segunda-feira, 21 de maio de 2012

GRANDES EMPREGOS? (parte II)

AINDA SE QUEIXAM?

 
Mestrado, etc., etc.
500 Euros / mês 
10h trabalho / dia

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GRANDES EMPREGOS? (parte I)


Conhece este senhor?

Chama-se António Nogueira Leite. 
Quantas horas terá o dia para este senhor? 
Tem cá umas olheiras… por elas e por causa do trabalho que desenvolve terá seguramente muito mais que 24 horas. 
Senão vejamos: foi recentemente nomeado vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos e, nesta única função, ganha mais de 20 mil euros por mês (nada mal). 
Mas, este académico que foi conselheiro de Pedro Passos Coelho (quem diria?), tem mais funções (de onde lhe escorrem mais uns eurozitos). 
Efectivamente é só, actualmente: administrador executivo da CUF, – administrador executivo da SEC, – administrador executivo da José de Mello Saúde, – administrador executivo da EFACEC Capital, – administrador executivo da Comitur Imobiliária, e – administrador (não executivo) da Reditus, – administrador (não executivo) da Brisa, – administrador (não executivo) da Quimigal, – presidente do Conselho Geral da OPEX, – membro do Conselho Nacional da CMVM, – vice-presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment Bank, – membro do Conselho Consultivo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, – vogal da Direcção do IPRI, e – é membro (quem diria?) do Conselho Nacional do PSD desde 2010, mas isto depois de ter sido governante pelo PS (e esta hein !?). 
Não digam que o senhor não tem o sentido da oportunidade. 
Merece o que ganha pois trabalha que se farta!!! 
É porque este senhor ocupa simultaneamente 14 postos de trabalho de alto nível (excluindo os políticos) e por outros milhares de exemplos similares da nossa praça que há tanta gente desempregada. 
O homem nem tem tempo para ir ao barbeiro! 
Um dia dá-lhe um enfarte, morre, e a taxa de desemprego em Portugal desce 10%.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A FOME, A MISÉRIA E A POBREZA

Não vejo um resquício de generosidade, uma minúscula fatia de sensibilidade humana nas últimas declarações do eng.º Francisco Van Zeller, patrão dos patrões da CIP. Pesarosamente o escrevo. O senhor surgia como um avô bondoso, voz limpa e pausada, voz sorridente se assim me posso exprimir. Agora, não. Parece outro homem. Até perdeu a dignidade do porte, Deus lhe perdoe. O eng.º Van Zeller opõe-se a quase tudo, menos aos interesses da classe que representa.

Opôs-se a que o novo Governo fizesse acordos com a Esquerda. Não se opôs a que os assinasse com o CDS. Vivemos num regime constitucional, republicano, cuja natureza exige a separação do poder económico do poder político. Às vezes, é verdade, o poder político volteia às cegas e recebe mais ordens do que toma decisões. Essa circunstância explica a desagregação da virtude e já chegámos a desinteressar-nos de discutir os princípios da liberdade e da democracia.

Notoriamente, o eng. Van Zeller aproveita-se deste vazio cívico, desta ausência ideológica e cultural para opinar sobre o que não deve, esquecendo-se do recato a que as suas nobres funções o devem obrigar.

Agora, opõe-se a que haja o menor aumento nos ordenados de quem trabalha. Quem trabalha que se aguente, dando continuidade a esse defeito nativo, à nossa vocação lacrimejante de sermos vítimas. Há dois milhões de portugueses na faixa da miséria: a expressão pobreza é um eufemismo apressadamente lançado à circulação quotidiana por políticos de baixa estirpe.

Conheço algumas famílias, e haverá certamente mais, cujos pais trabalham e os ordenados que recebem não chegam para as três refeições diárias. Acaso o deseje, sr. eng.º Van Zeller, acompanhá-lo-ei numa visita guiada aos redutos da miséria. Mas pode ir à Caritas, ou às outras várias organizações não governamentais (os Governos não se metem nisto) que socorrem milhares e milhares de portugueses.

António Perez Metello não ocultou, na TVI, a indignação que lhe causaram as ingerências dos patrões: ele não nomeou o engenheiro; disse: "o patronato", mas ferrou em público a indignidade. Os aumentos almejados são tão mínimos, tão escassos, tão módicos que qualquer objecção que se lhes faça soa a infâmia.

O eng.º Francisco Van Zeller, muito caritativo e assaz preocupado, manifestou a sua intensa solidariedade para com as pequenas e médias empresas, coitadas!, na síntese do opinante, que ficariam completamente desguarnecidas e até, talvez, tivessem de encerrar as portas. Ó eng. Van Zeller, ó eng.º Van Zeller, isso não são argumentos, são esconderijos esburacados de quem é, apenas e somente, o que sempre foi. Parece mal disfarçar-se com a capa da bondade quando está a defender o absolutamente indefensável.

Em 1845, Garrett escreveu, nas "Viagens na Minha Terra", o que custava um rico a um país: a ruína no trabalho, a dissolução moral, a miséria mais escanzelada. Garrett não era comunista.

Seria, agora, acusado dessa nefasta maldade. Só três anos depois de Garrett ter escrito aquela obra-prima, exactamente em 1848, é que foi editado o "Manifesto do Partido Comunista", de Marx e Engels. Será difícil admitir que o grande escritor tenha, por absurda antecipação, tomado as teses do "Manifesto" antes de ele ser publicado.

O eng.º Van Zeller foge à ideia que de ele fazia. O "bonhomme", elevado e atento, dissolveu-se a si mesmo. O patronato português, geralmente, é de um reaccionarismo bolorento. Além de demonstrar uma ignorância e uma incultura atrozes. Dir-me-ão: para ser bom empreendedor não é preciso saber quantos cantos tem "Os Lusíadas." Não é preciso, mas ajuda. O dr. Cavaco, por exemplo, não sabe. "Ao menos que sejam virtuosos os que não são instruídos", escreveu Ramalho Ortigão. A verdade é que nem isso. A virtude implica a consciência do que cada um de nós tem do dever e da honra. Ora, quem vive num plano alto da sociedade possui a responsabilidade ética de zelar e defender os interesses dos mais desprotegidos. Tirar-lhes o pouco que estes têm, compromete, inteiramente, quem o pratica.

Nenhum destes patrões conhecidos domina, pela admiração, as nossas curiosidades. O ressentimento é natural que nasça naqueles que sobrevivem nos tormentos das dificuldades e sabem que há "gestores" a auferir, mensalmente, vinte mil, trinta mil e dez mil euros, a beneficiarem de bónus vultuosíssimos e a pavonearem-se nos campos de golfe e nas festanças do jet-set (como é feia, aquela gente!).

Naturalmente, declarações deste jazes e estilo causam, naqueles que existem na miséria e no sofrimento, a maior das indignações. Homens e mulheres que trabalharam uma vida inteira e vivem em tugúrios, comem mal ou não comem, vêem-se impossibilitados de mandar os filhos para os estudos, esses homens e essas mulheres, muitos e muitos milhares, sentem-se ofendidos quando conhecem que há "gestores" com reformas de três mil e seiscentos contos mensais (moeda antiga) depois de seis meses de "funções" administrativas
.

B.B.

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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O ATENDEDOR DE CALL-CENTER

Os call-centers são úteis.

Mas tornaram-se o símbolo da sociedade portuguesa do início do século XXI.
Nos call-centers, as perguntas e as respostas estão praticamente pré-definidas, facilitando o diálogo entre clientes e fornecedores de serviços.

Têm um problema: têm dificuldades em responder às questões que não estão no guião.
Isto é: sendo uma perfeição em termos de algoritmos, recusam as questões que fogem ao que está programado.
O que lhes sobra em tecnologia, falta-lhes em filosofia.

Respondem ao como, não respondem ao porquê.
Não custa perceber porque é que José Sócrates atira foguetes ao ar quando é inaugurado um call-center.
A ideologia de Sócrates é o guião de um call-center.
Todas as perguntas e respostas estão programadas.
O discurso do primeiro-ministro é o de um atendedor de call-center.

Exemplo: no guião servido por Sócrates, são reclamados 133 mil novos empregos no País desde que está no Governo; na lista de respostas não está a que possa dizer quantos se perderam no mesmo período. Ou quantos têm o seu local de trabalho em Espanha.

Mas compreende-se.
O discurso político de Sócrates resume-se a um algoritmo: cada comando do seu computador ideológico só pode conter uma resposta a uma pergunta pré-definida, porque só sabe efectuar uma tarefa.
Que não admite questões.
Quando se misturam tarefas com questões que podem ser contraditórias, o menino de ouro deixa de ter o Toque de Midas ao seu dispor.
O call-center de Sócrates gira à volta de uma palavra: spin.


F.S.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

NÚMEROS PARA QUE VOS QUERO

Ouvindo dizer que desde o início desta legislatura foram criados mais 133 mil postos de trabalho, muitos portugueses terão concluído que o jackpot sai sempre aos outros. E, se calhar, devem ter-se perguntado: Se, diz o INE, no 1.º trimestre de 2005 (início da legislatura) havia 412 600 desempregados e, no 1.º trimestre de 2008, havia 427 mil (isto é, mais 14 400), o que aconteceu aos tais 133 mil postos de trabalho?
A única resposta aritmeticamente possível é que, entretanto, terão sido descriados 147 400 (133 mil + 14 400)…
Acontece algo parecido com a inflação.

Enquanto o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor era, em 2005, de 2,1% e, em Março de 2008, 3,1%, raro é o mês em que não surgem notícias da diminuição dos números da inflação homóloga, sendo que nem uns nem outros batem certo com os números da conta do supermercado (e da água, e da luz, e do passe…).
Talvez os portugueses devessem aproveitar as férias para ler How to lie with statistics (Como mentir com as estatísticas), de Darrell Huff.
Já que têm a prática, não lhes fazia mal nenhum ficarem também com a teoria.

M.A.P.

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

QUERES (DES)EMPREGO ESTUDA...

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Elvas

Portalegre

Ponte de Sor

registam 62,6%

desempregados



O número de desempregados habilitados com o ensino superior aumentou 69,6%, contrariando a noção de que quanto mais elevado é o nível de escolaridade, maior é a probabilidade de se conseguir uma colocação no mercado de emprego.

Jornal Fonte Nova

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

A "PUTA" DA CRISE...

Este bondoso e piedoso homem informou-nos ontem daquilo que muitos há muito sentimos e que só os políticos, economistas e jornalistas não sabiam; que a nossa economia e o nosso país está na merda e, pior que isso, fadado a não mais sair de lá.
Desce a riqueza neste país mas sobe tudo o resto; o desemprego, a inflação, a pobreza, o fosso entre ricos e pobres, o desespero.
Não foi por isso grande a novidade que ele nos veio dar, nem mesmo as recomendações de congelamento salarial.
Nunca o vi recomendar outra coisa, desde o dia que sentou a sua real
bunda na cadeira do Banco de Portugal, o que reconheço é um aborrecimento para nós que não temos a sorte de podermos dizer quanto queremos de salário e de nos garantirmos com chorudas reformas.
É pena.

K.

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

O MUNDO LÁ DE CIMA E O MUNDO CÁ DE BAIXO

O dispositivo de patrioteirismo colocado, com extrema eficiência, por todo o País, sob a benevolente aquiescência de uma Televisão desacreditada, de uma Rádio às aranhas e de uma Imprensa que se perdeu na pobreza moral, está a conduzir, muitos de nós, a um estado próximo da imbecilização.

A instrumentalização do "desporto" por parte do poder político é um fenómeno de que a Antiguidade foi fértil. No contemporâneo, a dimensão adquirida constitui uma obscenidade. Muitas contendas ditas desportivas (no caso vertente: futebolísticas) não passam de esquemas políticos.

À Esquerda e à Direita o recurso a esse enclausuramento mental tolhe qualquer iniciativa antagónica. Porém, a circunstância de, momentaneamente, as vozes críticas serem minoritárias, não significa que elas se calem. Alguns preopinantes pós-modernos acusam de anacronismo aqueles que ainda protestam contra estes mercadores de ilusões, que transformaram (graças a uma campanha impressionante) o Euro-2008 numa questão nacional - ou nacionalista.

E quando Marcelo Rebelo de Sousa admite que o País deve mais a Cristiano Ronaldo do que a qualquer outro, o dito é escandaloso.
Primeiro, porque só raramente, no estrangeiro, se associa o nome de Cristiano a Portugal; ligam-no mais, claro está!, ao Manchester.
Depois porque a vacuidade da afirmação não está à altura do professor; ou estará?
Então e Pessoa, e Vieira da Silva, e Damásio, e Paula Rego, e Manoel de Oliveira, e Júlio Pomar, e Saramago, e Siza Vieira - mais, muitos mais outros? A paranóia colectiva assombra, pela expressão numérica da mediocridade. Rui Santos, jornalista do futebol, chamou-lhe alienação e está com carradas de razão.

O mal-estar na sociedade portuguesa é anestesiado por esta catadupa de falsos valores, de falsos princípios, de falsos heróis, de falsas hipóteses, de falso patriotismo. De quantos brasileiros, apressadamente matriculados portugueses, possui a selecção nacional? E que motivou esses ternos guerreiros? O dinheiro, bem entendido, que até os levou a abjurar da própria nacionalidade. Há qualquer coisa de podre, de vil e de sórdido nesta doentia instrumentalização.

Há dias, a Notícias Magazine publicou um dramático apelo de D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal, e figura maior da Igreja.
Escreve: Sou, sem querer, mais uma voz a juntar-me à de tantos e tantos portugueses que vivem mergulhados num grande desânimo quanto ao presente e num grande medo quanto ao futuro. Estes sentires vão-se manifestando um pouco por tudo quanto é sítio, e será muito desejável que se lhes acuda a tempo (…) Portugal não pode esperar mais: os portugueses precisam de trabalho justamente remunerado, precisam de pão na sua mesa, precisam de ver respeitados os seus direitos enganados de saúde, de justiça, de educação, de segurança.

E o documento prossegue: Espantam-nos, a sério, os dois mundos que se vão construindo em Portugal: o mundo lá de cima, dos ultra-ricos e dos ultra-remunerados, e o mundo cá de baixo, dos pobres e dos ultra-pobres. Até já os da faixa do meio sentem o terreno a fugir-lhes.

É curioso que esta demarcação de D. Manuel Martins coincida com afirmações de D. Manuel Clemente, bispo do Porto, o qual, num debate sobre o Código do Trabalho, realizado na Associação Católica do Porto, declarou, ante a irritação do ministro Vieira da Silva: As organizações sociais, perseguindo o seu bem específico ao serviço do bem comum, são um factor construtivo de ordem social e solidariedade, portanto um elemento indispensável da vida social (…) Sem pressão sindical poderia acontecer que a administração pública se esquecesse do seu papel.

As vozes destes dois homens foram praticamente ofuscadas pelo alarido futebolístico. Como nada acontece por acaso, convém não atribuir ao acaso os infortúnios da razão, que levam quem organiza o escalonamento dos noticiários (nos jornais, nas rádios e nas televisões) a inverter a importância dos factos e a dissimular o carácter político-social dos acontecimentos com a frivolidade, essencialmente mutável, do futebol.

José Sócrates, cuja arrogância começa a ser suicida, desprezou a manifestação dos duzentos mil, e cava, cada vez mais fundo, a separação entre os portugueses. Alguém tem de dizer a este homem que já lhe é difícil arrepiar caminho e dar um torção à Esquerda. Cometeu tropelias, injustiças e incompetências demasiado extensas e graves para que se lhe perdoe. Teve tudo na mão para equilibrar as coisas: até uma certa cumplicidade dos órgãos de informação, fatigados das desditas de Guterres, de Durão e de Santana. Não o fez. Segundo o insuspeito Joaquim Aguiar, ele não estava preparado para dirigir o País.

Tem sido acolitado por um grupo de subservientes, pouco ou nada apetrechados ideológica e culturalmente, que em nada o têm ajudado. Há dias, Vítor Ramalho, começou, ele também, a criticar a governação, e o próprio PS, revelando que não há debate nos núcleos socialistas. Recordo que, há anos, o PS dizia o mesmo do PCP, e, ainda recentemente, idêntica acusação foi formulada por sociais-democratas ao PSD. Não há debate nos partidos; não há debate na sociedade. O vazio impera.

Creio que Manuela Ferreira Leite apenas fará algumas mossas na carcaça do Governo. Ao contrário do que dizem os seus turiferários, ela não colhe nem as simpatias da totalidade dos companheiros, nem a empatia dos portugueses. Um guru tem afirmado o contrário e, inclusive, que a senhora unirá o partido. Todavia, o Santana não é para graças; o Passos é um pequeno falcão à espera; e Patinha Antão pode ter obtido um resultado escasso, mas (para minha surpresa e de muitos) revelou um sábio conhecimento dos dossiês. Além do que Manuela Ferreira Leite representa o que de mais cediço e arcaico existe na sociedade portuguesa. Não vai resolver nada: vai complicar tudo. E o seu apressado discurso social não dissimula a actividade praticada no Governo.

Manuela Ferreira Leite é mais do mesmo, igual a todo o mesmo. É uma soneira. José Sócrates, uma canseira. Como diria o Eça: Meninos, que ferro!


B.B.

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segunda-feira, 19 de maio de 2008

JOVEM, PORTUGAL, 2008...


Jovens qualificados em risco de viver pior que os pais

Têm entre 30 e 35 anos de idade, formação superior, pós-graduações e mestrados, mas ganham entre 500 e 800 euros e estão a recibos verdes ou com contratos a prazo. Este é o retrato de uma geração - a quem já chamam "geração 500 euros" - que não encontra um lugar ao sol no mercado de trabalho e continua a depender dos pais ou a ter mais do que um emprego para conseguir ter autonomia.


Jovens com empregos mais precários e salários em queda

O desemprego registou uma melhoria no início de 2008, mas a realidade por detrás dos números continua a penalizar os jovens, mesmo os mais qualificados. Embora tenha sido entre os trabalhadores com 25 e 34 anos que o desemprego mais diminuiu e o emprego mais aumentou, é também dentro desta faixa etária que os contratos a prazo são mais habituais, a que se junta o facto dos seus salários terem vindo a perder peso face à média nacional.

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domingo, 18 de maio de 2008

A EXPORTAÇÃO DE DESEMPREGADOS

Lembro-me de Rosalía de Castro e do socialista Manuel Alegre, e da música de José Niza, nesta época de partida para outras Habanas e Paris, de viúvas de vivos e de gares. Dois painéis do políptico da política deles, na voz de Adriano Correia de Oliveira:



Adriano Correia de Oliveira, Cantar de Emigração




Adriano Correia de Oliveira, Trova do Vento que Passa

De redução da taxa de desemprego em redução, até à derrota final. Há mais de 26 meses conseutivos a descer, prolongando a tendência anunciada em Fevereiro de 2008, o número de desempregados inscritos em centros de emprego (veja-se, por exemplo, o Relatório Anual de 2007 do IEFP-Instituto de Emprego e Formação Profissional). E agora, quando o Produto Interno Bruto (PIB) se contrai de forma intervalada, por forma a não atingirmos a recessão técnica, e aparecem os -0,2% do primeiro trimestre de 2008, que constituem o pior resultado da Zona Euro, disfarçados debaixo dos 0,9% de crescimento homólogo, louva-se o escoamento dos desempregados.

Cada desempregado tende a compreender que a sua oportunidade de emprego está no estrangeiro. Emigra: reduz o desemprego em Portugal e aumenta a produção de outro país. Com a sorte governamental e a lucidez dos desempregados aflitos na hora do desespero, estes vão emigrando, limpando estatísticas num processo consentido - sem recurso à artimanha da formação profissional e aos programas ocupacionais -, numa política socratina de sucesso: a diminuição da taxa de desemprego através do aumento da taxa de exportação de desempregados



António B. Caldeira

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quinta-feira, 15 de maio de 2008

FARTOS, FARTOS, FARTOS DE...


Andam por aí uns tipos fartos de recibos verdes.
Não é a cor do recibo que os incomoda, é a discriminação a que tresanda.
Cumprem horário, como o parceiro do lado.
Estão, como ele, sob cutelo disciplinar.
Podem até ser mais competentes.
Mas são descartáveis, provisórios.
Estão de passagem, quantas vezes para o desemprego.

Quando ouviram o Governo garantir que iria combater a precariedade, acalentaram a secreta esperança de que a sua vida melhoraria.
Os que trabalham para o Estado, então, devem ter pensado que a vontade política proclamada se converteria em letra de forma. Se a uniformização entre os regimes privado e público era apontada como a chave das mudanças legislativas em curso, abria-se uma janela.

Pura ilusão!
O Governo, que via Código do Trabalho quer limitar a três anos a contratação a termo no sector privado - penalizando até, fiscalmente, o recurso a esta modalidade - propõe-se reservar para o Estado o direito de deixar os seus trabalhadores precários a penar durante seis anos.
Sem qualquer perspectiva de virem a conquistar um vínculo estável.

Porquê o tratamento diferenciado?
Arrisque-se uma resposta.
Cruzando esta medida com umas quantas aposentações (o despedimento puro e simples - ainda - não é possível) pode o Governo apresentar os resultados da dieta de emagrecimento que tem vindo a impor.

Mantendo os que só dispõem de recibo verde no limbo laboral, o Estado compõe o ramo, no que toca ao número de funcionários.
Afinal, eles não passam de um anexo das estatísticas.
Trabalham, mas nem um contrato possuem.
São mais ou menos clandestinos, mesmo se indispensáveis ao funcionamento dos serviços.
Ficam é mais em conta.
É isso que importa.

P.M.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

ESTÁ EXPLICADA A ENTREVISTA, AO GAJO QUE SE DIZ "ENGENHEIRO"


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sábado, 1 de dezembro de 2007

À PROCURA DE RESPOSTAS

Temos vivido sob o império da fé ou da fezada, idênticos modos de servidão, porque pertencentes ao mesmo tipo de superstições.
Uma infernal máquina ideológica chacina as nossas meninges, insistindo em quatro pontos fundamentais (dizem eles) para o êxito, a glória, o bem-estar e a fortuna.
Ei-los: competência, competitividade, rigor, estabilidade.
Estes conceitos, transformados em princípios salvíficos, pretendem, tão-só, reduzir a questão social ao contexto da globalização.


O que subjaz a esta ideologia não tem sido estudada, analisada e discutida. Exactamente porque a ignorância grassa, examinar o problema é maçador, e torna-se mais fácil fundar as nossas acções quotidianas na graça pessoal das ideias fáceis.

Repare o meu Dilecto que nunca se fala em cidadania, quando se fala naquelas estranhas quatro componentes do discurso oficial. E a tese da cidadania é fulcral para se entender esta pendência.
Os perigos ameaçam-nos por todos os lados. E uma democracia que só conhece uma forma de eleição, a dos consumidores dos diversos bens e benefícios, está irremediavelmente condenada.


Ainda há dias, Manuel Carvalho da Silva, dirigente da CGTP, dizia que a precariedade é um limite à cidadania plena.
Ora bem: a precariedade resulta das quatro componentes referidas, e projecta eliminar a politização dos cidadãos. Além do que cria e alimenta o medo.
Um trabalhador a título precário não reivindica, não protesta, não exige. Abdica dos seus direitos e deveres de cidadão.
Ficou muito clara a posição do patronato, no último programa de Fátima Campos Ferreira, Prós e Contras.
Foram quase ultrajantes as declarações produzidas por um deles, cujo nome omito, por exigências de higiene moral – mas a quem as pessoas de rectidão não deixam de marcar com os ferros da indignidade.


Trinta e três anos decorridos depois da festa de Abril, a regressão dos direitos de todos nós chega a ser assustadora.
O projecto corporizou-se na década de 80 do século XX.
O trio Reagen-Thatcher-Cavaco correspondeu a um projecto de domínio económico, escalonado em várias etapas.
Como escreveu Eric Hobsbawm: Teria sido mais adequado que o capitalismo não se deleitasse ante o cadáver do comunismo soviético e se ocupasse mais dos seus próprios defeitos. Parece-me que, a longo prazo, a democracia e o mercado vão enfrentá-los.
Porém, qualquer daqueles três políticos não dispunha suficientemente de cultura social capaz de proceder ao exame dessas contradições.
Ainda não há muito tempo, o grande escritor norte-americano Gore Vidal declarou que Reagen abriu a caixa de Pândora enquanto Bush a escancarou. As conclusões estão à vista.


Portugal está na situação em que está por múltiplas razões.
Mas não será despiciendo dizer que uma delas, porventura a mais forte, consiste em que a classe dirigente não possui nem projecto, nem doutrina nem convicções.
O assunto Mugabe é deplorável.
Tal como o caso do Dalai Lama.
Com visível embaraço, o querido ministro socialista dos Negócios Estrangeiros escarmenta o presidente do Zimbabwe, servindo-se de uma linguagem diplomática leve como um passarinho chamado hipopótamo. Quando ao chefe religioso do Tibete, as principais autoridades portuguesas não o recebem.
Num dos casos, não se deseja melindrar o primeiro-ministro inglês; no outro, receia-se beliscar a China.


A cidadania não é promovida: é espezinhada.
Depois, segundo consta, pedem que nos motivemos, que sejamos alegres, que estejamos muito jubilosos com essa vergonha chamada, inapropriadamente, o Tratado de Lisboa.
Sócrates está felicíssimo.
Trata-nos com os pés, mente descaradamente, atira-nos para o desemprego, açula os mandantes para que nos despeçam (viram-se os reflexos e ouviram-se os ecos nos Prós e Contras); e já nem sequer dissimula a sobranceria.
Entretanto, há quem goste de ser sovado; e esses dos sovados (e, ocasionalmente, cevados) perseguem, insultam, injuriam e caluniam aqueles que se não cumpliciam com a infâmia.


Volto a Carvalho da Silva, a propósito de uma entrevista concedida à revista Focus, e na qual o conhecido sindicalista, referindo-se à tese de doutoramento, agora editada em livro: Sempre tivemos, nas últimas décadas, a ideia de que é possível harmonizar no progresso, e é evidente que é. Mas porque se pode explorar mais as pessoas num determinado local do mundo, querem-nos impor essa harmonização no retrocesso. Há uma espécie de espiral regressiva que faz com que haja sempre um mercado de trabalho que funcione com condições mais degradadas. Há 65 mil empresas que dominam dois terços da economia mundial e que fazem esta pressão negativa, não porque estejam preocupadas com os trabalhadores nos países em desenvolvimento, mas porque podem explorá-los.

As instituições mundiais, fundadas depois da II Grande Guerra, não só deixaram de se actualizar, perante as aceleradas mudanças geopolíticas, como se tornaram praticamente inúteis.
A desadaptação atingiu, inexoravelmente, os sindicatos. A contenda contra esta nova expressão de colonialismo mundial assume aspectos da luta de David contra Golias.


Sabe-se, hoje, que os meios de produção do comunismo soviético não conseguiram rivalizar com os do capitalismo, mas que, como os do capitalismo, constituíram uma forma de poder arbitrário.
Há resposta para enfrentar este novo sistema económico, diferente do velho capitalismo de mercado, como este o era do mercantilismo?
A interrogação aí fica
.

B.B.

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