terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

NÃO HÁ MACHADO QUE CORTE A RAIZ AO PENSAMENTO...[parte III]

MAOMÉ, SÓCRATES, PINTO E

NÓS


Que têm em comum José Sócrates e Taveira Pinto, o actual primeiro-ministro de Portugal e o actual presidente da Câmara de Ponte de Sôr, para além de deterem ambos o cartão de militante socialista?
A pergunta já me tinha ocorrido há tempos e já me ocorriam, subliminarmente, intuições larvares.
No entanto, só após as incríveis declarações, deste fim-de-semana, de José Sócrates, sobre as caricaturas de Maomé, considerando "que o uso gratuito e irrestrito da liberdade de Imprensa pode conduzir à lei do mais forte" e que "nas sociedades democráticas a Imprensa deve ser responsável e respeitar a dignidade do próximo", me ocorreu que aquilo que o une a Taveira Pinto é bem mais que uma ligação administrativa, mas antes essa coisa tão óbvia que quase nos cega, que é a de serem, ambos, de modo mais elaborado (no caso de Sócrates) ou mais grosseiro (no caso do Pinto), casos de sucesso nos respectivos níveis de aparelhismo partidário, geridos por uma lógica crescentemente sectária, iliberal e cínica.
O sectarismo dos aparelhos partidários é algo definível com simplicidade e detém-se num egocentrismo organizacional e pessoal patológicos, a que faz todo o sentido chamar autismo; o iliberalismo corresponde, pelo seu lado, à definição dos interesses públicos relativamente aos interesses do Estado, das cliques partidariamente dominantes e à desconfiança relativamente à liberdade individual e cívica; enquanto o cinismo tem a ver com a hipocrisia e o impudor perante quaisquer valores.

José Sócrates acha que a Liberdade Ocidental se deve limitar, obsequiosamente, perante os dogmas religiosos, em nome de um pretenso respeito pelos sentimentos religiosos, mesmo quando esses dogmas inspiram, com beneplácito e incentivo das autoridades religiosas respectivas e uma cultura de massas criminosa (como era o caso da cultura anti-semita da Alemanha dos anos 30 e 40), o terrorismo, o assassínio e a barbárie.
José Sócrates acha ainda, mais prosaicamente, que a liberdade de expressão deve ser respeitosa, restrita e pagar tributo (no que, aliás, foi vergonhosamente seguido por várias autoridades católicas nacionais e pelo próprio Vaticano), no que, como escreveu com a sua lucidez habitual, ontem, Vasco Pulido Valente, no Público, corresponde, nada mais, nada menos, que à mesma concepção de Liberdade de Salazar, Caetano e os seus algozes.

Por sua vez, Taveira Pinto, calado, como, apesar de tudo, é normal, sobre estes assuntos de macropolítica, também acha que faz sentido processar Joaquim Lizardo por este, supostamente, denunciado ilegalidades por ele cometidas na gestão da água que é fornecida aos habitantes do concelho, os líderes da Oposição Local por lhe terem feito oposição, visando a intimidade das pessoas e famílias do seu município, atinge o cerne da vida e da liberdade individuais.

As declarações de José Sócrates são, claro, mais graves, do ponto de vista da cultura política e da própria identidade democrática ocidental, que os iníquos processos de Taveira Pinto.
Ainda assim, só o são por causa da sua maior exposição comunicacional e, por isso, da sua maior irradiação sobre os espíritos.
No entanto, ambas as atitudes irradiam de uma mesma cultura política e eticamente cobarde, que decidiu render-se, e ao essencial da identidade democrática e liberal ocidentais, não ao relativismo, como dizem alguns, mas, exactamente ao contrário, ao dogmatismo, ao autoritarismo e ao medo do indivíduo e daquela sua centelha de divino (que refulge no seu mais íntimo) pela qual se faz da sua palavra e da sua identidade o mais valioso, mesmo que, assumamo-lo, à custa da paz dos títeres e dos algozes.
Não valerá, ainda, a pena discutir o argumento da relatividade, em democracia, de todos os valores, e também da liberdade individual (esquecendo-se, claro, os que invocam esta relatividade, o da relatividade dos sentimentos e crenças religiosos e outros sentimentos e outras crenças).

A resposta a quem quer transformar a relatividade da liberdade em circunscrição da liberdade é simples e corresponde à máxima liberal segundo a qual "mais vale um criminoso solto que um inocente preso", e que é essa máxima que obriga, de modo moralmente não opcional, a optar pela liberdade livre em vez de pela liberdade domesticada pela força da autoridade, seja ela qual seja.

A ligação que quero fazer, afinal, entre José Sócrates e Taveira Pinto, é que ambos, unos na dualidade do cosmopolitismo governamental e do caciquismo municipal, simbolizam a vergonha e o próbrio da derrota e da rendição anunciadas daquilo que faz da civilização ocidental, digamo-lo sem vergonha, uma civilização superior relativamente ao islamismo dos imãs e dos fundamentalistas, ostensivos ou envergonhados; o que a sua unidade e rendição quer significar é, simplesmente, a derrota anunciada da liberdade livre, sem a qual, porém, nada, mas mesmo nada, vale a pena.



Pedro Manuel

19 Comments:

At 7 de fevereiro de 2006 às 13:16, Anonymous L .L. said...

Não comparem o Sócrates com o Taveira Pinto, nem confundam este autarca com o Partido Socialista.

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 14:10, Anonymous O ANARCA said...

A merda é toda a mesma, neste caso até as moscas!!!

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 15:41, Anonymous Sofia Carvalho said...

Oh I.I.
O(a) menino(a) não está a ver bem?
Ambos são do PS;
Ambos apoiaram o Mário Soares;
Ambos são capazes de "vender a mãe ao profeta" para atingir os seus objectivos;
Ambos são arrogantes;
Ambos são mentirosos;
Enfim ambos são do PS, que temos...

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 19:13, Anonymous Anónimo said...

Óh meninos da JSD e do JCP. Vão mas é mamar na 5ª pata do cavalo do D. José E deêm umas garrafinhas de leite ao quinzinho e ao zézinho...

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 19:34, Anonymous Anónimo said...

Olá Pessoal!
Afinal o que fazem 10 inspectores da policia judiciária que esta manhã se apresentaram na Câmara Municipal de Ponte de Sor, e estão a interrogar antigos e presentes funcionários.Parece que é agora que a coisa vai dar para o torto.
Venham os apaniguados do Pinto agora também desmentir esta noticia.
ZÉ DA PONTE! INESTIGA
Queremos saber

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 19:35, Anonymous Anónimo said...

pos anterior digo "investiga"

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 22:40, Anonymous C.M.Silva said...

O unico que merece ser tratado por diminutivo é o menino Joãozinho pintinho e amigos que se divertem a fazer chamadas para numeros "eróticos" e depois faz comunicados a dizer que foi só um funcionário. No tribunal estão lá todas as facturas e não foi só uma como o mentiroso dizia.

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 11:13, Anonymous Anónimo said...

Vocês metem dó!!! Como é que todos vocês se sentem ao pé do Taveira Pinto?! Imagino. Devem-se sentir a altura dos joelhos dele como cães que só sabem ladrar e não se sabe muito bem porquê.

Digo isto porque agora não vi nenhuma razão lógica para este post e para os respectivos comentários, não menos badalhocos, de comunas ainda mais ranhosos. Não estou a ver ligação coerente entre o Pinto e os comentários do Sócrates. Até poderiam falar sobre o que disse o Freitas do Amaral e Sócrates sobre a "bronca" das caricaturas. Mas mesmo assim não vejo a necessidade desta ligação com o Taveira Pinto.

Porque será?!
Ninguém vos ouve?!
Só assim é que conseguem divertir o pessoal?

Realmente parece mesmo ser a única forma deste blog se mexer um bocadinho. Fico sempre ansioso para ver os comentários posteriores aos que vos criticam. São engraçados e ao nível da palhaçada que vocês representam.
E há quanto tempo é que estou a ouvir que vieram cá os senhores da PJ, que o Pinto é corrupto e que existem não sei quantas averiguações contra ele, e que ele rouba e faz isto e faz o outro? Não tenho acesso a essa informação ao contrário da secreta comunista da Ponte de Sor que está ao nível das melhores do mundo. Descobrem tudo!!! Autênticos Poirotes cá da terra.
Mas se assim é, porque é que o Pinto ainda não foi encanado? Pois as únicas canas que aqui existem são as que o Pinto vos enfia cu acima cada vez que ganha as eleições.

E é isso que vos dói realmente...são ásperas!!.

Cuidem-se sua cambada de bostas... porque o que vocês fazem não é nada. Não se pode considerar oposição política, não se pode considerar descontentamento, não se pode considerar como meio interlocutor dos pontessorenses e das suas necessidades de esclarecimento, verdade e transparecia relativamente a toda a política e justiça que se pratica na nossa terra.

Vá lá...fico a espera desses comentários. lol

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 13:06, Anonymous Pedro Manuel said...

Tu meu cobarde é que metes dó, tu és um dos apaniguados?

Podia aquí utilizar os teus "refinados termos" para referir a ti e à tua "cambada".

Quanto ao que aquí é publicado pelo Zé da Ponte e pela equipa que faz este blogue até hoje os visados não foram capazes de desmentir uma linha, porque será?

Tu e a tua "cambada" e os apaniguados do secretariado do núcleo do Partido Socialista de Ponte de Sôr, não lhe reconheço autoridade moral, ética e política para invocar seja o que for (pura e simplesmente nunca a tiveram) nem sabem o que é.

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 13:09, Blogger O PONTESSORENSE said...

COITADOS DESTES «XUXALISTAS», COMEÇAM A FICAR EM PANICO, CADA DIA QUE PASSA A VERDADE VAI DOENDO CADA VEZ MAIS.
MAS A VERDADE É COMO O AZEITE... VEM SEMPRE AO CIMO...

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 13:33, Anonymous Anónimo said...

Ele e a porcaria do azeite! lol. Não sei quem é que aqui está em pânico. Cambada de dementes é o que vocês são!!!! Obvio que os visados nunca iriam desmentir o que vocês dizem porque não precisam de o fazer. Aposto que quando o Pinto vê isto, se é que já viu alguma vez, deve-se partir a rir. Embora ninguém vos censure, e ainda bem, vocês falam dentro de um copo sem ar onde a voz e o bafio a podre comunista não se propaga. O Sr. Pedro Manuel não tem de reconhecer nem deixar de reconhecer coisíssima nenhuma. Não sei qual é a posição do secretariado do PS da nossa terra, não sei quem eles são, nem quero saber o que eles pensam, só sei que o que escrevo é a titulo pessoal, até porque não sou socialista.
Vá lá não se cansem, não se enervem!!! Mas tenham vergonha!!

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 14:04, Anonymous João Carlos Andrade said...

Oh minha grande ..., podes ficar descansado que o animal lê e até leva os artigos para as sessões de câmara.
Basta ver as actas.
Abre os olhos!

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 14:30, Anonymous Anónimo said...

e levou a vossa imundice só as sessões de câmara?!

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 14:55, Anonymous Anónimo said...

É como tu, que cás vens...

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 14:56, Anonymous Anónimo said...

HINO DEDICADO AOS BUGALHEIRAS E APANIGUADOS ILUSTRES MEMBROS DESTA ORGANIZAÇÃO:

Somos pequenos lusitos
Mas já firmes e leais
Amamos e respeitamos
Nossos chefes, nossos pais.

Temos pela Pátria amor
E esperança no porvir
Desejamos já ser grandes
Pró nosso dever cumprir.

Cabeça erguida, sereno olhar
Seguir em frente, marchar, marchar!

E se algum dia preciso for
Ir combater pela Nação
Iremos com a Fé em Deus
E a Pátria no coração!

Cabeça erguida, sereno olhar
Seguir em frente, marchar, marchar!

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 15:06, Anonymous Anónimo said...

HINO DEDICADO AOS BUGALHEIRAS E APANIGUADOS ILUSTRES MEMBROS DESTA ORGANIZAÇÃO:

Cale-se a voz que, turbada,
Já de si mesma se espanta;
Cesse dos ventos a insânia;
Ante a clara madrugada,
Em nossas almas nascida:
E, por nós, oh Lusitânia,
-Corpo de Amor, terra santa
Pátria! serás celebrada;
E por nós serás erguida,
Erguida ao alto da Vida l

- Náu de Epopeia, a varar,
Ao longe, na práia absorta,
De novo, faze-te ao Mar!
Acesa de ébria alegria,
Soberba de Galhardia,
De novo, faze-te ao Mar,
Que o teu rumo é o verdadeiro!
Se a Morte espreita, - que importa?
«Morrer é partir primeiro»,
Como Camões anuncia !

Querer é a nossa divisa;
Querer, - palavra que vem
Das mais profundas raizes:
Deslumbra a sombra indecisa,
Transcende as nuvens de além
Querer, - palavra da Graça,
Grito das almas felizes!

Querer! Querer! E lá vamos!
- Tronco em flor, estende os ramos
À Mocidade que passa!

Lá vamos, cantando e rindo,
Levados, levados, sim,
Pela voz de som tremendo
Das tubas,- clangor sem fim . . .
Lá vamos, (que o sonho é lindo!)
Tôrres e tôrres erguendo,
Rasgões, clareiras abrindo!

-Alva da Luz imortal,
Roxas névoas despedaça,
Doira o céu de Portugal!

Querer! Querer! E lá vamos!
- Tronco em flor, estende os ramos
À Mocidade que passa!

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 18:00, Anonymous Manuela de Freitas said...

Há por aqui gente que não conhece a realidade, do concelho, nem as pessoas que nele vivem.
Felizmente há alguns que já abriram os olhos e ouvem o que as suas gentes falam e comentam sobre os negócios pouco claros daqueles que estão na gestão da causa municipal.
Aos poucos vão-se conhecendo melhor as peças...

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 17:19, Anonymous UM MEMBRO DA L.U.A.R said...

Peço desculpa por ser um radical:

Mas para resolver o "estado a que isto chegou" só é possíbvel agarar muma G3 e começar a limpar o sebo aos corruptos.

Tenho dito.

 
At 13 de fevereiro de 2006 às 08:57, Anonymous Anónimo said...

Sócrates é um homem com sorte. A política financeira, a que o país já se tinha resignado, que a direita apoiou e que os peritos maciçamente aprovaram, não provocou protestos de maior. A derrota nas locais foi escondida pela campanha para as presidenciais. Mesmo a derrota Soares, que em princípio o poderia abalar, acabou por ser vista como uma derrota pessoal de Soares perante Alegre e não como a derrota do candidato do PS perante Cavaco. Na imprensa e na televisão, pouca gente se interessou pelo papel de Sócrates no episódio e quase toda a gente correu atrás de Alegre, para ver (inutilmente) se daquela cabeça saía alguma ideia. Quando esse arraial esmoreceu, veio por milagre o caso das caricaturas, que afastou outra vez Sócrates para a obscuridade. E, no fim, até a OPA do eng. Belmiro ajudou. Há meses que o Governo governa clandestinamente. Sempre fora do "ciclo de notícias", parece invisível.

Claro que houve uma ou outra ameaça a este sossego ou, se quiserem, a este privilégio. Desde logo, o próprio Alegre. Mas, como era de esperar, o tal "movimento cívico" do "milhão" morreu no acto de nascer e hoje, menos de um mês depois daquela inexplicável euforia, só resta uma dúzia de nostálgicos, que anda por aí a gemer nos jornais. Também a ministra da Cultura conseguiu pôr em pé de guerra a "inteligência" indígena, mas muito manifestamente passou o tempo em que a Cultura (com maiúscula) comovia alguém e a coisa lá se esvaiu sem sobressaltos. Verdade que Freitas, com o seu zelo e sua inépcia, perturbou a tranquilidade geral, mas de certa maneira até convém que ele se ofereça à guilhotina da próxima remodelação.

No meio desta vida encantada, Sócrates sabe o que faz. Fala pouco e prefere a "política do gesto". O "gesto" não toca na substância, não afecta imediatamente nenhum interesse e subentende um grande futuro. A história deste Governo é a história de uma sucessão de "gestos". Primeiro, o "gesto" da Ota e do TGV. E, a seguir, o "gesto" do investimento imaginário, de Bill Gates, do MIT, do plano tecnológico, da simplificação burocrática e por aí fora. Nada de palpável. Nada (excepto em parte a Ota) que alimente a oposição e a salve da frivolidade, em que Marques Mendes, por exemplo, dia a dia se afunda. Para compensar o país real (no sentido estrito da palavra), Sócrates cria uma espécie de país fictício, que está ali, jura ele, ao virar da esquina. Não está. Felizmente para ele, de Setembro para cá, a balbúrdia não deixou ver que não estava.

Vasco Pulido Valente
In: PÚBLICO

 

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