quarta-feira, 22 de março de 2006

NA POLÍTICA DE TAVEIRA PINTO A VERDADE DA MENTIRA

Por exemplo, o que poderá levar um político a reiterar ou reincidir numa mentira?
Ou um sujeito fingir, em mau teatro, desconhecer o outro?
É claro que deixamos de lado esta 2ª categoria - que se prende a recalcamentos antigos, traumas de classe e outras interiorizações malignas que perpassaram a adolescência, a faculdade, a revolução de Abril e muitos outros cravos e muitas poucas rosas na escola da vida que é sempre uma arena mui armadilhada, mesmo no pós-25 de Abril...

Cinjo-me aquela 1ª categoria: a mentira pública, i.é., emanada da boca dum político, voluntária ou involuntariamente. E há a dizer o seguinte: a mentira tem bases fisiológicas concretas, um pouco como a alma: que tem um lado liso, oriundo de Deus e que fielmente transmite objectos e narra factos, tal qual eles se apresentaram na realidade, pelo menos tanto quanto a nossa capacidade cognitiva o permite e descontadas as inter subjectividades que Gabriel Tarde falava e Kant também, 200 anos antes.

E depois, aquele lado cilíndrico da alma, herdado de um demónio, pode não ser o Professor Caetano, mas que sistematicamente disforma os factos para governança própria ou utilização privativa numa lógica de manutenção e maximização do poder. É precisamente que o actual presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sôr mente daquela forma.
É óbvio que ele se está a marimbar para os documentos sórdidos da intelligence da República imperial, mas credita-lhes valor para salvar o coiro político, doutro modo perderia a face. E nós sabemos que a face do Taveira Pinto já não é lá mui atractiva.

É este lado da alma que produz o pai da mentira.
Taveira Pinto fez mais: conseguiu fazer a quadratura do círculo.
Enganou os pontessorenses, enganou os seus pares e todos os seu vereadores, iludiu e destruiu a cidade e o concelho, escondeu a verdade ao munícipes e, ainda por cima, teve a arte macabra de dizer ao povo que o saltava votando-o à fogueira nesse instante.

Enfim, a arte da mentira pretende ser a temporal e universal, e isso Taveira Pinto conseguiu mais uma vez.
Em nome do Partido Socialista, dos seus apaniguados e dos seus privilégios, claro está!!!


Pedro Manuel

2 Comments:

At 22 de março de 2006 às 11:00, Anonymous Anónimo said...

A CIÊNCIA DA MAIS AMPLA USANÇA É A ARTE DO FINGIMENTO...

B. Gracián

 
At 23 de março de 2006 às 10:36, Anonymous João Gonçalves said...

Parece que ocorreu mais uma inauguração de uma estrada. Cavaco foi zurzido a torto e a direito, convém rememorar, por ter tido a ousadia de fazer em meia dúzia de anos o que não tinha sido feito em décadas: dotar o país com um módico de auto-estradas que o aproximasse vagamente de si próprio e da Europa. Depois dele, nenhum governo prescindiu dos seus metros ou quilómetros de estradas e de auto-estradas. Desta vez calhou numa zona onde manda a D. Fátima Felgueiras, essa ilustre refractária à justiça e ao PS. Nenhuma destas duas circunstâncias tem impedido a D. Fátima de fazer o que bem lhe apetece, incluindo ganhar eleições contra o seu ex-partido e dizer ao tribunal, sem se rir, que se "esqueceu" do passaporte no Brasil. Esta inauguração teve, por assim dizer, o "picante" de o primeiro-ministro e líder do PS se ter cruzado com a D. Fátima com quem trocou um amistoso e português beijinho. Esta cortesia mútua, acentuada depois por Felgueiras quando se referiu a "projectos" da autarquia que o governo tem apoiado, não traz nenhum mal ao mundo. Se retirarmos às peripécias da D. Fátima o seu fino recorte latino-americano, ficamos com mais uma "autarca-modelo", um daqueles e daquelas que certo país político não se cansa de parir e de "vender". O "processo" de Fátima Felgueiras nada tem de "kafkiano" e tem muito de Pedro Almodovar, por exemplo. Este país consente tudo e não se dá ao respeito. Não temos irremediavelmente vergonha.

 

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