quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

POR AQUI É IGUAL...

Hoje, durante o debate quinzenal no Parlamento, o líder parlamentar do PSD questionou o primeiro-ministro enquanto autoridade máxima e responsável directo pelos serviços de informações sobre notícias de que estes estariam a fazer vigilância sobre magistrados em pleno processo de investigação criminal. Trata-se de uma matéria gravíssima para o Estado de direito, considerou Paulo Rangel, que colocou a seguinte questão:

Está em condições de garantir ao Parlamento que não há qualquer interferência nem qualquer condicionamento dos serviços de informações sobre investigações criminais em curso?.

A questão exigiria uma resposta de sim ou de não, mas não se ouviu nem sim, nem não.

E foi rematada num estilo sobejamente conhecido, com recurso à técnica habitual de classificar as perguntas como insultos para não as responder.

Ler no Público.


F.T.

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2 Comments:

At 11 de fevereiro de 2009 às 21:29, Anonymous R.V. said...

Sócrates não responde às perguntas que lhe são feitas. Pelo contrário, acusa de usar truques e tácticas quem lhas coloca.

Eu, como eleitor, não tenho a menor hipótese de obter uma resposta do primeiro-ministro. Para isso tenho deputados. Apesar de nem um responder perante mim! É que são deputados da nação. Certo... Os deputados da nação "não têm" obrigação de responder perante os eleitores e o primeiro-ministro "não tem" obrigação de responder aos deputados. Em que parte deste esquema se procuram os interesses dos portugueses?

Ah!, sim, temos eleições. No entanto, as listas partidárias são formadas pelos partidos e os deputados eleitos saem destas listas. O governo é constituído por ministros que nem precisam de ter sido eleitos, já que o presidente da república convida o partido ganhador a formar governo. Eu não elejo deputados. Voto em listas partidárias.

Portanto, que hipóteses terei eu de ver os meus interesses representados por um governo democraticamente eleito? Poucas. Por um lado, o programa eleitoral fica na gaveta conforme as conveniências da governação, quando até não é completamente alterado. O último caso flagrante foi a promessa de não aumentar impostos e fazê-lo poucos meses depois da eleição.Por outro lado, os partidos impõem disciplina de voto, deixando os deputados de ser da Nação para pertencerem ao partido. Acresce que eu não tenho voto na escolha dos ministros, cuja actuação tem enorme impacto na minha vida.

A única altura em que os políticos se lembram de mim é quando me vêm pedir o voto. Afinal, são os portugueses que estão de costas voltadas para a política ou são os políticos que se estão borrifando para os portugueses?

 
At 11 de fevereiro de 2009 às 22:36, Anonymous J.G. said...

O primeiro-ministro não pode, a pretexto de tudo e do seu nada, falar em "insultos" quando é criticado ou questionado sobre coisas concretas.
Por exemplo, sendo ele, naquela qualidade, o responsável político máximo pelos sistemas de informações da República, não pode invocar "insultos" de carácter pessoal terem-lhe perguntado qualquer coisa sobre o funcionamento daqueles serviços. No dia em que um político começa a relevar tudo o que se lhe diga com se fosse um ataque pessoal, é mau sinal.
É claro que Sócrates não é propriamente um "modelo" de democrata em lugar nenhum do mundo.
Não convém é abusar da sorte.

 

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