terça-feira, 4 de março de 2008

A ESCOLA A TEMPO INTEIRO?

Adivinha: quantas disciplinas tem um aluno do ensino básico, no 7º ano por exemplo (alunos com 11 anos)?

Escolha a resposta certa:
[ ] dez
[ ] doze
[ ] catorze
[ ] dezasseis


R.V.

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5 Comments:

At 4 de março de 2008 às 22:08, Anonymous Anónimo said...

Resposta certa:

1. área de projecto
2. ciências físico-químicas
3. ciências naturais
4. educação física
5. educação tecnológica
6. educação visual
7. estudo acompanhado
8. formação cívica
9. língua estrangeira I
10. língua estrangeira II
11. geografia
12. história
13. língua portuguesa
14. matemática
15. educação musical
16. educação moral e religiosa (opcional)

 
At 4 de março de 2008 às 23:59, Anonymous T.C. said...

Fraudes Políticas (na Educação)

Desculpem-me incomodar-vos mais uma vez mas sinto-me obrigado a esclarecer (e desabafar) algumas coisas que o Sócrates e a lurdes andam a esconder:

Permitam-me então que apresente as tais fraudes políticas:

1- O inglês no ensino básico bem como a expressão musical ou dramática de que este governo tanto se gaba
Sabem quanto ganham esses professores? 7 às vezes 6euros à hora a recibos verdes (sei que existiu pelo menos uma câmara municipal a fazer uma espécie de leilão para ver quem aceitava o valor mais baixo!!!????) e ainda têm de se deslocar de escola em escola sem qualquer apoio na
doença e claro sem subsídio de férias e natal. Sem um contrato onde o estado ou as câmaras assumam as suas responsabilidades.
O tal investimento provocou um desemprego massivo em ATLs que já existiam e empregou pessoal qualificado de uma forma vergonhosamente precária.

2- Os cursos profissionais.
Para estes governantes basta imprimir e enviar uns programas para as escolas para criar cursos profissionais.
Investir em material e formação aos professores não interessa (os professores já são obrigados a fazer formação para progredir mas têem de a pagar do seu bolso!!???)
Dou um exemplo na minha área, as TIC apareceu um curso onde devo leccionar entre outras coisas 3D Studio Max, um programa caríssimo e cuja formação de centenas de horas custa à volta de 500€uros. Mas acham que se preocuparam em pagar formação aos professores? Não, enviam o programa a gente que se desenrrasce e depois avaliam-nos. (Isto é que é pensamento estratégico)

3- A prova de acesso à docência
Pois eu sou engenheiro informático e já dou aulas à 4 anos mas para ter as habilitações completas para leccionar inscrevi-me na universidade pública (FCUP) para obter uma licenciatura de informática reconhecida como habilitadora para a docência. 1000 €uros de propinas/ano mais gasolina e portagens e tempo gasto (investido? ) para ser um professor qualificado. Agora mudou, o curso só ainda não chega. Apresentam-nos umas novas provas de acessos
à docência (3 no meu caso) nas quais a nota mínima é 14 (aqui realmente não há facilitismo). Se tirar 20 em duas provas e 13 numa já não posso dar aulas!! Quer então isto dizer que o curso da
FCUP não vale nada??
Que uma universidade pública e os seus cursos de docente são uma fraude???
Mas eu dou aulas há 4 anos!!! Será que sou um terrorista??
Mas eles têem-me explorado bem no ano passado dei aulas a 5 disciplinas diferentes e este ano tenho 15 turmas!
Se eu tirar 13 nas tais provas e não servir para ser professor então todos os alunos que eu passei até agora foram a avaliados por uma pessoa não qualificada!!?!??

No decreto lei sobre as tais provas, reparem na segunda página no ponto 3 do artigo 5º:

3) A componente comum da prova pode, ainda, avaliar conhecimentos e a capacidade de reflexão sobre a organização e o funcionamento da sala de aula, da escola e do sistema educativo.

Vou ter de me pronunciar sobre o que acho desta fantochada !? e vou ser avaliado pela minha opinião!!??? Tou lixado

4- A avaliação dos professores
Para ser professor é preciso passar por muitas provas específicas mas depois qualquer colega de qualquer disciplina me poderá avaliar.
Eu sou, além de professor contratado numa escola, estagiário noutra e no meu estágio tenho uma orientadora formada em TIC e com experiência que assiste a,pelo menos, 15 aulas que lecciono para me avaliar.
Sei que é impossível um professor de Matemática opinar objectivamente sobre as metodologias de um professor de TIC e vice versa.
Mas meus senhores, com este processo, teremos por exemplo professores de Educação Física a avaliar professores de Música. (Já não percebo nada, é preciso cursos e provas mas depois qualquer um pode opinar sobre o meu trabalho???)
Isto esquecendo que são colegas e que há grandes amizades ou conflitos.
Isto para não falar de que se um professor apanha uma turma com as notas inflacionadas no ano anterior, se as corrigir prejudica a sua avaliação.

5 - Gestão escolar
As escolas têem-se gerido muito bem na sua maioria, todos os estudos o confirmam e ninguém os desmente.
Este executivo esquece-se das pessoas e agarra-se a uns números que dizem muito pouco.
"Diminuímos o abandono" "Aumentamos o sucesso" heheheh claro então se o professor é prejudicado se o aluno abandonar ou chumbar se o aluno pode faltar à vontade (onde é que está a valorização do mérito?)

Então já perceberam não é?
É necessário um gestor numa escola com mais poderes que o conselho pedagógico cujos membros até agora são eleitos, para continuar estas políticas de números, sem sentido e que vão
condenar o país a muito curto prazo.
A escola é onde se constrói o futuro. Acabando com a democracia nas escolas, premiando o facilitismo em vez do mérito, controlando os professores com burocracia em vez de lhes dar autonomia e formação teremos concerteza um futuro pouco risonho.

6- A "integração" de alunos com deficiência no ensino normal.
Vou falar do meu caso pessoal. Não tenho nem me foi dada na universidade capacidade e conhecimentos para trabalhar com alunos que têem necessidades educativas especiais. Claro que me podem dar formação e me poderei adaptar.
Mas o que aconteceu foi que tenho vários alunos com atrasos bastante acentuados e que necessitam de um apoio especializado ou pelo menos individualizados. Ora eu tenho-os "integrados" numa turma com mais dezanove alunos!
Eu tento, mas não consigo dar-lhe nem a atenção nem o estímulo que eles mereciam. E quando o faço, porque tenho de o fazer não só porque me mandam mas porque sou humano, estou a descurar oresto da turma e vice-versa. (Isto não é investimento na educação. O TGV é que é absolutamente decisivo para o país? mas reduzir o número de alunos por turma nem por isso.)

7- Uma questão de princípio
Ouvi há uns dias um representante das escolas privadas falar que a avaliação já existe em muitas delas mas de uma forma completamente diferente.
Eles partem de um princípio: Vamos melhorar a escola.
E todo o processo não é condenatório para ninguém mas sim para descobrir falhas e oportunidades de melhoria.
Claro que assim todos contribuem e assumem as suas imperfeições. E os resultados apareceram e as melhorias foram notórias.

No caso deste governo começamos por um fim: Vamos poupar dinheiro.
Vamos falar de "premiar o mérito" vamos dizer que os professores ganham muito e como anda toda a gente mal vão logo concordar em bater nestes gajos.
A verdade é que
Um professor nunca ganhará tanto como um mau deputado que ainda nem se licenciou e só lá está por ser do partido, um professor nunca ganhará tanto como um péssimo secretário de estado ou como uma péssima ministra que em vez de falar com as pessoas para construir algo melhor num estilo de liderança moderno entra a atacar os os seus recurso humanos como se estes fosses uma cambada de "malandros" cheios de previlégios que na verdade deviam ser os direitos de qualquer trabalhador qualificado e previlégios esses que não chegam aos pés dos adquiridos por centenas de boys em cargos de nomeação directa.

Dividir para reinar assim vai o estado da nação
Acomodar o povo a lógicas irreais sem contestar e com muito medo
O motor da economia são 400 mil desempregados
Se queres, queres, senão... há mais miseráveis que esperam para ser explorados.
Se é para dizer bem ok, agora se for para discordar já consideramos uma manifestação e tens de preencher muita papelada
SAÚDE, EDUCAÇÃO, JUSTIÇA E SEGURANÇA?? para isso não há dinheiro
TGV, ALCOCHETE, FUTEBOIS E CONSTRUÇÕES isso é que é porreiro

Para mim isto é simplex

ASSIM COMO ESTÁ
NÃO É PORREIRO PÁ

 
At 5 de março de 2008 às 23:16, Anonymous José said...

Para variar um pouco a discussão sobre a Educação, olhando para outros lados, de onde costumamos importar modelos, podemos dar um pouco de atenção a um artigo de uma revista inglesa, neste caso, a conservadora Spectator.

O artigo começa assim, numa tradução ad hoc:

Este Verão, pelo menos 250 000 crianças, sairão das escolas inglesas, sem uma única qualificação a atestar os anos que passaram no ensino obrigatório. 240 000, terminarão o ensino básico, sem saberem ler ou escrever correctamente. No Outono, umas 250 escolas consideradas como fracassos, acolherão uma nova fornada de alunos. O desemprego jovem, atingirá provavelmente um novo máximo, como acontece de há 11 anos a esta parte. Será, tragicamente, mais um ano, deste sistema de ensino, um dos mais subsidiados do mundo.

Duas estratégias se deparam a David Cameron, para enfrentar este escândalo, se chegar ao nº 10. Poderia aplicar medidas cirúrgicas ao sistema, com o objectivo, comum a todos os primeiros-ministros, de mostrar que tem o controlo.
As Autoridades Locais de Educação, onde reside o verdadeiro poder de facto, certamente o ignorariam, como fizeram com Tony Blair. Ou poderia seguir uma nova política. Convidar alguém para montar uma nova escola pública, com gestão independente do Governo e receber para isso, uma soma equivalente a 6,000 libras por aluno.

Pode ler o artigo na integra em:
www.spectator.co.uk/
the-magazine/features/
526631/
made-in-sweden-the-new-
tory-education-revolution.thtml

 
At 7 de março de 2008 às 21:41, Anonymous Anónimo said...

Ó meu amigo "engenheiro informático" das duas uma, ou gostas mesmo de ser professor(coisa que duvido, nenhum informatico gosta) ou então, como sabes pouco, dedicas-te as aulas... Arranja um emprego decente como programador e deixa-te disso...

 
At 13 de março de 2008 às 20:02, Anonymous Anónimo said...

O crescente número de crianças e jovens que se sentem deprimidos e ansiosos está a causar profunda preocupação entre os professores e educadores, em Inglaterra. As pressões que os jovens sofrem face à sociedade moderna são apontadas como as causadoras deste estado de coisas. Disfunções sociais e famílias separadas estão a prejudicar o desempenho das crianças nas escolas.
Entre as conclusões do congresso da ATL (Association of Teachers and Lecturers) fala-se do crescente número de alunos que se suicidam devido a “pressões académicas, e sociais” designadamente as que são exercidas pelos pares. Afirma-se ainda que muitas crianças não conseguem aprender devido ao stress a que estão sujeitas. Numerosos estudos apontam para o crescimento deste fenómeno sobretudo, nas escolas básicas onde os comportamentos anti-sociais, o materialismo e o culto da celebridade está a “matar” a infância.
Outros relatórios apontam as políticas educativas como as responsáveis por este estado de coisas. Um sistema rígido de testes de aferição e a constante necessidade de atingir objectivos estará a levar um crescente número de alunos a sentirem-se alienados dentro da sala de aula pois, os professores passam demasiado tempo a “ensinar para os testes” pelo que deixou de haver tempo para a brincadeira e o divertimento no curriculum do ensino básico, em resultado disso as crianças estão cada vez mais ansiosas e tristes. Algumas escolas estão até a introduzir aulas de “Felicidade” .
O primeiro passo para a solução do problema poderá estar na redução dos trabalhos de casa nos ensinos básico e secundário. Desde 1997 que foram definidos padrões para os TPC’s das crianças e jovens entre os 4 (c. 20 min. /noite ) e os 16 anos (entre 90min a 2H/ noite) o que tem constituído também uma pressão para os professores. De resto, o nível de exigência não se tem repercutido positivamente na qualidade do ensino, a Inglaterra caiu vários lugares neste ranking que continua a ser liderado pela Finlândia.
O governo Trabalhista mantém-se, no entanto, firme nas suas políticas rejeitando as críticas e afirmando que “2008 é um óptimo ano para ser criança.”

Num momento em que se proclamam as virtudes da “escola a tempo inteiro”, que obriga à permanência das crianças em full-time dentro do espaço-escola, deveríamos reflectir sobre as consequências desta decisão para a qualidade de vida dos mais jovens e, se esta conversão das escolas em “armazéns de crianças” onde o “conhecimento” é o pretexto para as manter fechadas cinco dias por semana, se traduzirá numa mais-valia para o seu futuro enquanto cidadãos e enquanto pessoas.

 

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