quarta-feira, 18 de junho de 2008

ONDE PÁRA A ESQUERDA?

De súbito, o Estado viu-se confrontado com movimentações inorgânicas, de camionistas e de pescadores, sociologicamente situados à direita.
Se o poder dos sindicatos, sobretudo os associados à CGTP, tem demonstrado ser necessário acabar com o maniqueísmo e a ilusão de tábua-rasa, e inscrever, na esquerda, uma nova visão do futuro, as dificuldades emergem a cada momento.
Numa entrevista à Rádio Renascença e ao Público, José Saramago recolocou a questão central: À direita não lhe interessa as ideias, porque pode governar sem elas; à esquerda deviam interessar-lhe as ideias, porque não tem outra maneira de governar senão com elas (...) Sem ideias, a esquerda vai-se estiolando. E mais agora, quando a pretensa salvação da esquerda é a aproximação ao centro. Mas a aproximação ao centro é a aproximação à direita.

A esquerda não possui ideias de seu porque deixou de ler, de estudar, de reflectir, de analisar. Ajeitou o pretenso discurso a essa anomalia política, designada por pragmatismo, e impôs a sua definição de democracia ao funcionamento dominante do capitalismo.

A direita, que é forjada nos aparelhos ideológicos de escolas e de universidades, não despreza as ideias, apenas não precisa delas, porque dispõe de veículos privilegiados, como, por exemplo, a cultura, as artes e os media para a transmissão das suas heranças de poder. As omissões e os esquecimentos deliberados, a rasura de nomes, a preeminência de autores neutrais sobre outros, inscrevem-se nesse quadro.

Há mais de 40 anos que a esquerda tem como garantia insensata a solidez da democracia. Maio de 68 abalou a convicção, pondo em causa o estado de paz e o capitalismo no seu próprio excesso. A perplexidade, não só na sociedade em geral, mas no interior do Partido Comunista Francês, incapaz de encontrar respostas fora das contidas na cartilha, conduziu a um modelo operatório que o sentenciou. Alberto Morávia, num livro importante, Diário Europeu, afirmou, então, que os partidos comunistas ficariam reduzidos a uma espécie de travão social, cada vez mais com maiores dificuldades. A atitude interrogatória evaporou-se com a hegemonia do pensamento único. Com uma esquerda assim, a direita não precisa de ideias.

A complexidade dos acontecimentos mundiais, a derrocada do comunismo e a deterioração do socialismo abriram caminho à doutrina liberal, assente no mais nefasto retrocesso histórico de que há memória. Porém, no que parece a força inexpugnável do mercado e do que lhe subjaz, consiste, também, a sua fragilidade. O Estado português arquejou de pavor. Bastou que um movimento inorgânico juntasse os elos. Uma vez mais, Sócrates não percebeu os sinais. E a esquerda, no geral, também não. Mas algo de novo abalou o esquema.

B.B.

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12 Comments:

At 18 de junho de 2008 às 21:39, Anonymous Anónimo said...

«Para o Governo, a economia portuguesa é a EDP, a PT e a Galp»

Henrique Neto,
Socialista
Empresário,
No: «O Diabo»

 
At 18 de junho de 2008 às 22:11, Anonymous Anónimo said...

Manel de Vale de Junco para o Governo ja.

 
At 19 de junho de 2008 às 23:13, Anonymous José said...

A nova Esquerda socialista neo-liberal

Vital Moreira continua a sua luta, em prol do Estado social, defendendo agora a extinção dos serviços do subsistema de saúdo dos funcionários públicos, a ADSE.
O argumento, é verdadeiramente de Esquerda e aparece na forma de pergunta capciosa e socialmente relevante: “por que é que os contribuintes, que suportam o SNS para toda a gente, hão-de depois suportar um subsistema paralelo para benefício os funcionários públicos...?”

E tem as suas razões, Vital Moreira. Para além de passar a ideia socialmente estimulante de que os funcionários públicos são uns privilegiados, afirma implicitamente outra ideia peregrina desta Esquerda moderna que tem vindo a defender, com as cores do liberalismo mais notório: as despesas de saúde dos funcionários públicos não devem ser pagas pelos outros, em geral. Ora tomem funcionários público, que é para almoçarem.

Não lhe interessa para nada, a ideia, certamente de Direita, que já são os funcionários públicos que descontam 1,5% do seu vencimento para a ADSE.
Também nada lhe interessa saber que a receita fiscal daí adveniente é certa e resulta dos rendimentos efectivos e verdadeiramente declarados e sem escapatória para o IRS, ao contrário de outros que melhor se defendem do fisco que os funcionários públicos.

Isso, nada lhe interessa. O que lhe importa mesmo, é desfazer o sistema de segurança social em que se baseia a nossa democracia social e de matriz social-democrata.

Certamente, para lhe alternar com um de Esquerda, verdadeira desta vez. Uma Esquerda que prescinda da componente social do Estado e dê largas às novas ideias liberais de Vital Moreira que se seguem às ideias absolutamente opostas que defendia há uma dúzia e meia de anos atrás.

Só é pena que não se aplique, com o mesmo afã neófito e neo-liberal, a prescindir do Estado no local onde presta serviços, a Universidade de Coimbra.

Poderia então dar largas a essa febre neófita e em vez de se servir, para as suas aulas privadas, de um local público, financiado por todos nós, comprar ou arrendar espaço privado, contratando pessoas, privadas, para dar as aulas privadas, a alunos privados, de curso privado, no âmbito de uma associação de direito privado .
Assim, a funcionar em instalações públicas, por protocolo cujos termos não se conhecem publicamente, não diz a letra com a careta.

Desse modo é que se gostaria de ver um ex-comunista, aliás socialista, aliás neo-liberal, consequente e coerente.
Até lá, é só tretas.

 
At 20 de junho de 2008 às 19:19, Anonymous L.Carvalho said...

Bandeiras a meia haste, voltou a calma à Pátria
Portugal perdeu...voltou a calma e o silêncio. Despachámos finalmente o brasileiro. O russo do Chelsea que o ature e lhe pague. Era bom que a Federação da bola mudasse agora para melhor, com gente mais moderna para um futebol mais do nosso tempo.
É bom acabar de vez a vã ilusão lusa de que somos os maiores. Um país falido não pode viver à custa de miragens. Temos uma geração de ouro de futebolistas que o são graças à raça lusitana ( como diria o nosso PR!) e ao enquadramento excelente que os clubes internacionais onde jogam o permite.
O nosso Ronaldo lá fora é o Guggenheim em Bilbao, mas esse monumento na Brandoa era uma aberração. Não são os génios que fazem as equipas, são as equipas, e os seus líderes, que permitem aos génios afirmarem-se. Isto aplica-se em todas as áreas da nossa vida.

 
At 20 de junho de 2008 às 19:20, Anonymous João T. said...

Agora que acabou esta overdose, vamos finalmente pensar nos problemas imensos deste país?

Agora que este circo absurdo da alienação futebolística chegou ao fim e os tugas (9,5 milhões deles) iniciam a sua costumeira ressaca de 48 horas, será que poderemos começar a focalizar-nos no que verdadeiramente interessa e discutir os gravíssimos problemas do país mais estúpido da Europa?
Será que já podemos, por exemplo, responder a essa inqualificável ministra que hoje vomitou que os resultados positivos a matemática são fruto da sua política? Uma "política" que ninguém conhece e que nem sequer ainda começou a ser implementada nos níveis das provas de aferição (4º e 6º)?
Alguém replica a essa senhora que os resultados são melhores porque os exames, este ano, foram de uma simplicidade atroz?
Mas que os alunos, por acaso, sabem ainda menos do que no ano passado?
E porquê?
Porque já perceberam que, com o novo ECD dos professorzecos, agora é que os alunos não precisam de estudar... porque nunca chumbarão. A menos que encontrem 5 professores masoquistas num mesmo conselho de turma, o que é menos provavel do que acertar no euromilhões.
Alguém diz isso a esta imitação de ministra?

 
At 20 de junho de 2008 às 19:22, Anonymous Anónimo said...

"Just in time"
Com a eliminação da selecção portuguesa de futebol do Euro 2008, o país é obrigado a desadormecer de uma sonolência induzida por uma xaropada mediática que nas últimas semanas ofuscou qualquer outro tema extra-futebol. Talvez por isso o PS tenha aproveitado para reduzir o tempo de debate do Código do Trabalho na especialidade, de 30 para 20 dias, proposta pelo Governo na Assembleia da República e aprovada pela sua bancada parlamentar. O Código do Trabalho, que já terá garantida a assinatura do líder da UGT, João Proença, vai ser aprovado depois do transe dos últimos e do desmame dos próximos dias e as manifestações que encherão as ruas não serão confundidas com outras de vivas ao futebol. A eliminação dos “viriatos” veio mesmo a tempo para desentorpecer a atenção geral que requer outra eliminação muito mais importante, a dos direitos laborais que uma minoria com maioria parlamentar pretende banir dos nossos ordenamentos jurídico e social.

 
At 20 de junho de 2008 às 19:32, Anonymous António B. Caldeira said...

Três palavras sobre a campanha da Selecção Nacional de Futebol na fase final do Campeonato de Europa (Euro 2008) realizado na Suíça e Áustria: equipa, Scolari e povo.

A equipa portuguesa perdeu alguns jogadores de maior qualidade (Baía, Sousa, Rui Costa, Figo, Pauleta) que não tiveram substitutos de igual valor (Ricardo, Petit, Moutinho, Simão, Nuno Gomes). Escapa Deco, que se resguardou durante a época no Barcelona para jogar de forma admirável e que tem sido um extraordinário médio de ataque. E Nuno Gomes, na capacidade que agora tem, esforçou-se e realizou boas prestações.

A baliza esteve muito mal defendida: Ricardo, que sempre teve grande dificuldade em acorrer a cruzamentos (lembre-se o golo do grego Charisteas na final do Euro 2004), foi ficando de jogo para jogo mais perturbado à medida que falhavas saídas dos postes. A defesa esteve irregular: Bosingwa ainda inseguro e medroso; Ricardo Carvalho em forma sofrível; Pepe excelente (com excepção de ter perdido Klose no segundo golo alemão); Paulo Ferreira muito mal a atacar e péssimo a defender. O meio-campo disfarçando insuficiência de qualidade: com Petit contraído, Moutinho e Meireles ao nível do que podem; e Deco perfeito no que fez. O ataque pobre: Cristiano Ronaldo lesionado (ontem, 19-6-2008, durante o jogo dos quartos-de-final contra a Alemanha e, ainda desconhecendo a notícia de hoje, só me lembrava de Figo que tinha jogado o Mundial de 2002 na Coreia-Japão, com o pé partido); Nuno Gomes, sem a velocidade de outros tempos, mas ainda oportuno; e Simão, menos rápido do que foi, e que não cumpriu o que esperava dele nos livres e cantos, e esteve fraco no jogo corrido.

Uma série de jogadores encerra agora também o seu ciclo na Selecção: Ricardo, Paulo Ferreira, Petit; e outros vão começar a sentar-se mais do banco, se, entretanto, também não abandonarem, como Simão e Nuno Gomes. Uma nova geração tomará o seu lugar, ligando novos e velhos, juventude e experiência.

Luís Felipe Scolari é um excelente treinador, o melhor que alguma vez esteve à frente da Selecção Nacional. Atingiu os melhores resultados de sempre, que julgávamos inatingíveis. Impôs independência de convocação, comando e escolha da equipa. Estrangeiro (se brasileiro é mesmo estrangeiro...) uniu os portugueses no Euro 2004 em volta da bandeira como nunca ninguém fez, tirando períodos de unidade nacional por guerras e revoluções ou missões colectivas como os Descobrimentos.

De um conjunto de personalidades e rivalidades clubísticas fez uma família, impondo disciplina como um pai severo e ao mesmo tempo carinhoso. Face às inconsistências tácticas anteriores, estabeleceu um modelo de jogo com grandes sucessos.

Para firmar autoridade inquestionável, sacrificou jogadores em decadência (Baía, Sérgio Conceição, etc.) deixando de os convocar para a selecção, manteve outros como indiscutíveis, mesmo depois de falharem consecutivamente (Ricardo, Paulo Ferreira, Pauleta, Simão), puniu quem não se esforçou (Miguel Veloso, com quem parecia contar para trinco indiscutível da equipa) ou protestou por não ser convocado (Quaresma picado pela direcção portista) ou por não ser titular (Quaresma? em Viseu com a Geórgia, 31-5-2008).

Deu oportunidades a jogadores suplentes para brilhar e conseguir minutos na equipa principal, mas o estatuto de vedetas de alguns e a má forma de outros, deu neste Europeu, o resultado de 0-2 no Portugal-Suíça).

Homem de equipa, hermético sobre o balneário, apoiado em colaboradores (Darlan Schneider e Flávio Murtosa Teixeira) igualmente discretos e muito competentes (lembre-se o comando da equipa por Flávio Murtosa durante os jogos em que Scolari esteve castigado).

Psicólogo, sem diploma, mas arguto, tem um extraordinário cuidado com a forma psicológica dos jogadores e a sua confiança, tentando a pressão sobre os jogadores (daí que não tivesse convocado um guarda-redes em forma para substituir Quim, de modo a tranquilizar Ricardo - não conseguiu). Prudente, por vezes de forma excessiva, sabe o estado de forma física de cada jogador, o que deve ter inibido alguma escolha mais arriscada neste Campeonato (Nani, Quaresma, Veloso, Meira, Hugo Almeida e até Makukula), e arma a equipa com essas contingências.

Táctico controverso, mas seguro, com favoritos de experiência, prefere conceder a iniciativa ao adversário, o que desagradava aos adeptos e provoca resultados díspares: neste campeonato a táctica correu mal com a Suíça e Alemanha.

Homem de princípios, responsabilidade e rigor, apesar de ter problemas em controlar a sua impulsividade e agressividade, falhou ao admitir que o Chelsea divulgasse a sua contratação em 11-6-2008, durante o próprio Campeonato, depois de dizer que não consentia que os jogadores falassem de contratos no evento: o Chelsea queria ir às compras no Europeu e sem a notícia não podia negociar e contratar jogadores, assediados por outras propostas, como queria (por exemplo, Deco).

Odiado pela figura mais importante do dirigismo desportivo português de sempre, Jorge Nuno Pinto da Costa, e seus seguidores incondicionais, que percebeu cedo que Scolari não colaboraria, como outros fizeram obedientemente, na Selecção como montra para venda de jogadores e respectivas comissões, aguentou e venceu essa pressão.

E amado por Portugal inteiro - mais ainda depois de pousar a racionalidade sobre a desilusão da derrota de ontem -, a quem roubando uma frase a um poeta, deu "alturas de incenso", através do orgulho (único!) da excelência mundial no futebol - e tem razão Pinto da Costa quando afirma que em mais nenhuma actividade os portugueses têm conseguido tal feito (não há paródia de campanha publicitária governamental, replicada no texto hiperbólico-falacioso de Nicolau Santos das rolhas e chapéus, que desminta a decadência das nossas elites e a miséria e incipiência da nossa capacidade recente).

Muito obrigado, senhor Luís Felipe Scolari: Portugal está muito grato!

Finalmente, o quem vem em primeiro lugar: o povo. Por Lisboa, cada vez mais estranha ao Portugal que é profundo, mas também noutras cidades e vilas, ainda que a equipa nacional fosse mais fraca do que as anteriores e estivesse ainda pior, vi nos bairros ricos raras bandeiras, enquanto passando na avenida de Ceuta em Lisboa, de um e de outro lado, nos prédios que substituíram o Casal Ventoso, vi a maioria das varandas engalanadas com bandeiras. É duro de dizer, mas há um amor fundo à Pátria no povo humilde que vai rareando nas elites decadentes, promíscuas e estrangeiradas. Há uma dor fina que nos mói o corpo e rói o espírito, mas mantemo-nos no combate da mudança e continuamos a crer no futuro de Portugal que é sempre. funda

Esta manhã, mais cedo do que o calor que nos sua, cavando os cardos que começam a infestar o prado ainda verde, teatro do baile dos pássaros sob o céu instável, sinto, ao calcar o chão rijo da fazenda pobre, que Portugal há-de persistir. Apesar de.

 
At 20 de junho de 2008 às 21:45, Anonymous K. said...

Bem pode rezar o "Engenheiro da Uni", que nem Fátima, nem o Fado te vão valer agora que o futebol acabou.
Talvez agora este povo volte à realidade e isso não é nada bom para ti.
Que noticia bombástica tens tu na manga para esta altura?
Como não sou bom em adivinhar como o “Zandinga”, que já não se encontra entre nós, ou o como o Luís Delgado, que não há maneira de desaparecer, vou esperar pelas parangonas do Expresso, dos outros pasquins a que temos direito de ler e das televisões oficiais que temos de ouvir.
Deve estar mesmo para rebentar e não é certamente o que se passar no desértico Congresso de ideias a que está destinado ser o do PSD com a assombração que é a Manuela Ferreira Leite, à frente.

 
At 20 de junho de 2008 às 21:49, Anonymous Anónimo said...

Já ontem era para assinalar o facto de que os barcos e os iates para passeios de turistas de luxo no Allgarve do Manuel Pinho, podem utilizar o gasóleo verde ao mesmo preço que os agricultores enquanto os pescadores artesanais o tem de pagar ao preço do comum dos mortais. Não me espanta, pode fazer-nos zangar, mas é natural que aconteça com a filosofia liberal que está em vigor. Esta gente governa para si e para as elites. Condenaram-nos a ser o INATEL da Europa, oferecemos-lhes o Allgarve do Pinho feito à medida só daqueles que o podem pagar. Somos a West Coast da Europa mas não temos onde cair mortos. O país desfaz-se de dia para dia, com cada vez mais pobreza, cada vez mais abandonada. Há dinheiro para servir quem já tem muito e não há para servir as necessidades de quem tenta sobreviver. Muito em breve só subsistirão neste país, ou os que têm muito sem ter de fazer nada de especial para o terem, ou os que têm tão pouco que têm de fazer de tudo só para sobreviver. É por isso que ouvir estas notícias não me surpreende, fazem já parte da imagem e da realidade que vivemos, e continuará a fazer se não houver a coragem, a determinação e a vontade de mudar.

 
At 21 de junho de 2008 às 12:28, Anonymous K. said...

«O primeiro-ministro português admitiu que considera aplicar a taxa Robin dos Bosques que permite subir os impostos às petrolíferas e aplicar a verba daí resultante em apoio social. Os 27 estão preocupados em controlar a especulação em torno dos combustíveis.
“Essas matérias são difíceis, é difícil identificar qual a parcela dos lucros das empresas que deriva e resulta do aumento inesperado, brusco dos preços do petróleo. Mas como foi dito pela Comissão, isso compete a cada um dos países, nós em Portugal estamos a estudar”, disse o primeiro-ministro português.»

Taxa Robin dos Bosques!
Tirar aos ricos para dar aos pobres!
Querem que eu acredite nisso?
Dar o quê?
Esmolinhas aos dois milhões de pobres, um em cada 5 portugueses, que um país Europeu que se diz civilizado calmamente aceita ter como algo natural?
Todos já entendemos que as companhias petrolíferas andam a ganhar milhões com a especulação sobre o preço do petróleo, destruindo a economia perante a incapacidade, e muitas vezes a vontade, do sistema em controlar a situação.
O poderoso gang do petróleo só pensa em lucro e a ideia de simplesmente os taxar só vai fazer com que aumentem ainda mais os combustíveis.
Em vez de reduzirem o Imposto sobre produtos petrolíferos, manter uma vigilância cerrada sobre as petrolíferas no controlo do aumento dos combustíveis, para permitir preços mais baixos, criam mais um imposto que, inevitavelmente se reflectirá no preço da gasolina.
Não meus amigos, isto não vai lá só com Robins dos Bosques, necessita que o povo português resolva o problema como resolveu tantos na história deste país, saindo para a rua e escorraçando os traidores.

 
At 24 de junho de 2008 às 19:18, Blogger Zé da Ponte said...

Em 2005, o PS teve a sua primeira maioria absoluta. A situação do país era difícil, mas as condições políticas eram favoráveis. Até certa altura, as sondagens animaram uma certa auto-suficiência: apesar das medidas impopulares, havia forte probabilidade de reeditar a maioria. Entusiasmados, muitos dirigentes socialistas terão pensado que podiam descurar os seus constituintes: jamais desertariam para a extrema-esquerda em número suficiente para lhes retirar a maioria e anular os ganhos à direita - ou seja, bastar-lhes-ia governar "no centro do centro", com bastante músculo e pouco diálogo, captando eleitores ao PSD. Porém, perante tantas exigências e tão pouca negociação (para mais desigualmente distribuídas, como as cedências a pescadores e camionistas vieram de novo revelar), além de uma distribuição desigual dos sacrifícios e de um significativo incumprimento de promessas, começaram os problemas - nomeadamente, gigantescas manifestações contestando as políticas e a falta de diálogo e, sobretudo, a erosão nas sondagens desde final de 2007, fazendo perigar a reedição da maioria absoluta.

Está relançada a discussão sobre o que fazer se o PS não tiver maioria absoluta em 2009. Vital Moreira pronunciou-se sobre a impossibilidade de alianças à esquerda, antevendo um governo minoritário (PÚBLICO, 10/06/08), algo improvável, tendo em conta a má experiência guterrista. Com o beneplácito da direcção do PS, que o tem presenteado com cargos e outros mimos, José Miguel Júdice desautorizou Mário Soares por ter criticado o rumo do Governo e garantiu que, para o PS ser o "partido natural do governo", só tem que explicar que nada mais pode ser feito em matéria de desigualdades por causa da globalização (PÚBLICO, 7/06/08). Numa linha conexa, tem sido ventilada, nas notícias, a possibilidade de uma aliança PS-PSD: agradaria ao Presidente e aos interesses patronais. A campanha de Ferreira Leite, com propostas escassamente diferenciadas do PS, e o seu apagamento político desde então dão credibilidade a esta solução. Os cerrados ataques que muitos dirigentes socialistas moveram a Alegre por tentar estabelecer pontes entre as esquerdas, a contrastar com o que se passa quando há aproximações às direitas (Ana Gomes dixit), reforçam a hipótese de um "bloco central".

Uma grande coligação (PS-PSD) só tem justificação em condições excepcionais (uma guerra, uma grande catástrofe nacional, etc.) que não se verificam. Na Europa, apenas em condições extraordinárias tal acontece. A grande coligação alemã deriva mais da dificuldade do SPD em se coligar (logo) com um partido (Die Linke) liderado por um seu antigo secretário-geral do que das divergências políticas, que são sem dúvida significativas. No futuro, estas tenderão a ser limadas pela propensão ao compromisso: o Die Linke tem já acordos com o SPD (e os Verdes) no estado de Hessen e na cidade de Berlim. Além de contra-natura, um bloco central cristalizaria o movimento do PS para o centro-direita e agravaria a indiferenciação ideológica do sistema partidário (ao centro), já de si muito elevada em termos comparativos. Não concorreria para a clarificação de que os eleitores carecem para puderem fazer escolhas significantes, isto é, entre alternativas.

Outra hipótese é uma maioria de esquerdas: coligação ou acordo de incidência parlamentar. Esta solução nunca foi tentada em Portugal, ao contrário de muitos outros países (Espanha, Itália, França, Alemanha, etc.). Alguns advogam que as distâncias ideológicas entre as esquerdas são demasiado cavadas, nomeadamente em termos de política europeia. Porém, este argumento não resiste a uma pequena análise comparativa. Por exemplo, no seio do próprio PS Francês, houve uma grande divisão em matéria de posicionamento face à Constituição europeia. Mais, não há grandes diferenças entre o "europeísmo crítico" de, por exemplo, o BE e vários dos seus congéneres europeus (Izquierda Unida, Rifondazione Comunista, PCF, Verdes alemães e franceses, etc.), os quais se coligaram com os equivalentes socialistas nos seus respectivos países. Uma notícia recente do PÚBLICO (11/6/08) relatava que foi aprovado pela UE um projecto de directiva que prevê que o horário de trabalho semanal se possa estender até às 65 horas. Tal opção foi descrita como "a Europa dos patrões" (Manuel António Pina, JN, 11/6/08), "o regresso ao século XIX" (PSOE) e a criação de "uma sociedade de escravos" (Dom Januário T. Ferreira, Expresso, 21/6/08). Segundo a notícia, apenas Espanha, Grécia, Hungria, Chipre e Bélgica declararam firme oposição à directiva, no sentido de que não venha a ser aprovada pelo PE. Perante o silêncio do Governo, fica a ideia de que uma boa dose de europeísmo crítico só faria bem ao PS.

O entendimento entre as esquerdas, nomeadamente entre o PS e o BE (por ora, o PCP não parece interessado...), é difícil, mas deve ser tentado, se os eleitores para aí apontarem. Na Visão (12/6/08), José C. de Vasconcelos definiu como condições mínimas para um entendimento a "humildade democrática" e a vontade política: os partidos pequenos deviam compreender que, dada a sua dimensão, não poderiam ser eles a determinar as grandes linhas de força do programa de governo; o PS teria de perceber que teria fazer significativas cedências aos pequenos. No blogue o canhoto, 10/6/08, Paulo Pedroso sugeriu também caminhos nesta direcção. Alegre começou a criar a confiança necessária a um entendimento que, tal como todos os que o apoiaram nas primárias de 2004 (!), tinha antes defendido. Capitalizar com o descontentamento popular é fácil, mais difícil é converter os anseios populares em mudanças políticas. Em 2009, estará em jogo saber se o chamado "bloco central de interesses" pesa mais do que o voto popular. Uma coisa é certa: se as esquerdas à esquerda do PS se reforçarem significativamente, o bloco central ficará muito mais difícil.

André Freire
No:PÚBLICO

 
At 11 de agosto de 2008 às 14:27, Anonymous Anónimo said...

Qual esquerda? O futebol? O dinheirinho? O diz-la tu que eu dou força? Estás fora do jogo, isso da esqueerda já não existe, está em hibernação há espera de acordar com uma cabeça nova.

 

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