando Marcelo como “garganta funda”, descreveu um jantar conspiratório que teria acontecido em Belém, com o pormenor de ter constado da ementa uma “belíssima vichyssoise”.
Afinal, não tinha havido nem ‘vichyssoise’ nem sequer jantar.
Portas desmascarou a sua fonte numa entrevista à SIC e a AD abortou nesse mesmo dia.

E agora?
Marcelo disse ao Correio da Manhã que não fala com Portas desde que saiu da liderança do PSD, em 1999, e com Zita Seabra desde Julho passado.
Portas fez saber que não teve “nos últimos anos” nenhuma conversa com Marcelo sobre o assunto aborto.
Portas concorda com a suspensão provisória dos processos judiciais relativos à prática do aborto. Marcelo não está de acordo com a suspensão provisória dos julgamentos.

E então?
Será que alguém recorreu a alguma modalidade de vingança, servida fria como a ‘vichyssoise’?
Ou será que algum traquina, desses que tocam às portas dos vizinhos e fogem, fez soar a campainha do Expresso e deixou à porta uma espécie de pílula, não do dia seguinte, mas de efeito imediato?

João P. Guerra

2 Comments:

At 3 de outubro de 2006 às 16:40, Anonymous J E R said...

DÚVIDA EXISTÊNCIAL

Porque será que personalidades como Paulo Portas gastam tantas energias com a luta contra a despenalização do aborto e não levantam a voz contra a corrupção? O desenvolvimento económico resultante da luta contra a corrupção levaria muitas mulheres a recusar o aborto e o dinheiro poupado pelo Estado não só poderia poupar muitas vidas com melhores cuidados sociais como poderia ser usado em apoios sociais.

Porque será que querem lutar contra o aborto apenas com prisões?

 
At 3 de outubro de 2006 às 16:56, Anonymous Pedro Manuel said...

Gravidezes indesejadas...
... Acabo de escrever aquele título e lembro-me automáticamente de Sr.ª dona Zita Seabra, a guerrilheira comunista ao tempo de Cunhal que, a dada altura, resolve vestir a pela de democrata e demandou o PSD, esse grande partido que mais parece um albergue espanhol – que abre as pernas e varre tudo lá para dentro.
Mas a citação aqui de dona Zita prende-se com o seu velho projecto aborteiro ao qual se ligaram os nomes de dois enjeitados da política nacional, Marcelo e Paulo Portas, dois velhos amigos que se tornaram inimigos.
Confesso que achamos do pior mau gosto e do maior despudor que uma comunista rapidamente convertida ao neoliberalismo de pacotilha, se venha agora pavonear à pala do aborto, tanto mais tratando-se de dona Zita, alguém que enquanto comunista favorecia a sua prática e agora, porque os tempos mudaram, procura vestir uma matriz mais conservadora, tamanho é o despudor da sujeita.
Sugerimos aqui à dona Zita que para evitar as gravidezes indesejadas, de que alguns deputados do PSD devem ter sido também sujeitos, se deve pegar nos fetos, pisá-los num almofariz, juntar mel, pimenta e demais especiarias, e ainda alguns óleos perfumados e comer à mão, de preferência, segundos os gnósticos.
Isto faz lembrar o que outrora se dizia do velhinho PCP em que aquela militava destacada e empenhamento.
Alguém que demonstra ter as intenções que tem relativamente ao aborto e depois faz o que faz, é porque não é sério nem merece qualquer espécie de crédito da opinião pública.
Estes comunistas convertidos à social-democracia são, confesso, um vómito pior do que o próprio vómito.
Resta-lhe editar os livros de Santana Lopes (com as suas memórias de 6 meses de Primeiro Ministro a toques de lexotan) que só os amigos pagos para estarem presentes irão fingir que vão ler. É por causa de fenómenos do entroncamento deste quilate que arribam à política que urge perguntar onde fica o exílio... e para algumas é na Lapa ou na lata.

 

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