quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ESTÁ VISTO! QUÊM MANDA?



Há uma semana, o Banco Privado Português, estava falido e sem salvação possível.



O pior ministro das Finanças da Europa, (segundo um jornal inglês), dissera que tal situação, não acarretava qualquer risco grave para o sistema financeiro, afastando qualquer possibilidade de recurso ao Estado para suprimento das dificuldades, através da injecção de capital público.

Menos de uma semana depois, o que era então verdade, deixou de o ser, como no futebol .
O pior ministro das Finanças da Europa, lá teve mais uma vez, de engolir o sapo vivíssimo que lhe foi servido em Conselho de Ministros, pelo primeiro-ministro que o nomeou e o pode tirar do lugar com a mesma presteza.

A superestrutura que efectivamente governa - e que só por si justifica a existência de um partido comunista, para permitir estas noções de esquerda - tirou o tapete ao pior ministro das Finanças da Europa e com o apoio explícito do excelso governador do Banco de Portugal, deu a mão aos ainda mais magníficos accionistas e depositantes do BPP.
Balsemão, Saviotti, Vaz Guedes et al, agradecem, mas o caso cheira demasiado a esturro.

Evidentemente, a superestrutura pressionou o primeiro-ministro.
Porque se assim não fosse, não fariam sentido as declarações do pior ministro das Finanças da Europa.

E a gente não sabe porquê, uma vez que a notícia do Expresso é uma cortina de fumo.

Tanto fumo que até o apoiante da causa, ficou obnubilado com a decisão de reviravolta.
Nem a manchete do Expresso, de Balsemão, agora com a equipa directiva reforçada por esse génio do jornalismo que é Ricardo Costa, lhe mostrou a luz.
Virá a seguir.
Mais certo do que a causa ser sempre a mesma.


José

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19 Comments:

At 3 de dezembro de 2008 às 21:19, Anonymous Anónimo said...

Se os activos do Banco Privado valem 672 milhões de euros, como diz o comunicado do Banco de Portugal, por que razão precisam os seis bancos da garantia do Estado para financiar um banco que há uma semana recusavam ajudar? Não quiseram avançar com o seu dinheiro sem ter a garantia de que o Estado assume o risco do empréstimo? Porque será?

 
At 3 de dezembro de 2008 às 21:20, Anonymous J.G. said...

Seis bancos, entre os quais a CGD, vão "ajudar" o BPP, o formoso banco que se dedica a "gerir fortunas". Tal como nos partidos existe o "circuito da carne assada" que define a "solidez" de uma liderança, também na banca portuguesa há um "circuito" de regime que confere aos respectivos gestores, por muitas asneiras que façam, o direito de não se chamuscarem excessivamente. Para além disso, com a teoria do aval o governo assegurou que o "circuito" não seria interrompido por trivialidades como falências, péssimas administrações e crises internacionais. Dizem que é por causa da "imagem" do país. Todavia, o país cuja "imagem" deve ser preservada "segurando" estes beneméritos, é fundamentalmente o país que paga impostos, que usa a banca para o essencial e não propriamente para "negócios" e, muito menos, para tratar da fortuna que não possui. O governo e, por ele, o Estado estão a tornar-se o "caixa-forte" de uma gente que se orgulhava de ser o "exemplo" da "sociedade civil" portuguesa e do seu não menos famoso "empreendedorismo". Os rostos que vimos há dias por trás do dr. José Miguel Júdice, na assembleia geral dos accionistas do BPP, são velhos conhecidos do regime. O que é que a generalidade dos contribuintes tem a ver com isto?

 
At 3 de dezembro de 2008 às 21:24, Anonymous Anónimo said...

"Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade."

Eça de Queiroz
1867

 
At 3 de dezembro de 2008 às 21:28, Anonymous J.U.M. said...

O ministro das Finanças encontrou uma boa desculpa para ajudar o BPP sem dar nas vistas, em vez de dar o aval directamente ao banco, avalizou os bancos que avançaram com a liquidez, a desculpa foi o risco sistémico. O receio do ministro está na possibilidade de uma falência do BPP prejudicar os outros bancos, os mesmos que se recusaram a investir no BPP e que agora o fazem com o aval do Estado.

Ora, se há coisa que existe me toda a economia é o "risco sistémico", não é exclusivo dos bancos e tanto quanto se sabe o Governo não interveio em nenhum sector com este argumento.

 
At 3 de dezembro de 2008 às 21:32, Anonymous P.S. said...

No Banco Privado Português “não há uma questão de natureza sistémica“, dado o peso pouco significativo de depositantes que tem. Teixeira dos Santos, 24 de Novembro de 2008

Em virtude dos riscos de contágio que aquela situação potencialmente comporta, foi possível obter a concordância de outras instituições de crédito para prestar apoio financeiro ao Banco Privado Português e que, para viabilizar esse apoio, foi concedida uma garantia do Estado, com contragarantia de activos da instituição. Comunicado do Banco de Portugal, para justificar o plano do BDP e do Governo para financiar o BPP, 2 de Dezembro de 2008.

Das duas uma. Ou o ministro das Finanças pronuncia-se publicamente sobre a situação dos bancos sem saber o que está a dizer - o que é grave e abona pouco a favor da sua credibilidade, principalmente em tempos de crise e incerteza - , ou sabia o que estava a dizer e nada explica a racionalidade económica da reviravolta que hoje teve lugar. Mas há razões que a racionalidade económica desconhece. A começar pela necessidade de, como diz Vital Moreira, proteger a “fortuna de tantas figuras gradas e de tantas respeitáveis instituições”.

 
At 3 de dezembro de 2008 às 21:33, Anonymous P.S. said...

Há menos de um semana não havia nenhum banco disposto a adquirir ou financiar o Banco Privado Português. O que faz, então, que seis bancos apareçam agora dispostos a “entrar” com 600 milhões de euros para salvar o BPP? O dinheiro que o Estado oferece como garantia. Se a coisa correr mal, seremos todos nós a pagar pelo prejuízo bolsista de meia dúzia de altos investidores.

O Banco Privado não é bem um banco. Não tem operações de retalho. Tem pouco mais de 3 mil clientes. Ninguém lhe conhece um balcão. É uma instituição financeira especializada em aplicações financeiras de alto risco. Quando o mercado sobe, distribui generosos dividendos. Quando encontra uma crise financeira, que nem precisa ser como a actual, desce mais depressa que um avião sem motor. Se os accionistas não acreditaram nos activos do seu banco, e não aumentaram o capital para o salvar, porque razão foi o Governo aceitar esses “activos” como garantia? Qual é o sentido de colocar o dinheiro dos contribuintes a assumir o risco dos investimentos bolsistas de meia dúzia clientes de um banco gestor de fortunas?

O Banco Privado não é o BPN. Não tem um grupo económico com milhares de trabalhadores, não tem centenas de balcões e 300 mil clientes. Não há o agora famoso risco sistémico, como o ministro das finanças reconhece. Dificilmente se imaginaria uma corrida aos balcões pela falência de um banco com a espantosa quota de 0,2% do mercado e do qual ninguém conhecia o nome há uma semana atrás. O BPP não é um banco. É um porta moedas. Com dinheiro de gente muito rica e influente, é certo, mas pouco mais que um porta-moedas. A mensagem que o governo transmite é clara. Aconteça o que acontecer, e por mais irrelevante que o banco seja, aí estará o dinheiro público para o suportar. Podem continuar à vontade que esta crise não oferece nenhuma moral da história. As práticas de gestão bancária estão correctas. Quando corre bem, distribuem dividendos, quando corre mal os contribuintes pagam.

Vale a pena lembrar os motivos invocados por José Sócrates para a concessão das garantias públicas aos bancos: “O que nós fizemos não foi para ajudar os bancos, foi assegurar que existe dinheiro nos bancos para servir a nossa economia e as famílias”. Isso é tudo muito bonito, mas o BPP não fornece crédito a particulares nem a empresas. Se o banco não representa risco sistémico e não foi para ajudar a economia, resta saber por que razão o Governo avança com um garantia pública para salvar um banco no qual os próprios accionistas não quiseram apostar. Ninguém saberá, mas fica sempre a dúvida se não terá sido para garantir o apoio da poderosa e influente rede de clientes do BPP.
Ainda duvida?

 
At 4 de dezembro de 2008 às 07:39, Anonymous Anónimo said...

O Ministro das Finanças vai ser demitido,para o seu lugar vai Manel de Val Junco!

 
At 4 de dezembro de 2008 às 12:09, Anonymous Anónimo said...

Parece mais que evidente que a mudança que fez decidir a "salvação" do BPP foi a clientela do mesmo banco. O que é vergonhoso é que mudam tão depressa de opinião. Os clientes do BPP são pessoas ricas e com ingluência política como está mais que provado, os negócios deste banco e do seu principal gestor João Rendeiro nunca foram transparentes.

 
At 4 de dezembro de 2008 às 19:49, Anonymous J.U.M. said...

O primeiro-ministro foi reunir-se com o pessoal da indústria automóvel, lá deu mais umas centenas de milhões, coisa que nos últimos tempos é frequente, mas não se esqueceu do pessoal que não tem depósitos bancários não cobertos pelo fundo de garantia, nem acções no BPP. Ao ouvi-lo tive a sensação estranha de que pouco tempo depois da mudança da hora veio a mudança da data, a generosidade foi tanta que pensei que já era Natal e fui a correr meter o sapatinho na lareira, perdão, em cima do fogão, debaixo do buraco na parede a que convencionamos chamar chaminé.

Então o nosso primeiro-ministro não nos prometeu gasolina mais barata e juros mais baixos? O problema é que não dou grande uso ao carro, nem tenho grandes créditos bancários, resta-me beneficiar da baixa da taxa da inflação e do aumento dos funcionários públicos. Como já me esqueci do aumento de 2% do iva, do aumento do IRS, do fim da dedução da pensão de alimentos e de outras pequenas maldades até fico com a sensação de que em 2009 ainda poderei lançar uma opa sobre o BCP. Olhem que nem seria uma má ideia, metia a massa ao banco e quando estivesse à beira da falência ia almoçar com o Constâncio, no dia seguinte apareceria o Teixeira dos Santos com mais uma intervenção por causa do risco sistémico. Com toda a massa que tinha metido ao bolso ainda poderia ter um decreto-lei a conceder-me o terminal de contentores no Terreiro do Paço! Até porque uma placa giratória para os contentores de brinquedos vindos da china e de plástico para recilar para o mesmo país lucrava mais ao país do que o hotel de charme em que se transformaram as arcadas da praça onde o único que não mija na rua é o cavalo do D. José.

Só espero que Sócrates tenha mais jeito para as previsões económicas do que para o desenho de construção civil, porque essa coisa de ver um primeiro-ministro a prometer baixas das cotações do petróleo e das taxas de juro para o ano seguinte mais parece bruxaria do que discurso de governante. Eu diria que da mesma forma que Manuela Ferreira Leite resolveria os problemas das reformas suspendendo a democracia durante seis meses, também Sócrates poderia acertar as suas previsões se pudesse decidir a suspensão dos mercados durante igual período. A diferença é que Manuela Ferreira Leite teve imaginação e Sócrates teve um palpite, venha o diabo e escolha.

Se fosse nos meus tempos de infância e estivesse numa feira diria que estava a ouvir um “caga milhões” gritando “e pelo mesmo preço dou-lhe ainda estes atoalhados, mais este cobertor, e aind esta almofada, mais…”. Mas não já estou crescidinho, já não há “caga milhões” (não haverá mesmo?) e quem prometeu o imprevisível foi um primeiro-ministro. Finalmente percebi a política económica de José Sócrates, as coisas más decreta ele, as boas são previsões. Depois de ter ouvido dizer que o Financial Times considerou Teixeira dos Santos o pior ministro das Finanças da Europa sou tentado a pensar que é Teixeira dos Santos que anda a dar explicações de previsão económica a José Sócrates.

Com tanta promessa só me resta esperar que no próximo ano José Sócrates prometa o reaquecimento global!

 
At 4 de dezembro de 2008 às 19:51, Anonymous J.E.R. said...

«O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou que as famílias portuguesas vão ter melhor rendimento disponível em 2009, devido às baixas conjugadas da taxa de juro, do preço dos combustíveis e da inflação.

"As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009, que advirá da baixa da Euribor e da baixa da taxa de juro. Isso vai aliviar muito as famílias nas suas prestações para pagarem os créditos à habitação, que são hoje uma componente muito significativa das despesas familiares", disse José Sócrates.»
[Jornal de Notícias]

Este Sócrates tem um notável sentido de humor.

Dê-se a merecida gargalhada.

 
At 4 de dezembro de 2008 às 19:57, Anonymous J. said...

Queremos o Berardo!
No meio desta confusão entre BPN e BPP´s , por onde anda o Comendador Berardo, o homem da Bacalhôa?
Desapareceu?
Já ninguém o convida para aparecer na abertura dos telejornais?
Nem o Ricardo Costa ou o seu alter-lego, José Alberto Carvalho? Nem sequer o inefável Mário Crespo, ou a imperturbavelmente inexpressiva Ana Lourenço?
Berardo sumiu do espaço mediático, porquê?
Porque não sabe falar?
Não tem nada para dizer, ou já ninguém mais o quer ouvir?
Mas isso não era exactamente assim, aquando do caso BCP? Então...porquê?

 
At 4 de dezembro de 2008 às 19:59, Anonymous M.A.P. said...

Socialismo de casino
Ontem

Noticia a AFP que, para poder obter do Estado americano um crédito salvador, a Ford vai reduzir o salário do seu presidente executivo para 1 dólar… por ano. Henry Ford tinha dito em 1934, em plena Grande Depressão: "Deixem-nos falir a todos. Se eu ficar sem nada com o colapso do sistema financeiro, recomeçarei do princípio e construirei tudo de novo".

75 anos depois, num país distante (não, não é de África), não só os gestores de bancos falidos continuam a ganhar milhões, como um governo socialista entrega o dinheiro dos contribuintes como garantia para salvar as fortunas de meia dúzia de milionários que fizeram um banco para especular na Bolsa e investir em aplicações de alto risco que deram para o torto. "Servir a nossa economia e as famílias", foi o motivo com que Sócrates justificou os apoios do Estado à banca. O BPP não tem balcões nem dá crédito a particulares ou empresas, apenas gere fortunas de uma elite financeira com nomes como Rendeiro, Ferreira dos Santos, Saviotti, Balsemão, Vaz Guedes, Júdice, etc.. São as fortunas de tais "famílias" que os nossos impostos vão agora garantir.

 
At 4 de dezembro de 2008 às 20:01, Anonymous Manuel Azinhal said...

O socialismo afinal é também (sobretudo) para os espertos

Havia lá em cima dois pobres lavradores, desde sempre vizinhos e amigos.
Um tinha duas vacas, e o outro tinha dois burros.
Um dia, veio a revolução quebrar o ritmo inalterável daquela existência sempre igual.
Aquele que tinha duas vacas, mas não tinha nenhum burro, ouviu a pregação socialista, e ficou sensibilizado pelas doutrinas sobre a propriedade, a igualdade, a justa repartição da riqueza, etc. - e tirou as suas ilacções.
Dirigiu-se então ao amigo que tinha dois burros, e expôs o problema: agora vinha aí o socialismo, a igualdade, quem tinha mais devia repartir por quem não tinha – em suma, em adesão às novas ideias impunha-se que o amigo, que tinha dois burros, lhe desse um deles, que bastante jeito lhe fazia, e assim ficariam conformes com a doutrina consagrada na constituição.
O outro ouviu, e, bem ou mal convencido, ou apenas esmagado pelo brilho da nova ideologia, acedeu – e deu-lhe um dos burros, em homenagem ao socialismo.
O pior foi depois, quando contou à patroa. Ouviu das boas, que o sentido prático feminino não permitia a esta embarcar nas mesmas cantigas. E terminou a mulher o raspanete com a saída lógica: o nosso amigo tem duas vacas, e nós não temos nenhuma; trata pois de ir falar com ele, e resolver o problema; a nós também fazia muito jeito ter uma vaquinha ...
Ao infeliz pareceu acertada a ideia, e lá foi novamente falar com o amigo. Pôs a questão como a mulher o ensinara, e apelou ao amigo: tem duas vacas, eu não tenho nenhuma, impõe-se assegurar a igualdade – se me desse uma das vaquinhas, como eu já lhe dei um dos meus burros...
Aqui chegados, o primeiro sobressaltou-se – e renegou do socialismo.
- Mas o amigo não percebeu?
O socialismo é só para os burros ...

 
At 4 de dezembro de 2008 às 23:40, Anonymous Anónimo said...

nao vos avisei que a delphi continuaria aberta? nao dao ouvidos a quem percebe do assunto, agora alguns ficam a chorar e outros ficam bastante satisfeitos por terem o trabalho que prezam, e a meu ver, essa é a melhor atitude

 
At 5 de dezembro de 2008 às 12:46, Anonymous Anónimo said...

Ainda bem que a delphi não fecha, temos trabalho mas, porque fizeram tanto alarido e tanta preocupação, não sabiam como ia acontecer? Se uns dizem que não fechava e outros negociavam a saida.Parece que a história não está bem contada.

 
At 5 de dezembro de 2008 às 12:52, Anonymous Anónimo said...

Este governo é o maior desgoverno que nos caiu em cima. A ajuda ao BPP é um insulto. Andam a brincar, os accionistas do BPP passam fome, não pagam as 3 casas que férias que têm pelo mundo, e outros luxos que temos de pagar?

 
At 5 de dezembro de 2008 às 19:44, Anonymous Antínio B. Caldeira said...

Estamos a cruzar um período histórico que virá a ser conhecido pela Grande Depressão de 2008-2010. Os vales fazem parte dos ciclos económicos, como fazem os picos. Nos picos nos cortamos e nos vales descobrimos forças para levantarmos a actividade económica. Períodos de contracção sucedem a períodos de expansão. A crise conjuntural é inevitável, como o crescimento - e como a crise estrutural que resulta de um desajustamento maior da capacidade de produção e consumo, endividamento, poupança e investimento.

Nas próximas décadas se discutirá ardorosamente, como é normal por as paixões ideológicas imporem pontos de vista diversos e, pela perspectiva mais ou menos enviesada, se fará a própria análise. Cada teoria - a Escola Austríaca, o Monetarismo, Supply-Side, Keynesianismo e Marxismo - explica, a seu modo, a queda da economia em 1929. E cada teoria explicará, com raras concessões de culpa, a causa da Grande Depressão de 2008-2010, buscando na interpretação própria da História, dos factos e dos números, a supremacia científica e prática dos seus axiomas. Um velho vício: um modelo económico só tem vigor para o presente e futuro se puder, pelo menos, aplicar-se sem falha aos dados passados.

Assim, novamente sobre esta Grande Depressão de 2008-2010, os defensores da Escola Austríaca dirão que a causa está no excesso de moeda; os Monetaristas justificar-se-ão com a falta de liquidez; os Supply-Siders com o peso fiscal; os Keynesianos queixar-se-ão do desincentivo da produção; e os Marxistas com a derrocada do capitalismo pelo descréscimo da eficiência marginal do capital. Sobrevivem os factos à sua interpretação: a crise económica, a redução da riqueza, do rendimento, do consumo e da poupança, do investimento e do emprego. E os efeitos sociais e políticos.

Menos preocupado com a culpa do que com o crime, é altura de gerarmos uma resposta eficaz de longo-prazo, para lidar com as sequelas da crise, que vá além da vista curta do socorro financeiro.

 
At 5 de dezembro de 2008 às 20:56, Anonymous Anónimo said...

Está pronto o plano de 450 milhões euros para salvar BPP

Seis bancos vão conceder empréstimo de 450 milhões ao BPP

Encontra-se preparado para ser posto em acção o plano de saneamento do Banco Privado Português. Adão da Fonseca, actual secretário-geral do BCP, foi nomeado presidente provisório do BPP pelo Banco de Portugal. O Estado garante ainda 450 milhões de euros de empréstimos concedidos por seis bancos nacionais.

RTP

Salvar, v. tr. pôr a salvo; livrar de perigo; livrar; preservar; passar por cima, saltando; galgar; defender; dar saúde a ; pôr como condição; ressalvar; livrar do Inferno ou do Purgatório; remir; conservar intacto; cumprimentar. [Dic. Porto Ed.]

Entre outras interpretações possíveis, a operação de engenharia financeira que se avizinha deverá ser entendida como:

1. O Banco Popular vai ser posto a salvo pelo Estado português (com garantias sobre o dinheiro dos contribuintes) de uma qualquer maroteira alegadamente perpetrada por indeterminados meliantes.
2. O Estado português (com o dinheiro dos contribuintes) vai galgar (isto é, passar por cima, saltando) toda e qualquer chatice ou burrada que tenham feito os responsáveis pelo BPP, inchando aquele prestimosamente com largos milhões de contos dos antigos para salvar este.
3. Um consórcio de Bancos portugueses (com o aval do Estado, ou seja, à custa dos contribuintes) prepara-se para livrar do Inferno ou do Purgatório uma das instituições bancárias mais irrelevantes do país, injectando nesta - a troco de coisa nenhuma e não se sabendo por alminha de quem - uma data de camiões carregados de notas.
4. O BPP, vá-se lá saber porquê, considera que, estando agora constipado, e tendo-lhe o mal vindo de repente, tem todo o direito a que o Estado português (por interposto Formitrol, ou seja, o erário público) o não tome por imprevidente, o defenda e lhe dê saúde.
5. O Banco Popular Português acha que, sendo pessoa (colectiva) de bem e, por sinal, muito pouco habituada a más-criações, o Estado português (enquanto fiel depositário das economias dos cidadãos) tem a obrigação de o cumprimentar, a ele, Banco, passando-lhe para as unhas uma pequena fortuna, uma nada desprezível maquia, uns quantos milhões, até porque é assim mesmo, passando maços de notas entre si, que os Bancos se cumprimentam uns aos outros.
6. O Estado português, por interpostas instituições bancárias, considera ser seu dever alimentar incompetentes e ladrões, desde que se intitulem como “gestores”, patrocinando através do dinheiro dos portugueses as passadas, as presentes e as futuras golpadas de Bancos tão insignificantes como o BPP, isto na condição, obviamente, de alguém - algures no processo - dizer que o guito é para “remir” ou para “ressalvar” uma porra qualquer. Dizer “conservar intacto”, para o caso, também serve.

 
At 6 de dezembro de 2008 às 17:41, Anonymous João T. said...

Dêem-me os parabéns!
Sou avalista do Banco Privado.

Não me apetece ser cliente, porque eles queriam-me 250 mil euros de depósito mínimo e não me dá jeito ir agora a correr buscar algum às ilhas Caimão onde o tenho a render 8% em investimentos ligados à Ciência e à Educação.

Mas não faz mal.
Não sou cliente, mas sou avalista, juntamente consigo que está a ler isto neste momento, se for português.
E se pagar impostos. Somos só 4 milhões a pagá-los.
Se pertencessemos a alguma etnia não pagávamos nada e recebíamos o rendimento social de inserção para isso mesmo.
Se nos dedicássemos à mui nobre arte de diminuir o património alheio, ou à comercialização de químicos alternativos, também não pagávamos impostos. Recebíamos o mesmo Rendimento retirado dos impostos de quem trabalha.
Mas não pertencemos a nenhuma dessas castas privilegiadas... paciência.

Mas não há que desanimar: acabamos de ser nomeados avalistas do BPP pelo Estado Português.
Se o Banco for à falência eu e você seremos chamados a contribuir para que os banqueiros não percam as imensas fortunas que acumularam ao longo de uma vida inteira de árduo trabalho alheio.

Umas poucas centenas de euros tiradas a cada um de nós, o que é isso?
Insignificâncias.
O importante é que os srs banqueiros não desmoralizem e continuem a dedicar-se, com o afinco que têm demonstrado, ao Bem do País.

Estes 4 milhões de portugueses que, na sua maioria, nem condições tinham para ser avalistas dos seus próprios filhos num empréstimo para a compra de uma humilde casinha, têm finalmente razões para sorrir!
Agora tudo mudou.
Agora somos todos, finalmente, avalistas dos maiores milionários de Portugal!
Que bom para a nossa auto-estima!

 

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