quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

ASAE

Já estávamos no dia 1 de Janeiro, primeiro dia da aplicação da lei anti-tabaco e António Nunes, Presidente da ASAE foi fotografado no Casino Estoril a fumar.



Como fumador considero esta lei como um atentado à lógica e aos direitos de quem fuma.
Não contesto que ninguém é obrigado a ser prejudicado com o fumo do meu vício, mas custa-me é ser olhado como um malfeitor quando não estou a fazer nada de ilegal ao fumar.
Como cidadão sou obrigado a aceitar a lei e terei a partir de agora procurar restaurantes onde me seja possível usufruir do prazer do cigarro após a refeição (se alguém conhecer uma lista destes restaurantes agradecia).

Já a Brigite Bardot uma vez confessou que as três melhores coisas da vida eram o whisky antes e o cigarro depois, mas a esse, fumado na intimidade do meu lar, não há ASAE que mo tire (pobres não fumadores que nunca saberão o que é poder saborear esse momento).

Quando comecei a escrever este post, a intenção não era falar da lei do tabaco, mas sim da ASAE, a nova polícia de costumes, que em nome da nossa saúde, nos condena á comida de plástico.


Foi o seu próprio presidente que afirmou que mais de metade dos restaurantes e cafés deste país terão de fechar por lhes ser impossível cumprir com todas as regras e leis vindas da malvada Europa.
Todos nós e os nossos antepassados sobrevivemos a uma vida em que comemos caracóis, os doces e os pasteis feitos em casa da vizinha, queijos fabulosos, enchidos de fazer água na boca, legumes cultivados na horta do dono da tasca, sardinhas a sair da traineira directamente para o grelhador, a galheteiros, e colheres de pau.
Tudo isso acabou e estamos condenados a comer em novos restaurantes tipo
Mcdonalds, produtos trangênicos e carregados de corantes e conservantes.
Tudo para que os senhores da Europa que nos vistam sintam que estão em zonas assépticas.
Acabemos com estas regras parvas, ou pelo menos deixemos que quem não a deseje seguir o possa fazer, informando os clientes disso.
Veremos onde vão os portugueses preferir comer.

Mas, também não era disto que desejava falar, mas sim da afirmação do Senhor Presidente da ASEA que se deu ao luxo de afirmar que a nova lei
não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e nas salas de jogos, quando estava numa sala de jantar publica, a assistir a um espectáculo publico.
Estou farto destas hipocrisias e desta gente que é muito disciplinadora para os outros, mas que pensa estar sempre acima da lei e da culpa.
Gostava de ter a certeza que também o seu gabinete de trabalho vai ser zona livre de fumo ou será que também ele estará fora do alcance da lei?


K.

Etiquetas: , , ,

8 Comments:

At 3 de janeiro de 2008 às 23:08, Anonymous D.O. said...

O mesmo homem que diz sempre que não faz a lei e se limita a cumpri-la, violou-a ao fim de duas horas de ela estar em vigor. E subitamente tornou-se bastante compreensivo em relação à leitura que se pode fazer da própria lei. Convido-o para fumar a sua cigarrilha aqui ao café da minha rua para passar a ser legal logo no dia seguinte. Não se deve queixar: a fúria higiénica e o fundamentalismo legislativo acaba sempre por nos bater à porta. Está só a provar do seu próprio veneno

 
At 3 de janeiro de 2008 às 23:29, Anonymous L. Carvalho said...

Mais grave do que a cigarrilha acesa por António Nunes, o temível inspector-geral da ASAE, no restaurante do Casino Estoril, já depois da famigerada lei do tabaco ter entrado em vigor, é o facto de ele e o seu sub-inspector terem sido convidados pelo Casino.
Estavam sentados na mesa da administração usufruindo de um jantar que naquela noite custava 500 euros por cabeça. Ora isto parece ser um facto de uma enorme gravidade.
Um agente do Estado com as funções que tem António Nunes não pode, ou não deveria nunca, poder aceitar um convite desta natureza, ainda por cima tratando-se de uma actividade que o seu organismo fiscaliza.
Nós jornalistas temos um código de conduta que não nos permite aceitar convites deste tipo, precisamente para podermos manter a independência.
Este descaramento, que é fruto de uma falta de regulamentação ética e de comportamento dos agentes do Estado, acontece desta forma porque em Portugal é tudo normal, amiguinho e bons rapazes. Os "outros" é que são porcos, maus, feios e fumam cigarros. E, claro, pagam impostos.

Hoje à noite na SIC N confrontado com este facto o clone de Sócrates, o ministro Pereira da Silva contornou a questão achando normal um responsável daquele calibre ir jantar a restaurantes. Silva fez ouvidos de mercador e evitou o embaraço de se ter tratado de um convite, para um jantar que a ser pago teria custado 500 euros ( sem cigarrilha).

A cigarrilha do inspector está a dar a volta ao Mundo através da Reuters que já usou o acontecimento para a imprensa estrangeira gozar com este país da treta.
O país onde se abrem salas de chuto e fecham urgências, o país onde o Ministro da Doença acha normal um burocrata sentado numa ambulância xpto se recusar a transportar de imediato um doente com ataque cardíaco porque devia ligar antes para o 112 ! Faz lembrar a anedota de uma cantora de ópera que numa limousine alugada em Nova Yorque, telefonou pelo telemóvel para a sede da rent-a-car em S. Francisco para mandar o motorista baixar o nível do ar condicionado!

Estamos sempre perante um governo que não existe para facilitar a vida aos cidadãos. Existe para cortar nas despesas ( acaba de não subir na taxa da inflação os pensionistas que recebem mais de 600 euros ! palmas...), cortar no apoio social e carregar nos impostos.
Depois venham dizer que as críticas são demagogia. O Marcelo Caetano queixava-se do mesmo nas Conversas em Família.

PS: Para tornar a coisa mais manhosa. parece que a cigarrilha era uma reles Café Creme e o champagne era uma zurrapa tipo ASTI. Este burocratas com pretensões de novos-ricos gozam assim a vida com um estatuto de saloios. É o que temos !

 
At 3 de janeiro de 2008 às 23:31, Anonymous L. said...

Um sítio onde um ministro ou qualquer outro ilustre não morre nas urgências de um hospital, mas onde uma cidadã morre depois de esperar 4 horas sem ter sido atendida...
E onde ninguém vai ser responsabilizado pela insuficiência de meios materiais e/ou humanos...
ou um sítio onde o polícia-mor fuma (e faz muito bem) em local proíbido, interpretando a lei à sua maneira e que apesar do lugar que ocupa exigir isenção e imparcialidade, se permite ser "convidado" (a entrada custava € 500) da casa..

 
At 4 de janeiro de 2008 às 15:54, Anonymous Anónimo said...

sera que poder fumar-se nos casinos tem alguma coisa a ver com os convites para o reveillon e as amizades?

 
At 4 de janeiro de 2008 às 18:47, Anonymous preudhomme said...

Fui informado que havia tolerância até às 5h

 
At 4 de janeiro de 2008 às 21:31, Anonymous Tiago Carneiro said...

Inspector-geral da ASAE a fumar com lei já em vigor

O inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) foi fotografado a fumar num casino depois da entrada em vigor da lei do Tabaco, segundo o “Diário de Notícias”.
A Confederação para a Prevenção do Tabagismo diz ser lamentável mas desvaloriza impacto.
António Nunes, responsável por uma das entidades que irá fiscalizar a aplicação da lei, foi visto a fumar uma cigarrilha no Casino do Estoril na madrugada de dia 1 de Janeiro.
Em explicações ao “Diário de Notícias”, António Nunes considerou que a nova lei "não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e nas salas de jogos", justificando com a existência de um conflito de interesses com a lei do jogo, que contudo, não faz qualquer referência ao consumo de tabaco.
E EU É QUE SOU O BURRO???
Nnnhhhhhhhheeeeeeeeeeeeee...

 
At 21 de janeiro de 2008 às 19:24, Anonymous Anónimo said...

desculpem....não tem nada a ver!!!alguem me pode informar qual o horário de funcionamento do bar "ST"? parece que este bar é especial....e não tem horarios para cumprir!!!! para quando alguem que defenda o povo.... onde pára a ASAE? obrigado

 
At 23 de janeiro de 2008 às 12:11, Anonymous Anónimo said...

Gostaria aqui de acrescentar, que seja como for, não era proibido fumar no casino, logo não houve nenhuma infracção! Porém, faz-me espécie tantos comentários e tanta dedicação ao assunto da proibição de fumar nos locais publicos. Pessoas civilizadas tentam não prejudicar os próximos, e o melhor que fazem é fumar nas suas casinhas pois se muitos escolheram não fumar foi por alguma coisa. Eu que não fumo, tento não prejudicar o próximo, logo agradecia que fizessem o mesmo em relação a mim...

 

Enviar um comentário

<< Home