segunda-feira, 16 de junho de 2008

ALENTEJO: ASSIM VAI A EDUCAÇÃO...

José Sócrates na Escola Secundária André de Gouveia em Évora: a mais execrável manipulação de jovens a que assisti desde o tempo do fascismo

O meu filho saiu de casa com má cara.

Isto das férias serem adiadas para hoje não o convencem de maneira nenhuma.


A explicação absurda foi recorrente durante todo o fim-de-semana: Por causa do Sócrates (retirei o adjectivo) temos que ir à escola na segunda-feira, isto não cabe na cabeça de ninguém!

Lembro-me de outro tempo.
Nas salas de aula as figuras sinistras de Salazar e Tomás relembravam uma autoridade cinzenta, provinciana, fascista.


Nesse tempo qualquer visita, mesmo a do pároco local, era antecedida de grandes limpezas, ensaios de recepção sempre com o hino nacional a transformar os demónios em deuses.
A pobreza, essa, era camuflada pelas batas que tinham que vir imaculadas e engomadas a preceito.
A distância de 42 anos não apagou a essência dos actos do poder.
Este poder do Partido Socialista, protagonizado por José Sócrates, reencontra muitos elementos em comum com aquele que eu conheci quando tinha a idade do meu filho, num tempo marcado pela guerra colonial, a censura, as perseguições e prisões por delitos de opinião.

O telefone toca, apenas um toque.
Devolvo a chamada e de lá ele dispara: Pai a ministra acabou de ser recebida com um monte de assobios. Nunca tinha visto as televisões na escola, isto está tudo encerado, estão montes de emproadinhos e tias, o Zé Ernesto está ali à porta. Isto não parece a nossa Escola! Os professores estão ali em filinha, uns com cara de enjoados, outros com sorrisos amarelos. Quando o homem chegou houve mais assobios do que com a ministra. É que não estás bem a ver eram tantos assobios que os 3 ou 4 gatos pingados que começaram a bater palmas acabaram porque só se ouvia os assobios. Os assobios vinham dos que estavam atrás das grades mas também de quase todos os alunos. Depois começou a chover bué, bué, até parecia de propósito, os jornalistas fugiram para dentro do bloco C. O Sócrates com um sorrisinho cínico distribuiu apertos de mão, eu recusei!

Perguntei-lhe o que é que faziam na escola, se alguém os mandava para algum sítio.
Disse-me que não, tentaram sentar-se no auditório e uma emproadinha mandou-os levantar dizendo que os lugares eram para os convidados.

Pergunto ao senhor presidente do conselho executivo da Escola André de Gouveia, ao Senhor Director Regional de Educação, à Senhora Ministra da Educação, o que fazem hoje os alunos na escola, quem controla as suas entradas e saídas?
Serão apenas recorte humano para a imagem televisiva de José Sócrates
?

ESTA É A MAIS EXECRÁVEL MANIPULAÇÃO DE JOVENS A QUE ASSISTI DESDE O TEMPO DO FASCISMO!


recebido por e-mail

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5 Comments:

At 16 de junho de 2008 às 21:59, Anonymous F.T. said...

A videovigilância em todo o espaço escolar foi outro dos passos apontados pelo primeiro-ministro como capaz de proporcionar "mais segurança e, portanto, mais liberdade". Portanto? Portanto, a PIDE não faria melhor. Outros tempos, outra tecnologia. E botas em vez de Prada.

 
At 17 de junho de 2008 às 22:22, Anonymous Teresa Soares said...

Interessante é ver como, em Portugal, um Professor que NUNCA FOI AVALIADO chega ao topo da Carreira Docente (Ministra da Educação!) e se põe a disparar contra os profs não avaliados...

Vejamos:
A Drª Maria de Lurdes Rodrigues tirou o antigo 5º (5º! - actual 9º) ano e ingressou no Magistério Primário (naquele tempo eram dois anos de curso).
Deu aulas na Primária até se inscrever no ISCTE (com o 5ºano + 2 anos de Mag. Primário!).
Ao fim de 5 (CINCO) anos de estudos em curso nocturno, sai com um DOUTORAMENTO que lhe permitiu dar aulas (?!) no ISCTE, por acaso onde o sr. Engenheiro fez a pós-graduação (mestrado?) a seguir à 'licenciatura' da UNI.

Digam lá que não lhe deu um certo jeito nunca ser PROFESSORA AVALIADA!
Do outro lado da barricada, também era CONTRA a avaliação dos Professores, não era Drª Maria de Lurdes?
Pelo menos o seu ex-Professor Iturra diz que sim...e ainda nenhum ex-aluno veio aqui para os fóruns gabar-lhe os dotes docentes!
Não teremos mesmo melhor?
Os professores poderão lidar com os alunos como a Srª lida com os professores?
Exigir-lhes tudo ensinando pouco e com tão parco exemplo?

 
At 20 de junho de 2008 às 21:47, Anonymous Q. said...

Ministra sobre exames nacionais. «Houveram»???
“Gostava de lhe dizer que há uns quantos pessimistas de serviço neste país, muito pessimistas. O que acontece é que o país tem que estar sempre mal e os alunos ser sempre maus. Quando os resultados são, por si, maus e houveram??? fragilidades nos conhecimentos e nas competências, aí está a prova de que o país está mal”
MLR, (sic) in entrevista à SIC.

Será que Professora doutora Ministra da educação não sabe que não se diz houveram, mas houve??? Estavam a falar de quê? De exigência? Em português???

Se a virem por aí, deixem-lhe esta dica…
“O Verbo Haver
O verbo haver não tem somente o sentido de existir. Tem também o de ocorrer (caso em que também é impessoal): “Houve três acidentes em Camaçari”; o de obter, conseguir: “Ele espera haver o perdão do filho”; o de considerar, julgar, entender: “O árbitro houve por bem suspender a partida”; o de sair-se, comportar-se: “Ele se houve bem no concurso para juiz”. Pode ainda funcionar como auxiliar, na formação de tempos compostos: “Ela não havia feito o trabalho”.A forma houveram surge quando se emprega haver com qualquer sentido que não seja o de existir, ocorrer ou fazer (na indicação de fatos ligados ao tempo, fenômenos da natureza etc.): “Os sem-terras houveram do juiz a liminar”, / “Os funcionários houveram-se por bem encerrar a greve”, / “Os devedores houveram de me pagar”. Quando tem o sentido de existir, o verbo haver é impessoal, isto é, não tem sujeito e fica sempre na terceira pessoa do singular, em qualquer tempo ou modo. Assim, se dissermos: “Houve muitos festejos em louvar a São João”, houve é a terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo. Note que o correto é: “Houve muitos festejos juninos”. (continua in http://hilltop.my1blog.com/o-verbo-haver/ )

 
At 22 de junho de 2008 às 21:31, Anonymous M. said...

Máquina propagandística

É com profunda tristeza que assisto à máquina propagandística do PS aplicada ao Sistema Educativo. A última tem a ver com a vinda dos Ilustríssimos 1º Ministro e Ministra da Educação à ES André de Gouveia (Évora): o docente que apareceu no desenvolvimento da notícia não exerce naquela Escola. Parece que se ofereceu, via partidária, para fazer parte da encenação. E parece também que, pasme-se, teve uma semana de dispensa da Escola onde na verdade exerce funções para preparar a apresentação da aula de 'micro-ensino', com quadro interactivo e parafernálias afins do glosado Plano Tecnológico, com alunos que de seus não tinham nada.

Soube também que o Presidente do Órgão de Gestão da Escola se preparava para oferecer um porto de honra, como habitualmente sucede nestas ocasiões. Terá sido informado que, a querer fazê-lo, teria de contactar a empresa que fornece este tipo de eventos ao Sr. Primeiro-Ministro. Parece que não a contactou.

Em que país estamos nós?
Numa pseudo-democracia africana?
E o 25 de Abril foi para quê?

 
At 11 de agosto de 2008 às 14:33, Anonymous Anónimo said...

Os professores PRECISAM DE SER AVALIADOS, há alguns/mas que parecem a minha bisavó, estão incapazes de ensinar o que seja. Precisam de reforma urgentemente. Ainda por cima têm a mania do poder e o desastre é total. A avaliação é para bem dos alunos e dos professores não é uma caça às bruxas. NÃO TENHAM MEDO,NINGUÉM FAZ MAL A NINGUÉM.

 

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