quarta-feira, 12 de março de 2008

3 ANOS DE GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES - ESTÁ TUDO PORREIRO, PÁ!




P.S.

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4 Comments:

At 12 de março de 2008 às 19:46, Anonymous J.U.M. said...

Ainda que o nosso treinador não tenha decidido regressar às Beiras como fez Camacho, nem o Presidente esteja em condições de dar jogadas psicológicas, é um facto que uma boa parte dos cidadãos deste país estão desmotivados quanto os do Benfica. Só que neste caso Sócrates continua a ganhar o campeonato por ausência de adversário.

Aumentos de impostos justificados por relatórios elaborados à pressa por mão amiga, reformas feitas por “cientistas” que esquecem que as instituições são organizações humanas cujo sucesso depende da motivação das pessoas e um discurso plástico e desumanizado afastaram uma boa parte dos portugueses das mudanças promovidas pelo governo.

A Administração Pública é reformada porque os funcionários são uns mandriões, a justiça tem novas regras porque os magistrados são uns privilegiados, as escolas mudam porque os professores não ensinam, as empresas não são competitivas porque as leis laborais promovem a preguiça, em suma, o país não passa da cepa torta porque os portugueses são uns malandros. Tem sido esta a mensagem promovida por Sócrates e alguns dos seus ministros.

As reformas são introduzidas como uma inevitabilidade e sob a forma de pastilhas, quando a primeira dose já foi digerida e pensamos que acabou o tratamento vem uma segunda dose como se os portugueses fossem uma bactéria multiresistente que tem de ser submetida a tratamentos sucessivos. Ao longo de três anos foram submetidos a vagas sucessivas de medidas inevitáveis e só agora começam a respirar porque Sócrates receia que com as eleições legislativas seja ele a vítima da cura, todos sabemos que logo a seguir o tratamento regressa com doses ainda maiores.
Os cidadãos estão desmotivados porque o progresso resultante destas políticas de fazer inveja aos Chicago Boys não vão ser distribuídos equitativamente, os funcionários sabem que ou vão ser despedidos ou vão ver os seus rendimentos a degradar-se continuamente, os desempregados que conseguirem emprego sabem que vão ganhar menos que dantes e poderão ser despedidos a qualquer momento. Não há qualquer contrato social com os portugueses, os sacrificados são os do costume, os beneficiados serão os mesmos de sempre.

O diálogo é um luxo reservados aos que viajam nas comitivas governamentais, que deslumbram ao assessores do primeiro-ministro cujo exercício preferido é saber qual a percentagem do PIB que acompanham Sócrates nas viagens do estrangeiro. O governo é firme com os assalariados e extremamente dialogante com os empresários, para os primeiros reservou a flexibilidade no vínculo labora, para os segundos adoptou a flexibilidade nas grandes decisões tal como sucedeu com a localização do novo aeroporto de Lisboa.

Sócrates tem o discurso do Chalana, principalmente quando se dirige a audiências ensaiadas, onde o casting foi dispensado porque os figurantes pertencem ao partido, mas a verdade é que muitos portugueses estão tão desmotivados como Camacho disse estarem os jogadores do Benfica.

Nunca Portugal se identificou tanto com o Benfica, todos prometem ganhar campeonatos e o regresso ao tempo das vitórias, algumas velhas glórias como Soares lá vão tentando o regresso aos sonhos como faz Eusébio, mesmo sem dinheiro fazem-se grandes aquisições como o Cardoso ou o aeroporto, no fim andamos desesperadamente a tentar ganhar o campeonato da segunda circular. Como se tudo isto não bastasse ganhamos os jogos fora como sucedeu com o Tratado e perdemos os jogos em casa onde os adeptos já não dispensam o lenço branco no bolso, mesmo sabendo-se que continuarão a torcer pela equipa no próximo jogo.

Ao fim de três anos Sócrates ainda não percebeu o que Camacho entendeu em poucos meses, os seus jogadores estão desmotivados, muitos não jogam e outros são mal pagos, apenas a vedetas estão contentes.

 
At 12 de março de 2008 às 21:10, Anonymous JAM said...

Voltando ao tempo que passa sem saudades de futuro, lá tenho de contabilizar Sócrates e dizer sobre o sistema o que, aqui, tenho vindo a dizer: que o PM corre o risco de ser uma espécie de coveiro do sistema, dado que se tem vindo a confundir o sistema com o regime, criando-se um modelo onde só há alternância dentro do bloqueio central da partidocracia, não havendo as alternativas necessárias, nomeadamente a alteração dos partidos, como fizerem, na última década, todos os nossos imediatos vizinhos territoriais e económicos da Europa Ocidental.

Podemos vir a ter uma espécie de democracia sem povo, dado que todos os militantes activos de todos os partidos nem metade dos professores manifestantes conseguiriam mobilizar. Não assumem que vivem um situacionismo de bonzos, canhotos e endireitas com sinais inequívocos de amplas zonas de ditadura da incompetência, como se dizia no crepúsculo da Primeira República, mas onde também já não há a saída da mudança de regime pelos enviados da cavalariça ou da sacristia.

Estamos entupidos, sem saídas para as colónias, como aconteceu nos tempos do regicídio ou do 5 de Outubro, ou o encontro com o D. Sebastião da integração europeia, como sucedeu depois de 1974. Isto é, temos de viver com aquilo que temos e não sabemos organizar o trabalho nacional pela meritocracia e pela justiça de tratar o desigual, desigualmente. E Sócrates, Menezes e Portas não são causas. São meras consequências que deveriam ser tratados como sintomas para a urgente regeneração de uma política, onde a maioria dos factores de poder já nem são nacionais.

Aliás, hoje, o JN traz pedaços do que há mais de uma semana declarei: se o primeiro-ministro adoptar "medidas de grande fulgor e não de penso-rápido, talvez ainda capte o um milhão de eleitores do centrão político ". Uma força de elite para o combate ao crime de colarinho branco para travar o sentimento de impunidade nos crimes de corrupção é um outro conselho deste especialista.

Se o primeiro-ministro adoptar "medidas de grande fulgor e não de penso-rápido, talvez ainda capte o um milhão de eleitores do centrão político ". Uma força de elite para o combate ao crime de colarinho branco para travar o sentimento de impunidade nos crimes de corrupção é um outro conselho deste especialista.

Até admito, ironicamente, que Sócrates faça um golpe de asa e proceda a uma remodelação 'in extremis', ainda antes de 2009, para conquistar o Centrão. Indo "arranjar alguns ministros de Direita", como fez com Freitas do Amaral em 2005. Maria José Nogueira Pinto ou José Miguel Júdice.

 
At 12 de março de 2008 às 21:15, Anonymous A.Santos said...

Para o Partido Socialista, diz Vitalino Canas, não é necessário apontar o que o actual Executivo fez mal durante os três anos, porque, como fez «muitas coisas bem», não se deve «perder tempo» com o que correu mal.
Vitalino Canas, como António Vitorino, parece também andar fugido do jardim de infância...
E são estes pândegos que falam em nome do PS!...

 
At 13 de março de 2008 às 19:49, Anonymous Sofia Santos said...

Ao contrário do que Vitalino Canas diz, quando se faz um balanço de um período de trabalho, podemos orgulhar-nos e apontar os objectivos atingidos, as vitórias, mas obrigatoriamente devemos reconhecer as derrotas, os erros, o que não foi conseguido, para que se perceba porquê.
Os erros podem e devem ter uma função pedagógica – evitar que se repitam, corrigir actuações infelizes, reorientar o esforço noutra direcção.
A esquizofrenia dos avanços e dos recuos existe, mas é o próprio PS um dos grandes responsáveis por este estado psicótico, pois insiste em repetir exaustivamente chavões e palavras descabidas em relação ao governo. Uma das coisas que se pede ao partido do governo é que seja uma ponte entre o executivo e a população que o elegeu. Se, no partido, apenas se ouvem vozes glorificantes, que acham que estudar os erros cometidos, porque foram cometidos erros, obviamente, é uma perca de tempo, não me espanta que os cidadãos que apoiaram e votaram neste PS saiam à rua.
Mais do que as políticas que têm sido desenvolvidas, melhor ou pior, é a vã glória, este estilo de arrogância bacoca que leva as pessoas a indignar-se, pois tanto pedantismo da parte daqueles que deviam estar atentos, respeitando as críticas e tentando rebatê-las com resultados, não com oratória vazia, são um hino à ira da tal classe média que está farta da crise.
Gosto que haja firmeza e capacidade de decidir. Ainda bem que um governo democraticamente eleito não tem medo de decidir. O que se dispensa são estes porta-vozes que armam uma parede invisível, em volta dos governantes, que oculta a realidade, na esperança de se manterem encostados ao poder.

 

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