domingo, 18 de maio de 2008

A EXPORTAÇÃO DE DESEMPREGADOS

Lembro-me de Rosalía de Castro e do socialista Manuel Alegre, e da música de José Niza, nesta época de partida para outras Habanas e Paris, de viúvas de vivos e de gares. Dois painéis do políptico da política deles, na voz de Adriano Correia de Oliveira:



Adriano Correia de Oliveira, Cantar de Emigração




Adriano Correia de Oliveira, Trova do Vento que Passa

De redução da taxa de desemprego em redução, até à derrota final. Há mais de 26 meses conseutivos a descer, prolongando a tendência anunciada em Fevereiro de 2008, o número de desempregados inscritos em centros de emprego (veja-se, por exemplo, o Relatório Anual de 2007 do IEFP-Instituto de Emprego e Formação Profissional). E agora, quando o Produto Interno Bruto (PIB) se contrai de forma intervalada, por forma a não atingirmos a recessão técnica, e aparecem os -0,2% do primeiro trimestre de 2008, que constituem o pior resultado da Zona Euro, disfarçados debaixo dos 0,9% de crescimento homólogo, louva-se o escoamento dos desempregados.

Cada desempregado tende a compreender que a sua oportunidade de emprego está no estrangeiro. Emigra: reduz o desemprego em Portugal e aumenta a produção de outro país. Com a sorte governamental e a lucidez dos desempregados aflitos na hora do desespero, estes vão emigrando, limpando estatísticas num processo consentido - sem recurso à artimanha da formação profissional e aos programas ocupacionais -, numa política socratina de sucesso: a diminuição da taxa de desemprego através do aumento da taxa de exportação de desempregados



António B. Caldeira

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9 Comments:

At 18 de maio de 2008 às 12:57, Anonymous F.T. said...

Verifiquei-o ao ler o documento original do INE. E constatei depois que o Público também se prestou à mesma tarefa:

*“Das 439.500 pessoas que estavam desempregadas no 4.º trimestre de 2007, 17,2 por cento (75.600) passaram a "inactivas" no 1.º trimestre de 2008.
Ou seja, abandonaram o mercado de trabalho, seja porque desistiram de procurar, seja porque as oportunidades de trabalho não eram satisfatórias ou porque se resguardaram no meio familiar. Trata-se de um fenómeno habitual em conjunturas depressivas.
O INE assinala que este número foi, aliás, superior aos verificados nos 3.º e 4.º trimestres de 2007.
Esse abandono tocou também 62 mil pessoas empregadas.
No total, de um trimestre para o outro, verificou-se a saída do mercado de trabalho de aproximadamente 137 mil pessoas (entre desempregados e empregados).”

Conclusão: o desemprego diminuiu porque 137 mil pessoas deixaram de ser consideradas desempregadas e passaram à condição de inactivos apenas porque não há registos de que tenham procurado trabalho no último mês.
O Público não calcula a taxa de desemprego que se verificaria caso o conceito de “desempregado” utilizado pelo INE incluísse esses 137 mil inactivos forçados: 9,8%.
E isto sem considerar como desempregados os trabalhadores a tempo parcial (todos aqueles que trabalharam pelo menos uma hora na última semana) que (lê-se no relatório do INE) aumentaram 9.400.

O desemprego subiu, muito, e a ideia que o Governo conseguiu passar foi a inversa, a de que desceu, e muito.
Em Portugal, qualquer fracasso se pode rapidamente transformar no maior dos triunfos, que depois, ainda mais rapidamente, se apregoa para que, depois desse depois, se transforme em votos.
Resulta.
No nosso atraso eterno.

 
At 18 de maio de 2008 às 12:59, Anonymous Anónimo said...

Depois de conhecido o trambolhão no crescimento económico português, sucedem-se as ajudinhas para tentar disfarçar o fracasso da política económica seguida pela governação Sócrates. Primeiro foi o INE a avançar com a maior diminuição do desemprego dos últimos anos. Ninguém no seu perfeito juízo se acredita no milagre. Seguiu-se-lhe Vítor Constâncio, que fala num crescimento do PIB “um pouco abaixo do que esperava”. Esse “Um pouco abaixo” são mais de 20%. E Bruxelas junta-se ao grupo, apesar de estarmos a divergir da média europeia há 7 anos, graça por lá uma fezada que as “políticas estruturais” um dia hão-de fazer a nossa economia crescer um pouco acima do um pouco abaixo.

 
At 18 de maio de 2008 às 13:01, Anonymous Anónimo said...

Conceitos de empregado e desempregado (INE): “O INE considera desempregados `os indivíduos com 14 e mais anos que, no período de referência, não tenham trabalho remunerado nem qualquer outro, que estejam disponíveis para trabalhar num trabalho remunerado ou não, e que tenham procurado um trabalho (remunerado ou não) nos últimos 30 dias.

São empregados `todos os indivíduos com 14 ou mais anos que, na semana de referência, tenham efectuado trabalho de pelo menos uma hora, mediante o pagamento de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar em dinheiro ou em géneros; engloba também os indivíduos que não estejam ao serviço à data da recolha mas mantinham uma ligação formal com o seu emprego, os indivíduos que tendo uma empresa não estavam temporariamente ao trabalho por uma razão específica e os indivíduos que, em situação de pré-reforma, se encontrem a trabalhar no período de referência.”
(no:http://naer.com.sapo.pt
/Anexos_Ota/E-132.htm)
Assim, para que alguém deixe de contar para as estatísticas como desempregado, bastará trabalhar uma só hora durante a última semana ou que não haja registos de que tenha procurado trabalho nos últimos 30 dias. O INE poderia dar uma ajuda mais efectiva para “o país ir para a frente” e fazer cair o desemprego ainda mais. Bastaria para isso que reduzisse o período de 1 semana para um dia, a hora de trabalho para um minuto ou que deixasse de contar como desempregados todos aqueles malandros que tenham deixado de procurar trabalho nos últimos 30 segundos.

 
At 18 de maio de 2008 às 13:11, Anonymous Alberto Fernandes de Matos said...

Estes senhores do governo mentem com todos os dentes que tem.
Basta ver a nossa cidade para ver que o desemprego e a falta de trabalho aumenta diáriamente e ainda não fechou a delphi.
Não se cria emprego.
A única coisa que aumenta é o desemprego.

 
At 18 de maio de 2008 às 13:21, Anonymous Anónimo said...

80% dos primeiros empregos são de vínculo precário
Muito se tem falado sobre o crescimento da precariedade laboral em Portugal. À custa de contratos a prazo, recibos verdes e outros vínculos instáveis, cerca de 20% dos trabalhadores têm um emprego instável. Em dez anos, este fenómeno agravou-se em 47% e afecta já 873 mil pessoas. Porém, tendo em conta que o fluxo entre contratados sem termo e a termo é relativamente neutro, como se explica este aumento tão acentuado? A resposta está nos estreantes no mercado de trabalho, ou seja, nas pessoas que começaram a trabalhar pela primeira vez - a maioria dos quais, jovens.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), solicitados pelo DN, quatro em cada cinco pessoas que entraram pela primeira vez no mercado de trabalho e com menos de seis meses de antiguidade nesse emprego possuem um vínculo contratual precário. E tal como acontece no universo total de trabalhadores, também neste segmento os contratos a termo têm vindo a ganhar importância. No primeiro trimestre de 1998, 69,8% das pessoas que se estrearam no mercado laboral nos seis meses anteriores tinham contratos precários; em 2004, esta percentagem já era de 76,2%; para, em 2008, atingir os 82,7%.

A maioria destes jovens trabalhadores estão a prazo. Dos 63 mil trabalhadores que, segundo o INE, declaram estar a trabalhar pela primeira vez há menos de seis meses, 42 mil tinham contratos a termo e 10,1 mil tinham recibos verdes (ou outros regimes precários). Apenas 11 mil, ou seja, 17% dos novos trabalhadores disseram ter obtido um emprego seguro.

Lei promove precariedade

Em teoria, a contratação a termo só é admissível para "satisfação de necessidades temporárias" das empresas e "pelo período estritamente necessário". É isso que diz o Código do Trabalho. Porém, o mesmo código estabelece que, para além dessas situações, "pode ser celebrado um contrato a termo" com "trabalhadores à procura de primeiro emprego ou de desempregados de longa duração". Ou seja, para estes trabalhadores não se impõe o carácter temporário da contratação a termo, o que o legislador justificou com a necessidade de fomentar o emprego.

Não se sabe ainda se esta cláusula se vai manter no futuro. O Código do Trabalho está a ser revisto, mas, até agora, apenas se conhece um documento do Governo no qual são definidas as linhas orientadoras da alteração legislativa. Nesse documento, é proposta a redução do período máximo admissível para a contratação a termo de seis para três anos. Simultaneamente, o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, defende um agravamento da taxa social única para os contratos a termo.

O INE divulgou na sexta-feira os resultados do último inquérito ao emprego, relativo ao primeiro trimestre de 2008. A taxa de desemprego fixou-se nos 7,6%, o que representa uma ligeira redução face ao trimestre anterior (7,8%), mas uma diminuição significativa relativamente ao trimestre homólogo de 2007. A quebra foi mais sentida entre os desempregados que procuram emprego há menos de 12 meses.

MANUEL ESTEVES
No:Diário de Notícias

 
At 18 de maio de 2008 às 19:06, Anonymous K. said...

Ouvi o Ministro Vieira da Silva muito satisfeito porque o desemprego diminuiu pata 7,6%, menos não sei quantas décimas do que os resultados homólogos comparados com outro qualquer Mês em outro qualquer ano. Vem dizer-nos isto quando todos vemos o sistema a ruir, com os estados impotentes (e pelos vistos inconscientes) para o travar. Não serão certamente com a imposição destas novas leis, como a laboral, consideradas tão fundamentais como desesperadas, que vão alterar seja o que for, antes pelo contrário será só dar mais poder a quem tudo anda a destruir. Não é com gasolina que se combate um fogo assim como não é com capitalistas e especuladores que se trava a ganância e a injustiça social.

 
At 19 de maio de 2008 às 19:42, Anonymous F.T. said...

Os números do organismo responsável pelas estatísticas europeias, Eurostat, mostram que o IDE originário de outros países da UE recuou de 6,4 mil milhões de euros em 2006 para 2,8 mil milhões de euros (-56,25%) no ano passado, enquanto que os investimentos estrangeiros originários fora do espaço 27 caíram de 2,7 mil milhões de euros para 1,3 mil milhões de euros (-51,85%).

A tendência de forte baixa em Portugal contrasta com o aumento do IDE na UE como um todo. Em 2007, os Estados-membros da UE receberam mais 23,3 mil milhões de euros de IDE intra-comunitário em comparação com 2006, de 445,9 mil milhões de euros para 469,2 mil milhões de euros (+5,22%), com o IDE originário de países fora da UE a subir de 168,9 mil milhões de euros para 319,2 mil milhões de euros, quase o dobro do verificado no ano anterior (+88,98%).
no:Público


Os dados, que revelam o fracasso do Governo Sócrates na atracção de investimento estrangeiro para Portugal, se estão em linha com o trambolhão verificado no nosso crescimento para metade do do primeiro trimestre do ano passado, estão em absoluta contradição com a baixa de oito pontos que foi apregoada para a taxa de desemprego.
Não vou alongar-me sobre esse milagre da camuflagem.
Os dados de hoje só reforçam as ideias de que houve manipulação dos números do desemprego e a de que o fracasso da política económica deste Governo é total.

 
At 19 de maio de 2008 às 21:22, Anonymous P.G. said...

Jovens qualificados em risco de viver pior que os pais

Têm entre 30 e 35 anos de idade, formação superior, pós-graduações e mestrados, mas ganham entre 500 e 800 euros e estão a recibos verdes ou com contratos a prazo. Este é o retrato de uma geração - a quem já chamam “geração 500 euros” - que não encontra um lugar ao sol no mercado de trabalho e continua a depender dos pais ou a ter mais do que um emprego para conseguir ter autonomia.

Mas se frequentarem um curso de Novas Oportunidades e se candidatarem a um portétéle, verão como o Sucesso resvala logo por aí aos trambulhões.

Entretanto, não sei se deram por isso, mas as previsões de crescimento económico em Portugal foram revistas em baixa acelerada.

É melhor começarem a falar na geração dos 399 euros.

Mas nunca se esqueçam do principal: o défice está abaixo dos 3% e todos nós vivemos muito melhor graças a isso.

 
At 19 de maio de 2008 às 23:10, Anonymous Anónimo said...

E DEPOIS DOS NÚMEROS DIVULGADOS HOJE SOBRE O INVESTIMENTO DIRECTO ESTRANGEIRO O BASILIO HORTA ESTÁ À ESPERA DO QUE PARA SE DEMITIR?

PODE ENVIAR A DEMISSÃO POR FAX COMO JÁ FEZ QUANDO SE CANDIDATOU A PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

 

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