terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

NÃO HÁ MACHADO QUE CORTE A RAIZ AO PENSAMENTO...[parte II]

25 Comments:

At 7 de fevereiro de 2006 às 11:01, Anonymous Sofia Carvalho said...

Estes fundamentalistas são iguais ao Taveira Pinto:
- "Quem é contra mim é comuna"

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 11:09, Anonymous Z. T. said...

Os líderes religiosos do Islão são conservadores, intolerantes, fundamentalistas, reaccionários...( não me lembro de mais nenhum adjectivo)? SÃO!
- Para quem defende os valores da liberdade de expressão e pensamento, a plena igualdade de direitos independentemente dos sexos, os regimes dos Ayatollahs devem ser rejeitados e condenados vivamente? DEVEM!
Mas...
Pois é aqui que está o cerne da questão:
Entre nós, ocidentais, a nossa cultura e os nossos valores permitem-nos esse tipo de comportamentos e achamos muito natural e normal que tal possa suceder, logo, mais cartoon menos cartoon, mais texto menos texto não choca em nada os nossos princípios. Estou farto de fazer caricaturas (montagens)(ainda aí no postal de baixo fiz uma: o Presidente da República e o Primeiro Ministro no corpo de dois galináceos) e ninguém de Belém ou S. Bento me veio incendiar a casota.
Agora...
Eu tenho igualmente que aceitar que há gente que não pensa de igual forma e que a simples caricatura de um símbolo em seu entender incaricaturável constitui uma afronta.
Eu, como homem que preserva os valores da liberdade DE TODOS OS HOMENS DO MUNDO, tenho obrigatoriamente que respeitar esse pensamento, independentemente de não concordar ( e não concordo) com ele. Mais: Porque me julgo mais tolerante e mais igual, terei até uma maior responsabilidade em não ferir desta forma a sensibilidade e ou a cultura de cada um.

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 11:11, Anonymous G. said...

"- Os líderes religiosos do Islão são conservadores, intolerantes, fundamentalistas, reaccionários...( não me lembro de mais nenhum adjectivo)? SÃO!
- Para quem defende os valores da liberdade de expressão e pensamento, a plena igualdade de direitos independentemente dos sexos, os regimes dos Ayatollahs devem ser rejeitados e condenados vivamente? DEVEM!"

Não concordo, nem são:
- No Alcorão há somente três referências a Maomé, o que pressupõe um conhecimento físico do mesmo.

O que é proibido no Islão é a essa representação porque se estaria a representar Deus.
Isto no mundo islão, não no mundo ocidental.

Ora bem, sempre que alguém prevarica contra a liberdade religiosa de alguém, nas socviedades ocidentais recorre-se aos tribunais; essa seria e é a única forma das comunidades islâmicas se defenderem de possíveis excessos de liberdade de expressão; assim como eu se eu por ex. aqui o ofendesse.

Agora, não devemos estar dependentes de minorias para nos ditarem aquilo que devemos ou não escrever ou pintar. se alguém se sente lesado com aquilo que eu escrevo, é simples, recorre ao tribunal, não à violência física.

Esta é a visão moderada de cristãos e de muçulmanos que perdura desde a II Guerra Mundial.
O que vemos, infelizmente, é o extremismo, que é excepção.

Esperemos que o pragmatismo e as posições moderadas prevaleçam, como sempre.

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 11:12, Anonymous João N. said...

Eu acrescento:

Os ocidentais com a sua liberdade de pensameto arremessam-lhe as caricaturas, eles com o seu fanatismo arressam-nos as suas bombas.
E depois?
Entretanto o petróleo vai aumentando, os senhores do armamento e da guerra vão esfregando as mãos como muito bem dizes, e os peseudo-inteligentes ocidentais pagam com língua de palmo.

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 11:18, Anonymous Anónimo said...

As doze caricaturas de Maomé, publicadas num jornal local dinamarquês e replicadas numa revoada de periódicos do mundo ocidental, são uma provocação. E em nome da condenação justa, nos termos mais enérgicos, da violência que elas desataram, os exegetas da liberdade de expressão minimizam o que aqui foi posto em causa o respeito por um outro culto, por uma outra cultura.

Faz parte da vida em liberdade, que nos é tão cara, conviver com o outro, com aquele que, discordando das nossas ideias, espera receber o respeito na mesma medida que lhe é exigido. E quanto mais se distanciam as mundividências, mais a regra do respeito tem de prevalecer. Ora esta Europa pós-religiosa acolhe milhões de muçulmanos como imigrantes, aceita admitir no seu seio um país laico de população maioritariamente islâmica, como a Turquia, depende do precioso ouro negro arrancado às terras em que o Profeta foi tocado pela sua revelação divina. Esta Europa quer conter a proliferação nuclear para que o poder dos mullahs no Irão, que se compraz com tiradas belicistas, não potencie as ameaças dos terroristas. Mas acha coisa de somenos colocar uma bomba no turbante de Maomé. Ora esta ideia é a que os fanáticos do novo Califado querem instilar nas mentes de mil milhões de crentes a de que a via do terror indiscriminado é a via do Profeta, para pôr de joelhos um Ocidente prepotente, apóstata e escarninho e alcançar o triunfo universal do Islão militante.

Para evitar um confronto de civilizações é preciso promover o diálogo e não o desprezo pelo outro. As caricaturas em causa vão passar a fazer parte, seguramente, das cartilhas escolares nas madrassas que pregam a Jihad, de Marraquexe a Islamabade. Em defesa dos nossos valores mais preciosos, a primeira coisa que nos compete fazer, agora, sem ambiguidades, é repudiar o acto provocatório de uns insensatos, algures no reino da Dinamarca.

António Perez Metelo
No D.N. de Hoje

 
At 7 de fevereiro de 2006 às 18:06, Anonymous Fernando Sobral said...

Um «cartoon» pode ser uma bomba-relógio. E um conjunto deles, publicados nos idos de Setembro, podem deflagrar em Fevereiro. Como se estivéssemos na Idade Média e as notícias só chegassem meses depois. Na época da Internet estamos a voltar à idade das trevas.
Divididos pelo Mediterrâneo, dois mundos chocam. E o problema é que durante séculos conviveram, até que o Ocidente abriu as portas dos oceanos e o mundo árabe se refugiou no seu universo sagrado. Falamos mas já não nos entendemos. Os países árabes regressaram à religião como cimento unificador. O Ocidente acredita na economia como passaporte para a liberdade. E todos querem errar na sua análise do que se passa do outro lado da barricada. A democracia, para o Ocidente, é aceitar um governo no Afeganistão com senhores da guerra e traficantes de droga e rejeitar os terroristas eleitos do Hamas. Para o Islão radical tudo o que seja Ocidente é para destruir. Como se congemina nas cidades de Paris ou Londres. Escusamos de nos iludir: neste momento os radicalismos de cada lado comem os restos uns dos outros. Esse alimento não terminará com um diálogo de surdos. A única linguagem franca entre o Ocidente e o Islão dá pelo nome de petróleo. Esse dilema alimentará a interminável guerra do século XXI.

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 09:28, Blogger O PONTESSORENSE said...

EIS UMA PEÇA QUE VAI FICAR COMO O COMUNICADO MAIS "PARVO" DE UM GOVERNO SOCIALISTA DA NOSSA JOVEM DEMOCRACIA.
FOI ESTA A PERSONAGEM QUE HÁ UNS TEMPOS TEVE AS ATITUDES QUE TEVE:

«Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos.

A liberdade de expressão, como aliás todas as liberdades, tem como principal limite o dever de respeitar as liberdades e direitos dos outros. Entre essas outras liberdades e direitos a respeitar está, manifestamente, a liberdade religiosa – que compreende o direito de ter ou não ter religião e, tendo religião, o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa.

Para os católicos esses símbolos são as figuras de Cristo e da sua Mãe, a Virgem Maria. Para os muçulmanos um dos principais símbolos é a figura do Profeta Maomé. Todos os que professam essas religiões têm direito a que tais símbolos e figuras sejam respeitados.

A liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade. O que se passou recentemente nesta matéria em alguns países europeus é lamentável porque incita a uma inaceitável “guerra de religiões” – ainda por cima sabendo-se que as três religiões monoteístas (cristã, muçulmana e hebraica) descendem todas do mesmo profeta, Abraão.

Diogo Freitas do Amaral, Professor Doutor
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros»

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 09:35, Anonymous Anónimo said...

Caricaturas de Maomé e caricatura da democracia


Não é por acaso que só três meses depois de terem sido publicadas, pela primeira vez, num jornal dinamarquês, as caricaturas de Maomé inspiraram um movimento avassalador de fúria fundamentalista em muitos países, designadamente na Europa. É que, entretanto, foi-se desenvolvendo o confronto entre o Irão e o Ocidente por causa da "bomba islâmica" e que outra bomba rebentou o triunfo esmagador do Hamas na Palestina. Os discursos incendiários do Presidente iraniano, negando o Holocausto e apelando à destruição de Israel, foram sublinhados nas urnas de Gaza e da Cisjordânia, onde o partido vencedor mantém o objectivo de erradicar do mapa o Estado hebraico. Já a Síria acolheu algumas das manifestações mais veementes contra a "blasfémia", exactamente quando se apertava o cerco internacional ao regime de Damasco, acusado de patrocinar assassinatos políticos no antigo "protectorado" libanês. Ora, foi precisamente no Líbano - que ainda há poucos meses começara a libertar-se da tutela síria - que se registaram as acções de rua mais violentas e destruidoras contra a Dinamarca e o Ocidente. São coincidências a mais.

Está claro que as caricaturas do profeta não passam de um mero pretexto nesta história, por mais evidente que seja a irresponsabilidade imbecil do jornal dinamarquês que começou por reivindicar em editorial o direito de "desafiar, blasfemar e humilhar" e acabou, de rabo entre as pernas, pedindo perdão pela ofensa às crenças islâmicas. Em todo o caso, os fundamentalistas já podem cantar vitória criaram um novo tabu e um novo factor de intimidação à liberdade de imprensa como valor essencial das sociedades seculares e democráticas. A prova está nas reacções temerosas e culpadas das diplomacias ocidentais, incluindo a americana, numa quase admissão da legitimidade da violência cega do fanatismo islamita. Só faltava desculparem-se pelo facto de a liberdade de imprensa ser politicamente incontrolável em democracia, o que os fundamentalistas, obviamente, se recusam a aceitar.

A hipocrisia sinistra do islamismo fanático e das ditaduras muçulmanas chega a ser praticamente absolvida pelas temerosas lideranças ocidentais. A esse respeito, é sintomática a complacência com que foram tratados os manifestantes que em países como o Reino Unido exibiram apelos explícitos ao assassinato dos autores das "blasfémias". Será admissível que um qualquer adepto do uso indiscriminado do terror em nome do profeta - como fazem a Al-Qaeda e outros movimentos extremistas - tenha o direito de reclamar a morte de quem se limita, no fundo, a representar essa situação numa caricatura? O turbante de Maomé transformado em bomba não é, no fundo, a própria imagem de marca reivindicada pelo terrorismo islâmico?

Claro que a questão ultrapassa qualquer padrão de racionalidade, até porque a esmagadora maioria dos que se manifestaram através do mundo islâmico não conheciam de todo o pretexto próximo que supostamente alimentou a sua fúria. Aí chegamos ao outro lado da história, que tem a ver com o desastre total da estratégia americana - e, por omissão, europeia - no Médio Oriente, designadamente no conflito entre Israel e a Palestina, e no Iraque. A cruzada iraquiana de Bush não só ofereceu de bandeja ao terrorismo islâmico uma base de irradiação territorial, como favoreceu o reforço da teocracia xiita iraniana (aliada do núcleo duro do actual Governo de Bagdad) e a sua influência regional, estimulando também o triunfo do Hamas nas eleições palestinianas. Não por acaso, o último discurso de Bush sobre o "estado da Nação" reflecte, dramaticamente, até que ponto a Administração americana perdeu a iniciativa para enfrentar ameaças mil vezes mais perigosas, como é o nuclear iraniano, do que as fictícias armas de destruição maciça de Saddam Hussein. Entradas de leão, saídas de sendeiro...

A utopia simplista de democratização do Médio Oriente, perseguida com obstinada cegueira ideológica pelos missionários neoconservadores, teve um previsível e arrasador efeito de boomerang, como agora se verificou na Palestina. A democracia não é um valor abstracto e que se possa impor de fora a sociedades não seculares, tribais e confessionais. Como escreve Jean Daniel, a "ideia de que a repetição das consultas eleitorais pode garantir o bom uso da liberdade não é de nenhuma utilidade quando um presidente não é eleito senão para interpretar os mandamentos de Deus". E assim se passa das caricaturas de Maomé à caricatura da democracia.

Vicente Jorge Silva
In:Diário de Notícias

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 09:36, Anonymous Anónimo said...

Dante, Maomé e o medo


Na Divina Comédia, Dante começa a descrever assim um encontro no círculo oitavo do Inferno "E qual mais decepado ou desastroso / / mostrasse o corpo, nada iguala a suja / bolsa em seu fosso nono e horroroso. / Nem pipa a que aduela e fundo fuja, / como um que vi, assim se desmedula, / oco do mento até onde se ruja: / entre as pernas a tripa pende e pula;/ a fressura se vê e o triste saco / que merda faz daquilo que se engula./ Enquanto tudo nele a olhar estaco, / olhou-me e com as mãos se abriu o peito / dizendo: 'Vê como eu me desempaco! / vê como Maomé está desfeito! / À minha frente vai chorando Ali, / fendido, do toutiço ao mento, o aspeito. / E os outros que tu vês todos aqui, / que hão semeado escândalos e cisma / lá na vida, fendidos vês assi.'" (Inferno, XXVIII, 19-36, trad. minha).

Maomé e o genro, Ali, são colocados entre os semeadores de escândalo e de cisma, de acordo com a mentalidade cristã da época, e tratados com o maior desprezo numa linguagem violenta e de estilo intencionalmente desconjuntado como a própria pipa a desmanchar-se a que alude. Por implicados numa "cisão", há um diabo que os vai abrindo ao meio a talhe de espada, à medida que eles vão passando e voltando a passar. E de Maomé, o florentino chega a ver as tripas numa metáfora de sórdida abjecção fecal "il tristo sacco / che merda fa di quel che si trangugia".

Esta é provavelmente a primeira grande representação grotesca de Maomé que a cultura europeia produziu. Integra-se no genial conjunto de horrores que povoam os quadros do Inferno dantesco e, como tal, faz parte de uma das obras máximas do património cultural europeu. Não há gesto ou atitude que possam suprimi-la em nome do politicamente correcto ou de uma complacência hipócrita e borrada de medo.

Vai-se deixar de ler e admirar Dante por causa disso? Vai-se censurar o poema em futuras edições a pretexto de que, assim, ele ofende o Islão? Vai-se fazer um auto-de-fé das edições existentes? Vai-se pedir desculpa ao Islão por a cultura europeia ter produzido destas coisas? A avaliar por algumas cautelosas reacções, já não falta muito. A estupidez e o medo às vezes dão-se circunspectamente as mãos.

O escândalo religioso é uma questão com a qual a Europa e o Ocidente têm convivido desde sempre, através de ortodoxias e heresias, cismas, guerras de religião, seitas, anátemas, laicidades e irreverências. Na Igreja Católica não teria havido o Index expurgatorum librorum se não fosse assim. Mas passou há muito o tempo da famigerada confusão entre o poder eclesiástico e o poder temporal que tornou possíveis as fogueiras e a eliminação física dos dissidentes. Deus, Cristo, o Espíri- to Santo, Maria, os anjos, os santos, o Diabo, todas as figuras que povoam o universo da crença cristã, têm sido um constante objecto de representações tanto veneradoras como irónicas, em todas as áreas da expressão humana (e até ao nível de anedotas chocarreiras), e não veio nenhum mal ao mundo por causa disso.

O Islão só pode pretender proibir a representação de Maomé a quem o segue. E mesmo assim, face aos direitos humanos, não pode aplicar outras sanções aos infractores que não sejam as do foro espiritual. Uma reprovação religiosa é assunto ligado ao grémio dos crentes e a sanção pode ocorrer apenas nesse foro espiritual, não havendo que discutir-lhe a legitimidade nesse plano. Mas não pode extravasar dele para qualquer outro e muito menos pode acarretar quaisquer consequências penais ou civis.

Se a liberdade de pensamento e de expressão envolve a questão da responsabilidade pelas consequências do respectivo exercício, a área da crença ou da descrença é uma daquelas em que isso não se aplica. Ninguém pode ser discriminado ou perseguido por causa delas. E por isso é perfeitamente ridícula a reacção de alguma gente deveras acagaçada com as ameaças fundamentalistas só porque um caricaturista se lembrou de representar o profeta e um jornal publicou essas caricaturas.

O Ocidente não pode deixar que se insinue nas suas sociedades esta nova modalidade de terrorismo religioso sob a forma de uma canalha em fúria, acicatada em nome de Alá e do seu profeta, ou sob a forma de chantagem económica.

A mesma Europa que tanto diz defender os direitos humanos e aprovou ainda há pouco uma Carta deles, não pode agora perder a face só porque tem medo. Não pode ter medo. Lutar contra a intimidação também é respeitar um direito fundamental.

Vasco Graça Moura
In:Diário de Notícias

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 14:43, Anonymous Jorge Costa said...

Intolerância e Democracia

O actual desatino com o caso dos cartoons dinamarqueses, com que eu nem simpatizo particularmente, demonstra duas coisas.

Por um lado as lideranças carcomidas dos países islâmicos manipulam as massas para que elas contestem violentamente o acessório e assim distraem-nas do estado de miséria e atraso em que estão mergulhadas, vítimas dessas mesmas lideranças corruptas e que em grande parte são títeres dos grandes interesses capitalistas internacionais.

Por outro, pelo modo tergiversante como algumas lideranças das apelidadas democracias ocidentais, a nível da Europa e do mundo, se pronunciam sobre o caso demonstra que há muito os princípios se perderam no caldeirão dos interesses imediatos, como alguém diria foram vendidos por um prato de lentilhas.

Valores básicos da democracia ocidental, a laicidade do estado e a liberdade de expressão que em caso de dúvida deverá ser regulada pelos tribunais, deveriam conhecer outro tipo de defesa.

Ainda que não se aceite, compreende-se que a Grâ-Bretanha e os Estados Unidos pelo que têm empatado no assunto e com algum peso de consciência, se a tiverem o que se duvida, se mantenham mudos e quedos sobre a actual problemática.

Já me parece mais estranho que, sem qualquer estado de necessidade, o ministro dos Negócios Estrangeiros (MEN) português venha dizer que discorda da publicação dos tão falados cartoons, até fala em licenciosidade, é quase erótico, evoca o nome de Portugal em vão. Desconhece-se se falava dos publicados em Setembro na Dinamarca se os reeditados agora na imprensa portuguesa, demonstra pretensões a influenciar ou a linha editorial europeia ou a nacional.

Os representantes portugueses há décadas para cá, vêm demonstrando um espírito de subserviência que se assinala, mas se lamenta. Éramos os melhores alunos da CEE, agora verberamos que em plena liberdade editorial alguém publique aquilo que lhe dá na gana. Os tribunais servem exactamente para dirimir conflitos de interesses.

É engraçado que o nosso MNE no comunicado que emitiu verbere os cartoons e nem um palavra sobre a onda de violência que percorre os países árabes com ofensas diárias à soberania dos países cujos consulados e embaixadas são destruídas e bandeiras queimadas e espezinhadas.

É a barbárie na sua expressão máxima!

Se os países árabes e os seus habitantes estão satisfeitos com o seu modo de vida que o conservem, nós também não estamos completamente descontentes com o nosso, só defendemos alguns aperfeiçoamentos.
Agora ninguém lhes poderá reconhecer o direito de terem pretensões a serem eles a virem-nos indicar como nos devemos comportar nos nossos países de naturalidade, nem tentar condicionar-nos às suas opções.

Há muito que ultrapassamos a intolerância da Inquisição, as luzes iluminaram-nos, e o espírito das cruzadas está reservado para os Estados Unidos e seus aliados.

Não estaremos ainda perante a guerra de civilizações que muitos pretenderiam, mas é cada vez mais claro que existe um forte choque cultural cujo desenvolvimento se desconhece. Não serão as cedências sem princípios que evitará seja o que for que se avizinha

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 14:58, Anonymous Alain de Benoist said...

Liberté d’expression et respect des croyances

Les violentes réactions enregistrées dans le monde musulman depuis la publication, d’abord dans un journal danois, puis dans différents journaux occidentaux, de caricatures du prophète Mahomet étaient sans doute prévisibles quand on connaît la susceptibilité extrême des musulmans vis-à-vis de toute représentation figurée du Prophète, à plus forte raison lorsqu’à celle-ci s’ajoute la satire ou la moquerie. Ces réactions, qui n’ont cessé de prendre de l’ampleur ces derniers jours (manifestations de rue, incendie du consulat danois de Beyrouth, campagnes de boycottage des produits danois, etc.), peuvent néanmoins nourrir diverses réflexions.
La première question qu’on peut se poser est la raison pour laquelle toute cette affaire a éclaté aussi tard. Les dessins incriminés sont parus en effet dans le Jyllands-Posten – l’un des principaux quotidiens danois – le 30 septembre dernier, soit il y a déjà presque cinq mois. La série était intitulée «Les 12 visages de Mahomet». Le journal précisait alors qu’il avait pris cette initiative pour commenter à sa façon l’«autocensure» de plusieurs dessinateurs et illustrateurs danois qui s’étaient refusés à illustrer un livre de l’écrivain Kaare Bluitgen consacré au fondateur de l’islam, Koranen og profeten Muhammeds liv («Le Coran et la vie du prophète Mahomet»).
A l’époque, l’affaire ne provoqua guère que des remous locaux, en l’occurrence une protestation des ambassadeurs musulmans en poste à Copenhague. Ce n’est qu’à la fin du mois de janvier que l’affaire a rebondi, ce qui a amené les dirigeants du Jylland-Posten à présenter le 30 janvier leurs «excuses» aux musulmans offensés.
Que s’est-il donc passé entre-temps ? La réponse qui vient à l’esprit est: la victoire du Hamas aux élections palestiniennes. Toute une campagne internationale s’est en effet engagée aussitôt après ce scrutin pour obtenir de l’Union européenne qu’elle cesse de financer l’Autorité palestinienne. Ameuter l’opinion des pays arabes contre l’Europe au moyen des caricatures danoises, et plus précisément faire apparaître à la télévision des masses de manifestants palestiniens dénonçant le «blasphème» avec violence, n’était-il pas de nature à susciter dans l’opinion l’idée qu’il serait bien naturel de cesser de «financer ces gens-là» ? On peut se poser la question.
Face aux protestations islamiques, la plupart des pays européens ont tenu à faire l’éloge de la «liberté d’expression» (mais on notera que les caricatures n’ont été reproduites ni en Israël ni aux Etats-Unis, et que les Américains, tout comme les Anglais, ont jugé peu convenable cette publication). Ce qui pose une autre série de problèmes.
La liberté d’expression est certes une belle chose. Toute liberté implique cependant une responsabilité. «Effrayante est une liberté que ne guide pas un devoir», disait l’écrivain André Gide. Il va de soi néanmoins que la liberté d’expression ne se partage pas, et il est également bien connu que le droit à liberté d’expression n’a jamais été fait pour bénéficier avant tout aux opinions convenables et consensuelles, mais au contraire à celles qui sont les plus dérangeantes ou les plus choquantes. En d’autres termes, si l’on admet le «droit au blasphème», alors on doit aussi admettre que ce droit ne se partage pas.
Or, en Europe, la liberté d’expression n’a jamais été totale. Encore aujourd’hui, certaines propos ou opinions sont, à tort ou à raison, proscrits par la loi et leurs auteurs peuvent être déférés devant les tribunaux. L’Allemagne possède elle-même un «index». Les mêmes qui trouvent tout-à-fait normal que des caricatures antimusulmanes paraissent dans un «pays libre» accepteraient-ils de la même façon la publication de caricatures antijuives? Ceux qui rient de voir représenté Mohamet dans des postures équivoques ou grotesques admettraient-ils avec la même facilité la diffusion mondiale d’images pornographiques d’Anne Frank ? Diraient-ils qu’il ne s’agit après tout que de caricatures, en laissant entendre que ceux qui s’en offusquent sont exagérément «susceptibles»? On sait bien que non. Il y a dans les pays européens des lois qui sanctionnent l’antisémitisme, mais il n’y en a aucune qui sanctionne l’islamophobie. Pour nombre de musulmans, il y a là deux poids et deux mesures.
Enfin, si le blasphème apparaît si peu important aux yeux des Occidentaux, n’est-ce pas d’abord parce qu’ils ont eux-mêmes perdu le sens du sacré? Qu’ils ne croient eux-mêmes bien souvent plus à rien ? Il n’y a pas si longtemps, le blasphème était encore lourdement sanctionné dans bien des pays d’Europe. Dans le passé, les Européens considéraient eux aussi que certaines choses étaient insupportables et que certains propos ne pouvaient pas être tenus. Aujourd’hui, ils parlent de «fanatisme» pour stigmatiser des attitudes qui, dans le passé, furent aussi les leurs. Le sociologue Zygmunt Bauman soulignait récemment «la rapidité avec laquelle la volonté de sacrifier sa vie pour une cause s’est vue condamnée et classée comme symptôme de fanatisme religieux, retard culturel ou barbarie, par des pays qui, de nombreux siècles durant, présentèrent le martyre-pour-une-cause comme étant preuve de sainteté». La liberté d’expression peut être aussi le masque de l’indifférence.
La liberté d’expression, les pays occidentaux l’ont conquise de haute lutte (le plus souvent contre l’Eglise) au terme d’un combat qui a pris des siècles. Ils n’y sont parvenus qu’une fois leur société totalement «désenchantée» (Max Weber). Pour en arriver à ce stade, les musulmans ont encore du chemin à faire. La conclusion qui s’impose est qu’il y a là comme un décalage, non pas tant dans l’espace que dans le temps: les différents peuples du monde ne vivent pas aujourd’hui à la même heure de l’histoire.
Paris, le 8 février 2006

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 15:38, Anonymous J.M. said...

O nosso governo agora até tem posição oficial sobre cartoons:



Governo: "cartoons" sobre Maomé "ofendem as crenças" dos povos muçulmanos

O Governo "lamenta e discorda" da publicação de "cartoons" sobre o profeta Maomé que no, seu entender, "ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos".

Esta posição oficial, manifestada hoje através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), sublinha ainda que "a liberdade de expressão (...) tem como principal limite o dever de respeitar as liberdades e direitos dos outros".

"Entre essas outras liberdades e direitos a respeitar está, manifestamente, a liberdade religiosa – que compreende o direito de ter ou não ter religião e, tendo religião, o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa", refere o texto do MNE.

A nota assinada pelo chefe da diplomacia portuguesa, Diogo Freitas do Amaral, sublinha ainda que "a liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade". "Todos os que professam essas religiões têm direito a que tais símbolos e figuras sejam respeitados. O que se passou recentemente nesta matéria em alguns países europeus é lamentável porque incita a uma inaceitável ‘guerra de religiões’ – ainda por cima sabendo-se que as três religiões monoteístas (cristã, muçulmana e hebraica) descendem todas do mesmo profeta, Abraão"..


A propóstio disto deve dizer-se que:

1. O Ministério dos Negócios Estrangeiros não está mandatado para tomar posição sobre cartoons. Os cartoons até podem ser ofensivos ou de mau gosto, mas estas questões discutem-se no âmbito da sociedade civil, a qual está mais que dividida. O estado não tem que ter posição oficial em representação de todos os portugueses;

2. O Ministério dos Negócios Estrangeiros não tem o direito de interferir nas opções editoriais dos jornais, menos ainda nas opções editoriais de jornais dinamarqueses;

3. O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros interfere na liberdade editorial dos jornais portugueses que também publicaram os cartoons;

4. O Ministério dos Negócios Estrangeiros vem falar em liberdade religiosa e de limites à liberdade de expressão como se a publicação de cartoons interferisse com a liberdade religiosa. A liberdade religiosa tem como consequência a crítica e a sátira religiosa.

5. O Ministério dos Negócios Estrangeiros pressupõe que a imunidade à crítica é um direito das religiões. O que é curioso porque mais nenhuma instituição tem essa imunidade à crítica.

6. O Ministério dos Negócios Estrangeiros expressa ideias que são contrárias às leis portuguesas e europeias.

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 15:39, Anonymous Francisco José Viegas said...

O governo, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, reagiu como se esperava à questão dos cartoons. Diplomacia é diplomacia,negócios são negócios, nada de especial a registar acerca desta posição, certamente concertada com a União. Salvo aquilo que nos diz respeito como cidadãos portugueses interessados em saber o que pensa o seu governo independentemente da política real e do mundo dos negócios.
A saber: o governo acha que os cartoons ofendem os povos muçulmanos e que a liberdade de os ter publicado (de que o governo discorda) está no domínio da «licenciosidade»; o governo também acha que a publicação dos cartoons fomenta «a guerra de religiões»; além disso, o governo acha que «o que se passou recentemente em alguns países europeus» é «lamentável». De onde se conclui que, para efeitos diplomáticos e para pôr água na fervura internacional, o senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros se permite avisar os seus concidadãos sobre o que pensa, de facto, acerca do respeito pela liberdade e da legitimidade para queimar bandeiras de um país membro da União. O comunicado do MNE poderia ter sido mais lacónico, menos consentâneo com a tradição inquisitorial e igualmente sereno no modo como salva a face da diplomacia da União e dos interesses portugueses. Manter-se nessa posição e nessa área era sinal de contenção, de serenidade, de correcção diplomática e de bom-senso, além de não ofender os seus concidadãos. Mas não. O senhor Ministro faz doutrina (e da que é muito discutível), o que é manifestamente dispensável e um exagero desnecessário, embora lhe seja permitido ceder quantas vezes quiser às pressões e à tentação de disciplinar a imprensa. Não comentando a reacção inusitada e a manipulação da violência e dos incêndios das embaixadas, o Senhor Ministro mostrou aos seus concidadãos (apesar de o comunicado ser para estrangeiros) aquilo com que podem contar.

P.S. - Evidentemente que a posição de Freitas do Amaral só pode ser entendida neste contexto diplomático, tentando apaziguar «o perigo». Caso contrário, trata-se de um indício muito perigoso a que devíamos estar mais atentos.

 
At 8 de fevereiro de 2006 às 16:21, Anonymous J E R said...

São muitos raros os dias em que o mundo não é confrontado com imagens e acontecimentos protagonizados por fundamentalistas muçulmanos que ofendem os valores de qualquer sociedade.

São muitos raros os dias em que não sejam publicados vários cartoons que podem ofender os cristãos, os budistas, ou os judeus, figuras como a de Jesus ou do papa são das mais usadas em cartoons.

São raros os dias em que ninguém morre em nome dos excessos do fundamentalismo muçulmano, e nem vale a pena recordar os acontecimentos de Nova Iorque, Madrid, Londres, Moscovo ou Beslan para se perceber que o que está em causa não são os valores do Islão.

E em nenhum desses dias o ministro Freitas do Amaral emitiu algum comunicado apelando à contenção.

Que se saiba não foi em Portugal que os cartoons foram publicados, e se isso sucedeu ninguém reparou. Que se saiba os fundamentalistas muçulmanos nem se preocupam muito com Portugal e se isso suceder é muito pouco provável que leiam o comunicado do ministro ou, se algum deles tiver essa paciência, ainda é menos provável que se converta aos valores da tolerância.

O comunicado de Freitas do Amaral só pode ser entendi como um esforço de cobardia para que passemos despercebidos, o que é uma ilusão, para os fundamentalistas islâmicos tanto faz matar um dinamarquês como um português, um cristão como um muçulmanos, aliás, são os crentes do Islão as suas maiores vítimas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros não quer uma guerra religiosa e faz muito bem, o que é errado é evitar essa guerra cedendo nos valores mais queridos, os valores da liberdade. Respeitar os valores religiosos dos fundamentalistas, sejam eles quais forem, é servir-lhe a vitória numa bandeja

Talvez não exista uma guerra religiosa declarada, mas ela existe em muitos países muçulmanos ou em muitos bairros de cidades europeias, hoje o argumento foram os cartoons, amanhã será o nome dado a uma rua de Bruxelas onde vivem árabes, depois serão os cartazes de um cinema vizinho de uma mesquita frequentada por fundamentalistas.

É a política de cobardia e oportunismo económico que conduz ao conflito religioso, cobardia em enfrentar a realidade para evitar prejuízos aos interesses económicos e oportunismo por aproveitar os dirigentes moderados para aceder às riquezas dos países muçulmanos deixando esses dirigentes entregues à sua própria sorte.

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 11:16, Anonymous Francisco José Viegas said...

Ele ofende-nos

Vamos ser claros. A coisa é esta estamos todos debaixo de fogo. Estamos, os que prezam a liberdade, o debate e o riso. Quem está a pôr-nos debaixo de fogo é uma multidão de crentes muçulmanos, articulados pelo fundamentalismo islâmico e pela interpretação forçada e abusiva de uns cartoons publicados num jornal dinamarquês. Por causa disso foram incendiadas embaixadas, rasgadas bandeiras, prometidos ataques a cidades europeias, ameaçados cidadãos da União, repetidas frases de apelo à violência em nome de Deus, investidas criminosas em nome da religião. Diante disso, que não é pouco, gerou-se o pânico do costume, além da tentativa de defender o indefensável só para não defender o inevitável. E o inevitável é só isto: ou somos gente livre, digna, cordata - ou nos submetemos ao medo. E o medo é a aposta do fundamentalismo, aliado à ameaça permanente da instabilidade e da irritabilidade dos altifalantes do Islão radical e do seu petróleo. Diante desta chantagem e desta violência, que não são novas, que se percebem mas que não se podem admitir dentro de nossa casa, há sempre vozes que discordam e que acham que devemos ceder mais um pouco, que devemos ser ainda mais respeitadores e fechar os olhos às hordas que se manifestam nas mesquitas radicais de Londres ou de Damasco, e às ameaças de morte que pesam sobre os infiéis. Os infiéis somos nós. Eu sou infiel.

Diante dessa perspectiva animadora, o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros apareceu a fazer doutrina. Toda a gente entende que, do ponto de vista diplomático, ou da "real politik", o senhor ministro dos Estrangeiros devia fazer uma declaração apaziguadora, à semelhança do que fizeram outros parceiros seus, certamente em atitude concertada na União. Mas o senhor ministro dos Estrangeiros quis mais ele queria fazer doutrina, e logo da mais dispensável e inadequada à sua figura. Daí resultou que o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre a "crise dos cartoons" é, na verdade, um raspanete passado pelo Governo aos seus concidadãos, acusando-os de confundir "liberdade" com "licenciosidade" e, ao mesmo tempo, dizendo que "o que se passou recentemente em alguns países europeus é lamentável". Se há coisa sobre a qual o Governo está dispensado de fazer, e em especial o senhor ministro dos Estrangeiros, são declarações sobre história das religiões e sobre problemas de moral. O senhor ministro dos Estrangeiros, no seu comunicado, podia ter sido mais lacónico, menos consentâneo com a tradição inquisitorial e igualmente sereno no modo como salva a face da diplomacia da União e dos "interesses portugueses". Mas não. Apeteceu-lhe espetar o dedinho e defender o direito de uns energúmenos se manifestarem a exigir a morte de uns desenhadores e o castigo dos europeus. Em nenhuma passagem manifestou preocupação com a segurança dos cidadãos (por exemplo, dinamarqueses, seus concidadãos europeus); em nenhuma passagem do seu triste comunicado o senhor ministro dos Estrangeiros tentou apaziguar as coisas; em nenhum momento manifestou solidariedade à Dinamarca pela agressão a que está a ser sujeita. Em vez disso, na verdade, Freitas do Amaral ofende-nos a todos quando diz que Portugal "lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas" ou quando jura que o desrespeito pelos "símbolos fundamentais da religião que se professa" constitui uma violação da liberdade. Nenhuma dessas coisas é verdade. Podem sê-lo na cabeça do cidadão Diogo Freitas do Amaral. Mas não o são na cabeça de cidadãos livres, honrados e decentes que não se deixam amedrontar diante das ameaças e do cerco do fundamentalismo.

Não sei se o Governo pensa exactamente aquilo que Freitas do Amaral disse. Porque, se pensar, os cidadãos que se preparem. Ideias daquelas ofendem-nos a todos. E ameaçam-nos.

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 12:47, Anonymous Joaquim D. said...

A força simbólica de um desenho de imprensa está na origem da nova cruzada religiosa. Uma dúzia de caricaturas do profeta Maomé publicadas num jornal conservador dinamarquês incendiou a "rua" árabe. É preciso perceber que o alimento desta revolta está já muito para lá dos cartoons que a originaram – diga-se de passagem que a reacção no mundo árabe surge cinco meses depois da publicação das caricaturas que representam Maomé com uma bomba no turbante. Mas como já devíamos saber, todos os motivos servem aos radicais e fundamentalistas islâmicos para incendiarem o mundo árabe e muçulmano contra o Ocidente. Foi assim há quinze anos atrás com a fatah (sentença de morte) decretada ao escritor Salman Rushdie, após escrever o romance "Os Versículos Satânicos". Escritor que viveu sob a protecção do governo inglês durante mais de dez anos, sem morada certa e sempre protegido pela polícia, até à morte do Ayatolah Komeini. Na altura não houve dúvida no mundo ocidental em defender a liberdade da criação literária. Mas isso foi antes do atentado às torres gémeas de Nova Iorque. Antes do terrorismo apátrida da Al-Qaeda ter aterrorizado o mundo Ocidental.

O medo do terrorismo e a dependência do petróleo tornaram as democracias ocidentais mais cordatas, ao ponto da liberdade de expressão – uma conquista que levou gerações a alcançar – já não ser entre alguns segmentos da nossa inteligentzia um valor absoluto a defender. Mesmo contra a ira e a irracionalidade fundamentalista islâmica, que se alimenta da nossa fraqueza e vulnerabilidade. A história já nos ensinou o que a cruz e a espada fizeram juntas.

"A Obra ao Negro", notável recriação de Yourcenar na Europa do séc. XVI onde a inquisição do Santo Ofício vai tomando conta do pensamento e da vida pública, tem por personagem central o inquietante Zenão, filósofo e alquimista que faz esta incrível reflexão sobre a liberdade:

"No tempo em que me ensináveis os rudimentos das letras e das ciências, um indivíduo inculpado de um crime verdadeiro ou falso foi queimado em Bruges. Para aumentar o interesse do espectáculo, prenderam-no ao poste com uma comprida corrente, a qual lhe permitiu correr, todo em chamas, até cair de borco no chão, ou seja, em cima das brasas. Muitas vezes pensei para comigo que tal atrocidade bem podia servir de alegoria ao estado do homem que é deixado quase livre".

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 12:53, Anonymous Anónimo said...

Europa nascida na Ásia profunda, ó filha do rei fenício Agenor
que Zeus entranhado no corpo de um touro
levou-te p'ra Creta cativo de amor

Europa é de Homero de helénicas formas
do forum romano e da cruz
de tantas nações
ariana e semita
ventre das descobertas
da luz

do diverso sistema
do modo diferente
da era da guerra
e agora da paz
és assim querida Europa

vem que eu te quero toda
do mar à montanha
vem que eu quero muito mais bela que o mar

vem vencendo cizânias
que os povos sem feudos
sempre se amaram brilhantes em todo o lugar

o teu chão não é traste
de meros mercados
de pauta aduaneira ou cifrão

é um terrunho de almas
uma ideia um desejo

de uma nova maneira
em fusão

desfazendo complexos de mapas cor-de-rosa
sem a má consciência no verso e na prosa

só por ti querida Europa

para que sejas tu mesma
a decidir o teu uso
para que sejas tu mesma ainda mais natural
não me toques o "beat" à americana
que esse já nós conhecemos na versão original

aguenta-te firme livre de imitações
espera só mais um pouco já vai
o que resta e o que sobra
aquela mesma saudade
toda a imaginação ainda mais

não sentes um vago
um suave cheiro a sardinhas
a algazarra nas ruas e o troar dos tambores?

somos nós querida Europa...

Fausto

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 17:15, Anonymous Fernando Sobral said...

De vez em quando Freitas do Amaral gosta de acordar os portugueses tentando recordar-lhes que é ministro. Estes, estremunhados, fazem-lhe a vontade. Geralmente isso sucede pelas piores razões. Pior que um elefante em loja de porcelana só Freitas do Amaral no Palácio das Necessidades. Ainda se está para perceber como é que o edifício está de pé.
Freitas confunde a sua actividade de criador de peças de teatro com a de ministro. Tudo, para ele, é um drama. Ou pode ser. Desde que ele seja o personagem principal. Se ninguém quer saber qual é a sua opinião sobre os «cartoons», Freitas coloca-se em bicos de pés para a debitar. Como não domina a técnica do bailado, o resultado foi uma queda aparatosa no chão. O seu comunicado, criticando os «cartoons» e ignorando olimpicamente a violência islâmica, não é apenas lamentável. Nem sequer deve ser confundido com um comunicado oficial do Governo. É uma redacção que teria nota negativa em qualquer prova de acesso ao serviço diplomático. Aqui ou no Sudão. Freitas comete o mais terrível dos erros políticos: oferece-se como voluntário para quando, por absurdo, a «ofensa» ser a Barbie não usar uma «burka» e se incendiarem mais 20 embaixadas, fazer uma nova redacção. Apresentada antes, para aprovação, a um imã qualquer.

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 17:16, Anonymous Isabel M. said...

Para a generalidade dos cidadãos europeus, tudo isto parece descabido, porque o que aqui está mesmo em causa é um choque de civilizações que põe em confronto os valores das sociedades democráticas ocidentais e o valores do Islão que, no caso vertente, proíbem a representação da figura do Profeta, tal como o Corão, símbolos religiosos intocáveis.
A publicação de caricaturas do profeta Maomé feita pelo jornal dinamarquês «Jyllands-Posten», foi a bomba retardadora que começou a explodir um pouco por todos os continentes e a ameaçar o povo dinamarquês, conhecido pela sua tolerância e pacifismo.

A reprodução destes desenhos em outros jornais, designadamente na Noruega ou em França, ameaça, igualmente os europeus e os seus símbolos, como as representações da União Europeia em países árabes.

Estas reproduções, consideradas uma blasfémia, fizeram sair à rua, designadamente na Síria, país tido como relativamente moderado, ou mesmo em Beirute, no Líbano, onde uma parte importante da população é católica, ondas de puritanismo e de ressentimento, aproveitadas por grupos extremistas, ou então, segundo algumas análises de politólogos, por moderados com receio de serem ultrapassados no seu fervor religioso pelos fundamentalistas islâmicos.

Daí que a politização desta questão ameaça deitar mais gasolina para a fogueira de violência que já incendiou embaixadas e representações diplomáticas como a dinamarquesa e a norueguesa na Síria, e que se estende a outras partes do globo, como o Médio Oriente, Ásia e África, e se pode alargar à Europa, onde já em Bruxelas, coração da capital comunitária, cerca de 4000 pessoas se manifestaram em desagravo ao Profeta.

Por outro lado, é sabido a multiplicidade de comunidades muçulmanas que existem por essa Europa fora, assolados, genericamente, pelo desemprego, e pela exclusão social. Só na Dinamarca estima-se que existam cerca de 150 mil imigrantes muçulmanos a viver no país

Para a generalidade dos cidadãos europeus, tudo isto parece descabido, porque o que aqui está mesmo em causa é um choque de civilizações que põe em confronto os valores das sociedades democráticas ocidentais e o valores do Islão que, no caso vertente, proíbem a representação da figura do Profeta, tal como o Corão, símbolos religiosos intocáveis.

Nada que se não tenha passado há cerca de vinte e cinco anos com Salman Rushdie, na sequência dos seus versos satânicos.

Ou seja, enquanto na Europa Ocidental a liberdade de expressão é um direito fundamental, o mesmo não sucede em sociedades islâmicas onde esta é limitada pela religião.

Por outro lado, pode argumentar-se que no Ocidente embora a liberdade de expressão seja consagrada constitucionalmente, o que é certo é que ela não é absoluta e não pode ser usada para justificar a difamação, a calúnia, a obscenidade, a subversão ou a violência, sendo que a maioria das democracias proíbe a incitação ao ódio racial, étnico ou religioso. E este é o grande desafio, o de conseguir o equilíbrio que consiste em defender intransigentemente a liberdade de expressão, enquanto direito basilar da genética ocidental, mas simultaneamente impedir o discurso intimidatório ou subversivo.

De resto, vários sociólogos e políticos árabes já se manifestaram sobre estas publicações, considerando uma forma estúpida de usar a liberdade de expressão, porque símbolos sagrados de uma das mais importantes religiões do mundo são objecto de escárnio, de provocação e de falta de respeito.

No meio de tudo isto, a União Europeia ficou impotente e limita-se a reunir os vinte cinco Ministros dos Negócios Estrangeiros, bem como a incumbir o seu Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum, de promover mais diplomacia, o que implica apenas que se multipliquem os apelos à calma e ao diálogo, absolutamente inúteis face a outros valores e mentalidades.

A questão é que o fenómeno pode continuar a alastrar-se, desproporcionadamente, sobretudo se nos lembrarmos que, ao longo da história, incluindo a das Cruzadas, se matou e chacinou apenas e tão somente por causa da religião.

 
At 9 de fevereiro de 2006 às 17:17, Anonymous João P. Guerra said...

Quatro meses após a publicação de ‘cartoons’ provocatórios contra o profeta do Islão pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, o primeiro-ministro da Dinamarca considera que a contestação à publicação das caricaturas está a criar uma “crise global”.

E está. Mas também em matéria de crises, há sempre quem ganhe com o assunto.

Neste momento, todos os fundamentalismos se confrontam no campo de batalha do costume, a Europa. Os fanáticos islâmicos proclamam a “guerra santa” contra os infiéis, que são todos os que não sejam islâmicos e fanáticos. Os fanáticos “ocidentais” aproveitam para pregar mais uma “cruzada” contra os infiéis, particularmente os que tenham petróleo. Os fanáticos do racismo e da xenofobia pregam contra a existência na Europa de comunidades islâmicas e outras, a “escumalha” como diria um qualquer Sarkozy. Os fanáticos israelitas põem o dedo no gatilho e apontam contra os “terroristas primitivos”, definição em que cabem os palestinianos de todas as idades. Na Tchetchénia, o governo pró-moscovita aproveitou já para expulsar algumas organizações não-governamentais. Os fanáticos securitários de todos os quadrantes reclamam o fim da liberdade de expressão. Não há dúvida que a crise é global.

Em redor da crise registam-se alguns consensos, na condenação das provocações contra Maomé, como na denúncia da desproporção dos protestos. Mas há uma questão que permanece em aberto. Como é que a publicação de ‘cartoons’ insultuosos para a fé dos muçulmanos provoca tais protestos quatro meses depois? Que mãozinha ateou a fogueira quatro meses mais tarde? E a propósito de quê? Da vitória eleitoral do Hamas na Palestina? Da crise com o Irão?

O raciocínio de Sherlock Holmes - Elementar meu caro Watson: a quem aproveita o crime? - neste caso não colhe. Há demasiados suspeitos.

 
At 13 de fevereiro de 2006 às 08:51, Anonymous Anónimo said...

Infelizmente, não foi o nosso caso. Pela mão do ministro Freitas do Amaral, e sem necessidade alguma, Portugal foi enxovalhado, coberto de vergonha e de cobardia, por um dos mais tristes textos políticos que já alguém escreveu. Devo dizer que não me espanta por aí além: a nossa «diplomacia» não tem feito mais nada nos últimos 25 anos que não rastejar perante os poderosos, em cada cena e em cada tempo: Angola, Indonésia (com a notável excepção de Guterres e Sampaio), Estados Unidos e, agora, perante os países islâmicos. Um país tão pequeno e tão indiferente quanto o nosso, só pode ter dois tipos de diplomacia: ou a do «cocktail» e pastel de bacalhau, sem nenhuma pretensão de ter posições próprias; ou então, ter um mínimo de posições decentes, em ocasiões especiais e se alguém estiver a escutar. Mas de há muito que escolhemos uma terceira via: a de, de vez em quando, termos umas posições indecentes, que, valha-nos isso, ninguém leva em conta e a ninguém já espanta. À atenção dos dinamarqueses, convém, todavia, esclarecer que seguramente o ministro Freitas do Amaral se representou apenas a si próprio.

Miguel Sousa Tavares
In: Expresso

 
At 13 de fevereiro de 2006 às 08:53, Anonymous J E R said...

É curioso que uma das primeiras posições de compreensão para com a revolta dos extremistas árabes tenha vindo do Vaticano, mas não é por acaso, uma boa parte do clero tem saudades do tempo em que a liberdade estava condicionada ao respeito dos valores da Igreja. Durante séculos a Igreja impôs limites à liberdade do indivíduo, e muitas das suas práticas fariam inveja aos actuais extremistas islâmicos.

Mas os europeus conseguiram impor a separação entre Estado e Igreja e “libertar” a sua própria liberdade. E uma das consequências disso foi, curiosamente, a liberdade religiosa, o reconhecimento da igualdade entre os credos religiosos, o que permitiu o florescimento de múltiplas comunidades religiosas, reforçadas pelos movimentos migratórios. Ainda recentemente, aquando do debate em torno da Constituição Europeia, um dos pontos que mais polémica gerou foi precisamente a inclusão ou não de uma referência ao cristianismo, tendo vingado a tese da não inclusão dessa referência por respeito a todas as comunidades religiosas.

Liberta da Inquisição a Europa confronta-se agora com os valores culturais do islamismo, os europeus que se libertaram dos constrangimentos impostos à liberdade por um cristinianismo que se adaptou aos novos tempos enfrentam agora um islamismo que regrediu, um islamismo que não só cerca a Europa a Sul, como se tem vindo a impor no seu seio.

Perante este quadro a posição mais hipócrita é não defender a liberdade, fazendo o discurso da cedência e da tolerância, negando uma evidência, que os extremistas declararam guerra a todas as religiões e principalmente a todos os valores civilizacionais emanados de outras culturas. É uma “guerra” que tem que ser feita sob pena de as consequências serem bem mais graves, quer para a Europa, quer para os países muçulmanos, não a travar é deixar os espaço aos extremistas islâmicos e à extrema-direita.

É uma guerra que tem que ser travada na Europa restringindo de vez os movimentos aos que não aceitam os seus valores culturais e civilizacionais, e nos países muçulmanos apoiando decisiva e consequentemente os regimes que estão sob fogo dos extremistas. O que sucederá se, por exemplo, países como a Líbia, a Tunísia, Marrocos ou a Mauritânia caírem nas mãos dos extremistas islâmicos?

 
At 13 de fevereiro de 2006 às 08:55, Anonymous Anónimo said...

Nesta história das caricaturas muito gente se esforçou por provar a sua tolerância, o seu horror à xenofobia e o seu seriíssimo sentido das responsabilidades. Com toda a incorrecção política, talvez seja bom ver onde nos levam as nossas virtudes. Primeiro, a tolerância - devemos tolerar o islão. Isto à superfície parece óbvio. Mas pede uma pergunta: também devemos tolerar a intolerância do islão? A "Europa" respondeu que sim, mesmo à custa de se negar a si mesma. No tratado constitucional (felizmente falhado) evitou a palavra "cristandade". Mais precisamente, rejeitou a sua natureza e a sua origem, em última análise a sua liberdade, para reconhecer ao islão um privilégio que a si própria não se reconhece. Como, de resto, na prática permite que as comunidades muçulmanas vivam segundo a sua lei e não segundo a lei geral, até quando se trata de direitos do indivíduo e, muito principalmente, da mulher. A tolerância não acabou por se tornar na defesa da intolerância?

Xenofobia significa aversão ou hostilidade ao que vem de fora, ao que é "estrangeiro". Para escapar à xenofobia - hoje um crime sem nome - temos de aceitar acriticamente o islão, como se a nossa cultura não fosse na essência uma cultura crítica?

Não ofender o sentimento religioso do próximo implica que se aceite como irrelevante ou inócua a sharia? Que se aprove, como coisa natural e permissível, qualquer fatwa contra qualquer ocidental que incorra na ira de qualquer imã? É, de facto, a nossa obrigação cívica e moral contemplar em silêncio e com respeito a sociedade da Arábia Saudita, do Irão ou do Afeganistão sob o regime taliban? A nossa virtuosa renúncia à xenofobia não acabou por se tornar na defesa do intolerável?

Falta falar da responsabilidade. Maomé foi um profeta, mas também foi um guerreiro, um conquistador e um soberano. A sharia trata extensamente de política. Uma autoridade como o ayatollah Khomeini disse um dia: "O islão é político ou não é nada." Tentar distinguir entre a guerra política e a guerra religiosa que o islão move ao Ocidente não passa de um sofisma. Não se pode dividir o indivisível. A jihad deriva directamente do Corão. E o terrorismo, material e psicológico, assenta numa base doutrinal sólida, que Bin Laden, por exemplo, frequentemente invoca. Que espécie de responsabilidade leva, então, o Ocidente a não "provocar" um inimigo declarado? Não se tornou ela na pior e mais perigosa irresponsabilidade?

Vasco Pulido Valente
In:Público

 
At 13 de fevereiro de 2006 às 08:58, Anonymous JOSÉ said...

Segundo o Diário de Notícias de Sábado, "A jornalista da RTP Maria João Barros recebeu intruções de coordenadores da RTPN para não difundir imagens que mostravam os populares de Canas de Senhorim a bater palmas e a chamar mentiroso ao Presidente da República."
"A indicação de omitir as referidas imagens do protesto partiu da Direcção de Informação, assumiu ao DN Luis Marinho, o seu responsável máximo. "Entendemos que não devemos divulgar insultos ao Presidente da República", disse. "As pessoas tem todo o direito de o fazer e nós de não o divulgar", referiu.

Esta semana que passou, muitas pessoas escreveram e falaram sobre a liberdade de expressão nos órgãos de comunicação social, a propósito dos cartoons dinamarqueses.

Não obstante tudo o que se disse e escreveu, aí fica o exemplo concreto de que haverá sempre alguém para quem a expressão publicada não só é relativa, como ficará sempre ao sabor das conveniências do poder do momento.
Haverá alguém capaz de dizer ao Luís Marinho que era exactamente isso que a Censura salazarista/caetanista fazia?!
Nos anos setenta, a figura de Américo Tomás era popularmente ridicularizada, como muito se lembrarão.No mínimo, era "o corta-fitas"!
Não obstante, nunca em jornal alguma( e muito menos na tv) aparecia publicada qualquer referência menos digna a sua Excelência...
Só passaram 31 anos...e Luís Marinho limita-se a seguir a tradição. Sem pejo e com certezas assumidas!
Afinal , para que serviu a discussão da última semana?!

 
At 14 de fevereiro de 2006 às 17:32, Anonymous Anónimo said...

Que se lixem os deuses
Todos eles!
Quando milhões de judeus
Morreram em campos de pavor e ódio
Aquando perseguidos expulsos e exterminados
Onde estava Jeová?
Que vão à merda os deuses
Todos eles!
Aquando da chacina que foram as cruzadas
Aquando das bombas que devastaram o Iraque
Nas ruas opressão e ditadura do Médio Oriente
Nos campos de refugiados de catástrofes e guerras
No gueto murado que é a Palestina
Onde está Alá ?
Que os raios partam os deuses
Todos eles!
Na morte negra e invisível da fome africana
Na criança que aqui
É só fome e frio e mão
Nos corredores brancos de dor e sofrimento
Onde está Deus? Alguém o vê lá?
Malditos os deuses
Todos eles!
Profetas da morte
Frias estátuas
Imponentes e impotentes símbolos de fé
Receptáculos de esperanças
Desprovidos de vida
Ausentes de paz
Secos de pão.

 

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