segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A FALTA DE MEMÓRIA OU DE ....?

Milhares de militantes socialistas romperam em aplausos quando, no sábado, em Guimarães, Sócrates garantiu que não permitirá que o valor das pensões dos portugueses seja jogado na bolsa e entregue aos caprichos dos mercados financeiros, como quer o PSD.

Até eu, que não sou militante socialista, aplaudi.
Mas, porque sou um tipo céptico, lembrei-me de ir verificar onde é que, afinal, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) aplica o dinheiro da minha reforma.

E o que descobri no sítio da Segurança Social (http://www1. seg-social.pt/inst.asp? 05.11.05) assustou-me.


Saberá Sócrates que 20,67% das reservas do FEFSS (mais de 1 562 milhões de euros) se encontram aplicados em acções e entregues aos caprichos dos mercados financeiros e ao jogo da bolsa?
E lembrar-se-á que o seu secretário de Estado da Segurança Social anunciou no ano passado que iria confiar outros 600 milhões à gestão privada?

Só espero que os não tenha confiado ao BCP e ao seu prudentíssimo fundo Millennium Prudente, porque, se assim foi, parte deles acabou prudentemente na Lehman Brothers e já era


M.A.P.

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3 Comments:

At 22 de setembro de 2008 às 19:59, Anonymous C.L. said...

José Sócrates é o menos socialista de todos os primeiros-ministros socialistas que o país já teve. A um político assim exige-se registo sóbrio. Mesmo em campanha eleitoral. Não foi o que se passou este fim-de-semana. Embalado num discurso eleitoralista, sobre a reforma da Segurança Social, Sócrates entusiasmou-se.

E, pegando nas propostas do PSD para aquela área, zurziu nos mercados de capitais (que erradamente limitou à "Bolsa"), acusando-as de, se aplicadas, sujeitarem as poupanças dos portugueses ao "jogo da Bolsa".

Para o caso pouco importa o que diz, verdadeiramente, a proposta do PSD. Interessa questionar a falta de tacto do primeiro-ministro, que não hesitou em qualificar a Bolsa como um "jogo". Ou seja, Sócrates olha para a Bolsa como uma coutada de gananciosos, à procura do lucro fácil. Não lhe passa pela cabeça que a Bolsa deve ser mais um instrumento de financiamento das empresas, poupando-as aos "humores" do mercado das taxas de juro? E não lhe ocorre que não há economias de mercado sem mercados de capitais? Ou a necessidade de encostar o PSD às cordas (e calar a ala esquerda do seu partido) vale tudo?

Sócrates pôs-se a jeito. Da próxima vez que tomar uma medida que envolva o mercado de capitais (basta uma privatização), não se livrará daqueles que lhe vão cobrar o "jogo da Bolsa". Louçã e Jerónimo de Sousa já devem estar a esfregar as mãos.

 
At 22 de setembro de 2008 às 20:01, Anonymous H.N. said...

O dr. César iniciou em Guimarães a campanha eleitoral, falando para dez mil vindos em centenas de camionetas de todos os pontos do… continente!

César pensou que estava na Ribeira Grande e usou uma cassete estafada em que já nem os açorianos acreditam. É que, fazer chantagem sobre quem acreditou no PS e hoje percebe bem o logro em que caiu é uma táctica eleitoral antiga cada vez mais votada ao fracasso.

Nenhum socialista ou eleitor socialista que sofra ou tenha sofrido na carne as consequências de políticas de direita executadas em nome da Esquerda aceita ter de escolher entre a cadeira eléctrica ou atirar-se ao mar do cimo de uma falésia açoriana. Os portugueses que trabalham, os que estão desempregados, os reformados com pensões indignas, os que vivem entre o recibo verde e o centro de emprego não querem falsas alternativas nem ter que optar entre duas faces da mesma moeda política.

Depois de quatro anos a executar o programa do PSD, o discurso da Esquerda que o PS começa agora a ensaiar e a eterna chantagem da cassete das falsas alternativas (entre nós, o PS, e o inferno, a Direita política), revela a insegurança reinante e mostra a patética falência de ideias que nem as novas fronteiras são capazes de colmatar.

Basta invocar o Dr. Van Zeller, presidente da Confederação Patronal, para desmontar em segundos as mil vezes em que César e Sócrates vão tentar dar um arzinho de esquerda. Quando Van Zeller diz que o Código de Trabalho de Vieira da Silva é melhor (para a CIP, claro) que a versão Bagão Félix, e quando ele diz que a Direita não faria melhor, está a traduzir a realidade política dos últimos quatro anos: a CIP e os grandes interesses económicos e financeiros em Portugal optam pelo PS, preferem um Governo Sócrates a um de Ferreira Leite. Pela parte que me toca, nem um nem outro, há outras alternativas possíveis, assim as queiram construir todos os que têm sido enganados por essas falsas opções.

 
At 22 de setembro de 2008 às 20:04, Anonymous Anónimo said...

Dizem que o PS escolheu como slogan eleitoral para 2009 esta frase putativamente inspiradora: "Força da Mudança". E que, um filme de propaganda, já em exibição, apresenta 15 "marcas de modernidade", que o eng. Sócrates, na sua solicitude, "imprimiu no país". Nada impede o eng. Sócrates de viver no mundo da sua fantasia ou de admirar, com vaidade humana, o que ele supõe ser a sua grandiosa obra. Mas, para quem não partilha o fervor pessoal do primeiro-ministro, é difícil encontrar essas 15 "marcas de modernidade" de que ele tanto se orgulha. Examinando a minha vida com paciência e método só dei por três, que desgraçadamente não eram novas. Primeiro, ganho menos do que ganhava e vou ganhar ainda menos do que ganho. Segundo, pago ao fisco muito mais do que pagava antes. E, terceiro, a minha futura (e presuntiva) pensão diminuiu.

Claro que tudo depende do ponto de vista. As "marcas" que o eng. Sócrates me deixou, a mim e a milhões de portugueses, são para ele provas da gloriosa coragem que o levou à redução do défice e à reforma da segurança social. Como o fracasso da economia é com certeza para ele um enorme azar e para mim um enorme sarilho. Ou como a concentração do poder policial num funcionário dependente do primeiro-ministro é para ele necessariamente um alívio e para mim necessariamente uma inquietação. Não admira que, do meu pequeno canto, me sinta num Portugal mais triste, mais pobre e, principalmente, sem saída e o eng. Sócrates ande por aí a gozar a mudança, a riqueza e a força de um país que não existe fora da sua inventiva cabeça.

Sucede o mesmo com a terrível história da "modernidade". O eng. Sócrates não se cansa de admirar o Simplex, o Inglês no 1.º ciclo, o cartão 4 em 1 (ou lá o que é) do admirável dr. Costa e outras maravilhas do século, incluindo, claro, o computador "Magalhães". Confesso que nenhuma delas me entrou até agora em casa. Cartas sobre cartas do Ministério das Finanças, sim; o resto não. Apesar de muito espalhafato, não se mexeu a sério no Estado. A educação, subordinada a uma filosofia absurda e obsoleta, regrediu. A saúde está como está, a caminho de um sistema universal, sem meios, nem dinheiro. Onde param no meio disto as "15 marcas de modernidade" do eng. Sócrates? Procurei e não encontrei e, a julgar pela cara das pessoas com quem falo, também elas não encontraram.

Vasco Pulido Valente
in:Público

 

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