quarta-feira, 11 de abril de 2007

QUANTO MAIS SE MEXE NA M..., MAIS MAL CHEIRA

diálogo socrático
As perguntas colocadas a José Sócrates, por dois jornalistas da RTP1, serviram apenas um único propósito: a defesa do Primeiro Ministro.
Disse o que quis, sem contradita, sem contestação e sem qualquer brilho argumentativo que ajudasse a esclarecer a verdade já conhecida.
Se não foi um frete, andou lá perto.

Por isso, a verdade fica para depois.
Mas virá, estou certo, porque ninguém pode aguentar o que já se sabe sem esclarecimento cabal. E este não se fez, frustrando as espectativas de quem esperava mais clareza, mais honestidade e mais razoabilidade.
As perguntas continuam e vão surgir mais.
As respostas hão-de chegar também.
É assim que funciona a democracia e se assim não for, prova-se que vivemos em democracia diminuída.


José

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10 Comments:

At 12 de abril de 2007 às 00:27, Anonymous Punctum said...

É preciso deslindar o fenómeno, rapidamente!

Sócrates desdobrou-se, não em corpo e alma, mas em duas fichas do Registo Biográfico da Assembleia da República.


Se vistas à transparência, as fichas coincidem... excepto numa delas, que tem duas palavras a mais: "Bach." , antes de "Engenharia Civil", e "técnico", depois de "Engenheiro".


Precisamos de especialistas: se não for possível em grafologia, pelo menos, em fenómenos paranormais de manifestação gráfica.



ÚLTIMAS
(Público, 11.04.2007 - 19h46)

Diz o Gabinete de Sócrates: “Do confronto dos documentos resulta que foi feita uma clarificação do registo inicial, no sentido de precisar as habilitações académicas de bacharelato em Engenharia Civil, exactamente para que não pudessem subsistir quaisquer dúvidas”



Mas ...e o cabeçalho do original, uhmmm??? Está lá inscrito o cargo que Sócrates só viria a ocupar em 1995 (Secretário de Estado Adjunto da Ministra do Ambiente). Até aí (fins de 1995), parece que ninguém tocou no documento origina

 
At 12 de abril de 2007 às 00:28, Anonymous Arrebenta said...

Há uma figura muito do nosso imaginário que é a da "Dona da Rua".
A Dona da Rua é uma gaja acima dos 60, mas a querer sempre aparentar trinta-e-muitos, com um penteado que já só se consegue nas M'dinas do Magreb e em certos cabeleireiros de bairro: oxigenado, platinado, e gloriosamente sustentado por uma lata inteira de laca.
A Dona da Rua tem gosto por tudo o que brilhe: pulseiras vistosas, pedras coloridas, à mistura com uns quantos quilates de ouro. Geralmente, costuma ter mais anéis do que dedos. Veste de leopardo, com o típico bom gosto da Clara Pinto-Correia, e passa mais tempo nas esplanadas com vista para o seu pequeno mundo do que a ler etiquetas de preços de saldo de sapatos de salto extra-alto, embora as frequente muito, elas, etiquetas, e os próprios saltos.
A Dona da Rua é um Gato de Schröndiger: todas as pessoas do bairro sabem que ela subiu na vida a abrir as pernas para um cavalheiro com posses, mas ignoram sempre a data exacta em que as começou a abrir. Em contrapartida, toda a gente conhece o dia certo em que lhe pôs a tampa do caixão por cima, e fez a transferência da pensão para a conta própria.
Eu gosto muito de Donas da Rua. As Donas da Rua têm uma estrutura psíquica muito própria, que é a de, depois de se terem tornado em Donas da Rua, tentarem convencer os restantes vizinhos de que aquilo sempre foi assim. Para as Donas da Rua, como para os povos primitivos, o conceito de História não existe. Não têm Passado, e desconhecem a Escrita, excepto a da assinatura do cheque da conta conjunta com o "seu" defunto. Toda a narrativa da sua vida se inscreve no Discurso Mítico.
Há um axioma da Sociologia que diz que a estrutura psíquica de uma Dona da Rua é diferente da estrutura psíquica de um Licenciado. A Dona da Rua acredita mais em deitar cartas do que em Relatórios da O.C.D.E.; é mais opiniosa do Coração do que certificadora de raciocínios através da Álgebra de Boole; prefere a Raiva, o Rancor, a Inveja, a Vingança a qualquer das linhas da Declaração Universal dos Direitos do Homem; a Dona da Rua sabe, e pratica -- e é a única prática intuitiva, embora empírica, que nela se assemelha à Ciência -- que, na Teoria da Comunicação, o peso do Discurso se divide em três parcelas, desiguais, 55% para a Expressão Facial, 38% para o Tom de Voz, e só 7% para o conteúdo das Palavras: por isso, ela faz tantas boquinhas na esplanada, ao colocar a camada de batôn, dos dez em dez minutos, os esgares; por isso, ela fala sempre num tom de desdém ou de venha-mais-uma-torrada, e só comenta as notícias das intrigas dos varais de pendurar lençóis dos prédios ao lado.
Esta noite, a Televisão do Estado, paga por mim, e por si, contribuinte leitor, perdeu uma hora e meia a entrevistar uma Dona da Rua.
Por estranho que pareça, e para muita boa gente aqui, que me toma por especialista no Sr. Sócrates, a verdade é que eu não sou: nunca consegui estar mais do que 2 minutos a ouvi-lo, e, mesmo assim, entre "zappings", obstinados e abruptos. Hoje, pelo contrário, dei-me ao luxo de lhe dedicar 10 minutos, aliás, 10 minutos, 12 segundos e algumas décimas de segundo, como diria, o Chanato Constâncio, e penso que não foram minutos desperdiçados, porque eu sou um verdadeiro apreciador de Donas da Rua. Mais: acho que elas fazem parte do nosso património genuíno, tal como o Chulo, tirar macacos do nariz, eructar em público, o Uivo do Adepto Futebolístico, ou a Voz timbrada da Peixeira.
Uma coisa falhou em Sócrates, todavia: não esteve à altura da Incompletude, de Gödel, e, portanto, não pode ascender àquela situação em que poderia ser, como no Paradoxo de Richard, simultaneamente Dona da Rua e Licenciado. O terreiro em que se move é muito baixo, e a tômbola acabou por fazê-lo definitivamente cair para o lado de... Dona da Rua.
Para o Sr. Sócrates, de Vilar de Maçada, Alijó, alguém, um dia, terá de vir explicar que uma Licenciatura, como um Mestrado, como um Doutoramento, não são meros papéis com carimbos de autentificação, mas são subtis transformações cognitivas, e da espacialidade do Pensamento, ou seja, meta-estruturas, que obrigam a que a emissão de certos raciocínios, como o decorrer de certas argumentações, obedeçam a uma organização muito específica, que, apesar de indizível, é formalmente identificável. A Dona da Rua, para se convencer, e convencer os outros, prefere repetir muitas vezes a mesma palavra, variando a entoação da voz, e enformando-a numa mesma estrutura narrativa, com variantes apenas comparáveis às "nuances" das raízes do seu cabelo, em vez de encontrar o Silogismo Fatal.
Glória Fácil.
Ora, a cabeça do Sr. Sócrates enferma de não ter sofrido as metamorfoses cognitivas que identificam um licenciado de um não-licenciado, e tudo o resto são papéis, e ele adorou vir expor isso a público, perante uma plateia ávida de escândalo. Mas não houve escândalo, apenas "parole, parole", como cantava a outra, e vazias.
Para mim, que prefiro Donas da Rua a Licenciados, foi um tempo bem gasto. Provou-me que a retórica do caracacá só conseguia despertar esgares de gozo mal-disfarçado nos jornalistas -- parabéns para ambos!... -- e suponho que numa certa parte da Plateia Portuguesa.
O problema central não está nesses esgares de gozo, ou nas gargalhadas da minoria, está, sim, no reconhecimento que a Grande Maioria de um Povo pouco habilitado possa ainda conceder ao Sr. Sócrates, já que ele se lhes assemelha muito ao perfil do gajo-que-deu-o-golpe-do-baú-que-todos-gostariam-de-ter-dado-mas-não-tiveram-a-sorte-dele.
Portugal é um estádio, e o Boneco de Lata de Bilderberg tem a sua claque, suponho que sejam os No Vagina's Boys, mas não posso assegurar, porque sou pouco entendido em Futebol, ao contrário das Donas da Rua, que ADORO.
Até podia acontecer que o natural de Vilar de Maçada não tivesse logrado dar o salto cognitivo do Licenciado, mas houvesse alcançado o Grau Subtil de Habilitado Político, aquele "je ne sais pas quoi", a que nós chamamos o Faro dos Grandes Estadistas. Pobremente, nem uma coisa, nem outra. É um mero provinciano, despido de discurso, vestido de trapelhos enfatizados, e reduzido, pelo nível da suspeita, àquilo que de pior lhe podia acontecer em Portugal, que foi fazerem-lhe entrar a Vaidade directamente no anedotário do Senso Comum. Ao fim, depois de lhe agradecerem, ainda disse "ora essa", expressão que eu já não ouvia, desde os tempos do Sr. Américo, a quem a minha avó comprava queijo picante, e já lá vão "iânos" e muitos "concêlhus", como ele diz.
Amanhã, aliás, já ontem, todos os taxistas, as operadoras de caixa do "Carrefour", os seguranças das bombas de depois-da-meia-noite terão um novo MBA, uma nova Pós-Graduação a acrescentar à Imensa Anedota Sócrates. É a única coisa transfinita em Portugal, o Sarcasmo, e, nisso, ele, país, cultura, modo de estar, é impiedoso.
Costuma dizer-se que quem com ferro mata com ferro morre.
À laia de final, ou de Consolação Menor, quando Bilderberg oscilou entre este Boneco de Lata e o Expansivo Santana, eu sei que teve as suas razões: o Santana, que, apesar de todos os seus defeitos, possui o tal "faro político", sofria de uns "ataques", ou seja, podia dar-lhe para cometer alguma imprevisão, que pusesse em causa o... "programinha" estipulado para Portugal. Em contrapartida, o Merceeiro de Vilar de Maçada assegurava tudo: ser Monótono, Vazio, patologicamente obstinado, Vaidoso, e ter a tal válvula de escape, muito complicada, como tinham os "Harkonnen", de "Dune": um passo em falso, puxavam-lhe o tampão, e o sangue jorrava até ao fim...
Preferiram, pois, uma estrutura mental de bicha típica, subserviente, e a quem se podia desligar o oxigénio, a qualquer momento.
Esqueceram-se de que lhe podiam pregar uma rasteira, no nível rasteiro das rasteiras à portuguesa, e o ruído dos bonecos de lata a cair no chão é uma coisa realmente do "Heavy-Metal", deus meu, até eu, um Estóico, e mesmo com os ouvidos tapados, e já a zarpar para outro canal, fiquei com sincera pena...

 
At 12 de abril de 2007 às 00:42, Anonymous Lynce Iberico said...

O que s eestava a espera foi amis um frete feito pela TV do PS.
Porque nao foi explicado que um reitor da tal dita independente e funcionario subalterno do Armando Vara na CGD e que o sr Vara tb se licenciou na dita mas em tras os Montes?
o Sr 1º Ministro so tinha de dizer a verdade e nao andar ali a fazer que dizia e nao dizia.
Continuamos na mesma, os memso jogos d ebastidores, as perguntas ensaiadas.
Porque apareceu um parvo em 1640 para expulsar os Espanhosis?
E que hoje eramso visto como Pais desenvolvido e gerido por gente inteligente, assim somos os gozados como sendo os PIORES NA COMUNIDADE, ate os paises que todos diziam mal por estarem na esfera de Moscovo ja nos ultrapassaram.
O que estes individuos temn feito a esta "ditosoa patroa" como dizia o Poeta.

 
At 12 de abril de 2007 às 01:15, Anonymous Anónimo said...

Estão podres as palavras - de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.

Jorge de Sena

 
At 12 de abril de 2007 às 01:16, Anonymous P.P. said...

Ó Sócrates, "Ludere me putas?"

Em latim quer dizer:

“Estás a brincar comigo?”

 
At 12 de abril de 2007 às 01:23, Anonymous JER said...

FALTA DE FLEXIBILIDADE MENTAL

Ao deixar arrastar o caso das suas habilitações até hoje mostra que Sócrates tem pouca flexibilidade mental, aplicando a este caso a única fórmula que tem tido para se relacionar com os problemas, deixa-os arrastarem-se pelo debate público auto-excluindo-se para evitar prejuízos. Só que neste caso o problema era o próprio Sócrates e, portanto, não azia sentido excluir-se, o resultado foi desastroso, Sócrates deixou-se transformar numa anedota o que coloca a sua credibilidade e autoridade em causa.

Desta vez Sócrates pagará cara a sua teimosia e a incapacidade de alterar a sua estratégia de comunicação, enterrou-se.

 
At 12 de abril de 2007 às 13:09, Anonymous M. said...

Cada qual acredita no que quer...
Se os portugueses não tivessem fortíssimas razões para não confiar nos políticos e se estes pautassem a sua acção pelos princípios da verdade, da ética e da honestidade, diria que as justificações do primeiro-ministro sobre as suas habilitações académicas seriam aceitáveis.
Porém, "gato escaldado de água fria tem medo" e foi por demais evidente a docilidade dos entrevistadores - muito receosos de incomodar o entrevistado -, a omissão de perguntas mais incisivas e pertinentes e, mesmo assim, a falta de verosimilhança de algumas respostas de José Sócrates.
A Independente aceitou-o sem certificado de habilitações do ISEL e isso é normal?!
O Plano de estudos que lhe foi definido para concluir a licenciatura não é de menos?!
Não se lembra de ter preenchido dois impressos na Assembleia da República com habilitações diferentes?!
Nunca antes lhe ocorreu pôr fim ao tratamento de "engenheiro" que não era?!
Enfim, cada um come o que quer, que é como quem diz, acredita no que quer...

 
At 12 de abril de 2007 às 13:16, Anonymous MANUEL said...

4 sobre 1
(fonte: Público)


Vasco Pulido Valente
"O sr. primeiro-ministro negou ontem na televisão, indignadamente, que fosse "um especialista em relações públicas". Temos de o acreditar. Mas não há dúvida que ontem na televisão o sr. primeiro-ministro até pareceu "um especialista em relações públicas". Para começar, arrumou com brandura o caso da sua carreira académica, que afinal não é um caso. A Universidade Independente mandou e ele cumpriu. Quanto à burocracia, não sabe, nem se interessa. Quanto ao dr. António José Morais, que lhe "deu" quatro cadeiras, não o conhecia antes. Quanto ao resto, toda a sua vida de estudante só revela "nobreza de carácter", vontade de "melhorar" e de se "enriquecer" (intelectualmente). Um exemplo que ele, aliás, recomenda aos portugueses. Ponto final. A minha ignorância não me permite contestar explicações tão, por assim dizer, "transparentes". Claro que nunca ouvi falar de um professor que "desse" quatro cadeiras no mesmo ano ao mesmo aluno, nem num reitor que ensinasse "inglês técnico", nem num conselho científico que fabricasse um "plano de estudos" para "acabar" uma licenciatura. Falha minha, com certeza. Se calhar, agora estas coisas são normais. O sr. primeiro-ministro também declarou que ele e o seu gabinete não telefonam a jornalistas com a intenção malévola de os "pressionar". Pelo contrário, só os querem esclarecer. Ficamos cientes. Fora isto, Sócrates demonstrou facilmente que o governo é óptimo e que ele é determinado, decidido, inabalável, responsável e bom. Portugal inteiro está, como lhe compete, agradecido."

António Barreto
"Simplesmente patético! Um primeiro-ministro a defender-se com um arguido! Um primeiro-ministro a considerar insinuações as mais legítimas dúvidas da imprensa e da opinião pública! Um primeiro-ministro que acha normal que um deputado, ministro depois, se matricule em curso superior e obtenha diploma académico de recurso (feito em três universidades diferentes), ainda por cima em estabelecimento não reconhecido pela respectiva Ordem profissional! Um primeiro-ministro que não percebe que um deputado e um membro do governo não têm os mesmos direitos, ou antes, as mesmas faculdades que os outros cidadãos e não podem nem devem apresentar-se como candidatos a cursos pós-laborais que lhe confiram estatuto académico a que aspiram! Um primeiro-ministro que considera normal e desculpável que os seus documentos oficiais curriculares sejam corrigidos e alterados ao gosto das revelações públicas! Era tão melhor julgar os políticos por razões políticas e não por motivos pessoais ou de carácter! São, infeliz e necessariamente, sinais dos tempos. Dinheiro, sexo, cultura, vida familiar, gosto e carácter transformaram-se em critérios de avaliação. O facto, gostemos ou não, faz parte das regras do jogo. Com a política totalmente centrada na personalidade do líder, é natural que a totalidade da personalidade seja motivo de interesse e escrutínio. A ponto de, infelizmente, superar os fundamentos e os resultados da acção política. Sócrates está a pagar os custos desta nova tendência. E a verdade é que ele não soube, não quis ou não pôde matar o abcesso à nascença. O facto de o não ter feito avolumou o episódio. Ter dado à imprensa e à opinião pública espaço e tempo para deslindar o confuso mistério dos seus diplomas foi um erro fatal. Ter tentado exercer pressões sobre a imprensa e os jornalistas foi igualmente uma imperícia infantil. Ter a necessidade de mostrar diplomas na televisão revela uma situação em que a palavra já vale pouco e a confiança se esvai. Ter tentado justificar o facto de se matricular, como "humilde deputado", e de se graduar, como ministro, é inútil. Mas revela uma crença perigosa: a de que acha natural e legítimo que um deputado e um membro do governo possam fazer tudo isso! É possível que este homem seja Primeiro-ministro mais dois anos ou até que consiga ser reeleito. Mas uma coisa é certa: a confiança está ferida. Ora, enquanto a utilidade pública vai e vem, a confiança, quando quebra, não tem cura. As feridas de carácter não cicatrizam."

Miguel Gaspar
"O único momento verdadeiramente surpreendente da entrevista do primeiro-ministro à RTP foi quando explicou que escreve o pronome seu no fim das cartas, para ser como o inglês yours. Isso e a ideia de que, afinal, o substantivo engeheiro não designa uma competência mas sim um rótulo social definiram uma entrevista que valeu pelo que não se viu. Desde logo não se viu o balanço dos dois anos do Governo, que era a justificação da entrevista. Ora, gastou-se mais tempo com a Independente. A entrevista ou era uma coisa ou era outra. As duas, não podia ser. O dois-em-um não podia dar certo. José Alberto Carvalho conseguiu o tom certo numa conversa que o entrevistado queria de bom tom. Esforçou-se e tinha sem pre uma pergunta engatilhada. Nomeadamente no dossiê Independente. Maria Flor Pedroso, que é da rádio, estava a jogar fora e deixou-se ficar num papel mais apagado. Ganhou a noite, o primeiro-ministro? Pareceu-me que sim. E como, nestas coisas de televisão, o que importa é parecer, se pareceu, deve ter sido. A entrevista foi um bom sintoma daquilo a que está reduzida a política portuguesa: um aeroporto que ainda não existe e uma coisa que não se sabe se alguma vez foi uma universidade. Onde estão a ideologia, a Europa, as questões sociais? Nada. Sócrates gosta de passar a imagem do homem de acção que fala pouco. O problema é não ter obra para mostrar. Pouco mais pode fazer do que imitar o treinador do Benfica: prometer a Lua, iludir as derrotas e prometer a taça no ano que vem. Mas os eleitores sabem que é a fingir."

Pedro Mexia
"O debate começou bem e foi ficando progressivamente mais complicado, a partir mais ou menos dos 20 minutos. Porque um debate que normalmente seria sobre o estado da Nação a meio de um mandato do Governo, acabou por ser sobre o currículo académico do primeiro-ministro. José Sócrates começou bem, tentando mostrar algum sentido de Estado ao querer separar o seu caso do da Independente. Foi habilidoso. O seu caso exigia, porém, prova documental, e talvez uma entrevista numa televisão não fosse a melhor maneira de a produzir. Conseguiu desmontar bem o alegado caso de assassínio de carácter, mas acabou por se atrapalhar nos pormenores. Ficou muito emperrado na questão emenda dos documentos da Assembleia da República, bem como nas notas lançadas pela Independente a um domingo. As questões de facto foram remetidas para casos de secretaria. José Sócrates quis ainda reconhecer que existem diferenças entre dar explicações aos jornalistas e fazer pressões e foi cínico sobre a OPA. Ninguém acredita que o Governo não tivesse desse indicações à Caixa Geral de Depósitos. Foi de uma candura que soou a cinismo. Foi interessante nesta entrevista a palavra blogosfera ter entrado nesta entrevista na discussão política.

 
At 12 de abril de 2007 às 13:18, Anonymous JER said...

Depois do Major Valentim Loureiro ter exigido um julgamento em directo numa televisão em substituição da sala de audiências, acabando por se contentar com uma grande entrevista gentilmente concedida por Judite Sousa, acabou por ser Sócrates a escolher o palco da televisão para realizar o julgamento da sua conduta universitária..

Em relação ao seu currículo académico Sócrates disse o que se esperava, ainda que se saiba que durante algum tempo os jornalistas possam encontrar mais umas dúzias de erros administrativos feitos pelas universidades por onde passou. Em toda esta história nunca foi a verdade que esteve em causa, pelo que não é um suposto esclarecimento da verdade que interrompe o processo, este morrerá quando não houver nada para dizer ou quando os patrões da comunicação social não quiserem enfurecer mais o primeiro-ministro porque entretanto surge um novo negócio em que dependem da boa-vontade governamental.

A entrevista acabou por ser um espectáculo triste com um primeiro-ministro de um país cheio de problemas a explicar questões menores como a fórmula com que termina as suas cartas pessoais ou as notas que teve nalgumas cadeiras que, diga-se de passagem, nem foram tão brilhantes quanto isso nem justificam desconfianças quanto ás suas capacidades como estudante.

Por fim, Sócrates portou-se muito mal na forma como caracterizou a blogosfera, num gesto de grande falta de respeito pelos cidadãos que têm o seu blogue e não se enquadram na definição de malfeitores que lhes foi atribuída. Sócrates está esquecido quando o PS andava com o rabo entre as pernas por causa do Processo Casa Pia e foi a blogosfera que ajudou a quebrar o medo que se instalou no país. Não foi graças à actividade política do seu partido que ganhou as eleições.

E enquanto se discutiram coisas menores tudo ficou por esclarecer, em vez de saber em que dia os professores lançavam as notas nos livros de termos eu preferi ter ficado a saber que medidas Sócrates vai adoptar para evitar que a construção de um novo aeroporto não venha a ser um manjar para a corrupção. Em vez de saber como termina as suas cartas eu teria preferido ouvir de Sócrates que os critérios para colocar funcionários públicos na mobilidade são isentos, contrariando o que por aí se vai ouvindo de que o cartão do partido assegura o lugar. Em vez de saber quantas cadeiras fez na UNI eu gostaria de ouvir Sócrates assegurar que a reestruturação dos serviços públicos não obedece a critérios oportunistas, preservando os serviços chefiados por amigos como eu já tive a oportunidade de assistir.

 
At 12 de abril de 2007 às 13:23, Blogger Pedro Manuel said...

Confesso não apreciar qualquer espécie de radicalismo: se chove é porque os deuses são uns velhacos; se a economia nacional não faz o take-of é por causa dos governos anteriores (o argumento já começa a enjoar..) e se existir por aí uma tentativa de destruição de carácter do PM a culpada é, claro está (segundo Sócrates), a blogosfera. Tudo por causa dum pingarelho ou outro que à falta de melhor projecto de vida se dedicam obsessivamente à espionagem blogosférica. Coitados..., são uns anões intelectuais.

Mas o PM, confesso, também não se saíu melhor nessa sua tosca tentativa de arranjar culpados para a sua própria inépcia mental em perceber que a estrumeira estava à sua porta. Afinal, ele tem uma carrada de assessores e ainda não conseguiu perceber que, como em tudo na vida, a porcaria está em todo o lado, até no seu gabinete de imagem, comunicação e derivados.

Afinal, a blogosfera tem um peso político em Portugal que verdadeiramente desconhecia, mas depois ataca a imprensa, curioso!!! É o que se chama tergirversar os argumentos. Em linguagem macaca é a chamada lógica-engenheiral da batata e dos derivados da Uni.

Esperemos que amanhã Sócrates, pelo facto cair mais uma ponte ou uma empresa multinacional deslocalizar a sua actividade empresarial para o Centro ou Leste europeu ou para Ásia não nos venha dizer que a culpa é a blogosfera.

 

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