quinta-feira, 4 de maio de 2006

VOCÊ DECIDE

José Sócrates apresentou na passada quinta-feira um conjunto de medidas visando o que diz ser a sustentabilidade da Segurança Social.
Em traços largos, trata-se de indexar as pensões de reforma à esperança média de vida; acelerar a entrada em vigor da fórmula de cálculo das pensões que considera toda a carreira contributiva; fazer depender a variação anual do valor das pensões da inflação e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB); fixar um patamar máximo para as reformas do sistema público; e fixar a taxa contributiva dos trabalhadores em função do número e filhos.
As reacções dos bem pensantes não podiam ser mais unânimes.
João Ferreira do Amaral, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), veio garantir que tem toda a lógica ligar as pensões de reforma à evolução da esperança média de vida. «Quando a esperança média de vida aumenta tem de se tomar este tipo de medidas, ajustando este factor de destabilização do sistema à realidade actual», disse.
A economista Teodora Cardoso afirmava à agência Lusa, no início da semana, que as soluções propostas pelo primeiro-ministro lhe pareciam «correctas», deixando aos «próprios beneficiários uma margem de escolha indispensável, mas estabelecendo os incentivos apropriados a nível colectivo».
Chamado aos holofotes do «Prós e Contras» da RTP, igualmente na segunda-feira, o tema suscitou dúvidas, mas não controvérsia.
A conclusão coube ao ex-ministro Bagão Félix que, sublinhando o seu acordo com as propostas anunciadas, acabou por reconhecer que, floreados à parte, no essencial tudo se resumia a um aumento da Taxa Social Única (TSU).
Quanto ao ministro da tutela, José António Vieira da Silva, mostra-se encantado com o facto de a alteração da fórmula de cálculo das pensões poder reduzir, a médio prazo, o défice num valor equivalente a um por cento do PIB, enfatiza a capacidade de «opção» dada aos contribuintes, e fala com desvelo do «incentivo» à natalidade que o Governo estará a promover.
Ficamos assim cientes de que o Governo descobriu a pólvora no que à Segurança social diz respeito.


Vejamos: os portugueses passam a pagar taxa por viver mais, mas têm toda a liberdade para decidir se preferem uma pensão mais baixa ou uma vida de trabalho mais longa, isto admitindo que estão empregados e que a partir dos 65 anos os patrões não os convidam a dar serventia à porta de saída; os que ainda não constituíram família ou cuja prole não vai além de um escasso rebento são penalizados com mais descontos; os que se aventuraram aos dois descendentes têm o benefício da dúvida e não vêem alterada a taxa contributiva; os que, contra ventos e marés, arriscarem ir além dos três filhos recebem um bónus de desconto, o que ao preço das fraldas, dos leites e das papas, já para não falar de outras coisas como saúde e educação, deve dar para uns chupas-chupas ao fim-de-semana.
Os restantes, se não forem quadros superiores bem instalados na vida, seja no público ou no privado, escusam de fazer contas que a pensão vai mesmo baixar, ou como diria o ministro «não vai subir tanto» como seria de desejar.
Com tanta liberdade de escolha os portugueses vão certamente ficar mais felizes, embora não se vislumbre no horizonte os 150 mil novos postos de trabalho prometidos por Sócrates, a economia esteja em recessão, o desemprego aumente, a saúde custe os olhos da cara e a habitação condigna esteja pela hora da morte.

Com o PS no governo, razão tem a direita para se queixar que é difícil ser oposição.


Anabela F.

4 Comments:

At 4 de maio de 2006 às 17:53, Anonymous J E R said...

Há quem procure nos astros a solução para os seus problemas, algo que os nossos políticos não fazem já que na nossa política os astros são eles. Por isso aqui fica uma breve descrição de alguns astros do nosso sistema político:

António Borges, o cometa que aparece nos nossos céus com alguma irrregularidade, em princípio cumpre a sua elipse de quatro em quatro anos, fazendo coincidir o seu aparecimento com a aproximação de eleições legislativas, mas devido a um qualquer fenómeno astronómico desconhecido a sua trajectória encurta quando por qualquer razão são anunciadas eleições antecipadas.

António Vitorino, o mais conhecido dos nossos asteróides, durante vários descreveu uma elipse em torno de Bruxelas, quando entrou em colisão com outro conhecido asteróide, Durão Barroso, e foi abruptamente desviado em direcção a Lisboa. Quando se esperava uma colisão com as traseiras da Assembleia da República, acabou por se fragmentar, espalhando-se por vários locais, sendo possível encontrar fragmentos no parlamento, num conhecido escritório de advogados e numa grande empresa.

Marques Mendes, o buraco negro que resultou da explosão de Santana Lopes, a mis cintilante e instável estrela da galáxia PSD

Ribeiro e Castro, a anã castanha do nosso sistema, isto é, um objecto de pouca luminusidade que não consegue iniciar a fusão do seu núcleo, sendo classificada como uma estrela fracassada.

José Pacheco Pereira, tal como Saturno é o maior dos nossos planetas gasosos, planetas que não são constituídos por matéria sólida. Sendo um dos planetas do nosso sistema mais facilmente vistos a olho nu, com os seus vaidosos anéis coloridos, dele pouco se espera, dificilmente alguém conseguirá aterrar por aquelas paragens.

Cavaco Silva, a nossa estrela polar, que durante anos aparecia regularmente, nunca desistindo das funções de timoneiro do nosso sistema político, um exemplo de como no nosso país se prefere a navegação à vista.

Paulo Portas, a Polaris, isto é, a estrela mais luminosa do PP, a Ursa Menor do nosso sistema político.

Freitas do Amaral, a anã branca do nossos sistema político, uma estrela demasiado pequena para que consiga gerar temperatura suficiente para se manter no firmamento, acabando por morrer. É a mais conhecida das anãs brancas do nosso firmamento político, onde podemos distinguir muitas destas estrelas, como Carlos Carvalhas, Manuel Alegre, Jaime Gama, Santana Lopes e muitas outras.

Santana Lopes é a mais conhecida estrela de neutrões, uma estrela que resultou da explosão de uma supernova.

 
At 4 de maio de 2006 às 17:56, Anonymous Manuel said...

Ouça!
Isto já deu o que tinha a dar... está tudo podre.
Só falta, como me dizia um amigo meu, chegar o dia em que não haja mais espaço para meter betão... Aí, ou se começa a construir no meio do rio, ou os construtores civis começam a falir, os bancos a perder os grandes clientes, e os partidos os grandes financiadores, os governos caem sucessivamente e isto vira a Colômbia da Europa.

 
At 5 de maio de 2006 às 12:56, Anonymous Anónimo said...

Também há um jornal de hoje que fala do grande lucro que o Governo Português tem tido com os aumentos do preço do petróleo, provocados pela invasão do Iraque. Entretanto, a grande maioria de nós só tem é tido prejuízos com isto tudo, reforma da segurança social incluída, necessária sim mas não tão depressa, já que, ainda não nos recompusemos do aumento do tempo de serviço de há 3 meses atrás, e, já nos estão a aumentá-lo outra vez!

JMM

 
At 5 de maio de 2006 às 13:14, Anonymous J. M. Gonçalves said...

As "empresas numa hora", tão pomposamente anunciadas pelo eng. º Sócrates como um "ex-libris" do Simplex, já começaram a dedicar-se à suave arte portuguesa do gamanço. Ou seja, criaram-se "numa hora" para aldrabarem melhor e mais depressa em seguida. Existe melhor empreendedorismo do que este?

 

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